História A história de Andromeda Black e Teddy Tonks - Capítulo 79


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Palavras 4.577
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oiiie amores, aqui está mais um cap para vocês.
Dei uma mudada e coloquei um P.O.V diferente, dessa vez da Mãe da Andrômeda - Druella Black.
Espero que gostem.

Boa leitura.

Capítulo 79 - Tapeçaria em chamas.


Fanfic / Fanfiction A história de Andromeda Black e Teddy Tonks - Capítulo 79 - Tapeçaria em chamas.

P.O.V DRUELLA BLACK

- Cygnus... por favor... não. Não podemos deixa-la... – eu agarrei seu punho para que deixasse aquela tolice de lado e olhasse para nossa filha e visse a besteira que ele estava fazendo. – Ela é nossa filha...

Ele até olhou para trás, mas era melhor que não o fizesse. Seu rosto não estava normal... não era Cygnus, seus olhos acinzentados estavam vermelhos de raiva.

- Não é mais... – eu travei... perdi a força na mão e ele subiu para o nosso quarto.

Nem acreditava no que tinha ouvido... não sabia nem por onde começar. Aquilo me abalou profundamente, mas não podia chorar. Olhei para minha menina no meio da sala, tão afetada quanto eu... tive que manter a compostura, ser forte por nós duas.

Respirei fundo e desci as escadas como a dama que fui ensinada a ser. Mas foi chegar na frente daquela menininha que meu mundo pareceu desmoronar... ela tremia, tentava manter a pose de forte, mas eu sabia que estava quebrada por dentro. Tinha enfrentado mais coisa na ultima hora do que muitos em uma vida inteira... Eu queria abraça-la e chorar junto com minha garotinha, mas não podia. Tudo era muito complicado agora.

Tentei falar algo para consola-la, mas nada saiu.

Engoli o choro ... precisava ser forte por nós duas.

 - Fique tranqüila meu amor, eu vou... vou dar um jeito nisso – sussurrei em seu ouvido e beijei sua testa delicadamente e subi as escadas.

....

 Ainda no topo da escada era possível ouvir o som de objetos quebrando no meu quarto. Coloquei a mão na maçaneta pensando quando seria a boa hora de entrar. Não estava preparada para o que quer que eu teria que enfrentar, mas pela minha Andrômeda acharia alguma força.

O quarto estava aos pedaços. Os vasos estavam reduzidos a cacos por todo o chão. O espelho da minha penteadeira estava tão rachado que o sopro mais leve o estouraria... O momento em que entrei Cygnus levou uma cadeira no alto e a estilhaçou na parede.

- Já acabou? – me coloquei a frente da porta com as mãos entrelaçadas, como uma esposa exemplar.

Muitas teriam medo de sequer confrontar seu marido, principalmente na alta sociedade em que vivemos onde as mulheres são moldadas desde pequenas para serem inúteis bonecas de porcelana. Porém, mesmo sendo de puro sangue minha família nunca teve renda, o que me fez crescer sem tutora. Tudo o que sou eu aprendi com a vida... fui marginalizada pela sociedade e mesmo assim o destino me uniu a um homem de grande status e fui me moldando a sua casa e suas tradições.

Meu pai era um monstro e vivia batendo na minha mãe e em mim... mas eu nunca abaixei a cabeça. Sempre tentei defende-la, sempre enfrentava meu pai sem ligar para minha compostura ou as seqüelas de tanto apanhar. Não tenho medo de homem nenhum e embora o tempo tenha me transformado em uma dama, nunca me esqueci do que era e nunca deixaria alguém passar em cima de mim, nem mesmo meu pai, nem mesmo o meu esposo.

Cygnus parecia uma fera... como um lobisomem descontrolado.

- Precisamos conversar.

- Não há nada para falar. – ele rosnou.

- Nada para falar? Você tem noção do que fez a sua filha?

- Ela não é minha filha! – ele avançou na minha direção como se fosse me atacar, mas apenas se colocou na minha frente com toda sua raiva- Nem sua também

- Como ousa...

- Como eu ouso? EU? Você estava lá, viu o que aquela traidora fez...

- Ela errou Cygnus, ela errou assim como todo mundo... basta da-la um castigo.

Ele riu ironicamente e saiu andando pelo quarto.

- Erros são castigados, Druella... mas o que ela fez... o que ela escolheu fazer...

- E todos nós não escolhemos errar?

- Mulher, não se faça de tola. Eu dei a ela a chance de se redimir e em troca aquela bastarda olhou em meus olhos e escolheu aquele... aquele... sangue ruim.

- Eu não admito que fale da sua filha desse jeito Cygnus Black!!! – até fiquei nas pontas dos pés para poder peita-lo. – Ela é apenas uma menina que se apaixonou pela pessoa errada... não é nada de mais. Podemos concertar...

- Merlin, você consegue se ouvir? – ele se aproximou... podia sentir o cheiro do vinho que exalava ele – Pare de passar a mão na cabeça delas Druella. Andrômeda já é uma mulher em idade de casar, sempre foi a mais madura de nossas filhas e sempre soube muito bem o que fazer e o que ela fez é imperdoável!!!

- Mas Cyg...

- Nada de “mas”... olhe um pouco para nosso lado. Ela nos enganou... trouxe um sangue ruim para nossa casa... ele se sentou em nossa mesa, comeu de nossa comida como se fossemos iguais. NÓS? CEANDO COM A ESCÓRIA, SERVINDO O ESCREMENTO DA SOCIEDADE. Se meu pai soubesse disso estaria se revirando no túmulo.

- Vamos puni-la então... vamos... vamos ainda hoje para o lago e a trancamos no quarto até o casamento...

- E você acha que eu vou querer fazer isso com os Malfoy? Já basta a desonra que ela causou a nossa família, não desejo esse sentimento de desprezo a ninguém. – ele começou a rir como um maníaco – Mas vamos lá, vamos fingir que eu passe por cima de tudo que acredito e aceite seu castigo... acha mesmo que depois dela se jogar na frente de um Crucio, vai aceitar isso? Ela sempre será uma preocupação para nós... estará sempre fugindo... a não ser que usassemos um Obliviate...

 - Você está falando sério? Acabou de enfeitiçar a sua filha e já está pensando em fazer-lo de novo?

- Não penso, Druella, porque isso nunca iria acontecer. Jamais seria um castigo a altura...

- E qual seria um castigo ideal a ela?

- A morte. – Cygnus disse friamente.

As minhas pernas falharam... e tive que procurar apoio em algum lugar. Acabei sentando na cama ainda tonta com aquilo... algumas lágrimas caíram de meu rosto.

Quem era aquele monstro a minha frente...

- Vo... voc.. você não teria coragem de... de fazer isso.

- Se meu pai estivesse aqui seria a única opção...

- Seu pai era um demônio...

- Mas era um homem firme, que sabia dar valor a seus ideais e fazia o que tinha que fazer sem dó para que tudo andasse na linha. Já que para ele a tolerância só serve para sermos fracos. – ele cuspia aquelas palavras em mim. – Porém, não me julgue de monstro quando estou tendo compaixão.

- Você acabou de amaldiçoar a sua filha!!! Sabe significado dessa palavra?

- Embora a lei das tradições seja a morte, creio eu que existem mais de um jeito de matar alguém. E estou dando a ela o mínimo de consideração que ela não teve conosco. – ele ignorou meu comentário e falava como se fosse um príncipe. – A partir de hoje aquela garota nunca existiu.

- Não ouse me pedir para esquecer uma de minhas filhas. Eu a carreguei por nove meses, eu a gerei. Vi aos poucos mina barriga ir se transformando junto com ela até te-la em meus braços e ver o seu rostinho lindo... o  bebê que fiz. Você sabe o quanto eu amava a minha barriga enorme, como gostava do vestido volumoso e o quanto era mágico ficar acariciando ela no banho... – lembrar daqueles momentos me fizeram começar a chorar – Depois que ela nasceu foi difícil largar... queria segura-la o tempo todo.... Eu a amamentava!!! E mesmo com três filhas eu sempre fiz questão de educa-las e ama-las de forma igualitária... E dos meus dezoito até os meus atuais trinta e cinco eu pude ver aquele bebê se transformando na menina bonita, diferente, tímida, simples e inteligente que Andrômeda é...

- Você querendo ou não terá de esquece-la – Cygnus falou frio e calculista – Se preferir posso apagar sua memória... para ficar mais fácil.

Ele tentou ser mais comprenssivo... se aproximou e pois a mão delicadamente em meu ombro, mas a tirei.

- Eu sou mãe dela e uma vez mãe, sempre mãe. Não é só porque você decidiu que não é mais pai que eu irei te seguir, quer expulsar nossa filha... expulse, sei que não tenho voz para desfazer o que fez. Mas não ouse tira-la de minhas memórias.

- Se prefere o jeito difícil, ótimo. Quer guarda-la na memória, tudo bem... contanto que fique somente na lembrança, pois já deixo claro que seu nome nunca mais será pronunciado nessa casa. A partir de hoje se comportará como mãe de duas garotas, Bellatrix e Narcisa.

Ele foi em direção ao banheiro sem dizer mais nenhuma palavra...

- Vejo que virou monstro que seu pai queria que fosse. – limpei minha lágrimas - Espero que esteja satisfeito com suas decisões, pois saiba que não está perdendo só sua filha, mas sua esposa também.

Cygnus parou de costas para mim, o silêncio tomou conta do quarto...

- Como queira... – ele fez um breve aceno com a varinha e bateu a porta ao entrar no banheiro.

Não compreendi o que tinha acontecido, mas logo entendi...

Olhei para as molduras estilhaçadas no chão e pude ver Andrômeda desaparecendo... peguei outra e mais outra e estava acontecendo a mesma coisa. Sai do quarto correndo olhando para todos os quadros onde gradativamente ela ia sumindo... Peguei um retrato tirado no lago onde as três ainda crianças brincavam de bola... e ela foi se desfazendo e as fotos iam se ajeitando para que parecesse que Andrômeda jamais tivesse existido. Corri como se minha vida dependesse disso para tentar salvar alguma. Na sala quando tentei pegar o último quadro já era tarde de mais...

Cai de joelhos no chão... chorando sem ligar para postura que passei tantos anos mantendo. Nem me lembrava quando tinha chorado daquele jeito...

Mas uma luzinha brilhou na minha mente... desesperada peguei meu camafeu que sempre carregava no pescoço debaixo das roupas e o abri. Era um lindo coração com uma estrela de esmeralda dentro, ele se abria em três partes. Cada parte a foto de uma de minhas meninas... minhas três meninas. Comprei logo depois que Narcisa nasceu e coloquei as fotos... geralmente ia atualizando, mas a muito tempo não fazia isso. Então segurei a foto de Andie ainda mocinha com seus catorze, quinze anos.

Me lembro que assim que comprei o camafeu joguei um feitiço para que nada nunca o destruísse... um feitiço baseado no meu amor pelas minha três estrelinhas. Sequei as lágrimas que ainda caiam... feliz de ter pelo menos uma única foto dela. E isso é o que me manteria forte... isso que não me faria enlouquecer e me daria força para aguentar todos os anos de silêncio que terei pela frente.

Olhei para a tapeçaria... e vi que ela ainda estava lá. Também vi todos os  queimados que cometeram graves erros, sempre os tinha julgado por suas escolhas e agora me vejo de pés trocados já que minha filha é uma deles. Sei que deveria sentir raiva, que deveria sentir o desprezo que Cygnus sente porque ela escolheu nos deixar por... por aquele sangue ruim, mas...

Não consigo sentir raiva... Eu vi os dois juntos, nessa mesma sala sorrindo e se beijando como um casal apaixonado com grande amor nos olhos. Nem precisei de muito para ver que aquilo era real e que ela estava feliz... nunca nesses dezessete anos dela a vi sorrir como tinha sorrido com aquele rapaz. Eles se amavam... assim como todos os outros excluídos da família devem ter se apaixonado por alguém que por acaso não era da mesma linhagem... barrados pela ignorancia. Acariciei o rostinhos dela na tapeçaria... pensei em queima-lo eu mesma para que não o fizessem por ódio, mas não consegui fazer isso. Não estava preparada... dei um beijo em sua imagem e subi para o quarto...

Dei um jeito na bagunça daquele quarto e me vesti... Cygnus já dormia. Pensei em fugir daquela casa, mas a balança não me deixaria ir. Afinal ainda era mãe de duas meninas que acabaram de perder a irmã, não seria justo que perdessem a mãe também... embora eu tivesse um profundo nojo de me deitar naquela cama com um homem que eu achei que amasse. Tudo seria diferente dali em diante...

Eu só teria de ser forte...

...

P.O.V ANDRÔMEDA.

Chegar em casa foi fácil, difícil mesmo foi ter que encarar entrar lá novamente. Subi os degraus com as pernas bambas e quando cheguei na porta pensei em ir embora umas trinta vezes... coloquei a mão na maçaneta e mal tinha força para gira-la... mas Teddy veio em minha cabeça. Pensando que precisaria de mim logo então eu não tinha tempo a perder.

Abri a porta com delicadeza e tomei cuidado com cada passo, já que não bastava a invisibilidade se eu quebrasse alguma coisa e fazer esse tipo de coisa era bem a minha cara. Subia as escadas pulando aquele degrau que eu sabia que rangia independente do cuidado. Passei pela cabeças dos Elfos penduradas e fiquei bem atenta para ter certeza de que os quadros de nossos antepassados estavam dormindo. Principalmente o da minha vó que roncava a altos pulmões.

Fui até meu quarto e como a porta sempre rangia durante a noite lancei um feitiço para que eu pudesse atravessar a porta... havia muita informação no quarto.

Minhas coisas estavam todas reviradas... um verdadeiro caos. Minhas roupas na maioria rasgadas, meus livros todos jogados no chão forrados com páginas e mais páginas arrancadas com brutalidade, meu pertences estavam todos destruídos... tudo o que era de vidro estava estilhaçado.... assim como minha cômoda que foi partida ao meio e o espelho reduzidos a cacos. Até minha cama que antes tinha meu nome entalhado no mogno estava todo riscado como se tivessem feito uma bagunça com um prego. Mas a melhor parte estava desenhado na parede

“ Vadia Suja”

Em letras bem grandes e ameaçadoras, escritas com o que um dia foi um batom meu. Com certeza obra de Bella...

Me sentei ainda sem acreditar em tamanha destruição ao mesmo tempo que eu devia já esperar que Bella se rebelasse de alguma forma... Até que era pouca coisa como que eu podia imaginar. Até a procurei, mas quando olhei para sua cama... ela não estava lá. Talvez tivesse ido para sua casa ter um piti com alguém que agüentasse.

Acabei me deparando com Narcisa... deitada toda encolhida na sua cama, com a maquiagem toda borrada, mas o que me chamou a atenção foi o ursinho que ela estava tão fortemente abraçada. Aquele era um ursinho que eu dei a ela a muitos e muitos anos atrás... achei que ela já tivesse jogado fora e pelo estado que o pobrezinho estava pensei que já tivesse tentado kk e aquilo me comoveu e me fez ver que eu não tinha raiva dela e sim pena... pena de uma menina tão capaz de tudo e manipulada por todos, destinada ao caminha que eu iria seguir se Teddy não tivesse aparecido na minha vida...

Não me apeguei muito aqueles pensamentos, pois eu deveria ser rápida e não sentimental. Peguei meu malão de Hogwarts e fui restaurando os pertences, roupas e livros que eu achava necessários e não preenchi nem meio malão. Tentei pegar o mínimo possível, pois quando eu tivesse meu dinheiro para ter as minhas coisas eu iria me desfazer de cada peça que estava levando. Quando falei para meu tio que não queria nada deles, falava sério. Foi mexendo no que restou de minha gavetas que achei um caixa de veludo azul escondida no meio de tantas roupas.

Abri com cuidado... não demorei para lembrar que era a tiara que minha mãe tinha me dado a poucos dias atrás... poucos dias que agora pareciam anos. Olhei para aquela beleza de jóia... extravagante de mais para mim, mas que mamãe me deu com todo o carinho...

Eu não... não podia leva-la. A essa altura ela devia me odiar... então se eu levasse provavelmente seria considerado como roubo, um dos motivos para  que ele nos caçassem. Não queria desonrar a família dela também... coloquei no bolso da capa ainda pensando o que fazer.

As pressas eu fechei com cuidado, fui indo de vagar para a porta e bati com tudo... esqueci de enfeitiçar o malão para atravessar a porta comigo. Meu coração batia tão forte que fiquei com medo dele ser mais alto do que o outro barulho. Voltei para o quarto e olhei Narcisa morrendo de medo, mas graças a Merlin ela continuava imóvel.

Fui andando para trás sem me ligar muito o quanto já tinha percorrido até que encostei levemente na porta do quarto dos meus pais, Me virei rapidamente com medo de fazer mais barulho. Eu olhava para aquela porta por muito tempo Imaginando como ele estariam agora... quis entrar para vê-los. Segurei a maçaneta e outro pensando várias vezes em entrar para poder me despedir deles... vê-los por uma última vez.

No momento em que me senti mais decidida a abrir a porta, uma onda de medo percorreu meu corpo como um aviso. Se eu entrasse lá poderia ser meu fim... não sabia se tinham reforçado a segurança. Talvez o feitiço da capa se desfaria na frente deles. Talvez estivesse me esperando ou instalado um encanto que notasse minha presença. Meu pai já havia sido muito bonzinho em me expulsar, se eu brincasse com fogo novamente poderia ser o meu fim... afinal eu não era mais filha dele, apenas uma traidora do sangue em uma guerra em que pessoas como eu são mortas. Minha família financiava aquilo... seria uma vergonha se não pusessem em prática o que acreditam. Até mesmo minha mãe que no momento do  choque tentou me ajudar deve estar me odiando agora...

Não era mais o momento de arriscar. Agora e talvez para sempre teríamos de tomar cuidado. Larguei a maçaneta e sequei uma lágrima solitária que caiu... me doía saber que a ultima lembrança que eu teria deles era a pior possível. O ódio nos olhos de meu pai viraram a minha maior cicatriz... e embora eles fossem tudo aquilo que eu mais odiava nesse mundo, eram meus pais...

Acabei me afastando muito bruscamente e bati na mesinha do corredor... Merlin, porque eu tinha que ser tão desastrada? Novamente tentei calar a minha respiração... rezando para que ninguém viesse, mas não demorou muito para ouvir o som de uma porta abrindo...

Era minha mãe... com sua camisola de seda azul turquesa. Ela saiu o quarto desesperada olhando tudo em volta. Quando não achou o que quer que estivesse aflita procurando seus olhos marejaram. Ela se segurava com força um colar com um enorme pingente de coração que me era familiar... Dei um passo a frente, mesmo com medo dela ouvir meu coração que parecia estar na minha garganta. Fiquei a um palmo de distancia dela. Gravei cada centímetro de seu rosto triste e me perguntei se estaria chorando por minha perda ou por decepção. Preferi escolher a primeira opção... até triste ela era a mulher mais linda que eu já tinha visto...

Ela logo se recolheu e voltou para o quarto me deixando ali, parada contemplando nosso último encontro. Que embora ela nunca soubesse... eu jamais esqueceria.

Ainda estava agarrada com a caixinha do enfeite de cabelo que ela havia me dado... agora mais eu nunca eu estava dividida em deixar ou ficar com ela. Mas como eu sabia, aquilo poderia ser usado contra mim e não podíamos brincar com a sorte mais uma vez. Foi com grande pesar que deixei aquela caixinha de veludo lá e corri até as escadas.

- Andie? – a voz de Nacisa surgiu atrás de mim. Meu corpo congelou... paralizei ali mesmo, no meio da escada. Não virei e pensei em seguir em frente achando que aquilo poderia ser só minha cabeça me pegando uma peça. – Andie, eu sei que está aqui... por favor, apareça.

Olhei para o topo da escada e lá estava minha irmã caçula. Com a mesma expressão curiosa de mamãe. Fiquei quieta observado ela... nós duas paradas na escada esquecidas que o mundo existia naquela madrugada seca de verão.

O tempo estava passando e eu não podia perder um segundo sequer... Tio Alphard tinha me aconselhado a entrar e sair para pegar o necessário, sem ser sentimental.  Que eu estava falhando com sucesso.

Olhando para Narcisa imaginei se aquilo seria um truque para me pegar, se ela estaria disposta a me trair de novo... Estaria novamente em um plano de Bellatrix para me pegar? Não... não podia arriscar... me virei e desci mais um degrau.

- Por favor,  Andie... – ela já estava chorando baixinho.  colocou a varinha no pé da escada e se ajoelhou. – Apareça...

Não sei se era sua aparência hipnotizadora ou o fato de eu ser trouxa e ter um coração muito mole... mas decidi tirar a capa da invisibilidade.

No momento em que apareci Narcisa sorriu em meio ao choro que tanto tentava controlar e veio se rastejando aos meus pés...

- O que você quer?

...

- Que... bom que está... que está... que está viva. – eu a olhei indiferente enquanto ela se agarrava na minha saia.

-Não graças a você, não é...

- Não... por favor, eu... eu não queria, mas...

- Mas fez... fez porque Bellatrix te induziu a dizer? Não... você tinha uma escolha e decidiu optar pelo caminho mais fácil.

Os soluços dela começaram a ficar altos, com medo que alguém acordasse lancei uma bolha para que ninguém nos ouvisse.

- Eu... eu não sabia o... o que fazer, estava com medo. Com medo... medo por mim e por você... Bella disse... disse que te ajudaria...

- E você acreditou mesmo que ela faria isso em uma situação como aquela? – eu a soltei da minha saia – Sabe Narcisa estou começando a achar que toda sua ingenuidade não passa de burrice... Nós dois tivemos sorte sairmos daqui com vida. Você diz se sentir culpada agora, mas e se eu estivesse morta hein?

- Me... me desculpe Andie... Se eu não tivesse falado.... talvez tudo... tudo teria dado certo e... Merlin o Crucio... Me desculpe minha irmã...

- Não ouviu a todos? Não somos mais irmãs... – sei que eu não deveria sentir compaixão por ela... Narcisa foi uma das grandes traidoras dessa história, mas aquilo me doeu muito – Não tenho tempo para me lamentar, então não se preocupe com o que aconteceu... agora sou livre. Me libertei de todas as correntes que jogaram em mim e falei tudo o que um dia guardei ... provei a mim mesma que era forte e corajosa. Espero que um dia você possa sentir algo parecido com isso.

Eu a lancei um último olhar.... sem ódio ou rancor e continuei descendo as escadas.

- Espere... – foi no em um suspiro forte que ela me prendeu.

Ela sumiu e foi para o quarto, pensei em sumir dali enquanto isso, mas algo me fez ficar... consideração... amor. Eu não sei... só acho que não estava totalmente pronta para deixar aquele lugar de vez. Narcisa então apareceu com uma caixinha brilhante.

- Pegue... – ela a deixou em minhas mãos.

Aquilo não me era estranho... uma bela caixinha de ouro que talvez tivesse pertencido a minha avó acho...

Quando abri vi um amontoado de jóias... jóias de primeira qualidade.

- Na... não posso aceitar... – tentei devolve-la, mas ela recusou.

- Não precisa se preocupar... não foi o papai que comprou. – sabia que ela devia ter lido a minha mente, mas preferi não brigar – De vez em quando eu escrevia algumas criticas para as marcas de produtos de beleza que eu testava e eles me remuneravam... uma ou outra são presentes de noivado do Dolohov, estava pensando um jeito de como me livrar delas.

- Obrigada por isso... mas não...

- Andie... por favor. Sei que está magoada comigo e todo o resto, está certa em ficar. Mas pelo o que tivemos, aceite. – antes que eu abrisse a boca para recusar ela continuou. – Eu estraguei algo que poderia dar certo... me permita pelo menos ajuda-la em algo... não quero imaginar que está passando por alguma necessidade.

- Para limpar sua consciência...

- Não, porque você é minha irmã... não importa o que os outros falem.

- Obrigada... 

- E a propósito... – ela me vez voltar a olhar para ela e me estendeu a caixa de veludo que tinha deixado na porta dos meus pais. – Eu sei que ela queria que isso ficasse com você.

- Narcisa...

- Realize um sonho dela... e seja feliz... – assim que peguei a caixa dei um beijo na bochecha dela.

- Seja feliz...

Narcisa então subiu as escadas e me deixou lá em baixo... Guardei as duas caixinhas no malão. E quando estava prestes a ir embora olhei para uma foto em que estava com meus pais e minha irmãs... mas notei que algo faltava... esse algo era eu.

Andei pela sala, observei as paredes e mesinhas.. todas as fotos em que eu estava foram apagadas. Organizadas para que parecesse que eu nunca tinha existido... minhas pernas perderam as forças. Aquilo foi outra facada em meu peito e a última que iria aceitar.

Com sangue nos olhos corri para o escritório de meu pai e agarrei um pergaminho e uma pena. Escrevi uma carta com tudo o que tinha no peito!

Chega, mais nada me tiraria o sono... ia colocar dezessete anos de raiva suprimida em um pergaminho curto e breve!

Quando acabei pensei no que seria um lugar perfeito para colocar, mal percebi que estava de frente para ele. A tapeçaria iluminada sorria para mim... observei os buracos queimados pensando no que eles deveriam ter passado.

Fizeram o que acreditavam e lutaram por quem amaram e acabaram assim, esquecidos e quiemados por pessoas que nunca valorizaram tudo o que enfrentaram...

Não...

Comigo não seria assim.

Peguei a minha varinha, olhei bem para todos os meus ancestrais e ri da cara deles.

- Hoje renuncio a minha família e corto os laços de sangue...

Escrevi bem destacado no topo da carta

- adolebitque sordidum – enfiei a varinha em meu rosto bordado e o vi queimar em uma chama esverdeada e azul... até que desapareceu.

Aquela chama ficou nos meus olhos por um bom tempo e em cima do buraco ainda em cinzas preguei a minha carta!!!

Do alto da escada ouvi o quadro de minha avó gritando coisas horríveis sobre mim

- Traidora... traidora... sangue sujo... decepção...

Nada que não fosse verdade... admito. Mas nada daquilo me afetava, não mais.

Era a minha hora de sair.

Carreguei o meu malão do jeito “trouxa” e me despedi daquela casa com o queixo erguido.

Agora que encerrei com meu passado estava pronta para começar o meu futuro.

O que me importava agora era me encontrar com Teddy.

Arrumar um canto para nós, arranjar empregos e organizar as coisas para nossa família.

Era apavorante, mas eu estava pronta para me aventurar com minha liberdade e moldar minha própria vida. 

Sai pela porta da frente de cabeça erguida, algo que eu também deveria me acostumar. 

desci os degraus como uma rainha, cheia de mim... cheia de um poder que eu jamais havia experimentado. Quando em fim cheguei a calçada me permiti olhar uma última vez para trás e me despedir de fez de tudo o que tinha vivido ali. 

Aquela até que foi uma boa casa... mas nunca meu lar. 

Então tomei meu rumo, para uma vida inteiramente nova. 


Notas Finais


Então !!! Essa foi a despedida completa de Andie sobre sua casa !!!
No começo da Fic ela era uma menina tímida, retraía e medrosa kk e agora finalmente uma mulher livre e forte, corajosa acima de tudo para começar a nova vida mesmo que não seja fácil...

Vocês imaginam a cara dos parentes dela quando acordarem e verem o que ela fez kkk

Bem agora, o mundo real os aguardam. Não esquecendo o quanto e complicado surgir das cinzas, mas nunca impossivel e sempre ressaltando que estamos na primeira guerra bruxa, pessoal.

E uma notinha que eu queria deixar é o feitiço que ela usou kkk É de minha autoria.
O adolebitque sordidum significa " Queimo o sujo " e passei para o latim como são todos os feitiços de HP.

Espero muito que vocês tenham gostado.
Um grande beijo
até o próximo capitulo


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