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História A História de uma Caçadora - Capítulo 3


Escrita por: AmorzinhaMP

Notas do Autor


Oi pessoaaaalll! :)
Como vocês estão? Estão se cuidam e se protegendo? Espero que sim!

Quero agradecer imensamente pelo os comentários e favoritos! Vocês sabem como me deixar feliz! *-* Leitores novos, sejam bem-vindos.

O capítulo de hoje é bem maior comparado aos demais e os próximos também seguirão essa média. Espero que gostem!

Boa leitura! ;*

Capítulo 3 - Capiítulo 3


 

Desde quando saí do orfanato, sempre tive um lugar para voltar, duas casas que seria impossível chamar de lar. Herdei tudo o que meus pais possuíam: as casas, o Honda Civic de 2001 que papai amava e cuidava, as contas no banco com quantias muito maiores do que pude imaginar, quase caí para trás ao ver o dinheiro que meus pais haviam investido para a faculdade dos três filhos. Apenas só me foi permitido desfrutar e tomar posse da minha herança quando atingi a maioridade e passei a ser legalmente responsável por mim mesma, ou seja, poderia ser presa com mais facilidade pois não haveria um responsável a ser chamado.  

Permaneci na casa da capital por poucos dias após o meu aniversário. 

Nos primeiros dias, arrumei toda a casa retirando o pó acumulado de 6 anos, matando insetos, cortando a grama, lavando o telhado, uma verdadeira faxina. Nesses dias pude ter a certeza do quão bem passei a controlar as minhas emoções, pois era difícil estar ali onde tudo ainda estava como antes: as fotos, as roupas, nossas bicicletas, nossos jogos de tabuleiro, meus livros, o vídeo game, a coleção de fita cassete do papai, e os vasos da mamãe com as plantas completamente mortas estavam exatamente como foi deixado. Também constatei que sentia falta deles mais do que imaginava e o quanto a ausência deles me deixou vazia, sem vontade de ser feliz e sem a capacidade de amar a si mesma.  A única coisa que me restou, foi o meu objetivo de fazer vingança e seguir para a almejada paz ao lado deles. Afinal, depois que eu matasse o monstro que destruiu a minha família, o que mais poderia fazer?

Nos dias seguintes, arrumei o carro, estava decidida a seguir na estrada e para começar, meu destino era Los Angeles. Há poucos dias havia encontrado uma pista que me levava direto para a cidade dos cineastas, onde iria conseguir outras informações que me levariam a novos lugares e assim, eu decidi que viveria. 

Minhas roupas velhas foram amassadas dentro de uma mala, na outra acomodei os poucos pertences que consegui colecionar em todos esses anos que estive sozinha. Ao andar pela sala no intuito de despedir da casa, meus olhos repousaram no porta retrato que ficava sobre a prateleira da lareira, na foto eu deveria ter apenas 8 anos, estava nos braços do meu pai, minha mãe ao nosso lado sorria, meus irmãos faziam pose de modelo para a câmera. Meus olhos se encheram de lagrimas e me chamei de idiota. Desmontei o porta retrato e dobrei a foto de forma que coubesse na carteira, isso era para eu nunca esquecer do quanto fomos felizes e que eu os amava incondicionalmente e verdadeiramente mesmo após 6 anos. 

Depois disso, simplesmente sai de Austin sem olhar o que estava deixando para trás. 

Ao longo dos anos muitas coisas aconteceram, seria um livro somente sobre esses acontecimentos, mas de uma forma breve, nunca me acomodei em um destino fixo, não encontrei um lugar para chamar de lar, apenas seguia em busca de informações preciosas e ajudando pessoas que cruzavam o meu caminho. 

Assim como planejei, estava sempre caçando.

A primeira vez que matei um demônio foi... Estranhamente prazeroso. Era como se aliviasse todos os sentimentos, toda a raiva, todo o rancor e toda angústia enquanto a adrenalina corria rápido pelas minhas veias. Em contrapartida, não me lembro de ter apanhado tanto como apanhei naquela noite. Meu corpo inteiro ficou dolorido durante uma semana inteira, mas fui capaz de salvar duas vidas, um casal para ser mais exata. Também foi uma sensação de dever cumprido, pois ao livrar duas pessoas de serem comidas por um demônio que vagava pelas ruas São Francisco, entendi que estava seguindo com o meu destino.

E assim foi durante esses 8 anos desde que me tornei uma caçadora, sempre salvando o máximo de pessoas que posso e sempre indo em busca de alguma informação que me levasse até aquela maldita vadia que destruiu a minha vida. Foram muitas pistas falsas, muitas fraturas e cicatrizes, muitas emboscadas com a polícia por entrar em local privado ou proibido, mas ainda bem que pelo menos as operadoras de cartões nunca conseguiram me pegar clonando cartões de crédito. É... para conseguir sobreviver precisei saber mais sobre informática do que eu realmente gostaria, mas sabe, até que levo jeito para coisa, ou simplesmente sou uma boa golpista.

Conheci muita gente com histórias parecidas com a minha, pessoas que perderam um ente querido por alguma espécie de demônio, ou que sobreviveram a esse tipo de ataque, caçadores que encontraram nessa vida desprezível uma maneira de amenizar a dor, seres humanos que encontraram na vingança um sentido para continuar sobrevivendo.

Eu cruzo o país, indo de Norte a Sul, de Leste a Oeste, não há uma das 50 capitais dos Estados Unidos que não conheça. Esses demônios parecem mais pragas de tanto que estão espalhados e são tão numerosos, que poderia deixar qualquer caçador desanimado, mas acredite a maioria dos que entraram no meu caminho, não ficaram vivos para contar história. 

Antes que haja questionamentos, eu não pude me apaixonar novamente, nunca poderia voltar a ter esse privilégio, quanto mais encontrar o amor da minha vida. Levou muito tempo para que eu pudesse superar o Noah, e não queria passar novamente pela dor de não ser boa o suficiente para alguém. Então houveram alguns casos casuais que não duraram mais que uma ou duas noites, afinal eu não nunca poderia criar raízes, pois significaria colocar a segurança de alguém à prova.

Mas deixando a vida amorosa que eu não tenho de lado, há algo que eu encontrei na lanchonete do centro de Nova York essa semana, ou melhor, alguém que me dará informações preciosas sobre aquela coisa. E é exatamente o meu objetivo essa noite, ir ao encontro do meu precioso informante.

 

02 de Dezembro, 2020.

Me hospedei em um hotel perto do centro de Nova York, o lugar não era grande coisa, mas era muito confortável e bonito pelo preço que estava pagando, o famoso bom, bonito e barato. Não foi apenas pelo custo e benefício que o escolhi, a localização dele era perfeita para caso precisasse fazer uma fuga, era escondido o suficiente para não me acharem dentro das primeiras horas.

Providenciei tudo o que provavelmente iria precisar para hoje à noite, esforcei-me bastante para fazer um lindo cara abrir a boca sobre o seu precioso trabalho, ficarei frustrada caso meu plano não saia como planejei. 

Me arrumei como há muito não fazia, escovei minhas madeixas negras as deixando ainda mais lisas —Sempre que fazia isso me recordava da minha mãe, meu cabelo era o mesmo que o dela— mas os prendi em um coque com palitos feitos de prata. Completei com uma maquiagem com direito a batom vermelho. Estava muito frio em Nova York, a previsão do tempo indicava que a temperatura estava por volta dos 2º graus, mas mesmo assim coloquei a droga de um vestido justo preto com um decote em “v” deixando o meu colo e o início dos meus seios fartos à mostra. Vesti uma meia fina da cor da pele para amenizar a droga do frio de Dezembro em Nova York e completei com os sapatos. A pior parte sempre é o salto, oh invenção filha da puta! Olhei-me no espelho de corpo inteiro exposto na parede, era quase impossível me reconhecer naquela aparência. Eu estava sim muito bonita, mas odiava me sentir vulgar, quase como uma prostituta. 

Ainda tinha que arrumar lugar para a minha pistola Beretta 84FS CHEETAH já com o silenciador encaixado, mas como não tinha nenhum lugar no corpo por causa do vestido, a coloquei na bolsa. Em meu corpo apenas coloquei uma faca de combate pequena presa por um suporte discreto por dentro das minhas coxas e cobri com o vestido que terminava próximo aos meus joelhos. Agora sim estava pronta para caçar. 

Coloquei meu sobretudo por cima e fui para o estacionamento onde estava o meu carro, Sonata Hyundai. Fui obrigada a vender o carro do papai depois que acabei sofrendo um grave acidente no ano de 2016. Para ser bem sincera, o lado bom de ter ficado três na CTI, foi ter que me desfazer de certas coisas que traziam lembranças assombrosas. 

Consegui chegar na boate em questão de 20 minutos, parei meu carro em uma esquina próxima ao estabelecimento e fui andando, não gostaria que ninguém visse o meu carro e da onde vim pois seria mais fácil para me rastrear. Adentrei o local passando pela entrada vigiada por seguranças e rapidamente pude percebê-lo no meio de diversas pessoas e com a iluminação baixa, há poucos metros de mim lá estava Naraku Onigumo. 

Para o meu total azar ele era ainda mais atrativo que nas fotos que um velho amigo havia me dado. Bom, isso vai acabar na... é... Mal. 

O plano era simples, iria seduzi-lo e fazê-lo me passar informações que me levassem até aquela vadia demoníaca, mas com certeza isso não será nada fácil se levar em consideração de que a cabeça dele está em jogo. E claro, já havia outras mulheres em sua volta, insinuando-se como verdadeiras mulheres da vida, parecia uma aposta de quem conseguiria o tão grande e delicioso prêmio, o que dificultava que ele me notasse. 

Mas eu não poderia admitir que nada, absolutamente nada, estragasse os meus planos. 

Apesar do frio, retirei meu casaco deixando todo o meu vestido vulgar a vista e percebi o olhar malicioso de alguns dos caras sobre mim, aquilo era desagradável, mas era a minha intenção no momento. Andei calmante sobre aqueles saltos finos cruzando levemente uma perna em frente a outra, tentei encarnar a Gisele Bündchen, mas óbvio que não cheguei nem perto. Me sentei à bancada do bar, ficando dentro do campo de visão do Naraku, aproveitei a atenção do barman e pedi um Bourbon para parecer ainda mais convincente. 

Já faz algum tempo que não gostava mais de beber com frequência e nem de fumar, tive que aprender a parar com os vícios quando notei o mal que isso vinha me fazendo, ao ponto de quase perder a vida antes de concluir meu objetivo. 

No momento em que o álcool tocou o meu paladar, me concentrei em não fazer careta quando a bebida desceu queimando minha garganta.

Passei a observar o ambiente em minha volta, Naraku parecia não ter notado minha presença, o que era bom para tentar descobrir se ele estava de fato sozinho. Não havia tanto movimento no lugar, — o que era de se esperar de uma quarta-feira à noite— algumas pessoas se divertiam na pista de dança enquanto outras se concentravam nas bancadas do bar, onde bebiam enlouquecidamente. Não notei ninguém que estivesse vigiando os passos de Naraku, então deduzi que ele estava realmente de folga. Permaneci durante 10 minutos sozinha lendo como Naraku falava com as meninas ao seu redor, na maneira em que ele também jogava seu galanteio para elas e fiz questão de memorizar cada imagem dele, até um cara nitidamente bêbado aparecer bem do meu lado, que desagradável. Mas foi propício para uma ideia surgir, era hora de deixar todo o meu dom de atuação aflorar. 

— Qual o seu nome gracinha? — Grainha? Por acaso ainda tenho 18 anos? Porra cara... não fode! 

— Hum... — Engoli os inúmeros insultos que queriam escapar pela a minha língua afiada. — Meu nome é Sayuri. — Tentei ser o mais frágil possível, colocando um sorriso tímido no rosto enquanto mexia em alguns fios de cabelo que estavam soltos, mas acho que não rolou. E sim, eu usei nome falso, é o que sempre faço, usar meu nome verdadeiro poderia ser arriscado demais.

— So-y-y-yuri? — Ignorante. — Não parece um nome americano, nem você parece ser. — Ele era muito observador para quem estava bêbado, mas aquele cheiro de cachaça barata estava me dando náuseas. 

— Então deveria procurar por uma norte-americana de sangue puro. — Bom, escapou. Eu não deveria ter sido tão ríspida, acabei jogando o meu plano de tentar parecer frágil ralo abaixo. Ah, mas que se foda! 

— Nada, eu gosto de estrangeiras. 

Eu notava o seu olhar carregado de malícia e de um desejo nojento sobre mim, principalmente para o meu decote. Ta aí o porquê de eu odiar decotes. Minha vontade era de segurar a cabeça dele e batê-la com força sobre o balcão até ele apagasse, mas como eu estava no meio de um trabalho, então não fiz. 

Ele, porém, tentou tocar-me no rosto e afastei a mão dele com um tapa pesado e ardido, ele reagiu com dor e olhou-me com indignação. Apenas dei as costas e saí dali, e por sorte acabei ficando mais próxima de Naraku —e olha que eu nem planejei— e meu alvo finalmente reparou o suficiente em mim. 

— Fugindo de cara bêbado? — A voz vinha de Naraku, que puxou assunto antes mesmo que eu pensasse em algo para continuar chamando sua atenção. Ele estava vindo ao meu encontro quando novamente o olhei de cima a baixo. 

— É o que parece? — Perguntei em meio a um sorriso encabulado.

— Com certeza. — Respondeu-me sorrindo e eu retribui com outro sorriso. Aprendam meninas, às vezes, fazer um pouco de doce pode funcionar muito bem. Ele finalmente se acomodou no banco ao meu lado e repousou suas mãos com os dedos entrelaçados sobre o balcão. — Mas então, o que traz uma linda mulher como você, sozinha, em uma boate em Manhattan? 

Ah essa é uma pergunta bem típica! E sabe qual é o melhor? Eu sempre tenho uma resposta diferente e perfeita toda vez que ela aparece. 

— Meu motivo é o de sempre... — Suspirei pesado, enquanto fazia uma expressão de desgosto. — Bom… — Tentei parecer relutante — Descobri que meu namorado tinha um caso com a minha melhor amiga. Agora, sabe... só quero...

— Afogar as mágoas. — Ele completou por mim, caindo na minha desculpa como um patinho —gostoso, mas um patinho. — Você pode afogar as mágoas comigo, se quiser claro, estou sozinho essa noite. 

— Seria um prazer Senhor...? 

— Onigumo, Naraku Onigumo. E você é...? 

— Smith, Sayuri Smith. — Eu disse a primeira droga de sobrenome que me veio à cabeça, acho que devo ao Will Smith já que a imagem dele foi a primeira que me apareceu. 

Naraku pareceu analisar-me bem, muito bem para o meu gosto, mas era exatamente isso o que eu queria. Ele se aproximou ainda mais de mim, colando os nossos braços e eu senti todo o músculo de seu antebraço totalmente definido e duro, pediu duas bebidas e me propôs um brinde.

Aproximou-se colocando alguns fios soltos de minhas madeixas para trás da orelha, e disse baixinho no meu ouvido em meio a sussurros:

— Que tal? Essa noite é apenas eu e você, e acredite eu posso fazer com que se esqueça das suas mágoas.

Ah, é uma pena que os meus planos não sejam os mesmo que o seu, meu querido.

— E por que eu não aceitaria? — Eu dei um sorriso e ele inesperadamente me beijou. Oh shit! Merda, merda, merda e merda! Me vi obrigada a corresponder o beijo, foi quando percebi que ele beijava tão bem que eu começava a ficar com pena dele. 

Quando o ar nos faltou, olhei nos olhos do meu suposto informante, e tive medo do que encontrei ao ponto de sentir calafrios, seus olhos eram tão negros que você sentia como se estivesse sendo engolido pela escuridão. Parece que a noite não vai ser tão fácil assim.

Virei de uma única vez o copo de Bourbon no intuito de afastar aquela sensação ruim, mas acho que apenas piorou a situação. Eu tinha que me distrair o máximo possível e não ficar bêbada, caso isso aconteça perderia mais uma chance de continuar no caminho certo. Peguei em seu pulso e o arrastei para a suposta pista de dança, eu era péssima nisso, mas a música agitada me ajudou. Ele ficou alguns instantes me olhando parando e aos poucos foi se soltando e dançando mais próximo de mim, ele parecia mais leve, falava aquelas coisas nojentas no meu ouvido e eu fingia que estava gostando. 

O problema é que continuávamos a beber e eu estava muito próxima ao meu limite, foi quando precisei agir. Pedi para irmos a um lugar mais reservado e ele prontamente atendeu o meu pedido, lado a lado sentamos a uma mesa mais afastada da aglomeração de pessoas e ele parecia-me tão relaxado que achei que ele responderia todas as minhas perguntas facilmente. Burra. 

— Por que quer saber se eu sou da cidade? — Ele me perguntou descontraído, quase não relevando minha pergunta. 

Coloquei minha mão sobre a camisa dele e fingia arrumar algo, enquanto fazia cara de inocente abusada, olhando para o pescoço dele enquanto imaginava se deveria apertá-lo ou não.

— É que eu iria adorar ver você outras vezes, tipo, todas as noites que eu estiver sozinha. — É eu sou uma puta mentirosa, até eu me surpreendo às vezes.

— A verdade, minha querida, é que estou aqui apenas a negócios, eu sou do Texas. 

Texas... Foi quando obtive a plena certeza que depois de tantos erros e principalmente tempo perdido, finalmente voltei para a direção certa. 

— E que negócios são esses? — Me fiz de curiosa, não sei dizer o porquê, mas Naraku parecia feliz com a minha pergunta. 

— Você é bem curiosa, não acha? — Ele passou seu braço por minhas costas, repousando sua mão sobre minha coxa roliça e deu uma leve apertada, me deixando totalmente desconfortável com seu toque ousado. 

— Só quando bebo — O fiz rir então continuei a instigá-lo — mas vai que eu estou lidando com um assassino de aluguel. Nunca se sabe o que se pode encontrar em uma noite em Nova York. 

— O que vou ganhar satisfazendo a sua curiosidade? — Ele foi tão direto que me pegou de surpresa, mas isso passou no instante que notei que ele me olhava com intensidade e fui obrigada a retribuir o olhar, eu precisava fazer aquele maldito abrir a boca de qualquer jeito a qualquer custo.

— O que você quiser. — Ele pareceu pensar no assunto enquanto olhava nos meus olhos e traçava uma linha reta para o restante do meu corpo, inesperadamente —de novo— ele me beijou com ainda mais intensidade, como se procurasse algum vestígio de mentira na minha boca.

Ele parou o beijo de repente e continuou:

— Trabalho no Texas como chefe de segurança de uma família muito importante no país, são um dos mais influentes também. Sabe, família tradicional que está sempre envolvida com grandes corporações e até mesmo na política. Estou na cidade para investigar uma ameaça com o meu chefe, às vezes, os acho meio paranoicos, mas é de se esperar já que vivem em áreas isoladas.

— Uau! — Disse de imediato, tentando parecer encantada. Contudo, foi quando a minha ficha caiu. Era eu que não sabia com quem estava lidando. Nenhum humano trabalharia como chefe de segurança para uma família de demônios. Não, Naraku era um deles. 

— Agora eu vou te levar para o meu hotel e você vai me dar o que eu quiser. 

Isso era uma novidade para mim, nunca achei que teria que seduzir um demônio para conseguir o que quero. Mas de qualquer forma, entendi que seria necessário voltar ao Texas, mesmo que essa ideia me tirasse o sono. Em todos esses anos, sempre arranjei as melhores desculpas ou qualquer argumento que fosse o suficiente para evitar aquele Estado, mas agora minha vingança dependia disso.

— Com todo o prazer. — Forcei um sorriso, estava começando a ficar com nojo e ele com certeza deveria ter notado minha falsidade. 

Agora eu tenho que matá-lo, não admito que nem um desses demônios sobreviva.

Naraku rapidamente quitou a nossa conta, pelo menos aquele maldito sabia ser civilizado. Ele me guiou até o seu carro que não fiz questão de saber qual era, apenas sabia que era de luxo da marca Porsche. Elogiei seu carro e como agradecimento ele abriu a porta para mim e logo que estava dentro do carro ligou o rádio naquelas estações de músicas melosas e clichês. Naraku realmente queria me levar para cama e estava crente que ia conseguir.

Quando chegamos no hotel eu me surpreendi, ao contrário do que eu imaginava, era um hotel Plaza, —um dos mais luxuosos da cidade— o que me fez pensar que seu chefe também estaria hospedado ali. Nunca agradeci tanto a mim mesma por não ter esquecido o silenciador da minha arma como naquele momento, ou eu teria sérios problemas. 

Adentramos o elevador vazio com muita pressa, quando as portas foram fechadas Naraku me colocou contra a parede, mas não permiti que ele me beijasse de novo, pois estava com nojo de beijar um demônio, então rocei meu nariz no dele e desviei os meus lábios dos dele. 

— Quando chegarmos aos seus aposentos, começaremos a brincadeira. — Uma brincadeira que você não gostará nada. 

Ele sorriu carregado de malícia, Naraku exalava luxúria e isso estava me dando náuseas. E para ajudar, tinha apenas 6 andares para definir um plano perfeito. 

Prendê-lo pode parecer uma boa ideia, mas não quero ir tão longe. 

As portas foram abertas no último andar quando me coloquei para fora e senti a mão grosseira daquele estupido no fim das minhas costas com o intuito de me guiar até o seu quarto. 

Assim que entramos fui surpreendida por ele que me agarrou com força, aquele idiota não havia se quer me dado tempo para respirar, estava tão desesperado por uma transa que já não estava preocupado em me deixar a vontade. Contei até 3 em minha mente para manter a calma, eu só precisava seguir com o plano, mesmo sabendo que ele tinha inúmeras chances de dar mais que errado. 

Era um verdadeiro martírio, mas fiz o que pude para continuar a responder o beijo dele. Eu sabia, ele estava com desejo, mas ao mesmo tempo parecia se conter, estava retraindo algo dentro de si. Algo ali não me parecia certo, meu sexto sentido não me deixava na mão.

Rapidamente ele me levou para cama, enquanto nossos lábios ainda estavam colados, deitou-me na cama enquanto jogava o seu corpo sobre o meu. Aquilo estava indo longe demais para o meu gosto. Tentei virar o rosto, mas ele me prendeu ao segurar com força a minha cintura e meu queixo. 

— Deveríamos ir mais devagar. — Eu o olhei com estranheza quando escutei suas palavras e ele notou minha confusão, mas apenas pareceu diverti-lo ainda mais. — Por que não me conta o seu verdadeiro nome, Rin? 

PUTA MERDA, PUTA MERDA, PUTA MERDA! 

— O que? — PUTA QUE PARIU! Como aquele desgraçado descobriu, eu não faço a mínima ideia. Tentei de todas as maneiras disfarçar e fazê-lo acreditar que estava enganado, mas o modo que ele sorria cinicamente, eu sabia, seria inútil. — Do que você está falando? Meu nome é Sa...

— Rin Walker, uma caçadora. — Me interrompeu e parecia que nunca esteve tão convicto.

Foi ali que desisti de tentar convencê-lo do contrário. Mas isso não era o pior, eu tinha que sair dali antes que a situação piorasse para o meu lado. Já tinha obtido informações preciosas que pelo visto ele havia me dado em uma bandeja de prata, não precisava mais dele e nem continuar fingindo que estava gostando de tudo aquilo. 

Ele se curvou ainda mais sobre mim e eu senti quando os lábios dele tocaram minha orelha esquerda.

— Diga-me Rin, o que sente ao estar sob o domínio de um ser que você despreza tanto?

Ingênuo, ele poderia saber quem eu era, mas ele não sabia do que Rin Walker é capaz de fazer, principalmente para conseguir o que almeja. 

— Diga-me Naraku, como se sente ao saber que vai perder? — Minha língua afiada pareceu fura-lo, já que o mesmo me olhou com desdém. 

Eu não iria perder nem mais um segundo e muito menos perderia para o Naraku.

Mantive o meu pescoço o mais rígido que era possível e dei a cabeça mais forte na minha vida contra a testa de Naraku, o que para o meu alívio surgiu efeito de imediato. Meu punho direito parou em seu rosto e eu o joguei no chão. Saltei da cama e corri para a minha bolsa que estava caída próxima à porta, mas no momento em que senti a ponta dos meus dedos roçarem na minha arma, Naraku me puxou pelos os cabelos para trás me deixando colada ao seu corpo, enquanto a mão enorme dele envolvia o meu pescoço com força me deixando sem ar. 

Porra de demônio, seu filho da puta. 

— Você não vai fugir! — Ele gritou com raiva e eu como caçadora sabia que aquilo não era nada bom. 

Ignorei a dor que sentia no meu couro cabeludo e pisei em seu pé com força fazendo pressão no salto enquanto dava uma cotovelada forte na boca de seu estômago o que o fez me soltar. Eu rapidamente virei e deu outra cotovelada, mas dessa vez em seu queixo. A boca dele começou a sangrar. 

— É só isso que pode fazer?  — Cai dentro! 

Ele me devolveu a gentileza com um murro também no rosto. A minha boca também começou a sangrar. Oh Shit! Deveria ter ficado quieta. Chutei seu joelho e por estar de salto agulha, foi realmente uma “agulhada” que ele levou. Ele fraquejou e seu joelho foi ao chão. Nunca subestime o poder de um salto agulha, meu caro. Tentei correr até a minha bolsa, mas ele me segurou pelo o calcanhar e eu caí com tudo no chão, batendo o rosto com força no chão de mármore. 

Lutar contra um demônio nunca foi tarefa fácil. 

Para conseguir me livrar dele, o chutei bem no meio do rosto e seu nariz acabou por sangrar. O segundo que ele vacilou foi o suficiente para eu finalmente alcançar a minha pistola e não esperei para atirar no coração do Naraku, o problema foi que aquela desgraça desviou. A bala acertou um vaso que se desintegrou criando um enorme barulho, mais alto do que o meu próprio tiro.  

— Vadia! — Ele gritou irritado.  

Ele foi muito rápido e conseguiu encaixar um “mata leão” em mim, estava botando tanta força que eu iria desmaiar em questão de segundos. Foi quando me lembrei da bendita faca. Impulsionei nosso corpos para trás até que as costas de Naruku chocassem contra a parede, peguei minha faca por debaixo do vestido e apesar de já estar com a mão trêmula, consegui cravá-la na coxa de Naraku que gritou de dor, não apenas pela perfuração, mas sim pelo o efeito da prata purificada entrando em contato com sua carne a queimando. Ele afrouxou o aperto o suficiente para eu recuperar o ar. 

Porém, ele me arremessou contra a parede do outro lado do quarto e senti o forte impacto do meu corpo se chocando contra o quadro pendurado e cair sobre a mesa de vidro que se desintegrou. Os cacos de vidro perfuraram meu braço e estremeci de tamanha dor que sentia no peito e zumbido que se instalou no meu ouvido me deixou apavorada. Não consegui puxar o ar para meus pulmões na primeira tentativa, precisei me esforçar para me colocar de pé. 

Ah, ele vai me pagar muito caro por isso. 

Levantei cambaleando e o fato de estar com aquele salto do capeta não me ajudava a me manter firme. Passei a procurar minha arma com os olhos, precisava dela ou tudo iria acabar ali mesmo, e no instante que meus olhos a detectou, senti Naraku acertar um soco no meu rosto e aproveitei para encenar uma queda, mas ele logo subiu em cima de mim para continuar a me golpear, segurei seu punho com uma mão e com a outra puxei o palito que prendia meu cabelo e perfurei sua jugular e soquei seu rosto com toda a minha força para tirá-lo de cima de mim.

Corri até a minha arma e a encaixei perfeitamente em minhas mãos, dessa vez não iria errar.

Naraku estava coberto de tanto sangue, sua camisa e calça estava completamente suja devido aos ferimentos que causei, mas ele facilmente retirou meu palito de seu pescoço e a ferida logo ia se fechar, mas ele estava atordoado e cambaleava em busca de algo para se apoiar. Então segurei a respiração, mirei, atirei e me concentrei para segurar o tranco da pistola, a bala acertou sua outra perna o que o levou a novamente gritar de dor ao sentir a bala purificada entrar na sua carne. Mas ele se pôs de pé e com as mãos para cima como forma de rendição. Aquilo estava muito errado. E acredite, meu sexto sentido não falha. 

Não podia arriscar, então mirei e apertei o gatilho. Aquele maldito havia desviado o suficiente para a bala perfurar o seu ombro no lugar do coração. Atirei novamente acertando seu tórax e no momento que meu dedo retornou ao gatilho a porta foi aberta com brutalidade e revelou mais um demônio. 

Minha arma passou a ser direcionada para ele. 

Contudo, ele chamou muito mais a minha atenção do que qualquer outro demônio que cruzou o meu caminho e fiz questão de olhá-lo atentamente.

Ele era alto, talvez quase 1,95m, seus cabelos eram platinados extremamente claros e longos como se fosse um samurai saído diretamente da era feudal do Japão. Seus olhos eram âmbares e profundos, quando os olhei a fundo senti um calafrio atingir minha espinha. 

Ele era extremamente parecido com a vadia que matou a minha família, porém eu atiro e pergunto depois. Apertei o gatilho contra aquele demônio de pele clara que estava me intrigando, mas ele sumiu da minha frente e a bala atravessou a porta de madeira. 

E Naraku havia sumido junto, exatamente quando aquela coisa havia sumido há 14 anos.

Respirei fundo, abaixei a minha arma e gritei o mais forte que minhas cordas vocais permitiram. 

— PUTA QUE PARIU! INFERNO! EU VOU MATAR ESSE FILHO DA PUTA!

Tinha que sair dali antes que eles voltassem ou que algum funcionário viesse saber o motivo de tanto barulho no quarto. Isso poderia me envolver em um grande problema com a polícia novayorkina, não seria nada fácil explicar o que estava fazendo com uma arma em um hotel e porque a disparei tantas vezes. 

Recolhi a minha bolsa e guardei a arma dentro, apanhei também a minha faca e palito que estavam sujos com o sangue de Naraku e sai do quarto. Eu sabia que não era uma boa coisa esperar pelo elevador, só havia a escada como opção. 

Entrei no acesso à escada correndo, estava no 23º andar de um hotel e precisava sair dele o mais rápido possível sem levantar suspeitas, afinal haviam câmeras de monitoramento por toda parte. 

Mas quando desci o primeiro lance de escada, aquele que salvou Naraku apareceu na minha frente e julguei que estivesse me aguardando. 

Ele era realmente enorme olhando mais de perto, era tão alto que mesmo com uma droga de um salto 15cm me sentia completamente humilhada. Sem contar que pela camisa que vestia ser justa era fácil ver o quanto era forte e definido. 

A expressão de seu rosto não demonstrava raiva, ódio, desprezo e nada parecido com isso, estava apenas muito sério e com um olhar que fez o meu corpo inteiro se arrepiar novamente. Agora também fui capaz de ver melhor os traços másculos de seu rosto, ele sequer parecia ser um demônio. Era injusto que um ser demoníaco, que brinca, tortura e mata pessoas, tivesse tamanha beleza. 

Recuei um passo, voltando a subir um degrau, mas não iria adiantar. 

— Não posso deixá-la passar. — Até a droga da voz dele era linda em sua rouquidão.

— Oh jura? Pensei que você seria tão tonto quanto o seu Chefe de Segurança. Se ele é o chefe, não quero nem ver os lixos que tem como subordinados. 

Ele sorriu minimamente e para a minha surpresa não parecia ser um sorriso falso, era apenas um sorriso, como se tivesse se divertido verdadeiramente com as minhas palavras. 

— Você supera as minhas expectativas, garota. 

Garota, porra eu tenho 25 anos nas costas e sou chamada de garota. Quem ele pensa que é?

Olhei para baixo, as escadas pareciam que não acabavam nunca, era impossível encontrar o chão. Eu não poderia simplesmente dar uma de suicida, pular achando que algum anjo vai bater as asas e me salvar.

— Você destruiu Naraku, deve estar sentindo-se orgulhosa. Aliás, nunca esteve tão próxima de conseguir o que tanto almeja. — Não fui capaz de detectar nenhum tipo de emoção em sua voz, seja boa ou ruim. 

— Como você sabe de mim? Como aquele desgraçado sabia quem eu era? 

— Foi ingênua nesse ponto, você caçou tanto por tanto tempo que esqueceu que poderia, da mesma maneira, ser caçada. 

Custei acreditar no que os meus ouvidos escutavam. Ele estava me caçando? Por qual motivo? Aquilo é um grande absurdo! Ao contrário da raça nojenta dele, nunca matei ninguém, muito pelo contrário, salvei muitas vidas ao colocar a minha própria na linha de fogo. Eu nunca iria me tornar uma presa. 

— Sou uma ameaça tão grande ao ponto de fazê-lo sair do Texas e vir atrás de mim? Sinto lhe informar, mas demônios não fazem o meu tipo. 

— Você é realmente uma garota interessante, Rin. — Ele disse com tanta suavidade que poderia jurar que alguma coisa tinha ali, algum interesse muito forte. Mas não quis ficar para descobrir. — E você vem comigo. 

Uma coisa compreendi perfeitamente, estava completamente sem saída. Ou eu me jogava da escada e caia uma queda de quase 22 andares, ou corria para o telhado e me jogava do mesmo. Eu não tinha como sair dali inteira. Uma arma contra ele nunca iria surtir efeito letal, se ao menos eu ainda estivesse com a minha faca... 

Eu estava em plena desvantagem. Ele era extremamente rápido e me alcançaria em segundos, caso tentasse fugir. Se eu fosse com ele, provavelmente acabaria morta. 

Ele avançou um passo e como modo de defesa eu saquei a minha arma, mesmo sabendo que seria inútil. Sorrindo ele continuou a se aproximar de mim, até que a ponta da minha arma encostou em seu peito, o ponto certo. 

— Comigo essas coisas não funcionam Rin. 

EU SEI INFERNO!

Mas ao menos me renderia alguns segundos para escapar.

— Não custa nada tentar. 

Mas antes que eu pudesse destravar o gatilho, ele tomou a arma da minha mão como se tirasse doce da boca de criança.  

— Vamos fazer assim, — Ele começou a dizer enquanto retirava o pente de dentro da pistola e jogava as balas no chão, uma por uma — você irá até o seu carro que deixou no bar e voltará para o hotel que está hospedada e pegará suas coisas. Você irá voltar para o Texas comigo. 

— Afinal, o que diabos você quer comigo? 

— Eu? — Perguntou e olhou no fundo dos meus olhos, me deixando hipnotizada. — Você. Eu quero você.

 


Notas Finais


Nosso Shessy finalmente deu as caras???? SERÁ?

Espero que tenha gostado, me contem nos comentários o que vocês acreditam que acontecerá de agora em diante! Quem sabe a teoria de vocês esteja certa?

Como o combinado, volto no próximo domingo ou antes se conseguir um tempinho. Mil bjs ;***


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