História A Hospedeira (Coração Gelado) - Capítulo 4


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Ficção Adolescente, Fluffy, Magia, Mistério, Policial, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa leitura Hunters 📖

Capítulo 4 - When The Levee Breaks


Fanfic / Fanfiction A Hospedeira (Coração Gelado) - Capítulo 4 - When The Levee Breaks

POV Risa

Abro minha mochila e enfio a mão por dentro a procura. Sinto meu coração acelerar no meu peito quando procuro e não encontro o que estou procurando. Levanto rápido quando sinto o pânico tomar conta de mim. Eu não posso ter esquecido de pegar isso antes daqueles anjos explodirem a minha casa. Não posso.

Fecho os olhos quando sinto a minha respiração acelerar e se tornar irregular.

— Merda — Estremeço com a minha própria voz instável. Mal percebo que estou caminhando como louca pelo quarto de olhos fechados quando esbarro em um corpo sólido. Abro os olhos rapidamente e a minha expressão deve estar patética, pois a pessoa em quem esbarrei está me encarando estranhamente. — Desculpa, tia Ariel.

Ela sorri. — Tudo bem. O que houve? Você parece aflita.

— Eu esqueci de pegar a porcaria da lâmina de anjo que Cas me deu, com tantos anjos atrás de mim uma dessas é inevitável — Resmungo irritada com a minha própria estupidez. Cas havia me dado aquela lâmina para me proteger de não só anjos, nas qualquer ser sobrenatural que resolvesse puxar briga comigo. E agora utilizei de minha burrice para deixa-la ser explodida.

— Esse é o problema? Sei que Castiel pode lhe dar outra. Ele é um anjo afinal. Conseguir uma não é difícil. — Ela tenta me tranquilizar, o problema é que não está funcionando. Suspiro, uma mistura de cansaço e irritação. Ela franze a testa quando nota a minha expressão cabisbaixa. — Não é só esse o problema. É?

Balanço a cabeça. — Essa era a lâmina dele. Não uma qualquer. Ele me deu a sua própria lâmina como presente. E eu deixei que os babacas dos irmãos dele a explodissem. — Digo. Não era só uma lâmina de anjo. Era a lâmina de Cas. E eu amava aquele objeto pois foi Cas que me deu. Que droga. Eu sou ridícula.

— Entendo — Ela se senta ao meu lado. Sua não sobe as minhas costas em intenção de me consolar. Suas próximas palavras quase me fazer engasgar com a minha própria saliva. — Você sente algo por Castiel?

Giro o rosto para encara-la tão rapidamente que estremeço com o movimento. Meus olhos devem estar o dobro do tamanho. Solto uma risada instável. Pois isso é um absurdo.

— O que? — Tento rir, na verdade nem sei de onde surgiu essa reação. — Não.

Ela me encara desconfiada — Tem certeza? — Pisco. As palavras não estão fazendo muito sentido na minha cabeça. Tudo o que eu quero é rir. Ou me encolher e chorar. Ainda não sei que emoção mais prepondera. No lugar disso apenas solto um som indescritível pelos lábios, minha expressão divertida e um tanto incrédula.

— Claro que sim. Cas é meu amigo. Quase ... quase um irmão. Nada mais — Isso não deve ter saído com tanta confiança quanto na minha cabeça. Resmungo quando vejo seus olhos divertidos me encararem. — Ok. Já chega disso.

Ela levanta as mãos em rendição e apenas acena. Ela sabe que não vai ganhar este argumento. Nem pensar. Na verdade toda essa idéia é ridícula. É idiota. Sem nexo. Eu não sinto atração por Cas .... que bobagem.

— Ok. Não queria irritar você. Sei que está cansada com tudo o que vem acontecendo ultimamente. — Ela diz suavemente. Já não existe mais diversão em suas palavras. — Fico feliz que resolveu vir até nós. Que se lembrou que sempre estivemos aqui pra você.

Aceno. O indício de um sorriso surgindo em meus lábios. Eu me sinto agradecida por isso. E nunca vou deixar de agradecer por tê-los. Minha família nunca desistiu de mim, nem quando eu resolvi deixa-los e ir embora.

A verdade é que eu já não me encontrava neste lugar. Sempre que eu pensava demais, me via com medo, e aflita. Isso me sufocava. Eu só queria ir embora e ficar longe de tudo isso. O problema é que me esqueci das pessoas que cuidaram de mim por todos esses anos. Eu sou realmente uma porra ingrata.

— Desculpa — Digo de repente, fazendo a tia Ariel franzir a testa.

— Por que?. — Ela indaga.

— Sabe ... por ter sido fraca e ido embora. Nunca agradeci o suficiente por terem tido o trabalho de cuidarem de mim depois de ... você sabe. Não era sua obrigação ...

— Risa — Ela chama me fazendo parar de divagar. Eu fico em silêncio quando a vejo me encarar com aquele olhar maternal que sempre me fez sentir pequena. — Nunca foi uma obrigação cuidar de você. Fizemos isso por que amamos você desde o primeiro momento que você veio ao mundo. Ver você nascer foi uma das experiências mais divinas que já pude presenciar no mundo humano. Por tanto nunca pense que cuidar de você todos esses anos foi apenas uma obrigação.

Fungo quando sinto minhas emoções tomarem controle, porém não me permito chorar. Apenas sorriu e agarro na mão dela. Agradecendo através de meu olhar. Eu tenho a melhor família do mundo.

***

Abro os olhos e o gelo é a primeira coisa que sinto. Está tão frio que meu maxilar começa a tremer sem controle. Minhas pernas balançam e quase sinto que não podem me segurar. O frio por mais que esteja congelante, é também entorpecente. Eu sei que está lá, mas ao mesmo tempo não parece real.

Viro meu rosto pra frente e franzo a testa quando ouço uma voz masculina sinistra. O tom da voz parece tão escuro e profundo. Me faz tremer mais ainda e não por causa do frio, mas do medo que tudo isso está me causando.

Isso é um sonho. Tenho certeza disso. Ou Melhor, sonho não, pesadelo. Isso se encaixa melhor no cenário em que me encontro. Ouço o farfalhar das árvores não muito longe de mim, mas quando viro para vê-las, elas estão sem momento, como se não houvesse vento. Está tudo escuro e deprimente, está puxando a minha felicidade como um Dementador.

Movo meus pés pelo chão de terra, e me espanto quando não há som, nada está fazendo sentido. Giro meus calcanhares tentando formar algum som. Nada. Não existe nada. Começo a ficar com raiva. Me sinto em um filme sinistro de terror. E é quando a voz volta mais perto de mim.

Tento encontrar a fonte do som, mas não vejo ninguém. Tento gritar e mandar que pare de brincar e apareça, mas de minha boca não sai nada mais que ar. Não consigo falar nada. Não tenho voz.

Entro em desespero, e não é metafórico. Me inclino para a frente e abro a boca, tentando dali soltar um grito alto. Nada sai porém.

De repente sinto um torpor estranho me causando dormência. Fico parada e quando olho pra frente vejo um homem usando trapos. Ele apenas me encara com uma expressão ininteligível.

Grelo meus olhos e tento fugir quando o vejo esticar a sua mão e enfia-la dentro de mim como se eu não fosse feita de carne e osso. Como se eu fosse apenas uma matéria cinzenta no ar. Ofego quando sinto seus dedos por dentro de mim, e congelo quando o vejo tirar algo brilhante em suas mãos. Observo em pânico enquanto o homem observa as luzes brilhante na mão e grito mentalmente quando ele transforma as lindas luzes em fogo. Ele as queimou. Isso é impossível.

Ele tomou a alma de meus pais de dentro de mim e as destruiu. Sinto o pânico tomar conta de mim e apenas grito, mesmo sabendo que não sai nada de minha boca. Apenas grito e grito.

Já não sinto mais nada ...

— Risa ...

Ouço uma voz conhecida perto de mim e por mais que eu queira responder eu não consigo, os resquícios do que vi ainda estão comendo minhas células cerebrais. Ainda estou sonhando? Isso é real?

— Ela está bem? ...

Mais uma voz conhecida surge no ar. Tento distinguir quem é. Parece meu tio Sam, sua voz é inconfundível. Mas por que ele está no meu sonho? Nada ainda parece muito sólido.

— Ela está tendo um pesadelo ...

É Cas. Cas está aqui. Cas vai me fazer ficar bem. Preciso ir até ele. Apenas Cas pode me ajudar. Apenas Cas pode ...

— Risa. Querida. Você pode acordar pra nós? — Uma voz suave diz ao mesmo tempo em que sinto alguém acariciar meus cabelos. Assim que finalmente posso abrir os olhos e para dar de cara com quatro rostos preocupados ne encarando. Cas. Tio Sam. Tia Ariel, e Grace, que aparenta estar a ponto de chorar. Sempre tão sensível.

— Ei — É tudo o que consigo falar. Minha garganta dói, o que quer dizer que devo ter gritado enquanto dormia. Oh Deus, era só o que me faltava. Ter pesadelos com um cara estranho roubando as almas de meus pais e as destruindo. Realmente não precisava de mais nada para terminar de foder comigo.

— Graças a Deus, Risa, já estava começando a ficar preocupado — Tio Sam me diz com um suspiro de alívio. Me sinto uma idiota por preocupa-los assim, mas não é como se pudéssemos controlar o que sonhamos. Ter pesadelos nesta família já é algo casual, mas não quer dizer que fica mais fácil tê-los.

— Eu estou bem. Desculpa — Digo com vergonha. Subo minha mão até meus cabelos e me espanto ao ver como estou tremendo. Rapidamente abaixo a mão de volta aos lençóis, não querendo que me vejam assim. Cas aparentemente notou, pois ele continua me encarando com as feições tensas. Sem dizer nada. — Foi só um pesadelo.

Tento diminuir tudo isso, e transformar em algo casual. Todos nós teremos pesadelos uma vez na vida. O problema é que a maioria das pessoas que tem pesadelos não veem um cara destroçar alguém que ama assim. Mesmo que sejam apenas suas almas, ainda são meus pais, e eles estão dentro de mim. Como a última esperança. Droga, não acho que vou me esquecer disso tão cedo.

— Obviamente não foi apenas um pesadelo, Risa. Quer falar sobre isso? — Tia Ariel me pergunta de seu lugar perto de mim na cama. Eu nego com a cabeça. Não acho que consigo falar agora. Não sobre isso pelo menos.

— Não, eu só ... vou voltar a dormir — Me expresso e finjo um bocejo. Por mais que eu ame a presença deles comigo agora, o que eu realmente preciso é ficar sozinha, e tentar apagar qualquer resquício desse pesadelo que tenha sobrado. Eu mesma posso me consolar agora.

Todos acenam, não muito satisfeitos com a minha resposta, mas concordando comigo e me dando espaço. Cas ainda permanece calado, sei que ele pode sentir a minha aflição, mas também deve sentir o meu desejo por um tempo. Preciso de um tempo pra pensar.

Todos saem e Grace é a ultima, ela me manda um sorriso pequeno e eu o retorno. Assim que estou sozinha eu me levanto e caminho até a janela observando o céu. Me encolho e encosto meus cotovelos no peitoral da janela, apenas sentindo o ar da noite tocar meu rosto.

Fecho meus olhos e me deixo pensar. Tenho certeza de que ainda tem muito por vir ...

***

No outro dia me levanto cedo as exatas 5:20 AM, na verdade eu nem dormi. Passei a noite inteira acordada, aquele maldito pesadelo não me deixara descansar, e agora me sinto um trapo.

Sento na banqueta da ilha da cozinha apenas apreciando meu café quente e sedutor. Tentando me fazer acordada para o dia. Puxo meu Laptop e começo a pesquisar por caçadas. Tio Sam me disse que quando o papai estava estressado ele caçava. O que logicamente não é uma boa idéia. Precisa-se estar com a cabeça limpa pra dar de cara com monstros. Mas neste momento, eu só preciso bater em alguma coisa.

Me sinto satisfeita quando leio um artigo que fala de mortes estranhas com furos nos pescoços da vítima, e de sangue quase que completamente drenado. Não precisa ser um gênio para saber que são vampiros. Sinto vontade de rir. Anos se passaram e esses crepúsculos nunca aprenderam a sua lição.

Fecho o Laptop e termino meu café em apenas um gole, não me importando em como queimou minha garganta. Assim que me viro tropeço em Grace, que está com os braços cruzados e uma expressão desconfiada.

— Onde vai? — Pergunta ela e tento não revirar os olhos. Tento passar por ela mas ela tapa meu caminho mais uma vez. — Riss.

— Como sabe que vou a algum lugar? E não é muito cedo pra você estar de pé? — Resmungo e estreito meu corpo pelo dela conseguindo dribla-la. Ela enruga o rosto irritada e tento não rir quando vejo.

— Não seja espertinha. Você vai caçar, não é? — Ela fala com a voz baixa, como se não quisesse ser ouvida por seus pais. Eu a encaro por alguns segundos sem saber como responder a isso. Então apenas encolho os ombros e começo a caminhar até a sala. Grace corre atrás de mim — Você não pode ir sozinha.

— Por que não? Por que é perigoso? Acho que já li essa linha várias vezes — Resmungo quando chego no primeiro degrau, mas não me viro em direção a ela.

— Quero ir também.

Eu paro tão rapidamente que meu coração pula quando escorrego um degrau. Essas coisas não deveriam ter um tapete ou sei lá? Me viro pra ela e rapidamente tento tirar essa idéia de sua cabeça.

— Nem pensar — Digo ao mesmo tempo em que nego com a cabeça. — Você nunca caçou antes, e tio Sam me mataria se algo acontecesse com você.

Ela apenas me encara com desafio nos olhos. — Quem disse que nunca caçei?

Franzo a testa e grelo os olhos quando vejo um sorriso travesso surgir em seus olhos. Caminho até próximo a ela e a levo até a cozinha. Ela não reclama e se deixa ser levada.

— O que quer dizer com isso?. — Pergunto um tanto curiosa.

— Eu ficava entediada e buscava caças pela internet como você. O papai me ensinou várias coisas para me defender, você sabe disso. — Ela diz e eu aceno. — Quando eles estavam fora, eu saia e caçava.

— Sozinha?.

— Sim.

— Você é louca? Poderia ter se matado — Tento falar baixo, mas a minha voz é um grunhido protetor. Ela revira os olhos.

— Bem, eu estou aqui. Além do mais eu comecei a caçar faz pouco tempo. E são só caçadas simples como um espírito confuso, ou um vampirinho qualquer. Eu não saio por aí caçando demônios ou sei lá. Não sou louca — Grace se defende e tento manter a calma. Ela me encara com os olhos de cachorrinho perdido, igual ao tio Sam, e reviro os olhos frustrada.

— Sim, você é louca. Muito louca — Acabo rindo sem querer e envolvo meus braços por seus ombros. — Ok, eu te levo, mas é a última vez que sai em uma caça sozinha.

Ela está pronta pra reclamar mas o meu olhar afiado a faz desistir.

— Bem.

TBC




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