1. Spirit Fanfics >
  2. A Ilíada do deus >
  3. O plano

História A Ilíada do deus - Capítulo 13


Escrita por: e Yunko


Capítulo 13 - O plano


Rugindo ensandecido com um chicote preto em mãos, Hades está montado em um de seus cavalos e açoita as almas desintegrando-as assim que a ponta do chicote tocam-lhe as costas. Cerberus com suas três cabeças rosnando e babando quantidades absurdas de saliva se alimenta das almas ressentidas que gritam sem parar.

Elaine treme e segura na túnica de Ares, para desta forma se sentir mais segura e menos esmagada pela áurea infeliz e assassina que Hades emanava.

- Eu disse QUIETOS. - Meliodas gritou, sua voz reverberando em tom alto e disforme por onde passou, fazendo assim com que elas se calassem.

(•••)

Assoviando admirado Ban bate palmas como se realmente estivesse pedindo autorização para adentrar os territórios de Meliodas. Com fúria a cabeça do loiro virou-se na direção dos visitantes indesejáveis e ele entortou os lábios.

- O que quer, Ban?

- Conversar. - O deus da guerra respondeu e passou a andar por entre o caos, evitando pisar nas rachaduras do solo árido. - Soube do que aconteceu.

- Eu não quero conversar, vão embora agora.

Tomada por uma coragem duvidosa Elaine respirou fundo e tombou a cabeça para o lado, saindo detrás do homem que lhe escondia.

- Mas nós precisamos, senhor. - Disse em tom alto e pela primeira vez desde que chegaram, Meliodas a encarou bem e se espantou.

- O que faz aqui, ninfa?

- É Elaine meu nome. - A loira respondeu saindo de vez da proteção que Ban lhe oferecia e cruzou os braços sobre o peito. - Por favor, Hades. Escute o que tenho a dizer.

- Já escutei o suficiente por...

- Ora, Meliodas. - Ban interviu - Deixe de ser um velho ranzinza, não é alguns milênios e uma mulher que o deixará assim.

Irritado o loiro olha ao seu redor, as almas agora rastejando para lugares onde podem se esconder e Cerberus ainda se alimentava de muitas que estavam perambulando. Sua atenção recaiu sobre o Estige ao longe e sua súbita alteração, de cenho franzido ele apeou do cavalo e deu dois tapas em seu flanco o autorizando a ir enquanto assobiou para o cão de três cabeças.

Elaine prendeu a respiração quando o animal passou por si, cada pata que atingia o solo tremia tudo.

- Não deixe nada passar por você, Hawk. - Ordenou e em seguida se virou para seus visitantes e sorrindo sarcástico falou. - Venham, não reparem na bagunça, sabe como almas ressentidas são.

- E bipolares também. - Ban comentou e acenou para que a loira andasse na sua frente.

O trajeto até o castelo ao longe pareceu se triplicar e Elaine sentia a cada passo seu, o solo sem vida e atormentado pelo que acontecera mais cedo. Quando entraram no grande salão, a ninfa suspirou olhando seu redor, dois vasos de cerâmica estavam com suas plantas mortas e no lugar calêndulas nasceram murchas, com aspecto de mortas.

Jogando-se sentado em seu trono Meliodas bebeu do vinho em seu cálice e acenou para que a única ninfa fora Elaine alí servisse os convidados. Com um sorriso pequeno Elaine agradeceu a mulher pelo néctar e antes que o cálice atingisse seus lábios, Ban segurou seu pulso com cuidado.

- Beba ou coma algo aqui e nunca mais poderá deixar o submundo.

Incrédula ela abaixou o braço e olhou para Hades que estava absorto nos próprios pensamentos, o olhar longe e perdido. A ninfa da floresta sentiu pena do homem.

- Desculpe pela recepção aos meus convidados. - Meliodas sorriu torto para ambos - Agora se não se importam, digam o que vieram fazer aqui. Algumas almas precisam ser colocadas em seus lugares.

- É Elizabeth, senhor. - Elaine murmurou com o coração batendo contra as costelas, inconscientemente tinha medo que o homem se enfezasse com ela. - Ela está morrendo.

- Ora, por favor, Elaine. Um casamento não mata ninguém. Mas talvez ela esteja sofrendo por não ter alcançado o que queria de mim.

- Não fale assim da Ellie! Não é porque Afrodite despejou seu veneno sobre o senhor que minha amiga tem que pagar por isso! - Nervosa Elaine bradou e deu dois passos a frente, o cálice tremendo em sua mão. - Todos nós sabemos que ela o ama e o senhor também a ama! Elizabeth será casada a força porque Deméter é abusiva e odeia você!

- Se me lembro bem, Meliodas. - Ban começou sorrindo torto - Há algumas semanas peguei você e minha irmã em um momento bem íntimo, e se fosse de vontade de ambos, algo a mais teria acontecido. E eu vi nos olhos dela e nos seus a sinceridade do sentimento.

- Cale a boca antes que eu te mande para o Tártaro, Ares. - Meliodas rosnou e enquanto viu a incerteza na face da amiga de Perséfone, viu o sorriso de Ban alargar.

- Mande-me ou você pode simplesmente acabar com essa farsa toda.

- Ah claro, vou voltar ao Olimpo e desafiar Zeus a uma guerra. Com sorte, talvez, desta vez dure uns duzentos anos de briga, mas não acho que Zeldris me ajudará desta vez. - Meliodas ironizou e em seguida deixou seu cálice sobre o descanso de braço de seu trono, ligado ao submundo ele sentia o Estige revoltando-se e em seguida quis mesmo voltar ao Olimpo e matar Mael. No momento que fechou os olhos e xingou Chronos todos ouviram uma explosão e o chão sob seus pés tremeu.

- Ban! - Elaine berrou agarrando-se a túnica do homem, apavorada. Até mesmo ele estava confuso.

- O que está havendo, Meliodas? - Indagou preocupado.

- Perséfone aconteceu, nós acontecemos. - Hades grunhiu. - Fizemos uma promessa às margens do Estige, ele está cobrando a dívida agora.

Ban sorriu e Elaine viu alí a oportunidade que precisavam. Medo também, afinal sabia muito bem que a promessa que Zeus fizera a aquela humana não tinha resultado em algo bom.

- Ótimo! - Ares exclamou - Você tem assuntos a tratar então, Hades.

- Ou uma noiva a sequestrar. - Elaine complementou e sorriu para o deus loiro que a encarou com um sorriso malicioso.

- Como faremos isso?

- Simples, nós iremos ajudar o senhor a trazer minha irmã para onde ela quer estar. - Atena adentou o salão trazendo ao seu lado Cerberus que diferente de antes, estava dócil e amável e Dionísio que encarava o cão do inferno com demasiado interesse.

- Preparamos um golpe de Estado. Ou seria golpe de casamento? - King perguntou para si mesmo em tom alto e em seguida riu. - Atena arquitetou um plano maquiavélico.

- Justo, King. Um plano justo.

Espantado Meliodas se levantou de seu trono e encarou Merlin.

- A deusa da sabedoria e justiça ajudando alguém como eu?

- Não só o senhor, Hades. - Merlin ergueu o queixo - Sei o quanto ama minha irmã e o quanto ela sofrerá se esse casamento ir a diante.

Sorrindo torto Meliodas pegou sua espada apoiada no encosto do trono de ouro e invocou o elmo que os titãs o presenteou. Os deuses sorriram e contente Elaine olhou amável para Hades.

- Vamos, temos um rapto a fazer e já deve estar próximo do casório.

(•••)

Andando calmante Atena virou o corredor para o quarto de Elizabeth, todas as ninfas estavam correndo para os últimos preparativos do casamento que será em poucas horas e apenas duas guardavam a porta do quarto da menina. Ao chegar próxima das mesmas, Merlin as encarou com seriedade.

- Deixem-me entrar.

- Senhora, Deméter proibiu que qualquer um fora ela e Afrodite entre...

- Elizabeth é minha irmã e além de tudo, alguém precisa orientar a ela o que acontecerá na lua de mel, certo?

As ninfas se encaram nervosamente e acenam, nem por um decreto passariam por cima da ordem de Atena, afinal, justa como é ela sabe o melhor a se fazer.

- Só alguns minutos. É tudo que preciso. - Merlin adicionou e acenou para que ambas deixassem o corredor. - Vão arranjar algo para fazerem, não quero vocês ouvindo o que falarei com ela.

- Claro, senhora.

Rapidamente as ninfas bateram em retirada e Merlin sorriu segurando a chave que foi deixada em sua mão por uma delas.

- Vamos, pode tirar o elmo.

- Pode dizer, é a melhor arma existente dos deuses. - Meliodas sorriu ao tirar o capacete e pegou a chave que Merlin lhe ofereceu.

- Temos dez minutos no máximo, Hades. Seja breve.

- Serei mais rápido que Hermes.

Atena revirou os olhos e assistiu o loiro destrancar a porta do quarto de Perséfone com ansiedade. Pronto, agora não poderiam fazer nada a não ser se certificarem que nada sairia do controle.

Encostando a porta atrás de si, Meliodas franziu o cenho pelo cheiro de plantas mortas e pelas vinhas que estavam por todos os cantos no chão do quarto, subindo pelos pés da cama de Elizabeth. Em passos leves ele andou e olhou ao redor procurando pela mulher e a encontrou debruçada na beira da cama, sentada no chão com o rosto encoberto por seus cabelos soltos.

Ela ainda fungava baixinho, desolada pelo que acontecia e já vestida para a cerimônia. O vestido dourado de alças a deixava mais delicada ainda e Meliodas irritou pelo bracelete em seu pulso.

- Perséfone... - Chamou-a em voz alta e assustada a deusa ergueu a cabeça e o encarou incrédula. Com a face inchada e olhos vermelhos de tanto choro.

- Hades? É você mesmo?

Meliodas sorriu achando graça e concordou.

- Claro querida, quem mais se infiltraria no Olimpo para raptá-la? - Abismada e incrédula a prateada se levantou e soluçou. - Não chore mais, seus olhos ficarão assados

- Meliodas, desculpe...

- Ellie, vamos para casa. Vamos nos casar?

A deusa balançou a cabeça frenética e em seguida sorriu enxugando o rosto ao mesmo tempo que Meliodas abriu os braços para recebê-la. Sem pestanejar ela jogou-se em seu colo e suspirou absorvendo a caloria e perfume do corpo do deus colado ao seu, os dedos esguios de Meliodas apertaram sua cintura e ele depositou um beijo em seu pescoço.

De pé e o encarando com os olhos azuis brilhando, Elizabeth acariciou as bochechas do loiro sem desviar os olhares.

             - Está disposto a iniciar uma guerra por mim?

- Eu travaria milhares de guerra por você, minha Perséfone.

Elizabeth sorriu em meio as lagrimas, era isso,iria fugir com Meliodas. Estava pronta e perfeitamente decidida.

 

~~

Duas ninfas conversavam alegremente pelos corredores do olimpo. A folga que Athena havia lhes dado era uma dádiva, as duas estavam ali em pé a horas sem descanso.

Do outro lado Deméter pisava duro no chão            , não imaginaria nunca que esse dia iria chegar. Iria casar sua filha, não queria, mas era necessário. Ao seu lado Mael andava sorridente, finalmente iria ter em suas mãos  a deusa mais linda do olimpo, a quem ele almejava desde que a vira crescida.

Os dois conversavam alegremente sobre a cerimônia.

- O casamento será no crepúsculo, quero ver o olimpo brilhar. Não ligue para a pirraça de minha fi...- Parou de falar ao avistar as duas ninfas. – Ei! Mas que folga é essa. Eu mandei vocês duas ficarem de guarda no quarto de Persefone.

- S-senhora, lady Athena disse que precisava conversar com a irmã. – A ninfa tremeu ao ouvir os gritos histéricos da deusa da fertilidade.

- E quem disse que Athena deveria entrar?

-E-la.

- SUA IMBECIL!

A deusa correu pelos corredores, preocupada. Sabia que Athena não seria a favor do casamento de Elizabeth, se preocupava se ela havia ajudado Elizabeth a fugir. Seu coração saiu pela boca ao avistar Merlin encostada à parede ao lado da porta. Ignorou as palavras sensatas da deusa completamente, e enfurecida abriu a porta.

Logo perdeu o ar ao ver Meliodas segurando Elizabeth pela cintura na carruagem em que reconheceu ser de Ares na janela do quarto. Elizabeth apenas olhou para mãe com uma cara de lamentação, tudo o que fez foi arrancar o bracelete que Apolo lhe dera e jogou no chão do quarto.

Deméter grunhiu de ódio. Se virou-se para Mael que assistia tudo atônito.

- Faça alguma coisa imbecil! – Gritou com uma voz embargada de ódio.

Mael disparou uma flecha para a carruagem, porem o deus loiro deu o comando para os cavalos voarem para longe. Os dois deuses correram ate a janela apenas para ver Meliodas e Elizabeth longe, já descendo o Olimpo.

- Perséfone! Volte aqui! – A deusa da fertilidade  gritou histérica.

 

 

 

 

 

 

 

-Adeus minha mãe! – Gritou Elizabeth ao longe.


Notas Finais


Hey ~~
Yunko aqui ~~ <3
A maravilhosa da Mary-sensei escreveu a maior parte do capitulo. Não ficou maravilhoso?


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...