História A Imperatriz - Capítulo 18


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Categorias Amor Doce
Tags Amor Doce, Drama, Ficção Histórica, Romance
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Palavras 3.828
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá, estranhos! Estou de volta depois do quê?Um mês? Deve ser algo assim. Espero que os acontecimentos dos capítulos estejam frescos na memórias de vocês.
Postei esse capítulo bem curtinho e fora da rotina, tanto para matar a saudade quanto para corrigir alguns erros de enredo. Eu odeio que Alexandra esteja indo nessa jornada com o Castiel. Não faz sentido e acabou cagando o enredo desse arco e do próximo. Mas agora que já está feito não posso voltar atrás, e só cabe a mim amarrar as pontas para vocês. Peço desculpas.
Bem, "A Imperatriz" está de volta! Aproveitem o capítulo.

Capítulo 18 - Sob o olhar de Swerna


Antes mesmo que o sol mostrasse sua face à Estrevia, eu e Alexandra partimos furtivamente de Westock. Não fora a coisa difícil cruzar o portão oeste ao passar pelos guardas com Alexandra montada ao meu lado. Claro, ela usava o capuz do manto velho de viagem, e eu engabelei os guardas dizendo a eles, longe dos ouvidos de Alexa, que ela se tratava uma dama dos prazeres que eu trouxera furtivamente ao castelo durante a noite e que precisava voltar ao seu bordel antes que Sor. Sebastian a pegasse nos meus aposentos. Os guardas deram risinhos, fizeram piadas e, graças a moral que tinha com eles, nos permitiram passar sem maiores problema.

–Livres! –Alexandra gritou quando cruzou o portão, atiçando o garanhão de pelagem cinzenta que eu arranjara para ela nos estábulos através da trilha parque. O animal disparou em velocidade, enquanto ela gargalhava de alegria. Fiquei para atrás por alguns instantes, apenas admirando seu prazer e descobri que aquela simples imagem me fazia genuinamente feliz.

Esporeei Frigg, e minha égua de ébano, disparou para alcançá-la. Frigg era um corcel batalha, de patas fortes e músculos poderosos, e não foi difícil para ela conseguir alcançar o passo do cavalo de Alexandra e parear com ele.

–Fazemos uma corrida, princesa? –Eu desafiei, sorrindo de lado.

–Eu não entro em jogos para perder, Castiel – Ela disse – A sua Frigg superaria meu cavalo em dois tempos. E quantas vezes precisos te lembrar? Não sou princesa alguma. Sou uma…

– Uma Grã-duquesa. É, é, eu já sei –Falei, revirando os olhos e arrancando um sorriso de aprovação dela –Não tem como esquecer esse seu título pomposo quando estou te levando para algo perigoso. Você tem certeza que não quer voltar?

Alexandra bufou.

–Voltar? Você é mesmo muito gatinho para um leão, Castiel – Ela desdenhou – Foi você mesmo quem me atiçou a vir. Você quem fez todo um drama em torno dos preparativos, e agora, que estamos no ato, você quer voltar atrás? Não. Vamos até o fim disso – Ela determinou, em um tom que não aceitava réplicas –Além do mais, agora estou empolgada, e nem Santa Ginevra me faria voltar para Westock.

–Acontece que não estou tão certo de que foi uma boa ideia. Eu estou preocupado com você – Exasperei-me –Se você acha que isso é uma aventura como nos seus livros de princesa, você está enganada. Há perigos reais na estrada. Ladrões, assassinos, estupradores… Infernos, você é a porra da irmã do Imperador! Quer motivo melhor do que esse?

Quando a ideia de trazê-la nessa jornada para achar o túmulo de minha mãe fora sugerida na tarde anterior, no calor do momento e da paixão, eu achei simplesmente magnífico. Claro, eu nem mesmo esperava que ela fosse levar a sério e aceitar, mas Alexa o fez, mesmo contra todo seu histórico de pôr os deveres acima de tudo. Naquela mesma noite, sob a luz da sanidade, eu parei para medir o perigo, e me arrependi de ter feito a proposta. Se algo acontecesse a ela a culpa seria minha; ainda que nada acontecesse, se a notícia de nossa fuga chegasse aos ouvidos da Imperatriz Leonor, eu seria considerado culpado de raptar uma Grã-duquesa e iria para forca antes que pudesse dizer “pagão”. Título de cavaleiro não garante anistia em um caso de implicância imperial, especialmente quando vindas de Leonor.

Mas quando percebi já era tarde. Tentei dissuadi-la, é claro, alertando para o perigo, mas, uma vez que tivesse colocado uma ideia na cabeça, Alexandra não era capaz de desistir até vê-la se realizar.

–Tomaremos cuidado –Disse Alexa, suavizando o tom e trazendo a mão enluvada até meu braço para fazer um afago –Estamos trazendo pouco dinheiro e parecendo dois mal trapilhos com esses trapos.

Era verdade, fora eu quem arranjara os tais trapos, e eu havia me saído bem, uma vez que Alexandra, salvo o porte de Rotskaya, em nada se parecia com uma nobre. Estava usando um vestido de camponesa velho sob uma capa de viagem vermelha, longa e ainda mais surrada que o vestido. Eu surrupiara aquelas coisas do varal dos criados do castelo, e quando os entreguei a Alexandra ela havia torcido o bico. De fato, a modéstia não combinava com ela, e eu tive que rir de sua aparência.

– É, pode rir – Alexa disse, com um ar divertido – Mas falo sério, ninguém vai querer nos roubar. Essa sua espada chama atenção, é claro, mas você pode enfiá-la no homem que tentar tomá-la de você.

Ela tinha razão. A espada, que fora presente do Imperador Ivan, tinha o punho bem trabalhado e engastado em prata. Era uma arma que enchia os olhos e chamava a atenção, mas eu não podia deixá-la em Westock. Eu me sentiria amputado. Um cavaleiro nunca deixa sua espada para trás.

–Tudo bem – Eu cedi, suspirando pesadamente –Mas se algo acontecer, e eu mandar você se esconder ou fugir, faça sem exitar, certo?

–Mandar? – Ela ergueu uma sobrancelha

– Mandar, Pedir, tanto faz… Você vai fazer, não vai, Alexandra?

–Tudo bem, mas chega de regras. Eu não escapei de Westock para cair em mais protocolos – Ela falou, e bateu com força os calcanhares no seu cavalo e o animal disparou pela trilha– Fazemos uma corrida? – Ela gritou de longe, sorrindo travessa e olhando para trás. O vento arrancara seu capuz e seus cabelos castanhos como carvalho explodiram no ar. Como eu diria não aquela criatura?

Apertei o amuleto de Swerna em meu pescoço e fiz uma prece a minha Deusa para que tudo terminasse bem.

E então, fizemos a corrida.

Quando chegamos na área urbana da cidade, reduzimos os cavalos a um lento trotar. Cruzamos as ruas estreitas de São Herburgo, pedindo passagem pela cidade que estava despertando, junto com o sol, para mais um dia. As janelas dos prédios mais altos começavam a se abrir, e por elas, donas de casas espanavam poeira de tapetes e esteiras de dormir, pouco se importando com quem passava em baixo. Comerciantes e feirantes passavam pôr nós indo em direção ao mercado com carros de mão de madeira cheios de frutas, peixes, carne salgada e vários outros comestíveis.

Naquele momento, fora inevitável recordar dos tempos em que eu fiz das ruas de São Herburgo minha morada. Foram aquelas ruas estreitas que me abrigaram quando eu fugi do orfanato dos padres para viver a liberdade pagã. Fora ali, entre os becos apertados e saltando nos telhados, que Sverk me ensinou a arte da ladroagem e onde fiz meu nome como o maior ladrão de São Herburgo. A uma hora daquelas, tão cedo pela manhã, eu voltaria para meu quartinho em Catscrevice, caminhando feliz por aquelas mesmas ruas, com os espólios dos furtos que eu executava durante a noite.

Eu não sentia falta de ser ladrão, mas sentia falta de estar entre o povo. A corte não era o meu lugar, disso eu sabia. Aqueles bajuladores, lambendo e mordendo o rabo do outro como cães era uma coisa que eu desprezava, e ainda desprezo.

Alexandra, nobre em berço de ouro que era, assistia o seu próprio povo, sua própria cidade, despertar para o trabalho com olhares que sugeria o exotismo. Ela sorriu para uma garotinha que junto com a mãe, carregavam um cesto de roupa para lavar em uma das muitas fontes espalhadas pela cidade. A menina devolveu o sorriso, e por um instante parou de caminhar para admirar Alexa montada em seu garanhão. Não era nada comum ver mulheres montada a cavalo, e com a imponência com que Alexandra se assentava sob a cela e guiava o garanhão, tenho certeza que ela havia dado uma visão que inspiraria aquela garotinha por muitos anos no futuro. Claro, o sonho não durou muito, pois a mãe da menina logo gritou para que ela parasse de moleza e se apressasse com sua tarefa. Um dia você vai montar como ela, garotinha, pensei comigo mesmo, não será hoje, mas, talvez, um dia você chegue lá.

Quando chegamos em um ponto próximo a saída da cidade, onde, não me pergunte porque, sempre há ou uma taverna e um puteiro, nossa sorte mudou. Foi mais precisamente na porta do puteiro que acontecera, muito embora eu tenha certeza que a taverna, mais precisamente a bebida de seu estoque, tivera sua parte na confusão que se desenrolou.

Sor. Draian de Astora estava lá, na porta do puteiro, sendo atirado ao chão por um homem do tamanho de um urso, enquanto duas prostitutas gritavam incentivos ao gradão e cuspiam xingamentos ao velho cavaleiro. A cena me deixou perplexo, mas não tão perplexo a ponto de não me lembrar da presença de Alexandra ao meu lado.

–Coloque o capuz, rápido – Eu falei, e Alexa levantou o capuz vermelho de sua capa de viagem lançando uma sombra sobre seus olhos e nariz.

– O que você vai fazer, Castiel? – Ela perguntou, exasperada – Você conhece aqueles homens?

Parei por um instante e a encarei em dúvida. Ela não conhecia Sor. Draian?

–Aquele idiota com a cabeça enfiada na lama é Sor. Draian, não se recorda? – Eu falei –

–Aquele é Sor. Draian? – Disse Alexa. Seu tom de voz perplexo. Ela virou a cabeça para estudar a figura de Sor. Draian, que tinha a cabeça, que tinha o grandalhão com o pé pressionado contra seu peito –Eu ouvi falar dele, mas nunca realmente o conheci. Ele partiu de Westock quando eu era ainda muito pequena. Eu não imaginava que ele fosse tão…

–É cretino, isso sim – Eu a cortei, agora levemente irritado com a cena – Por mais que eu queira ver ele levar uma sova daquele brutamonte, eu não posso deixar – Eu era um cavaleiro, oras, e por mais que Sor. Draian não fosse meu irmão de ordem, eu gostava demais daquele velho saco de estrume para deixá-lo naquela situação –Fique aqui, certo? Eu volto logo.

Desci da cela com agilidade, e caminhei em direção ao conflito. As duas prostitutas notaram primeiro minha presença, e pararam de gritar para me analisar da cabeça aos pés. Quando a gritaria das mulheres parou repentinamente, o gradão que mantinha Sor. Draian preso sob seu pé, levantou sua cabeça de cabelos longos e loiros para me encarar. Sor Draian, do chão, também me encarou, e seu sorriso arteiro se abriu.

–Ah, Castiel, você é um colírio para os olhos, rapaz –Disse Draian.

–Um Bom dia, senhor. Senhoritas – Eu disse, ignorando Sor. Draian e fazendo uma reverência com a cabeça para as duas mulheres atrás do grandalhão. Me virei novamente para o homem –Posso saber o que se passa aqui?

–Nada que seja da sua conta, garoto –O homem falou. Ele tinha o maxilar longo e quadrado e olhos azuis. Parecia um pagão kraviano.

Não gostei do jeito como ele me chamou de garoto. Eu tinha, naquela época, dezoito verões de idade e era tão homem quanto ele. Senti raiva, e vontade de socá-lo, mas empurrei o sentimento para o fundo. Como Sor. Sebastian havia me ensinado, só use violência onde a diplomacia falhar.

–Eu não quero causar ofensas, senhor…

– Olidan.

– Senhor Olidan – Eu pronunciei seu nome olhando em seu olhos com convicção e honestidade–Eu sei que o senhor deve ter suas boas razões para malhar esse traste – Eu disse, apontando para Sor. Draian, que protestou diante do insulto. Eu o ignorei –Mas ele é meu amigo e minha honra exige que eu venha ajudá-lo. Eu quero resolver isso pacificamente, mas se o senhor insistir em continuar a agredi-lo sem me explicar seus motivos, deve admitir que eu serei obrigado a usar a força.

O homem ponderou, as palavras e a postura haviam ajudado a confortá-lo e intimidá-lo. Torci para que ele escolhesse a paz. Eu não queria entrar em uma briga com Alexandra por perto. Poderia atrair atenção demais.

– Quem é você? – O homem perguntou, com interesse renovado. Quem era o garoto mesmo?

–Sor. Castiel. Sou um cavaleiro da ordem imperial de Sua Majestade –O homem hesitou diante do título. Ele parecia duvidar, e soube disso pois ele olhou minhas roupas de cima abaixo. Eu vestia apenas uma chemise branca sobre uma calça marfim, botas de couro altas e a capa de viagem negra sob os ombros. Eu não estava tão mal, mas o homem devia estar esperando alguém pomposo, em gibão de veludo e coberto de joias.

–Então você é o tal leão da Estrévia?

–É como me chamam, sim – Confirmei.

–Muito bem, Sor. Castiel – Olidan falou, agora com respeito – Seu amigo aqui queria me passar a perna, isso sim. Bebeu e farreou com as garotas do meu bordel, e queria sair sem pagar.

–Ora, como eu ia adivinhar que elas eram prostitutas? Eu estava bêbado demais para distinguir. E com elas dizendo o tempo todo que me amavam não foi difícil cair na ilusão. Atire a primeira pedra quem nunca caiu no golpe da prostituta apaixonada – Draian se defendeu, e ele parecia, para minha perplexidade, estar sendo descaradamente sincero–Quando acordei pela manhã, o amor tinha ido embora, e essas duas distintas senhoras, – E aqui ele fez um para as prostitutas atrás de Olidan –me cobraram um dinheiro que eu não tinha. Eu estava com pressa, tinha uma missão em nome de Sua Majestade a cumprir e nenhum dinehiro para pagar. Quando dei por mim, esse gorila albino estava me atirando porta afora. Um mero mal entendido, claro, era o que eu estava tentando dizer o tempo todo, mas esse ani… esse nobre senhor, não me deixava falar.

–Mal entendido, é? –Olidan esbravejou, e ergueu Draian do chão como se fosse papel, pressionando seus braços ameaçadoramente – Eu vou ensiná-lo o que é mal-entendido.

Olidan ergueu o braço para um soco, mas eu intervi antes que os ânimos se exaltassem novamente. Segurei o braço de Olidan com firmeza. Eu já estava perdendo a paciência, não estava ali para resolver brigas de bordel.

– Já basta disso. Eis o seguinte, Olidan, – Eu falei, encarando seu olhos e apetando ainda mais os dedos no seu braço musculoso–Você vai soltar Sor. Draian agora mesmo, e isso é uma ordem.

O homem hesitou por um instante, mas diante do meu olhar ele recuou e soltou o velho cavaleiro. Sor. Draian cambaleou, e depois de se recuperar, espanou a poeira do manto de viagem cor de vinho. Seu cabelo castanho claro estava solto, e cresciam da metade da cabeça para trás emquanto caia sobre os ombros. Sor. Draian os amarrou em um coque no topo da cabeça. A barba desgrenhada, também castanha, estava suja de terra.

Ele olhou para mim com aqueles olhos cinzentos e divertidos, e sorriu.

–Mas que impasse, senhores – Ele disse, descaradamente, como sem nem fosse com ele. Falava sempre muito baixo e calmo, quase como se estivesse fazendo uma prece – Olidan, meu querido, eu lamento que tenha sido assim. Não havia necessidade para exaltar os ânimos. Quanto eu lhe devo?

Olidan ficou boquiaberto, assim como eu fiquei. Esse bastardo tinha o dinheiro o tempo todo? Eu quis esganar Draian naquele dia.

–Sete… – a voz de Olidan saiu fraca pela surpresa anterior; então, ele pigarreou, e seguiu –sete águias de ouro. Dois pelas garotas, dois por toda a bebida e três pela cama e lustre quebrados.

–Você é absurdo Olidan–Sor. Draian falou, e então se virou para mim, e soube que, afinal, o desgraçado não tinha o dinheiro esse tempo todo–Castiel, meu bom rapaz, poderia me emprestar sete águias de ouro? Ah, acrescente uma moeda a mais. Vou comprar o cavalo do bom Olidan aqui. Temos uma longa viagem pela frente, Castiel, uma longa viagem.

Desejei ter deixado Olidan bater na cara de Sor. Draian até cansar. Paguei quatro águias de ouro a Olidan de muita má vontade, e após muita negociação, por mais duas águias de prata, Sor. Draian levou o cavalo, um garrano de pelagem marrom. Olidan escorraçou Draian de lá, dizendo que se ele aparecesse em seu puteiro de novo, não haveria cavaleiro que tirasse seu direito de espancá-lo.

Após a confusão, Voltei até onde estava Alexandra, e montei em Frigg.

–Está tudo bem? – ela perguntou, analisando minha cara emburrada.

–Não, eu perdi quatro águias de ouro graças ao desgraçado do Draian.

– Não seja tão mal-humorado, Castiel – Draian disse, sorrindo e se aproximando, já montado em seu cavalo –Vou lhe pagar tudo, com juros se você quiser.

– E de onde você pretende tirar dinheiro? Vai se inscrever para trabalhar com as garotas de Olidan, velhote? –Questionei, sarcasticamente.

–Eu não tenho talento para tamanhas artes, mas vou lhe dizer como pretendo levantar o dinheiro – Disse Draian – Depois, é claro, que você me disser o nome dessa bela donzela.

Ele estava se referindo a Alexandra, claro, e por um instante fiquei com medo que ele a reconhecesse. Alexandra então, sem hesitar, retirou o capuz e estendeu a mão para Sor. Draian.

–Rose –Ela disse, com um amplo sorriso – Sou uma amiga do Castiel, de Catscrevice.

Sor. Draian se curvou e beijou as costas de sua mão.

–Sor. Draian de Astora, bela Rose –Ele disse – Ao seu dispor, milady.

Soltei o ar que nem percebi ter prendido. Sor. Draian, enfim, não a reconhecera. Swerna olhava por nós, eu pensei.

–Se não se importam que eu pergunte, o que vocês estavam fazendo por aqui? – Draian questionou. Seu olhar cinzento tinha um divertimento que eu não gostei nada – Especialmente você, Castiel, tão longe assim de Westock?

Eu e Alexandra trocamos olhares, e como sua identidade estava supostamente protegida, resolvi falar a verdade.

– Estávamos saindo da cidade – Eu falei, e Sor. Draian demonstrou interesse –Indo até a Durnóvia para encontrar o túmulo de Helga.

A expressão de Draian mudou, e ele franziu as sobrancelhas, ficando subitamente sério.

–Entendo… então você realmente resolveu acatar meu conselho de visitá-la –Disse o cavaleiro.

–Eu preciso vê-la, Draian – Foi tudo o que eu disse. E mesmo sem revelar minhas suspeitas sobre se ela estava mesmo morta, percebi que ele compreendeu que havia algo desesperado e urgente na minha busca. Aquele era um homem que conheceu Helga, que a enterrou, que foi algo próximo de um amigo para ela. Eu não poderia escolher ninguém melhor para contar.

–Você irá até ela, garoto –Ele disse – Eu mesmo o levarei até lá, se tiver de ser. Ainda lembro da floresta onde a enterrei, ainda que não me recorde do lugar exato.

Fiquei grato por aquilo, mas isso era algo que eu queria fazer sozinho desde o princípio. Alexandra estava indo comigo, mas ela era uma exceção para tudo na minha vida.

– Eu agradeço, Draian, mas isso é algo que eu quero fazer sozinho –Eu falei, e não sem gentileza –Rose está indo comigo porque…

– Não precisa justificar, garoto –Draian disse –Eu compreendo. Você e essa garota têm um vínculo forte. Compartilham coisas com os olhos. Eu já vi isso antes com… bem, não importa agora – Ele disse, sorrindo novamente, e Alexandra o olhou com suspeita –O que importa, Castiel, e veja bem, ninguém mais do que eu detesta ser estraga prazeres, mas tenho uma notícia ruim para lhe dar.

– O que é? – perguntei, suspeito.

–O dever chama, meu caro –Draian respondeu –Nosso Imperador menino está nos requisitando para um trabalho. Um enviado de Sebastian veio me ver essa manhã, enquanto eu estava com as prostitutas, você sabe. Os mensageiros do castelo não levam jeito para coisa, e tudo virou um pandemônio, enfim… Devemos partir agora mesmo.

Fiquei irado, e irado comigo mesmo. Eu deveria ter pedindo dispensa a Sor. Sebastian, de modo que ficasse indisponível para qualquer trabalho.

–Não posso, Sor. Draian, substitua-me por Lysandre –Falei. Todo aquele trabalho por nada. Olhei para Alexa e vi que ela estava igualmente frustrada. Mais uma vez desejei ter passado reto por Sor. Draian.

–Por que eu chamaria Lysandre se você está bem aqui, disponível e indo a mesma direção que eu.

–Sua missão é na Durnóvia? –Questionei.

Sor. Draian maneou com a cabeça.

–Iremos às terras do Duque Guilherme, para Ardstock –Senti o estômago afundar –O duque está tendo problemas com um bando qualquer que vêm incendiando os campos recentes de trigo. Parece que Guilherme está furioso e pediu ajuda ao Imperador Ricard. Eu normalmente iria sozinho, mas o bando parece grande e ajudaria se você viesse comigo.

Alexandra estava pálida. Ela não poderia ir até Ardstock. Se Guilherme a visse certamente a reconheceria, eram primos, afinal. Não havia dúvidas de que o duque, implacável, controlador e meu inimigo que era, mandaria um exército para caçar e devolver Alexandra à Westock antes que chegássemos até o túmulo de Helga.

–Não, Draian. Eu não vou – Eu disse –Guilherme me detesta.

–Você é um cavaleiro, não tem escolha. O Imperador mandou, através de mim, que sou mais velho e experiente, você obedece. Eu não quero soar como o Sebastian, mas você se lembra dos votos?

–Merda! – praguejei, irado e me virei para Alexandra –Vou levar você de volta.

–Não! Eu vou com você –Ela disse, decidida, olhando fundo nos meus olhos.

– Fora de questão, o risco é alto demais.

– Posso passar despercebida.

Ela me desafiou com o olhar, e eu quis arrastá-la até a segurança de Westock. Se guilherme a visse, ela estaria perdida. Será que ela não conseguia ver o perigo. O que diabos havia acontecido com a Alexandra prudente? Eu não sabia.

–Leve a garota – Disse Draian, quebrando o silêncio de desafio entre mim e Alexa– Ardstock faz fronteira com a Durnóvia, depois que terminar sua missão você pode ir direto visitar o túmulo de Helga junto com ela.

– Então Está resolvido –Alexa disse, e pôs seu cavalo em movimento.

Fechei os olhos com força.

–Você deveria manter a boca fechada, Draian – Eu disse, entredentes.

–Ah, Castiel, não foram minhas palavras que atiçaram. Ela já estava decidida muito antes a vir conosco – Draian disse –Ela nos seguiria se você a mandasse embora ,e poderia ser bem pior. Criatura de personalidade essa Rose. Gosto da garota. Você escolhe bem.

– É perigoso para ela – Falei – Você não entende.

– Explique – Ele pediu, mantendo os olhos em mim.

Suspirei. Talvez fosse necessário ceder um pouco da verdade para que Draian pudesse me ajudar a protegê-la.

–Ela e o Duque Guilherme têm um passado – Falei, e não era mentira, ainda que aquilo desse margem para múltiplas interpretações –Guilherme é uma ameaça para ela.

Draian acenou positivamente. O sujeito me entendia, do mesmo modo como Lysandre costumava fazer.

–Compreendo. É por isso que você não gosta do Duque?

– Eu o odeio porque ele é um merda metido a besta, só isso – Eu falei, e depois o encarei, sério –Faça o possível para mantê-la longe dos olhos de Guilherme, certo?

–Farei – Disse Draian, firme. Cinzas nos Cinzas.

Então ele também esporeou seu cavalo e seguiu Alexandra, pareando o cavalo com a garota e puxando assunto animadamente. Eu segui logo atrás deles, e toquei o amuleto de Swerna no pescoço para pedir que ela olhasse por nós, mas então, percebi que minha Deusa já olhava, e que também provavelmente se divertia com cada desventura que colocava no meu caminho. Bem, o que eu podia esperar? Helga sempre me disse que os nossos Deuses eram cruéis. Ah, Helga.


Notas Finais


Ah, Helga...
E aí, galera, o que acharam do capítulo? O que vocês estão esperando do futuro da história? O que há para Castiel nas terras de Guilherme? Me deixem saber nos cementários.
Um abraço e até a próxima.


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