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História A inocência na escuridão - Capítulo 4


Escrita por: YelenaM

Notas do Autor


O cap extra dessa semana.
Boa leitura!

Capítulo 4 - Mas não o deixe entrar


-Boa noite.

Como crianças pegas fazendo traquinagem, os nove adultos na sala cumprimentaram Sasuke com um sorriso amarelo. Apenas uma pessoa seria capaz de quebrar aquele clima desnecessariamente tenso com o Uchira com uma única fala.

-Olha só quem saiu da masmorra, hein. – Naruto praticamente gritou, se levantando do sofá e indo em direção a Sasuke. Não que todos ali, com exceção de Sakura, não estivessem acostumados com a falta de vergonha na cara do loiro, mas ainda era estranho saber que a pessoa mais extrovertida da cidade não tinha sequer um pingo de receio de pisar no calo do homem mais sério. Pelo menos isso foi o bastante para quebrar a tensão, arrancando um revirar de olhos do moreno.

-Pelo menos agora eu estou maquiada. – Tenten sussurrou para Ino, entre risadinhas.

-Eu não o vejo num jantar faz o que, dois anos? – Ino respondeu baixinho. Enquanto Hinata e Naruto recebiam o Uchira, Temari, Ino e Tenten sussurravam perto de Sakura, integrando-a na conversa, tentando evitar que a jovem se sentisse deslocada. Para Tenten, era hora de receber Sakura do jeitinho que a morena mais gostava: fofocas separavam tribos, mas uniam pessoas como ninguém.

-O que será que o trouxe aqui, hein? - Temari lançou um olhar sugestivo em direção a Sakura.

-Temari, está deixando a Sakura desconfortável. – Ino ralhou.

-Ah, com certeza ela também tem uma opinião sobre nosso convidado ali. – Todos os três pares de olhos voltados para Sakura nesse momento.

-Na verdade, eu acho que é ele que não tem uma opinião formada sobre mim. Nos falamos mais cedo, ele foi bem educado, mas ainda não está muito seguro sobre como eu irei lidar com o Daisuke. Não o culpo, agiria da mesma forma se fosse com meu filho ou sobrinho... – “meu filho”, Sakura sentiu a palavra ecoando nos próprios ouvidos quando se deu conta. Sacudiu a cabeça. Que momento mais desnecessários para esses ecos absurdos.

-É verdade, não me surpreende que a única pessoa com quem ele tem mais contato aqui são Hinata e, por incrível que parece, o pateta do Naruto. Pelo menos ele está participando mais da criação do Daisuke. Não é culpa da criança, mas o Sasuke tem que literalmente viver com a miniatura do irmão sumido e da ex-namorada morta.

-Ex-namorada? – Sakura se viu curiosa.

-Sim, são detalhes da história que ninguém conta. A mãe de Daisuke, antes de namorar com Itachi, era namorada do Sasuke.

-Meu deus, isso tá começando a parecer um episódio de Grey’s Anatomy. – As informações que Sakura recebia, ao invés de lançar alguma luz sobre suas dúvidas, a colocavam cada vez mais em um labirinto de paredes escuras sem perspectiva de saída.

-Gata – Temari bebeu mais um pouco de seu vinho – Você ainda não sabe da missa metade.

Com o jantar pronto, todos se sentaram a mesa. Sakura sentou-se entre Hinata e Sasuke, que não havia lhe dirigido mais que um cumprimento durante a noite enquanto os outros a cercavam de perguntas e curiosidades sobre a cidade, seus filhos e elogios a beleza de Sakura aquela noite. O Uchira, sempre o mais polido possível apesar da pouca interação com os demais, parecia satisfeito em manter-se conversando apenas com Naruto e Hinata, então Sakura não sentiu necessidade de puxar assunto. Ainda assim, pensou em como aquela oportunidade era propícia para saber um pouco mais através da pessoa que mais convivia com Daisuke.

- Como está Daisuke? – Sakura aproveitou os demais entretidos com uma história engraçada de Naruto. Nem sequer pensou muito sobre Sasuke em si, queria saber com sinceridade sobre Daisuke. O Uchiha cortava a carne em seu prato e não olhou para Sakura, mas a sua atenção estava completamente nela, Sakura a sentia, era como se o Uchira emanasse a energia de suas vontades e intenções sem precisar falar. Não era sobre-humano, mas Sakura tinha que admitir que era instigante.

-Bem. Curioso sobre a nova professora. – Direto. Sakura percebeu que se quisesse ter um diálogo ali, teria que mantê-lo. Suspirou, não possuía muita paciência para adultos como possuía para crianças.

- Ele chegou a mencionar algo sobre o nosso primeiro dia?

-Não.

- Certo. – Sakura viu que não conseguiria arrancar muita coisa do Uchira naquela noite. Resolveu deixar para lá, até sentir a voz baixa de Sasuke tomando toda sua atenção com uma única pergunta.

-Professora Haruno, há algo que preciso saber. O que aconteceu em Suna?

-O que? – Sakura fitou o homem que ainda não a olhava nos olhos, mas havia virado a face em sua direção, totalmente surpresa e confusa com a pergunta.

-Sua antiga cidade. -Ele continuou, quase em um sussurro. -  Tenho que ser direto, tive acesso à sua ficha. Você tinha um ótimo emprego há quase dois anos, então se demitiu, pelo que eu li, por razões familiares. Desde lá esteve em três hospitais diferentes, um deles uma instituição psiquiátrica.  Mas o que me chamou atenção foi que o arquivo entregue veio com uma página faltando. Entre seu último emprego e sua primeira estadia no hospital há informações que não batem, uma página foi retirada. Sei também que é sobrinha de Tsunade e que ela era a única pessoa com acesso total a esse material. O que ela esconderia para te proteger?

Sakura estava petrificada, tentando processar no que aquele jantar havia acabado de se transformar. Era por isso que ele havia ido até ali?

Sua noite estava indo bem, tudo estava indo bem. E então um homem que ela havia conhecido naquela manhã tinha em suas mãos informações que ela não planejava contar a ninguém. Além da surpresa, o sangue de Sakura foi tomado pela raiva, pela mágoa de ter seu passado remexido e ser posta sob uma verdadeira interrogação, como se fosse uma criminosa.

-Não acho que isso lhe diga respeito, senhor Uchira.

- Daisuke não deve e não vai lidar com mais nenhuma situação que possa desestabilizá-lo, ele ama aquela escola e você vai ser a responsável por ele quando eu não estiver por perto. Então sim, eu busquei saber sobre você, mas você nem sequer tem redes sociais, mudou-se as pressas da antiga cidade, tem um histórico confuso e com peças faltando e Tsunade está escondendo alguma coisa por você, algo que ela não quer que seja do conhecimento dos pais. Eu preciso saber com quem o meu sobrinho vai estar. - Agora, os olhos negros perfuravam os verdes novamente, pelo segunda vez naquele dia. - Nossa cidade e crianças não podem lidar com mais um mistério.

A cabeça de Sakura estava rodando. Ela riu em descrença, tentando passar ao Uchira a impressão de como ele estava sendo ridículo com suas especulações. Mas metade de si era compreensão: Tsunade realmente estava escondendo algo, mas algo que, segundo Sakura, nunca interferiria em sua relação com seus alunos. Ela era, acima de tudo, uma profissional competente, nunca arrastaria seus pequenos para o inferno que foi seu passado que estava sendo enterrado, por isso mesmo a página faltando nos arquivos da escola estava agora em cinzas na churrasqueira de Tsunade. A outra metade de si era enjoo. Sakura sentiu o estômago embrulhar, de repente só queria sair dali, da frente da pessoa que estava tão curiosa e tão por dentro de tantos detalhes que levavam ao assunto menos querido por Sakura para aquela noite. Para aquela vida. Ela não respondeu, não por estar sem fala, ela tinha sim algumas coisas para dizer para o Uchira, mas por sentir que a qualquer momento a comida voltaria goela acima.

-Sakura, você está bem? Esta meio pálida. – Hinata chamou sua atenção, não percebendo a tensão entre seus dois convidados.

Sakura aproveitou a deixa.

-Eu preciso ir ao banheiro.

Hinata a indicou o caminho. Logo a rosada estava trancada no banheiro, molhando a cara e tentando espantar a ansiedade entalada em sua garganta junto com a comida da noite. Não culpava o Uchira pela preocupação com o sobrinho, mas também não se culpava pela raiva que sentia por ter sido vigiada daquela forma, invadida. Ela estava tão disposta a recomeçar, a contar apenas o necessário para que todos soubessem que não haviam motivos para se preocupar, o que ela escondia dizia respeito a ela, somente a ela. Seu passado era seu, sua dor era sua, nada e nem ninguém tinham o direito de tirar isso dela, ela não se obrigaria a contar o que não queria. Ela demorou a entender isso e quando finalmente tinha entendido aquele homem despejava tudo aquilo em seu prato no jantar.  Seus segredos eram isso, seus. Ela mesma insistiu para que Tsunade não desse fim aos seus documentos médicos, ela não poderia esconder tudo sobre si, apenas precisavam sumir com aquela única coisa que colocava em risco o emprego de Sakura.

Mas só ela saberia que não importava o que estava no arquivo, ela era uma boa professora, ela estava ali para ser o melhor que podia ser. Restava-lhe tentar se acalmar e voltar para a mesa antes que sua reação provocasse mais desconfiança ainda no homem que provou estar atento a ela e ao sobrinho.

Quando voltou, Hinata e os outros a aguardavam, prontos para beber mais um pouco na sala.

-Hinata, não me sinto muito bem, não sou acostumada a beber em dias de semana e amanhã devo acordar cedo para dar aula.

Hinata expressou sua tristeza com a notícia, mas compreendeu, Sakura realmente não parecia bem, os olhos, inclusive, pareciam um pouco inchados, mas não quis ser invasiva perguntando o motivo perto dos demais, então decidiram encerrar a noite por ali quando Temari disse que a levaria a rosada para casa, já que morava não muito longe. Sakura tentou recusar, queria ficar sozinha, mas Temari e as outras insistiram até que ela aceitou ser deixada, pelo menos, na esquina de casa.

Todos despediram-se, e Sakura já quase suspirava aliviada com o fim da noite, quando reparou os olhares do Uchira sobre si ao se despedir. Teve receio de estar sendo analisada, mas o que viu na face de Sasuke, além de uma curiosidade velada, foi um breve vislumbre de algo semelhante a preocupação. Sakura não sabia se com ela ou com o fato de ele achar que o sobrinho estava agora nas mãos de uma louca fugitiva de um hospício. Aquele homem era difícil de ler.

Temari a levou para casa. Com uma mente a mil, Sakura demorou a perceber, assim que foi deixada na esquina do seu prédio, uma figura a poucos metros de distância, andando a passos lentos, sempre com cuidado para não ser flagrado pelas luzes dos postes. Com todo seu histórico, Sakura passou a ser uma mulher atenta, e mesmo que não quisesse se entregar a estereótipos preconceituosos, apressou os passos, sentindo que a qualquer momento poderia ser assaltada. Chegou ao seu prédio e entrou sem pestanejar, trancando a porta e escorando-se contra esta.

“Que grande começo de merda.”


Notas Finais


espero que tenham gostado! Tenho me sentido meio desestimulada para postar, mas vou me manter fiel aos meus leitores que estão acompanhando, voces são demais e a historia já está pronta aqui dentro todinha para voces!
bjsss


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