História A Irmã De Açúcar - Capítulo 45


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Visualizações 10
Palavras 4.730
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Será que essa é a LR postando no dia combinado? SIMMM!!! Vai chover hoje, to avisando.
E eu queria dizer que chegamos nas 100 mil palavras. Eu não to acreditando. Eu NUNCA imaginei que ej chegaria até aqui, NUNCA MESMO. Então eu quero agradecer todos que favoritaram e comentavam porque isso é muito importante para mim.
Enfim, podem ler.

Capítulo 45 - Verdade Ou Desafio


Fanfic / Fanfiction A Irmã De Açúcar - Capítulo 45 - Verdade Ou Desafio


 

Eu estava no apartamento do bangtan com o THE4, Kate, Sayuri e Jiyoung. Nós estávamos fazendo uma pequena comemoração por causa de um novo MV dos meninos.

-Nossa, tá todo mundo quieto, vamos fazer alguma coisa. -disse V.

Estávamos todos na sala, cada um jogado em um canto.

-Tipo o que? -perguntou Sayuri.

-Eu tenho uma ideia. -disse J-Hope, indo para trás da bancada que separava a sala da cozinha e voltando com uma garrafa na mão.

-Por deus, Hobi, são 11 da manhã. -exclamou Jiyoung. -E eu estou grávida!

-Ai, Jung Jung, tá vazia. -retrucou Hobi, colocando a garrafa com a boca para baixo para demonstrar. -Viu? É pra verdade ou desafio.

-A gente já não jogou isso antes? -perguntou Namjoon.

-Sim, mas foi a muito tempo e a Jung Jung não estava. -respondi.

-Mas que saco, parem de me chamar de Jung Jung. -reclamou Jiyoung, fazendo bico.

Eu e J-Hope rimos, mas nenhum dos outros entendeu. A Sayu parecia até meio irritada, eu consegui ouvi-la murmurando "Hobi" e "Jung Jung". Estou sentindo cheiro de ciúmes.

-Vem, vamos jogar. -chamou Hobi, se sentando no chão.

Todos nós nos juntamos a ele, fazendo uma roda. Então, ele girou a garrafa, que caiu na Sun Hee e na Kate.

-Verdade ou desafio? -perguntou Sun Hee.

-Verdade. -respondeu Kate.

-É verdade que você ficou com outros meninos enquanto o Rap Monster estava longe?

Todos ficaram em silêncio enquanto meu irmão olhava Kate com os braços cruzados, esperando a resposta.

-Sim. -respondeu ela, por fim. -Mas não estávamos namorando, terminamos assim que ele veio pra cá e só reatamos quando eu vim também.

-Quantos? -perguntou Namjoon, parecendo profundamente irritado.

-Uns 5 ficantes. -confessou Kate. -O resto não foi sério.

-Resto?! -repetiu ele.

-Nammie, não estressa, eu não te traí. -disse Kate.

Namjoon bufou e virou a garrafa sem falar nada. Caiu no Jimin e no Suga.

-Verdade ou desafio? -perguntou Jimin.

-Verdade.

-Caralho, porque ninguém escolhe desafio? -perguntou Hobi, irritado.

-Escolhe você, cabeção. -retrucou V.

-É verdade que você já ficou com alguém dessa roda? -perguntou Jimin.

Droga, Jimin! Ele sabia sobre eu e Suga, pelo menos do comecinho do relacionamento. Jimin, você entrou para a minha lista negra.

-Sim. -respondeu Suga, sem dar detalhes.

-Eu acho que o V é o único que nunca ficou com ninguém dessa roda. -comentou Hobi. -Pelo menos é o único que eu não sei.

Automaticamente eu olhei para Jiyoung, que estava extremamente corada, e depois para Jin, que estava na mesma situação. Se minhas contas estão certas, então 2+2= BEIJO! E ela nem me contou!

-Perai, o que? -perguntou Namjoon. -Eu não tava sabe no de nada disso.

-Minha vez de girar. -interrompeu Suga.

Ele girou a garrafa e caiu na Sayu e no Hobi.

-Verdade ou desafio? -perguntou ela.

-Desafio, é claro. -exclamou ele.

-Te desafio a twittar que o THE4 é melhor que BTS. -disse ela.

Os meninos explodiram em descontentamentos e reclamações, mas Sayu nem se importou.

-Mas isso é injusto. -protestaram eles. -Isso envolve a gente também.

-Ele quis desafio, não posso fazer nada. -retrucou ela, dando de ombros. -E ai? Como vai ser?

J-Hope resmungou enquanto pegava seu celular, digitando com tanta irritação que até errou nas palavras.

     "Não sei vofês, mas ultimamente eu to achando que o THE4 tá mais legau que o BTS. "
                      -Hobi
 

-Mas que gramática ruim, hein? -reclamou Sayuri. -Vofês e legal com U? Pensei que você tinha se formado.

-Ah, cala boca. -rebateu ele. -Vamos, minha vez de girar.

Ele girou e a garrafa caiu na Kate e em mim. Ela me olhou com uma cara extremamente maliciosa e assustadora. Eu comecei a pensar em todos os desafios que ela já tinha mandado pessoas fazerem quando éramos menores, e então em todas as perguntas constrangedores que ela já tinha feito.

-Verdade ou desafio? -perguntou ela.

-Desafio -respondi. Não tinha que eu não pudesse fazer, mas tinham perguntas que eu não poderia responder.

O sorriso dela se alargou. Não tinha nada que ela pudesse me desafiar que seria ruim assim. Ou tinha?

-Eu te desafio a contar a história da lingerie vermelha. -ela me olhou vitoriosa.

Eu me arrependi imediatamente de ter começado a jogar aquele jogo idiota. Eu deveria saber que ela iria achar um jeito de saber a droga da história, mas justo esse? Na frente do meu irmão e de todo o resto do pessoal? Por deus, até a Jiyoung estava ali! Se bem que ela não era nenhuma santa, levando em consideração que estava grávida.

-Que lingerie vermelha? -Namjoon perguntou. -Mila do que ela tá falando?

De repente o Suga começou a rir sem parar, ela sabia de que história a Kate estava falando. Óbvio, ele estava lá.

-Você vai contar? -Suga me perguntou.

-Acho que não tenho escolha.-respondi.

-Fala logo. -Sayu me apressou.

As meninas também queriam saber da história, bando de curiosas.

-Vocês devem se lembrar do dia em eu e o Suga sumimos por dois dias inteiros, certo? -todos acentiram, até Kate e Jiyoung já sabiam da história. -A verdade é que eu e ele andamos tanto que fomos parar em uma cidade meio longe daqui, então teríamos que pegar um avião pra voltar. O nosso vôo era só no dia seguinte e por isso tivemos que passar uma noite em um hotel e como não tínhamos roupa limpa o hotel deu pra gente uma troca de roupa, mas de roupa íntima feminina só tinha uma lingerie vermelha, então eu acabei usando ela mesmo.

O Suga começou a rir de novo e o Namjoon olhou pra ele com um olhar mortal.

-Na verdade provavelmente tinham outras roupas intimas no hotel. -confessou Suga.

-O que você fez? -perguntei para ele, torcendo para que ele não dissesse nada comprometedor.

-Quando a moça me mostrou os quartos normais do hotel eu perguntei se tinha outro na cidade, porque os quartos daquele lugar eram deploráveis, mas ela disse que aquele era o único hotel na região. -Suga explicou, quase sem conseguir segurar o riso. -Mas ai eu descobri que tinha uma promoção onde um casal em lua de mel ganhava um quarto melhor por menos preço, então eu inventei que a gente tinha acabado de casar.

-Por isso a lingerie e o quarto com uma cama de casal. -comecei a rir junto com ele. -Você não presta.

-Você está me dizendo que dormiu na mesma cama que a minha irmã e ela estava de lingerie? -perguntou Namjoon, irritado. -E eu nunca soube disso?

-Eu não achei importante contar. -retruquei. O ciúmes dele me irritava.

Ele ia começar a brigar, mas Kate pediu para que ele se acalmasse e Namjoon apenas se sentou de cara fechada e braços cruzados.

-Mas não foi a única coisa que você ganhou na viagem, não é? -perguntou Nikki, que sempre tentava acalmar as brigas não importava como. -Tem o colar também.

-Que colar? -perguntei.

-O do coração, que você está usando. -ela apontou para o meu pescoço. -Você voltou com ele.

-É verdade, eu nunca tinha percebido. -concordou Sun Hee. -É bem bonito.

-O Suga tem um do mesmo estilo. -comentou Jin. -Só que uma chave.

Eu e Suga travamos no lugar, sem saber como reagir.

-Eu sei qual é. -disse Jimin. -Ele nunca usa, mas está junto com os anéis e os brincos dele. Eu vou lá pegar.

Jimin, você conseguiu entrar na minha lista negra e chegar no topo em menos de uma hora, parabéns. Ele voltou segurando o colar que eu não via a quase um ano, já que meu namorado nunca usava. Meu namorado, é incrivelmente idiota que eu me sinta feliz falando isso, mas não posso evitar.

-Caralho, eles são mesmo parecidos. -exclamou Jungkook.

-Olha a boca! -ralhou Jin.

Antes que eu pudesse perceber Kate tirou meu próprio colar do meu pescoço e andou até o Jimin, colocando um do lado do outro.

-Não são só parecidos. -disse ela. -São quase iguais, tem as mesmas marcas, a mesma corrente, a mesma cor e são feitos do mesmo material. É quase como se eles encaixassem.

E então ela encarou os dois colares antes de simplesmente colocar a chave na fechadura que tinha no coração, que fez um clique e se abriu. O pedaço menor do coração se soltou quase completamente da " moldura" que tinha a mesma forma, ficando preso apenas por um dos lados.

OK, eu não sabia que isso era possível.

-Isso é muita coincidência. -disse Jungkook, deixando claro que ele não achava que era.

-Vocês tem pingentes de casal? -questionou Jin.

-É que eu queria muito o colar de coração e eles eram vendidos juntos. -menti. -Ai eu comprei os dois e o Suga ficou o outro.

Isso, parabéns Min! Boa desculpa. Espera, eu me chamei de Min? Isso é novo.

Eu sabia que as meninas do THE4 e o Jungkook não acreditaram, porque eles sabiam a verdade, mas funcionou para o resto.

-Vamos parar de falar disso que eu tô com fome.-disse Jungkook, chamando a atenção. -Tem alguma coisa pra comer?

-Não é muito cedo? -perguntou Jin.

-Já é quase meio dia. -respondeu V. -Vamos, Jin, eu também to com fome.

O mais velho revirou os olhos e se levantou.

-Ok, eu vou fazer alguma coisa. -disse ele.

-Eu ajudo. -disse Jiyoung, se levantando com um sorriso.

Os dois foram para a cozinha, que era separada da sala apenas por uma bancada e começaram a fazer macarrão. O resto de nós começou a se dispersar, cada um indo para um canto. Eu resolvi ver como estava meu antigo quarto, que já tinha sido acadêmia, depósito, sala de dança e agora era algo parecido com um escritório, com duas escrivaninhas, um piano, um violão, microfones, caixas de som e todo o tipo de coisas para se produzir uma música. Eu sentia falta daquele quarto, mesmo que eu tivesse ficado nele por pouco tempo. Eu tinha memórias ali.

-Saudades?

Olhei para trás e vi Suga me encarando com um sorriso. Ele fechou a porta e veio na minha direção, pegando minhas mãos.

-Um pouco. -admiti. -Tenho saudades de toda essa bagunça, eu me afastei de vocês depois que entrei pro THE4.

-Eu também sinto falta de te ter aqui. -ele se aproximou. -Era bom te ter por perto.

Ele estava muito perto de mim, o suficiente para que eu pudesse ver cada mínimo detalhe de seu rosto.

-Sabe do que eu não sinto falta? -sussurrei. -Dessa falta de privacidade. Aqui sempre tem muita gente.

-Não tem ninguém aqui agora. -disse ele.

E nós começamos mais um de nossos intermináveis beijos, mas dessa vez as coisas pareciam mais... intensas. Como se precisassemos que cada centímetro de nossas peles se tocassem.

-Eles vão vir nos procurar. -eu disse, me afastando.

-A porta está trancada. -respondeu ele. - Ninguém vai nem suspeitar. Jin demora muito na cozinha.

-Se nos pegarem a culpa é sua. -eu disse.

Ele sorriu e voltou a me beijar.

[ . . . ]
 

O almoço foi estranho, todos estavam em silêncio e nós conseguiamos ouvir Kate e Namjoon brigando no quarto dele. Parece que ele ficou irritado por ela ter ficado com outros caras enquanto ele não estava, então ela ficou brava com ele e eles começaram a rever o namoro inteiro.

-Eu fiquei fora por só 3 anos e você já achou outros 5. -disse Namjoon.

-Só 3 anos? -repetiu Kate. -Você só fala assim porque estava super feliz fazendo sucesso, enquanto eu estava em Los Angeles feito uma idiota.

-Eu disse que você poderia ter vindo comigo.

-Como? Eu tinha uma vida lá, ainda estava na escola e era menor de idade. -lembrou ela. -E eu não queria ficar amarrada a alguém que estava do outro lado do mundo! Eu não queria um relacionamento a distância, por isso nós terminando antes de você ir!

-E você nem perdeu tempo depois disso, não é? -ironizou Namjoon.

-Ah, nem me olha com essa cara, Nammie! Eu não te traí, não tínhamos nada. Você realmente esperava que eu vivesse feito freira até você voltar, sabe-se lá quando? Me poupe! -exclamou Kate, que estava cada vez mais irritada. -Seu ciúmes é complemente ridículo, e não sou só eu que sofro com isso. A Mila também sempre reclamou que você é muito controlador. E você só afasta as pessoas com isso. Eu duvido que ela te contaria se começasse a namorar, por medo. Você acha que está protegendo ela, mas só está a magoando e a afastando.

Eles continuaram brigando por vários minutos, até que fossemos embora. Eu amava meu irmão, mas estava do lado de Kate daquela vez. Namjoon podia ser extremamente controlador, e isso só me afastava dele cada vez mais. Eu nunca contei para ele de Lily quando namoravamos, assim como nunca contei sobre Suga. Claro, no caso de Suga tem muito mais motivos para que eu esconda, mas isso não muda o fato de que Namjoon é em deles.

Ás vezes eu só queria que ele confiasse mais em mim.

[ . . . ]
 

No dia seguinte eu acordei bem tarde, quase depois do almoço. Depois que voltei para o meu apartamento, só de noite, eu fiquei parada na frente do computador por horas, encarando a maldito senha de 6 dígitos. O que mais me irritava era aquele coração como dica, o que ele significava? Eu já tinha colocado Lilian, Yoongi, Hoseok, Sayuri, Sun Hee, Nicole e até mesmo Yang Mi, por causa do número de letras, mas nada funcionava. Eu estava tão incrivelmente frustada com tudo aquilo, com K, com os vídeos, com as chantagens. Eu só queria que tudo acabasse.

Eu fui tomar café da manhã com olheiras enormes, encontrando apenas Nikki e Melanie.

-Onde estão as outras? -perguntei.

-Moon e Nenha foram no shopping. -respondeu Melanie. -E a Nikki não me deixou ir.

-Porque você precisa terminar seu trabalho de ciências. -explicou Nikki. -É para amanhã. Aliás, você já acabou de comer, então vai lá continuar trabalhando.

Melanie saiu resmungando, me deixando sozinha com Nikki, que se inclinou na mesa e me olhou.

-Por que você nunca contou a história do colar? -perguntou ela.

-Não tinha porque. -respondi. -Você já sabia, de qualquer jeito. Você sempre foi boa em perceber coisas, Yun.

-É, talvez eu seja. -concordou ela. -E eu também percebi que você parou de usar o colar quando você e Suga terminaram.

Eu me mexi desconfortável, sem gostar do rumo que a conversa estava tomando.

-Eu estava chateada.

-Mas você voltou a usa-lo. -apontou ela. -Porque?

-Eu gosto dele. -respondi.

-Eu acho que tem algo a mais.

-O que está insinuando? -perguntei.

-Nada. -respondeu ela, mas era óbvio que estava mentindo. -Eu vou ajudar a Mel.

E então ela saiu, me deixando sozinha. Eu resmunguei e decidi ir atrás de Sayu e Sun Hee, então me vesti e saí do apartamento, sentindo uma brisa fria bater no meu rosto. Eu já estava na calçada quando meu telefone começou a tocar.

-Alô? -atendi, ficando na pontas dos pés para tentar ver algum táxi.

-Mila?

Era Jiyoung. Ela estava ofegante e pelos barulhos parecia estar correndo.

-Jiyoung, o que aconteceu? - perguntei.

-Ela está aqui, Mila! -ela gritou.

-Ela quem?

-Eu lembrei porque eu reconhecia a letra. Eu sei quem ela é, mas não sei como explicar. Eu a conheci, junto com Sam. Os dois estão do mesmo lado. ELES ESTÃO DO MESMO LADO.

-Quem?! -gritei.

-K!-ela começou a respirar muito rápido. -Ela estava na festa do Sam, disse que seu nome era Kammy. Eu sabia que lembrava, eu sabia. Kammy, Mila, como o Seung te chamava.

-Jiyoung, porque está me falando isso agora? -perguntei, começando a me desesperar.

-Ela está aqui! Está atrás de mim! -ela começou a chorar. -Mila, ela vai me pegar. Eu sei que vai. Ela tem cabelo preto, pelo clara e disse que é de Los Angeles. Você precisa descobrir quem ela é! Você preci...

E então eu só ouvi um estrondo.

-Jiyoung?! -gritei. -JIYOUNG!

Mas a ligação tinha caído e ela não iria responder. Eu fiquei perplexa, sem saber direito o que fazer. Um táxi parou na minha frente e eu entrei, dizendo o endereço de Jiyoung. Eu precisava ir atrás dela.

Quando cheguei na pequena casinha em que ela morava fiquei batendo na porta por minutos, mas ninguém respondia. Eu dei a volta e abri a janela da cozinha, me erguendo e entrando. Eu nunca tinha ido até a casa da Jiyoung, mas por algum motivo não me surpreendi ao ver que estava uma perfeita bagunça. Não tinham muitos móveis, então a maioria das coisas estavam apoiadas no chão, tinham roupas jogadas por toda parte e uma camada grossa de poeira pairava em cima de tudo.

-Jiyoung? -chamei, mas ninguém respondeu. Ela não estava em casa.

Eu continuei olhando por todos os cômodos com uma esperança vã de que eu a encontraria, até meu celular começar a tocar novamente. Eu o peguei esperançosa.

-Alô, é a Kim Mila?-perguntou uma mulher.

-Sim, sou eu. -respondi. -Quem fala?

-Eu sou enfermeira do Seul's Hospital, uma moça chamada Park Jiyoung caiu da escada e foi trazida pra cá, seu nome estava na lista de emergência do celular dela.-disse a mulher.

-Ai meu deus! -exclamei. -Ela está bem?

-Ela está em cirurgia, teve hemorragia cerebral por ter batido a cabeça. -a mulher agia como se isso fosse natural. -Ela tem algum parente para quem possamos ligar?

-Não, ela não tem irmãos e foi criada pela avó, mas ela morreu a alguns anos. -respondi. -A Jiyoung está sozinha.

-Qual é o grau de parentescos entre vocês? -perguntou a moça.

-Somos só amigas. -respondi.

-Bem, eu acho que você deveria vir até aqui.

-É claro, já estou indo.

Ela desligou o celular e eu tentei ao máximo não entrar em desespero, a Jiyoung tinha chances de ficar bem.

[ . . . ]
 

Entrei correndo no hospital e fui até a recepcionista.

-Park Jiyoung. Eu preciso ver Park Jiyoung. -disse para a moça. -Sou Kim Mila.

-Claro, ela está em cirurgia mas a sala de espera é aqui ao lado. -disse a moça e percebi que era mesma do telefone. -A sala de cirurgia dela é a primeira porta branca.

Fui até a sala de espera e tentei manter a calma enquanto minutos se passavam e eu não tinha nenhuma notícia. Só de depois de quase uma hora uma médica saiu da sala de cirurgia.

-Como ela está? -perguntei indo até ela.

-Você é Kim Mila? -a moça perguntou.

-Sim. -respondi.

-Precisamos ter uma conversa.

Eu gelei assim que ela disse aquilo, mas tive que me manter forte pela Jiyoung.

-Ao cair da escada a Srta Park bateu a cabeça com muita força e quebrou alguns ossos. Nós tentamos salva-la, mas a situação estava muito ruim e ela não resistiu.

Meu mundo caiu, eu me senti completamente sem chão e tive que me sentar em uma cadeira para não cair. As lágrimas rolavam soltas enquanto eu sentia um grande vazio no meu peito. Mas a raiva parecia quase tão grande, raiva de K. Jiyoung não caiu da escada, ela foi empurrada.

-Entramos em contado com o advogado da senhorita Park para saber se ela tinha alguém para cuidar do bebê e parece que ela deixou seu filho sob os seus cuidados. -a médica me olhou com uma cara que deixava claro que ela esperava que eu surtasse.

-Eu já sabia disso. -resmunguei. -Porque está me dizendo?

-A senhorita Park não tem família nenhuma, ninguém pode decidir oque vai acontecer com ela, mas você pode decidir oque vai acontecer com o bebê.
-ela suspirou.

-O bebê? -repeti. -Ele está vivo?

-O bebê sobreviveu. -concordou ela. -A Srta Park teve uma morte cerebral irreversível, mas por um milagre o bebê quase não sofreu danos. Podemos manter o corpo da mãe vivo para que o bebê se desenvolva o suficiente ou apenas desligar as máquinas, você decide.

-Nem pense em desligar as máquinas. -exclamei. -Esse bebê vai viver.

-Como vai ser quando ele nascer? -a médica perguntou. -Vai coloca-lo para adoção?

-Eu vou adotar, é claro. -respondi. -Eu sou emancipada e vou ser quase maior de idade quando ele nascer, legalmente não tem nada que me impeça. Eu devo isso a Jiyoung.

A médica concordou com a cabeça e disse que iriam levar a Jiyoung para um quarto, mas que depois eu podereria ve-la, ou o corpo dela.

Assim que ela saiu eu desabei de vez, eu sentia como se tivesse uma faca no meu peito, como se alguém tivesse tirado meu coração e o colocado em um pote com muito gelo.

Mas eu ainda tinha o bebê, ele era a minha esperança, a única coisa que me fazia pensar no lado positivo de toda a situação, pelo menos até eu me dar conta de que em menos de 9 meses eu teria uma criança pra cuidar, ai eu entrei em desespero.

Colocar o bebê para adoção não era uma opção, eu ia cuidar dele de qualquer jeito. Mas como eu vou faria para simplesmente aparecer com um bebê sem ninguém suspeitar? Meu coração se apertou mais ainda quando eu percebi que para cuidar daquela criança eu provavelmente teria que me afastar da Coréia, pra que ele não chamasse atenção.

Eu ainda estava surtando quando a médica apareceu e me deixou ir até o quarto da Jiyoung. Eu pensei que estava tudo bem, mas eu nunca estaria preparada pra ver minha amiga morta em uma cama.

-Vou deixar vocês sozinhas. -disse a médica, saindo do quarto.

Deixei algumas lágrimas caírem e me sentei na poltrona ao lado da cama, tirando os cabelos do rosto da Jiyoung, com cuidado para não mexer em nenhum dos vários fios que estavam ligados a máquinas.

Se ela não estivesse com todos esses fios eu poderia dizer que ela está dormindo.

-Olá, Jiyoung. -sussurrei, me aproximando do ouvido dela. -Não sei se você pode me ouvir, mas eu espero que possa.

"Eu nunca mais vou ouvir sua voz e nem ver seu sorriso, nunca mais vou poder te proteger do mundo e me admirar com o quão forte você é, mesmo apesar de tudo. Seu bebê está bem, mas temos que trabalhar em conjunto agora. Mantenha o seu filho vivo e saudável ai dentro que eu prometo cuidar e amar muito ele quando estiver aqui fora, como você faria se pudesse.

Eu sinto muito que as coisas tenham que acabar assim pra você, mas espero que você vá para um lugar melhor, um lugar onde você vai vai ser plenamente feliz.
Admito que estou um pouco brava por você ter me abandonado desse jeito, mas eu sei que não é sua culpa. Céus, como eu queria que nada disso estivesse acontecendo.

Eu te amo muito, Jiyoung, então por favor cuida da única coisa sua que eu vou ter de lembrança, cuide do pequeno feijão na sua barriga.

Eu te amo."

Dei um beijo na testa dela e me ajoelhei no chão ao lado do lugar onde a barriga dela estava.

-Oi bebê, como você está? -perguntei. -Espero que esteja bem e que continue assim.

"Sabe, você tem uma mãe que te ama muito e que vai te proteger mesmo que não esteja mais aqui, e quando ela não puder cuidar mais de você eu vou te criar como se fosse meu, então acho que você vai ficar bem.

Quando sua mãe me falava sobre você ela falava com tanto carinho que eu não entendia como alguém pode amar tanto alguma coisa que nem nasceu ainda, mas agora eu entendo, eu entendo porque eu sinto o mesmo.

Por favor continue vivo, eu vou estar te esperando quando você sair."

Me levantei do chão e vi a recepcionista com os olhos marejados do outro lado da porta de vidro. Assim que me viu a olhando ela enxugou as lágrimas e entrou no quarto.

-Eu sinto muito pela sua amiga. -ela disse. -Como agora você é responsável pelo bebê achei que poderíamos fazer um ultrassom para que você o visse, a Jiyoung tinha uma consulta marcada pra terça, mas podemos adiantar pra hoje, acho que o dia já foi muito triste e alguma coisa boa seria legal.

-Obrigada. -respondi, com um sorriso mínimo.

Ela concordou e saiu do quarto, voltando depois com um carrinho com um ultrassom portátil.

-Eu estou em um curso de enfermagem e faço procedimentos simples do hospital. -ela explicou.-Aliás, meu nome é Lee Haneul.

-Eu me apresentaria, mas você já sabe meu nome. -eu disse.

Ela sorriu e levantou a blusa da Jiyoung, passou um gel e começou a mexer um treco na barriga dela enquanto olhava o monitor.

-Ta vendo essa coisinha aqui? -ela apontou para um lugar da tela. -É o bebê.

Olhei atentamente e comecei a sorrir vendo aquela coisinha se mexer. Comecei a prestar atenção no som e ouvi um tum tum bem baixinho.

-É o coração do bebê. -disse Haneul.

Meu olhos marejaram e a faca no meu peito pareceu sair um pouquinho, meu coração aqueceu.

-Dá pra saber o sexo dele, você quer? -Haneul perguntou.

-Sim. -respondi.

-É um menino. -ela sorriu.

Olhei para a barriga da Jiyoung e sorri. Ela tinha sabia, é claro que sabia.

-É um pequeno Baby Boy. -sussurrei para mim mesma. -Vou te chamar assim até ter um nome.

-Você que vai cuidar dele? -Haneul perguntou. -Não é muito nova?

-A Jiyoung não tinha nenhuma família, ela era sozinha no mundo. Quando soube que estava grávida ela me implorou pra cuidar do bebê caso alguma acontecesse. -expliquei. -Em alguns meses eu faço 18 e posso adotar, mas espero que o bebê não nasça antes disso.

-Me pediram para te entregar isso. -disse Haneul, me entregando um papel ameaçado. -Era a única coisa que estava no bolso dela.

Eu peguei e saiu, me deixando sozinha novamente. Eu me sentei na poltrona e peguei o papel, abrindo e vendo que era uma carta endereçada a mim. Com lágrimas nos olhos eu comecei a ler.

CARTA ON
 

Olá, Mila. Eu sei que isso parece estranho, mas eu tenho esse pressentimento de que algo vai dar errado e não consigo simplesmente ignorar. Eu temo pelo meu bebê, então resolvi escrever isso, caso tudo dê errado. Se isso realmente acontecer, eu preciso que você saiba exatamente como proceder, e preciso que você seja única pessoa a saber disso.

O nome do pai do bebê é Samuel Skitts, também conhecido como Kadrick Denvills. Ele é líder de uma máfia chamada DVLS e é vital que ele nunca nem suspeite da existência de um filho. O bebê NÃO É filho dele. Eu me recuso a deixar que o meu bebê chame aquele monstro de pai. Sam tem três irmãs, Harriet, Melinda e Claire, mas são conhecida como Trina, Maddie e Leah. Se Harriet descobrir sobre o bebê ela vai tira-lo de você, sem dúvidas, e Melinda vai ficar com muita raiva de terem tirado o bebê de Sam. Mas Claire não, ela vai te ajudar a esconde-lo e as habilidades de hacker dela serão úteis. Você pode confiar em Claire, eu prometo. Dá última vez que eu a vi eles estavam na cobertura do Daegu's Plaza, então é uma boa ideia começar a procura-la por lá. Ache a Claire.

Bem, se você está lendo isso é porque o pior aconteceu, então saiba que você não está sozinha. Você não está sozinha, Mila. Você ensinou uma menina idiota e tímida a viver, e eu sempre serei grata por isso. Por favor, cuide do meu filho. Eu te amo.

CARTA OFF
 

Eu terminei e fiquei olhando Jiyoung. Parecia que tudo na minha vida tinha mudado, agora a prioridade era proteger o pequeno Baby Boy. Eu sabia que para isso eu teria que ir embora, mas eu sentia que por ele eu faria qualquer coisa. Sayu, Sun Hee, Nikki, Kate, Sayuri, meu irmão, meus amigos, meu namorado, eu teria que deixar todos eles, porque que eu precisava deixar o bebê a salvo a qualquer custo. Eu precisaria ser muito cuidadosa nesses próximos meses, mas valeria a pena. Eu precisava proteger o filho de Jiyoung de K, de Kadrick, das irmãs dele, de Seung, e de toda a mídia que cairia em cima de nós se soubessem que a Min, do THE4, tinha um filho. Filho, porque isso parecia tão certo?

Mesmo que isso custe a minha vida, eu vou proteger meu filho. Mas para isso, eu precisava encontrar a Claire.
 


Notas Finais


Espero que tenham gostado. Agora chegamos em uma nova parte da fic, uma das últimas.
Por favor, comentem.
~beijos LR


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