História A irregular de Baker Street - Capítulo 20


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Categorias Sherlock Holmes
Personagens John Watson, Personagens Originais, Sherlock Holmes
Tags Hotson, Uma Família Nascendo, Uns Idiotas Se Declarando
Visualizações 33
Palavras 2.436
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Mistério, Policial, Romance e Novela, Saga, Slash, Yaoi (Gay)
Avisos: Estupro, Homossexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 20 - Construindo laços


POV Rebecca

 Ao abrir os olhos, me encontrei cercada pelo Sr Holmes e o Dr Watson , seus braços repousavam sobre mim como um escudo , fazendo com que eu me sentisse mais segura e protegida desde que me entendo por gente . Com muito cuidado , consegui sair do meu casulo e ficando aos pés da cama pude admirar a cena super fofa . Suas mãos estavam entrelaçadas  entre seus rostos , estes serenos e com sorrisos bobos , os braços mais que de depressa procuraram algo para segurar, o que os tornou mais próximos ainda. Tive que sufocar os gritos de alegria que tentavam escapar de minha boca e acho que fiquei com um sorriso um pouco ... maníaco eu diria ... já que alguns criados que encontrei na cozinha me perguntavam com receio se estava bem e ouvi alguns sussurros entre eles sobre eu estar possivelmente drogada pelos remédios que tomei após chegar na mansão toda estraçalhada . 

  Queridos , esse sorriso é de uma garota que viu seu casal favorito juntinhos abraçados. Se tudo ocorrer bem , meu rosto vai ficar dolorido e distorcido de tanto que vou sorrir .

   Voltei para o quarto com uma bandeja cheia com o café da manhã para meus companheiros , que ainda estavam dormindo , o abraço agora mais apertado ainda que os narizes quase se tocavam . Será que se eu empurrar um pouquinho um deles facilita as coisas ? Tipo um beijo ? 

  Não , isso os acordaria bruscamente e ambos fugiriam antes de qualquer ação desejada . E também ... não quero acordá-los . É muita fofura . Deixem eles aproveitarem um pouco , parece tão bom . O doutor afundou a cabeça no pescoço do Sr Holmes  acho que o bigode fez cosquinha pelo jeito que ele sorriu . Espero conseguir me lembrar todos os detalhes para poder desenhar este momento .

  Escrevi um bilhete e o deixei na bandeja , não querendo assustar meus companheiros novamente (principalmente o Sr Holmes , não depois de quase ter minhas costelas destroçadas por aquele abraço) e comecei a andar pela mansão .

  Fui até a biblioteca determinada a ler mais um pouco do livro da noite anterior mas parei quando ouvi um gemido de dor vindo de um quarto no corredor . A porta estava entreaberta e por ela vislumbrei Gabriel sentado em sua cama com uma mão sobre o rosto . Quando me notou ali na porta , se levantou e foi a meu encontro . A cada passo que ele dava , eu recuava , não por medo dele , mas sei muito bem o que uma ressaca pode fazer tanto com quem bebe quanto com quem estiver ao redor .

 -- Por que ? – Gabriel me encarava ,havia uma mistura interessante entre verde e dourado em seus olhos .

-- De nada. – bufei – Bom dia para você também !

--Não devia ter ido lá .

--E deixar você morrer atoa para sua mãe o enterrar ? Não , obrigado . 

-- Não era de sua conta !!!

-- Estou aqui para ajudar a resolver o mistério da assassina . – repliquei – Enquanto meus colegas e eu estivermos nessa mansão , é nosso dever proteger as pessoas que vivem aqui . E querendo ou não , isso incluí você !

-- E se eu quisesse morrer ? – sua voz era gélida .

-- Então vai ter que esperar até partirmos , por que ninguém vai morrer enquanto estivermos no caso ! 

-- Você não tem o direito de mandar em mim ! Sou bem mais velho que você , sei muito bem o que estou fazendo ! Tenho 16 , já sou um homem feito , pirralho !

-- Bem , para um homem feito , você é mais criança do que eu ! E olhe que tenho 11 anos !

-- Bom para você .  Agora , se estou agindo como uma criança, ninguém nada a ver com isso ! Ouça-me ,cuide da sua vida ! 

-- Era exatamente o que eu iria sugerir a você ! – agora era eu quem estava o encurralando com meus passos – Há tantas pessoas que queriam viver mas suas vidas são interrompidas mesmo com seus maiores esforços . E você se esforça para morrer ? 

-- Se você soubesse ...

-- Então me diga ! Me conte o porque disso tudo ! Porque se esforça para se envenenar lentamente ! Encurtar a vida que já é curta !

  Gabriel suspirou em derrota , entrou em seu quarto , me encarando uma última vez antes de fechar a porta.

   Voltei meu rumo para a biblioteca e me sentei na poltrona em que o Sr Holmes leu para mim enquanto abria novamente o livro de Victor Hugo , esquecendo momentaneamente tudo para apenas me concentrar na história em minhas mãos.  Mas meus esforços foram infrutíferos quando ouvi um barulho vindo da estátua de Palas e a vi se deslocando minimamente . Fiquei parada no lugar apenas observando , até ouvir um pequeno piado vindo da deusa. Curiosa ,fui até a estante e subi a escada , pronta para verificar o que estava acontecendo  e para minha surpresa , encontrei uma pequena coruja encolhida contra a deusa da sabedoria . 

 Com cuidado , tentei pegá-la mas ela me afastou com as assas e o bico , fazendo chiados quando insisti até a ter em mãos , ignorando os cortes que a pequena me fez. Desci a escada com a corujinha mantida firme mas gentilmente em minha mão e a analisei ao voltar para a poltrona. Havia vários machucados e algumas penas estavam faltando , além de uma das assas parecer quebrada . 

-- Você se meteu em grandes problemas , não é pequena ? – eu acariciei sua cabeça mesmo com sua desconfiança- Vamos arrumar isso , certo ? Parece que não é só eu que precisa de remendos por aqui ...

  A aninhei contra meu peito e fui para o quarto do doutro pegar sua bolsa de medicamentos e voltei para a biblioteca , não querendo perturbar os dois dorminhocos .

-- Então, preparada ? – perguntei suavemente enquanto pegava o necessário na bolsa .

  Recebendo um piado fraco comecei a cuidar dos ferimentos e tive cuidado especial com a assa ao enfaixa-la .  Magnólia e eu sempre brincávamos juntas pelas terras de seu pai e sempre que encontrávamos um animal ferido o levávamos para sua casa e cuidávamos dele até ele voltar a saúde e voltar para a mata , por essa razão sabia como ajudar minha nova paciente . A pequena era uma fêmea com penas castanhas escuras nas assas em grande parte na cabeça , com algumas de coloração mais clara na barriga e pernas , seus olhos eram dourados e desconfiados mas que aceitaram aos poucos meus toques . Ri ao perceber que ela se parecia comigo quando conheci o detive e o doutor .

-- É isso . – disse quando terminei – Mas acho que vai ter que ficar sem voar por um bom tempo . O que acha de ficar comigo até lá ? _ outro piado – Espero que isso seja um “sim “  .- ri- Então , acho que precisa de um nome ... Atena ! Já que você foi encontrada sobre a proteção da deusa , nada mais justo ,não acha ? Bem , é u prazer conhece-la , Atena ! 

  A corujinha se aninhou em meu colo enquanto voltava a ler , acariciando-a até ela dormir encolhida e fofa .

-- O que você tem aí ?

  Levantei os olhos do livro e vi Gabriel na minha frente , usando roupas negras como se estivesse em um eterno velório .  Ainda havia aquele misticismo ao seu redor , os olhos pálidos , a pele fantasmagórica , os cabelos loiros eram cumpridos e bem amarrados por um laço escuro. Ele dava a impressão de ser alguém acostumado á tristeza, ao luto e se parecia muito com a mãe . Mas mesmo por baixo de tanta tristeza , ainda havia uma faísca bem no fundo de seus olhos e seu corpo rígido estava pronto para qualquer mudança de eventos.

-- Uma nova amiga , eu acho ...  – ri ao voltar a acariciar a corujinha adormecida .

-- Qual o nome dela ?

--- Atena , achei ela escondida atrás da deusa .

-- Faz sentido . – ele encolheu os ombros se aproximando .- Acho que começamos com o pé errado ...

-- Você acha ?- perguntei sarcasticamente .

-- Bem , deixe que me apresente corretamente , eu sou Gabriel Montbard , filho do Conde Montbard. – ele estendeu a mão para mim.

-- Prazer em conhece-lo . – apertei-lhe a mão – Robert Scott , filho do Brasil e neto de Portugal .

-- O que o traz aqui , Scott ? 

--Uma mistura de sorte e azar , mais sorte do que qualquer outra coisa . 

-- Azar ? Estava fugindo de problemas ? Ou foi mandado por seus pais para cá ?

-- O primeiro . Além disso, meus pais estão mortos .

-- Como ? – ele se sentou em um sofá em frente a mim .

-- Minha mãe morreu no meu parto e meu pai foi encontrado dias depois morto após uma briga de bar. Não conheci nenhum deles.

-- Entendo ... então você conhece o sentimento que a morte trás ? – ele olhou para mim tristemente .

-- Eu não sei ... nunca soube como é amar alguém e essa pessoa morrer ,já que nunca fui muito amada e minhas relações com os outros é ... complicada .E os que amo , dá literalmente para contar nos dedos ... – ri sombriamente .

-- Quem está na lista dos afortunados ?- Gabriel perguntou  .

--  Minha melhor amiga, a Sra Hudson , o Sr Holmes e o Dr Watson.-  só percebi que Atena havia acordado quando ouvi um piado e a vi me encarando como se estivesse indignada – Mas é claro , você também esta na lista , Atena. Você e o gato da Sra Hudson , o Ramsés .

-- O que houve com a assa dela ? – ele havia levantado e ao chegar ao meu lado , se agachou para tocar Atena , porém , a pequena chiou e o bicou . Mais do que depressa Gabriel voltou para seu sofá.

-- Acho que ela não gostou de mim ! 

-- Logo ela se acostuma com você , não é mesmo , Atena ? – não recebi nenhuma resposta .

 

 POV Holmes

  Acordei sentindo um corpo quente e macio contra mim , além de algo que fazia cócegas em meu pescoço . Ao abrir os olhos fui presenteado com uma juba castanha clara acariciando meu rosto e ouvi alguns roncos suaves vindo do mesmo ser. Uma das mãos de Watson estava entrelaçada a minha enquanto o outro braço me segurava firmemente e não me surpreendi  ao notar que eu fazia o mesmo. Não me lembro dele ter se juntado a nós e nem o por que mas resolvi deixar isso para depois , aproveitando o calor que meu Boswell proporcionava por enquanto . Aos poucos , senti ele se aconchegando mais ainda contra mim e resmungando como se não quisesse acordar . 

  Por fim ,Watson se afastou de meu aperto e se levantou , a desordem em seus traços era incrivelmente adorável .

-- Bom dia , meu caro Watson .

-- Dia , dormiu bem ? – ele perguntou em um bocejo enquanto eu resistia a vontade de acariciar aquele cabelo macio .

-- Perfeitamente , e você ?

-- Bem ... – então ele percebeu onde estava e caiu da cama .

-- Watson ?! – me ajoelhei na beirada da cama e não pude deixar de rir com o estado que encontrei meu querido amigo . – Oh, vamos , não deve ser tão desagradável dormir comigo ,ou é ? – apesar do tom de brincadeira , estava realmente desejando obter uma resposta verdadeira .

-- D-de fo-forma nenhuma , m—meu caro Holmes ! É que ... eu invadi seu espaço pessoal sem permissão , e-eu ... – Watson gaguejava e seu rosto estava em chamas .

-- Meu mais caro amigo , se você estivesse sendo um incomodo eu certamente o avisaria . Mas acredite , Watson , você nunca , jamais é um incomodo  para mim. Eu sinceramente não sei como alguém como você consegue viver com alguém tão desagradável como eu ...

-- Holmes ! Deixe de tolices ! Você é a pessoa mais inteligente e insubstituível que eu já conheci ! – ele se levantou e me segurou pelos ombros , seu rosto a poucos centímetros do meu . – Sherlock Holmes , eu te devo a minha vida , você me salvou de uma vida monótona e sem ter nenhuma utilidade para ninguém ...

-- Você poderia acabar morto por minha culpa ! – eu revidei desesperado , lembrando de meu pesadelo .

-- Então eu morreria feliz ao seu lado ! – ele retrucou com emoção – Holmes , nada me alegra mais do que estar ao seu lado , seja no melhor ou pior momento . Eu sempre vou estar aqui por você . Não importa as feridas , o perigo , ou o raio que for ! Eu prefiro morrer ao seu lado do que deixa-lo sozinho ! Você não entende ? John Hamish Watson não é nada sem Sherlock Holmes ! 

  Esse discurso me deixou sem palavras e de queixo caído . Eu nunca ouvira tanta emoção na voz de Watson antes , principalmente quando dirigidas a mim . Não pude me impedir de abraça-lo .

-- Meu Boswell ...

  Os braços de Watson me seguravam fortemente em troca .

-- Holmes ... eu ...

   Ele se afastou e me olhou diretamente nos olhos enquanto segurava minhas mãos nas dele .

-- Eu ...

   O que ele tinha para me dizer teve que ser adiado ao sermos interrompidos por grito de raiva vindo do corredor . Mais do que depressa saímos do quarto para ver o que acontecera e deparamos com o Conde Montbard indo para a biblioteca como se o próprio demônio estivesse se apoderado de seu corpo .

-- O que será que ... – Watson olhou para mim sem saber o que estava acontecendo .

-- Eu não sei . – admiti- Mas sei que provavelmente ele vai para a biblioteca e é lá que Rebecca deve estar! Melhor segui-lo !

  Corremos no encalço do Conde , temendo por quem fosse o destinatário de sua cólera enquanto eu rezava silenciosamente para não ser Rebecca o seu alvo.



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