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História A Kombi sem freio - Capítulo 1


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Notas do Autor


Vejo muita gente que gosta de Kombi, acham lindas, mas vocês conhecem o lado rebelde da Kombi?

Capítulo 1 - Como NÃO dirigir uma kombi


Fanfic / Fanfiction A Kombi sem freio - Capítulo 1 - Como NÃO dirigir uma kombi

Hoje em dia, nós vemos muita gente falando em Kombi. Todo mundo gosta dela, vê Kombi, gosta de Kombi, quer ter uma Kombi. Tem gente que quer viajar com uma, passear pela américa latina, fazer uma viagem, como vemos várias pessoas no Instagram. Resolvi contar então, um dos causos meus que vivi em uma Kombi, para saberem que, nem tudo em uma Kombi são flores.

Sou do interior de Santa Catarina, e este fato me ocorreu no ano passado. Tinha um pouco de vergonha de contar isso, mas eu sempre acho graça desse fato, e resolvi compartilhá-lo aqui.  Em uma cidade vizinha, meu tio tem um sítio. Ele tem uma Kombi ano 1975 bege clarinha, parecida a qual eu pus na foto desta história. Só que a Kombi dele não está nem perto do que essa daí esta em estado de conservação. Essa foi um dos últimos anos em que a Kombi corujinha foi fabricada. Para quem não conhece esse modelo de Kombi tem na sua frente uma voltinha que faz ela se parecer com o bico de uma coruja. Ele usava aquela Kombi no sitio dele para puxar ração para o gado, buscar trato na cidade, carregar esterco, essas coisas, levar frutas, verduras que ele produzia no sítio dentro dela. Uma vez ele pediu para eu ir ao centro da cidade com ela, eram cerca de uns 10 km até lá, eu teria que ir para buscar uma encomenda de ração de gado. Entrei no carro, e já me deparei com aquele cheiro de esterco, vale lembrar que a Kombi não é um carro relativamente novo, essa em particular tem 45 anos de estrada e ela já enfrentou uma enchente ao qual ela saiu boiando. Enfrentou até neve, e as condições mais adversas de lameiros, atoleiros, temporais, vendavais, granizo, além de muitos buracos e tudo o que uma estrada de sítio podia oferecer.  Logo quando dei a partida na Kombi, vi que o pedal do freio estava estranho, vale lembrar que aquela Kombi era uma baita ratoeira, ela era a anos do sogro dele, já estava cheia de ferrugens e podres, em alguns pontos o chão dela parecia o carro dos Flintstones, se você tivesse um pé relativamente pequeno você poderia colocar seu pé ali e colocar os pés no chão. Apesar de judiada, ela ainda dava para o gasto do trabalho na roça, onde havia esses buracos de podres nos colocávamos umas tábuas para que as coisas ficassem bem acomodadas, e não caíssem na estrada.

Quando saí do sítio dele, segui em direção a estrada principal. Esta tem uns 6 km de descida, só de estrada de terra. Pensei, "vou descer com ela na reduzida para não judiar tanto do freio estranho dela”. Se você não dirige, vou lhe explicar o que é reduzida. No carro a primeira e a segunda marcha servem para arrancar. Mas se você engatar estas marchas quando o carro está em movimento, o motor tende a segurar o carro, isto é chamado na física de freio motor. Não vou dar uma explicação física de como isto acontece, afinal pois não sou da área, e vocês também não querem saber disso, então vamos continuar a história. Nos primeiros quilômetros da estrada fomos de boa, devagarinho, descendo calmamente. Não sabia qual velocidade eu estava, pois, o marcador de velocidade não estava funcionando, como é normal numa Kombi, porém no meio do meio do caminho a desgraça começou a ocorrer, o freio baixou até o final, e eu fiquei sem freio. Continuei descendo na reduzida, tentando acionar o freio de mão para tentar pará-la, porém sem sucesso, pois o freio de mão também estava estragado. Fui descendo bem "bração", virando o volante nas curvas e salvando a Kombi delas. Outro problema que a kombi tinha, a caixa de marchas dela estava folgada e desgastada, e ela desengrenava a cada buraco, quando a marcha desengata, ela volta ao ponto morto e isso fazia eu ganhar mais velocidade na descida. Eu ia descendo e engatando ela de novo, tirava uns finos de mourões, árvores e cercas nas curvas. Num dos trechos ela passou num buraco, tipo de uma vala, que tinha fora a fora na estrada, e desengrenou de novo. Aqui que começa a cena de carro desgovernado da novela da globo, a se a globo visse esta cena, eles a gravariam e seria sucesso na novela das 9. A Kombi depois do buraco desengatou a marcha de novo, e além de eu ganhar velocidade, perdi o controle dela por alguns instantes, e por ser uma curva eu toquei em cima de um canteiro de Hortênsias que tinha na beira da estrada, saí arrancando tudo, voando mato e flores em cima do carro. Consegui com algum custo voltar para estrada, tentando engatar a Kombi de novo. Próximo ao lugar que arranquei as hortênsias, tinha uma casa em que as galinhas estavam bem no meio da rua, passei buzinando e era galinha voando pra todos os lados, fazendo um pandemônio completo, eu com a Kombi descontrolada, buzinando, as galinhas voando, e logo a minha frente, surge um sujeito que ia atravessando a estradinha com seu carrinho de mão, ele me viu buzinando e correu, abandonando o carrinho no meio da rua, tinha esterco de boi dentro dele, e quando eu passei por ele a Kombi pegou de ladinho no carrinho, bem nos braços onde se segura o carrinho, e virou tudo no meio da estrada, pude ver pelo retrovisor o homem e uma mulher, que provavelmente era sua esposa com as mãos na cabeça. Eu tentava engrenar ela, mas a marcha não entrava mais, trabalhava no volante pra esquerda e direita, evitando acidentes, pois quem conhece Kombi sabe que o volante é muito folgado. Porém numa das últimas tentativas, logo após passar a casa e de esbarrar num carrinho de mão, o pior aconteceu. Um dos braços da direção estourou e fiquei sem controle do volante, não importava para onde eu virasse, o volante não tinha mais efeito, eu estava indo em direção a um barranco e ia bater. Eu dei com o lado direito dela num barranco, vi que uma das velhas calotas dela voou alto com o impacto. A Kombi seguiu descontrolada em direção a um pequeno pasto que tinha, entrei nele, e por incrível que pareça esse pequeno trecho de mato me fez perder velocidade. Por ser um terreno desnivelado, eu sacolejava dentro da Kombi para lá e para cá, acabei que fui parar dentro de um pequeno córrego de água com a Kombi, ela bateu com a dianteira numa pedra e eu dei de cabeça no para-brisa, quebrando-o com a cabeça, por sorte eu tenho cabelos longos, e eles amorteceram o impacto, não me feri e finalmente a Kombi tinha parado. O curso de água era bem pequeno mesmo, tanto que apenas as rodas da frente e a dianteira dela ficaram na água. Desliguei ela e sai de dentro. Desci dela bem, apesar de meio tonto e desnorteado por causa do impacto, eu não tinha me machucado, nem o vidro tinha me cortado, olhei no espelho pois eu tinha acabado de dar de cara no para-brisa, mas vi que eu estava bem. Na estrada acima, bem no começo do pasto surge o casal ao qual eu quase atropelei o marido, ambos vieram correndo e pareciam preocupados.

-Tudo bem aí guri? Ti machucasse? –Diz o marido lá de cima. Ele provavelmente é descendente de alemão, pois tem um sotaque bem puxado, apesar de ter seus cabelos escuros.

-Não, meu querido. –Eu respondi subindo o pasto em direção a eles. –Tá tudo bem.

Cheguei mais próximo a eles, e disse:

-Desculpa, quase te atropelei, eu perdi o freio daquela tranqueira, por isso passei naquela velocidade.

-Tranquilo guri. Fiquei preocupado, vai que tu tivesses se machucado.

-Vou chamar meu tio.

Liguei ao meu tio pelo meu celular, o casal fez questão de me levar até a casa deles, para que pelo menos eu tomasse um copo d’água, e esperasse meu tio chegar. Seguimos em direção a casa deles juntos, recolhi a calota da Kombi que eu tinha perdido. Tomei uma água e ainda ajudei o moço a recolher o esterco que eu tinha virado com a Kombi. Disse a meu tio que viesse com o trator, para tirarmos a Kombi do lugar. Logo ele chegou com o trator, e tiramos ela com relativa tranquilidade de dentro do pasto. Ele a puxou para a estrada com minha ajuda e ajuda do caboclo que eu quase tinha atropelado. Vi que o estrago era menor que eu imaginava, só tinha amassado um pouco a parte da frente, e como o para-brisa da Kombi é bipartido ao meio, o outro lado estava intacto. Por estar sem direção seguimos para o sítio, ele puxando a Kombi com o trator, e eu dentro controlando ela. Por incrível que pareça, o motor não tinha sido afetado, estava funcionando perfeitamente. Tive no sítio do meu tio estes tempos e o melhor é que a excomungada da Kombi roda até hoje. Meu tio arrumou os freios dela, (Eu quis pagar o conserto, mas ele não aceitou, disse que ele já tinha que ter arrumado aquilo antes de eu ter batido com ela), e ele ainda ela nesses trechos do sítio, ela tem o amassado da batida até hoje. Ele consertou também o para-brisa, e a Kombi continua rodando de forma bem valente. Isso nos gerou muitas risadas depois de ter acontecido, “Fulano de tal bateu com uma Kombi e sobreviveu”.



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