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História A Lagoa dos Lírios d'água - Neito Monoma - Capítulo 4


Escrita por: denkivoir

Notas do Autor


oioioioi
OBRIGADA PELOS +30 favs :))

Capítulo 4 - Salmon


Fanfic / Fanfiction A Lagoa dos Lírios d'água - Neito Monoma - Capítulo 4 - Salmon

Monoma estava deitado.

Dessa vez, não por estar aproveitando para pensar sobre [nome], mas por ter sido arremessado ali por Uraraka, garota baixinha de bochechas rosadas da miserável turma 1-A. Com dificuldade, já que estava amarrado, Neito levantou-se, depositando a maior parte do peso do corpo em uma das pernas e encarando o ambiente por fora da jaula adorável onde havia sido trancafiado por Ochaco.

Balançou a cabeça, a fim de mover a franja loira, e respirou fundo, abaixando o queixo ligeiramente ao pensar que havia sido o primeiro de sua equipe a ser pego pelos adversários. O fato dos colegas e de Hitoshi terem colocado tantas expectativas sobre seus ombros antes da disputa só deixava a sensação de impotência mais forte. Estalou a língua, esboçando um sorriso ao recordar a si mesmo que, mesmo ali, preso, podia ser útil de alguma coisa.

— Fire — disse, umedecendo os lábios. — Twin Impact. Ele consegue causar um impacto ainda maior onde o primeiro atingiu — Fechou os olhos, sentindo a luz do Sol tocar-lhe as pálpebras. — Shinsou-kun, sinto muito por ter sido o primeiro a ser capturado. Será que consegui abrir uma abertura para atacar?

[nome], que observava tudo em silêncio, sentiu que, se pudesse, arquearia uma das sobrancelhas, do que o estudante com pior fama da turma 1-B estava falando?

— Monoma-san, pensei que só falasse desse jeito em público — comentou a garota, logo se arrependendo ao notar que denunciara sua presença dentro da cela de aparência fofa.

Neito franziu as sobrancelhas claras automaticamente, olhando para os lados em busca da dona da voz repentina. Virou o rosto para o lado, encostando o queixo no ombro direito, percorrendo o que podia com os olhos lilases e concluindo que, apesar de ter certeza das palavras ouvidas, não havia ninguém ali.

Ao menos, não um ser humano.

— Ó, Morte, senhora de todos os fins, única certeza da vida de todos os seres, é um prazer que me agracie com sua ilustre presença, mas peço, em nome de todos os que ainda salvarei, não me leve agora — pediu, erguendo o queixo e voltando uma das palmas da mão para cima, como se fosse Hamlet e estivesse segurando uma caveira, embora não pudesse erguer o braço.

"Por que ele é assim?", [nome] indagou-se, mentalmente, sentindo vontade de rir dos maneirismos excessivamente teatrais do loiro. Não o fez, é óbvio, não queria ofendê-lo, ainda não desistira completamente da ideia de usar o loiro como seu modelo e sabia que ofensas diminuiriam as chances — já quase nulas — de Monoma aceitar o convite.

— Monoma-san, eu não sou a morte — negou [nome], retirando a camuflagem daquela porção de seu corpo e fazendo os olhos cor de lavanda de Neito voltarem-se para a massa rosada e de aparência gosmenta que surgira no teto da jaula.

O loiro arregalou levemente os olhos, não só pela surpresa em ter alguém humano ali — e não a "senhora de todos os fins", como acreditava antes — mas também por perceber que esse alguém era a menina que, recentemente, vinha perturbando cada um de seus pensamentos.

— É minha individualidade, consigo mudar o estado do meu corpo pra, bem, virar isso aqui — disse, fazendo a massa já rosada tornar-se ainda mais avermelhada, pela vergonha que sentia da própria individualidade.

Neito ergueu as sobrancelhas, fingindo ter aprendido algo novo. Sabia exatamente como a individualidade da garota funcionava, fizera o dever de casa e investigara tudo sobre a menina ao se dar conta dos próprios sentimentos. Não sabia apenas que a garota era capaz de modificar a consistência do próprio corpo e tornar-se aquela substância pastosa, o de cabelos claros também tinha conhecimento de algumas das habilidades do composto.

Ao tornar-se aquela gosma, [nome] ganhava uma infinidade de possibilidades de uso da própria individualidade. Podia camuflar-se, modificando a si mesma para que a luz a fizesse adquirir um aspecto praticamente invisível, semelhante ao modo usado por Hagakure, além de ser capaz de aderir às superfícies, como fazia com o teto da jaula.

Porém, essas eram apenas capacidades secundárias, o brilho da individualidade de sua amada estava em outro tópico: [nome] era capaz de abrir portais. Ao dividir-se em duas ou mais partes, após transformada, era capaz de mover objetos e, como Monoma acreditava que era o caso naquele momento, pessoas. Uma das metades ficava ali, dentro da jaula, enquanto a outra estava longe, solta em algum ponto do chão da zona de treinamento, camuflada no piso e apenas esperando para que algum descuidado da 1-B não notasse a estratégia e, assim, pisasse no portal, sendo levado, imediatamente, para o interior da cela onde Neito estava preso.

Era um plano engenhoso, o loiro tinha de admitir.

Não muito ético, é claro, mas não é como se Monoma se importasse muito com pequenos detalhes como este.

— É... Legal, eu acho — opinou Neito, dando alguns passos até as barras que limitavam a cela, e, com as costas escorregando por elas, sentou-se no piso da jaula.

[nome] estranhou, novamente, o comportamento do rapaz de cabelos claros. Não sabia qual dos dois Monomas era o verdadeiro, se era o que ria de maneira escandalosa ao caçoar da turma 1-A por absolutamente qualquer motivo, ou se era o garoto amigável e inteligente que surgia de vez em quando. Ponderou por algum tempo, concluindo que talvez os dois fossem reais.

— Até seria, se eu não tivesse tantas limitações — confessou [nome], soltando um suspiro.

— Como quais? — questionou o loiro, recolhendo as pernas e ouvindo o tilintar dos relógios que trazia consigo. Assim que a pergunta saiu de sua boca, entretanto, Monoma se arrependeu, percebendo como aquilo havia soado.

A substância no teto foi aos poucos, adquirindo um tom ainda mais alaranjado.

— Não vou contar — a menina negou-se, imediatamente, desconfiando das intenções escondidas por trás da indagação ingênua de Neito. — Caso você se torne meu adversário de novo algum dia, vai ter vantagens contra mim — explicou a negação, em seguida, suavizando o tom laranja do corpo.

Neito esticou as pernas, encostando a parte de trás da cabeça nas barras da cela. Mesmo quando não estava tentando manipular as pessoas, ainda soava daquele jeito. Era inútil tentar parecer diferente, não dava uma dentro.

— Também acho a sua individualidade legal — falou a garota, ao notar que o silêncio entre os dois começava a lhe incomodar os ouvidos.

Monoma endireitou o corpo, encarando o composto rosado no teto, curioso para saber se [nome] estava ou não falando sério. Entreabriu os lábios, tentando pensar em algo típico para falar, como "seria inveja, [nome]-san? Hahaha, é sempre impressionante ver como é só falar com alguém da turma 1-A para ver o quão falsas são as suas virtudes" ou qualquer coisa assim. No fim, não conseguiu, desviando o olhar para os sapatos.

— Não é grande coisa — Bateu as extremidades dos pés, voltando a encarar a substância rosada. — Não consigo copiar todas as individualidades, dura pouco tempo e sempre vou depender de outra pessoa, sem ela, eu sou inútil, que nem uma folha em branco esperando receber tinta — explicou, dando um sorriso ladino ao usar uma referência relacionada à menina.

[nome] parou pra pensar. Apesar de compreender o que o loiro dissera, não conseguia concordar com ele de maneira alguma.

Ao notar novamente o silêncio entre os dois, se deu conta de um fato óbvio: os dois estavam sozinhos. Presos dentro daquela cela, sozinhos, e Neito parecia estar se comportando estranhamente bem. Parecia o momento perfeito para arriscar o convite, então, juntando toda a sua coragem, [nome] começou a falar:

— Monoma-san, pode me fazer um fa- — desistiu de pedir ao ser interrompida por barulhos fora da jaula, gerados pelos outros companheiros da equipe do rapaz loiro, que tinham sido capturados. Neito pendeu a cabeça para o lado, vendo os colegas da  turma 1-B, e suspirou, esquecendo, temporariamente, da frase que a garota iniciara.


Notas Finais


Espero que tenham gostado
byebye


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