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História A lenda de Kravaskra - Capítulo 2


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Capítulo 2 - 01. Proteção


 

Olhei para os lados ao acordar, minha cabeça estava doendo, a luz fraca de uma vela próxima a minha cama iluminava o rosto de um senhor dormindo sentado na cadeira. Tentei me levantar aos poucos, para não acordá-lo e conseguir fugir, a roupa que vestia era apenas uma camisola, meu vestido de casamento estava estendido perto da janela com todas as jóias também. Prendi minha respiração, coloquei meus pés no chão e fui caminhando pausadamente até a porta, quando abri a porta rangeu e ele acordou.

- Menina! – comecei a correr, era um vasto pasto, minha cabeça começou a doer cada vez mais, tudo ficou girando e apaguei. Quando acordei já era dia, o cheiro de comida estava forte e uma senhora estava perto da lareira, o senhor abriu a porta na hora em que me sentei na cama. – Hellanor, a menina acordou.

- Olá! – ela se virou em minha direção e veio mais perto, me encolhi. – Não vamos te machucar, nós te salvamos, eu acho, na verdade meu filho te salvou e te trouxe para cá.

- Onde estamos? – perguntei, minha voz não saiu tão firme como eu queria.

- Estamos perto do reino, meu marido é ferreiro para o rei e não sabemos mais nada do que aconteceu com você, quando meu filho retornar você pode perguntar para ele. – ela disse voltando para perto da lareira e enchendo uma cumbuca com líquido. – Tome isso menina, vai te ajudar, fiz uma sopa de batata. Beba água também! – ela colocou perto da cama e sorriu amorosamente. – Fiquei assustada, sua cabeça estava sangrando quando chegou, você deve ter sofrido muito. – tentei me lembrar o que aconteceu, Joseph...

- Tinha mais alguém comigo? – o senhor que havia se sentado na outra cama para tirar as botas balançou a cabeça negando.

- Ian apenas te trouxe, ele foi pegar uma mercadoria para mim naquele dia e decidiu ir pela floresta, não conseguiu contar direito, ele te deixou correndo aqui e foi embora dizendo que voltaria em breve e se poderíamos cuidar de você até ele voltar.

- Entendi. – olhei a sopa, meu estomago estava extremamente vazio, peguei a colher e comecei a comer. – Obrigada por ajudar, desculpe o incomodo. Eu gostaria de contar o que aconteceu, mas também não sei o porquê de tudo.

- Não tem problema, o importante é que você está viva e a salvo agora. Logo poderá voltar para sua família. – meu coração estremeceu, talvez eu não tivesse mais família. Apenas dei um leve sorriso de lado para disfarçar, mas Hellanor percebeu a tristeza por trás disso. – Está tudo bem com sua família menina?

- Não tenho certeza. – levei mais uma colher até a boca, ficamos em silencio, repeti a refeição enquanto os dois iam para fora da casa colher algo para jantarem, me levantei e me olhei no espelho, havia um curativo na minha cabeça que ainda doía bastante, a roupa que eu estava vestindo não era apropriada, muito fina, tinha uma roupa dobrada perto do meu vestido, uma calça e uma blusa de homem, eram grandes mas dava dava para dobrar e amarrar com um lenço na cintura a calça, coloquei e sai para perto de onde era a colheita, o sol estava forte.

- Menina! Você deveria ficar descansando mais. – o homem disse.

- Estou bem. – disse observando os dois. – Eu coloquei essas roupas que vocês deixaram para mim, prometo lavar antes de partir. - ele deu risada.

- Como nosso menino é grande mesmo! Puxou a minha família. As roupas de quando ele era moleque e fracote ficaram gigantes nela, olhe Hellanor! – ela se virou para olhar com mais atenção e deu risada também.

- Pode ficar com as roupas, não cabe mais no Ian, ele usava isso quando tinha uns 15 anos, agora ele esta mais forte e isso fica justo, eu guardei caso um dia precisássemos, só não dei um vestido meu porque eu sou muito alta e tenho muita carne, você é muito magra.  – Hellanor era alta assim como o marido, os dois eram bem fortes.

- Obrigada. – fui andando pelo pasto, o vento soprava, um vento bom naquele dia tão ensolarado, é estranho ver uma planície, vivi minha vida no meio das montanhas.

- Qual seu nome menina?  - a senhora se aproximou com um copo de limão espremido com água. – está muito quente, tome um pouco disso.

- Charin, me chamavam assim. – tomei um gole, estava bem forte. – estou aqui há quantos dias?

- Há uns dois dias. – ela disse. – o Aires, meu marido, está saindo para levar a mercadoria para o reino, melhor aproveitar para tomar banho no rio aqui perto, seu cabelo está com muito sangue seco e você está toda suja, tentei limpar um pouco, mas melhor tomar um banho enquanto está quente. Vamos lá para dentro para eu pegar um pano para você e sabão, vou aproveitar para ver se a casca do ferimento está firme. – fui junto até a casa, ela olhou meu machucado na cabeça, estava tudo bem e me mostrou o caminho até o rio e disse que logo iria também. – Cuidado com cobras! – ela gritou de longe, fui olhando o local, era um terreno bem grande, quase nada era usado para plantação, havia uma parte para rebanho de ovelhas e de vacas e cavalos, outra parte era um local onde o Aires trabalhava com o ferro e uma casa apenas para estocar os equipamentos prontos, cheguei no rio, não tinha uma correnteza forte, tirei a roupa e entrei, era mais funda do que esperava. Fiquei perto da borda e me ensaboei, minha cabeça ainda doía e passar o sabão ardeu bastante.

- Ai, ai, ai... – tapei meu nariz e fui para baixo da água para ver se ao tirar o sabão a dor também diminuiria, voltei a superfície, terminei meu banho e fiquei um pouco na borda do rio me secando com o sol. Havia alguns machucados no meu braço esquerdo, alguns na minha perna e pés, as imagens do dia do casamento me vieram a mente, meu coração estava apertado, as lagrimas começaram a cair incontrolavelmente, me encolhi, abracei meu joelho e chorei, passaram-se alguns minutos. Peguei a toalha para me secar, sequei meu cabelo levemente e coloquei a blusa que antes vestia, mesmo depois de alguns minutos o choro insistia em vir, mas não queria que Hellanor me visse daquele jeito quando chegasse. Ouvi um barulho de galho quebrando vindo sentido as árvores.

- Hellanor? – perguntei, meu coração congelou, e se as pessoas que me perseguiam tivessem me encontrado? E se tivessem matado a família que me salvou? Peguei um pedaço de madeira perto e as roupas no chão. – Hellanor? – o silencio persistiu, coloquei a calça e fui sentido a casa, é melhor ir embora logo, demorou para achar o caminho de volta, não era tão boa com novas localizações e sempre me perdi facilmente, entrei em casa apreensiva, rezando para que estivesse tudo bem.

- Você voltou rápido até, eu decidi te dar um pouco de privacidade, para digerir tudo que está passando. – ela me deu um olhar triste. – Quando eu era pequena, perdi meus pais também, eu era muito nova e tinha irmãos para cuidar, foi difícil, mas tudo nessa vida passa menina. – Ela me abraçou e se sentou para falar da infância dela, algum tempo depois ouvimos um barulho de cavalo se aproximando, meu coração acelerou novamente, ela foi olhar pela janela e deu um largo sorriso. – Meu menino! – ela fez um gesto de agradecimento com as mãos e abriu a porta para ir de encontro ao filho, respirei fundo algumas vezes para tentar acalmar meu coração e fui para fora também. Ele estava em uma égua marrom, desceu dela e veio em nossa direção, era tão alto quanto os pais e forte, ele pegou uma sacola que estava presa no cavalo e um elmo na outra mão. – Meu menino!! Voltou mais cedo do que esperávamos, não tinha treinamento?

- Eu pedi para sair antes de terminar, porque eu estava preocupado. – ele disse me olhando, desviei o olhar para baixo. – Olá. – ele se aproximou e estendeu a mão. – Sou o Ian, eu que te encontrei. – continou com a mão estendida, mas não encostei nele.

- Obrigada. – me virei e entrei para dentro de casa.

- Ela não é muito amigável. – ele disse para a mãe e ela deu um tapa nele. – Ai! É verdade, ele foi se lavar perto do poço na parte de fora, estava colocando  o vestido em uma sacola provavelmente tinha um valor alto se eu o vendesse e as jóias também, deixaria duas por agradecimento a família.

- Não é melhor você ir embora amanhã? – ela perguntou preocupada.

- Eu não acho que seja muito bom eu ficar aqui por mais tempo, é perigoso para vocês. – eu me aproximei dela e entreguei as jóias. – Como agradecimento por ter cuidado de mim.

- Não precisamos disso Charin, você vai precisar bem mais, mas andar com isso no meio da floresta é perigoso, tem ladrões por todo canto.

- Não quero que vocês se machuquem também, por minha causa. Eu tenho a impressão que alguém já me encontrou, ouvi um barulho na floresta. – Ian entrou na casa enquanto eu falava, ele mordeu os lábios.

- Eu estava na floresta, não precisa se preocupar. – ele disse coçando a cabeça e recebeu outro tapa da mãe. – Ai! Por que me bateu?

- Você viu ela tomando banho? Não te ensinei a ser assim! – ela bateu novamente.

- Desculpe, mas eu não sabia que ela estava lá. Eu ia tomar banho antes de aparecer por aqui também, mas quando me aproximei e vi que tinha alguém, achei estranho, mas não vi quase nada, eu me virei assim que percebi que ela estava sem roupas e acabei fazendo barulho. Não que tenha muita coisa para ver também. – ele disse dando risada e recebeu outro tapa da mãe. – Ai!

- Sabe o quanto fiquei preocupada? Eu achei que haviam machucado sua mãe! Achei que fossem pessoas ruins. – as lagrimas começaram a cair novamente. – Com licença. -  sai de casa e fui para o celeiro, passaram uma ou duas horas, estava encolhida perto dos recém nascidos, um deles mastigava a manga da camisa.

- Charin? – Ian veio até perto de mim. – Eu não disse quem eu era na hora, porque achei que você se acharia que eu era um pervertido espiando e que fosse te assustar ainda mais. – ele se sentou do meu lado. – eu não achei que... eu sinto muito. – ele coçou a cabeça novamente e me olhou de lado, uma mecha do seu cabelo loiro encaracolado estava caído sobre seus olhos verdes, isso me incomodava.

- Tudo bem, me desculpe também.

- Não precisa se preocupar, ninguém sabe que eu te trouxe para cá. Não vá embora tão rápido e se cure antes, eu te ajudarei depois. – ele disse dando um sorriso leve para me dar segurança. – Vamos comer algo, minha mãe terminou o jantar. – ele levantou e me ajudou a levantar. – Eu vou te proteger e a minha família também, não fique tão preocupada, eu sou um bom lutador.

- Não preciso de sua proteção, mas obrigada. - ele deu uma risada e parou na minha frente.

- Como a princesa desejar então. -  ele se curvou e continuou caminhando do meu lado enquanto assobiava. 


Notas Finais


Obrigada por ler! ^^


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