História A Lenda de Link II: O Senhor de Dois Mundos - Capítulo 29


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Categorias The Legend Of Zelda
Personagens Link, Personagens Originais, Zelda
Tags Breath Of The Wild, Link, Lorule, Ocarina Of Time, Triforce, Zelda
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Palavras 4.613
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Romance e Novela, Saga
Avisos: Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Entãão.... Chegamos ao fatídico capítulo 29. Estou doido para ver suas reações ao reencontro tão esperado.

Capítulo 29 - Skyloft


Fanfic / Fanfiction A Lenda de Link II: O Senhor de Dois Mundos - Capítulo 29 - Skyloft

Montado em seu loftwing vermelho, Link emergiu acima das nuvens. Muitos outros daqueles pássaros faziam suas acrobacias graciosas no céu e pousavam nas ilhotas flutuantes. Mas toda a paisagem fantástica dos domínios celestiais era ofuscada pela visão do seu epicentro. Na ilha principal se erguia uma estátua colossal da deusa Hylia.

− Então essa é Skyloft. – Link falou para si mesmo.

Em resposta, o loftwing grasnou e pegou impulso rumo ao seu destino principal. Enquanto voava, Link percebeu outro tipo de pássaros naquela cidade além das nuvens. Também eram multicoloridos, mas sua anatomia era diferente dos loftwings. A coluna não era curva, dando a eles uma postura ereta quando pousados. Seu voo era mais lento e tinham o tamanho médio de um hylian. Link conjecturou serem os ritos, a raça sapiente voadora que Mytria havia mencionado. Dois deles acompanharam o voo de Link, escoltando-o lado a lado.

− Quem vem da superfície para nossas terras celestiais? – o primeiro deles, com penas negras, perguntou em tom firme. Deveria ser um soldado, a julgar pela armadura a proteger seu peitoral.

− Ele deve ser o Herói Escolhido de Hylia – a voz feminina da rito de penas roxas respondeu por Link. Ela tinha um arco com flechas pendurado às costas – Link Avalon.

− Sim, sou eu – os olhos azuis de Link se arregalaram. Como ela saberia seu verdadeiro nome? – Eu vim em paz. Não quero causar problemas a vocês.

−  Fica tranquilo, Link. Sabemos o que você quer − a roxa falou.

−  De fato, minha irmã Paola está carregada de razão. −  confirmou o negro − Nosso pai, o Lorde Revali, previu sua chegada. Um Avalon guiado pela Sábia da Luz viria de encontro ao Legado de Hylia.

-- Vocês podem me levar até a Princesa Zelda? – o hylian perguntou, com um brilho nos olhos...

-- Darius e eu te levaremos até o nosso pai – Paola respondeu.

-- Voe ao nosso lado, herói hylian – Darius avisou – Assim todos saberão que você é um amigo. Acredite em minhas palavras, as tempestuosas flechas rito não são agradáveis para os inimigos.

-- Você poderia falar igual um rito normal, Darius – Paola revirou os olhos enquanto mudava a direção do voo.

O loftwing de Link não precisava de nenhum comando para acompanhar os dois ritos. Eles passaram por uma cachoeira caindo para o nada e começaram a sobrevoar o território da ilha. Primeiro havia um imenso tapete verde abaixo deles. De vez em quando viam pequenos vilarejos com uns seres não identificados muito bem por Link. Pareciam cuccos com cabeças hylians. Depois a paisagem urbana tomou todo o cenário. Vários ritos pararam sua vida cotidiana para observar o trio alado. Darius emitiu um som alto e agudo, como se avisasse a seus semelhantes: “não nos sigam”.

−  Vou à Casa Grande chamar nosso pai −  ele anunciou a Link e Paola − Nos esperem aos Pés de Hylia.

Quando deixaram a cidade para trás, a Grande Estátua de Hylia estava muito perto. Pousaram aos seus pés. A estátua era gigantesca. Link percebeu que, abaixo dos pés, havia uma base retangular onde Hylia pisava. E naquela base, havia uma porta.

−  Elas são parecidas, não? −  Paola chamou sua atenção − Hylia e o seu legado.

−  Ainda não sei o significado de “O Legado de Hylia” −  Link respondeu.

−  Bom, você veio atrás dela. Zelda Daphnes, a única sobrada do Legado de Hylia. A última descendente direta da suposta deusa. −  a rito roxa riu − Admira-me você não saber, sendo o herói escolhido dela.

Por um momento, os olhos de Link se arregalaram e seus pelos eriçaram. Mas o efeito logo passou. A informação não era tão chocante. A semelhança entre Hylia e Zelda sempre era notada. Além do mais, ele só conseguiu tirar a Master Sword quando Goose Wavegoat começou a se revelar.

−  Vocês dois são muito amigos, não são? −  Paola retirou Link de seus devaneios.

−  Não passamos tanto tempo assim juntos, mas… Eu devo minha vida à ela.

−  Lady Zelda possui um grande carinho por você. Ela chegou aqui há pouco mais de um ano e, durante todo esse tempo, ninguém nunca conseguiu vê-la sorrir. Mas Darius e eu vimos uma vez, semanas atrás. Ela disse “O meu Herói Escolhido está voltando e consertará todos os erros que cometi”. Foi quando ela nos contou a história de vocês.

Link não conseguiu segurar o sorriso ao ouvir aquelas palavras. Paola continuou:

−  E no final ela disse: “Link ainda deve ser muito sonhador. Se ele chegar até aqui, mande-o embora”.

O sorriso do hylian se esvaiu no mesmo momento.

−  Não precisa gastar sua saliva −  Paola riu e interrompeu Link antes de ele falar alguma coisa −  Não vamos mandá-lo embora. Loftwings não são animais criados neste mundo. Eles também são seres nebulosos. E os loftwings vermelhos são mais especiais. Nunca vi ninguém se aproximar de um deles. Mas você veio montado em um. Nenhum rito em sã consciência te mandaria embora, nem a pedidos da Lady Zelda.

A conversa foi interrompida de imediato pelo som do bater de asas. Darius havia voltado com um rito maior. Era uma versão mais velha dele mesmo. Mais corpulento, com maiores dificuldades de voo, e penas mais compridas. Aquele deveria ser o Lorde Revali.

−  Então este é o herói vindo num loftwing vermelho? −  a voz de Revali era grossa.

−  Meu nome é…

−  Link Avalon −  o lorde rito interrompeu, gesticulando com as asas em movimentos circulares −   Darius me falou de você, mas tive de vir pessoalmente vê-lo. É o terceiro hylian a pisar em Skyloft nos últimos séculos.

−  Eu preciso ver a Princesa Zelda. Ela está ali dentro, não está? −  Link apontou para a porta na base da estátua.

−  Sim, ela está lá dentro. Mas não vai sair tão cedo. Se quiser esperar, temos muito para discu…

Sem ouvir o resto da fala de Revali, Link correu em direção a porta e pôs-se a bater e gritar pela Princesa Zelda. Mas não houve nenhuma resposta vinda do outro lado.

−  Ela não pode te ouvir −  Paola pousou a asa nos ombros de Link −  Quando Lady Zelda se fecha na Biblioteca de Hylia, não temos nenhuma comunicação com ela. Só nos resta esperar.

−  Ela vai demorar muito?

−  O tempo recorde de enclausuramento da Lady Zelda é de três dias ininterruptos −  Darius respondeu − Mas se a sorte estiver a seu favor, ela aparecerá na Casa Grande para o almoço.

−  Vamos, garoto −  a voz grave de Revali soou atrás dele −  Não adianta ficar de plantão aí. Podemos esperá-la na Casa Grande.

As penas do topo da cabeça de Darius se levantaram ao ouvir a afirmação de seu pai.

−  Meu pai, não sei se seria apropriado levar o hylian a nossa…

−  Fique em paz, Darius −  Revali levantou a grande asa de penas negras com pontas brancas para interromper o filho −  Não estamos lidando com um Tingle. Link Avalon veio em um loftwing vermelho. Vocês fizeram bem em escoltá-lo até aqui, mas podem retornar ao seu posto.

Ambos os irmãos levaram as asas direitas ao peito esquerdo. Quando terminaram o gesto, Link percebeu o broche posto no tecido que lhes cobria o busto: uma flecha com asas. Paola e Darius deram uma última olhada em Link e alçaram voo, rumo às bordas exteriores da ilha flutuante.

−  Normalmente eu voo até lá, mas uma caminhada até a Casa Grande não levará muito tempo.

Link ainda estava parado ante a porta. Queria arrombá-la. Esperou tanto tempo, enfrentou tantos perigos. Por que Zelda não estava do lado de fora para recebê-lo? Se a Triforce da Sabedoria lhe conferiu poderes psíquicos, se ela percebeu quando Link acordou, então deveria ter sentido sua chegada a Skyloft. “Darmani tinha razão, enfim”, pensou Link, “ela não quer ser encontrada. Mas não vai continuar a fugir da realidade se me vir aqui na sua frente”. Decidido, o hylian se virou para acompanhar o lorde rito. Esperaria mais o tempo que fosse necessário.

Acompanhando Revali na caminhada, Link pôde observar melhor a anatomia dos ritos. O Lorde Revali não tinha o andar desajeitado da maioria dos pássaros. As pernas conseguiam acompanhar os passos de um hylian normal sem dificuldades. As roupas deixavam de fora a longa cauda de penas, essencial para estabilizar o voo. Além disso, não tinham mangas. As asas dos ritos ficavam livres de qualquer tecido.

−  Perdoe o Darius −  Revali quebrou o silêncio −  Ele é meu primogênito, um dia será o líder dos ritos. Além disso, possui uma alta patente nos Ases Celestiais. São muitas expectativas para um jovem carregar, não é? Essa pressão toda deixa ele um pouco… Rígido, eu diria. Mas Paola sempre foi mais flexível. Posso confiar nela para auxiliar seu irmão.

−  Está tudo bem − Link respondeu −  E eu compreendo. Mytria, o Rei dos Zora, me contou sobre as antigas guerras e a restrição de vocês em receber hylians. Mas não tenho intenções de criar conflitos com os ritos ou descobrir o segredo de vocês. Só preciso levar Zelda de volta. Precisamos recuperar Hyrule.

Revali coçou seu bico de falcão. Ali, no meio da cidade, Link sentiu os olhares de muitos outros ritos e foi possível compará-los com seu acompanhante. Nem todos tinham bicos alaranjados e do formato de Revali e sua família. Alguns tinham bicos de papagaio, pelicano, corvos. E as penas também tinham disposições diferentes. Eram como os diversos penteados de cabelo de um hylian.

−  Lady Zelda sabe do nosso segredo e, em outras circunstâncias, isso nos preocuparia. Ter uma hylian ciente das verdades escondidas em Skyloft é complicado. Nunca encaramos esta possibilidade muito bem −  Revali continuou − Uma vez, nos dias do meu avô, um hylian veio a Skyloft. Era um sujeito estranho chamado Tingle. Ele viajava nos céus com balões e vestia uma roupa colada verde. Não como a sua túnica, entende? Eu vi as pinturas do meu avô, era mesmo uma roupa estranha. Bom, não pudemos deixar este esquisito voltar a Hyrule e espalhar a nossa existência aqui em Skyloft. Seria perigoso. Mas eram outros dias, e estamos falando de Tingle, o Esquisitão. A coisa toda é diferente se tratando de Zelda Daphnes. Nós não temos intenção de prendê-la aqui. Apenas não lhe negamos o direito de permanecer entre nós. Se ela quiser ir com você, que assim seja.

−  Ela vai comigo. −  Link respondeu.

−  Espero que sim, Herói. Mas enquanto ela não sai da toca, talvez você queira saber o segredo dos ritos e o porquê de termos evitado a presença de hylians aqui. Aliás, em outros tempos, esta casa aqui foi a Academia de Cavaleiros de Skyloft, um lugar povoado por hylians.

Link observou a fachada larga da Casa Grande, feita com tijolos avermelhados. Quando entraram, Link reconheceu o ambiente escolar. Os jovens ritos alunos da Casa Grande se curvavam perante Revali e os professores apenas acenavam a cabeça.

−  Eu moro nos fundos −  o lorde rito informou.

Os dois atravessaram um campo onde vários ritos treinavam tiro aéreo. Eles interrompiam o voo para sacar o arco e lançar as flechas, mantendo os corpos em inércia. A perícia necessária era muito superior à técnica de arqueria montada. O aviso de Mytria sobre as flechas dos ritos fez total sentido para Link

Eles entraram num anexo depois do campo e subiram dois lances de escada. A sala era simples. Dois sofás, uma mesinha de centro com um vaso de flores, e quadros na parede: uma pintura de Skyloft vista de cima, outra da Casa Grande, e mais uma da família. Revali se postava com pequenos Darius e Paola, isso além de uma outra rito de penas roxas e brancas. Era muito parecida com Paola.

−  Yane −  Revali explicou −  minha esposa. Quando Darius veio com a notícia de que Link Avalon chegou montado em um loftwing vermelho, ela correu para comparar alguma coisa para comer. Trazê-lo aqui foi ideia dela.

Os olhos de Link continuaram a percorrer a sala e encontraram certificados de Darius e Paola na parede. Eles já haviam se formado naquela academia. Eram parte agora do que parecia ser a ordem de arqueiros ritos: os Ases Celestiais. Link não pôde evitar o sorriso. Aquela família era tão amorosa quanto os Kaepora.

−  Acho que é o momento de contar a história de Skyloft a você, Link −  Revali começou − Bom, naquela época, os ritos nunca haviam voado para esta parte do continente. Mas você logo vai entender o porquê de colonizadores estrangeiros como nós escondemos por tanto tempo uma história que pertence aos hylians.

Link apenas assentiu. Ele não estava interessado na Era da Deusa ou nos ritos, queria apenas ver Zelda depois de tudo isso. Mesmo assim, não tinha mais a fazer senão esperar com Revali. De qualquer maneira, não eram informações irrelevantes. Muitas coisas começaram a fazer sentido. O Reino do Crepúsculo era correlato ao Reino da Luz. Ambos eram Reinos Sagrados de seus respectivos mundos, um governado por Hylia e outro governado por seu irmão, Demise. O primeiro não soube administrar bem o poder de sua Triforce, e esta acabou sendo destruída. O Reino Sagrado de Demise foi eclipsado, se tornando o Reino do Crepúsculo. A Triforce perdida ficou conhecida como “Triforce do Crepúsculo”, e o objetivo de Demise e seu povo −  os demisians − era roubar a Triforce de Hylia. Uma guerra aconteceu e quase os dois mundos foram destruídos. Hylia, temendo por seu povo querido, fez a capital do seu reino se erguer aos céus. A maioria dos hylians daquela época se desligaram por completo da terra firme, e assim Skyloft foi criada.

−  Checando os registros antigos da Biblioteca de Skyloft, descobrimos que nebulosos não eram seres tão espetaculares como as lendas fazem parecer −  Revali continuou a palestra − Mas ainda eram espetaculares o bastante. Sua tecnologia e o fato de terem criado nossos mundos os fizeram parecer deuses. Mas acredito que os Minish mereciam um destaque especial. Além de criar quase todos os artefatos lendários conhecidos, eles também tinham o conhecimento para manipular um conceito conhecido por eles como espaço-tempo. E eles concederam a Hylia o poder para viajar no tempo. Por um motivo específico. Ela estava prestes a dar à luz um bebê.

−  A ancestral da Princesa Zelda −  Link concluiu ao ligar aquele relato à explicação de Paola sobre o significado do “Legado de Hylia”.

−  Sim. Zelda, a Primeira −  Revali explicou − Ela foi a segunda criança a nascer no meio da guerra mais brutal da nossa história. A primeira criança foi Link, o filho do general das tropas hylians, Arthur Avalon. O Primeiro Herói Escolhido de Hylia.

A atenção de Link à história de Revali foi reabastecida. Aquela história também era da sua família biológica. O heroísmo nas suas veias também teria algum sentido, afinal. Se as primogênitas Daphnes recebiam o título “Zelda”, os nomes “Link” e “Arthur” deveriam possuir o mesmo peso para os Avalon.

−  Os dois sabiam que não sairiam vivos daquela guerra −  o lorde rito de penas negras continuou − Por isso enviaram as crianças para o futuro, deixando-as em Skyloft, sob o cuidado do então líder da cidade: Gaebora Kaepora.

Durante um tempo que Link não foi capaz de perceber, o Lorde Revali continuou contando aquela história esquecida. Mesmo a chegada de Yane, Darius e Paola para a refeição não atrapalhou o ritmo de sua narrativa. Demise perdeu a guerra, mas as consequências foram devastadoras. O segredo da Triforce passou a ser escondido. Mas no mundo decaído de Demise, seus descendentes ainda nutriam o mesmo propósito. Então, bem na época para onde Zelda e Link foram enviados, um demisian chamado Ghirahim Noldor ultrapassou as barreiras entre os mundos e tentou usar o portal do tempo para trazer Demise de volta. Link e Zelda conseguiram impedir uma nova guerra devastadora e destruíram os portais do tempo para sempre. Fundaram um novo reino hylian na superfície: Hyrule. Mas no outro mundo, os demisians também fundaram um reino: Lorule. Ao longo da história, os Avalon e os Daphnes travaram diversas lutas contra os Vanitas −  descendentes de Demise − e Noldor. Mas com o passar dos séculos, a Triforce passou a ser mais bem protegida. Skyloft e a Grande Guerra foram esquecidas.

−  Nós, ritos, viemos de um outro continente além do Grande Mar −  Yane falou com sua voz aveludada − Nossos ancestrais colonizadores de Skyloft cometeram muitos erros, sobretudo a guerra contra os zora. Mas as descobertas sobre a Grande Guerra mudaram tudo.

−  Todos os Ases Celestiais devem conhecer esta história −  Darius comentou, limpando o bico sujo de molho − Há muitos anos, Lorule deixou este mundo em paz. Deixar a lenda esquecida se tornar realidade em Hyrule só pode aumentar o risco de uma segunda Grande Guerra acontecer. E, dessa vez, não sei se poderíamos sobreviver. Por isso os zora juraram nunca revelar a entrada para Skyloft e a existência do nosso povo.

−  Este é um risco assumido várias vezes na história −  Paola confirmou − a sua família e a família de Lady Zelda nunca estiveram em paz. O ciclo sempre se repete. Mas sempre acreditamos que se a verdade sobre Skyloft e os mundos se espalhasse, o final poderia ser diferente.

−  É claro. Ninguém imaginava a interferência dos loftwings para trazer Lady Zelda até aqui −  Revali contou − Muito menos para te trazer aqui, Link. Esta é uma situação que os ritos nunca se prepararam para lidar.

Link abriu a boca para argumentar que a situação dos Wavegoat não tinha nada a ver com Lorule ou os Vanitas, mas perdeu o ar no momento em que ela chegou à sala. Zelda estava ainda mais linda que nas memórias de Link. Os cabelos longos e dourados estavam presos para trás num rabo de cavalo, apenas duas mechas nas laterais de seu rosto permaneciam soltas. Não usava nenhum vestido chique ou qualquer outra peça do seu antigo guarda roupa. Apenas uma calça preta desbotada, uma camisa branca larga e botas de couro. Os olhos azuis estavam arregalados.

−  Prince… −  Link começou a falar, mas foi interrompido pelo barulho do livro largado por Zelda cair no chão. A princesa deu meia-volta e desapareceu pela porta do apartamento de Revali.

Sem pensar duas vezes, o hylian se levantou do sofá e foi atrás de Zelda.

−  Princesa… −  ele engasgava enquanto corria atrás dela pelos lances de escada − Eu preciso falar com vo… Por favor, espera aí!

Ela acelerou o ritmo da corrida e Link não desistiu da perseguição, mesmo sob os olhares curiosos dos jovens ritos no Campo de Treinamento. Não havia enfrentado tantas coisas para desistir ali.

“Vá embora, Link”, a voz de Zelda ecoou em sua mente. Link viu o rastro de um brilho dourado balançando com as mãos dela e se lembrou das informações de Mytria. Ela tinha poderes psíquicos agora. Telepatia, pelo visto.

“Não posso ir sem você”, ele pensou em resposta, mas a conexão telepática já havia sido cortada. Quando saíram da Casa Grande, um loftwing azul chegou com um voo rasante. Ele não precisou pousar para Zelda montar em seu dorso e partir para os ares. Mas aquilo não atrapalhou a perseguição de Link. O loftwing vermelho também veio e ele pôde repetir a manobra.

−  Eu te amo, cara! −  Link acariciou as penas do seu loftwing enquanto ele voava na direção de Zelda.

A princesa percebeu que sua estratégia não havia sido boa o suficiente e adotou manobras evasivas. Loops aéreos e voos rasantes nas florestas. Mas Link e Rouge, como resolveu chamar seu loftwing, eram tão habilidosos quanto ela em desviar das árvores. Não demorou até saírem do espaço aéreo de Skyloft. A perseguição de loftwings chamou a atenção de alguns Ases Celestiais, mas nem mesmo os ritos conseguiram acompanhar aquele ritmo.

Link conseguiu acompanhar Zelda lado a lado. O elástico usado em seu penteado se extraviou enquanto ela cortava os ares. Os cabelos dourados agora voavam ao vento. Link não conseguia entender. Depois de tudo o que passaram, por que ela agia daquela maneira? Já imaginava a resistência da princesa em voltar a Hyrule, mas ela precisava fugir de um velho amigo? De qualquer maneira, ele não desistiria. Passaria anos naquela perseguição aérea, se fosse necessário.

Mas não foi. A corrida pelos ares se encerrou quando Zelda desceu do seu loftwing azul numa pequena ilhota flutuante.

−  Qual o problema daqueles ritos? −  Zelda resmungou quando Link pisou na ilhota −  Eu falei pra eles. Se você conseguisse chegar a Skyloft, eles tinham de mandá-lo embora.

−  Eu cheguei em um loftwing vermelho, então eles consideraram que não seria prudente me mandar embora.

−  Um bando de pássaros supersticiosos! −  ela bufou enquanto andava na direção de Link com passos pesados.

Link deu dois passos para trás, mas se deteve. Não havia chegado até ali para sentir medo de Zelda. Ela não desviava os olhos furiosos dos seus. Os corpos se aproximaram a ponto do hylian precisar controlar sua respiração. Então, a princesa segurou o cabo da Master Sword. Só então Link percebeu. A espada vibrou durante toda a perseguição e só parou naquele momento. Zelda soltou a Master Sword e deu as costas à Link.

Antes do rapaz esboçar qualquer palavra, uma forma holográfica saiu da Master Sword. Era como uma mulher de cabelos curtos. Sua cabeça e metade do seu corpo do pescoço para baixo eram azuis. A outra metade era roxa.

−  É um prazer poder finalmente encontrá-lo nessa forma, Link −  a mulher-holograma falou. A voz era familiar a Link, mas ele não sabia de onde ou como.

−  Quem é ela? −  ele perguntou a Zelda.

−  Fi, o lendário espírito da Master Sword. Uma inteligência artificial projetada pelos Minish. Serve aos Heróis de Hylia há eras. Vocês já se conhecem. Ou nunca sentiu vibrações da Master Sword e ouviu avisos em sua mente? −  Zelda fez um sinal com a mão e Fi se desmaterializou.

−  Para onde ela foi? −  Link perguntou.

−  Lugar nenhum. Continua na Master Sword. Desbloqueei a materialização física de Fi pra você. Vocês dois poderão conversar muito quando forem embora. É minha compensação.

−  Compensação pelo o quê? −  Link começou a andar na direção de Zelda −  Não ligo para Fi. Não vim até aqui por isso.

−  Eu sei −  Zelda mantinha os braços cruzados −  Herói Escolhido de Hylia. Eu fui a responsável por colocar esse peso sobre você. Roubei três anos da sua vida. Fi te ajudará a se encontrar. É a minha única compensação por isso. Não voltarei a Hyrule com você, Link. Entenda isso.

Link estacou. Não sabia mais o que fazer ou falar. Não conhecia aquela Princesa Zelda a sua frente. Não era aquela garota disposta a se sacrificar por uma causa maior. Não era a personificação das antigas lendas. Não era aquela que aparecia em seus sonhos. Não era a pessoa que gastou seu desejo a Triforce para salvar sua vida.

−  Você tem a Master Sword e Fi. Vai ficar bem −  Zelda retomou a fala − Não jogue a sua vida fora. Não há destino para você como herói. Eu não tenho nada para você aqui. Vá embora e viva sua vida.

−  Viver a minha vida? −  a onda de fúria tirou Link da inércia −  Como eu posso viver minha vida com Hyrule dominada pelos Wavegoat? As pessoas vivem com medo, precisam suportar impostos massacrantes, não são donas das próprias vidas! Como eu poderia viver a minha vida desse jeito?

−  Saia de Hyrule. Existe um mundo inteiro lá fora.

−  Do que está falando? Acha mesmo que eu vou abandonar Hyrule? Pelo amor de Farore, Zelda. Você é a Princesa de Hyrule! Abandonou seu povo e ainda quer que eu faça o mesmo?

−  Eu não sou princesa de lugar nenhum! −  ela retrucou − Está vendo alguma coroa na minha cabeça? Alguma joia real? Cetro? Eu estou vestindo algum vestido elegante? As coisas mudaram, Link! Acorda!

−  Não importa se você mudou, Zelda! Continua sendo Zelda Daphnes, Princesa de Hyrule. A Portadora da Triforce da Sabedoria.

−  E que grande sabedoria a minha! Entreguei o reino e a Triforce de bandeja para nossos inimigos. Entreguei a vida do meu pai. Entreguei muitas outras vidas numa resistência estúpida e fracassada desde o início.

−  Você é o Legado de Hylia. −  Link argumentou.

−  Então Revali te contou, hã? Daphnes e Avalon. Nossas famílias têm uma grande história, não é? Nascemos fadados a um ciclo de tragédias. Não importa o quanto lutamos, mais tragédias acontecem e mais gente morre. Eu resolvi quebrar este ciclo.

−  Os Wavegoat não tem nada a ver com Lorule ou Noldor ou Vanitas ou sei lá! Lutar contra eles não é trazer o fim do mundo, Zelda. É trazer a nossa liberdade de volta.

−  Não estou falando dessas superstições dos ritos. Lutar é o que eu tenho feito há três anos! E sabe o resultado? O meu pai morreu, Hyrule caiu em tirania, o pai de Mytria e Tina morreu, e muitos hylians e sheikah também morreram em nome de Zelda Daphnes, o Legado de Hylia. Nós somos de uma linhagem de arrogantes. Eu, descendente de uma deusa, e você, um herói. E sabe o que fazemos? Jogamos a vida de pessoas numa vala apenas para confirmar nossa existência miserável. Pra mim já chega! E você deveria consertar os erros que eu cometi, Link. Viver sem querer usar uma peneira para tampar o sol!

−  A Triforce nos escolheu. Isso é um fato. As pessoas acreditam em nós. Zelda… E-eu reuni os Sábios. Ellen Kaepora, a Sábia da Luz, me deu essas orientações. Com o poder combinado de todos eles e com você, a Líder dos Sábios, podemos vencer dessa vez. Eu sei que podemos…

−  Ellen Kaepora −  Zelda interrompeu Link −  Duzentos anos de existência e ainda está presa a essas fantasias infantis.

−  NÃO SÃO FANTASIAS INFANTIS, ZELDA! −  Link gritou − Não foi fácil chegar até aqui. Sacrifícios foram feitos. Harkinian Manteufell morreu para impedir que o Medalhão da Sombra caísse nas mãos dos Wavegoat! Você não tem o direito de dizer que são fantasias infantis!

−  É o que são, Link. Terríveis fantasias infantis. Eu não vou voltar para atiçar essa máquina mortífera! Harkinian foi mais uma vítima dessa brincadeira arrogante de princesa e herói!

−  Você é quem está sendo arrogante! Enquanto todos sofrem, fica aqui lendo seus livros e fugindo da realidade.

−  O QUE VOCÊ SABE DA REALIDADE, LINK? −  Zelda gritou com o dedo em riste para a face dele −  VOCÊ NÃO ESTAVA AQUI DURANTE A NOSSA PEQUENA GUERRA CIVIL! NÃO VIU AS COISAS QUE EU VI! NÃO VIVEU O QUE EU VIVI! VOCÊ ESTAVA DORMINDO NOS ÚLTIMOS TRÊS ANOS!

Link não sabia como responder àquilo.

− Ainda é um adolescente de dezessete anos brincando de ser herói. −  Zelda concluiu − Ainda precisa crescer.

O loftwing azul voltou à ilhota e ela montou. Dessa vez, Link não a perseguiu. Não havia sentido em continuar em Skyloft. Não havia nada para ele ali.

− Não fui eu quem abandonei as pessoas importantes para mim. – ele disse antes de partir montado em Rouge.

Alguns dias depois, uma chamada do Herói Portador da Triforce da Coragem chegou a todos os insatisfeitos em Hyrule. A Resistência se reergueu. E a primeira batalha seria em breve. O ataque à Cidade do Oásis estava para acontecer.

 


Notas Finais


RECOMENDAÇÕES
One-shot de Star Wars, "Força Poderosa" conta a história do encontro entre a lady sith Selene Skywalker e do cavaleiro jedi Magno Antille, amigos de infância que se separaram ao longo da vida. Agora precisam lidar com o passado e com seu presente durante uma guerra entre a República Galática e o Império Sith. -> https://www.spiritfanfiction.com/historia/forca-poderosa-9843020

Do escritor lendário @GustavoBentto, "As Lendas do Dragão" nos transportam para o continente fantástico de Parmant, onde acompanhamos a jornada do jovem Aaron Jones para compreender sua verdadeira origem enquanto precisa lidar com todas as injustiças cometidas pelos governantes. Isso além de lidar com um certo grupo misterioso. A história está no seu terceiro arco e vale muito a pena. -> https://www.spiritfanfiction.com/historia/as-lendas-do-dragao-8067537


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