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História A lenda de Néphin - Capítulo 8


Escrita por: e LuizFss


Capítulo 8 - Conectando-se à magia


Fanfic / Fanfiction A lenda de Néphin - Capítulo 8 - Conectando-se à magia

- Olhe para mim Fron Blackburn! – Celes disse com altivez. Ele refletia nas palavras ditas por ela há pouco tempo, mas levantou seus olhos perturbados. – O que eu fiz foi te dizer a verdade a respeito desse mundo. Contudo, se ainda quiser trilhar o caminho da magia, pretendo respeitar sua decisão, se você me fizer uma promessa.

Fron continuou a olhar para o semblante de sua mãe com seriedade, ele tentava a entender. O que ela queria que dissesse? Promessas normalmente são quebradas com facilidade, sabendo disso, conseguiria zelar qualquer acordo com Celes? Ele se atentou as próximas palavras dela ao abrir bem os seus ouvidos.

- Azel tem um sonho e é isso o que mais admiro nele. Mesmo sendo seu irmão mais novo ele aspira em se tornar o mais forte guerreiro e confio nele. – Celes colocou as mãos sobre os ombros de Fron, abocanhando sua alma com seus olhos esmeraldas. – Eu sei que você não tem ambição e não adianta mentir para mim, estudar magia é um passa tempo que você desenvolveu. Mas estou te dizendo que se quiser continuar a estudá-la, preciso que me prometa que fará de tudo para ser o melhor!

Fron ficou cabisbaixo. Em um único dia havia escutado várias farpas apenas pela sua preferência pela magia, por mais que seus pais não soubessem a qual tipo ele estava se destinando. Até porque somente Azel conhecia esse real interesse e não se tratava de se tornar o maior dos magos ou criar chamas capazes de incinerar seus inimigos em segundos, tampouco fazer chover uma tempestade de raios do céu. Só ele sabia que a fonte de magia que Fron buscava provinha das coisas existentes na névoa, e que a passagem para que ela se tornasse realidade... Jazia aprisionada nas páginas de um livro defraudado.

- Eu prometo... Que vou me tornar o melhor mago de todo o reino de Kael Fort. Um Mestre de Guerra! – Fron respondeu com confiança e boa-fé nos olhos. Ele não mentiu; só que também não disse a verdade. De todo modo ele lidaria com a magia, mas uma em especial que ninguém na cidade tinha conhecimento, e a faria sua.

- Eu acredito em você. – Celes soltou os ombros dele, já disposta a ensiná-lo. – Vamos começar. Para lidar com a magia não basta ter o controle sobre a energia em seu corpo.

- O que quer dizer? – Fron questionou duvidoso. Ela outra vez removeu suas luvas dando para ele as segurar, deixando suas mãos desnudas.

- Tenha de exemplo o fogo. – Celes estendeu sua mão deixando a palma para cima. Fron ficou encarando sem desviar seus olhos. Assim, uma coloração alaranjada fulgurou em suas retinas ao refletir a chama que envolvera completamente a mão esquerda de sua mãe. Como se nela tivessem atirado óleo e posteriormente colocado fogo.

- Que incrível... – Admirou-se. – Eu não sabia que também conseguia manipular o fogo.

- Um mago pode moldar as chamas para seu bel-prazer, se defender ou atacar. – Ela virou e desvirou sua mão, mostrando que não havia truques. – Porém, existe um detalhe indispensável que deve ser de conhecimento de qualquer pessoa que queira se tornar um mago. Como dizia meu docente: “Quem brinca com fogo pode também se queimar”.

- Pensava que magos brancos fossem incapazes de usar magia de cunho ofensivo. –Fron comentou ainda surpreso com a descoberta.

- Não é a magia que nos escolhe, eu quem a escolho. – Celes contrapôs. - A diferença é que magos brancos são devotos a ajudar e não a machucar as pessoas. Agora se concentre Fron! Não é fácil manter o fogo sobre controle, se tentar conjurar essa mesma habilidade sem uma camada protetora, você irá se queimar, e muito.

- Um mago, se queimar? – Fron deixou espairecer um riso em seus lábios. – Sério?

- É muito sério! – Celes redarguiu. – Essa camada é quem defende a nós mesmos dessas magias. Tenha em mente que fogo, terra, água e ar nunca poderão ser dominados. Viva crendo ser apenas um empréstimo que você jamais pode abusar, ou acabarão te consumindo e levando a morte. Um mago pode tentar evocar chamas tão poderosas e ardentes quanto às labaredas de um vulcão, contudo, se sua camada de proteção for fraca, essa mesma chama vai queimar e pulverizar seu corpo só de se expor a ela.

- Você está usando uma magia de resistência para impedir que o fogo te queime? – Fron beirou sua mão da chama que ardia na palma de Celes. Ela não se importou, ao contrário, incentivou que ele a tocasse e quando o fez rapidamente a retirou, depois de sentir o vívido calor do fogo a esquentar cada vez mais a sua mão. Celes sacudiu seu rosto para cima e para baixo ao dizer sim em acenos.

- Se você quer aprender a usar magia, antes de tudo, precisa primeiro instruir-se a revestir seu corpo com essa camada. – Celes reprimiu a chama e delicadamente tateou o rosto de Fron. - Isso será tudo que poderei lhe ensinar antes que vá para Thramel.

- O que posso fazer para aprender? – Fron quis saber. – Eu posso sentir a magia em toda a parte semelhante ao ar, mas não sei avocá-la.

- Para chamar por ela você não precisa proferir palavras, somente se concentrar. Já escutou dizer que a mente é a força criadora? – Celes levantou sua mão, tocando a testa de Fron com o dedo indicador. – Crie! Filho. Avoque-a com sua mente. Há muitos magos que se limitam a encantamentos e acreditam que assim a magia sairá mais forte.

- Em que você acredita mãe? – Celes abaixou a mão.

- Que a força não está nas palavras e sim aqui! – Ela tocou seu peito, acima de onde o coração batia. – Você não precisa de muito. Estérium nos deu a dádiva da magia, mesmo que não passemos de seres irracionais ele nos abençoou. Ore para ele, filho.

- Estérium... O deus da criação? – Fron ergueu seus olhos para o céu contemplativo. – Você acredita que ele existe? Um deus que deu forma a todas as coisas.

- Se não por ele de que jeito nós estaríamos vivos? – Celes questionou. – Tenha foco, é importante que visualize o que deseja. Feche seus olhos e imagine-se em sua mente, que está tudo escuro à sua volta, mas olhe para você mesmo, radiante mesmo ante a escuridão.

Fron mantinha seus olhos fechados enquanto era levado pelas palavras de Celes.

- De que maneira evitar ser consumido pelas trevas? ... Pense, você deve se proteger do escuro. Há uma bolha à sua frente, consegue vê-la? Vista-a assim como uma roupa. Cubra todas as partes de seu corpo e quando abrir os olhos estará protegido, de tudo e todos.

Fron se perdeu em pensamentos, navegando no mar escuro de sua consciência a procura dessa bolha. Tudo parecia incrivelmente real conforme ele ouvia as palavras de sua mãe. Já não discernia mais o imaginário da realidade e teve medo de nunca mais conseguir voltar. A pressão era imensa, igual nadar a quilômetros abaixo do oceano.

Se conectar a magia nunca foi uma tarefa ordinária ou trivial para os cidadãos de Néphin, mas poderia ser facilitada se tivesse sorte e perseverança. Portanto, ao realizar o último ato de revestir seu corpo com uma camada fina e embranquecida, seus olhos se abriram em sobressalto. Ele manobrou suas mãos para frente de seu rosto, sentia seu corpo quente e elas brilhavam fantasticamente. Ele se viu fascinado, era a magia.

- Você conseguiu! – Celes com felicidade envolveu Fron em seus braços, ele sorriu para ela. – Guarde esse ensinamento em sua mente, sem isso, usá-la é impossível.

Celes recriou o fogo em sua mão. Fron entendeu de imediato o desejo dela e vagarosamente aproximou a sua daquela chama incandescente.

- Não queima?! – Exclamou ao perceber que a chama não mais lhe fazia mal. – Essa é a camada protetora? É fantástica!

- Sim... – O sorriso dela coruscou em seu rosto, unido a soberba que sentiu dele naquele momento. – Vamos voltar, eles também já devem ter terminado.

Ela estendeu a mão.

- Sim! – Fron a segurou e juntos, ambos retornaram para perto de Stark e Azel.

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Na boca da noite depois do sino novamente ter badalado, extinguindo a luz emanada da torre, os irmãos descansavam em suas camas, extenuados do longo dia de treino que tiveram. Celes e Stark continuavam a derivar em pensamentos, interligados um ao outro em um abraço acalorado, no sofá. Sentiam o imenso orgulho que tinham de seus filhos preencherem seus peitos grandiosamente, mas a inquietação a respeito deles se mantinha a mesma.

- Eu me preocupo. – Celes disse. – E não digo apenas por Fron e Azel. As crianças de Kael Fort mereciam muito mais do que serem treinadas para a guerra.

- Entendo que viver em um mundo de trevas é desolador e sufocante, me enfurece não pode acabar com a névoa pessoalmente. – Stark respondeu. – Mas se há um modo de deixar com que eles tenham a chance de viver por mais tempo, deve ser mantido.

Celes virou seu rosto para Stark, olhando atentamente para seus olhos.

- Eu sinto medo, e se houver outra batalha de aspectos? ... O mundo estaria sendo moldado outra vez. – Ela abriu sua boca em sonolência, esfregando seus olhos cansados. – Nas lendas Estériun venceu a batalha... Mas a guerra, ela está longe de acabar.

Stark suspirou e a puxou para mais perto, agora, eles respiravam ritmados.

- Mantenha a fé, meu amor, é apenas uma lenda. – Seguramente agarrou a mão dela. – Além do mais, enquanto estivermos sobre a liderança do nosso rei, nenhum mal há de nos assolar. Liwen é um homem sagaz e muito poderoso, quem sabe o mais forte nesta terra.

Celes sorriu com os olhos.

- Você está igual Azel, sempre admirando o rei, mas no caso dele, sem nunca ter o visto... Pelo menos sei a quem ele mais se parece. – Stark sorriu ao mesmo tempo.

- Liwen foi o homem que inspirou muitos dos soldados em Kael Fort. Também é quem continua a inspirar os jovens de hoje em dia, como Azel. Mas só porque eles não sabem o quão incrível é o Mestre de Guerra, Israfil. Se soubessem, também o tomariam de exemplo.

- Não tive a oportunidade de conhecê-lo. – Celes esclareceu. – Essas pessoas costumam se manterem distantes e só aparecem em tempos de caos. Por causa disso parte dos cidadãos os encaram como um mau presságio, um prelúdio para a guerra.

- São homens e mulheres a desconhecer a verdade. – Stark respondeu. – Nós estamos vivendo uma guerra, não contra outras pessoas, mas contra o que está lá fora. Se eles tivessem culhões para encarar a verdade, então veriam ambos como verdadeiros heróis.

Celes amava a postura impávida de Stark.

- Você está certo. – Ela disse baixinho. – Bem, talvez devêssemos dormir.

- Sim... Acho que por hoje é o suficiente. – Stark respondeu, e beijou a testa dela.



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