História A lenda de Zelda - A última luz - Capítulo 1


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Categorias The Legend Of Zelda
Personagens Ganondorf, Link, Personagens Originais, Zelda
Tags The Legend Of Zelda
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Palavras 2.339
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá!

Espero que gostem da história, é a primeira vez que me aventuro pelo universo de Zelda.
Apesar de ser o meu jogo preferido, não tive a oportunidade de jogar todos, mas também me recuso a tomar spoilers, então estou escrevendo com meu pouco conhecimento.
Ainda assim, espero que fiquem felizes com a leitura!

Capítulo 1 - Reflexo


Fanfic / Fanfiction A lenda de Zelda - A última luz - Capítulo 1 - Reflexo

Aquela era a decisão mais difícil de ser tomada, muito dependia daquilo e quanto mais o ponteiro do relógio andava, mais crítica era a situação. Precisava pensar com calma, analisar cuidadosamente cada coisa e ter cautela até mesmo com a forma que suas sobrancelhas se moviam, pois qualquer sinal mal interpretado poderia acabar causando um constrangimento irreversível.

 

A mulher em pé ao seu lado estava gorda ou grávida?

 

Pois veja bem, isso é um caso bastante delicado, afinal é possível ofender uma pessoa simplesmente por oferecer seu assento no trem. E se ela estivesse somente gorda e acabasse por fazer um escândalo ali mesmo?

É bem mais fácil simplesmente se levantar, fingindo que sua parada está próxima e deixar que as pessoas ao seu redor decidam se ela merece o assento, do que se prestar a tal constrangimento. Mirou o mapa das estações logo acima da porta e jogou a alça da mochila no ombro, levantou-se e caminhou por entre as pessoas até próximo da saída do trem. Ao olhar para trás disfarçadamente, viu que a mulher agora estava sentada e acariciando a barriga. Grávida.

Imediatamente Alex se sentiu idiota por novamente sentir tanta vergonha de cometer o menor dos erros, especialmente quando em público.

“E se ela descobrir que eu estava em dúvida? É claro que vai ficar na cara, se eu não desço na próxima estação, não tem sentido eu ter levantado.” Pensou enquanto olhava para os próprios pés. “Mas se eu trocar de vagão, ela vai achar que eu desci. Perfeito.”

Executando seu plano perfeito, Alex desembarcou daquele vagão na próxima estação e entrou no carro seguinte. Três estações a frente estava seu real destino. As escadas estavam sempre cheias àquela hora, pessoas engravatadas, de salto, estudantes de mochila, mães com crianças, idosos e mais todo o tipo de gente que se pode imaginar que vai ao centro da cidade logo pela manhã. Todos com suas vidas atarefadas e corridas, sem tempo para olhar para trás ou sequer deixar o lado esquerdo da escada rolante livre, afinal era imprescindível chegar ao topo na frente de todos, nem que você precisasse travar todo o trânsito para isso.

Finalmente fora dos túneis subterrâneos e respirando o ar mais puro que uma cidade grande pode oferecer, Alex seguiu o fluxo dos adolescentes que se dirigiam para o outro lado da avenida movimentada, rumo ao prédio escolar. O relógio digital fixado na calçada informava que eram exatamente 06:54, com temperatura de 14ºC e qualidade do ar ruim, o que não era nenhuma novidade. As nuvens cor de rosa no céu pareciam vários carneirinhos, o que indicava que poderia chover durante a tarde.

Após subir os quatro lances de escada, Alex sentou-se em sua carteira, colocou a mochila no chão e suspirou pesadamente, pois a primeira aula era química e se havia algo que detestava era aprender sobre fórmulas intermináveis que geralmente não levavam a lugar algum que lhe interessava.

Alex havia escolhido aquele lugar em específico para se sentar, já com segundas, terceiras e quartas intenções. Afinal o último ano ficava sempre alocado no último andar da escola e era perfeito ficar olhando para fora da porta enquanto pessoas entravam e saíam das salas, era a distração perfeita para se livrar das explicações infinitas das aulas mais chatas. Às vezes era possível ver as quadras de esportes e isso lhe atraía ainda mais a atenção, geralmente fazendo o professor fechar a porta e lhe conceder um sermão.

Estava com a mente bem longe dali, imaginando um grande campo verde rodeado por árvores mais antigas que o próprio tempo, o som do vento e o correr da água do rio, o farfalhar das folhas anunciando a chegada do outono. Mas logo foi desperta de seus devaneios por um tapa na cabeça seguido pela típica frase:

- Bom dia nerd. – Falou o garoto que entrou na sala atrasado e realizando a proeza de não ser notado pela professora de química.

- Está atrasado, nerd.

- Nada de novo sob o sol. – Olhava pelo canto do olho para a professora, certificando-se de que não havia sido pego enquanto tirava um caderno surrado de dentro da mochila. – Perdi alguma explicação mirabolante sobre isomeria?

- Sobre o quê? – Alex a encarou surpresa, arregalando os grandes olhos azuis para ele.

Peter revirou os olhos, encarando a amiga com incredulidade. – Estamos estudando essa droga tem duas semanas... Se lembra? Duas substâncias, fórmula molecular igual, fórmula estrutural diferente... – Tentava refrescar sua memória, mas ela parecia perdida.

- Química não é o meu forte... – Inventou uma desculpa.

- Parece que essa semana nada é seu forte, Alex.

- Silêncio! – A professora chamou a atenção dos dois.

 

De fato Alex estava dispersa nos últimos dias, sempre perdida no mesmo pensamento sobre o campo verde e o cheiro doce que o vento trazia da floresta. Havia também a lembrança sobre uma pequena garotinha de cabelos verdes e olhos brilhantes que a recebia com um grande sorriso e um abraço apertado. Novamente a lembrança foi interrompida por um par de dedos estalando em frente a seu rosto.

- Ouviu uma palavra do que eu disse? – Peter considerava um desaforo quando falava sozinho, especialmente quando se tratava de seus jogos de videogame.

- Sim... Claro. O jogo do ano com certeza.

- Você é uma péssima amiga. – Dramatizou.

- Bem, você não está errado. – Alex se levantou e pegou a maçã de cima da bandeja, deixando a comida intacta. – Vou subir e ficar na sala, acho que estou com um pouco de dor na cabeça.

O intervalo era extremamente barulhento, afinal quando se juntam vinte classes de uma escola tão grande como aquela, nada silencioso pode acontecer. Já no último andar, enquanto todas as pessoas estavam comendo e conversando no pátio, tudo ficava tranquilo e quieto, perfeito para uma soneca até que o alarme sinalizasse o início da próxima aula. Mas aparentemente, Alex não teria nenhum tipo de sossego hoje. Assim que abaixou a cabeça sobre os livros em sua carteira, foi cutucada por alguém que ousou interromper seus planos de soneca. Ela ergueu os olhos azuis raivosos para encarar uma jovem que segurava uma prancheta de madeira velha e rabiscada.

A jovem a observava de cima abaixo com um sorriso calmo estampado no rosto, como se tentasse acalmar a fúria de uma Alex interrompida na pior hora possível. Ela colocou uma mecha do cabelo louro escuro atrás da orelha e limpou a garganta.

- Você é nova por aqui? – Perguntou de forma gentil. Arrancando uma careta perplexa de Alex.

- Estudo aqui tem cinco anos, Samanta. – Respondeu rispidamente, encarando os olhos redondos e azuis da intrusa.

A jovem pareceu constrangida por momento, especialmente pois Alex sabia quem ela era, e ela não tinha ideia de com quem estava falando. Riu desconcertada por um momento.

- É claro... – Dessa vez seu sorriso foi forçado e Alex achava aquilo cada vez mais irritante.

- Posso ajudar em alguma coisa? – Ela foi mais rude desta vez. – Ou você veio só pelo prazer de me acordar?

Samanta pigarreou novamente. – Bem, já que perguntou. Acredito que após cinco anos estudando aqui, você deve saber que não é permitido que os alunos fiquem nas salas de aula durante o intervalo.

- E ainda assim, aqui estamos nós duas. – Respondeu impaciente.

- Considerando que eu faço parte do conselho estudantil, é meu dever fazer cumprir as normas da escola.

Talvez seus olhos estivessem escuros pelo ódio que sentia naquele momento. Só queria ficar em paz, mas de repente Srta. Samanta Perfeita tinha que aparecer para fazer do seu dia um inferno. Ela era uma das garotas mais populares da escola, presidente do conselho estudantil e favorita de qualquer professor que já havia pisado naquela escola. Mas Alex não tinha nada contra ela, exceto quando resolvia lhe atrapalhar.

- Enfim Alex...

- Oh, ela sabe meu nome. – Interrompeu bruscamente, sorrindo de forma irônica.

- Nós do conselho estudantil, junto com a diretoria da escola, decidimos que alguns alunos poderiam se aproveitar de algumas visitas ao escritório do conselheiro, por isso vim falar com você.

Alex revirou os olhos e a deixou continuar.

- Achamos que alguns alunos que são muito tímidos e fechados podem acabar não aproveitando tanto esse período tão bom da vida e queremos sempre nos certificar que estamos ajudando uns aos outros...

- Pelo amor de Deus. – Interrompeu novamente. – Eu juro que não vou me matar e deixar treze fitas incriminando ninguém, eu só quero tirar um cochilo. – Ela passou as mãos impacientemente por entre os cabelos louros bagunçados. E por sorte, no exato momento que Samanta abriu a boca para falar algo, alguém surgiu na porta.

- Ah, aí está você. – Era uma garota de mesma idade, cabelos vermelhos como fogo e olhos escuros. – O diretor quer falar com a gente.

Alex não demorou o olhar sobre ela, logo voltando a atenção para Samanta com um sorrisinho vitorioso estampado no rosto. Estava sozinha com o silêncio finalmente e então pôde abaixar a cabeça por alguns minutos até que o sinal anunciasse o retorno das aulas. Assim como na primeira parte da manhã, ela estava dispersa e qualquer que fosse a aula seguinte, ela continuava com o olhar perdido e a mente distraída, contando os segundos para o sinal final.

O resto do dia de Alex era tão emocionante quanto o começo. Ela trabalhava em uma cafeteria próxima à escola e embora geralmente achasse que o trabalho era mais interessante que as aulas, naquele dia em particular estava ansiosa apenas para a hora em que finalmente poderia voltar para casa e se trancar em quarto. Como sempre, a cada vez que olhava no relógio da parede, o ponteiro parecia ter regredido e não avançado. Já havia entregado dezenas de pedidos errados naquele dia e a cada segundo que se passava, ela estava mais propensa a cometer erros.

Em alguns momentos ela podia jurar que havia visto a garotinha de cabelos verdes entrar pela porta e correr pelo café, desaparecendo em seguida. Talvez estivesse ficando louca.

- Alexandra! – Aquela era a voz mundialmente conhecida de seu chefe e aquele tom, também mundialmente conhecido, indicava que ela já havia feito o suficiente por hoje. – Onde está com a cabeça garota?! – Ele vociferou agitando os braços para a jovem parada a frente de sua mesa. Alex não respondeu, apenas permaneceu fitando o chão e com os braços na frente do corpo. O homem respirou fundo e massageou a ponte do nariz, esfregando o rosto em seguida.

- Vá para casa, por favor. Amanhã conversamos.

 

O mundo parecia estar sugando suas energias naquele dia. Tudo estava fadado ao fracasso e ela só pensava no conforto de sua cama. Uma pequena cochilada no trem lhe rendeu o mesmo sonho com o campo verde e cheiro doce da floresta. Ela podia sentir o toque da grama em seus pés descalços, o vento bagunçando os cabelos dourados, ouvia os pássaros cantando e o som corrente da água cristalina. Podia ver claramente seu reflexo na água e era engraçado constatar que nos sonhos pode-se tornar qualquer um. O reflexo que ela via não era ela mesma, embora soubesse que ela era ela e quem a encarava de volta na água era outra pessoa, por um momento pareciam ser um só.

Alex acordou num pulo, preocupada em perder sua estação e exatamente naquele momento as portas do trem se abriam na parada certa. Agarrou a alça da mochila e pulou para fora do vagão cheio, esbarrando em algumas pessoas. Sua casa não ficava longe dali e àquela hora da noite as visitas já haviam cessado, o que garantia passagem segura pelos corredores sem olhos curiosos sobre ela.

Parou em frente ao portão de ferro por um segundo e respirou fundo adentrando pátio em seguida, deixando para trás a placa em que lia-se: Orfanato Belford.

 

Ignorou o máximo de pessoas possível no caminho até o segundo andar da casa. Trancou-se no quarto, jogando a mochila de um lado e as botas de outro. Não se incomodou em tomar um banho ou tirar o restante da roupa, apenas se jogou na cama e tirou de dentro da blusa um cordão com uma pequena pedra verde amarrada, tirou-o do pescoço e o amarrou no pulso. Deixou-se levar pelo cansaço do dia e logo adormeceu, sempre agarrada à pedrinha verde.

Viajou novamente pelo campo, atravessou o rio de correnteza calma de um lado para o outro, molhando a barra das calças, sentindo a água fria na pele e os peixinhos que nadavam por ali. A água cristalina mostrava seu reflexo mais uma vez e ao sentar na beira do rio para observar, deparou-se novamente com a sensação engraçada de saber que era ninguém menos que ela mesma ali, porém o reflexo na água era outra pessoa. Novamente aquele rapaz de cabelos dourados e olhos azuis a encarava, ela sempre o via ali e achava graça do quanto eram semelhantes, usavam até a mesma roupa com a túnica verde por cima do restante. Por apenas um segundo ela fechou os olhos para inspirar o ar puro da floresta e quando reabriu, o reflexo na água era o dela mesma.

Ao erguer o olhar, ela se assustou soltando um grito abafado, mas logo se deu conta de que aquilo não era necessário. O garoto do reflexo estava sentado ao seu lado, seu sorriso era tranquilo e sereno, contagiante exatamente como a paz daquele lugar.

- Desculpe, não quis te assustar.

Alex demorou o olhar sobre ele. Pessoalmente ele era diferente do reflexo, parecia mais velho, o cabelo era mais comprido e era consideravelmente mais alto que ela. Não era humano também, tinha as orelhas pontudas como os elfos que Alex costumava ver nos livros.

Logo ficou claro que ele não estava acostumado a ser estudado daquela forma, pois seu rosto corou e ela tratou de desviar o olhar.

- Quem é você? – Ela perguntou curiosa, voltando a encarar o rapaz. – É a primeira vez que o vejo por aqui.

Ele voltou a sorrir calmamente e retribuiu seu olhar.

- Me chamo Link.


Notas Finais


Calma!
Tudo será explicado, não se preocupe.
Espero que tenha gostado e seja bem-vindo à nova fic!


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