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História A lenda dos 7. - Capítulo 7


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Capítulo 7 - A chama herdada.


Niul, ainda um pouco sonolenta, vira seu corpo para o outro lado, abrindo lentamente seus olhos. 

Niul: Hum... já está de manhã?

Ao abrir os seus olhos completamente Niul vê que Lanal continua dormindo. Ela nota que o cavaleiro dorme silenciosamente e é como se estivesse imóvel de frente para ela.

Niul: Desse jeito não me dá muitas esperanças de sobrevivência.

Lanal: Eu posso estar de olho fechado, mas isso não significa que eu estou dormindo.

O cavaleiro abre seus olhos subitamente e passa a encarar a ninja. Os dois trocam olhares até que notam que estão em uma distância mínima com seus rostos quase se tocando. A ninja arregala seus olhos e um vermelho cobre sua face. Em um movimento rápido, Niul arremessa Lanal para o outro lado do quarto.

Lanal: Mas eu nem fiz nada...

Niul: Isso é por fingir estar dormindo... Hunf!

A kunoichi se levanta da cama e sai do quarto. Lanal que estava caído também levanta sentindo dores em sua costa. O cavaleiro pega suas duas espadas e desce junto a Niul para a cozinha da cabana de Josh. O líder dos aventureiros parece não estar e Niul traz uma caneca de café para Lanal.

Lanal: Oh... Obrigado.

O cavaleiro agradece casualmente a kunoichi e se senta a mesa. Niul se senta do outro lado e passa a comer um pão amanteigado. 

Lanal: Niul, posso te fazer uma pergunta?

Niul: Você já fez.

Lanal: Uhg... Então permita que eu te faça outra.

Niul: Vá em frente.

O cavaleiro pega um biscoito que estava em uma vasilha em cima da mesa e o molha em uma tigela de leite. Lanal então come o biscoito.

Lanal: Eu consigo entender que você está me ajudando até nós ressuscitarmos sua tia, mas o que você pretende fazer quando nós conseguirmos?

Niul: SE nós conseguirmos! Tem chance de você morrer antes que minha tia possa voltar.

Lanal: Você tem toda razão. Mas não parece que sua tia possa simplesmente te acolher visto que ela parece alguém muito ocupada e agora que você deixou o clã ninja como pretende levar a vida?

Niul: Eu dou um jeito. Com minhas habilidades posso arrumar uma outra ocupação bem rápido.

Lanal: Entendo...

O cavaleiro novamente come outro biscoito molhado ao leite e termina de tomar o seu café. Lanal se levanta da mesa e passa a ir em direção a porta da cabana.

Niul: Onde você vai?

Niul pergunta com certo receio em sua voz. O cavaleiro para seu caminhar e fica diante da porta quando diz suavemente.

Lanal: Vou até o broto, preciso confirmar uma coisa.

Lanal sai da cabana e anda em direção ao broto. A pequena árvore fica a beira do penhasco onde consegue receber a luz solar e o abraço do vento. O cavaleiro coloca suas duas espadas no chão e se ajoelha ao lado delas ficando em frente ao broto. Uma energia misteriosa começa a ressoar com o brilho violeta do anel que o cavaleiro agora carrega.

Lanal: Josh havia dito para eu sentir o broto... Como eu deveria fazer isso?

A planta emite um brilho sereno em tom amarelado e pequenas esferas de luz rodeiam o anel. O artefato de poder emite ondulações de energia que ressoam com o brilho liberado pela planta.

Lanal: Se eu dormir aqui novamente eu vou para dentro da minha mente, mas Hellen já tomou sua decisão. Eu estou aqui por conta própria. Então... O que devo fazer?

Refletindo consigo mesmo, Lanal olha para o anel que está em seu dedo. O anel possui um roxo suave que percorre sua superfície circular enquanto uma fina linha vermelha divide conjuntos de palavras em Arconte e uma joia escarlate, provavelmente um rubi, termina como peça mais chamativa do anel. Lanal passa a ler os símbolos que estão no anel.

Lanal: "Pass the test of fire and the title will be yours." Passar a prova de fogo... Ao menos já é alguma coisa.

Lanal se levanta e caminha até a beirada do penhasco. Ele olha atentamente para a grande queda.

Lanal: Aquela espadachim... Ela utilizava movimentos rápidos e poderosos, além de contar com o auxílio daquela chama azul... 7 lordes das chamas né? Curiosamente, apesar de eu conseguir ler o arconte não sinto a presença arcana nem no anel e nem naquela chama. O que será que é? Não parece ser místico também.

O cavaleiro observa o horizonte de Gama Nautys. O sol brilha em seu esplendor e ilumina aquela vasto oceano. As ondas do mar e a brisa oceânica acalmam a mente e o corpo do cavaleiro.

Lanal: Eu preciso de mais informações e para isso preciso de alguém que saiba, mas não vou encontrar essas pessoas aqui. Talvez em uma outra cidade eu consiga, mas o capitão Vermillion me disse que eu posso ser útil nessa batalha.

Hellen: Não ouse!

A voz de Hellen ecoa subitamente dentro da mente de Lanal. A bruxa exclama enfurecida.

Hellen: Você quase morreu para Naevy e faz pouco mais de um dia que seus ferimentos foram curados! Ir para uma batalha agora é apenas pedir para ser morto. E caso não lembre se você morrer todo meu plano vai por água abaixo!

Lanal: E você quer que eu faça o que? Não posso simplesmente abandonar a cidade quando minha ajuda foi requisitada. Mancharia minha honra tanto como homem como cavaleiro.

Hellen: Você cavaleiros que ligam para conduta são os que mais me irritam! Sua honra de nada adianta em batalha, seu código de conduta não passam de palavras vazias em uma falsa jura de justiça!

Lanal: Retire o que disse Helleonora!

Lanal e Helleonora passam a discutir fortemente com o jovem cavaleiro elevando uma aura flamejante que afeta o terreno ao redor, secando as folhas da grama do chão e danificando o broto.

Lanal: Ah! Desculpa!

Lanal abaixa sua energia ao ver o que estava fazendo, mas felizmente os danos foram poucos. Lanal passa a meditar novamente em frente ao broto para falar com Hellen dentro da própria mente.

Lanal: Helleonora me enfrente.

Hellen: Você só pode estar brincando!

O cavaleiro avança diretamente contra a bruxa. Lanal tenta a cortar com um golpe horizontal, mas a bruxa simplesmente salta e voa ao céu ficando acima de Lanal.

Hellen: O que foi?! Ficou com raiva só porque eu disse a verdade?

Lanal: Os cavaleiros de Hogorand juram com suas vidas defeder a causa da justiça em todos os reinos do continente humano, não é porque você é alguém de autoridade superior que pode simplesmente desdenhar de nossa conduta e de nosso dever!

Lanal, enfurecido, joga sua espada para cima e a chuta em direção a Hellen. A bruxa desvia facilmente jogando o seu corpo para o lado, mas o cavaleiro surpreendentemente aparece ao lado da bruxa, pegando sua espada no ar e aplicando outro golpe cortante que é parado pela bruxa quando ela segura a lâmina com apenas dois dedos. Quando a bruxa iria chutar Lanal para o chão, o cavaleiro bloqueia o ataque com o cabo de sua outra lâmina. Voltando a estar no chão.

Hellen: Sua força é apropriada para alguém do seu nível e você não é fraco, mas não importa o que você faça sempre haverá aqueles mais fortes do que você! Vocês cavaleiros simplesmente escolhem jogar suas vidas fora por pessoas que provavelmente nem se importam com vocês e nem ao menos sabem o nome de quem os protege! Seu código é falho e seu dever sem necessidade, Lanal!

Lanal: Em uma guerra você não se importa com os inimigos que dilacera com sua lâmina ou você vai me dizer que sabe o nome de cada pessoa que incinerou com suas chamas bruxa?! As pessoas podem não saber nossos nomes, mas cada uma delas sabe o quanto somos devotados ao nosso trabalho! Não é porque você simplesmente tem o poder de um exercito que você possa julgar o desempenho dos outros! E eu vou te provar, Helleonora, que até mesmo alguém como nós, devotados, podem superar as expectativas!

O cavaleiro encanta suas espadas com as chamas e libera dois cortes flamejantes em direção a Hellen.

Hellen: Garoto... Você se esqueceu como me chamam? Sou a bruxa das chamas. Nem uma única brasa escapa do meu-

Os ataques de Lanal acertam o corpo da bruxa. Os cortes flamejantes explodem ao contato e uma fumaça negra se formou. Após a fumaça se dissipar é possível ver Helleonora levemente chamuscada. A bruxa não está com uma feição nada alegre.

Hellen: Garoto... Vou te mostrar apenas uma vez... O significado do medo!

A bruxa desce ao chão e três circulos arcanos a rodeiam. As runas que formam a lei de criação se juntam em códigos para dar forma a conjuração de Hellen. A energia que está sendo liberada pela bruxa é tamanha que Lanal não consegue se aproximar. As rajadas de vento são tão fortes que cortam levemente a pele do jovem cavaleiro. Lanal prende as suas duas espadas flamejantes no chão e as segura fortemente.

Hellen: Prepare-se! Chama da destruição que abita no fundo do abismo da minha alma. Atenta ao meu chamado e cresça emergindo como erupção vulcânica! Arte arcana suprema: Atomic Flare!

A bruxa recolhe seus três circulos que ficam em frente de Lanal, apontando para eles como uma lente. A bruxa tem carregado em sua mão uma esfera de energia flamejante que logo se transforma em um feixe de chama tão vermelho quanto o sangue. O raio de fogo passa pelos três circulos ampliando seu poder em duas vezes para cada círculo até que finalmente vai em direção de Lanal. O cavaleiro pega sua espada e bate contra o raio.

Hellen: Seu comportamento suicida um dia vai te levar a morte Lanal. Você simplesmente poderia ter saído daqui acordando, mas escolheu ficar para se ferir ainda mais.

Lanal: CALA A BOCA! Suas palavras me machucam mais e mais e nem uma delas é verdadeira!

As espadas de Lanal ressoam com a energia do raio. O cavaleiro é cada vez mais arrastado para trás e está prestes a cair nas chamas que sustentam o círculo de pedra onde estão pisando.

Hellen: A lâmina está ressoando com a mesma energia do meu Atomic Flare? Que espadas são essas?

Lanal: 5 anos atrás... Meu pai teve que lutar contra criaturas de poder inimaginável. Deuses corrompidos e demônios malignos andavam pela terra e todos eles foram selados atrás dos portões do abismo! Meu pai os colocou lá! E ele derrotou cada inimigo levando a honra de si mesmo e de seus companheiros para frente de batalha e o desejo de todos se reuniu nessa espada a transformando na arma que é hoje! As lâminas do sol e da lua! 

As espadas brilham fortemente com uma luz escarlate de um intenso flamejante. Lanal parou de ser empurrado e agora subjuga o feixe lançado a ele. Ele caminha lentamente empurrando o feixe contra Helleonora.

Hellen: As espadas do sol e da lua? Ah... As lâminas gêmeas de Astor. Quem diria...

Lanal: Matador de anjos: Reverse ressonance!

Lanal colide sua segunda espada com a primeira e libera uma energia contrária ao do Atomic Flare. O feixe lançando por Lanal passa pelos três círculos de Helleonora e é ampliado duas vezes para cada círculo. O feixe atinge Hellen e uma grande explosão acontece. Lanal, cansado e ofegante, aponta sua lâmina destra para Hellen enquanto mantem a canhota abaixada.

Lanal: Eu com certeza não tenho o poder para enfrentar os lordes do abismo e é um fato de que eu seria derrotado por qualquer um deles! Mas você tem o poder e o conhecimento para enfrenta-los! Não estou pedindo para que me conte os segredos do anel e nem que me ensine as suas técnicas, mas quero que me conte o que os faz tão forte! O que torna vocês... Lordes?

A fumaça da explosão é dissipada por uma grande rajada de vento e Hellen se mantém no centro do círculo com leves queimaduras. Mesmo a explosão amplificada causou poucos danos na bruxa.

Hellen: O desejo de muitos que transformaram sentimento em poder... Os espíritos de vários cavaleiros habitam nas espadas que carregas e todos eles se mantém convictos de si e de sua honra mesmo depois da morte?

Lanal: Honra e conduta talvez de nada adiantem nesse mundo, mas enquanto houver justiça e algo pelo qual vale a pena lutar, nós cavaleiros manteremos nosso código!

Hellen: Muito bem... Eu retiro o que eu havia dito antes, foi rude de minha parte. E já que você se diz tão honrado, diga-me Lanal, pelo que você luta?

Lanal guarda suas espadas e pensa cautelosamente. Ele se mantém ao código de cavaleiro, mas já se passou 2 anos que o jovem se retirou para se tornar um aventureiro. Então pelo que Lanal continua lutando?

Lanal: Eu... Tenho um sonho. Luto para me aprimorar cada vez mais para não cometer erros do passado. Luto para me tornar mais forte do que eu era, luto para ser forte por aqueles que não podem ser!

Hellen: É um desejo impossível esse seu. Você sonha em ser forte para proteger aqueles que são fracos? Muitos já caíram em minha frente dizendo as mesmas palavras que você diz, muitos caíram sem realizar o mesmo desejo que você possui e você ainda escolhe manter a sua jura?

Lanal: Para aqueles que caíram apenas posso oferecer a satisfação do meu desejo quando eu o cumprir. Uma jornada para proteger aqueles que não podem salvar a si mesmos, parece uma missão impossível? É porque realmente é! Você vai me ajudar a ficar mais forte bruxa das chamas?

A bruxa sorri maliciosamente. Ela gargalha em risadas estridentes que ecoam por todo o reino de chamas. Ela respira profundamente para recuperar o fôlego e então diz.

Hellen: Há um motivo pelo qual me chamam de bruxa, e não é um bom motivo, se você viesse com mais umas daquelas ladainhas de justiça eu teria te atirado outro feixe ainda mais forte, mas o seu desejo... HAHAHAHA! SIM! Seu desejo parece ser divertido! Você quer ficar mais forte cavaleiro místico? Então eu vou passar para você, a chama capaz de consumir até mesmo os deuses. As chamas do abismo!

Lanal: Mas... Eu pensei que você não fosse me passar suas técnicas.

Hellen: Infelizmente não sou eu a decidir isso... Olhe para o anel.

Lanal: Hã?!

Quando Lanal encara o seu anel ele nota que o mesmo tinha um outro aspecto. Um fino anel negro com uma joia vermelha em seu centro. Pouco abaixo da joia um par de asas negras com uma caveira entre elas. Era a prova de que Lanal tinha sido aceito pelo anel.

Hellen: Os anéis tem consciência própria e atendem ao seu usuário da melhor forma que podem. Todos são igualmente lordes do abismo, mas cada um de nós recebe um título exclusivo. Eu sou... Eu era, a bruxa das chamas e você é o mais novo cavaleiro do abismo.

Lanal: Aí... Eu gostei!

Hellen: Acorde agora, vá descansar. Não quero um pupilo que não sabe se cuidar.

Lanal: Entendido mestra!

Lanal se retira do mundo dentro da sua mente e acaba por voltar a cabana.

Hellen: Talvez ele possa conseguir o que eu não consegui... E se a Niul não se interessar eu me interesso.

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Em um castelo no meio do oceano, Naevy está sentada em um trono feito de diamante. 6 individuos cobertos por mantos azuis estão em sua frente ajoelhados, mostrando seu respeito pela espadachim. Um dos individuos é Kraken que logo diz.

Kraken: Senhora da guerra! As tropas estão bem posicionadas. O ataque em Gama Nautys pode ser realizado a qualquer momento, apenas esperamos sua decisão.

Um homem mais velho com um tridente de madeira apodrecido se levanta para falar para Naevy.

Velho: Senhora da guerra. Os batedores Goblins avistaram aventureiros vasculhando áreas próximas de onde nossas tropas se escondem. Provavelmente os humanos já sabem de nosso ataquem e devem ter feito as devidas preparações para a batalha.

Naevy: Não é um problema Shark. Se os humanos estão prontos para a batalha então derramar o sangue deles será algo de valor! Mas se eles já sabem que vamos atacar provavelmente estão procurando nossa base. Estou indo para Gama agora mesmo, fiquem aqui e certifiquem-se de proteger o Castelo Sapphire!

Os seis exclamam com afirmação para Naevy, mas um deles se aproxima e pergunta.

Homem: Senhora da guerra! Não quer que um de nós a acompanhe? 5 de nós são suficientes para proteger o castelo, somos os guardiões do oceano afinal, mas você está indo liderar um exercito caótico que pode facilmente trair a senhora. Não seria melhor levar um de nós?

Naevy sorri para o homem e acaricia sua cabeça gentilmente.

Naevy: Agradeço a sua preocupação Noige, mas além do castelo também devemos proteger nosso rei. Os 6 guardiões do oceano devem ficar aqui para proteger o espírito que adormece em seu corpo até o dia em que usaremos seu poder. Um exercito caótico será mais do que o suficiente para derrotar aqueles humanos, até porque grande parte do exercito é feito de uma criatura que quase ninguém tem o conhecimento, pois é raro escapar vivo deles, os trolls.

Noige: Como quiser, senhora da guerra.

Naevy se retira do castelo e se joga nas águas do oceano. Uma grande cidade marítima é vista debaixo de Naevy e a mesma nada por cima dela. Os cidadãos veem sua senhora da guerra indo em direção ao combate e assopram cornetas e tocam tambores para ela. Naevy nada em grande velocidade até Gama Nautys.

Naevy: Eu fui pega de surpresa daquela vez, mas não acontecerá novamente Lanal. Dessa vez, com certeza, o anel vermelho será meu!


Notas Finais


Continua...


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