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História A Leoa De Snape - Capítulo 6


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Notas do Autor


Boa leitura 😘

Capítulo 6 - O Que Mais Poderia Estar Acontecendo?


Fanfic / Fanfiction A Leoa De Snape - Capítulo 6 - O Que Mais Poderia Estar Acontecendo?

Dei um pulo da cadeira onde estava.

Esbarrei na mesa e dois vidrinho de tinta caíram sobre alguns pergaminhos, escorrendo até a pena mais próxima, formando um rastro na madeira. 

-Merda!- Murmurei.

Dividindo minha atenção a bagunça a minha frente e ao dormitório de White, me apressei a colocar os vidros em pé e com um movimento da varinha, limpei o que havia sujado e danificado.

Corri a passos largos entre as fileiras de carteiras até o corredor e parei de repente, ofegante, encostando no batente da porta dos aposentos da ex aluna ao perceber o que estava acontecendo.

Ela a minha frente e de costas para mim, tirou a capa e jogou a varinha no chão como se essa a estivesse queimado. 

Se apressou a acudir a pobre elfo, caída na outra extremidade do cômodo.

A nova professora agachou perto da criatura estuporada para levantá-la. 

-Amora não queria assustar a Senhorita White! Desculpe! 

Vi white colocar a mão no rosto como se estivesse enxugando as bochechas.

Olhou para Amora em silêncio, mesmo assim a elfo respondeu a nada ter sido dito.

-Não tem problema, Senhorita White. Amora compreende e já está sabendo de tudo.

Amora desviou seu olhar para me fitar. Assim que o fez, Olivia virou minimamente a cabeça para trás e suspirou olhando ainda para o chão. 

Pela primeira vez na vida pude sentir seu doce  e inebriante perfume, esse por sua vez invadiu meu ser me tirando fora de órbita por alguns segundos. Uma sensação inédita que não estava pronto para explorar ou sentir. 

Arregalei os olhos ao voltar a realidade e a perceber o que me fizera despertar. 

Meu peito apertou ao ver seu corpo sem a capa, apenas com um vestido preto. 

Senti meus olhos queimarem ao perceber o quão magra e ossuda ela estava. O vestido que provavelmente já fora justo um dia, estava agora largo e bufante.

Pude perceber as pernas e canelas mais finas, sem contar os dedos da mão esquerda que se apoiava no chão enquanto se certificava que a elfo estava bem.

Ela havia se assustado com um elfo! Senti minha própria cabeça se mover em negação ao pensar no que a guerra fazia com as pessoas ou melhor,  no que a guerra fez conosco.

A Elfo começou a explicar algumas de suas funções e em como poderia ajudá-la.

“Amora compreende e já está sabendo de tudo” A voz fina da Elfo ecoou em repetição na minha mente. 

Tudo o que?

O que mais poderia estar acontecendo com Olivia White?

O que mais?

Ela teria saído ferida da guerra? Algo físico que eu não sabia? Algo que a impedisse de fazer alguma tarefa? 

O que Amora sabia? 

Que a família inteira de White havia morrido?

O que ela compreendia?

Que a guerra nos deixava em estado de alerta constante? E que uma reação assim a alguma surpresa era normal?

Talvez... 

Mas...

Eu poderia... Quem sabe... Entrar em sua mente....

Não! 

Não! 

White já havia sofrido o suficiente e também não faria aquilo com a pobre Elfo.

A mulher havia feito muito por mim e eu não poderia desrespeita-la daquele jeito. 

Olhei novamente para ela a minha frente, ainda agachada, com uma mão repousada no pequeno ombro de Amora.

Chacoalhei a cabeça para espantar as ideias horríveis que passaram pela minha mente e me retirei lentamente, sem fazer barulho algum.

Entrei em minha sala de estar e fechei a porta atrás de mim. Encostei minhas costas na mesma e tentei a muito custo controlar minha respiração.

Os olhos ainda ardiam e me sentia fraco como se estivesse levado um soco no peito.

Me arrastei até sentar no chão frio e duro. 

A sala em minha volta estava coberta pelas luzes dos candelabros e pelo fogo dançante da lareira. 

Assim como os aposentos ao lado, de Olivia White, esse também tinha um sofá, duas poltronas, uma escrivaninha e prateleiras abarrotadas de livros, mas a diferença é que esse continha uma cor esverdeada em todos os pedaços de tecidos que podia se encontrar e no dela, eles tinham uma cor tão vermelha quanto a de sua casa. 

Estava agora mais confuso do que antes. Ela estava muito magra, seus olhos muito tristes, não comeu quase nada no jantar, abraçou os próprios braços quando andava até a mesa dos professores, abaixou a cabeça quando a oportunidade lhe permitiu, não conversou com ninguém e atacou um elfo quando surpreendida. 

Essa mulher que estava no quarto ao lado era a mesma Olivia White que um dia entrou em meu escritório perguntando a única coisa que ninguém nunca havia tido o interesse em saber? 

Me lembrei do dia que ela jogara a poção de Malfoy no chão propositalmente após ele falar mal da família Weasley.

Eu fora tão grosseiro com ela como nunca fui com nenhum outro aluno, nem mesmo com Potter.

Na frente de todos os alunos, ela me ouvira esbravejar de cabeça erguida e sem desviar os olhos de mim nem por um instante. 

No final no dia, ouvi batidas na porta de meu escritório e ela entrou.

....

-O que quer, White?

-Lhe perguntar algo!

-Eu não tenho tempo para isso.

-Prometo que não irá demorar...

Bufei irritado, jogando o jornal que lia de lado.

Ela a frente da mesa cheia de provas e livros, organizadamente separados, se aproximou a passos lentos.

-Eu não tenho até amanhã, senhorita.

White me olhou com suas esmeraldas confiantes e corajosas.

-Por que me odeia?

Aquela pergunta me quebrou inteiro. Por mais grosseiro e rabugento que eu fosse, nenhum aluno tivera tal audácia.

Tentei falar, mas não consegui. Ela havia me deixado desarmado, completamente inseguro, pisando em área desconhecida. Por que se importava com o que eu pensava? 

-Co-mo?- Consegui dizer com uma carranca que usava para recobrar o controle da situação.

-Jogar uma poção no chão não pode ser motivo para um ódio tão grande.

-Saia daqui!

-Só por favor, me diga o que eu posso fazer? Ou pelo menos me diga o que eu fiz de errado...

Levantei da cadeira consternado. Como ela poderia me fazer sentir assim? Como ela poderia ter a coragem de me tratar como uma pessoa com sentimentos?

-EU NÃO TE ODEIO. AGORA SAIA DAQUI!- Berrei furioso.

Ela ainda paralisada me lançou um olhar triste, então se retirou.

Joguei meu corpo de volta na cadeira e coloquei a mão no rosto para abafar o choro.

White deve ter se sentido satisfeita com aquela conversa, pois agiu como se aquilo nunca estivesse acontecido.

......

 

De volta a minha sala de estar, ainda me sentia zonzo e perplexo.

Como ajudar a nova Olivia?

Como consertar alguém quando eu mesmo estou quebrado? 

Como ajudar alguém, quando meus próprios demônios me pesam os ombros?

Senti uma pontada de enxaqueca e imagens de Potter no berço quando ainda era apenas um bebê começaram a me atingir como pancadas. Poderia bloquear aquelas memórias, mas não faria isso, eu merecia tal tortura.

Parecia que podia ouvir seu choro naquele cômodo que agora estava, aquele choro de desespero depois de ouvir a mãe gritar até a morte.

Aquele choro era por minha culpa. 

Tudo o que passou depois com os tios e com o primo, por minha culpa. 

Tudo o que teve de enfrentar sem uma família, tudo por minha culpa.

Será que não ter tido minha própria família feliz não bastava para mim? Será que ter sido agredido e presenciado meu próprio pai agredir minha fraca mãe, não fora o suficiente? 

Eu teria que estragar a vida dele também?

Meu erro havia feito Potter ter uma infância tão cretina e negligenciada quanto a minha!

Não era minha intenção?! E se eu ainda fosse o mesmo covarde que contara a Voldemort sobre a profecia? 

Por que aquelas dúvidas me assombravam após a guerra?

E Lily? Porque ela me desprezou?

Eu não merecia estar vivo! Eu merecia ter morrido em seu lugar e como castigo, Merlin me fez viver para sofrer até o resto de meus dias. 

E agora para piorar, estava tão prejudicado depois de duas guerras que recentemente encontrava-me duvidando das próprias certezas.

 

 

 

A luminosidade machucou meus olhos e acordei torto no chão. 

As costas ainda encostadas na madeira fria da porta que dava passagem ao corredor.

O pescoço duro e dolorido protestou ao mínimo sinal de movimento.

Me levantei entre gemidos e fiquei grato por mesmo estar chegando aos quarenta, ainda não me sentia tão velho.

Caminhei até o armário escuro do banheiro e bebi mesmo de estômago vazio, uma poção para dor, respirando aliviado por tê-la disponível.

 

Depois de um banho, já vestido e faminto, sai de meus aposentos, ansiando pelo café da manhã.

Meus pés pararam de supetão ainda a frente da porta quando Olivia White saiu de seus aposentos no mesmo momento que eu.

Ela me viu, sorriu e se virou para continuar a caminhar.

-White- A fiz parar com meu tom grave.

A mulher me olhou com receio e uma expressão indecifrável que me deixou intrigado.- Eu poderia saber o que foi aquilo ontem à noite?- Não conseguia mudar meu tom de desprezo nem se quisesse. Não conseguiria deixar aquele acontecimento passar despercebido. 

Ela abriu a boca então fechou sem nada dizer. Pareceu ainda mais nervosa e corou.

Olhou para os lados como se estivesse à espera de alguma ajuda.

Levantei minha sobrancelha e me aproximei um pouco mais.

Pude vê-la tremer. 

Mas por Merlin o que a guerra havia feito com minha aluna?

White sorriu fracamente e se virou para continuar seu percurso.

Sem ao menos pensar, segurei seu pulso, coberto por mangas compridas de veludo e a vi me olhar com surpresa e nervosismo.

-Eu lhe fiz uma pergunta e apreciaria se me respondesse, senhorita!


Notas Finais


E agora????
PS: Crossover de A Mehor Aluna de Severus Snape pq Amorinha A Elfo está de volta, senhoras e senhores 😍😍😍😹😹😹


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