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História A Leoa e a Doninha - Capítulo 3


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Notas do Autor


Boa leitura.

Capítulo 3 - 2. Cicatrizes do passado


Malfoy's point of view...

Amigos? Não, eu desejo Annie Campbell e ser apenas amigos está fora de cogitação! Quero ela para mim, quero ouví-la suplicando pelo meu toque... e, isso, me dá uma ótima ideia. Calma! Você irá descobrir.

— Amigos, Annie? — pergunto e vejo que ela ficou assustada com o seu nome sendo dito por mim. O pronunciei de forma lenta para provocá-la.
— Amigos, Draco — arrepio. Por Merlim! Quero mais do que isso. E sei que ela também quer, sei que ela anseia por mim!
— Me perdoe pelo que eu fiz, por favor — peço e ela desvia o olhar. — Eu era um imbecil, me deixa consertar isso. Prometo te fazer feliz, prometo ser melhor — ela me olha por alguns segundos e logo olha para outro lugar. Não precisa fugir, Annie.
— Está me pedindo o impossível, Malfoy. Eu nunca vou me esquecer do que fez, nunca — suspiro. Seguro o seu rosto com as minhas duas mãos.
— Não me deseja, Annie? — pergunto, ela suspira e fecha os olhos. Quando os abre, me encara com nojo.
— Não, Malfoy. Eu não o desejo, tenho nojo de você — suspiro.
— Estarei em meu quarto se precisar de mim, Leoa — levanto-me e vou para o meu quarto, meu pai acabou com a minha vida e agora ele está sofrendo em Azkaban.

A culpa é dele por eu ter sido daquele jeito, a culpa é dele por ter me feito assim. Eu queria poder amá-la em paz, para sempre, sem o passado me seguir e atormentá-la assim como me atormenta! A quem quero enganar? A afastei pelo meu ciúmes do cicatriz, pela minha necessidade de tê-la apenas para mim.

Sim, eu sempre fui possessivo quando se tratava dela. Acho que você já percebeu, não é? Sou louco por ela desde o dia em que a vi no Expresso de Hogwarts! Você deve estar se perguntando por que nos afastamos e acho que devo contar, preciso que me entenda para me ajudar a mostrar para a Leoa que ela pertence a Doninha. Mas não agora, agora não é uma boa hora!

Dou um soco na parede, mais um e de novo, de novo e mais uma vez. Não pode me julgar, estou com raiva e frustrado... você faria o mesmo, não é?! Ela roubou o meu coração e agora vou caçar a Leoa até o fim, até ela se entregar de corpo e alma a quem ela pertence. E agora ela me nega, nega a porra do desejo que reacendeu dentro dela. Eu sei disso, e você também sabe que estou certo. Você sabe de algo que eu não sei? Sabe de algum desejo da Leoa?

— Socar a parede da minha casa não vai mudar qualquer coisa, Doninha — não olho para trás, mas sei que ela está sorrindo e apreciando a minha raiva, maldita sangue ruim.
— Preciso malhar, sabe aonde posso fazer isso? — viro para olhá-la e ela estremece. Se entregue a quem pertence...
— Não sabia que malhava — ela diz e me aproximo um pouco.
— Parei por força maior — sorrio e ela abaixa o olhar.
— Posso levá-lo amanhã. Tenho que trabalhar agora — me aproximo mais um pouco.
— Tem algo que possa fazer por você? — ela olha para mim.
— Não, estou bem. Logo termino o que preciso fazer — ela dá um passo a frente. — Tenho alguns livros que possam te interessar no meu quarto, divirta-se — ela pisca pra mim e sai.

Vou até o banheiro e tomo um banho, coloco uma roupa qualquer e vou até a cozinha para fazer um chá para nós dois. Procuro algo para comer e levo em uma bandeja frutas e uma xícara de chá para ela, para mim apenas uma xícara do mesmo líquido. Deixo ao lado dela e ela sorri em agradecimento, pego a xícara e vou até o quarto dela.

O quarto é ao extremo arrumado, Pandora dormia em um poleiro em um canto do quarto. Olho a estante e começo a procurar algo que me interesse, todos os livros são trouxas e isso não me ajuda! Vejo o título "Romeu e Julieta" e, por algum motivo qual não sei, o pego sem pestanejar, levo para o meu quarto e me sento em uma poltrona para leitura que havia ali.

[...] A cada linha que se passava, mais eu ficava absorto na história. Romeu e Julieta se amavam mas não podiam se relacionar por conta de suas famílias que se odiavam... você já leu? Concorda comigo que lembra a minha história com a Leoa?! Posso estar divagando, mas é assim que vi ambos personagens principais: eu e Annie.

Quando olho pela janela, vejo que está escurecendo e não comi nada ainda. Deixo o livro de lado e me levanto, uma brisa fria bate em meu corpo e sinto todos os meus pelos arrepiarem, já te disse que amo o inverno e a noite? Pois é, amo a neve e o silêncio que a noite carrega consigo.

Vou até o escritório da Campbell e a vejo debruçada sobre a escrivaninha, me aproximo e vejo que ela está dormindo, ainda com os óculos em seu rosto. Tiro os seus óculos e acaricio a sua bochecha com o meu dedão, queria poder eternizar este momento.

A pego no colo, com cuidado para não roubar o seu sono, e a levo para o seu quarto, empurro a porta com o pé e a deito com calma em sua cama. Ela resmunga algo que não pude ouvir e joga o seu corpo para o lado, o vestido sobe um pouco e não me permito olhá-la. Me ajoelho ao lado da cama e afago o seu rosto, sua pele é tão macia... como será o resto de seu corpo? Ela suspira quando passo o meu dedão em seus lábios, nós sabemos que ela me deseja tanto quanto a desejo. Poderia fazê-la minha agora, mas sei que teria uma passagem só de ida para Azkaban!

— Pode demorar, Campbell, — sussurro. — mas vou te fazer minha e ninguém poderá tirar você de mim! — aproximo meus lábios dos dela, mas paro quando faltava pouco para beijá-la. Mudo a direção deles e vou para a sua testa, encosto meus lábios e ela se aconchega. — Minha! Só minha, Annie. E de mais ninguém — me afasto.

Preciso espairecer, preciso correr e apagar esse fogo incessante dentro de mim. E é isso que faço, corro para fugir do meu desejo de predar Annie.

Campbell's point of view...

Eu estava chorando, mas por quê? Chorava enquanto andava pelos corredores de Hogwarts, para onde estava indo? Meus pés me guiam sem me dizerem para onde, por que eu chorava tanto?

Chego na estufa e vejo o corpo de Severo no chão, agacho ao seu lado e seguro ele em meus braços.

— Professor Snape? — chamo, sem resposta. — Severo! —grito, seu corpo gelado começava a me criar pânico. — Pai, me responde, — peço e as lágrimas começam a descer mais ainda. Não! De novo não... — eu preciso de você! Me responde — encosto a minha testa na dele e acaricio suas, geladas, bochechas. Não, eu não posso ficar sem ele. É tudo culpa minha! Começo a gritar e a dor se esvai mas não muda o vazio dentro de mim. O perdi, de novo, falhei em demonstrar o quão o amava e precisava dele como pai.

Acordo, suada, na minha cama. Quando cheguei aqui? Estava trabalhando e apareci aqui. Malfoy... como pude esquecer que ele mora aqui?

Enfim, esteve presente na minha maior dor: perder Severo Snape. Ainda sou atormentada em meus sonhos com a imagem de Severo sem vida em meus braços! Nunca pude dizê-lo que o via como um pai, que o admirava pela sua coragem e o repugnava pelos seus momentos de arrogância. Ele se foi e, graças a isso, me tornei uma pessoa vazia. Você entende o que quero dizer? Perdi o meu pai e perdi a pessoa que cuidou de mim quando estive sozinha, que me defendeu daqueles que queriam meu mal... você entende que não foi fácil? Entende o porquê de odiar Draco Malfoy? Ele morreu para proteger ele, morreu em prol de um canalha.

A madrugada ainda se faz presente quando decidi me levantar e trocar de roupa. A casa estava silenciosa demais, Pandora não estava em seu poleiro e muito menos a coruja da Doninha.

Decido andar pela casa, o quarto do Malfoy estava vazio e não havia qualquer resquício de que ele está em casa. Meus olhos param em um livro na poltrona, Romeu e Julieta. Eu sabia que ele escolheria este! Saio do quarto e desço as escadas, a primeira visão é de uma Doninha jogada no meu sofá.

Sua pele alva se tornou vermelha, o suor escorria de sua testa, sua respiração estava ofegante, seus lábios entre abertos me implora para tê-los nos meus e sua roupa também está suada. Chego perto dele e paro ao seu lado, seus olhos estavam fechados e suas mãos inquietas!

Me agacho ao seu lado e coloco minha mão sobre a sua, ele acorda assustado com o meu toque e não pude deixar de sorrir.

— Aonde foi, Doninha? — pergunto e ele fecha os olhos por alguns instantes.
— Fui caçar — sorrio ainda mais, ele quer jogar? Então vamos.
— Doninhas não caçam, Malfoy, elas são caçadas — ele se senta no sofá e fico de pé. Suas mãos vão na minha cintura e ele me puxa até que eu fique ajoelhada no meio de suas pernas. Permito que ele faça isso, por enquanto.
— Tenho uma presa específica — ele sussurra.
— Vai cair na sua armadilha, Malfoy! Você é apenas uma doninha — sussurro me aproximando dos seus lábios.
— Vou ensiná-la a me respeitar, Leoa — ele tenta me beijar e viro o rosto.
— Aonde esteve? — pergunto de novo e ele bufa.
— Correndo, Campbell — responde e o encaro. Ele está transbordando desejo, aproximo meus lábios do seu ouvido.
— Treinando para correr de uma leoa? — ele aperta minha cintura com força, beija o meu pescoço e suspiro.
— Quando vai ceder? — pergunta. — Ceder ao seus desejos, posso ver o quão você se segura para não me deixar dominá-la — sorrio.
— Só vou ceder quando Severo passar por aquela porta, Malfoy — começo a rir e ele me joga no sofá.
— Não me quer, Annie? — pergunta enquanto trilha beijos em meu pescoço.
— Nem nos meus piores pesadelos, Draco — digo sinto ele me apertar com mais força. — O que foi, Doninha? Está sendo contrariado? — pergunto e ele olha nos meus olhos.
— Estou sendo enganado, Leoa — diz e sela seus lábios nos meus. Ele pede passagem e permito, sem pestanejar, meus dedos se perdem entre os seus fios de cabelo e ele me aperta. Me separo dele quando nos falta ar e ele sorri vitorioso.
— Agora pode me soltar? — peço e ele me olha com duvida. — Agora eu te enganei, Malfoy — ele sai de cima de mim bufando.
— Não gostou? — ele pergunta e me sento.
— Está melhor do que no quinto ano — sorrio maliciosa e parece que, finalmente, ele entendeu o jogo. — Você precisa de um banho — digo e ele sorri.
— Me acompanha? — levanto e ele também, o puxo pela gola da camiseta.
— Tenho outras coisas para resolver esta noite — ele sela os nossos lábios mas me afasto em seguida. — Volto pela manhã, fique dentro desta casa ou terá passagem só de ida para Azkaban — ele levanta as mãos em forma de redenção.

Aparato e estou na frente da casa dos Potter, quando me aproximo da porta, ela se abre e Harry sai por ela.

— Aqui estou, Potter — digo estendendo os braços para os lados, ele sorri.
— Preciso falar com você — ele me abraça e beija o topo da minha cabeça.
— Sou toda ouvidos, Harry. Do que precisa? — ele me solta e me puxa para dentro de sua casa.
— Estou pesquisando o que me pediu — diz me puxando para sentar.
— Descobriu alguma coisa? — ele abaixa o olhar.
— Não pude achar nada que relaciona-se seu pai a qualquer mulher — sim, fui procurar saber da minha mãe.
— Então a vovó falou demais e estava certa, papai era gay. Ele me adotou — Harry confirma.
— Consegui informações do mundo trouxa sobre alguns relacionamentos de seu pai, talvez deva procurar na casa da sua avó alguma coisa — confirmo e ele abraça os meus ombros.
— Pode pesquisar sobre o Severo para mim?
— O que quer que eu descubra? — ele pergunta e meu olhar fixa na lareira acesa a minha frente.
— Se algum dia ele chegou perto do meu pai antes que eu nascesse — o olho e ele assente.
— Farei o possível para encontrar algo — ele diz e beija a minha testa. — Quero te mostrar uma coisa — ele levanta e me puxa pela mão. Ele me leva para uma grande biblioteca, e me encosta em uma estante, meu coração começa a bater loucamente. Não tenho um bom pressentimento sobre isso, e você? — Me desculpa, — ele pede enquanto coloca as duas mãos ao redor do meu corpo. — não queria ter batido no Malfoy, mas eu fiquei louco! Fiquei louco por não me ouvir, por me subestimar — ele se aproxima cada vez mais e meu coração bate cada vez mais rápido. Merlim, fica longe Potter. — Você está me deixando louco, Annie — diz e seu olhar parece perdido. — Tem algo dentro de mim, está me deixando louco! — suas palavras soam como uma súplica. Harry, por favor, se afaste. Por que as palavras não saem? Por que elas estão presas na ponta de minha língua? — Eu quero tirar uma prova e saber o que se passa dentro de mim — diz e coloca uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha.

Seus lábios se aproximam e entro em desespero, não! Por que não consigo afastá-lo? Seus lábios selam aos meus e começo a bater em seu peito, queria gritar para que ele me soltasse. Começo a empurrá-lo e ele segura minhas mãos, até que me transformo no animal dono das segundas batidas cardíacas: uma leoa! Ele se afasta enquanto rujo.

— Merda, Annie — resmunga e volto a minha forma humana.
— Não chegue perto de mim, Potter! — aponto o dedo para o seu rosto e ele ri.
— Não gostou? — pergunta e avanço em cima dele, dou um tapa em seu rosto e ele não ne olha.
— Você é um canalha — digo e ele continua olhando o chão. — Sua mulher está grávida no andar de cima e eu sou sua amiga. Te considero um irmão, Harry! — grito.

Aparato sem deixar que ele responda, chego em casa com as lágrimas descendo silenciosamente. Não havia ninguém na sala, mas ouvi o barulho do chuveiro no andar de cima! Subo as escadas e estou cada vez mais perto do som, preciso de ajuda. Quando estava na porta, o som cessa. Abro a porta e o homem de pele alva está parado no meio do quarto com uma toalha rodeadando sua cintura! Ele me olha e pareceu preocupado, ele vai no banheiro e volta com uma calça de moletom. Ele vem na minha direção e me abraça com força.

— O que aconteceu? — pergunta e me permito chorar em seu ombro.
— Preciso que me ajude, Malfoy — peço olhando seus olhos e ele beija a minha testa.
— Estou aqui para o que precisar, Annie — ele diz e me encolho em seus braços. — Me diz o que aconteceu para te ajudar! — ele pede e me puxa para a cama, se senta e me coloca deitada em seu colo.
— Harry é um babaca — digo e ele beija a minha cabeça.
— Pior do que eu? — começo a rir e ele me acompanha.
— Às vezes eu duvido de que você seja tão ruim, Doninha — sorrio e olho para ele, também estava sorrindo e me sinto confortada. — Quero ser sua amiga, Malfoy. Quero te ajudar e ser ajudada por você — ele me abraça com mais força.
— Tenho a impressão de que precisamos um do outro — devo concordar.

Eu preciso do Malfoy para me curar das cicatrizes do passado. 


Notas Finais


Obrigada por ler!


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