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História A Little Taste - Capítulo 5


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Notas do Autor


Oii amores!! Quero dizer que finalmente consegui terminar a short e ela saiu exatamente como eu queria, fiquei muito feliz. Como eu disse, a história é um mero clichêzinho mas eu tentei incluir alguns pontos diferentes e nesse capítulo vocês já verão sobre isso, assim como tudo daqui para a frente. Nem acredito que já estamos no meio... eu me diverti muitooo com essa fic. Enfim, espero que gostem e se divirtam também!! Boa leitura <3

Capítulo 5 - Termos


Fanfic / Fanfiction A Little Taste - Capítulo 5 - Termos

Martin rolou na cama macia, encarando o teto branco do quarto. Ergueu as pernas nuas do pijama curto e as esticou na cabeceira, o rosto cansado e os pensamentos traiçoeiros dominando-a por inteiro. O cheiro forte de fritura que vinha do balde de frango ao lado já estava nas paredes. 

Fechou os olhos e gemeu baixinho, soprou ar sozinha e apertou a coberta sob os dedos, irritada, entediada, tentando conter o acesso de estresse que formigou no corpo. Passou novos longos minutos daquela forma, agitada no próprio silêncio, tentando expulsar o rapaz de olhos claros da cabeça.  

Pensar em Jackson era desgastante, mas não tanto quanto lembrar do que tinha acontecido dias atrás. Martin ainda sentia-se estúpida e imatura por ter dito que estava com Stiles, colocando os dois na situação que julgava ridícula. Evitou o garoto nos dias que seguiram ao encontro com Whitemore na escola, tentando dá-lo espaço e ainda sentir-se melhor por fingir que não tinha feito nada. 

Stilinski a ignorou apesar dos olhares chateados em meio as aulas da semana. Foi o suficiente para ela entendê-lo. Mordeu a boca grossa e engoliu o bolo ácido na garganta, irritada consigo mesma, de repente açoitada por uma vontade irracional de cruzar com o ex-ficante e conseguir uma discussão. 

Batidas na porta adormeceram seus neurônios ardidos por um instante. Ainda de barriga para cima, Martin apertou as coxas por reflexo e não se deu ao trabalho de olhar para a entrada do quarto.  

– Estou bem, papai. – Murmurou exausta. – Eu já disse que não quero jantar. 

A maçaneta girou, fazendo os olhos verdes revirarem. Lydia virou de barriga para baixo e seus olhos correram para a porta, encontrando o rosto aborrecido e corado de Stiles. Por um único segundo a visão do garoto deslizou pelas costas e bunda apertados na roupa curta de seda, mas ele se esforçou para concentrar-se nela quando as sobrancelhas ruivas se uniram em dúvida. 

Martin analisou a camiseta jeans de manga longa e apertada no corpo de músculos magros, como os all-stars pretos e a calça igualmente jeans pareciam preenchê-lo com charme e um contraste perfeito com a pele pálida. O cabelo castanho e curto estava penteado para o lado e o rosto dava a impressão de a barba ter sido feita. 

Stiles engoliu nervoso, se desconcentrando de toda a exposição de pele da garota, ignorando o latejar do quadril. Fechou a porta e a encarou frustrado, pousando as mãos na cintura. Martin continuou paralisada, seus olhos devorando a roupa bonita e o cheiro viril que a atingiu, a nuvem de perfume definitivamente vindo dele e percorrendo o cômodo. 

– Por que você está na cama?! – Questionou ele, quase irritado. 

Martin fechou a boca entreaberta e franziu a testa, surpresa com o tom rígido. Levantou-se dos lençóis embolados e rolou as pernas para fora da cama, caminhando até ele sem importar-se com a exposição do corpo na roupa curta. Seus olhos o acusaram antes mesmo de chegar até o garoto. 

– Como você entrou aqui?  

Ao parar em frente a ele, a onda do cheiro masculino ficou mais intensa. Lydia poderia gemer com o perfume agradável, e por um momento se viu desejando que o aroma impregnasse no quarto. Stiles balançou a cabeça, quase perturbado – por todos os motivos possíveis – e olhou para a cama atrás dela como se procurasse a resposta para a própria pergunta. 

– Seu pai me deixou subir. – Explicou. Correu os olhos rapidamente pelo pijama de seda preto, a visão acelerando seu pulso. Seus olhos brilhantes de sensações adormecidas e frustração se concentraram no rosto intocável dela mais uma vez antes de dizer: – Por quê você não está pronta? 

– Para o quê? 

– A festa de lacrosse do Isaac.

O rosto da garota amoleceu quando a compreensão a atravessou, e suas bochechas coraram.  

– Eu... – Ela engoliu, nervosa. Balançou a cabeça. – Achei que você não fosse querer... quer dizer... 

– Mandei uma mensagem no seu celular meia hora atrás. – Disse ele. – Ficamos quatro dias sem conversar e você já esquece do nosso namoro? 

Martin franziu a testa com o deboche agarrado na voz masculina e divertida, desejando socá-lo no ombro. Ela bufou e cruzou os braços. O movimento foi engolido pelos olhos castanhos que focaram no busto cheio por um único instante, tornando a olhá-la nos olhos nervosos. 

– Você estava contando? – Provocou ela, e um sorriso sombrio passou pela boca grossa.  

Stiles passou uma mão pelo cabelo e a ignorou, seus olhos correndo curiosos pelo quarto dela. Ele avançou alguns passos, olhando para a penteadeira arrumada e a cama bagunçada. Seu rosto divertido a procurou por cima do ombro.  

– Isso não combina com você, Martin. É deprimente. – Ele indicou o colchão com o queixo. – Você estava se empanturrando de nuggets? – Aproximou-se da cama e pescou o balde de frango, sentindo o cheiro forte que subia no quarto. 

Lydia rosnou e a impaciência marcou os traços de seu rosto quando ela olhou para o outro lado. 

– Se você veio aqui me dar lição de moral... 

– Não, eu não vim. – Cortou suave, devolvendo o balde no colchão. Virou-se para ela e enfiou as mãos nos bolsos frontais da calça. – Eu vim buscar a minha namorada para a festa de lacrosse, embora você pareça ter esquecido do cargo que me colocou. – Martin tornou a cruzar os braços, tentando decidir se o rosto impassível do jovem a irritava. – Você tem meia hora para não chegarmos atrasados. E fique bonita, se você quer pisar no calo de Jackson precisa mais do que gordura trans na sua cama numa sexta de noite. 

O garoto deu uma última olhada no cômodo antes de passar por ela e caminhar para a porta.  

– Vou conversar com seu pai, não se atrase, por favor. 

Lydia ficou quieta, paralisada nas reações disparadas no corpo mesmo depois que Stilinski fechou a porta e a deixou sozinha. Ela respirou fundo e procurou pelo espelho na parede, encontrando o cabelo num coque desleixado e o rosto caído em exaustão.  

– Merda... 

** 

Quando Charlie Martin sumiu na cozinha, alegando precisar cuidar da preparação do jantar, Stiles assentiu e voltou para a sala, decidido a não importunar mais o falso sogro. Parou perto do sofá e observou os móveis na própria distração, verificando o relógio no pulso. Aproximou-se da janela e espiou do lado de fora na rua e ao abaixar os olhos, soltou um sorriso pequeno com a imagem diante dos olhos. 

Pescou um porta retrato da estante, observando uma criança de aparelho vermelho e cabelos ruivos e esvoaçantes – igualmente vermelhos –, sorrindo para a câmera com um vestido rosa contornando o corpo. Ao devolver o objeto, leu alguns títulos dos livros organizados, contemplando o nome de “Natalie Martin” em alguns deles. Stilinski se viu submerso nos detalhes da capa da borda de um exemplar que continha algumas rosas vermelhas e em alto relevo.

Saltos na escada distraíram o garoto. Ele se voltou para o som, o estômago agitando-se com borboletas ardentes quando Martin surgiu na base dos degraus. 

O vestido preto e apertado abraçava o corpo pálido e modelado, expondo toda a pele depois do meio das coxas. As alças finas destacavam a clavícula saltada e as costas – metade descobertas – estavam decoradas pelos cabelos ruivos que caiam em ondas, jogados para um lado da cabeça.  

Stiles foi puxado para lembranças da infância, e de repente seu pulso disparou com a saudade e a melancolia ao lembrar-se da primeira vez que a viu, quando Lydia ainda era uma menina de cabelos agitados. Ele ignorou as mãos suadas, aproximando-se dela. A presença alta e os olhos firmes do garoto congelaram a ruiva por um momento. Ela engoliu em seco e se proibiu de arrancar o batom pêssego, ansiando passar a língua pela boca.  

Encurtou a distância entre eles com a súbita coragem que bateu nos músculos, parando em frente à Stilinski. De perto, ele a analisou com mais vigor. A maquiagem fraca em contraste com o delineado fino e os cílios enormes fizeram-no agarrar um suspiro admirado. 

Martin ignorou a estranha sensação de derretimento que a enfraqueceu, se firmando nos saltos curtos enquanto arranhava a garganta.  

– Espero que esteja à altura, Bilinski.  

Stiles sorriu. Orgulhoso, fascinado, divertido. Lydia sentiu um formigamento diferente no peito, e a sensação intimidou seus sentidos, obrigando-a abaixar os olhos. Charlie surgiu na entrada da cozinha, analisando os adolescentes com um sorriso tímido nos lábios. 

– Você está linda, filha. 

Os olhos do pai brilharam, e Martin sorriu com um aceno quase tímido em resposta.

– Obrigada. – Reduziu-se a uma fala baixinha. – Vamos, Bilinski?

Stiles a reprimiu com um bufar, mas acabou por assentir. Pousou a mão na cintura feminina, olhando para Charlie que ainda estava há alguns passos.

– Voltaremos cedo, Mr. Martin.

– Tudo bem, divirtam-se. E se cuidem.

O garoto acenou sem jeito. Quando saíram pela porta de entrada da casa, Lydia ainda segurava uma risada baixinha.

– Fala sério. – Ele murmurou, irritado. –  Bilinski na frente do seu pai? Ele deve achar que você namora um idiota.

– Esse sobrenome inventado é ótimo, Stiles. E não se preocupe com seu falso sogro.

Ele revirou os olhos e manteve-se calado. Juntos, seguiram pela calçada de entrada da casa. Ao chegarem no carro, o garoto abriu a porta e a convidou para entrar com um sorriso de mil palavras não ditas.

Apesar de quase desconfortável com a educação e o jeito fácil dele, a vergonha que ainda ardia nas têmporas tornou a queimar as bochechas da garota quando ela afundou no estofado. Viu Stiles contornar o veículo e sentar ao lado dela, rangendo a porta que fechou. Ele começou a dirigir em silêncio, mas logo expulsou a dúvida incessante acesa na cabeça.

– Sua mãe vivia dos livros? 

– Por que? – A Martin franziu o cenho.

– Curiosidade. – O garoto deu de ombros. – Vi alguns exemplares na estante. 

– Ela era professora também, amava as duas coisas. – Lydia deu um sorriso triste. – Ela vendeu pouco enquanto estava viva, mas as histórias são boas.

– Você já leu algo dela? 

– Já sim. Ela era genial. – Os olhos verdes voltaram para ele que encarava os próprios pés, parecendo pensativo durante a caminhada. – Você já?

– Não. – Ele deu de ombros. – Mas parece bom.

– Sim, é bom. Ela escreveu três obras dedicadas à nossa família. – Martin disse baixinho, o rosto preenchido por pesar e algum orgulho. – Eu acho que foi o jeito que ela encontrou de..., sei lá, sempre estar com nossa família de qualquer forma. Eu meio que sinto ela por perto assim... Parece bobo, mas...

– Não, não é bobo.

– Não? – Testou ela, baixinho, encarando-o.

Stilinski revezou os olhos entre a estrada e ela por um momento, e então deu um sorriso triste. Ele respirou fundo, os dedos apertaram no volante com os sentimentos reprimidos, a voz macia quando tocou os ouvidos dela.

– É sua mãe, Lydia. Não importa como você queira senti-la, é verdadeiro se você acredita nisso.

Lydia pode jurar que seu coração derreteu com fervor. Por alguma razão, um traço de vergonha ruborizou suas bochechas, mas isso não a impediu de continuar olhando-o mesmo quando Stiles já estava virado para a frente outra vez. Só percebeu o que ainda estava fazendo quando os olhos castanhos e vivos caíram nos dela, fazendo-a se punir e arranhar a garganta, voltando para frente de súbito.

Ansiosa, batucou os dedos no próprio colo enquanto ao lado, o Stilinski bufava e retomava uma nova tentativa frustrada de dirigir. O olhou de esguelha, quase curiosa, mas Stiles não retribuiu. Movida por impulso, libertou o primeiro pensamento que a cortou em meio ao silêncio.

– Por que você concordou, Stiles?

Ele a olhou de relance, ganhando tempo enquanto ficava quieto. Esforçou-se para buscar uma resposta digna, mesmo quando ela não existia. Por fim, sendo observado por ela, piscou algumas vezes e um vinco tenso de curiosidade brotou entre as sobrancelhas.

– Com o quê? 

Os olhos verdes reviraram. 

– Você sabe com o quê. Você me ignorou a semana inteira e agora decidiu que quer fazer isso? 

– Nós fizemos uma espécie de acordo, Martin. Eu espero que você esteja ciente disso. – Ela abriu a boca para protestar, mas ele prosseguiu: – E eu achei que pudesse ser uma boa oportunidade para ver como Malia reagiria.

– Essa é sua maneira de saber se a garota está afim de você?  

Lydia virou-se para ele, seus olhos lampejando de indignação e conflitos que ele não conhecia. Stiles ignorou o tom quase debochado e gemeu baixinho. 

– Você está reclamando? Se você quiser eu posso desistir e poupar nós dois do problema todo.  

– Não é o que estou dizendo. – Disse ela, baixinho. – Eu não quero que você desista.  

A voz chateada fez algo dentro do garoto corromper em remorso. Ele a lançou um olhar, estudando o semblante chateado e suas estruturas de estresse derreteram. Xingou-se internamente e mais baixo e fora da defensiva, lambeu os lábios com nervosismo e se corrigiu.

– Podemos fazer isso funcionar, tudo bem? – Martin o encarou com receio, mas ele prosseguiu. – Você mesma disse: mãos na cintura e amor saindo da minha boca de uma maneira melosa.  

No fundo, Lydia sabia que estava grata e realizada por ele estar compactuando com a situação mirabolante. Ela esperava que até o final da noite pudesse tomar coragem para expor aquele pensamento.

Passaram o resto do trajeto em silêncio, Lydia formigando na própria cabeça enquanto Stiles dirigia, tentando conter as borboletas do estômago.  

Ele freou o jipe em uma fila de carros de uma rua barulhenta, minutos depois. De longe, observaram adolescentes grogues dançando e bebendo no gramado da casa de Isaac, a balbúrdia desenfreada de gritos de êxtase escapando das janelas da casa. Saíram do carro mas antes que Stilinski caminhasse para longe, Martin o segurou no braço, atraindo seus olhos curiosos. 

A ruiva deu uma ligeira olhada em volta, conferindo se estavam sozinhos, e bufou antes de encará-lo. 

– Precisamos organizar nossos termos. – Disse ela. 

Stiles enrugou a testa em dúvida, ainda em silêncio. 

– Sem beijos, nada muito meloso e sem mão boba. 

– Sou a favor de vetar o último. – Murmurou ele, uma decepção zombeteira no rosto. – Você reparou que os casais de prestígio do colégio são bem descarados? 

Lydia rosnou e em um lapso de estresse nas veias, agarrou o garoto pela mão e começou a arrastá-lo com tudo que podia de seu corpo pequeno. Stilinski a acompanhou, deixando-se levar, uma gargalhada escapando na garganta ao se divertir com ela.

Por fim, ele se silenciou e entrelaçou os dedos de bom grado, ainda sendo puxado pelos passos firmes da garota. 

– Já começamos mal, Lydia. – Ele debochou, brincando. 

Ela revirou os olhos e parou, virando-se para ele com olhos fulminantes. 

– Você consegue levar alguma coisa a sério?  

– Lydia, nós estamos namorando de mentira. Você consegue levar isso a sério? 

– Estou me esforçando, Bilinski. – Cuspiu ela, ríspida, irritada com o semblante bem-humorado.  

Ele se calou de súbito, observando-a cruzar os braços e cobrá-lo em meio ao silêncio. Um fio tenso esticando sua consciência o fez soltar um palavrão baixinho.

– Tudo bem, desculpe. – Pediu por fim, soltando um suspiro. – Vamos fazer isso, okay?

Ele se aproximou e pegou a mão dela. Dessa vez, seus dedos eram firmes de uma maneira carinhosa e segura, a pele quente do garoto aquecendo-a por inteiro.  

Ela engoliu nervosa com a proximidade repentina, o cheiro de Stiles se infiltrando no oxigênio que Lydia respirava. Ignorou os indícios de suor que escapavam da própria mão, tentando fingir indiferença, mas de repente era como se seu coração angustiado gritasse por Jackson enquanto seus sentidos traiçoeiros agora se coçassem por Stiles.  

– Sua mão está suada.  

Ele bufou, assentindo. 

– Desculpe. 

– Nervoso? 

– Se concentre, amor. 

Ela revirou os olhos. 

– Tente não fazer isso no meio dos outros. Não sei se você sabe, Martin, mas um namoro funciona com duas pessoas apaixonadas. 

– Cale a boca. – Pediu ela, irritada com o sorriso debochado no rosto dele. 

Eles seguiram pela calçada escura, ignorando os olhares que alguns alunos do colégio lançavam e os cochichos baixos que se seguiam. Stilinski concentrou-se em firmar as pernas e não se distrair com o fervor dos neurônios. Estar ao lado de Lydia, segurando-a na mão em público era um soco em sua paixão platônica de infância, quase como se já estivesse novamente caído naquela poça doce de ilusão e desejo ingênuo.  

– Estão falando sobre nós.  

Os olhos castanhos se prenderam nos verdes por um instante.  

– Claro que sim. – Murmurou ele. – Você largou o capitão do time por um ala, Martin.  

– Ele quem me chutou. E aliás, não vejo como isso pode ser tão ruim. – Ela deu de ombros, uma sinceridade crua na voz baixa. O coração do garoto deu um pulo. – Ouvi dizer que você é popular, Bilinski.  

O garoto soltou uma risada baixa, balançando a cabeça.  

– Não tanto quanto você, Martin.  

Foi a vez de Lydia sorrir e suas bochechas a traírem com uma cor vermelha sutil. Eles seguiram para a entrada da casa, o som alto quase balançando as janelas e consumindo o jardim. Copos de festa e garrafas de cervejas estavam espalhadas pelo gramado, jogadas aos pés de vários grupos de alunos que conversavam e riam sozinhos.  

Stiles e Lydia subiram as escadas e entraram na sala reduzida a corpos suados e dançantes. Apesar da casa de Isaac ser grande, o lugar remetia à um cubículo com tantas pessoas. Um grupo de garotos sorridentes se aproximaram com bebidas nas mãos. 

– Stiles! – Um deles cumprimentou. 

Stilinski abraçou um deles com tapinhas nos ombros, cumprimentando os outros colegas com acenos. Martin correu distraída os olhos na festa, incerta de como agir ou o que fazer.  

– Você está atrasado. – Um dos garotos disse. 

– Eu precisei... – Stiles lançou um olhar para Lydia, vendo-a parada e sem reação. Ele arranhou a garganta pegou a mão dela de novo, sorrindo tão doce e tranquilo que fez o coração da garota dar um pulo. – Precisei pegar minha namorada em casa. Essa é a Lydia. Lydia, esses são alguns colegas do time. Jacob, Alan, Patrick, Kevin e Ryan.  

Martin corou, sem conseguir se importar com o acesso de vergonha. Ela sorriu e os cumprimentou com uma timidez incomum, o que divertiu Stiles. Ele observou os colegas sorrirem e devolverem o “Oi” contido dela, embora o desejo velado nos olhos dos adolescentes também o fizesse desejar rir. Ele sabia que ninguém esperava vê-lo com alguém como Lydia, ainda mais de forma tão repentina.

A garota ruiva buscou refúgio nos olhos castanhos quando percebeu que o silêncio entre eles pareceu longo demais diante dos olhares curiosos dos rapazes.  

– Nós... vamos beber alguma coisa. – Disse Stiles, quase fazendo-a suspirar de alívio. – Vejo vocês daqui a pouco. Viram o Scott? 

– Eu o vi subindo as escadas com uma loira bem gostosa. – Disse Alan, com um sorriso maldoso.  

– Tudo bem, obrigado. 

Martin deu um último sorriso antes de Stiles a puxar pela mão, andando para dentro. Eles se infiltraram nos alunos agitados, atravessando até a cozinha. O cômodo era menos barulhento e lotado.  

Algumas novas garrafas vazias de cerveja decoravam o balcão e a maioria dos armários estavam abertos, mas, ainda assim, era mais limpo do que o próprio jardim naquela noite. Dois grupos de adolescentes estavam nos cantos da cozinha, perto de balcões sorrindo e conversando animados. 

– Você quer beber alguma coisa? – Stiles sugeriu. 

Lydia lançou um olhar para as mãos unidas em baixo deles e soltou um gemido baixinho.  

– Por favor.  

– Admita que você nem está odiando tanto assim... – A provocação do garoto foi enfatizada com uma piscada, e ele a soltou. 

Caminhou em direção ao freezer da cozinha e pescou duas garrafas pequenas de cerveja. Martin fez um biquinho impaciente, mas cedeu a verdade que acendeu na cabeça. 

– Estou irritada comigo mesma, Bilinski. – Disse baixo, com vergonha. –  Não se preocupe com isso.  

– Desde que minha namorada pareça feliz comigo, não vou me preocupar. 

A ruiva soltou um sorriso forçado e suas mãos o tocaram nos braços, puxando-o para perto. O corpo do garoto poderia a pressionar contra o balcão central da cozinha se Stiles se forçasse para a frente, e por um momento ela desejou que ele o fizesse. A garota sorriu maior e seus olhos brilharam de certezas forjadas, mas que foram capazes de acender o coração de Stiles. 

– Eu sou a mulher mais feliz do mundo, amor... 

Ele estava distraído no fingimento dela, ainda sendo atingido pelas emoções genuínas, quando os olhos castanhos pularam para algo atrás da Martin, em direção à entrada da cozinha. Ele apertou os dentes sutilmente e uma névoa escura domou o rosto antes tranquilo. Lydia o analisou de perto, quieta, sem preocupações extras com o que poderia estar o incomodando. O maxilar com resquícios de barba e a boca bem desenhada de repente tomaram toda sua atenção. 

Segundos se arrastaram até Stilinski gemer e a tocar na cintura, apertando-a com força. Martin ofegou com o contato robusto, confusa, mas sentiu os músculos contraírem com a mão enorme em cima do vestido.  

– Porra..., ele é irritante.  

Lydia cogitou olhar para a porta, mas se conteve, imaginando de quem ele falava. Um lampejo de culpa a atingiu em cheio no peito. Ela mordeu a boca grossa, analisando o desconforto dos olhos castanhos, e então pegou a garrafa de cerveja da mão dele e a deixou no balcão junto com a dela. O segurou na mão. 

– Vem. – Pediu ela, puxando-o para a saída. – Vou te distrair.  

O tom divertido e quase malicioso na voz dela acendeu chamas na pele de Stiles, mas ele a seguiu sem interrupção. Atravessaram a divisão da cozinha e invadiram a sala lotada de corpos suados e barulhentos. Martin se infiltrou na multidão, puxando Stilinski com ela, e parou em um canto da parede.  

Virou-se de costas para a parede e puxou Stiles para perto, envolvendo o pescoço masculino com as mãos sem aviso prévio. O garoto engoliu seco, nervoso, atacado pela explosão de desejo que zuniu nos pensamentos, e o sorriso tranquilo que ela o deu pode deixá-lo quase em inércia.  

Confuso, ele a tocou na cintura, as mãos enormes e firmes na silhueta bem desenhada. O perfume feminino subiu entre eles, entorpecendo os sentidos de Stiles, crescendo em todas as suas fantasias antigas. Ele balançou a cabeça de leve e se aproximou dela, a boca pairando na orelha coberta pelo cabelo. 

– Eu não sei dançar, Lydia. – Disse ele. Apesar de desconfortável, não existia nenhum traço de vergonha ou culpa no timbre da voz grossa, o que a agradou. Ele chegou até a despejar uma risada curta e embaraçada no ouvido dela. – É sério... eu sou péssimo.  

Martin riu contra ele, seus dedos macios o arranhando de leve ao fincarem no pescoço pálido. Ela amoleceu contra a parede por um instante, dominada pelo corpo enorme contra o dela, e conteve o fervor das entranhas ao morder a boca e se concentrar. Também na orelha dele, disse: 

– Achei que meu namorado fosse flexível. – Provocou baixinho. 

Uma risada quente a inundou de dentro para fora, o som vindo dele agitando-a até os ossos. Ele tornou a apertá-la na cintura, contendo o desejo de escorregar o toque, tentando decorar cada curva do corpo bonito.  

– Sou flexível em vários momentos, mas dançar não é bem a minha área.  

Lydia mordeu a boca com mais força, fechou os olhos o puxou mais para perto, as mãos femininas escorregando para a cintura dele. Com as pernas entrelaçadas, pressionou os quadris, apreciando o calor do corpo masculino, e sua cabeça era vazia de preocupações. Stilinski segurou um gemido de frustração, as mãos subindo ao rosto dela ao afastar-se e olhá-la nos olhos. 

Nem o coração disparado e as mãos suadas o impediram de pensar, de segurar-se para não atravessar a linha que sabia não ter volta. Estar perto da garota já era um teste de sanidade há muito tempo, mas não se comparava com o fato de estarem peito a peito daquela forma, as bocas perto de uma maneira quase dolorosa, as mãos firmes com promessas maliciosas. 

– Lydia... – Seu sussurro era um aviso em tom morno, mas ela não o entendeu. – Eu sei que nós estamos fing... 

Stiles se calou quando a boca quente da garota pressionou contra a sua. Ele respirou fundo, confuso, sentindo as estruturas internas despencarem com o gosto doce do hálito de Martin contra o seu.  

Ela fechou os olhos, se encorajou com um suspirar baixinho, e agradeceu pela cabeça e o coração estarem quietos. Um instante depois, ela arriscou um movimento, sua língua macia e molhada tocando os lábios finos, e então Stilinski reagiu. O garoto fechou os olhos e as mãos se firmaram no rosto dela, a boca movendo-se com calma, tocando-a, aquecendo os hormônios da garota.  

Lydia amoleceu de vez contra a parede, puxando-o para si, permitindo que ele se certificasse de segurá-la enquanto era dominada pelo torpor de desejo e impulsos faiscantes. As mãos firmes no corpo feminino fizeram-na praticamente derreter, provando-o por inteiro, um desejo avassalador formigando dos pés à cabeça. 

Quando Stilinski se afastou, seu corpo era uma massa de melancolia e os gritos de sua consciência ensurdecedores. Ele mordeu a própria boca, confuso, surpreso, seus olhos brilhando com uma sagacidade que Lydia ainda não tinha visto. Despejou um arfar, tentando discernir fantasias da realidade, mas o calor do corpo da garota contra seus dedos o assegurou de não estar imaginando. 

O gosto dela ainda se misturava ao dele. Apesar dos adolescentes em volta e a música alta, Stiles ainda se sentia perdido e deslocado. Ele arranhou a própria garganta e então assistiu um sorriso passar pela boca dela.  

– Finalmente eu calei sua boca, Bilinski.  

Um segundo foi o suficiente para o comentário atravessar a imersão de êxtase nos pensamentos do garoto, fazendo-o rir. Martin mordeu a boca grossa e abaixou os olhos, as mãos ainda o segurando na cintura como se tivessem receio de que ele pudesse sumir caso o soltasse.  

Naquele momento, quase não se lembrava do porquê estava ali, do que realmente significava estar ali com Stiles, e os impulsos que a fizeram beijá-lo ainda percorriam pelas veias. O coração apertou e aqueceu de uma maneira diferente, mas Lydia lutou contra a sensação, decidida a aproveitar o terno momento em que não existiam novos arrependimentos na cabeça.  

Stiles ainda estava perto dela, as mãos caíram para os cabelos ruivos e ele não se preocupou em tomar distância. Olhou por cima do ombro, vistoriando a festa barulhenta, encontrando a tempo Scott chegando perto dele com um sorriso de orelha a orelha e a boca marcada por um batom rosa e borrado. O brilho nos olhos do moreno acenderam conclusões em Stiles antes mesmo que o melhor amigo falasse. 

– Bilinski! – Urrou Scott, batendo-o no ombro com força demais, fazendo-o bufar.  

– Porra... que onda é essa com meu sobrenome?  

– Cara, você tem batom na boca... – Os olhos grogues pararam em uma Lydia relaxada contra a parede, que comprimia os lábios e continha o chacoalhar dos ombros com as gargalhadas que ameaçavam subir na garganta. – Ruiva! – Cumprimentou ele, animado. – Você está linda.  

– Obrigada. – Gritou ela pela música.  

McCall segurou Stilinski nos ombros, balançando-o ligeiramente para trás, obrigando-o a tirar as mãos da garota com o desequilíbrio. Ela lamentou com um suspiro chateado, sentindo que ele estava longe demais, e ao mesmo tempo assustada com a própria conclusão. A boca formigou com a lembrança do beijo recente, o corpo domado por sensações novas, disparadas por Stiles.  

Como se tentasse convencer a si mesma de que estava se precipitando, deixando-se levar pela emoção – qualquer que fosse – causada pela situação, procurou por Jackson ao redor da sala lotada, mas o loiro estava fora de sua vista. 

– Seu plano está dando certo. – Disse Scott ao aproximar-se da orelha do amigo. – Ouvi dizer que Jackson quer cortar seu pau fora. 

– Mesmo?

– Sim, o cara está puto.

Stiles e Lydia trocaram um olhar. Ela entendeu parte da conversa, mas foi o suficiente para sentir-se dividida de tantas formas que sequer entendia. Era sombriamente bom provocá-lo, mas ainda era péssimo sentir-se estúpida. Ela apertou a mandíbula, encarada pelo namorado falso que parecia ser capaz de entender o que ela pensava somente pela maneira que seus olhos castanhos brilharam em preocupação.

– Eu vou ao banheiro. – Disse ela, precisando repentinamente de espaço.

Stiles assentiu, vendo-a se distanciar. Lydia atravessou a sala, desviando de corpos frágeis e dos empurrões que vinham em sua direção, seguindo para as escadas. Quando sumiu no andar de cima, Stilinski finalmente voltou a atenção para o melhor amigo. McCall sorriu, estreitou os olhos bêbados com alguma desconfiança. 

– Esse batom... é dela, não é? – Gritou ele, entusiasmado. Apesar do estado, uma felicidade genuína brilhava em seus olhos. – Você a beijou? Não reparei na boca dela... 

– Ela me beijou. – Disse ele. – Beijou pra caralho, Scott.  

McCall riu, os ombros balançando e o sorriso rasgando o rosto preguiçoso. Stiles sorriu sozinho, o peito formigando, enquanto erguia os olhos para as escadas como se esperasse que Lydia estivesse descendo por ali.  

– Vem, vamos pegar uma cerveja! – Scott chamou, vendo o melhor amigo assentir. 

Lá em cima, Lydia seguiu pelo corredor repleto de copos e entrou no primeiro banheiro que encontrou, satisfeita por não ter fila. Distraída, abriu a porta, mas um vulto surgiu diante da visão. Um corpo trombou contra o dela, forte demais, e de repente seu braço e colo foram inundados por líquido. O cheiro de álcool subiu, colando na pele pálida, a bebida escorrendo pelo vão dos seios embaixo do vestido apertado.  

– Mas que porra... 

Lydia encarou o próprio colo, a cabeça ainda nublada com a confusão, mas ao erguer os olhos furiosos, o lampejo de Hannah com olhos miúdos de arrependimento e roupas amassadas travou de vez seus pensamentos. Martin observou a silhueta atrás dela, encontrando uma cabeça loira familiar ajeitando a camisa no corpo. 

– O quê... 

Lucille soltou uma espécie de sorriso de desculpas, abaixando os olhos enquanto a irmã mais velha ainda tentava acreditar se o vislumbre dos próprios olhos era real. Os lábios grossos caíram ao observar que Hannah também tinha roupas amarrotadas e o batom uma confusão alastrada em torno dos lábios cheios.  

O coração da garota apertou tanto que ela pode jurar que quebraria ao meio. Os olhos arderam em fúria, mas Lydia se proibiu de chorar, sufocando o desejo aterrador e amarrando a própria garganta, irritada consigo mesma por ainda se abater. Fechou as mãos em punho, buscando por ar, satisfeita por nenhum dos dois olharem-na nos olhos. 

– Que porra é essa?! – Esbravejou baixo, a voz apertada em desgosto.  

Jackson suspirou e apoiou as mãos na pia do banheiro, encarando o próprio reflexo. Ele parecia quase entediado com a possível conversa. Hannah fechou os olhos e xingou baixinho. 

– Lydia, não é... 

– Não fale comigo.  

A voz de Lydia cortou o ar como aço. O rosto de Hannah amoleceu, um segundo preenchido por culpa e então moldou-se em impaciência e algum traço de rancor. Passou pela irmã, trombando-a no ombro e marchando para fora do corredor. A ruiva arfou, retomando o equilíbrio, a cabeça ainda girando em lapsos que desejava serem irreais.  

Umedeceu a boca grossa e balançou a cabeça, sem se importar com o vestido cheirando à bebida, atraída pelo coração esmagado. Um minuto de silêncio correu no banheiro pequeno. A música do andar de baixo, risadas entoando, cortando o ar denso como se fossem imaginadas. Nenhum sinônimo de alegria passava pelas paredes de cerâmica do banheiro.  

Lydia ficou paralisada, dividida entre a vontade de correr para longe, se aproximar e dizer que o odiava, ou ainda permanecer ali, quieta e invisível. Segurou as lágrimas nos olhos, proibindo-se, se concentrando no fervor de raiva que aquecia a boca do estômago.  

Jackson finalmente se arqueou com um respirar fundo, passou uma mão pelo cabelo e ajeitou a gola da camisa, olhando-se no espelho. Martin encarou o corpo forte e atlético, pensando na última vez que esteve com ele, e odiando cada lembrança daqueles dedos contra sua pele.  

– Não precisa se preocupar, sua irmã estava um pouco bêbada e veio para cima de mim. – A falta de emoção na voz masculina foi como um soco na garota. – A gente só se pegou um pouco, ela já deve ter esquecido.  

– Qual é a porra do seu problema?! – Esbravejou ela, entre dentes. Seus olhos pregaram nos dele que ameaçadores, a encararam. – Você disse que estava com a Lauren e agora você quase comeu a minha irmã em um banheiro?! 

– Preferia que fosse você? – Uma diversão sombria brincou no rosto dele, fazendo-a se resetar por um instante. – Eu teria te chamado se aquele merda do Stiles não estivesse com as mãos na sua bunda. Você gosta dele, então? Disse que estão juntos desde antes de nós. 

– Não existe nós! Nunca existiu. – Disse ela, irritada, esquecendo-se do que ela própria havia dito a ele. – Eu posso fazer o que quiser, Jackson. Eu não quero você se metendo na minha vida. 

– Não era bem isso que você me dizia quando estava em cima de mim.  

Lydia balançou a cabeça, enojada, e suas forças evaporaram. Segurou uma nova onda de lágrimas com o sorriso bêbado e provocador de Jackson, seus pés arredando passos para o corredor.  

– Nós dois sabemos que é de mim que você gosta. 

Não suportando mais olhá-lo, ela saiu para o corredor e se afastou, ofegando, e um segundo fora do cômodo foi o suficiente. Seus olhos drenaram lágrimas grossas e escorreram pelas bochechas pálidas, mas Martin não virou para trás, incapaz de cogitar deixá-lo vê-la chorando. Apertou firme as mãos em punhos e parou no meio do corredor, trazendo uma mão às têmporas.  

Ficou quieta, ignorando as pessoas que passavam e sequer a reparavam. Perdeu longos minutos em sua inércia dolorida, parada no mesmo lugar. Tudo a sua volta perdeu o sentido. 

– Ei, você estava demorando. Eu me distraí com o pessoal do time... 

Lydia ergueu os olhos tristes, encontrando o semblante relaxado de Stiles. Ele a analisou e a dúvida marcou suas feições bonitas, a preocupação fazendo-o erguer as mãos e tocá-la no rosto. 

– Por que você está chorando? – Perguntou ele, baixinho. 

Ela negou com a cabeça, fungou e a voz empoeirada respondeu: 

– Não é nada... pode me levar para casa? 

– Não até você me disser o que aconteceu. 

– Só... – Ela espremeu os olhos. – Estou sendo estúpida outra vez. Se você quiser ficar... 

– Foi o Jackson? 

Lydia encarou o garoto, surpresa por vê-lo encarando algo atrás dela. Martin olhou por cima do ombro, ainda confusa, enxergando Jackson parado no final do corredor, conversando com um colega.

Ela engoliu nervosa, voltando os olhos para Stiles. Ele tinha os ombros enrijecidos, uma fome animalesca no rosto habitualmente relaxado, e suas mãos estavam drenando toda a energia roída em ira.  

– Stiles... 

– Ele te disse alguma coisa? – Perguntou outra vez, mas seu tom não era agressivo.  

– Não foi nada... eu realmente só... 

Stilinski rosnou e passou pela garota, caminhando em passos largos em direção ao fim do corredor onde Whitemore já havia desaparecido. Fechou as mãos em punho, o coração apertado em revolta, seus passos rígidos, mas mãos delicadas o puxaram de volta para a realidade. 

Lydia o segurou pelo braço, atraindo a atenção que queria, e seus olhos eram tão aflitos e desesperados que acabaram por aquecer o coração desenfreado. Mesmo sem saber se ela queria defender Jackson por gostar dele, ou simplesmente fosse boa demais para permitir que Stilinski fizesse algo contra ele, a espécie de cautela e compaixão e reserva nos olhos dela o recordaram do por quê ele era apaixonado por ela.  

– Você não merece perder tempo com isso, por isso... Eu comecei toda essa merda pra começo de conversa. – Disse ela, aflita. – Não quero te encrencar. Me leve para a casa, tudo bem? Eu prometo contar tudo que você quiser saber.  

Stiles relutou, todas as suas entranhas urrando com o desejo oposto, seus ouvidos ignorando as palavras desesperadas. Mas, no fundo, sua resistência se partiu. Imaginar magoá-la mais doeu muito mais do que tudo que ele pensava que Jackson pudesse ter feito para gerar lágrimas nos olhos verdes. Ele assentiu à contragosto, os dentes apertaram com o desejo enjaulado, e Lydia suspirou de alívio. 

Ela fechou os olhos que agora tinham lágrimas secas, fungou baixinho. Ainda o segurando, dominada pelas cargas de emoções, passou as mãos pelo pescoço masculino e o puxou para perto. Stiles enrijeceu, confuso, mas ao ouvi-la respirar contra sua pele e o apertar firme, ele passou as mãos pela cintura estreita.  

Relaxou contra ela, cheirando o cabelo ruivo, permitindo que as emoções ruins evaporassem.  

– Você está cheirando a vodca. – Murmurou ele.  

Lydia riu contra o corpo forte, beijando-o no pescoço, arrepiando a pele de Stiles. 

– Eu sei.  

** 

Stilinski passou o trajeto todo em silêncio, contido em seu próprio alvoroço interno. Os dedos ainda formigavam com a vontade de encontrarem o rosto de Jackson, os neurônios coçavam de curiosidade e seu peito estavam adornado por sensações boas, alheio a todo o resto. Stiles sabia melhor do que ninguém que não conseguia se concentrar em muitas coisas ruins quando estava ao lado dela.  

Depois de tantos anos admirando a garota, fantasiando-a, ainda era estranho estar ao lado dela, ter algum vínculo com a Martin. Sem dúvida, seu mero adolescente de treze anos estava enlouquecido com estrelas nos olhos. Ele quase riu com o próprio pensamento.  A deu um mero olhar enquanto dirigia, vendo-a relaxada contra o banco, olhando pela janela.  

Lydia ainda estava enraizada nos pensamentos, moída por arrependimento, por considerar seus sentimentos estúpidos. Segurou a pouca vontade de chorar que surgiu, apreciando a gratidão que inundou as veias por ter Stiles tão perto, por ele ter cedido à vontade cega de um conflito quando ela pediu. 

Quando entraram no quarto dela, Martin verificou o celular. Constatou que o pai já estava dormindo, e o silêncio no corredor prometeu que Hannah ainda não tinha chegado, o que poderia a fazer gemer de alívio. Sabia que a relação com a irmã – que sempre foi instável – agora se tornaria uma verdadeira corda bamba.  

Stiles fechou a porta do quarto e se escorou na madeira, cruzou os braços. Viu Lydia dar passos preguiçosos e sentar na cama, massageando as têmporas. 

– Você está bem? 

Lydia pegou os olhos preocupados em seu rosto. Ela sorriu tristemente, assentiu e respirou fundo.  

– Você é o melhor namorado falso que alguém poderia ter. 

Stiles riu, o som leve e carregado de jovialidade preenchendo o espaço entre eles com faíscas. Lydia piscou brincalhona, lidando com o coração aquecido e o pulso em atropelos. Ela relaxou contra o colchão macio, os ombros caíram com um biquinho nos lábios. Suspirou e alisou as coxas nuas, gemendo quando o cheiro de álcool no vestido pareceu se tornar forte demais. 

Stilinski mordeu a boca com a incerteza do que fazer, ainda ressentido por ter aceitado o convite de entrar no quarto dela quando Lydia havia dito que Charlie já deveria estar dormindo naquele horário. Ele engoliu nervoso e caminhou até ela, fazendo-a erguer os olhos das coxas. 

Ele deu um sorriso triste, seus olhos brilhando de preocupação. Sem pensar muito no que fazia, por impulso e vontades antigas, estendeu a mão e tirou um fio de cabelo do rosto dela, prendendo na orelha. Martin derreteu sob os dedos macios, sob a doçura nítida no semblante dele, mas se forçou a esconder a emoção.  

– Não precisa dizer se não quiser. – Ele tranquilizou, baixinho. – Eu só quero que você fique bem, Lydia.

Seus sentimentos se enfrentaram, enfurecidos, o coração e mente apertados com receio e dúvida. Ela tornou a abaixar o rosto, pousou as mãos ao lado do corpo no colchão e apertou a coberta, buscando algum impulso de coragem. Suportar os olhos tão verdadeiros e carinhosos de Stiles pareceu uma das coisas mais difíceis que precisou fazer em meses.

– Jackson e Hannah estavam se pegando. – Disse ela, a voz baixa. Os lábios finos do garoto entreabriram em choque. – Os encontrei no banheiro. Ele só me disse que ela deu em cima dele, nós discutimos, mas não foi muito longe. 

– Eu sinto muito.  

– Eu sei. – Murmurou, um murcho sorriso de gratidão passando pelo rosto bonito. – Você fez mais do que eu podia imaginar, na verdade. Não acredito que aceitou fazer isso. 

– Eu faria de novo. – Os olhos verdes o encararam com afeto, e o calor agradável que a inundou de repente varreu a cabeça dela. – Jackson vai perceber que estragou tudo, não precisa duvidar disso.

Lydia respirou fundo, fechando os olhos. Uniu as mãos em cimas das coxas e sentiu-se mais uma vez estúpida, por várias razões. Mas, admirou que os olhos continuaram secos, ausentes de lágrimas.  

Stilinski encarou o rosto bonito e ainda maquiado, sua voz era macia e intocável quando incluiu: 

– Não deixe isso te afetar, tudo bem? Nós fizemos um casal bonito de mentira. Você viu o rosto dos meninos do time? Acho que Alan teve uma ereção só de você ter dito “oi”.

– Ah, meu Deus. – Ela sussurrou, levantando-se. Cobriu o rosto com as mãos e riu. – Pare com isso.

– Eu queria que fosse brincadeira, mas eu acho que realmente aconteceu.

Lydia gargalhou baixinho, tapando a boca com a mão. Sentado na cama, Stiles esticou os braços para trás e relaxou o colo, rindo, se divertindo com o quanto alguma parte dele se identificava com os semblantes carregados de luxúria dos colegas de time. Quando o silêncio inundou o quarto, Martin proibiu-se de observar o corpo exposto em sua frente.

Com receio de que o silêncio se tornasse desconfortável, ela apontou fracamente para o banheiro. Stiles ergueu os olhos para ela, parecendo ridiculamente bonito com o cabelo bagunçado e os resquícios de um sorriso na boca que mais cedo, tocou a de Lydia.

– Eu vou... tirar esse cheiro de álcool de mim, volto logo. – Ela caminhou para o closet, pescou um pijama e foi para o banheiro.  

Stiles não disse nada. Quando Lydia voltou meia hora depois com um conjunto de moletom com Bob’s Esponja estampados, Stilinski estava esparramado na cama, deitado de barriga para baixo. Ele estava de costas para ela, digitando no celular.  

Ao ouvir passos se aproximando, olhou por cima do ombro. Seus olhos se arregalaram por um segundo com algum pavor. Afobado, ele rastejou para fora da coberta e se ergueu, suas bochechas tomadas por um vermelho vivo enquanto balbuciava.  

– Desculpa, eu..., você demorou. Acabei deitando.  

Ele tentou ajeitar a coberta amassada por seu peso, puxando o tecido e alisando-o incansavelmente. Uma gargalhada correu pelo quarto. Lydia balançou a cabeça, seus olhos se apertaram de maneira adorável ao rir do desconforto dele, o coque em seu cabelo quase se desprendendo. 

– Deixe de ser idiota, Bilinski. – Disse ela, tranquila. – Eu não vou te enxotar daí. 

Stiles coçou a nuca ainda sem jeito, deu um sorriso comprimido de vergonha e pousou as mãos na cintura. Ele verificou a garota, encontrando os olhos verdes nos seus, mas não se atentou nela. Sua atenção foi sugada para todo o amarelo que cobria o tronco dela, e por um instante Martin acreditou que ele pudesse ter contado cada mini Bob Esponja estampado na blusa. 

– Que atrocidade de pijama é esse? O que rolou com aquele de seda preto e curto de hoje cedo? – Ele olhou para o closet aberto, procurando pela peça.

Lydia revirou os olhos. 

– Eu queria usar esse. Algum problema? 

– Só estou curioso. – Deu de ombros. – Veja se não é contraditório... – Ele sorriu por um segundo, sarcástico. – Durante o dia você é toda marrenta e de noite você dorme com isso.  

A garota gemeu e fechou os olhos. 

– Fala sério, Bilinski...

Ele riu baixinho e, natural, se aproximou e a beijou na bochecha, seu perfume fazendo-a exalar surpresa e atônita.

– Vou nessa, está tarde. Durma bem.

Ele sorriu antes de se virar e caminhar para a porta. Lydia ficou congelada e sem saber o que fazer, a pele formigando com a sensação dos lábios finos, e levou tempo para seus sentidos acordarem. Ela correu para a janela, movida por curiosidade e todas as outras emoções boas que a corriam, espiando pela cortina.  

Stiles estava chegando no jipe. Observou como as pernas longas se moviam, como as costas cheias de músculos magros pareciam sólidas, e sentiu o cheiro dele no pijama do corpo. Só deitou na cama quando o jipe em movimento sumiu na esquina.  

Deitada contra as cobertas macias no escuro do quarto, seu coração tornou a apertar, mas algo mais forte pareceu a confortar. Algum sentimento novo a aqueceu de dentro para fora. Enquanto a raiva rangia adormecida sob a pele, seu pulso acelerou com memórias boas e, pensando no garoto de olhos castanhos, Martin desceu até a sala. Pegou um dos livros da mãe e subiu ao quarto, ajeitando-se na cama. Abriu o exemplar e o devorou por longas horas naquela noite, tentando distrair os pensamentos que insistiam em voltar para Stiles. 


Notas Finais


Pessoal, cabe a mim admitir que odeio a Hannah? Se ela morrer no final vocês podem saber que foi um processo estritamente pessoal rsrsrs. Mas, tirando esse péssimo acontecimento, eu gosto muito desse capítulo. Tentarei postar logo de novo, até!! <3 ;)


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