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História A little wicked - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Capítulo 3


Bang shots fired

Pain is what you desire

Sabem, eu era jovem e ignorante, no auge da ingenuidade dos meus quinze anos e com o peso de todo um Império sobre as minhas costas, mas exerci meu poder com maestria, não me importava em ser odiada pelo meu povo, não precisava da aprovação pessoal deles, apenas da aprovação política. E sim, meus senhores, há uma diferença muito grande entre as duas coisas.

Fui coroada dia 24 de julho de 1941, uma semana após a morte trágica de meus familiares, deveras triste, de fato. Dois dias antes, Alemanha havia invadido a União Soviética e eu começaria meu reinado com problemas caindo no meu colo, deveria agir com sabedoria, uma sabedoria que uma garota comum de quinze anos não deveria possuir, mas a ordinariedade nunca foi uma característica minha. 

- Duquesa de Sussex... - O velho ministro da Corte* pronunciou, fazendo-me desviar o olhar da grande pilha de papéis em minha escrevaninha de mogno. 

O dia estava nublado e chuvoso, como se representasse a Inglaterra em relação ao meu reinado: em luto. A atmosfera era carregada e tudo cheirava a rancor. Mas eu estava protegida no grande Castelo de Windsor, longe de todo o ódio popular, as grossas paredes impediam o frio me atingisse e a que a realidade dos populares chegasse aos meus olhos. Também me impedia de enxergar a destruição que a Guerra causou, não era uma visão agradável. Era deprimente, cheirava a sangue e a corpos putrefatos. 

- Vossa Majestade, Mr.Churchill. 

O grande homem apertou seus lábios, demonstrando o claro desgosto pelo lembrete. Vi, perfeitamente, quando olhou ao teto, pedindo paciência e sabedoria ao seu Deus. 

- Certamente, Vossa Majestade. A invasão Alemã a grande União Soviética, deixa-nos em uma posição complicada.  

Sorri perante a fala inocente do representante, não, isso era um alívio para nós. 

- Mr.Churchill, devemos permanecer quietos. Teremos tempo de nos recuperar antes que Alemanha se torne novamente contra nós, eles querem construir um Império e, nisso, nenhum outro país é melhor que nós. 

Olhei novamente para a pilha a minha frente e e então para a janela, vendo a chuva cair fortemente. A Inglaterra ainda era grande, mas estava desmoralizada, mas eu iria restaurar a moral do meu país, com sangue se necessário. 

- O que a Vossa Majestade sugere que façamos? - Churchill me perguntou, pronto para por suas ideias contra as minhs, afinal não poderia arriscar todo um Império por um capricho de uma adolescente. Assim como eu não poderia arriscar o meu reinado, a minha coroa e a minha vida por velhas superstições.

- O senhor deve se lembrar do que meu pai fez quando teve a oportunidade, pouco antes da região de Reno* ser tomada. Certo? - Olhei pesadamente para o ministro, era uma pergunta retórica e objetiva. - Ele não fez nada, nem ele, nem a França. Agora já é tarde para medidas protetivas, Mr.Churchill. Estamos em guerra há dois anos e perdemos vergonhosamente, nunca antes a Inglaterra fora tão humilhada. Nós demos poder a Alemanha de graça, porque meu pai era um incompetente com medo de sangue. Além das fotos vergonhosas que mostram Mr.Chamberlain, com toda sua idiotice, bradando a "Paz em nossa época" em suas mãos. 

Houve um silêncio momentâneo e disso eu me lembro perfeitamente bem, do som da água caindo, da respiração ofegante e nervosa de Churchill, das memórias da vergonha que meu país enfrentou, atacando minha mente e meu orgulho britânico. 

- Homens ou são precipitados ou cautelosos demais. Mas, para a sorte do Reino Unido, eu não sou um homem. 

Não era isso que ele esperava como resposta e eu bem sabia o que ele desejava ouvir, mas não teve seus desejos perversos satisfeitos. Eram outros tempos, os senhores certamente não entenderão isso, mas a minha última fala foi muito mal vista pelo meu ministro. Era uma afronta pessoal a ele e a todos os seus e meus antecessores, porém, nada além da verdade.

- Acredito que necessito que a Vossa Majestade seja mais clara.

Estava séria, escondendo meu ódio por detrás de uma expressão neutra, com a coroa que eu insistia em usar, pesando em minha cabeça, lembrando-me dos meus deveres constantemente. O peso da Inglaterra tentando me fazer curvar, sem sucesso. 

- Um falso acordo de paz com a Alemanha deverá ser feito, jogaremos o jogo dele e talvez, com um pouco de sorte, não seja tarde demais. A incompetência de meu pai e de seu ministro irá nos perseguir por décadas. 

Churchill dava voltas pelo meu escritório, apoiado em sua bengala, analisando cuidadosamente cada detalhe acrescido por mim, cada detalhe que pudesse revelar minha personalidade. 

- Como espera que ele aceite um acordo de paz, após todos os ataques feitos contra nós? Está claro ser uma armadilha. 

Pela primeira vez no dia, abri um sorriso, debochado, porém verdadeiro. - Se Gorge VI fosse autor do pedido, jamais aceitariam. Sabe, Mr.Churchill, há algumas vantagens em ser subestimada pela sua aparência. Para eles eu sou uma jovem rainha incompetente e desesperada por aprovação popular e ele é o ápice da estratégia humana, o ego que os homens possuem, jamais os deixam em paz. Tentarão tomar o Império Britânico - Leventei-me, andando calmamente até a mesa central, que possuía um mapa mundi aberto e centralizado, com tanques, aviões e submarinos em miniatura de diversas cores, representando cada um dos países participantes, colocados em sua posição atual. -, mas nós iremos derrubá-los. Isso é uma prlmessa! - Olhei uma última vez para o mapa antes de encará-lo novamente. 

- Eu sugiro que ataquemos a Alemanha enfraquecida com a força área...

- Irei pará-lo por aí, Mr.Churchill, diga-me, quantas vezes nossa Força Aérea foi melhor que as deles? Não, essa tática já foi comprovada ineficiente e o senhor está muito acostumado com as guerras estáticas da Grande Guerra, os tempos mudaram, o senhor também deve. - Dei meu veredito final, escorando-me na mesa, com o olhar focado no antigo militar e atual ministro, uma tensão nós encobria, mas não importava. 

Era uma época sombria e eu precisava vencer se quisesse permanecer viva, muitas coisas estavam em jogo, a minha honra e moral estavam a prova e eu estava isolada. A única mulher diretamente envolvida na Guerra, teria de dar minha vida pela vitória, porque jamais exigiriam menos do que isso. Sempre estive ciente da realidade e ela me dava prazer, adrenalina corria por minhas veias todas as vezes em que encarava a Guerra diretamente.

- Chame o general Becker, por favor. 

O que eu previ, aconteceu. O ministro suspirou, mudando a bengalada de mão, em nervosismo claro. - Quanto a isso, Majestade, acha uma boa ideia mudar o comando das Forças Armadas agora?

Andei até Churchill, com seriedade e imponência, o som dos meus saltos retumbava por todo o escritório, pois meus passos eram firmes e pesados. 

- Bernard não é capaz de nos defender como precisamos, de fato fez um bom trabalho, mas isso não é mais o suficiente. Assim como o senhor, ele possui táticas atrasadas e inúteis na situação atual e nós precisamos do melhor. Estamos entendidos? 

Com uma breve e malfeita reverência, saiu, deixando-me sozinha mais uma vez. Respirei fundo e retornei a minha escrevaninha, pegando mais um dos documentos e relatórios que deveria ler, analisar e tirar conclusões. Nesse momento, olhei para os lados, havia proibido a permanência dos guardas dentro do meu escritório, as portas estavam fechadas, totalmente sozinha. Com um movimento de minha mão esquerda, fiz com que uma xícara de chá aparecesse na minha frente.

Sim, eu já sabia que era "diferente", não nomeava isso e nem deixei que ninguém soubesse de meus segredos, entretanto boa parte das minhas desavenças fraternas vieram desse fato, quando criança não pude controlar, mas a esse ponto tudo já estava calmo e explorado. Em seu ápice. Não haveriam surpresas para os outros ou para mim mesma, fiz questão de garantir isso. E, caso algo extremo ocorresse, esse seria meu truque sujo. 

Como todo bom país Cristão, em um ponto de nossa história, bruxas foram caçadas e como toda mulher sábia e com coragem em seus ossos, elas deixaram registrados seus truques, poções e maldições. Mas isso não importa agora. 

Todos os dias era inundada por dilemas envolvendo a Guerra, jogados em meus ombros por homens incompetentes e medrosos. Por mim, tudo bem, mas eu garantiria que quando eu vencesse essa guerra, eu receberia os créditos por isso, não eles.

O relógio pendurado acima de minha mesa, marcava três da tarde. Há meia hora Churchill foi atrás de meu general, a demora me deixava receiosa, apesar de saber que uma revolução agora seria a última opção do Reino Unido, dizia a mim mesma que estava segura. 

Os senhores entendem o que desejo expressar por meio dessas palavras? O medo não é racional e mesmo eu, com todo meu poder, sentia medo. Essa Guerra ocorreu muito antes dos senhores existirem, mas permanece viva em minha mente, como um aviso mudo do que guerras representam para o povo e para uma coroa. Foi um fardo difícil de carregar, mas foi uma escolha minha. E seria apenas a primeira das diversas guerras que participaria, a minha vida toda foram lutas, sangue, mortes.

- Vossa Majestade, o Coronel Becker. 

Virei-me em direção dos dois homens parados na porta, esperando permissão para entrar. Com uma reverência, se aproximaram com olhares carregados de cansaço e olheiras.

- Antes de começarmos a reunião, gostaria que assinassem um documento como garantia de sigilo. - Virei-me para pegar o contrato, sabia que descrença e horror viriam em poucos segundos. - Caso vazem estratégias de guerra, serão executados por traição a pátria. De acordo? 

Os homens pegaram os grossos documentos de minhas mãos, não estava com pressa e eles também não. Sentei-me em uma das poltronas de couro dispostas no escritório, cruzando delicadamente minhas pernas, notei os olhares julgadores, como se vissem uma puta em sua frente, mas com medo demais para me repreender. 

Eram centenas de cláusulas contratuais e esperava que fossem burros o suficiente para não se dar ao trabalho. Sim, eu entendo que isso possa soar cruel, mas o mundo é. 

- Vossa Majestade, há necessidade real de toda essa preocupação exacerbada?

Suspirei, olhando diretamente nos olhos de Churchill, ouvindo seus pensamentos em minha própria mente. - Mr.Churchill, só vejo motivos para preocupação caso estejam planejando uma traição. Os senhores estão?

Bem, eu sabia que não, mas o desespero no olhar deles causava-me um prazer indizível. Sentia toda a lealdade cega ao Reino Unido e apenas a ele*.

- Jamais. - Murmurou com a cabeça abaixada. Com passos firmes, andou até a minha escrevaninha e, segurando rudemente a pena, assinou o contrato. 

Becker imitou seu gesto com insegurança e medo. Todo o respeito que ele tinha por mim era vindo do medo, no final, entendia que minha tirania era a única coisa que poderia salvar a Inglaterra.

- Sentem-se, a conversa será longa. 


Lembrem-se: vida longa à Rainha. 


       Sail Bang shots fired

Pain is what you desire

 


Notas Finais


Todos os fatos citados que ocorreram antes do início da história são reais. Como Churchill, a invasão a Reno que seria o momento estratégico perfeito para destronar a Alemanha, o nome do antigo coronel, a invasão a URSS, as datas, os nomes dos líderes políticos. O palácio, a queda da Inglaterra, tudo real.
Eu vou começar a colocar magia de fato e acontecimentos inéditos no próximo capítulo, mas o curso da Guerra, na parte trouxa, será parecida com a vida real.
Essa história é um desafio a mim mesma, exige que eu leia e releia diversas vezes livros sobre a 2ª Guerra, eu tenho TOC, então uma letra errada no nome de alguém já me deixa louca. Vai ser tudo cronologicamente calculado. Também tenho que pesquisar muito sobre a 1ª Guerra Bruxa (contra Grindelwald) para escrever a história, então será algo que demora um pouco mais para ser postado, por toda a pesquisa.

**Na história, a Inglaterra não virou uma monarquia parlamentarista. A Rainha não tem poder absoluto, mas pode desmembrar as Cortes quando quiser e achar necessário.
Churchill será o líder da Corte dos Nobres.

No capítulo 4 teremos mais magia e início real dela nas duas guerras, bruxa e trouxa. Eu estou muito empolgada


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