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História A loba - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Dois


Já era o terceiro banho do dia, Washington não estava com o sol de matar ninguém, mas o abafo, o calor que eu estava sentindo era estranho. No chuveiro tentei lembrar de ontem a noite, pois eu sentia que algo havia acontecido e mudado, mas nem Cecília e Demi ouviram algo. Minha mente não me dava permissão para lembrar, minha mãe disse que foi tudo normal, que talvez fosse um sonho que eu tivera, mais sei que não é isso, é algo de importante, ou talvez não, mas estava me tirando do normal.

 O melhor de tudo é que eu me sentia bem, dormi bem, não havia mais machas de baixo de meus olhos, tudo parecia voltar ao normal, uma coisa que estava me matando era a fome. Desci as escadas e encontrei minha mãe, já comendo, mais sorrindo para mim.

 - Vai tomar o café agora?

 - Sim, mas acho que o banho não bastou, ainda sinto muito calor – eu disse, a propósito eu estava de short e camiseta, percebi que Cecília ligara o ar - condicionado, e isso melhorava tudo. Acabou que coseguimos tomar um café da manha civilizado, sem ninguém brigar, ate rolou algumas piadinhas, e palhaçadas.

 O café estava ótimo contei da Lilly para minha mãe, e vi um verdadeiro sorriso sair de seus lábios, contei que hoje iríamos á praia, e talvez conhecesse mais gente, seu sorriso aumentava cada vez mais, e fiquei feliz por isso, não estava fazendo isso só por ela, estava fazendo por mim também, já era quase uma semana que eu estava  nessa cidade e precisava aproveitar cada momento, pois ate convencê-los que o curso que quero é astronomia, eu ainda passaria mais cinco anos me formando nessa especialidade aqui nessa cidade, então precisaria de novos amigos, novos afazeres e conhecer a cidadecom a palma de minha mão. Ela achou sensato eu ligar para minhas amigas antigas, e ate chama-las para passar o fim de semana comigo. Achei muito bom da parte dela, e ligaria para Gina e Chloe vir me visitar. Alias morria de saudades das meninas.

 Chegando a tarde, fui me arrumar – coloquei um short jeans e uma blusa regata junto com um casaco – , peguei o biquíni e o coloquei na mochila junto com o protetor e outros pertences pessoais, sabia que não entraria na água pois clima estava fechando, mas o calor em meu corpo não saciava. Entrei no carro e pensei se valia a pena conhecer pessoas novas, porem lembrei de minha coversa de hoje mais cedo com minha mãe, e percebi que precisava fazer aquilo, alias eu não iria perder nada, talvez ate mesmo ganharia novos amigos, eu tinha que me acalmar e tentar não pensar no pior, pois a timidez já vinha percorrendo meu corpo.

  Ao chegar perto do estacionamento do shopping, encontrei a menina com um grupo, tentei estacionar o mais perto deles, fechei os vidros do carro, e tentei esconder o nervosismo, o que eu estou fazendo aqui? Eu nem conheço essas pessoas!, isso pairava em meus pensamentos, mas deixei de lado e sai do carro. Ao sair escutei que estavam conversando sobre algo que eu não prestara muito atenção, tentei dar uma de invisível, mas não caiu muito bem, ao me vê Lilly gritou.

  - Você veio! estávamos te esperando. Vamos? – ela disse. Concordei com a cabeça tentando tirar os olhares de cima de mim.

 Não tinha achado que poderíamos ser muitos, tinha 24 jovens ali, indo em direção a praia, 12 garotos e garotas, contando comigo, fiquei pensando que talvez aquilo poderia ser encontros na parte deles, me senti envergonhada, pois eu não tinha ninguém, e eu achando que era um grupo de amigos. Tentei ao máximo parar de pensar nisso, e se eu estiver julgando o livro pela capa? Eu mal conhecia aquelas pessoas. Todos estavam se caminhando para um grupo de pedras bem grande, e acabamos atravessando aquele monte de pedra, eu apenas os segui, chegando a uma parte na praia que eu não conhecia, alias, eu mal conhecia Washington, não tive a oportunidade de querer conhecer.

  O lugar que íamos chegando era estranho, mas a areia e a água continuavam ali, paramos quando avistei vários banquinhos feito de madeira em roda e no meio tinha algumas pedras com pedaço de árvore queimada, imaginei que talvez aquilo fosse rotina deles já, me senti meio intrusa, talvez eles já fossem amigos a bastante tempo e aquilo fosse costume de se encontrarem. Todos foram sentando - talvez em seus lugares, que já eram acostumados quando iam ali – eu não sabia onde sentar, mas Lilly me chamou para me sentar perto dela, o que me fez ficar calma. Ao seu lado tinha um garoto com o mesmo tom de bronzeado que ela e, o cabelo longo, ate aos ombros, era capaz dele ser o mais novo ali no grupo.

  - Esse é meu irmão Will, Lauren. – Lilly disse, ele me olhou e estendeu a mão.

  - Prazer Lori, seja bem vinda, estava louco pra te conhecer – ele disse com um sorriso no rosto, e sua irmã logo lhe deu uma cotovelada. Não entendi o motivo mais achei engraçado. Estava começando a me sentir um pouquinho melhor ali.

  Eles começaram a cochichar, murmurar olhando para mim, o conforto que eu estava sentindo antes começou a me deixar. Levei as mãos aos braços e comecei a massagear pra vê se me desconcentrava daquela tensão.

  - Assim vocês vão assusta- lá pessoal. – Lilly se levantou e disse essas palavras, eles começaram a cessar a conversa, mais alguns ainda sussurravam entre si.

  - Quem garante que, é ela, mesmo? – alguém ali disse

  - Verdade! Só por que ela se parece com os alfas, ela não precisa ser um deles. – outra pessoa disse e não pude vê seu rosto.

  - Ei, ei, ei, calma pessoal, ainda teremos essa conversa. – percebi que Lilly já não estava mais calma, mas ela tentava dar essa aparência e ia acalmando aqueles que discordavam dela com a mão.

  Isso me deixava mais nervosa do que eu já estava, eles estavam falando de mim!                  Quem garante quem sou eu, como assim?alfa?Me parecer com um deles? O que isso quer dizer? Pensei.

 Percebi os olhares para mim, alguns curiosos, outros discordando e, outros alegres, me sentia num filme de ação, de super-heroi, todos esperando eu fazer algo, algo que eu não sabia o “quê”. Levantei de onde estava, e comecei a andar ate chegar perto de Lilly.- Não sei do que vocês estão falando, mas não sou essa pessoa – as palavras simplesmente saiam da minha boca, talvez fosse o medo de acabar arruinando o único momento de eu poder fazer amizades – sou nova na cidade só isso. – minhas palavras pareceram meio bobas, eu estava por fora de algum assunto que todos ali talvez soubessem, e isso mexeu comigo, porem eu não gostaria de saber sobre o que eles estavam falando, por mais curiosa que eu estivesse, eu só queria paz, e não queria tentar entrar em uma discussão particular com um bando de jovens.

  Mesmo depois disso alguns deles me olhavam desconfiados. O que eu ainda não tinha entendido e estava na minha cara?

   Lilly abriu a boca e continuou a falar, eu já não prestava atenção em mais nada, sai do lado dela, um pouco revoltada, e comecei a dar voltas, olhando para a areia, não sei o porquê mais aquilo estava mexendo comigo, minha mente rodava cada vez mais, agora na minha cabeça tinhas vários flashback da noite passada, e hoje de manha eu não lembrava. Pelos no corpo, minha veia ardendo, queimando, me fazendo gritar, mas minha voz não saia. Por um momento me peguei olhando o mar, a areia grudava nos meus pés de tanto que eu estava suando, levei a mão a testa e eu estava queimando de febre, mas eu não me sentia doente nesse momento. Com as palavras que estavam em minha mente, mais as imagens, tentei não tirar conclusões sozinha. Por dentro eu podia estar atordoada, mas por fora eu queria ri de tudo isso. Isso tudo era ridículo.

  Em primeiro lugar com certeza algo comigo estava errado, eu não gostava de passar o tempo com a minha mãe e lá estava eu, sorrindo e contando piadas na hora da refeição, eu estava agora com pessoas desconhecidas, principalmente desconhecidas, só por que encontrei uma menina simpática na rua, quer dizer que já éramos amigas? Ainda mais, eu já fazia parte de seu grupo ou gangue como chamam, ainda nem conheço a cidade e me arrisquei a andar com eles, por incrível que pareça Lilly me passa confiança e faz eu me sentir bem perto deles. Isso não fazia sentindo, todos pareciam me conhecer, o próprio Will irmão de Lilly disse que estava louco por me conhecer, parece uma bobagem, pois só conheço Lilly á dois dias. Se o dia em q nos esbarramos possa contar.

   Cai na realidade e prestei atenção na paisagem, pois eu já não escutava vozes nem mais nada. Já deveria ser bem tarde, o brilho da lua pairava entre o céu, fazendo transparecer na água. A coisa mais linda que eu já vira naquela cidade, era lua cheia.

  Os sussurros que vinham na minha cabeça eu tentei ignorar, sentei na areia e senti a brisa passar por mim, um cheirinho de terra molhada, de água salgada, os pássaros cantando a noite, e o brilho da lua que iluminava aquele lugar. Deitei e fechei os olhos expulsando qualquer problema que estivesse me deixando tensa, com raiva ou ate mesmo preocupada, tentei imaginar o crepúsculo dessa noite, daqui em diante esse seria meu lugar de paz, meu lugar favorito naquela cidade.

   Como não havia ninguém ali, troquei de roupa rapidinho e coloquei o biquíni para entrar no mar, a água estava bem gelada, as ondas batiam nas pedras e voltava, dei vários mergulhos, me refrescando e tirando o peso da cabeça, me senti feliz de estar ali sozinha e feliz comigo mesma, em Los Angeles não tem muito lugar aonde você possa ficar por muito tempo só. A cidade é sempre movimenta e a maioria das pessoas me conhecem por causa de meu pai.

  Respirei fundo e dei mais um mergulho, olhei para as arvores que seguiam estradas na outra ponta do shopping, as pedras que ficavam no leste e a areia por todo o lugar e, a lua bem acima da minha cabeça.

  Por alguns momentos eu estava bem ali, ate escutar meu nome bem longe de onde eu estava, achei que poderia ser coisa da minha cabeça, mas cada vez a voz se aproximava, sai da água e fui em direção a minha roupa jogada na areia, peguei a toalha na mochila dei uma leve secagem no corpo e fui sacudir as roupas para vestir. Escutei meu nome de novo sendo chamado.

 - Aqui – dei um grito, e pude vê alguém correndo ate a mim.

 Burra, burra. Pensei.

 Fiquei por tanto tempo ali naquele lugar que tinha esquecido do pessoal que estava no outro canto da praia, estava tão atordoada que tinha me esquecido deles, alias depois das caras feias de alguns ali no grupo, como não desconfiaram que eu já tinha ido embora? Talvez fosse o certo a se fazer, pois muitos ali não gostavam da minha presença e me fizerem ficar com um grande arrependimento de ter saído de casa nessa tarde.Porem com certeza Lilly tinha ficado preocupada, e mandara alguém me procurar.

 - Ai esta você, quer matar Lilly de susto menina? Ela mandou patrulhas atrás de você. – eu não conhecia esse menino, não conseguia vê seu rosto direito por causa da escuridão, mas sua voz era de um tom grosso, e despreocupado agora. Consegui enxergar um suor descendo de seu rosto.

 - A água esta boa se quiser da um mergulho. – sua expressão mudou rapidamente quando eu disse isso, e por um momento ele começou a rir.

 - Ah sim, obrigado, mas estou bem. – ele respondeu.

 Começamos a andar, segui o por trás, pois eu não conhecia o caminho de volta, se ele não tivesse me achado como eu sairia daquele lugar que eu mal conhecia? Pude vê o estacionamento do carro logo a minha frente e o grupo de pessoas lá. Ele foi em direção a Lilly e começaram a conversar tão baixo que eu suspeitava que quem estava perto também não escutava eles dois. Will chegou ao meu lado de fininho.

 - Você esta bem? – ele perguntou.

 - Sim, sim.

  Will era uma criança muito fofa, e fiquei feliz pela preocupação dele.

  Quando fui chegando perto deles pude vê o rosto do garoto que me achou na praia, ele tinha covinhas nas bochechas, pude perceber enquanto falava, seu cabelo loiro voava com o vento e seus olhos tinha um brilho de frieza, como se ele não gostasse ou não fosse com a cara de ninguém no grupo. Mas seu sorriso era malicioso, isso eu pude presenciar lá na praia.

 - Graças que te encontramos – Lilly me deu um abraço apertado. Não consegui dizer nada, como alguém que eu mal conhecia poderia sentir tanta falta de mim? Talvez ela se sentisse culpada por não saber onde eu estava e acabaria sendo culpada caso acontecesse algo comigo, me senti um pouco culpada ao pensar nisso, por mais que nos não sejamos intimas ela se preocupava comigo,acho que ela se preocupava com todos daquele grupo. – gostaria de ter conversado realmente com você, mas a alca... – ela olhou para o loiro ao lado dela e pude vela dando um gole em seco na garganta. –

quero dizer o nosso grupo, mas acho melhor só eu, você, Will, e Gab. Na lanchonete mais próxima da sua casa, as duas. Pode ser?

  Na verdade eu não sabia o que dizer a ela. Depois do que tinha acontecido hoje, não sabia se seria uma boa ideia, porem agora não seria o grupo todo, seria apenas nós quatro, e acho que com os três seja muito mais fácil. Porem a insegurança tomou conta da minha mente. Oh eu não conheço a cidade então, qual seria essa lanchonete? qual parte que ela não entendeu que sou nova na cidade? Pensei.

  Eu precisava ficar calma, fazer amizade nunca foi difícil para mim, porem, alem de ela me deixar confortável ao seu lado, eu sentia um leve medo, que eu não entendia da onde vinha ou porque existia.

 - Ah claro, Gab te busca amanha as duas. – Lilly confirmou. Como se ela lesse meus pensamentos e tirasse todas as minhas duvidas. Will e Lilly saíram andando para dentro de uma van onde o resto do grupo já estava, que eu percebi naquele momento que estava a dois carros depois do meu. Quando Gab tossiu, vi que ele estava parado na minha frente, com 1,83 de altura eu diria, pois eu batia em seu peito.

  - Vamos Lauren? – ele perguntou

  - Sim – respondi mesmo sem saber para onde iríamos. Ele pediu as chaves do meu carro e entrou, entrei logo em seguida sem dizer sequer uma palavra. o carro começou a andar e saímos do shopping, da minha casa ao shopping levaria menos de meia hora.

 - Obrigada, Gab – disse. Acho que era o certo a se fazer.

 Ele só concordou com a cabeça e ficou calado por uns 5 minutos, mas aquele silencio todo estava me dando aos nervos, então comecei a puxar assunto:

 - Você não é de falar muito, né?

 - Não

 - Ham..

 - Poderia pelo menos me dizer o porque de estar me levando para casa? Eu sei dirigir – disse um pouco integrada.

 - E alguém disse que não? – perguntou ele calmo.

 - Não é isso, só acho que não há necessidade, porem já estamos aqui né – tentei relevar o assunto.- Hum.

 - O que você estava fazendo naquela parte da praia? – ele me perguntou sem tirar os olhos da estrada.

 - É lindo lá. – suspirei me lembrando do lugar. – porem voltando a sua pergunta, estava apenas pensando, e tomando um banho de lua.

 - Sim é lindo lá, me surpreende em saber que você chegou lá sozinha. – apenas assenti com um sorriso.

 - Chegamos. – ele disse ao parar na porta da minha casa.

 - E você?

 - Vou a pé para casa. – disse ele já saindo do carro e me entregando as chaves do carro.

 - Que? Não que isso eu te levo.. – fui para o lado do motorista.

 - Não precisa se preocupar, moro na rua atrás – ele deu sorriso amarelado

  Ele começou a caminhar e ir embora, pude ver suas roupas, ele vestia calça jeans e uma blusa mostarda, ele a estava bem longe quando o percebi levar a mão ate o cabelo e prender em um coque, achei meio engraçado, pois achava que só mulher usava aquele tipo de penteado.

  Eu eu da familiaridade que eu senti com alguns do grupo, e de como eles faziam sentir-me tão bem. Amanha seria mais um dia longo, com mais loucuras como hoje, só espero que essa estranheza seja porque eles são pessoas diferentes de onde eu morava.



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