História A look of love- Snowbarry - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Revendos os dois lados


Confesso que não foi surpresa encontrar Barry na casa dos meus pais, mas o fato de ele estar me esperando com um ramalhete de rosas, isso sim foi inesperado. Em todos aqueles anos, eu nunca tinha o visto sendo romântico, nem comigo e nem com nenhuma outra garota. Ele e seu jeito "pegador" de ser, tratava as mulheres como uma mera diversão, portanto, não precisava fingir que era galanteador.

— Eu... Vou entrando — Cíntia avisou assim que cumprimentou Barry — Tenham juízo. — olhou para mim de um jeito que significava mais do que suas palavras diziam.

— Boa noite, Cíntia. — ele esperou que minha cunhada se afastasse para se aproximar de mim — São para você. — estendeu-me o buquê. No rosto um sorriso nervoso, que não durou muito tempo, talvez ele esperasse outra reação de minha parte.

— Obrigada, Barry... — engoli em seco. O simples ato de dizer o seu nome, mexia com os meus sentimentos e também com o meu corpo. O desgraçado tinha mesmo um poder sobre mim. — Não precisava ter se importado, sabe que não sou o tipo de mulher que liga para flores.

— Eu sei. — ele riu — Eu pensei em um daqueles buquês de coxinhas, mas não sei se fritura é algo saudável para gestantes. —Colocou as mãos dentro do bolso e encolheu os ombros.

"Filho de uma... Por que você tem que ser tão sensual?"

— Realmente, eu estou evitando frituras... — Usei uma sobriedade que peguei emprestada de alguém.

— De resto está tudo bem? Eu digo, com o bebê... Com você...

— Tudo bem, na medida do possível. Meus pais estão me tratando como uma maluca e para ser honesta, essa coisa de você e do Ronnie ficarem me cercando... Sei lá, eu me sinto como a Bela, tendo que escolher entre o Edward e o Jacob... Isso não é legal.

— Tem toda a razão... Não é legal e, eu não sabia que o tal Ronnie está cercando você. — ele franziu o cenho, sabia que tinha se irritado. — Isso significa que vocês andam se vendo?

Fechei meus olhos, girei meu corpo e abri o portão para entrar. Barry veio logo atrás de mim. Do jardim dava para ouvir as vozes do Cisco e da Cíntia, as risadas das crianças e os meus pais conversando sobre a comida, sentei-me na cadeira de balanço, onde por diversas vezes antes estive para observar o amigo do meu irmão, enquanto eles se reuniam na garagem para jogar conversa fora.

— Algumas coisas nunca mudam... Todas as vezes que venho aqui, as lembranças mais fortes que tenho são suas. — confessei.

Barry sentou-se do meu lado e estalou a boca.

— Ultimamente eu tenho pensado muito em nós, também. Mas não no agora, não nesses últimos meses, e sim, no começo de tudo, no momento em que as coisas fugiram do controle e você passou de irmã pirralha do meu melhor amigo, para a mulher que dominou os meus pensamentos por mais tempo do que eu poderia desejar.

Balancei a cabeça de forma negativa, ouvir aquilo seria lindo, desde que fosse em outra época, antes de ter sido tão machucada por ele.

— As coisas são como são... Se naquele dia em que você me levou ao parque o meu desejo tivesse se realizado, certamente nossa relação não teria avançado. Talvez nós trocássemos uns beijos na roda gigante, eu ficaria achando que você seria mesmo o meu príncipe encantado, mas no final, eu acabaria como acabei: com a cara enfiada no meu travesseiro, chorando por você.

Ele passou as mãos pelos cabelos e inclinou o corpo para me encarar.

— Não... Está querendo dizer que naquele dia...? Caitlin, você era praticamente uma criança. Estava fazendo o quê? Dezesseis? Quinze anos?

— Dezessete, para ser exata. E sim, se quer saber, foi exatamente naquela noite que eu me apaixonei por você. Antes disso eu só o considerava como o amigo bonito do meu irmão, mas naquela noite, quando você se ofereceu para me levar ao parque, os seus olhos... — cobri meu rosto, inundada pelas lembranças e tudo parecia estar acontecendo de novo.

— Eu os chamava de esmeraldas, eu nunca tinha notado que eles tinham uma cor tão bonita, até aquele dia.

Barry piscou demoradamente, segurou o queixo e mordeu o lábio inferior.

— Eu nunca imaginei... — murmurou como se estivesse arrependido.

— Sei que não imaginou, até porque, os anos se passaram, mas você ficou ali, guardado dentro do meu coração, ocupando um espaço enorme enquanto eu tentava gostar de outras pessoas. Meu primeiro beijo, a minha primeira vez... Sempre... Eu sempre ficava imaginando como seria se tivesse sido com você e quando aconteceu, quando finalmente você, ainda que sob efeito de álcool — ri sem graça — quis ficar comigo, o que senti só provou que eu estava certa em ter esperado. Foi perfeito Barry, seria muito melhor se tivesse sido uma droga, só que foi perfeito e...

— E desde então eu venho estragando tudo... — interrompeu-me antes que eu pudesse concluir.

— Sempre deixou claro que não é o tipo de cara que assume um relacionamento. Eu entrei nessa, sabendo, mas é aquela velha história de achar que dá para mudar alguém.

Barry balançou a cabeça instintivamente.

— E pode — Ele estendeu uma das mãos e afagou meu rosto. — Eu nunca me imaginei casado, com filhos... Isso sempre me causou arrepios, só que depois daquela noite, alguma coisa mudou dentro de mim, ainda que eu tenha lutado com todas as forças até admitir. Cait, eu não consegui tirar você da minha cabeça e mesmo quando eu saía com outra mulher, só conseguia ficar fazendo comparações... Na noite em que a sua amiga partiu com o Richard e você desapareceu, eu só pensava em encontrá-la para me declarar, pra contar como eu me sentia, mas então, o Ronnie... Ele entrou na história.

— A culpa não é do Ronnie — decretei. —Se quisesse mesmo, teria aberto seu coração e me contado tudo o que contou agora... Só você continuou jogando comigo. Depois dele, nós voltamos a ficar juntos e você continuou sendo o Barry de sempre! Saindo antes do dia clarear, não atendendo as minhas ligações, e eu, boba que sou, corria para ele a fim de curar as minhas feridas... Deu no que deu. — apontei para a minha barriga.

Barry se levantou.

— Já gostou tanto de uma coisa a ponto de preferir ficar sem ela do que tê-la por um tempo e depois experimentar a dor de perdê-la? — indagou-me de costas.

Levantei-me também.

— Não me venha com essa história de medo — disse eu, num tom mais alto.

Ele virou-se para mim, para minha surpresa seus olhos estavam marejados. Foi a primeira vez que eu o vi chorar.

— Acha que me conhece bem, Caitlin? Pois eu posso afirmar que você não sabe nem um terço da minha história... Você só conhece o Bartholomew Henry Allen que eu quis mostrar. 

— Agora você vai colocar a culpa de ser mulherengo, em algum trauma de infância? —deixei escapar o que ocorreu em meus pensamentos. Arrependi-me no instante em que ele me lançou um olhar de decepção.

— Eu perdi meu pai muito cedo, e isso você já sabe, mas talvez não faça ideia de como foi difícil me tornar o homem da casa, ter responsabilidades de um adulto antes do tempo... Não sabe como é para um menino de dezesseis anos, ter que se preocupar com a conta de luz e de água que estão para vencer, enquanto sua mãe se mata de trabalhar para conseguir colocar comida na mesa. Não imagina como é difícil acordar às cinco da manhã e passar o dia todo procurando um emprego e, ainda, ter ânimo para estudar depois de no mínimo umas duas dúzias de nãos que você recebeu. — ele fungou. — Minha vida não foi fácil, mas eu consegui vencer, consegui dar a volta por cima e quando tudo estava bem... Meu trabalho, o conforto que eu pude dar para a minha mãe... Acho que você se lembra da Paty...

— Claro que me lembro... — dei de ombros. — No dia em que eu fiz dezoito anos, você só falava dela... Do pé na bunda que tinha tomado dela...

Barry riu com Amargor.

— Só que não foi apenas um pé na bunda. Foram anos de namoro, planos e naquela noite, sabe o que eu descobri? — ele arregalou os olhos. — Ela era apaixonada pelo seu irmão. Francisco Ramon era o alvo dela e eu fui apenas uma ponte.

— Pelo amor de Nossa Senhora do Uau! — levei uma das minhas mãos até a minha boca. — O Cisco... Ele soube?

— Não. — Barry moveu a cabeça de modo negativo. — Sabe bem que ele sempre foi sossegado, além do mais, a maioria das garotas viviam se jogando para cima dele, então, ele já nem percebia.

Ficamos em silêncio por um tempo, eu tentava assimilar aquela parte de sua história a qual eu não conhecia, já ele, parecia um pouco envergonhado por ter tirado sua armadura.

— Eu sinto muito por tudo... Infelizmente algumas coisas que nos acontecem, acabam marcando nossas vidas e mudando nossa personalidade, ou nosso jeito de agir... — desarmei-me também.

— Assim como foi na roda gigante? — Ele deu um passo à frente. — Se eu tivesse te beijado ali, talvez todo o resto tivesse sido diferente... Provavelmente, eu nem teria me envolvido com a Paty e...

— Para — coloquei uma das mãos em seu peito, a fim de interrompê-lo. — Não vamos ficar fazendo projeções incabíveis... Depois de tudo o que me falou, eu vejo que tinha que ser assim. Você e eu... Não era para ser...

Ele ergueu as sobrancelhas, como se estivesse surpreso com a minha afirmação.

— Eu não acho que seja desse jeito... Tudo bem que eu estou um pouco atrasado, mas eu estou aqui, despido de qualquer camada, inteiro, ainda que cheio de cicatrizes, mas eu nunca me senti mais confiante e convicto de algo, como estou do amor que eu sinto por você... — segurou meu rosto entre as mãos. — Eu amo você e estou disposto a fazer nossa relação dar certo, independente das barreiras que tenhamos que ultrapassar... Independente desta criança ser ou não ser meu filho.

Um nó se formou em minha garganta.

— Porque tudo isso agora, Barry? — perguntei ainda atordoada.

— Por que eu tive muito tempo para pensar e eu cheguei à conclusão de que só posso ser feliz, se for com você. Sabemos que pode dar certo, veja como o Cisco vem se saindo bem com o Anthony, mesmo ele não sendo filho dele.

— Você não é o Cisco, Barry. — segurei suas mãos e afastei-as de mim. — Mas eu não o culpo por fazer esse tipo de comparação, porque eu mesma já fiz... Só que a gora eu vejo que não se trata disso...

— O que quer dizer? — ele pareceu preocupado.

— Quero dizer que nós vamos fazer esse exame o quanto antes — disse firme. — Chega de pensar em nós, precisamos pensar nessa criança e o pai dela merece exercer seus direitos.

Barry arregalou os olhos e engoliu em seco.

— Tem toda a razão, mas não vai dar para fazer isso agora, estamos a horas de um ano novo e eu só quero um pouco de paz... Eu... posso te pedir uma coisa...? Tipo o último pedido do ano? — ele olhou para o relógio em seu pulso.

— Barry, não venha com gracinhas para cima de mim, hein...

Ele sorriu um tanto sem graça.

— Não é gracinha... Eu só quero pedir para me deixar ficar aqui com vocês está noite. Eu juro que não vou forçar a barra.

Fechei os olhos, sentia-me cansada de nadar contra a maré.

— Tudo bem... — respondi depois de pensar um pouco, para minha própria surpresa, eu estava mesmo muito decidida.

Seguimos então para o interior da casa, onde todos se reuniam, Barry foi para os fundos, onde Cisco estava.

— Que flores lindas... — disse minha mãe assim que eu entrei na sala de jantar, onde ela terminava de pôr a mesa. — Ronnie capricha tanto, tem certa delicadeza com você, esse é um menino de ouro! — elogiou, demonstrando toda a sua imparcialidade.

— Realmente são lindas, mas essas vieram do Barry. — avisei enquanto procurava um vaso para colocá-las.

— Ah sim, me desculpe, eu pensei... Sei lá, isso não combina muito com ele.

— Não precisa dizer nada, eu sei que fiz sua filha  sofrer muito e não  sou um cara muito romântico, mas por ela, eu sou capaz de tudo, só por ela dona Carla. — Barry interveio e eu nem tinha o visto chegar ali.

Muito sem graça, minha mãe se aproximou de mim.

— Mudando um pouco de assunto, como está a minha neta? — Ela passou a mão pela minha barriga.

— Dando um tiquinho de trabalho, me deixando muito enjoada pela manhã, mas fora isso tudo está em paz. — declarei, já caminhando para o quintal.

— Isso é normal, essa fase logo passa cunhadinha! —Cíntia tentou me consolar. — E a senhora? Como tem tanta certeza de que é uma menina?

— Cíntia o que eu faço com você? Já falei pra não me chamar de senhora! Me sinto uma velha de trezentos anos!  — reclamou com a mão na testa. — Quanto ao palpite... Digamos que é apenas intuição e vó.

— Para mim não importa o sexo, mas sim que venha com saúde e seja muito amada! — completei.

— Essa criança já é muito amada... Pode ter certeza. — Barry parou do meu lado com os olhos fixos nos meus.

Minha mãe deu um jeito de puxar a Cíntia para o lado, nitidamente querendo me dar espaço. Só que ficar a sós com o ele era tudo o que eu não queria, por isso, fui brincar com o Anthony.

Passamos um tempo assim, como gato e rato e houve um momento em que ele e meu pai foram até a churrasqueira, conversavam como eu nunca antes tinha visto, parecia mesmo que ele pertencia a nossa família.

— Vai mesmo ficar fugindo de mim? —ele se aproximou enquanto eu me servia de um pedaço de pudim. — Eu chego e você sai...

— Disse que não ia forçar a barra. — encolhi os ombros.

— Eu sei... Só que é difícil para mim, estar tão perto e não poder tocar você... — ele esticou o braço e afagou meus cabelos.

De soslaio pude ver que todos estavam com os olhos em nós, esperando pela minha reação e, eu sabia que a maioria torcia para que nos acertássemos.

— Vem comigo... — Segurei sua mão e o guiei para dentro da casa dos meus pais. Não dava mais para esperar.

Os fogos de artifício coloriam o céu e aquele início de madrugada ganhava tons de amanhecer. O primeiro a vir me abraçar foi meu pai que, depois se curvou e beijou minha barriga. 

— Feliz Ano Novo, pequenino... —murmurou, conversando com o meu bebê.

— Que este novo ano traga mais juízo para está sua cabecinha... — Foi a vez da minha mãe me cumprimentar, seguida pelo Cisco que depois  de aconchegar-me em seus braços, beijou minha testa com delicadeza.

— Cíntia... — corri ao encontro dela, porque minha cunhada era de fato meu porto seguro.

— Você está bem? — perguntou-me, preocupada. Momentos antes ela havia ficado trancada comigo, amparando-me depois da partida do Barry.

— Se eu disser que sim, vou estar mentindo, mas vou ficar. — Puxei o ar. —Tenho que ficar.

— Eu juro que nunca imaginaria que você seguiria por esse caminho... — ela ainda parecia não acreditar na minha decisão de mais cedo.

Sentindo as minhas pernas pesadas, segurei-a pela mão, sentei-me no chão e coloquei os meus pés dentro da piscina. A Cíntia sentou-se ao meu lado.

— Eu também não... Mas hoje eu percebi muitas coisas... Uma delas é que nenhum daqueles dois pode me dar o que eu preciso. O Ronnie é um amor e me passa uma segurança que eu nunca senti com o Barry, mas para por aí. Agora o Barry... Esse é paixão, tesão, amor, mas estar com ele é como andar numa corda bamba e no momento eu preciso estar com os pés em terra firme.

— Por Deus... Você parece uma adulta, falando... — Cíntia não escondeu sua surpresa.

Não tive como não rir.

— Eu preciso ser, Cíntia. Esse bebê exige isso de mim. No mais, seja o Barry ou o Ronnie, tenho certeza de que qualquer um dos dois será um ótimo pai. — segurei uma de suas mãos. — Sem contar que eu tenho os meus pais, o Ciscp e você para me ajudar...

— Está coberta de razão, minha amiga... Você nunca vai estar sozinha... — ela puxou-me para um abraço que só reforçou o que eu sempre soube, a Cíntia , era de alguma maneira, um presente do céu.



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