História A love for life!!! - Capítulo 29


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Categorias Orgulho e Paixão, Os Bridgertons
Personagens Aurélio Cavalcante, Julieta Sampaio Bittencourt "Rainha do Café", Mariana Benedito
Tags Aurieta
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Palavras 3.080
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Romance e Novela, Suspense

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 29 - Julieta também tem os seus segredos..


Na manhã seguinte, assim que acordou, Aurélio lembrou que não se desculpara com Julieta. Estritamente falando, era provável que já não fosse necessário: embora mal tivessem se falado no baile dos Macclesfields, na noite anterior, pareciam ter chegado a uma trégua implícita. Ainda assim, Aurélio achava que não se sentiria confortável consigo mesmo até pronunciar as palavras “Me desculpe”.


Era o correto a fazer.


Ele era um cavalheiro, afinal.


Além do mais, estava com vontade de vê-la naquela manhã.


Foi ao Número Cinco tomar café da manhã com a família, mas queria ir direto para casa após ver Julieta, então subiu na carruagem para fazer a viagem até a casa dos Sampaios, na Rua Mount, apesar de a distância ser curta o bastante para que ele sentisse preguiça de percorrê-la.


Sorriu, satisfeito, e se recostou no assento para observar a encantadora paisagem primaveril que ia se revelando pela janela. Era um daqueles dias perfeitos nos quais tudo parecia correr bem. O sol brilhava, ele se sentia bem-disposto, tivera uma excelente refeição matinal...


Era quase impossível que a vida ficasse melhor do que aquilo.


E estava a caminho para ver Julieta.


Aurélio escolheu não analisar o motivo pelo qual se sentia tão ansioso para encontrá-la: esse era o tipo de coisa em que um homem solteiro de 33 anos em geral escolhia não pensar. Em vez disso, apenas deliciou-se com o dia: o sol, o ar, até mesmo as três elegantes casinhas por que passou na Rua Mount antes de vislumbrar a porta de Julieta. Não havia nada de diferente nem de original em qualquer uma delas,mas era uma manhã tão perfeita que lhe pareceram encantadoras, encostadas umas nas outras, altas, estreitas e imponentes, com sua fachada de pedras Portland cinzentas.


Era um dia maravilhoso, cálido e sereno, ensolarado e tranquilo...


A não ser pelo fato de que, quando começou a se levantar do assento, um pequeno movimento do outro lado da rua chamou a sua atenção.


Julieta.


Ela estava na esquina das Ruas Mount e Penter, onde não poderia ser vista por ninguém que estivesse olhando de dentro da residência dos Sampaios. E estava subindo numa carruagem de aluguel.


Interessante.


Aurélio franziu a testa. Aquilo não era interessante. Que diabo ele estava pensando? Não era nada interessante. Talvez pudesse ser se ela fosse, digamos, um homem. Ou se a carruagem em que acabara de entrar pertencesse aos Sampaios, em vez de ser um maltrapilho transporte de aluguel.


Mas não, aquela era Julieta, que não era um homem, em absoluto, e que entrava numa carruagem sozinha, talvez em direção a algum destino completamente inadequado, porque, se estivesse prestes a fazer algo apropriado e normal, estaria a bordo de um transporte da família Sampaio. Ou, melhor, na companhia de uma de suas irmãs, de uma dama de companhia ou de qualquer outra pessoa, e não, maldita fosse, sozinha.


Aquilo não era interessante, era uma idiotice.


– Mas que mulher tola – murmurou Aurélio, saltando da carruagem com a intenção de correr em direção ao carro de aluguel, escancarar a porta e arrastá-la para fora.


Porém, no instante em que colocou o pé direito para fora, foi tomado pela mesma loucura que o levava a perambular pelo mundo.


A curiosidade.


Ele murmurou vários impropérios, todos direcionados a si mesmo. Não pôde se controlar. Era tão atípico de Julieta desaparecer daquela forma, num carro de aluguel, que Aurélio precisava saber aonde ela estava indo.


Assim, em vez de tentar colocar algum juízo na cabeça dela, mandou que o chofer seguisse a carruagem, que foi para o norte, em direção à movimentada Rua Oxford, onde, refletiu Aurélio, provavelmente Julieta pretendia fazer compras. Podia haver inúmeras razões pelas quais ela não estava usando a carruagem dos Sampaios. Talvez estivesse quebrada ou, quem sabe, um dos cavalos tivesse adoecido, ou talvez ela fosse comprar um presente para alguém e quisesse fazer segredo.


Não, aquilo não fazia muito sentido. Julieta jamais sairia para fazer compras por conta própria. Levaria uma dama de companhia, uma das irmãs, ou até uma das irmãs dele. Caminhar pela Rua Oxford sozinha era pedir para ser alvo de fofocas. Uma mulher naquela posição certamente seria o assunto da próxima coluna de Lady Whistledown.


Se Lady Whistledown ainda existisse, ele lembrou. Era difícil se acostumar à vida sem ela. Ainda não se dera conta de quanto se habituara a ver seu jornal sobre a mesa do café da manhã quando estava na cidade.


E, por falar em Lady Whistledown,estava mais certo do que nunca de que ela só podia ser Mariana. Naquela manhã, fora ao Número Cinco para o desjejum com o único intuito de questioná-la, mas fora informado de que a irmã continuava indisposta e que não se juntaria à família.


Aurélio não deixara de notar, no entanto, que uma bandeja repleta de comida fora levada ao quarto dela. O que quer que estivesse fazendo mal à irmã, não havia afetado o seu apetite.


Ele não mencionara as suas suspeitas à mesa do café: não via motivo para perturbar a mãe, que sem dúvida ficaria horrorizada diante da ideia. Era difícil acreditar, porém, que Mariana, cuja disposição para fofocar sobre um escândalo só era menor que sua empolgação em descobrir um, perderia a oportunidade de comentar a revelação de Josephine Tibúrcio na noite anterior.


A não ser que Mariana fosse Lady Whistledown, motivo pelo qual estaria no quarto, bolando o próximo passo.


As peças todas se encaixavam. Teria sido deprimente se Aurélio não fosse tomado por um estranho entusiasmo em descobri-la.


Após alguns minutos, enfiou a cabeça para fora da carruagem para se certificar de que o chofer não tinha perdido o veículo de Julieta de vista. Lá estava ela, bem à sua frente. Ou, pelo menos, ele acreditava ser ela. A maioria dos automóveis de aluguel era parecida, então teria de confiar que estava atrás do correto. No entanto, ao olhar para fora, constatou que haviam seguido bem mais para o leste do que havia se dado conta. Na verdade, acabavam de passar pela Rua Soho, o que significava que estavam quase em Tottenham Court Road, o que queria dizer que...


Por Deus, será que Julieta estava indo até a casa dele? A Praça Bedford ficava praticamente logo depois da esquina.


Foi tomado por uma deliciosa sensação, porque não conseguiu imaginar o que ela estaria fazendo naquela parte da cidade senão indo vê-lo. Quem mais uma mulher como Julieta conheceria em Bloomsbury? Não podia imaginar que sua mãe lhe permitisse se relacionar com pessoas que trabalhavam para viver, e os vizinhos de Aurélio, embora fossem bem-nascidos, não faziam parte da aristocracia e em raros casos pertenciam até mesmo à pequena nobreza. Eram médicos, advogados ou...


Aurélio fez uma careta de desaprovação. Acabavam de passar por Tottenham Court Road. Mas que diabo ela estaria fazendo tão para o leste? Talvez o condutor não conhecesse a cidade muito bem e tivesse achado melhor pegar a Rua Bloomsbury até a Praça Bedford, apesar de ficar um pouco fora do caminho, mas...

Ele ouviu um barulho muito estranho e se deu conta de que era o som dos próprios dentes rangendo. Acabavam de passar pela Rua Bloomsbury e agora dobravam à direita em High Holborn.


Mas que diabo! Estavam praticamente na região de City. Por Deus, o que Julieta planejava fazer ali? Aquilo não era lugar para uma mulher. Ele mesmo jamais ia até lá. O mundo da alta sociedade ficava bem mais para oeste, nos sagrados prédios de St. James e Mayfair. Não em City, com suas ruas estreitas, serpenteantes e medievais, e sua perigosa proximidade com as casas de cômodos do East End.


Aurélio ficava cada vez mais perplexo à medida em que iam em frente... e em frente... e em frente... até que percebeu que estavam dobrando na Shoe Lane. Esticou a cabeça para fora da janela. Só estivera ali uma vez, aos 9 anos, quando seu tutor o arrastara, junto com Bernardo, para lhes mostrar onde o Grande Incêndio de Londres tivera início, em 1666. Aurélio lembrava-se de ter ficado um pouco desapontado ao saber que o culpado fora um simples padeiro que não molhara as cinzas do forno da forma correta. Um incêndio como aquele só podia ter sido criminoso.


No entanto, aquela tragédia não era nada comparada ao que ele sentia agora. Era bom que Julieta tivesse uma excelente razão para ir até ali sozinha. Ela não devia ir a lugar nenhum desacompanhada, muito menos a City.


Então, justo quando Aurélio estava convencido de que ela iria prosseguir até a costa de Dover, a carruagem atravessou a Rua Fleet e parou. Aurélio ficou imóvel, esperando para ver o que Julieta ia aprontar, embora cada fibra do seu ser gritasse para ele saltar da carruagem e abordá-la ali mesmo na calçada.

Por intuição ou por loucura, de alguma forma ele sabia que, se falasse com ela naquele momento, jamais descobriria o verdadeiro motivo de ela estar ali.


Quando ela já tinha se afastado o suficiente para que ele pudesse saltar sem ser notado, desceu da carruagem e a seguiu rumo ao sul, em direção a uma igreja que mais parecia um bolo de noiva.


– Pelo amor de Deus – murmurou Aurélio, sem se dar conta da quantidade de blasfêmias que proferia –, isso não é hora de ser religiosa, Julieta.


Ela desapareceu igreja adentro e ele foi atrás, diminuindo o ritmo apenas ao chegar à porta da frente. Não queria surpreendê-la cedo demais. Não sem antes descobrir o que ela pretendia. Não acreditava nem por um instante que Julieta tivesse sentido um súbito desejo de aumentar a frequência à igreja com visitas no meio da semana.


Entrou na igreja, andando o mais silenciosamente possível. Julieta seguia pelo corredor central, encostando a mão esquerda de leve em cada um dos bancos, como se estivesse...


Contando?


Aurélio franziu as sobrancelhas quando ela escolheu o banco que queria e andou até o meio dele. Sentou-se imóvel por um instante, então enfiou a mão dentro da bolsa e sacou um envelope. Fez um movimento quase imperceptível com a cabeça para a esquerda, depois para a direita, e Aurélio imaginou sua expressão ao fazer isso, os olhos escuros dardejando nas duas direções enquanto procurava saber se havia outras pessoas ali. Ele estava a salvo no fundo da igreja, oculto nas sombras, quase encostado na parede. Além do mais, ela estava muito concentrada em ser discreta e não virou a cabeça o suficiente para vê-lo às suas costas.

Havia bíblias e livros de oração enfiados em pequenos bolsos às costas dos bancos, e Colin observou enquanto Julieta enfiava sorrateiramente o envelope atrás de um deles. Então ela se levantou e se dirigiu de novo ao corredor central.


Nesse momento, ele deu o bote.


Saiu das sombras e caminhou direto até ela, sentindo uma cruel satisfação ao ver o horror estampado em seu rosto ao deparar com ele.


–Au ... Aure... – gaguejou Penelope.


– Acho que está querendo dizer Aurélio – retrucou ele, estendendo cada sílaba enquanto a pegava pelo cotovelo.


O toque era suave, mas firme, e não havia a menor forma de ela achar que poderia escapar.


Inteligente como era, ela nem mesmo tentou.

Mas, inteligente como era, tentou se fazer de inocente.


– Aurélio! – conseguiu finalmente dizer. – Mas que... mas que...


– Surpresa?


Ela engoliu em seco.


– Isso.


– Tenho certeza que sim.


Julieta lançou um olhar rápido em direção à porta, depois à nave, em seguida a todos os lugares exceto o banco em que escondera o envelope.


– Eu... Eu nunca o vi por aqui antes.


– Eu nunca vim aqui.


Julieta abriu e fechou a boca várias vezes antes de conseguir dizer:


– Na verdade, é ótimo que esteja aqui, porque na verdade... na verdade... err... você conhece a história de St. Bride?

Ele ergueu uma das sobrancelhas.


– É onde estamos?


Julieta claramente tentava sorrir, mas o resultado foi uma expressão mais embasbacada e boquiaberta. Em geral isso o teria divertido, mas ainda estava zangado com ela por ter saído sozinha, sem considerar a própria segurança ou bem-estar.


Mas, acima de tudo, estava furioso por ela ter um segredo.


Por mais irracional que fosse, ele simplesmente não tolerava esse fato. Aquela era
Julieta. Ela devia ser um livro aberto. Ele a conhecia. Sempre a conhecera.


E, agora, parecia que se enganara a esse respeito.


– Sim – respondeu ela, enfim, nervosa. – É uma das igrejas de Christopher Wren, as que ele construiu após o Grande Incêndio e que estão espalhadas por toda parte aqui em City. Esta é a minha preferida. Eu realmente adoro o campanário. Não acha que parece um bolo de noiva?


Ela tagarelava, o que nunca era um bom sinal. Em geral significava que a pessoa tinha algo a esconder. Já tinha ficado bastante óbvio que Julieta estava sendo dissimulada, mas a rapidez atípica de sua fala dizia a ele que o segredo era muito, muito importante.


Fitou-a por um bom tempo, apenas para torturá-la, até enfim perguntar:


– É por isso que acha ótimo que eu esteja aqui?


Ela se mostrou confusa.


– O bolo de casamento... – instigou ele.


– Ah! – guinchou ela, com o vermelho profundo da culpa se insinuando em sua pele. – Não! De modo algum! É só que... O que quero dizer é que esta é a igreja para os escritores. E editores. Acho. Com relação aos editores, digo.


Ela tentava de tudo, em vão. E sabia disso. Aurélio o percebia em seus olhos, em seu rosto, na maneira como ela retorcia as mãos ao falar. Mas Julieta continuava tentando manter a farsa, e ele se limitou a lhe lançar um olhar sarcástico enquanto ela prosseguia:


– Mas tenho certeza em relação aos escritores. – Então, com um floreio que talvez tivesse sido triunfante se ela não tivesse estragado tudo engolindo em seco sem parar, acrescentou: – E você é escritor!


– Então está querendo dizer que esta é a igreja para mim?


– É... – Ela lançou um olhar rápido para a esquerda. – Estou.


– Ótimo.

Julieta engoliu em seco.


– É mesmo?


– É, sim – afirmou ele, imprimindo um tom sereno e informal às palavras com a intenção de apavorá-la.


Ela relanceou mais uma vez à esquerda... em direção ao banco no qual escondera o envelope. Até ali, conseguira manter a atenção longe da prova incriminadora. Ele quase sentiu orgulho dela por isso.


– Uma igreja para mim – repetiu ele. – Que ideia encantadora.


Julieta começou a arregalar os olhos, assustada.


– Acho que não entendi o que quer dizer.


Ele tamborilou um dos dedos no queixo, então estendeu a mão num gesto pensativo.


– Acho que venho desenvolvendo um gosto especial pela prece.

– Prece? – ecoou ela, com a voz fraca. – Você?


– Sim, eu.


– Eu... Bem... eu... eu...


– Sim? – disse ele, começando a gostar daquilo de forma um tanto doentia.


Jamais fizera o gênero irritadiço e rancoroso. Claramente nunca soubera o que estava perdendo. Havia algo de muito satisfatório em fazê-la se contorcer.


– Julieta? Queria dizer alguma coisa?


Ela voltou a engolir em seco.


– Não.


– Que bom. – Ele deu um sorriso afável. – Sendo assim, acho que preciso de alguns momentos a sós.


– Como?


Ele deu um passo para o lado, na direção do banco.

– Estou numa igreja. Logo, gostaria de rezar.


Ela também deu um passo para o lado.


– Como disse?


Aurélio olhou para Julieta com um ar de indagação.


– Falei que gostaria de rezar. Não é algo tão difícil de entender.


Percebeu que ela lutava de todas as formas para não morder a isca. Tentava sorrir, mas o maxilar estava tenso, e ele podia apostar que os dentes iriam se transformar em pó a qualquer instante de tanto ranger.


– Não achei que você fosse uma pessoa especialmente religiosa – comentou ela.


– E não sou. – Ficou em silêncio por um instante e acrescentou: – Minha intenção é rezar por você.


Agora ela engolia em seco descontroladamente.


– Por mim? – guinchou.


– Porque – começou ele, depois aumentou o tom de voz a cada palavra, sem conseguir se conter – a prece é a única coisa capaz de salvá-la!


Em seguida, empurrou-a para o lado e se dirigiu ao local onde ela escondera o envelope.


– Aurélio ! – gritou Julieta, correndo, desesperada, atrás dele. – Não!


Ele arrancou o envelope de trás do livro de orações com um puxão, sem o olhar por ora.


– Quer me contar o que é isto? Antes que eu mesmo veja?


– Não – respondeu ela, a voz sumindo no meio da palavra.


O coração dele se partiu à visão do pavor nos olhos dela.

– Por favor – implorou Julieta. – Por favor, me dê isso.


Então, quando ele nada fez além de encará-la muito sério, ela sussurrou:


– É meu. É um segredo.


– Um segredo que vale o seu bem-estar? – retrucou ele, quase rugindo. – A sua vida?


– Do que você está falando?


– Tem alguma ideia de como é perigoso uma mulher andar sozinha por aqui? Ou por qualquer lugar?


A única resposta dela foi:


– Aurélio, por favor.


Estendeu a mão pedindo o envelope, ainda longe do seu alcance.


E, de repente, ele já não sabia mais o que estava fazendo. Aquele não era ele. Aquela fúria insana, aquela ira não podiam ser dele.


E, no entanto, eram.Mas a parte mais inquietante era... era o fato de Julieta tê-lo deixado assim. E o que ela fizera? Atravessara Londres sozinha? Ele estava irritado com ela por sua falta de preocupação com a própria segurança, mas isso não era nada comparado à raiva que sentia por ela estar escondendo segredos.


Sua raiva era completamente injustificada. Não tinha o menor direito de esperar que Julieta compartilhasse seus segredos com ele. Não tinham compromisso algum um com o outro, nada além da amizade e um único – ainda que comovente, de uma forma bastante inquietante – beijo. Sem dúvida ele não teria lhe mostrado seu diário se Julieta não o tivesse encontrado por acaso.


– Aurélio – sussurrou ela. – Por favor... não faça isso.


Julieta vira seus escritos secretos. Por que ele não haveria de ver os dela? Será que ela tinha um amante? Toda aquela história sobre jamais ter sido beijada seria mentira?


Por Deus, o que era aquele fogo que queimava em seu estômago? Ciúme?


– Aurélio – repetiu ela, agora engasgando.


Pousou a mão sobre a dele, tentando impedi-lo de abrir o envelope. Fez isso com delicadeza, pois jamais seria capaz de vencê-lo pela força.


Só que não havia a menor forma de ele conseguir se conter naquele momento. Preferiria morrer a lhe devolver aquele envelope sem ver o que continha.


Abriu-o com um rasgão.


Julieta deixou escapar um grito estrangulado e saiu correndo da igreja.


Aurélio leu o que estava escrito.


Então desabou no banco da igreja, ficando sem ar.


– Ah, meu Deus – sussurrou. – Ah, meu Deus.



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