História A love for life!!! - Capítulo 33


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Categorias Orgulho e Paixão, Os Bridgertons
Personagens Aurélio Cavalcante, Julieta Sampaio Bittencourt "Rainha do Café", Mariana Benedito
Tags Aurieta
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Palavras 3.064
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Romance e Novela, Suspense

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 33 - Uma família inacreditável...


A primeira coisa que ocorreu a Aurélio ao entrar na sala de estar foi que, embora o dia não estivesse transcorrendo em absoluto como ele talvez tivesse previsto ao se levantar da cama naquela manhã, estava sendo bastante produtivo. Casar-se com Julieta era uma ideia bem sensata e também muito atraente, se a recente interação dos dois na carruagem servisse de indicativo.


A segunda coisa que lhe ocorreu foi que acabava de entrar no seu pior pesadelo.


Porque a mãe de Julieta não estava sozinha na sala. Absolutamente todos os Sampaios, jovens e velhos, encontravam-se ali, acompanhados dos cônjuges, e havia até mesmo um gato.


Era o grupo de pessoas mais assustador que Aurélio já vira. A família de Julieta era... bem... com exceção de Julia(por quem sempre nutrira certa desconfiança, afinal, como confiar em alguém tão próximo de Lídia?), a família dela era... bem...


Ele não conseguia encontrar a palavra certa para descrevê-la. Sem dúvida nada de elogioso (embora quisesse acreditar que podia evitar um insulto direto), mas será que existia algum termo que combinasse levemente com obtusa, demasiado falante, bastante intrometida, maçante.


Então Aurélio apenas deu aquele seu sorriso lindo, amigável e um pouco travesso. Quase sempre funcionava, e hoje não foi exceção. Os Sampaios todos sorriram de volta para ele e – graças a Deus – não fizeram nenhum comentário.


Pelo menos, não de imediato.


– Aurélio – disse a Sra. Sampaio, com considerável surpresa. – Que delicadeza a sua em trazer Julieta para casa para a nossa reunião de família.


– Reunião de família? – ecoou ele.


Olhou para Julieta, que estava ao seu lado parecendo passar mal.


– Toda terça-feira – falou ela, com um sorriso fraco. – Eu não mencionei?


– Não – respondeu ele, embora estivesse óbvio que a pergunta havia sido feita em consideração à plateia que os observava. – Não mencionou.


– Cavalcante! – berrou Robert Huley, casado com a irmã mais velha de Julieta, Prudence.


– Huley – retrucou Aurélio, dando um discreto passo para trás.


Era melhor proteger os tímpanos, caso o cunhado de Julieta resolvesse deixar seu lugar perto da janela e se aproximar.

Por sorte, Huley ficou onde estava, mas outro cunhado, o bem-intencionado porém aéreo Nigel Berbrooke, atravessou o aposento e cumprimentou Aurélio com um belo tapa nas costas.


– Não o estávamos esperando – comentou ele, jovial.


– Não – murmurou Aurélio –, não imaginei que estivessem.


– Afinal, é só a família – disse Berbrooke –, e você não faz parte da família. Não da minha, pelo menos.


– Ainda não – falou Aurélio baixinho, então olhou rapidamente para Julieta, que ruborizou.


Em seguida, ele olhou outra vez para a Sra. Sampaio, que lhe pareceu prestes a desmaiar de emoção. Aurélio gemeu. Não tinha sido sua intenção que ela escutasse este último comentário. Por algum motivo, quisera manter o elemento surpresa antes de pedir a mão de Julieta. Se Portia soubesse de sua intenção antes da hora, era capaz de distorcer a situação (ao menos na própria cabeça) de modo a fazer parecer que ela própria houvesse orquestrado tudo.


E, sem saber explicar por quê, Aurélio não gostaria nem um pouco disso.


– Espero não estar sendo inconveniente – disse, dirigindo-se à Sra. Sampaio.


– Não, é claro que não – retrucou ela, rápido. – Estamos encantados em tê-lo aqui, numa reunião de família.


No entanto, sua expressão era bastante estranha, não porque estivesse indecisa a respeito da presença dele ali, mas porque claramente não sabia que passo dar a seguir. Mordeu o lábio inferior, então lançou um olhar furtivo para Julia.


Aurélio se virou para Julia, que fitava Julieta com um pequeno sorriso enigmático. Já Julieta fuzilava a mãe com os olhos, a boca retorcida numa careta de irritação.


Ele alternou a visão entre as três Sampaios. Sem dúvida havia algo acontecendo ali, e se Aurélio não estivesse tão ocupado tentando descobrir como se livrar de uma conversa com os parentes de Julieta enquanto tentava fazer uma proposta de casamento, ficaria bastante curioso para saber o motivo dos olhares discretos sendo trocados sem parar entre elas.


A Sra. Sampaio lançou um último olhar para Julia e fez um pequeno gesto que Aurélio poderia jurar que queria dizer Sente-se direito, depois voltou a fixar a atenção nele.


– Não quer se sentar? – indagou com um sorriso amplo, dando um tapinha no assento ao seu lado no sofá.


– É claro – murmurou ele, porque realmente já não havia como sair daquela situação.


Ainda tinha de pedir a mão de Julieta, e embora não quisesse fazer isso na frente de todas as irmãs dela (e dos dois cunhados inúteis), estava preso ali, pelo menos até que surgisse uma oportunidade polida de fugir.


Ele se virou e ofereceu o braço a Julieta:


– Julieta?


– Err... sim, claro – gaguejou ela, colocando a mão no cotovelo dele.


– Ah! – exclamou a Sra. Sampaio, como se tivesse se esquecido da presença da filha. – Me desculpe, Julieta. Não a vi. Que tal ir pedir à cozinheira que faça mais comida? Sem dúvida precisaremos, com a presença do Sr. Cavalcante.


– É claro – concordou Julieta,contraindo os lábios.


– Ela não pode tocar a campainha e pedir? – perguntou Aurélio, bem alto.


– Como? – indagou a Sra. Sampaio, com o olhar distraído. – Bem, acho que poderia, mas levaria mais tempo e Julieta não se importa, não é?


Julieta balançou a cabeça bem de leve.


– Eu me importo – declarou Aurélio.


A Sra. Sampaio deixou escapar um pequeno “Ah” de surpresa, então disse:


– Muito bem. Julieta, hã... Por que não se senta ali?


Ela fez sinal para uma cadeira que ficava meio à parte do círculo da conversa.


Julia, que estava sentada na frente da mãe, se levantou e falou:


– Aqui, Julieta , fique com o meu lugar, por favor.


– Não – exclamou a Sra. Sampaio, com firmeza. – Você não tem se sentido muito bem, Julia. Precisa se sentar.


Aurélio achou que Julia era o retrato da saúde perfeita, mas ela obedeceu à mãe.


– Julieta – chamou Prudence, bem alto, de perto da janela. – Preciso falar com você.


Julieta olhou, impotente, de Aurélio para Prudence, depois para Julia, em seguida para a mãe.


Aurélio a puxou para mais perto ainda.


– Eu também preciso falar com ela – disse, com delicadeza.


– Certo. Bem, suponho que haja lugar para vocês dois aqui – concedeu a Sra. Sampaio, chegando para o lado, no sofá.



Aurélio ficou meio indeciso entre as boas maneiras que haviam sido marteladas em
sua cabeça desde o nascimento e o enorme desejo de estrangular a mulher que um dia seria a sua sogra. Não tinha a menor ideia do motivo que a levava a tratar Julieta como uma enteada indesejada, mas aquilo precisava parar.


– O que o trouxe até aqui? – berrou Robert Huley.


Aurélio levou a mão à orelha – não conseguiu evitar –, então disse:


– Eu ia...


– Minha nossa – interrompeu a Sra. Sampaio , alvoroçada –, não queremos interrogar nosso convidado, queremos?


Aurélio não pensara que a pergunta de Huley caracterizava um interrogatório, mas não queria insultar a Sra. Sampaio ao dizê-lo, por isso se limitou a assentir e dizer algo completamente sem sentido:


– Sim, bem, é claro.


– É claro o quê? – indagou Philippa.


Ela era casada com Nigel Berbrooke e Aurélio sempre acreditara que formavam um ótimo casal.


– Como? – indagou ele.


– Você disse “É claro” – retrucou Philippa. – O que é claro?


– Não sei.


– Ué, então por que você...


– Philippa – repreendeu a Sra. Sampaio, bem alto –, talvez deva ir buscar a comida, já que Julieta se esqueceu de tocar a campainha para pedi-la.


– Ah, me desculpem – disse Julieta rapidamente, começando a se levantar.


– Não se preocupe – falou Aurélio com um sorriso sereno, agarrando a mão dela e a puxando outra vez para baixo. – Sua mãe disse que Prudence podia ir.


– Philippa – corrigiu Julieta.


– O que tem Philippa?


– Ela disse que Philippa podia ir, não Prudence.


Ele se perguntou o que teria acontecido com o cérebro dela, porque em algum momento entre a carruagem e aquele sofá, ele havia claramente desaparecido.


– Isso tem alguma importância? – perguntou.


– Na verdade, não, mas...


– Julia – interrompeu a Sra. Sampaio –, por que não conta ao Sr. Cavalcante
sobre suas aquarelas?


Aurélio não conseguia imaginar um assunto menos interessante (exceto, talvez, pelas aquarelas de Philippa), mas ainda assim virou-se para a mais nova das Sampaios com um sorriso simpático e perguntou:


– Como vão as suas aquarelas?


Mas graças a Deus a garota apenas sorriu para ele de maneira igualmente simpática e limitou-se a dizer:


– Acho que vão bem, obrigada.


A Sra. Sampaio fez uma expressão de quem acabara de engolir uma enguia viva e exclamou:


– Julia!


– Sim? – respondeu Julia, solícita.


– Você não contou a ele que venceu um prêmio. – Ela se virou para Aurélio. – As aquarelas de Julia são bastante exclusivas. – Voltou-se outra vez para a filha. – Conte ao Sr. Cavalcante
sobre o prêmio.


– Ah, eu acho que ele não está interessado.


– É claro que está – retrucou a Sra. Sampaio com algum esforço.


Em uma situação normal, Aurélio teria dito É claro que estou, já que era, afinal de contas, um sujeito muito afável, mas fazer isso seria validar a afirmação da Sra. Sampaio e, talvez o mais grave de tudo, estragar o divertimento de Julia.


E a garota parecia estar se divertindo a valer.


– Philippa – disse a Sra. Sampaio –, você não ia atrás da comida?


– Ah, é mesmo! Esqueci completamente. Vamos, Nigel, assim você me faz companhia.


– É para já! – exclamou o homem, exultante.


Com isso, ele e Philippa deixaram a sala, rindo o caminho todo.


Aurélio reafirmou, então, a certeza de que o casamento dos dois tinha sido uma ótima decisão.


– Acho que vou até o jardim – anunciou Prudence de repente, tomando o braço do marido. – Julieta, por que não vem comigo?


Julieta abriu a boca por alguns segundos antes de decidir o que dizer, o que lhe conferiu uma aparência um pouco parecida com a de um peixe confuso (mas, na opinião de Aurélio, um peixe bastante cativante, se isso fosse possível). Por fim, empinou o queixo com uma expressão decidida e falou:


– Agora não, Prudence.


– Julieta! – exclamou a Sra. Sampaio.


– Preciso que me mostre uma coisa – insistiu Prudence, falando entre os dentes.


– Eu realmente acho que sou necessária aqui – devolveu Julieta. – Posso me juntar a você logo mais, à tarde, se desejar.


– Preciso de você agora.


Julieta olhou para a irmã, surpresa, claramente sem esperar tal resistência.


– Me desculpe, Prudence – falou. – Creio ser necessária aqui.


– Bobagem – disse a Sra. Sampaio, em um tom muito jovial. – Julia e eu podemos fazer companhia para o Sr. Cavalcante.


Julia se levantou de repente.


– Ah, não! – exclamou, os olhos muito redondos e inocentes. – Esqueci uma coisa.


– O que você poderia ter esquecido? – perguntou a Sra. Sampaio entre os dentes.


– Err... as minhas aquarelas. – Ela se virou para Aurélio com um sorriso ao mesmo tempo doce e travesso. – Você queria vê-las, não queria?


– É claro – murmurou ele, decidindo que gostava muito da irmã caçula de Julieta. – Considerando que são tão exclusivas.


– Pode-se dizer que são exclusivamente comuns – afirmou Julia com um aceno de cabeça muito convicto.


– Julieta – começou a Sra. Sampaio, e era claro que tentava esconder a irritação –, poderia me fazer a gentileza de ir buscar as aquarelas de Julia ?


– Ela não sabe onde estão – retrucou Julia, apressada.


– Por que não lhe diz?


– Pelo amor de Deus – explodiu Aurélio
, finalmente –, deixe que Julia vá. De qualquer forma, preciso de um momento a sós com a senhora.


O silêncio reinou. Era a primeira vez que
Aurélio Cavalcante perdia a
paciência em público. Ao seu lado, ele ouviu Julieta sufocar um pequeno grito, mas, quando olhou para ela, viu que escondia um minúsculo sorriso por trás da mão.



E isso o fez sentir-se muito bem.



– Um momento a sós? – ecoou a Sra. Sampaio, levando a mão trêmula até o peito.


Olhou para Prudence e Robert, que continuavam de pé ao lado da janela. Imediatamente os dois deixaram o aposento, ainda que com um bocado de resmungos da parte de Prudence.


– Julieta – chamou a Sra, Sampaio –, talvez deva acompanhar Julia.


– Julieta fica – retrucou Aurélio, com convicção.


–Julieta – repetiu a Sra. Sampaio, indecisa.


– Sim – confirmou Aurélio , bem devagar, caso ela continuasse sem compreender o que ele queria dizer. – Julieta.


– Mas...


Aurélio a olhou com tal ferocidade que ela chegou a se encolher e colocar as mãos sobre o colo.


– Já estou indooo! – cantarolou Julia, deixando o aposento.


Antes que a garota fechasse a porta às suas costas, porém, Aurélio a viu dar uma rápida piscadela para Julieta.


E Julieta sorriu, o amor pela irmã mais nova ficando muito evidente em seu olhar.


Aurélio relaxou. Não se dera conta de como a infelicidade de Julieta o deixara tenso. E ela estava, sem dúvida, sentindo-se a última das criaturas. Por Deus, mal podia esperar para tirá-la do seio daquela família terrível.


A Sra. Sampaio esticou os lábios numa débil tentativa de sorrir. Olhou de Aurélio para Julieta, depois de volta para ele e, por fim, indagou:


– Queria falar comigo?


– Queria – respondeu ele, ansioso por dar logo um fim àquilo. – Eu ficaria imensamente honrado se a senhora me concedesse a mão de sua filha em casamento.


Por um instante, a Sra. Sampaio não esboçou reação alguma. Depois ela arregalou os olhos, que ficaram bem redondos, abriu a boca, que ficou bem redonda, inflou o corpo, que ficou... bom, o corpo já era bem redondo. Então começou a bater palmas, incapaz de dizer qualquer coisa além de:


– Ah! Ah! – Em seguida: – Julia! Julia !



Julia?



Portia se levantou de um salto, correu até a porta e gritou feito uma vendedora de peixe:


– Julia ! Julia !


– Ah, mamãe – gemeu Julieta, fechando os olhos.


– Por que está chamando Julia? – indagou Aurélio, pondo-se de pé.


A Sra. Sampaio virou-se para ele, confusa.


– O senhor não quer se casar com Julia?


Aurélio achou que ia passar mal.


– Não, pelo amor de Deus, eu não quero me casar com Julia! – vociferou. – Se quisesse me casar com ela, por acaso a teria mandado buscar as malditas aquarelas?


A Sra. Sampaio engoliu em seco desconfortavelmente.


– Sr. Cavalcante – falou, retorcendo as mãos. – Eu não compreendo.


Ele a fitou horrorizado, sensação que logo se transformou em repulsa.


– Julieta – disse, agarrando a mão da jovem e puxando-a para si até que estivesse bem colada a ele. – Eu quero me casar com Julieta.


– Julieta – ecoou a Sra. Sampaio. – Mas…


– Mas o quê? – interrompeu ele, com a voz muito ameaçadora.


– Mas... mas...


– Está tudo bem, Aurélio – apaziguou Julieta, apressada. – Eu...


– Não, não está tudo bem – explodiu ele. – Eu jamais dei a menor indicação de estar interessado em Julia .


Julia surgiu à porta, levou a mão à boca e sumiu de novo no mesmo instante, sabiamente fechando a porta ao passar.


– Eu sei – retrucou Julieta de forma apaziguadora, lançando um olhar rápido para a mãe –, mas Julia é solteira e...


– Você também é – observou ele.


– Eu sei, mas estou velha e...


– E Julia é um bebê – cuspiu Aurélio. – Meu Deus, casar-me com ela seria como me casar com Lídia.


– É, a não ser pelo fator incesto – lembrou Julieta.


Ele a encarou como se não tivesse achado aquilo nada engraçado.


– Certo – disse ela, em grande parte para preencher o silêncio. – Foi só um grande mal-entendido, não é mesmo?


Como ninguém respondeu, Julieta olhou para Aurélio, suplicante.


– Não é?


– É claro – murmurou ele.

Ela se virou para a Sra. Sampaio.


– Mamãe?


– Julieta? – murmurou ela.


Julieta sabia que a mãe não lhe fazia uma pergunta. Na verdade, ainda expressava incredulidade por Aurélio desejar se casar com ela.


E, ah, como aquilo doía, embora já devesse estar acostumada.


– Eu gostaria de me casar com o Sr. Cavalcante – falou, tentando soar o mais digna possível. – Ele me pediu e eu aceitei.


– Ora, é claro que aceitou – retorquiu a mãe. – Teria de ser idiota para não aceitar.


– Sra. Sampaio – começou Aurélio, irritado. – Sugiro que comece a tratar minha futura esposa com um pouco mais de respeito.


– Aurélio , isso não é necessário – disse Julieta , colocando uma das mãos sobre o braço dele, embora seu coração voasse naquele momento.


Talvez Aurélio não a amasse, mas se importava com ela. Nenhum homem defenderia uma mulher com tamanha ferocidade se não se importasse ao menos um pouquinho com ela.


– É necessário, sim – retrucou ele. – Pelo amor de Deus, Julieta, eu cheguei com você. Deixei perfeitamente claro que exigia a sua presença na sala e quase empurrei Julia porta afora para que buscasse as aquarelas. Por que diabo alguém acharia que eu quero me casar com ela?


A Sra. Sampaio abriu e fechou a boca diversas vezes antes de dizer, por fim:


– Eu amo Julieta , é claro, mas é que...


– Mas a senhora a conhece? – devolveu Aurélio. – É encantadora, inteligente e tem um ótimo senso de humor. Quem não
gostaria de se casar com uma mulher como ela?


Julieta teria derretido no chão se não estivesse segurando a mão dele.


– Obrigada – sussurrou, sem se importar com a possibilidade de a mãe tê-la ouvido e nem mesmo ligando se Aurélio a escutara.


De alguma forma, precisava pronunciar a palavra para si mesma.


Ela não achava que fosse tudo aquilo.


Lembrou-se de Lady Danbury, com sua expressão amável e só um pouquinho ardilosa.


Algo mais. Talvez Julieta fosse algo mais, e talvez Aurélio fosse a única outra pessoa a se dar conta disso, também.


O que só fazia com que o amasse ainda mais.


A mãe pigarreou, então inclinou o corpo para a frente e abraçou Julieta. A princípio foi um gesto hesitante de parte de ambas, mas logo a Sra. Sampaio apertou os braços ao redor da filha e, com um grito engasgado, Julieta se pegou retribuindo o afeto com a mesma intensidade.


– Eu a amo, sim, Julieta – disse a Sra. Sampaio –, e estou satisfeita por você. – Afastou-se e enxugou uma lágrima. – Vou me sentir solitária sem a sua presença, é claro, porque imaginei que passaríamos o resto da vida juntas, mas isto é o melhor para o seu futuro, e como mãe eu preciso aceitar.


Julieta deu uma leve fungada, então tateou cegamente à procura do lenço de Aurélio, que ele já sacara do bolso e estendia à sua frente.


– Um dia você irá entender – disse Portia, dando um tapinha no braço da filha. Então se virou para Aurélio e disse: – Estamos encantados em recebê-lo em nossa família.


Ele assentiu com a cabeça, sem grande entusiasmo, mas Julieta achou que ele fez um belo esforço, considerando a raiva que sentira apenas alguns instantes atrás.


Ela sorriu e apertou a mão dele, ciente de que estava prestes a embarcar na maior aventura de sua vida.



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