História A love for life!!! - Capítulo 34


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Categorias Orgulho e Paixão, Os Bridgertons
Personagens Aurélio Cavalcante, Julieta Sampaio Bittencourt "Rainha do Café", Mariana Benedito
Tags Aurieta
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Palavras 1.964
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Romance e Novela, Suspense

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 34 - Como me sinto...


– Sabe – começou Mariana, três dias depois de Aurélio e Julieta fazerem o seu anúncio surpresa –, é mesmo uma pena que Lady Whistledown tenha se aposentado, porque essa teria sido a notícia da década.


– Do ponto de vista de Lady Whistledown, sem dúvida seria – murmurou Julieta, levando a xícara de chá aos lábios e mantendo os olhos colados no relógio de parede da sala de visitas informal de Lady Cavalcante.


Pensou que seria melhor não olhar direto para Mariana. Ela tinha um jeito todo seu de descobrir segredos nos olhos das pessoas.


Era engraçado. Julieta passara anos sem se preocupar – ao menos não muito – que a amiga desvendasse a verdade sobre Lady Whistledown. Mas agora que Aurélio sabia, de alguma forma parecia que o seu segredo flutuava no ar, como partículas de poeira, apenas esperando para se transformarem numa nuvem de conhecimento.


Agora que um dos Cavalcantes a tinha descoberto, talvez fosse só questão de tempo antes que os outros fizessem o mesmo.


– O que quer dizer? – perguntou Mariana , interrompendo os pensamentos nervosos de Julieta.


– Se me lembro bem – começou Julieta, com cautela –, ela escreveu certa vez que teria de se aposentar se eu algum dia me casasse com um Cavalcante.


Mariana arregalou os olhos.


– Escreveu?


– Ou algo do tipo – retrucou Julieta.


– Você está brincando – disse Mariana, descartando a ideia com um aceno de mão. – Ela jamais seria cruel a esse ponto.

Julieta tossiu, sem achar que poderia dar fim ao assunto fingindo estar com uma migalha de biscoito na garganta, mas tentando mesmo assim.


– Não, sério – insistiu Mariana –, o que foi que ela disse?


– Não lembro as palavras exatas.


– Tente.


Julieta tentou ganhar tempo pousando a xícara e pegando outro biscoito. Estavam tomando o chá sozinhas, o que era estranho. Mas Lady Cavalcante havia arrastado Aurélio para irem tomar alguma providência relacionada ao casamento iminente – marcado para dali a um mês! –, e Lídia estava fora fazendo compras com Julia, que ao ouvir a novidade de Julieta havia atirado os braços ao redor da irmã e dado gritinhos estridentes de alegria até os ouvidos dela ficassem entorpecidos.


Tinha sido um maravilhoso momento entre irmãs.


– Bem – disse Julieta, mordiscando um biscoito –, acho que falou que, se eu me casasse com um Cavalcante , seria o fim do mundo conforme ela o conhecia e, como ela não saberia entender um mundo assim, teria de se aposentar.


Mariana a fitou por um momento.


– E isso não é uma lembrança precisa?


– Não há como esquecer algo assim – comentou Julieta .


– Humpf. – Mariana fez uma careta de desdém. – Bem, eu diria que isso foi terrível da parte dela. Agora mesmo é que eu queria que ainda estivesse escrevendo, porque teria de engolir as próprias palavras.


– Você é uma boa amiga, Mariana – disse Julieta , baixinho.


– Sou, sim – retrucou Mariana , com um suspiro afetado. – Eu sei disso. Das melhores.


Julieta sorriu. A resposta jovial de mar deixou claro que não estava com disposição para emoção ou nostalgia. O que era bom. Tudo na vida tinha seu momento e lugar. Julieta dissera o que sentia e sabia que era recíproco da parte de Mariana, ainda que a amiga preferisse brincar e zombar dela naquele momento.


– Devo confessar, no entanto – continuou Mariana , pegando mais um biscoito –, que você e Aurélio me surpreenderam.


– Nós também me surpreendemos – admitiu Julieta, irônica.


– Não que eu não esteja encantada – apressou-se em acrescentar Mariana. – Não há ninguém que eu gostaria mais de ter como irmã. Bem, além das que já tenho, é claro. E se algum dia eu tivesse sonhado que vocês dois demonstrariam qualquer inclinação nessa direção, teria conspirado a favor sem qualquer pudor.


– Eu sei – disse Julieta, sem conseguir segurar o riso.


– Sim, bem... Não sou exatamente conhecida por cuidar da minha própria vida.


– O que é isso nos seus dedos? – indagou Julieta, chegando o corpo para a frente para poder ver melhor.


– O quê? Isso? Ah, nada. – Mas pousou as mãos sobre o colo, ainda assim.


– Não parece não ser nada – insistiu Julieta. – Deixe-me ver. Parece tinta.


– Bem, é claro que parece. É tinta.


– Então por que não disse logo, quando perguntei?


– Porque não é da sua conta – retrucou Mariana, com insolência.


Julieta recuou, chocada com o tom brusco da amiga.

– Me desculpe – disse, secamente. – Não fazia ideia de que tinha tocado em um assunto tão delicado.


– Ah, mas não é – apressou-se em negar Mariana. – Não seja boba. É só que sou desajeitada e não consigo escrever sem sujar os dedos todos. Eu poderia usar luvas, é claro, mas elas ficariam manchadas e eu teria que trocá-las sempre, e posso lhe garantir que não tenho o menor desejo de gastar toda a minha pequena mesada em luvas.


Julieta a fitou, considerando a longa explicação, então perguntou:


– O que andou escrevendo?


– Nada. Apenas cartas.


Julieta percebeu, pelo tom enérgico da amiga, que ela não queria estender o assunto, mas estava sendo tão atipicamente evasiva que Julieta não conseguiu resistir:

– Para quem?


– As cartas?


– Sim – respondeu Penelope, embora achasse que fosse óbvio.


– Ah, para ninguém.


– Bem, a não ser que sejam um diário, não podem ser para ninguém – atalhou Julieta, a impaciência acrescentando um tom ríspido à voz.


Mariana olhou para ela com uma leve expressão de afronta.


– Você está um pouco intrometida hoje.


– Só porque você está muito evasiva.


– São para Francesca – disse Mariana, com um pequeno resfolegar.


– Ora, então por que não falou antes?


Mariana cruzou os braços.


– Talvez não tenha gostado de você ficar me questionando.

Julieta ficou boquiaberta. Não conseguia se lembrar de nenhuma vez em que ela e Mariana haviam tido qualquer coisa que se assemelhasse a uma briga.


– Mariana, o que há de errado?


– Não há nada de errado.


– Eu sei que não é verdade.


A garota ficou em silêncio, limitando-se a franzir os lábios e olhar em direção à janela, numa clara tentativa de encerrar o assunto.


– Está zangada comigo? – insistiu Julieta.


– Por que haveria de estar zangada com você?


– Não sei, mas me parece claro que está.


Mariana deixou escapar um pequeno suspiro.


– Não estou zangada.


– Bem, está alguma coisa.


– Eu só... eu só... – Ela balançou a cabeça. – Não sei. Estou inquieta, acho. Estranha.


Julieta permaneceu em silêncio enquanto digeria aquilo, então disse, baixinho:


– Há algo que eu possa fazer?


– Não. – Mariana sorriu, soturna. – Se tivesse, pode ter certeza de que eu já teria lhe pedido.


Julieta sentiu uma risada brotando de si. Era tão típico de Mariana fazer um comentário como aquele...


– Acho que... – prosseguiu Mariana, erguendo o queixo, perdida em pensamentos. – Não, deixe para lá.


– Não – retrucou Julieta, estendendo a mão e tomando a da amiga. – Fale.


Mariana puxou a mão e desviou o olhar.


– Você vai me achar tola.


– Talvez – atalhou Julieta , sorrindo –, mas continuará sendo a minha melhor amiga.


– Ah, Julieta , não sou digna disso – disse Mariana , triste.


– Mariana, não diga tamanha loucura. Eu teria enlouquecido por completo, tentando me situar em Londres, em meio à alta sociedade, sem você.


Mariana sorriu.


– Nós bem que nos divertimos, não foi?


– Bem, sim, quando estávamos juntas – admitiu Julieta . – O resto do tempo foi uma tristeza dos infernos.


– Julieta ! Acho que nunca a ouvi praguejar antes.


Julieta sorriu, encabulada.


– Escapuliu. Além do mais, não consigo pensar numa forma melhor de descrever a vida de uma moça invisível na alta sociedade.


Mariana deixou escapar uma risada inesperada.


– Eis aí um livro que eu adoraria ler: Uma moça invisível na alta sociedade.


– Só se gostar de tragédias.


– Ora, vamos, não pode ser uma tragédia. Tem de ser um romance. Afinal, você vai ter um final feliz.


Julieta sorriu. Por mais estranho que parecesse, ia, sim, ter um final feliz. Aurélio estava sendo um noivo encantador e atencioso, ao menos nos três dias em que vinha desempenhando esse papel. E sem dúvida não era nada fácil: estavam sujeitos a mais especulação e escrutínio do que Julieta poderia ter imaginado.


Mas não estava surpresa; quando ela (como Lady Whistledown) escrevera que o mundo como o conhecia terminaria se uma Sampaio se casasse com um Cavalcante , achara estar ecoando o sentimento geral.


Dizer que a alta sociedade ficara chocada com seu noivado seria, no mínimo, um eufemismo.


No entanto, por mais que Julieta gostasse de antecipar as coisas e refletir sobre o casamento iminente, continuava perturbada com o temperamento estranho da amiga.


– Mariana – começou, séria –, quero que me diga o que a está incomodando tanto.


A jovem deixou escapar um suspiro.


– Tinha esperança de que você esquecesse o assunto.


– Aprendi a ser perseverante com uma mestra – retrucou Julieta .


Isso fez Mariana sorrir, mesmo que só por um instante.


– Eu me sinto tão desleal – disse ela em seguida.


– O que você fez?


– Ah, nada. – Ela levou a mão ao peito na altura do coração. – Está tudo aqui dentro. Eu...


Ela parou e olhou para baixo, na direção das franjas do tapete, mas Julieta achava que a amiga não estava enxergando muita coisa. Ao menos nada além do que atormentava sua mente.


– Estou tão feliz por você... – disse Mariana , despejando as palavras em uma explosão estranha, pontuada por pausas embaraçosas. – E acho, do fundo do coração, que não estou com ciúme. No entanto, ao mesmo tempo...


Julieta esperou enquanto ela organizava os pensamentos. Ou talvez estivesse reunindo coragem.


– Ao mesmo tempo – prosseguiu, tão baixinho que Julieta mal conseguia ouvi-la –, acho que sempre imaginei que você ficaria solteira comigo. Eu escolhi esta vida. Sei que escolhi. Eu poderia ter me casado.


– Eu sei – falou Julieta , com a voz também baixa.


– Mas nunca me casei, porque jamais pareceu certo, e eu não quis me acomodar por menos do que os meus irmãos e irmãs conseguiram. E agora, Aurélio também – continuou ela, fazendo um sinal na direção de Julieta.


Julieta não mencionou que Aurélio não dissera que a amava. Não parecia o momento certo ou, francamente, o tipo de coisa que desejasse compartilhar. Além do mais, mesmo que não a amasse, ela ainda achava que se importava com ela, e isso era o bastante.


– Eu jamais desejaria que você não se casasse – explicou Mariana. – Só achei que não fosse acontecer. – Ela fechou os olhos, com uma expressão de agonia. – Não foi isso que eu quis dizer. Não foi minha intenção insultá-la.


– Não, não insultou – atalhou Julieta , com sinceridade. – Eu também nunca achei que me casaria um dia.


Mariana assentiu, triste.


– E, de alguma forma, isso fazia com que ficasse... bem. Eu tinha quase 28 anos e era solteira, você já tinha 28 anos e era solteira, e nós sempre teríamos uma à outra. Mas agora você tem o Aurélio.


– Também tenho você. Pelo menos, espero que sim.


– É claro que tem! – exclamou Mariana. – Mas não vai ser a mesma coisa. Você precisa ser fiel ao seu marido. Ou, pelo menos, é o que todos dizem – acrescentou ela com um brilho travesso nos olhos. –Aurélio virá em primeiro lugar, e é assim que deve ser. E, para ser sincera – acrescentou, o sorriso tornando-se um pouco zombeteiro –, eu teria de matá-la se fosse diferente. Afinal, ele é o meu irmão preferido. Realmente, não seria justo que ele tivesse uma mulher desleal.


Julieta riu alto ao ouvir aquilo.


– Você me odeia? – indagou Mariana .


Julieta balançou a cabeça.


– Não – retrucou, baixinho. – Se for possível, eu a amo ainda mais, pois sei como foi difícil falar sobre isso comigo.


– Fico tão feliz por ter dito isso! – comemorou Mariana, com um suspiro alto e dramático. – Estava morrendo de medo que você falasse que a única solução seria eu também arrumar um marido.


A ideia havia, de fato, passado pela cabeça de Julieta, mas ela fez que não e afirmou:


– É claro que não.


– Que bom. Porque a minha mãe não para de falar isso.


Julieta sorriu.


– Eu ficaria surpresa se ela não o fizesse.



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