História A love for life!!! - Capítulo 35


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Categorias Orgulho e Paixão, Os Bridgertons
Personagens Aurélio Cavalcante, Julieta Sampaio Bittencourt "Rainha do Café", Mariana Benedito
Tags Aurieta
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Palavras 2.701
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Romance e Novela, Suspense

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 35 - Um momento a sós..


– Boa tarde, senhoras!


As duas ergueram a vista e depararam com Aurélio entrando na sala. O coração de Julieta deu um pequeno salto ao vê-lo e ela ficou sem fôlego. Já sentia isso havia anos, sempre que ele entrava em algum aposento, mas agora era diferente, mais intenso.


Talvez por ela saber.


Saber como era estar com ele, ser desejada por ele.


Saber que ele seria seu marido.


Seu coração deu outro salto.


Aurélio deixou escapar um gemido alto.


– Vocês acabaram com toda a comida?


– Só havia um prato pequeno de biscoitos – disse Mariana em defesa das duas.


– Não foi isso que me levaram a crer – resmungou ele.


Julieta e Mariana se entreolharam e começaram a rir.


– O que foi? – quis saber Aurélio , se abaixando para dar um beijo rápido e atencioso no rosto de Julieta.


– Você foi tão dramático... – explicou Mariana. – É só comida.


– Nunca é só comida – retrucou Aurélio, atirando-se em uma poltrona.


Julieta continuava a se perguntar quando sua bochecha pararia de formigar.


– E então – disse ele, pegando um biscoito comido pela metade do prato de Mariana –, sobre o que as duas estavam falando?


– Lady Whistledown – respondeu Mariana prontamente.


Julieta engasgou com o chá.


– É mesmo? – perguntou Aurélio, com delicadeza, embora Julieta tivesse detectado uma indiscutível impaciência em sua voz.


– É – confirmou Mariana . – Eu dizia a Julieta que é mesmo uma pena que ela tenha se aposentado, já que o seu noivado teria sido o mexerico mais digno de nota desta temporada.


– Interessante como isso foi acontecer – murmurou Aurélio.


– Aham – concordou Mariana. – Sem dúvida ela dedicaria uma coluna inteira ao seu baile de noivado amanhã.


Julieta não afastou a xícara da boca.


– Quer mais um pouco? – perguntou-lhe Mariana.


Ela fez que sim com a cabeça e lhe passou a xícara, embora tenha sentido muito a falta do objeto que estivera lhe servindo de escudo. Sabia que Mariana tinha tocado no nome de Lady Whistledown porque não queria que Aurélio soubesse de seus sentimentos ambíguos com relação ao casamento, mas ainda assim desejava com todas as forças que a amiga houvesse dito qualquer outra coisa em resposta à pergunta do irmão.


– Por que não pede mais comida? – sugeriu Mariana a Aurélio.


– Já pedi. Wickham me interceptou no corredor e perguntou se eu estava com fome. – Jogou o último pedacinho do biscoito de Mariana na boca. – Sábio, esse Wickham.


– Aonde foi hoje, Aurélio ? – indagou Julieta , ansiosa por desviar o assunto de Lady Whistledown de uma vez por todas.


Ele balançou a cabeça, agoniado.


– Como se fosse possível saber. Mamãe me arrastou de loja em loja o dia inteiro.


– Você não tem 33 anos? – indagou Mariana , toda doce.


Ele lhe respondeu com um olhar fuzilante.


– Eu só acho que você já passou da idade de ter a mamãe o arrastando por aí, só isso – murmurou ela.


– Mamãe nos arrastará por aí mesmo quando formos velhos tolos e senis, e você sabe disso – replicou ele. – Além do mais, está encantada por me ver casado, e eu realmente não consigo estragar o divertimento dela.


Julieta suspirou. Devia ser por isso que amava aquele homem. Qualquer um que tratasse a mãe tão bem sem dúvida daria um ótimo marido.


– E como estão indo os nossos preparativos do casamento? – perguntou Aurélio a Julieta.


Ela fez uma careta involuntária.


– Nunca me senti tão exausta em toda a minha vida – admitiu.


Ele estendeu a mão e catou uma migalha do prato dela.


– Devíamos fugir.


– Ah, podemos mesmo? – perguntou Julieta, pronunciando as palavras num ímpeto.


Ele piscou, aturdido.


– Na verdade eu estava brincando, embora me pareça uma ótima ideia.


– Vou providenciar uma escada – disse Mariana , batendo palmas de contentamento. – Assim você poderá chegar até o quarto dela e sequestrá-la.


– Tem uma árvore – argumentou Julieta. – Aurélio não terá a menor dificuldade.


– Meu Deus! – exclamou ele. – Não está falando sério, está?


– Não – suspirou ela. – Mas poderia. Se você estivesse.


– Não posso estar. Tem ideia do que isso faria com a minha mãe? – Ele revirou os olhos. – Sem falar na sua.


Julieta gemeu.


– Eu sei.


– Ela sairia à minha caça e me mataria – disse ele.


– A minha ou a sua?


– As duas. Uniriam forças. – Ele esticou o pescoço em direção à porta. – Onde está a comida?


– Você acabou de chegar, Aurélio –comentou Mariana. – Aprenda a esperar.


– E eu pensando que Wickham fosse alguma espécie de feiticeiro – resmungou ele – capaz de fazer a comida aparecer com um simples estalar dos dedos.


– Aqui está, senhor!


Era a voz de Wickham, que entrava elegantemente na sala com uma enorme bandeja.


– Viu só? – comentou Aurélio, erguendo as sobrancelhas primeiro para Mariana e depois para Julieta. – Eu lhes disse.


– Por que será que estou pressentindo que ouvirei essas palavras saindo da sua boca muitas vezes no futuro? – falou Julieta.


– Muito provavelmente porque ouvirá – respondeu Aurélio . – Você logo descobrirá – e aqui ele lhe lançou um sorriso muito insolente – que estou quase sempre certo.


– Ora, por favor – gemeu Mariana.


– Vou ter que concordar com Mariana neste caso – disse Julieta.


– E ficar contra o seu marido? – Ele levou uma das mãos ao coração (enquanto a outra apanhava um sanduíche). – Isso me magoou.


– Você ainda não é meu marido.


Aurélio se virou para Mariana.


– A gatinha tem garras.


Mariana ergueu as sobrancelhas.


– Não se deu conta disso antes de pedi-la em casamento?


– É claro que sim – respondeu ele, dando uma mordida no sanduíche. – Só não pensei que as usaria contra mim.


Então ele a olhou com uma expressão de tanto desejo e domínio que Julieta ficou completamente derretida.


– Bem – anunciou Mariana, levantando-se de repente. – Vou conceder aos futuros recém-casados alguns momentos de privacidade.


– Mas quanta consideração da sua parte – murmurou Aurélio.


Mariana olhou para ele com um sorriso irritado.


– Qualquer coisa por você, meu querido irmão. Ou melhor – acrescentou, a expressão tornando-se sarcástica –, qualquer coisa por Julieta.


Aurélio se levantou e se virou para a noiva.


– Parece que estou despencando na ordem de prioridades.


Julieta sorriu por trás da xícara e disse:


– Jamais ficar no meio de uma rusga entre Cavalcantes agora faz parte da minha política pessoal.


– Ha ha! – riu Mariana . – Sinto informar que não conseguirá manter essa política por muito tempo, Srta. Quase- Cavalcante. Além do mais – acrescentou, com um sorriso malicioso –, se está pensando que isto aqui é uma rusga, mal posso esperar que nos veja em plena forma.


– Está querendo dizer que eu nunca vi? – perguntou Julieta.


Tanto Mariana quanto Aurélio balançaram a cabeça de uma forma que a deixou muito temerosa.


Ah, céus.


– Há algo que eu deva saber? – perguntou Julieta .


Aurélio deu um sorriso ardiloso.


– Tarde demais.


Julieta olhou para Mariana com uma expressão de impotência, mas a amiga só riu enquanto saía da sala, fechando a porta ao passar.


– Isso foi realmente simpático da parte de Mariana – murmurou Aurélio.


– O quê? – indagou Julieta, com um ar de inocência.


Os olhos dele brilharam.


– A porta.


– A porta? Ah! – exclamou ela. – A porta.


Aurélio sorriu enquanto se aproximava do sofá para se sentar ao seu lado. Havia algo encantador a respeito de Julieta numa tarde chuvosa. Ele mal a tinha visto desde que ficaram noivos – os preparativos para um casamento tinham um jeito todo especial de fazer isso com um casal –, e, no entanto, ela não saíra de sua mente, nem mesmo durante o sono.


Engraçado como aquilo acontecera. Havia passado anos sem jamais pensar nela de verdade, a não ser que estivesse bem diante dele, e agora ela permeava cada um de seus pensamentos.


Cada um de seus desejos.


Como aquilo havia ocorrido?


Quando ocorrera?


E tinha alguma importância, de fato? Talvez a única coisa que importasse era que ele a desejava e que ela era – ou pelo menos ia ser – sua. Uma vez que colocasse a aliança no dedo dela, os comos, porquês e quandos se tornariam irrelevantes, contanto que aquela loucura que ele sentia jamais passasse.


Levou o dedo ao queixo de Julieta e inclinou seu rosto em direção à luz. Os olhos dela brilhavam de ansiedade e os lábios... Por Deus, como era possível que os homens de Londres jamais tivessem notado como eram perfeitos?
Ele sorriu. Aquela era uma loucura permanente. E ele não podia estar mais satisfeito.


Aurélio jamais fora contrário ao casamento. Só era contra um casamento entediante. Não era exigente; apenas desejava paixão, amizade, uma conversa estimulante em termos intelectuais e uma boa risada de vez em quando. Uma esposa a quem não quisesse trair.


Surpreendentemente, encontrara isso em Julieta .


Só o que precisava fazer agora era se certificar de que o Grande Segredo dela permanecesse assim. Um segredo.


Porque achava que não aguentaria ver a dor nos olhos de Julieta caso fosse rejeitada pela sociedade.


– Aurélio ? – sussurrou ela com a respiração entrecortada, fazendo com que ele realmente desejasse beijá-la.


Ele chegou mais perto.


– Hum?


– Estava tão calado...


– Estava só pensando.


– Em quê?


Ele lhe deu um sorriso tolerante.


– Você anda passando tempo demais com a minha irmã.


– O que isso quer dizer? – indagou ela, os lábios estremecendo de tal forma que ele percebeu que ela jamais deixaria de zombar dele.


Ali estava uma mulher que o manteria sempre em estado de alerta.


– Você parece ter desenvolvido certa tendência à insistência.


– Tenacidade?


– Também.


– Mas isso é bom.


Os lábios dos dois continuavam a poucos centímetros de distância, mas o impulso de darem continuidade à conversa provocante era muito forte.


– Quando você insiste em proclamar obediência ao seu marido – murmurou ele –, é uma coisa boa.


– É mesmo?


Aurélio moveu o queixo muito de leve para cima e para baixo, na insinuação de um sim.


– E quando você agarra o meu ombro com tenacidade quando eu a beijo, isso também é bom.


Ela arregalou os olhos escuros de forma tão encantadora que ele teve de acrescentar:


– Você não acha?


Então ela o surpreendeu.


– Assim? – falou, colocando as mãos nos ombros dele.


Seu tom de voz era desafiador, e os olhos, puro flerte.


Deus, como ele adorava o fato de ela conseguir surpreendê-lo...


– Isso é um começo – falou. – Talvez você tenha de... – ele deslocou uma das mãos de maneira a cobrir a de Julieta, pressionando os dedos dela na própria pele – me abraçar com um pouco mais de tenacidade.


– Entendi – murmurou ela. – Então o que está dizendo é que eu jamais deveria soltá-lo?


Ele pensou naquilo por um momento.


– Isso mesmo – respondeu, dando-se conta de que havia um significado mais profundo nas palavras dela, quer fosse a intenção ou não. – É exatamente o que estou dizendo.


E então as palavras já não eram mais necessárias. Levou os lábios aos dela, a princípio com delicadeza, mas em seguida o ardor tomou conta dele, e Aurélio a beijou com uma paixão que nem ele mesmo sabia que possuía. Não era uma questão de desejo – ou, pelo menos, não apenas.


Era uma questão de necessidade.


Experimentou uma sensação estranha, ardente e feroz que o incitava a reivindicá-la, a de alguma forma marcá-la como sua.


Desejava-a desesperadamente e não tinha a menor ideia de como haveria de resistir um mês inteiro antes do casamento.


– Aurélio ? – arfou Julieta, enquanto ele a deitava de costas no sofá.


Ele beijava seu queixo e seu pescoço, e os lábios estavam ocupados demais para qualquer coisa além de um murmúrio:


– Hum?


– Nós... Ah!


Ele sorriu ao mesmo tempo que mordiscava o lóbulo da orelha dela. Se ela conseguisse terminar uma frase, então ele claramente não a estava deixando tão tonta quanto deveria.


– O que estava dizendo? – sussurrou, então lhe deu um beijo profundo na boca, somente para torturá-la.


Depois afastou os lábios dos dela apenas o suficiente para que ela retrucasse:


– Eu só...


Logo ele a interrompeu com outro beijo e ficou tonto de prazer quando ela gemeu de desejo.


– Me desculpe – falou Aurélio , correndo as mãos por baixo da bainha do vestido dela e, em seguida, as usando para fazer todo tipo de coisas perversas com as panturrilhas dela. – O que você estava dizendo mesmo?


– Eu? – indagou ela, com os olhos Ele subiu as mãos um pouco mais, até a parte de trás dos joelhos dela.


– Você estava dizendo alguma coisa – respondeu ele, pressionando o quadril contra o dela por achar que explodiria em chamas naquele exato momento se não o fizesse. – Eu acho – sussurrou, deslizando a mão pela pele macia de sua coxa – que ia me pedir para tocá-la aqui.


Ela arfou, depois gemeu e então, de alguma forma, conseguiu retrucar:


– Acho que não era isso que eu ia dizer.


Ele sorriu de encontro ao seu pescoço.


– Tem certeza?


Ela fez que sim.


– Quer que eu pare?


Ela fez que não. Freneticamente.


Ele se deu conta de que poderia possuí-la naquele instante. Podia fazer amor com ela bem ali, no sofá da mãe, e ela não só permitiria como adoraria.


Não seria uma conquista. Não seria nem mesmo uma sedução.


Seria mais do que isso. Quem sabe até mesmo...


Amor.


Ele ficou paralisado.


– Aurélio ? – sussurrou ela, abrindo os olhos.


Amor?


Não era possível.


– Aurélio?


Ou talvez fosse.


– Há algo errado?


Não é que ele temesse o amor, ou não acreditasse nele. Apenas... não o esperara.


Sempre pensara que o amor caísse sobre as pessoas como um raio, que um dia, ao flanar por um salão em uma festa, morto de tédio, um homem deparasse com uma mulher e soubesse, no mesmo instante, que sua vida estava mudada para sempre. Fora isso que acontecera com o irmão, Bernardo, e Deus sabia que ele e a esposa, Sophie, eram imensamente felizes levando uma vida rústica, no campo.


Mas Julieta... Ela chegara de mansinho, sem ser vista. A mudança havia sido lenta, quase letárgica, e se era amor, bem...


Se era amor, será que ele não saberia?


Observou-a com toda a atenção, talvez esperando encontrar a resposta em seus olhos, ou no movimento de seus cabelos, ou na maneira como o corpete do vestido se entortava levemente para um lado. Talvez, se a observasse por tempo suficiente, soubesse.


– Aurélio? – sussurrou ela, começando a demonstrar um pouco de ansiedade.


Ele a beijou outra vez, agora com uma determinação feroz. Se aquilo era amor, será que não ficaria óbvio quando se beijassem?


Mas se a sua cabeça e o seu corpo funcionavam separados um do outro, então era claro que o beijo estava ligado ao corpo, porque, enquanto a mente era um borrão confuso, a necessidade do corpo estava bastante evidente.


Droga, agora ele estava sentindo pontadas agudas no baixo-ventre. E não podia fazer nada a respeito na sala de estar da casa da mãe, nem mesmo se Julieta participasse de bom grado.


Começou a se afastar dela, deslizando a mão da coxa em direção ao joelho.


– Não podemos fazer isto aqui.


– Eu sei – concordou ela, tão triste que ele manteve a mão em seu joelho e quase desistiu de fazer o que era correto de acordo com as convenções sociais.


Pensou rápido. Era possível fazer amor com ela sem que ninguém os flagrasse. É claro que, em seu estado atual, seria um ato constrangedoramente curto de qualquer forma.


– Quando é o casamento? – rosnou ele.


– Daqui a um mês.


– O que podemos fazer para adiantá-lo para daqui a quinze dias?


Ela pensou por um momento.


– Suborno ou chantagem. Talvez ambos. Nossas mães não mudariam de ideia com tanta facilidade.


Ele gemeu, mergulhando o quadril de encontro ao dela por um delicioso último momento antes de se afastar. Não podia possuí-la agora. Ela iria ser sua esposa. Haveria muito tempo para amassos ao meio-dia em sofás, mas ele queria usar uma cama pelo menos na primeira vez. Devia isso a ela.


– Aurélio? – disse ela, ajeitando o vestido e os cabelos, embora não houvesse a menor maneira de conseguir que o último ficasse nem remotamente apresentável sem o uso de um espelho, uma escova e talvez até mesmo uma dama de companhia. – Algum problema?


– Eu quero você – sussurrou ele.


Ela o olhou, aturdida.


– Só queria que soubesse disso – continuou. – Não quero que ache que parei porque não a desejo.


– Ah. – Ela fez uma expressão de quem queria dizer alguma coisa; parecia extremamente feliz com as palavras dele. – Obrigada por dizer isso.


Ele tomou a mão dela e a apertou.


– Estou muito desmazelada?

Ele fez que sim.


– Mas é a minha desmazelada – sussurrou ele.


E se sentiu muito satisfeito por aquilo.



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