História A love for life!!! - Capítulo 36


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Categorias Orgulho e Paixão, Os Bridgertons
Personagens Aurélio Cavalcante, Julieta Sampaio Bittencourt "Rainha do Café", Mariana Benedito
Tags Aurieta
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Palavras 2.403
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Romance e Novela, Suspense

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 36 - O que é amar...



Como Aurélio gostava de caminhar e costumava fazer isso com frequência para desanuviar a mente, não foi nenhuma surpresa ter passado tanto tempo do dia seguinte atravessando Bloomsbury, Fitzrovia, Marylbone e diversos outros bairros londrinos até erguer a vista e perceber que estava bem no coração de Mayfair, na Grosvenor Square, para ser mais exato, na frente da Casa Hastings, residência na cidade do duque de Hastings, que por acaso era casado com sua irmã Charlotte.


Já fazia algum tempo que os dois irmãos não dialogavam sobre nada além da corriqueira conversa de família. Charlotte era a irmã que tinha a idade mais próxima da sua e os dois sempre haviam tido uma ligação especial, embora não se vissem mais com muita frequência, tanto por causa das viagens frequentes de Aurélio quanto da atribulada vida familiar de Charlotte.


A Casa Hastings era uma das enormes mansões que pontilhavam Mayfair e St. James. Construída com pedras de Portland, era grande, quadrada e muito imponente em seu esplendor ducal.


O que só fazia com que fosse ainda mais divertido que a atual duquesa fosse a sua irmã, pensou Aurélio, com um sorriso irônico. Não conseguia pensar em ninguém menos altiva ou imponente. Na realidade, Charlotte tinha tido dificuldade em encontrar um marido exatamente por ser tão simpática e afável. Os cavalheiros costumavam vê-la apenas como uma amiga, e não como uma noiva em potencial.


Mas tudo isso mudou quando ela conheceu Simon Bassett, o duque de Hastings, e agora Charlotte era uma respeitável senhora da alta sociedade, com quatro filhos de 10, 9, 8 e 7 anos. Aurélio às vezes ainda achava estranho que a irmã fosse uma mãe de família enquanto ele continuava a ter a vida livre e desimpedida de um homem solteiro. Com apenas um ano de diferença entre eles, os dois irmãos tinham passado pelas diversas fases da vida juntos. Mesmo depois de casada, as coisas não ficaram tão diferentes: ela e Simon continuaram frequentando as mesmas festas que ele e tinham muitos dos mesmos interesses e atividades.


Mas então ela começara a ter filhos, e embora Aurélio sempre ficasse encantado em ganhar mais uma nova sobrinha ou sobrinho, cada nascimento destacava o fato de que Charlotte dera continuidade à sua vida de uma forma muito distinta da dele.


No entanto, ele pensou, sorrindo enquanto o rosto de Julieta invadia os seus pensamentos, em breve isso mudaria.


Filhos. Era uma ideia bastante agradável,na verdade.


Não tinha pensado em visitar Charlotte, mas agora que estava ali achou que poderia entrar para cumprimentá-la, então subiu as escadas e bateu à porta com a aldrava de latão. Jeffries, o mordomo, abriu quase de imediato.


– Sr. Cavalcante – disse ele. – Sua irmã não o esperava.


– Não, decidi lhe fazer uma surpresa. Ela está em casa?


– Vou ver – respondeu o homem com um aceno da cabeça, embora ambos soubessem que Charlotte jamais se recusaria a receber um membro da própria família.


Enquanto Jeffries informava a Charlotte sobre sua presença, Aurélio aguardou na sala de estar, vagando pelo aposento, inquieto demais para se sentar ou mesmo para ficar parado. Alguns minutos depois, Charlotte surgiu à porta parecendo um pouco desarrumada, mas feliz, como sempre.


E por que não deveria estar? Tudo o que ela sempre desejara na vida fora se casar e ter filhos, e ao que parecia a realidade conseguira superar os seus sonhos.


– Olá, minha irmã – cumprimentou Aurélio, com um sorriso, enquanto atravessava a sala para lhe dar um abraço rápido. – Seu ombro está com...


Ela olhou para o próprio ombro, então sorriu envergonhada ao perceber que havia um enorme borrão cinza-escuro sobre o rosa-pálido do vestido.


– Carvão – explicou, pesarosa. – Estava tentando ensinar Caroline a desenhar.


– Você? – indagou Aurélio , em tom de dúvida.


– Eu sei, eu sei – respondeu ela. – Ela realmente não poderia ter escolhido professora pior, mas só decidiu ontem que adora arte, então eu sou tudo o que ela tem, assim, de uma hora para outra.


– Porque você não arruma as malas dela e a manda passar uma temporada com Bernardo? – sugeriu Aurélio. – Tenho certeza que ele adoraria lhe dar uma ou duas aulas.


– A ideia já me passou pela cabeça, mas não tenho nenhuma dúvida de que ela já vai ter passado para alguma outra atividade até eu conseguir tomar as devidas providências. – Ela fez um sinal em direção ao sofá. – Sente-se. Está parecendo um felino enjaulado, andando de um lado para outro desse jeito.


Ele obedeceu, embora estivesse se sentindo incomumente irrequieto.


– E, antes que peça – acrescentou Charlotte –, já solicitei a Jeffries que providencie um lanche. Sanduíches serão o bastante?


– Deu para ouvir o meu estômago roncar do outro lado da sala?


– Do outro lado da cidade, sinto dizer – retrucou ela, rindo. – Toda vez que troveja, David diz que é a sua barriga, sabia disso?


– Ah, meu Deus – murmurou Aurélio, embora não parasse de rir.


O sobrinho era mesmo um menino esperto.


Charlotte sorriu enquanto se acomodava entre as almofadas do sofá e pousava as mãos elegantemente sobre o colo.


– O que o traz aqui, Aurélio? Não que precise de um motivo, é claro. É sempre um prazer vê-lo.


Ele deu de ombros.


– Só estava passando.


– Foi ver Olegário e Susana? – indagou ela. A Casa Cavalcante, onde o irmão mais velho morava com a família, ficava em frente à Casa Hastings, na mesma praça. – Bernardo e Sophie já estão lá com as crianças, para ajudar a preparar o seu baile de noivado, hoje à noite.


Ele balançou a cabeça.


– Não, sinto dizer que você foi a minha vítima escolhida.


Ela sorriu de novo, mas dessa vez a expressão foi mais suave, atenuada por certa dose de curiosidade.


– Há algo de errado?


– Não, é claro que não – respondeu ele, rapidamente. – Por quê?


– Não sei. – Ela inclinou a cabeça para o lado. – Você me parece estranho, só isso.


– Apenas cansado.


Ela assentiu, compreensiva.


– Por causa dos preparativos para o casamento, imagino.


– Isso – retrucou ele, aproveitando a desculpa, embora não tivesse a menor ideia do que tentava esconder dela.


– Bem, lembre-se de que, seja lá o que você estiver passando – disse ela, com uma expressão irritadiça –, é mil vezes pior para Julieta. É sempre pior para as mulheres. Pode acreditar.


– Para casamentos ou para tudo? – indagou ele, com delicadeza.


– Tudo – falou Charlotte, de imediato. – Sei que vocês, homens, acham que têm as coisas sempre sob controle, mas...


– Eu nem sonharia em pensar nisso a sério – disse Aurélio, sem estar sendo inteiramente sarcástico.


Ela franziu a testa, irritada.


– As mulheres têm muito mais a fazer do que os homens. Sobretudo quando se trata de casamentos. Com todas as provas de vestido que Julieta sem dúvida tem marcadas, já deve estar se sentindo como uma almofada para alfinetes.


– Eu sugeri que fugíssemos para nos casarmos – comentou Aurélio, com normalidade –, e acho que ela até teve esperança de que eu estivesse falando sério.


Charlotte riu.


– Fico tão feliz que esteja se casando com ela, Aurélio ...


Ele assentiu, sem planejar lhe dizer nada, então de repente se pegou falando:


– Charlotte ...


– Sim?


Ele abriu a boca e...


– Não é nada.


– Ah, não, você não vai fazer isso – retrucou ela. – Agora aguçou a minha curiosidade.


Ele tamborilou no sofá.


– Será que a comida já está chegando?


– Está mesmo com fome ou só tentando mudar de assunto?


– Estou sempre com fome.


Ela ficou em silêncio por alguns segundos.


– Aurélio, o que ia dizer? – perguntou, por fim, a voz baixa e suave.


Ele se levantou de súbito, inquieto demais para permanecer parado, e pôs-se a caminhar de um lado para outro. Então, parou e se virou para a irmã, para o seu rosto preocupado.


– Não é nada – falou, embora isso não fosse verdade. – Como é que uma pessoa sabe? – perguntou atabalhoadamente, sem ao menos saber que havia completado a frase até ela responder.


– Sabe o quê?


Ele parou diante da janela. Parecia que iria chover. Teria de pegar uma carruagem emprestada de Charlotte, a não ser que quisesse chegar em casa encharcado após a longa caminhada. No entanto, nem sabia por que estava pensando nisso, pois o que queria mesmo saber era...


– Como uma pessoa sabe o quê, Aurélio? – repetiu Charlotte.


Ele se virou e resolveu deixar as palavras saírem, livres:


– Como uma pessoa sabe se é amor?


Por um instante ela apenas o fitou, os olhos castanhos arregalados de surpresa, os lábios entreabertos.


– Deixe para lá – murmurou Aurélio.


– Não! – exclamou ela, levantando-se no mesmo instante. – Fico satisfeita por ter perguntado. Muito satisfeita. Só estou... surpresa, devo dizer.


Ele fechou os olhos, indignado consigo mesmo.


– Não acredito que lhe perguntei isso.


– Não, Aurélio , não seja bobo. É realmente bastante... gentil da sua parte ter perguntado. E não consigo expressar como estou envaidecida por ter me procurado quando...


– Charlotte... – retrucou ele.


A irmã tinha um jeito especial de se afastar do assunto, e ele não estava com disposição para as divagações dela.


De repente, Charlotte estendeu os braços e o abraçou. Depois, ainda com as mãos em seus ombros, disse:


– Eu não tenho ideia.


– Como?


Ela balançou a cabeça de leve.


– Eu não tenho ideia de como uma pessoa sabe que é amor. Acho que é diferente para cada um.– Como você soube?


Ela mordeu o lábio inferior por vários segundos antes de responder:


– Não sei.


– O quê?


Ela deu de ombros, num gesto de impotência.


– Eu não me lembro. Já faz tanto tempo... Eu apenas... soube.


– Então, o que está dizendo – começou Aurélio , encostando-se no peitoril da janela e cruzando os braços – é que se uma pessoa não souber que ama outra, é provável que não ame.


– Isso – retrucou ela, com firmeza. – Não! Não foi isso que eu quis dizer de jeito nenhum.


– Então o que quis dizer?


– Eu não sei – respondeu ela, sem muita convicção.


Ele a fitou.


– E há quanto tempo está casada mesmo? – murmurou ele.


– Ora, Aurélio , não zombe de mim, estou tentando ajudar.


– E eu agradeço a tentativa, mas, realmente, Charlotte , você...


– Eu sei, eu sei – interrompeu ela. – Eu sou uma inútil. Mas ouça: você gosta de Julieta ? – Então ela sufocou um grito, horrorizada. – Estamos falando de Julieta , certo?


– É claro que estamos – retrucou ele, com impaciência.


Charlotte suspirou aliviada.


– Que bom, porque, se não fosse, posso garantir que não teria nenhum conselho para lhe dar.


– Vou embora – anunciou ele, de forma abrupta.


– Não, não vá – implorou ela, colocando a mão sobre o seu braço. – Fique, Aurélio, por favor.


Ele olhou para a irmã e suspirou, experimentando uma sensação de derrota.


– Estou me sentindo um idiota.


– Aurélio – disse ela, guiando-o até o sofá e fazendo com que se sentasse. – Ouça: o amor cresce e muda todos os dias. Não é como um raio que cai do céu e transforma você num homem diferente de forma instantânea. Eu sei que Bernardo costuma dizer que foi assim com ele, e isso é encantador, mas, bem, Bernardo não é normal.


Aurélio teve uma vontade imensa de morder a isca e começar a falar do irmão, mas ficou em silêncio.


– Não foi assim comigo – completou Charlotte – e não acho que tenha sido com Simon, embora eu não me lembre de já ter perguntado.


– Devia perguntar.


Ela ficou boquiaberta por um instante, com os olhos arregalados, parecendo um pássaro surpreso.


– Por quê?


Ela deu de ombros.


– Para me contar.


– Por quê? Você acha que é diferente para os homens?


– Assim como tudo.


Ela fez uma careta.


– Estou começando a ter bastante pena de Julieta .


– Bem, acho que você deveria mesmo – retrucou ele. – Sem dúvida vou ser um péssimo marido.


– Não vai, não – disse ela, dando um tapa em seu braço. – Por que diabo haveria de falar uma coisa dessas? Você nunca seria infiel a ela.


– Isso é verdade – concordou ele. Ficou em silêncio por um momento e, quando enfim voltou a falar, a voz saiu baixa: – Mas talvez não a ame como ela merece.


– Ou talvez ame. – Ela atirou as mãos para cima num gesto exasperado. – Pelo amor de Deus, Aurélio , o simples fato de você estar aqui perguntando à sua irmã sobre o amor provavelmente significa que já está na metade do caminho.


– Você acha?


– Se não achasse, não teria falado nada – retrucou ela, então deu um suspiro. – Pare de pensar tanto, Aurélio. Vai achar o casamento algo bem mais fácil se deixar que tudo aconteça naturalmente.


Ele a olhou desconfiado.


– Quando você ficou tão filosófica?


– No momento em que você apareceu aqui e me forçou a pensar no assunto – respondeu ela, de imediato. – Vai se casar com a pessoa certa. Pare de se preocupar tanto.


– Não estou preocupado – disse ele, de forma automática, embora estivesse, sim, preocupado, então nem tentou contestar quando Charlotte lhe dirigiu um olhar sarcástico.


No entanto, sua apreensão não era se Julieta era a mulher certa. Disso tinha certeza.


Também não era em relação ao casamento ser bom ou não. Estava certo de que seria.


Não, sua preocupação era ridícula. Estava apreensivo com relação a amar Julieta ou não, mas não porque seria o fim do mundo se amasse (ou não amasse), e sim por estar muito incomodado com a sensação de não saber exatamente o que estava sentindo.


– Aurélio ?


Ele olhou para a irmã, que o encarava com uma expressão bastante confusa. Levantou-se, antes que dissesse algo tão embaraçoso que lhe causasse arrependimento, então se abaixou e a beijou no rosto.


– Obrigado – falou.


Ela estreitou os olhos.


– Não sei se está falando sério ou se está zombando de mim por ter sido inútil.


– Você foi completamente inútil – concordou ele –, mas ainda assim foi um agradecimento sincero.


– Pelo esforço?


– Podemos dizer que sim.


– Vai à Casa Cavalcante?


– Para quê? Ficar envergonhado na frente de Olegário também?


– Ou de Bernardo . Ele também está lá.


O problema das famílias grandes era que nunca faltavam oportunidades para fazer papel de tolo na frente de um irmão.


– Não – retrucou ele, com um sorriso irônico –, acho que vou andando para casa.


– Andando? – ecoou ela, surpresa.


Ele olhou em direção à janela.


– Acha que vai chover?


– Pegue a minha carruagem, Aurélio , e, por favor, espere os sanduíches. Com certeza vai haver uma montanha deles. Se você for embora antes de chegarem, acabarei comendo metade e depois vou me odiar pelo resto do dia.


Ele assentiu e se sentou outra vez. Foi a melhor coisa que fez. Sempre adorara salmão defumado. Na verdade, levou um prato consigo na carruagem para comer no caminho até sua casa, debaixo da chuva torrencial.



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