História A Lua Não Pode Brilhar Sem Seu Sol - Capítulo 1


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Categorias Camila Cabello, Lauren Jauregui
Personagens Camila Cabello, Lauren Jauregui
Tags Camren
Visualizações 7
Palavras 4.449
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Adolescente, LGBT, Orange, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Só vai ter dois capítulos. Se preparem porque é uma história dramática.

Boa leitura <3

Capítulo 1 - Amor e dor


Camila! - Meus ouvidos se aguçaram com o grito dela me chamando, me virei para trás e vi, dentre a multidão de pessoas, um vislumbre de seu rosto. Mas afinal, seria impossível eu não conseguir distinguir ela dentre uma multidão, se meu cérebro sempre só procurava por aquele sorriso em todas as pessoas ali.

Me virei para trás, andando rapidamente em encontro a ela, e vi seus longos cabelos negros e rebeldes balançando conforme se espremia dentre as pessoas. A multidão parecia ir diminuindo conforme iam seguindo caminho para o embarque do próximo vôo a frente. Andei mais um pouco, sentindo meu coração martelar.

E então, nossos olhos se encontraram.

Castanho no verde, verde no castanho.

Eu sorri, e logo que vi um sorriso nascendo em seus lábios, meu sorriso começou a aumentar, até que nos duas estavam com um sorriso que não cabia no rosto, e eu corri para ela, como se nada no mundo mais importasse.

E como sempre, ela me segurou, assim como as outras vezes em que eu corria para seus braços, eu sabia que ela sempre iria me segurar. Sua mochila em suas costas quase escorregou para o chão e a mala que ela segurava caiu. Apertei seu corpo ao meu, não querendo ficar de nenhuma maneira mais separada dela, a saudade de sua presença de repente começou a gritar em euforia, e eu não conseguia parar de mostrar todos os meus dentes para o mundo ver naquele sorriso.

Para ela ver aquele sorriso, para ela saber que ele sempre seria só para ela.

-Lauren - Chamei depois de três minutos só nos abraçando, e ela se afastou um pouco para me olhar. Sorri alisando seu cabelo com minha mão em suas costas, minhas mãos tremiam - Senti sua falta.

-Eu também, lua - Ela praticamente sussurou, com um sorriso gentil nos lábios. Seus olhos brilhavam, e eu fiquei fascinada por eles, como sempre, pareciam duas pedras preciosas me olhando, e eu as contemplava hipnotizada.

-Promete que nunca mais vai embora? - Perguntei com uma voz de adulação, e foi a vez dela de alisar meu cabelo, só que na nuca e também afastar um fio de meu rosto.

-Eu prometo. Como meu céu brilharia a noite sem a lua ali? - Eu não aguentei, a abracei tão forte que nossas almas pareciam estar prestes a se fundir, apenas uma coisa passava pela minha cabeça naquele momento.

"Como eu queria beija-la"

Mas não beijei, nem naquela vez, e nem na última vez em que eu também quis. Apenas me contentei com seus braços me rodeando, e o som baixo de sua risada rouca em meu pescoço.

Naquele momento, eu não dei importância por querer beijar minha melhor amiga, não naquele momento, eu não queria me importar, parecia tão natural.

Eu podia sobreviver apenas com aquilo. Apenas com aquele abraço e sem nenhum beijo, era tudo o que eu podia ter dela agora.

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-Laureen - Falei arrastado, a cutucando com um lápis. Ela levantou seus olhos para mim, e eu não falei nada, Lauren apenas bufou e voltou a ler seu livro - Laaaureeen.

-O que foi? - Finalmente perguntou. Me ajeitei na cama ficando de bruços, e olhei seu rosto. Parecia uma boneca de porcelana esculpida a mão. Desviei esses pensamentos e mordi a ponta do lápis.

-O que você acha...

Ela finalmente levantou a cabeça para mim ao invés de só erguer os olhos. Fiz uma pausa dramática e vi suas sobrancelhas franzirem em curiosidade.

-O que eu acho…

-De nós duas… formamos uma banda para o trabalho de fim de ano?

Eu e Lauren estávamos no nosso segundo ano de música, mas o primeiro fizemos separadas por complicações com sua família, e eu tive que terminar em Cuba e Lauren na Itália. Aquela foi a pior época que eu já tive, ficar sem sua presença foi uma tortura, ela me prometeu quando voltou que nunca me deixaria, e eu naquele dia tive a certeza que até hoje tenho.

Eu estava, totalmente, irredutívelmente, completamente, apaixonada por Lauren Jauregui.

Mas nunca disse uma palavra ou tomei alguma atitude. O medo de se ela me rejeitar, eu a perder para sempre me fazia exitar em gritar para o mundo como meu coração bate ao vê-la. A última coisa que eu iria querer era ter de passar minha vida longe dela, se em um ano eu já morri de saudades, imagine se eu me confessar e Lauren se afastar para sempre.

E para sempre é muito tempo.

-Uma banda de duas pessoas? - Ela perguntou em dúvida, colocando um marcador no livro e o deixando de lado na cama. Eu estava deitada e Lauren com as costas apoiadas na cabeceira.

-É, seríamos as… - Forcei minha memória a pensar em um nome criativo - PowerGirls!

-PowerGirls? - Perguntou com um leve tom de divertimento na voz, e eu balancei a cabeça como um sim animado, parando de morder a ponta do lápis - Só você para pensar em colocar um nome tão clichê como esse em uma banda de duas pessoas.

-Ei! - Joguei meu lápis nela, e Lauren riu brevemente, suas sobrancelhas levemente arqueadas pareciam falar "mas é verdade". Resmunguei levantando e sentando em posição de lótus na cama, de frente a ela.

"Não perca a concentração a olhando, Camila, você consegue"

-Ah, então escolha um nome, oh toda poderosa julgadora divina de nomes de bandas de bom gosto - Falei irônica, e Lauren riu mais uma vez tombando a cabeça um pouco para o lado, ajeitando seu cabelo com uma mão. Ela tinha essa mania de sempre jogar o cabelo para trás, e aquilo só me deixava com mais vontade de mexer em seu cabelo.

-Que tal, algo novo, algo só nosso, que ninguém poderia copiar? - Olhei fixamente para seus olhos esperando um nome, e ela parecia pensar. Ela ficava linda quando franzia levemente as sobrancelhas e os lábios. - Ah, já sei!

Ela sorriu animada, e eu pisquei meio atordoada por ter me perdido a olhando mais uma vez.

-Harmony! - Cerrei meus olhos.

-Ah, uau, que nome original, nunca ninguém no mundo usaria a palavra harmonia para uma banda - Falava irônica, e ela começou a rir e se jogou em cima de mim.

-Cala a boca! Esse é pelo menos melhor que GirlPower! - Cai de costas no colchão, e ela em cima de mim apoiando as duas mãos em cada lado de minha cabeça enquanto gargalhava, eu ria baixo, mas comecei a sentir meu rosto ficar vermelho quando sua perna encostou levemente na minha coxa.

"Não fique nervosa Camila, você não tem motivos para ficar nervosa, e apenas sua melhor amiga em cima de você, isso é totalmente normal e…"

Lauren sorriu, quebrando toda a minha linha de pensamento.

Eu estava vendo um anjo em minha frente agora.

Para me distrair, girei ela na cama ficando em seu colo, e comecei a fazer um ataque de cócegas sem dó nem piedade. Lauren ria e se contorcia, com os olhos vermelhos e batendo em meus braços. Parei quando senti uma mordida dela em meu braço.

-Ai! Você me mordeu?! - Perguntei, saindo de cima dela e Lauren me olhou com as sobrancelhas franzidas.

-Você que começou.

Até irritada era ela um pedaço do céu que Deus me mandou para contemplar.

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-E então, vocês irão fazer um trabalho musical para o fim de ano, como um grupo chamado… Harmony?

-É, isso mesmo - Lauren respondeu por mim, com os braços cruzados e aquela pose de badgirl que ela geralmente tinha. Eu tenho que admitir que era impossível não dar uma olhada disfarçada em seu corpo daquelas roupas pretas de couro, ou como seu cabelo mesmo desgrenhado era lindo.

-Entendo... Irão ser uma banda? - Ele perguntou com aquela voz que sempre parecia estar achando algo nojento, e puxando as últimas duas letras quando ia falar. Fiz um sim com a cabeça, ajeitando meu laço.

O professor levantou a cabeça devagar, nos olhando sobre os óculos na ponta do nariz.

-Você tem a noção, de que se irão ser uma banda para o trabalho de fim de ano, irão precisar de no mínimo três músicas autorais, apresentá-las com perfeição, e provavelmente para a escola inteira? Isso em apenas dois meses.

Arregalei minimamente os olhos, nos apresentar para a escola inteira? Eu só conseguia cantar no máximo na sala de aula, e minhas músicas autorais apenas Lauren já as escutou. Senti um frio na barriga, e me virei para Lauren pronta para sugerir repensarmos a ideia e...

-Sim, temos total consciência, e já temos as músicas e a parte instrumental prontas - Percebi a voz dela um pouco mais rouca, e seu olhar estreito para o professor. Engoli em seco percebendo que ela deve ter levado o comentário do professor como um desafio, ou ele falando que não iríamos conseguir fazer isso.

O professor não fez nenhuma expressão, e terminou de ajeitar seu material na mesa.

-Bem, tenho grandes expectativas em vocês duas, senhoritas. Dispensadas - Ele se levantou de sua cadeira, fazendo um ruído horrível dela arrastando no chão, e saiu da sala sem olhar para trás.

-Uuh, tenho grandes expectativas de vocês duas… - Lauren imitou a voz do professor, ajeitando sua bolsa em suas costas colocando apenas uma alça no ombro. Ela me olhou com aqueles olhos verdes carregados, me esperando para irmos ao nosso apartamento. Ao contrário dela, eu coloquei minha bolsa com as duas alças nos ombros - Ele obviamente estava debochando!

-Pode até ser, mas que história era aquela de que já temos as três músicas prontas? Nem começamos a pensar se elas vão ser em um violão ou teclado - Murmurrei para fofoqueiros de plantão nos corredores não nos ouvirem. Aquela faculdade era enorme, e tinham cursos de tudo lá. Estávamos no prédio de humanas, então o povo aqui geralmente era mais na dele, acho que ninguém ouviria o que queremos fazer de fim de ano e copiar.

Um grupos de garotos de teatro passaram por nós, e dois deles cheiravam a maconha. Ignorei, andando lado a lado com Lauren que estava também ignorando minha pergunta. Ela se virou para mim quando passamos pelos portões da faculdade.

-É que ele estava com toda aquela posse fanfarrona, e eu queria mostrar pra ele que somos capazes. Nunca fui com a cara daquele professor, uma vez ele me mandou jogar o chiclete fora porque minha mastigação estava fora de sintonia com o garoto tocando flauta, e estava atrapalhando a performance dele!

Ri baixinho, dois dias atrás Lauren nem ligava para esse professor, nem reclamou de ter jogado o chiclete fora naquele dia. Fomos até os apartamentos em frente a faculdade onde agora morávamos, e entramos no prédio cumprimentando o porteiro.

Quer dizer, Lauren o cumprimentou. Eu não ia com a cara dele, toda a vez que Lauren passava ele a ficava secando ela que nem um idiota.

Bufei indo até o elevador, e Lauren estava ao meu lado, bufando pelo professor também. Chegamos ao apartamento, destranquei a porta e me joguei logo no pequeno sofá que tínhamos. Olhei para cima, toda jogada, e levantei minimamente minhas sobrancelhas quando Lauren chegou jogando sua bolsa em uma cadeira da cozinha, e tirando o casaco de couro, deixando seu corpo exposto por aquela camisa branca transparente. Ela estava de lado para mim, e seu cabelo caia como uma cascata pelos seus ombros.

Engoli em seco, percebendo que por algum motivo ela estava sem sutiã. Porque ela tinha uma blusa tão transparente como aquela? Senti meu sangue circular mais rápido, principalmente em minhas bochechas, e suspirei levantando do sofá, indo até o banheiro e deixando minha bolsa da escola no sofá mesmo.

-Tô indo tomar banho primeiro! - Gritei para Lauren ouvir, deixando a porta destrancada mesmo e começando a tirar minha saia e minha blusa, logo depois deixei no balcão com cuidado um de meus laços inseparáveis. Olhei no espelho e fitei com o cenho franzido meus seios naquele sutiã rosa. Resmunguei, segurando eles com as mãos e levantando eles para cima para ver se pareciam maiores.

-Camz, não entra no banheiro agora, é uma emergência! - Escutei a voz de Lauren gritando no fundo, e quando me virei assustada para a porta, vi ela ser aberta em um estrondo, e Lauren segurando um absorvente enquanto fitava sua própria calça - Eu vou usar rapidinho e você entra depois…

Quando ela terminou de gritar, provavelmente achando que eu ainda não tinha entrado no banheiro e ainda estava no meu quarto, ela ergueu os olhos e paralisou, arregalando eles aos poucos.

Eu fiquei tão paralisada que só percebi depois que estava só de calcinha e sutiã, de lado para ela, e segurando meus seios para cima, espremendo eles. Vi o olhar de Lauren ir descendo devagar por todo o meu corpo, demorar onde minhas mãos estavam e também em minha bunda, até parar em meus pés e subir novamente para meus olhos petrificados. Eu sei que isso deve ter sido em menos de um segundo, mas pareceu durar horas aquele olhar.

Abri a boca, sentindo todo meu corpo queimar em vergonha, e quando eu finalmente me mexi assustada, tirando a mão de meus seios e pegando rápido uma toalha e jogando para cobrir meu corpo, Lauren pareceu acordar e piscou atordoada, olhando ao redor, e depois me olhando em pânico com o rosto completamente vermelho ardente.

Ela abriu a boca para falar algo, mas só conseguiu gagejar, então eu me enrolei na toalha o mais rápido possível e fui até a porta onde ela estava paralisada.

-É… eu, desculpa, é que eu não sabia que… você tinha entrado… meu período chegou agora e... - Ela começou a gaguejar quando eu parei em sua frente apertando a toalha com tudo que eu tinha, esperando ela sair da frente da porta para eu poder passar. Parcere que Lauren só percebeu depois que eu estava esperando ela sair da porta, porque se mexeu rápido para o lado, sem tirar os olhos onde a toalha cobria meus seios, e fechar a porta rápido quando eu saí do banheiro.

Eu ainda estava com a provável cara mais surpresa do mundo. Sentia cada célula de meu rosto queimar.

E depois daquele dia eu comecei a senti não só paixão por Lauren Jauregui, mas sim desejo. Se ela pelo menos não tivesse me olhando daquele jeito, talvez eu teria demorado mais para acender esse fogo que não queria apagar por nada.

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-Terminamos! - Gritei animada batendo palmas, e Lauren riu, comemorando comigo. Tínhamos acabado de compor duas músicas. Uma delas se chamava That's my Girl, e a outra 1000 Hands.

Tínhamos escrito elas por experiências antigas, e acabamos de conseguir achar os acordes perfeitos para ela.

-Agora só falta uma! - Exclamei animada, íamos conseguir! Eu estava vibrando, e Lauren também sorrindo daquele jeito maravilhoso, com os olhos verdes claros e me olhando fixamente não ajudava meu coração a meu me acalmar.

-Faltam quantos dias mesmo para a apresentação? - Lauren perguntou, estávamos agora na sala e com vários papéis ao nosso redor, onde escrevíamos as várias tentativas de combinar as músicas. Coloquei um lápis na minha têmpora me lembrando do dia que o professor falou.

-Faltam… é, duas semanas. Como o tempo passa rápido né? Daqui a pouco estaremos formadas - Comentei feliz, abraçando uma almofada. Por um mano segundo eu podia jurar que Lauren olhou no ponto das minhas pernas onde o short levantou quando eu me mexi no sofá, mas era besteira, ela provavelmente só estava olhando pro sofá no momento em que eu me mexi.

Ela acentiu com a cabeça, e se ajeitou no sofá para ficar mais perto de mim e encostar sua cabeça em meu ombro.

-Quer assistir um filme? - Ela me perguntou e eu acenti, me aconchegando mais. Por sorte o controle da televisão estava perto, então Lauren não precisou sair do meu lado para pegá-lo.

Bufei, amaldiçoando e amando o calor do corpo dela colado ao meu. Eu era realmente uma trouxa por estar corada apenas ficando ao lado dela.

Lauren abriu em um filme qualquer sobre cachorros, e eu tentei focar no filme. Até que estava dando certo, a história era bastante engraçada e era um filme infantil que passava na telecine, mas depois de um tempo eu comecei a prestar atenção em outras coisas.

A risada de Lauren que parecia um bebê quando ela via uma cena engraçada, sua respiração em meu pescoço, e o fato de ela ter chegado ainda mais perto de mim, agora quase deitado em meu busto. Eu estava vermelha mas estava conseguindo disfarçar bem.

Quer dizer, eu espero que eu esteja conseguindo disfarçar bem.

-Camz…

-Hm? - Perguntei, o filme tinha passado um pouco da metade. Olhei de relance para Lauren, e ela já me encarava.

-Eu… preciso te contar uma coisa…

Sua voz era meio vacilante, e eu franzi o cenho curiosa.

-Meu contar, alguma coisa? - Perguntei ainda mais curiosa. O que será que ela me tinha para contar, se Lauren sempre me diz tudo o que ela tem a falar, e vice versa? Ela mordeu o lábio inferior, e olhou para meus olhos. Senti meu coração traicoeiro disparar.

-É sobre mim, na verdade... Eu estava com vergonha de te contar e não sabia como você iria reagir…

Não falei uma palavra, esperando ela continuar. Lauren demorou alguns segundos para prosseguir, e deu um suspiro.

-Eu estou gostando de alguém.

Senti meu coração parar por um segundo, mas aí eu vi seu olhar intenso e brilhante sobre o meu, e por um segundo senti uma onda de êxtase, talvez eu fosse a pessoa que ela gostava!? Uma esperança inflamou meu peito sem que eu pudesse controlar ou parar, e engoli em seco.

-Eu conheço essa pessoa? - Perguntei com a voz meio vacilante, ignorando completamente a parte do filme em que o cachorrinho estava descobrindo que seu dono morreu. Lauren corou e olhou para baixo por um segundo. Quis chegar mais perto dela, mas não me movi.

-Sim, você conhece ela Camz.

Ofeguei e ajeitei minha postura, totalmente tensa, e lutando para um sorriso não escapar.

Eu conhecia a pessoa! Será que era realmente eu? Não quis acreditar nem em um segundo que fosse outra pessoa, Lauren apenas namorou duas vezes em sua vida e naquela época eu não gostava dela, nenhum dos namoros durou e foi a bastante tempo atrás. Ela passa praticamente o dia inteiro comigo, do meu lado, de quem mais ela gostaria?

-Q-quem é? - Perguntei, quase tremendo e sem conseguir piscar. Meu rosto e corpo gritavam em euforia, eu estava começando a vibrar de felicidade por dentro vendo as possibilidades de ser eu. Tinha que ser eu! Porque mais ela estaria tão tímida assim para me contar?

-Eu estou, g-gostando da Lucy Vives, que você ajuda ela com a afinação da voz a um tempo.

Silêncio.

Senti um sopro gelado dentro de mim, uma cruel e penetrante onda de gelo dentro de minha alma. A chama da esperança, a chama do amor, do desejo, foi brutalmente apagada, e a faísca que sobrou ali se foi. O ar que eu puxei forte parecia ser feito de fumaça venenosa, fazendo meu estômago se contrair brutalmente me causando uma vertigem.

Senti meu corpo afundar, e meus olhos marejarem. Ela não gosta de mim do jeito que eu gosto dela.

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-O que uma garota tão bonita como você faz aqui sozinha, e nessas roupas? - Escutei uma voz grave ao meu lado, e suspirei cansada, virando o pequeno copinho em minhas mãos em um só gole, que queimou em minha garganta.

-E o que um homem que aparentemente tem idade para ser meu tio e provavelmente veio em um bar para ficar com alguém está fazendo conversando com uma garota de dezoito anos? - Perguntei meio irônica, jogando o copinho de vidro para longe na bancada do bar, e me ajeitando mais na cadeira alta em que eu estava sentada. Me virei para o homem que tinha puxado assunto, e ele realmente tinha o dobro da minha idade, na verdade estava mais para o triplo.

Ele tinha a total aparência de um senhor de idade com sua barba branca mal feita e cabelos ralos da mesma cor. Seu rosto estava castigado pelo tempo, e ele riu rouco da minha fala.

-Uma adolescente arisca, que original da sua parte - Ele tinha uma voz bastante rouca, e eu franzi os lábios bebendo mais um dos vários copos que estavam ali em cima do balcão - Ah, já vai destruir seu fígado nessa idade? Por isso que odeio adolescente, acham que podem fazer tudo nesse momento de suas vidas e esquecem que ainda tem muitas fazes pela frente.

Revirei os olhos, não querendo nem saber do meu futuro agora, no momento eu só preciso esquecer dos atuais acontecimentos.

Acontecimentos esses que estão me destruindo por dentro. No dia em que Lauren falou gostar de Lucy, eu tirei forças sobrenaturais que eu não sabia existir em mim para fingir que eu estava animada por ela.

Porque eu não estaria animada pela felicidade da minha amiga? Talvez porque eu soubesse que a felicidade dela não era ao meu lado.

Já se passou uma semana desde então, e adivinhem? Lauren confessou para Lucy que gostava dela a quatro dias, e elas estão nesse chove e não molha a um tempo, trocando olhares apaixonados e carícias. Eu sentia meu corpo ser perfurado por facas da realidade quando eu via os olhos de Lauren que eu sempre vi eles olhando só para mim, com aquele olhar, agora fitar intensamente os de Lucy.

Eu tentava, realmente tentava não me afundar tanto assim por ela, mas eu não conseguia. Eu nunca consegui realmente. Lauren percebia que algo estava errado comigo mas eu sempre desviava do assunto, e quando ela ia sair com Lucy, eu aproveitava para jogar fora as mágoas.

É essa a sensação de ter um coração quebrado?

Percebi que aquele senhor ainda estava ali quando escutei sua risada.

-Problemas de adolescente? - Perguntou, e eu o olhei de canto de olho.

-Tenho dezenove anos - Sussurei, sentindo meu estômago embrulhar pelas bebidas, eu odeio álcool - Não sou mais tão jovem assim. Os meus problemas provavelmente são os mesmos de metade das pessoas que vieram chorar aqui.

-Problemas amorosos então? - Ele perguntou e eu acenti, apoiando uma mão na bochecha. Ele soltou profundamente a respiração - Parece que o amor não escolhe idade, raça ou gênero quando decide quebrar uma pessoa.

Ele estava certo, afundei minha cabeça em meus braços cruzados no balcão e decidi não beber mais, eu precisava parar de fugir dos meus problemas desse jeito. Essa não sou eu.

-Eu… não queria estar aqui - Falei cansada, como se eu já tivesse vivido uma vida inteira.

-Acredite, ninguém que sofre por uma pessoa gostaria de estar aqui - Levantei o olhar para ele mais uma vez.

-Você também está com problemas amorosos?

-Ah, eu? Não… só relembrando de coisas antigas… - Ele deu mais um longo gole de sua bebida e fez uma careta - Vim para relembrar os erros que eu cometi quando era mais novo.

-Ah, deixa eu adivinhar, você deixou a garota que gostava escapar? - Tentei adivinhar, já que as histórias que eu ouvia das pessoas que sentavam perto de mim no balcão eram a maioria essas. Ele sorriu e negou.

-Não, o amor da minha vida se casou comigo, mas já não está aqui entre nós. Eu falo de outro tipo de amor, o amor familiar - Franzi o cenho, surpresa - Sabe… quando eu fui um pouco mais velho que você, achei que eu não precisasse mais da minha família, e eu fui atrás de meu próprio caminho, sozinho. Eu abandonei meu pai e minha mãe, e eu perdi contato com eles para sempre. Quando eu me arrependi, já era tarde demais.

Afundei minha cabeça mais uma vez em meu braço, sussurando um "eu sinto muito". Eu oficialmente odeio esses tipos de bares com músicas tristes e pessoas chorando, você só acha histórias mais ruins que a sua e se sente pior ainda. Levantei a cabeça do balcão e olhei para ele, me levantando do banquinho.

-Acho que é melhor eu voltar para casa… foi um prazer te conhecer - Estendi uma mão para ele, que foi prontamente apertada. Ele sorriu cansado e fez um aceno de cabeça.

-É sempre bom dividir mágoas com uma adolescente desconhecida em um bar, parece até mais renovador - Eu acabei rindo de seu comentário, e mandei um último aceno de adeus para ele. E pensar que eu nem perguntei seu nome… suspirei, pegando meu celular e ligando para um Uber, eu já sabia que não conseguiria dirigir daqui para casa. O motorista veio rápido, e quando menos percebi estava em frente a porta de meu apartamento.

Meu apartamento e o de Lauren.

Encostei a cabeça na madeira da porta e fechei os olhos com força, antes de abrir a porta devagar. Lauren estava super animada hoje porquê tinha chamado Lucy para ir ao cinema, e eu como sempre fui para aquele poço de fim do mundo de bar, escutar música de sofrência.

Girei a chave na maçaneta devagar, e entrei de mansinho olhando para o chão, e quando eu levantei o olhar arregalei os olhos, sentindo um soco certeiro em meu peito.

Lauren e Lucy me olhavam assustadas, sentadas no sofá, e Lauren cobria seu torso nu com um lençol, enquanto Lucy tinha marcas em seu pescoço e estava vermelha me encarando.

Era óbvio o que estava acontecendo ali.

Fechei os olhos por um tempo para não chorar ali, principalmente agora que eu estava animada pela bebida e ela me deixava mais emotiva. Quando abri Lauren me olhava com um olhar indecifrável, mas eu pude jurar que vi algo como pena, ou… remorso? Não…

Abaixei mais uma vez o olhar e tirei meus sapatos, os deixando ao lado da porta. Passei por elas calmamente indo até o corredor que era de frente a sala, e antes de entrar em meu quarto, me virei para trás e tentei ao máximo sorrir.

-Não se preocupem, eu não quis atrapalhar. Vou ficar em meu quarto - Torci para não estar óbvio em minha voz toda a mágoa que eu sentia, e fechei a porta devagar a trancando logo depois. Na hora que eu ouvi o barulho da tranca e soube que estava sozinha, coloquei uma de minhas mãos em minha boca para abafar um alto soluço e desabei.

Eu tentava ao máximo chorar o mais silenciosos possível, e fechei os olhos sem saber o que fazer.

Eu não posso continuar nesse estado deplorável.

Ela nunca gostou de mim de qualquer forma.

Já não adianta mais gostar de uma pessoa que ama outra, eu precisava… aceitar a felicidade dela? Mas eu não conseguia… fiz uma careta frustada por não saber o que fazer, por estar um verdadeiro caos por dentro, e a primeira coisa que pensei para botar minhas emoções para fora foi tirar meu caderninho de minha estante, e pegar um lápis, colocando tudo que eu consegui para forma em forma de letra.

Me foquei em desligar do mundo, para não ouvir nenhum barulho da sala, e ter a confirmação do que realmente estava acontecendo ali agora.

A única coisa que passava em minha cabeça agora era; será que teria sido diferente se eu tivesse dito meus reais sentimentos?


Notas Finais


Pobre Camila, mas será que teria sido diferente?

Até daqui a pouco. (Eu tenho uma mania estranha de escrever coisas tristes e dramáticas quando eu vou escrever histórias curtas).


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