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História A Luta - Capítulo 10


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Capítulo 10 - Capítulo 10


A primeira coisa que Ino viu ao abrir os olhos foi Gaara. Ele ressonava baixinho e tinha um braço sobre ela, haviam adormecido enquanto o ruivo a ajudava a dormir com um carinho na barriga por baixo da camisa. Apesar da aparência durona, ele era muito carinhoso e cuidadoso, se sentia sortuda por conhecê-lo dessa forma e muito feliz por estarem juntos. Alguns fios ruivos caiam em frente aos olhos a fazendo precisar se controlar para não jogá-los para trás com as mãos e acordá-lo.

Desde o dia que Sai cortou o pulso, Gaara se mantinha por perto. Ele a encontrou no hospital, suja de sangue e lenta pelos calmantes e, desde então, não a deixava sozinha. Havia sido traumático e Ino ainda tinha vertigens ao lembrar da cena. O moreno estava bem agora, sob os cuidados dos pais, e Ino se apegava ao que Sai havia dito, que a deixaria em paz após a conversa que tiveram. Sabia que o moreno estava doente e esperava que ele se tratasse com o auxílio da família.

— Está acordada? — ele perguntou a puxando para mais perto e a beijando no rosto — Ainda é cedo.

— Sim, mas estou animada com a luta, não consigo fechar os olhos.

— Talvez não seja uma boa ideia lutar agora, passou por muita coisa recentemente, precisa se recuperar. Podemos adiá-la para outro dia, quando tivermos certeza que tudo se acalmou.

— Eu quero muito lutar hoje, é importante para mim. E estou bem, juro.

A encarou por um momento e viu a determinação nos olhos azuis.

— Eu me preocupo com você, Yamanaka, mas nada pode pará-la, muito menos eu. Hoje você vai ganhar.

— Como pode ter certeza?

— É mais forte do que pensa e hoje você acordou brilhando, como uma vencedora — ela riu.

— Você mente muito bem, Sabaku — Apertou as bochechas do ruivo e o beijou, mas foram interrompidos pelo Inuzuka pigarreando.

— Gente, no meio da sala não né — ele falou. Gaara sorriu, sabia que ele estava apenas com inveja — Estou morrendo de fome. O que tem para comer, Ino?

— Você é muito folgado se acha que ela vai cozinhar sempre que estiver aqui.

— E eu vou — Ino falou levantando. Usava as mesmas roupas emprestadas de sempre e Kiba riu.

— Coragem a sua vestir algo que vem do guarda-roupas do Naruto.

Ino iria responder, mas o celular tocou na bolsa que havia deixado sobre o sofá e, ao olhar o número, atendeu imediatamente.

— Oi, problemática, tá tudo bem? — Shikamaru perguntou.

— Sim, porque a pergunta? — Não havia ligado para o Nara para informá-lo sobre os últimos acontecimentos, por isso achou a ligação estranha.

— Os pais do Sai contaram uma história ao seu pai, só não sei se a versão é verdadeira.

— Qual a versão?

— Sai estava muito triste porque você o traiu e pediu a separação, por isso tentou suicídio.

— O que? Não! Eu nunca o traí, meu envolvimento com Gaara foi depois, você sabe. Sai se cortou do nada, acho que queria me ver enlouquecer, poderia morrer por isso.

— Não se preocupe com Sai, ele está bem agora e está tendo acompanhamento.

— Sabe o que ele tem?

— Borderline, diagnosticado na infância. Não sei como não notou em três anos, Ino. De qualquer forma, parece que ele parou com o acompanhamento e com a medicação na época de provas, por isso mudou com você.

— Eu não sabia porque Sai nunca havia feito algo grave antes, apesar de as vezes agir esquisito, ele nunca havia parecido instável para mim.

— Tem mais, provavelmente a pior parte e a que eu não pude desmentir, parece que você o traiu com um treinador de índole questionável, que a convenceu a lutar em um lugar ilegal. Ligando os pontos, papai comentou sobre ter tirado Gaara da delegacia, que foi pego em flagrante com drogas, agora já pode imaginar o escândalo que o seu pai fez, não é?

— Merda! É verdade sobre a luta, mas é mentira sobre as drogas e sobre o Gaara ser uma pessoa ruim. Eu não sou ingênua e deixei de ser criança a muito tempo, vou lutar porque quero, ninguém me influenciou.

Shikamaru ficou em silêncio do outro lado da linha por algum tempo, provavelmente absorvendo a informação que não era mentira que Ino havia decidido participar de lutas ilegais. Nunca havia pensado que a amiga participaria de algo do tipo e tinha dificuldade de imaginá-la batendo em alguém.

— Inoichi está comprando passagens para ir até aí, eu me ofereci para ir junto, acho que vai precisar de apoio.

— Obrigada. Quando vocês chegam?

— Amanhã.

— É uma pena, não vai poder me ver lutar hoje a noite — Ino quase quis rir ao ver o Nara soltar o ar do outro lado da linha.

— Que saco — o ouviu resmungar — Está determinada mesmo. Já que é assim, se cuida, vamos conversar melhor amanhã.

Ao desligar, olhou para Gaara e Kiba que a encaravam sem saber direito o que havia acontecido.

— Meu pai vai me matar, mas vou lutar hoje.

— Ele sabe sobre mim? — o ruivo perguntou.

— Sim, de forma errada, mas não se preocupe, eu vou dar um jeito. Quando te conhecer vai ver que é uma boa pessoa e que ele não pode mais escolher meus namorados e muito menos interferir nas minhas escolhas.

Gaara suspirou, queria apenas um dia de paz no relacionamento, mas parecia sempre surgir alguma coisa.

Cozinharam juntos no café da manhã e, enquanto mantinha uma conversa animada com Naruto, fingia que sua cabeça estava na luta e não nas coisas que estavam acontecendo. Mais tarde foi para academia a fim de aquecer um pouco, Gaara a encontrou depois de sair do trabalho e foram para o club cedo a pedido da loira.

— Você é rápida e a sua direita é forte, não se esqueça disso. É normal que tenha medo, mas não deixe te afetar, se hesitar nos movimentos vai perder e hoje nós queremos ganhar — falou. Ino o olhava atenta a fim de não esquecer o que ele dizia — Se ficar muito machucada ou ter algum ataque saia do ringue, vai perder mas ficará segura.

— Não quero desistir.

— Não é vergonhoso saber quando precisa desistir, não quero que fique mal por orgulho.

Balançou a cabeça concordando e ele a beijou segurando a mão da loira.

— Sei que está pensando nos seus problemas, mas, depois da luta, daremos um jeito em todos eles.

— Gaara… pode me contar porque não pode mais lutar?

Pensou um pouco e decidiu que deveria contar, Ino era importante para ele e mesmo que não gostasse de contar, ela merecia saber.

— Eu costumava perder o controle a alguns anos atrás, mas com as lutas eu mudei, Naruto disse que fiquei até mais agradável e sociável. Um dia, em uma das lutas, o meu adversário me provocou…

— Você mesmo diz que as provocações são normais.

— Sim, mas na hora eu me deixei levar, ele reconheceu meu sobrenome e me provocou com isso, falou da minha família.

— O que ele disse?

— Que compreendia eles me odiarem. Eu sei que parece bobo, mas me enlouqueceu, continuei lutando após o fim da luta, então me seguraram e me proibiram de voltar a lutar.

Ino sentiu o coração falhar. Era nítido que o ruivo ainda estava magoado com a forma com que as coisas haviam acontecido no passado e tinha medo de procurar os irmãos, mas ela tentaria ajudá-lo.

— Tenho certeza que seus irmãos não te odeiam — o puxou para um abraço.

— Se me odeiam, eu posso entender. O meu pai não era agressivo só comigo, mas eu fugi sozinho.

— Com certeza te entendem, você era uma criança assustada — o afastou e encarou os olhos verdes — Eu te amo.

— Eu também te amo — respondeu sem hesitar, os dois sorriram um para o outro — Prometa para mim que não vai deixar seu pai levá-la daqui, promete que vai ficar comigo e fazer o que quer.

— Que história é essa?

— Seu pai já me odeia, nada que diga vai impedi-lo de tentar nos afastar.

— O papai vai tentar, mas prometo que não vou deixar.

— E a outra promessa? Quero que fique comigo de verdade, sua família não vai mandar em você se o dinheiro for seu. Podemos fazer dinheiro com as lutas ou onde mais quiser, terá liberdade para cursar a faculdade que quiser, você ama paisagismo e flores, medicina não te faz feliz

— Gaara — o interrompeu. — Depois da luta conversamos sobre isso, mas não pense nisso, vai ficar tudo bem.

Sakura estava sentada junto dos amigos do Sabaku. Olhava de forma afetada para Sasuke quando Naruto sentou ao seu lado, ele falava bastante, era muito gentil e parecia interessado.

— Costumávamos vir aqui bastante quando Gaara lutava, o lugar é deplorável mas temos que admitir que é divertido — o loiro disse e ofereceu alguns salgadinhos — Quer?

— Ah não, obrigada.

— Você é sempre quietinha assim? — perguntou e, então, notou o olhar dela para o Uchiha, que observava a luta que acontecia com atenção — Entendi, veio pelo Sasuke.

— Não eu... — ela não soube o que responder e corou envergonhada.

— Tudo bem, eu não costumo ir bem com garotas mesmo — o Uzumaki falou e então sorriu — Posso ajudá-la com ele.

— Sério? 

— O Sasuke não é tão difícil quanto parece ser, na verdade, ele é bem galinha. Você só tem que beijá-lo.

— O que!? — perguntou assustada — eu não posso beija-lo, nós nunca conversamos.

— Acredita em mim, o fato de nunca terem conversado é melhor ainda.

A mesma decidiu acreditar no loiro e levantou respirando fundo. Sentou ao lado do Sasuke, entre ele e o Hyuuga, e então o puxou pela camisa e o beijou, ele correspondeu de imediato fazendo Neji resmungar inconformado e trocar de lugar sentando com o Uzumaki.

Estavam perto da arena, quando o nome da loira foi chamado. Os dois se assustaram, não haviam notado o tempo passar.

— Minha nossa, ela é alta - Ino falou vendo a adversária subir no ringue. A tinha alguns centímetros a mais que Ino e mais músculos também.

— Sem medo, lembra dos seus pontos fortes e tenta finalizar antes de cansar — Ino o beijou antes de subir lá.

O juiz se aproximou dando algumas instruções enfatizando a regra mais importante: Parar quando a luta fosse encerrada. Ele deu início e Ino respirou fundo atenta aos movimentos da outra. Onde estava com a cabeça quando decidiu lutar? Com certeza a adversária iria parti-la ao meio.

A outra avançou, mas Ino desviou tentando derrubá-la no chão com uma cotovelada, mas foi bloqueada e empurrada contra a grade. Ino virou a tempo de conseguir bloquear o chute que levaria no rosto. Decidiu atacar, Gaara havia dito para tentar finalizar no início antes que perdesse a força. O soco saiu pela culatra e a outra a derrubou no chão caindo sobre ela e desferindo vários socos na região da cabeça, onde Ino conseguiu se defender de poucos.

Gaara olhava aflito Ino apanhar, via sangue no chão e sabia ser da Yamanaka, mas não podia gritar para ela desistir, a loira ficaria totalmente desmotivada e talvez fosse pior, esperava que ela decidisse isso por conta própria, mas o que via estava acabando com ele. Gritou quando notou o movimento da adversária, ela imobilizava o braço da Yamanaka a fim de quebrá-lo.

— Ino, usa o corpo, presta atenção! — gritou e a loira pareceu ouvi-lo.

Tentou se posicionar melhor e conseguiu livrar o braço que estava em perigo, com uma cotovelada, afastou a adversária e conseguiu levantar. Estava exausta, machucada, sentia o sangue escorrer no rosto, mas orgulhosa. Pensou que morreria ali no chão, mas Gaara havia dito o que fazer e ela não iria desistir. Estava zonza e inchada pelos golpes na cabeça mas ainda se mantinha de pé.

— A direita — o ruivo gritou e Ino entendeu que ele falava do soco.

Esperou que ela se aproximasse e abaixou distraindo a adversária que pensava se tratar de um momento de vulnerabilidade. Aproveitando que a outra se preparava para ataca-la e havia abaixado a defesa, Ino desferiu o seu soco de direita que a apagou por um momento, o suficiente para o juiz encerrar a luta. Ino olhou desconfiada para o mesmo sem saber se havia ganhado e então ele levantou sua mão.

Viu as pessoas aplaudindo. Na plateia, enxergou os amigos do ruivo e Sakura, acenou para eles animada.

Gaara esperava ela ansioso do lado de fora da arena. Ino gritou ao vê-lo e ele a pegou antes que terminasse de descer as escadas girando com a mesma no alto. Ino tinha cortes no rosto, roxos pelo corpo, inchaços e sentia a tontura dos golpes na cabeça.

— Você ganhou, eu disse que estava brilhando hoje — ele falou secando as lágrimas de alegria dela — É mais forte do que pensa.

— Acabei com ela, você viu?

— Claro que vi, foi incrível. Vamos pegar o dinheiro e depois cuidar de você. Apostei boa parte do meu salário na cafeteria nessa luta, espero que muita gente tenha duvidado — antes que ela desse mais um passo acabou desmaiando e Gaara a amparou impedindo que fosse ao chão.

Acordou no hospital e ficou confusa ao ver Shikamaru, viu o pai também.

— Ela está acordando — o Nara avisou segurando a mão da amiga — olha a surra que levou, Ino.

— Eu ganhei, devia ter visto — falou fingindo que não estava encrencada — Onde o Gaara está?

— Do lado de fora, acho que o seu pai quer conversar.

— Eu quero sim — Inoichi respondeu, ele estava claramente possesso.

— Eu volto daqui a pouco — assim que Shikamaru deixou a sala, Inoichi começou a esbravejar.

— Como acha que eu me senti quando cheguei aqui e fiquei sabendo que estava no hospital ferida? Eu te mandei para faculdade para estudar e não para essas aventuras sem sentido nenhum. Fiquei sabendo que foi aquele marginal que a convenceu a fazer isso.

— Gaara não é um marginal, eu que decidi lutar. Já estou bem, não precisa se preocupar porque não vou mais lutar.

— É claro que não, eu vou levá-la comigo.

— Pai, você não pode fazer isso, eu preciso terminar a faculdade.

— Devia ter pensado nisso antes. Olha só para você, quando foi que começou a se comportar desse jeito?

— Essa aqui sou eu, não sou perfeita e muito menos uma flor delicada. Ficarei aqui com Gaara e não pode me impedir disso — disse com lágrimas nos olhos.

— Com Gaara? Você perdeu o juízo? Ele não é homem para você, não te criei para andar com esse tipo de gente.

O ruivo estava no estacionamento do hospital aguardando o momento de falar com a Yamanaka. Quando a loira desmaiou, levou poucos minutos para chegar com ela ao hospital, o pai dela apareceu logo em seguida e o proibiu de vê-la. Sabia que Ino estava acordada e os ferimentos haviam sido tratados pois uma enfermeira havia avisado, mas estava preocupado com a conversa que ela e o pai estavam tendo.

— Então Ino ganhou? — viu o moreno se pôr ao lado dele e colocar um cigarro na boca.

— Sim, a luta foi incrível. Talvez eu tenha me precipitado um pouco em apoiá-la, ela se machucou muito, mas mesmo assim conseguiu. Foi inteligente, forte e rápida.

O Nara o olhou com um sorriso e então estendeu a mão para cumprimentá-lo.

— Eu sou Shikamaru Nara. Conheço Ino desde criança e admito que nunca a imaginei em uma situação dessas, mas é a cara dela, não pode ver uma encrenca que se mete.

— Gaara no Sabaku. Não acho que o pai dela concorde com você, ele parecia bem certo de que aconteceu por minha causa.

— Sabaku? O nome não é estranho para mim.

— Não é incomum — Gaara se esquivou rapidamente e Shikamaru pareceu não se importar, pegou o isqueiro no bolso e acendeu o cigarro.

— Inoichi está preocupado, ele faria qualquer coisa para protegê-la.

Gaara pensou que nunca havia tido esse amor, talvez fosse isso que havia tornado Ino tão alegre e boa. Não iria incentivá-la a perder a relação com o pai, havia sido egoísta em pedir para ela ir contra a decisão do pai, mas iria se retratar.

— Eu vou embora. Diga a Ino que eu falei para ela não ser tão teimosa — após dizer isso, se afastou sob o olhar atento do Nara.

Quando o moreno voltou para o quarto da amiga, não encontrou Inoichi.

— Onde ele está?

— Foi assinar a minha alta. Acho que vou fugir, não posso voltar para casa. Gaara vai me ajudar, ele disse que me ajudaria.

— Gaara foi embora, ele disse para você não ser tão teimosa — a mesma ficou surpresa e confusa — Ele não quer que brigue com o seu pai.

— Não pode ser verdade...

— Não fuja, vamos ficar em um hotel essa noite. Inoichi está preocupado e de cabeça quente agora, dê um tempo e acredito que irá conseguir convencê-lo deixá-la ficar, ele sempre faz o que pede.

— Nem em mil anos. Não importa o quanto eu defenda Gaara, papai o odeia. Sai quis me ferrar e conseguiu.

O moreno decidiu mudar o rumo do assunto ao notar que ela começava a ficar nervosa.

— Estou orgulhoso que ganhou a luta. Gaara me contou como foi, disse que foi inteligente e outros elogios que um cara apaixonado faria.

— Ele disse que me ama.

— E você o ama também — ela sorriu. O moreno a conhecia como ninguém.

— Eu devo estar horrível — falou desanimada. Sabia que estava roxa, inchada e havia levado dois pontos pouco acima da testa.

— Não se preocupe, miss Konoha. A médica disse que semana que vem o seu rosto estará melhor.

A mesma suspirou desanimada. Voltaria para Konoha de jeito nenhum, esperava que o pai entendesse.


Notas Finais


Borderline: Transtorno mental caracterizado por humor, comportamentos e relacionamentos instáveis.

O próximo é o último, comentem o que estão achando!!


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