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História A Maldição da Comandante - Interativa - Capítulo 2


Escrita por: e parkjnyouxg


Notas do Autor


olá, nossos amados! o capítulo está aqui quentinho porque acabou de sair do forno. tivemos um trabalho árduo avaliando todos esses personagens incríveis que vocês nos deram e estamos bastante contentes com o resultado, apesar de um um tanto sentidas por não sabermos trabalhar com tantas personalidades; sendo assim, sem podermos aceitar todos eles.

esse é o início de uma série de confusões e enigmas, e desejamos com todo coração que vocês tenham uma boa reação a ele. o documento com os aceitos está inserido nas notas finais, e aconselhamos que ele seja lido antes do capítulo em si para um melhor entendimento geral. também, há um segundo link para um possível grupo de whatsapp, aberto para quem tiver interesse, e onde responderemos dúvidas, questões e, quem sabe, haja alguma interação interessante. não é obrigatório, porém.

a todos desejamos uma boa leitura!

Capítulo 2 - Nunca confie num coelho fantasma


Alexandra Walker está na Garça, o campo de voo do terreno da escola; Vincent Hassel a sua frente, enquanto parecem estar compartilhando informações extremamente engraçadas sobre um assunto superficial, dado o sorriso fixo nos lábios da menina e a expressão risonha no rosto do Cherrio. Não há nada que os tire de seu trono, de sua realeza — porque, sim, ela mal chegou e já é tópico nas rodas de conversa de todos os alunos —, mal se importando com os olhares, invejosos ou não, atrativos ou não, que recebem. 

Lavínia Allende os observa da fina toalha com símbolo da Cherrycloud que está protegendo suas pernas de um encontro incômodo com a grama abaixo. Há certa curiosidade em seus olhos porque, veja bem, é seu melhor amigo ali com outra garota que sequer conhece. Seus longos cabelos castanhos a estão irritando, entretanto, forçando-a a segurá-los atrás da orelha para conseguir enxergar. É Outubro: o inverno vem chegando, e, como se é esperado, está frio esta tarde, porém a menina não possui um agasalho. Seus dedos estão quase roxos; ela não nota. 

“Onde está com a cabeça, perdedora? Ainda não superou a derrota de ontem?” É Gerard Le Roux que está falando e ele está diante de seu corpo agora; ela não sabe dizer há quanto tempo.

“O jogo foi há uma semana atrás, idiota. Do que está falando?” Ela devolve, o mesmo tom irônico se fazendo presente. 

“Bom, é sempre útil lembrar a um colega jogador sobre a miséria de seu time,” é brincadeira, mas ainda assim os olhos da menina reviram. Gerard já está sentado ao seu lado, sobre sua toalha. “Você não está com frio?”

“Êla! Não tens vergonha de estares compactuando com a escória da sociedade, meu velho e bom amigo?” Eles olham para trás e Connor lá está, a capa roxa sobre os ombros, a cabeça usualmente levantada.

Qualquer um em Crowdfield conhece Connor McMurphy e sua desastrosa fama. Ainda é estranho para Ava, que totalmente desgosta do menino, aceitar que alguém tão legal como Gerard fale com ele, que seja amigo dele. 

“Ao menos a ‘escória da sociedade’ aqui não teve que ser transferida para Transfiguração porque é tão insuportável que a própria professora de Feitiçaria não aguentou e a expulsou da aula. Três vezes,” ela completa, em pura provocação.

O garoto se recusa a encostar em qualquer coisa que demonstre apoio às Casas concorrentes, portanto mantém-se de joelhos dobrados, agachado, os dedos entrelaçados e o irritante sorriso presente. “Tu não esperas que eu peça desculpa à Professora Bauman mais uma vez, esperas? Consegui uma vaga em Transfiguração graças àquela azaração de fedor,” ele se defende.

“Sim, e uma anotação também!” Ava lembra. 

“Pormenores.”

“Parem de falar sobre aulas. Juro que se eu vir a Professore Virtanen, meu cérebro é capaz de derreter,” Gerard fala porque ele acabou de sair de seu primeiro período de Duelos da semana e já está farto da matéria. “‘Mais imposição, mais movimento. Ponha isso, ponha aquilo. Onde está o teatro?’’’, ele a imita. Em seguida, ri e passa a mão pela barba sensualmente malfeita. “Essa mulher é um pesadelo.”

“Falando em pesadelo, vocês viram o Marinha Perdida aqui ontem? Eu passei o dia inteiro preso em Estudos Priores, mas umas Nuts alegaram que o navio estava nos jardins. O que acham que pode ser?”

Gerard franze as sobrancelhas para as palavras do amigo. “Não é comum convocarem o Marinha Perdida para transportarem móveis. Que diabos ele estava fazendo aqui?”

“O que achas, gênio?” 

“Ela se chama Alexandra Walker, pelo que a rádio corredor vem falando. E, sim, ela é uma aluna,” Ava responde, discretamente apontando para a garota em questão e acabando com a curiosidade dos rapazes. Ambos os Panthers seguem sua indicação, o francês com certo interesse a mais. Alexandra sequer nota tamanha atenção, uma vez que eles não são os únicos encarando. 

“Eu não achei que a Diretora Stuart arriscaria trazer mais um estrangeiro. Não depois da confusão do ano passado. O Ministério com certeza não gostou nada disso,” o mais alto diz. 

“Esse assunto de novo! Já lhe disse que não há provas concretas até o momento,” Connor defende, e pela primeira vez Ava é obrigada a concordar com ele.

“O feitiço saiu da varinha dela, cara. Pelas mãos dela. Não há prova maior que esta.”

“São apenas rumores. Rádio corredor, lembra?” Ava lembra, as feições podendo ser descritas como um ‘obviamente’.

Gerard não quer acreditar que está ouvindo tais coisas de seus amigos. Ele passa a gesticular, o temperamento alternando. “Argh, vocês com esse papo também não! Victoria passou a noite inteira me oferecendo teorias conspiratórias para essa garota, quando a verdade está exposta para todo mundo. Scarlett Coulson assassinou uma Nut. Lidem com isso.” 

“Você só está assim porque passou a noite ouvindo sobre ela ao invés de usufruindo da sua amizade colorida,” Ava acusa. Sinceramente, ela já perdeu a conta de todas as amizades coloridas que o garoto tem. “Não é por-”

“Deixe estar, Lavínia. Meu amigo aqui só-” 

“Não me interrompa!” Ela contesta. “Da próxima vez, azararei sua língua, seu idiota,” completa entredentes para Connor, que ergue uma sobrancelha ao retrucar.

“Como se uma Cherrio como tu possuisses habilidade para tal.”

“Chega vocês dois,” Gerard se levanta, seu bom humor arruinado. “Tenho Feitiçaria agora. Nós nos vemos mais tarde, na festa.”

Ele se vai sem mais palavras e Ava pode dizer o quanto o francês está chateado. Sempre fora nítido o desgosto de Gerard por Scarlett antes mesmo do acidente, se é que ela pode chamar assim, do ano passado. O francês vivia compartilhando frustrações para com a menina: “Ela arruinou meu passe”; “Ela não tem educação”; “Alguém deveria ensinar-lhe uma lição de humildade”. Em parte, ele não estava tão errado assim, portanto Ava compreende a facilidade que o garoto teve para acreditar nas notícias do Daily Witcher, o jornal mais popular da Europa Bruxa, quando a capa carregava a estrondosa notícia sobre o assassinato de Gemma Simmons. 

“O gajo está mesmo mal disposto,” Connor comenta, já de pé e não mais agachado. O sorriso de canto dele causa repúdio na garota.

Em resposta, Lavínia revira os olhos e recolhe a toalha do chão com um movimento só, guardando-a em sua bolsa e dando uma última olhada na novata acompanhada por Vincent, a metros de distância. Ela deixa o Panther para trás sem dizer-lhe uma palavra, um aceno, caminhando frustrada para a aula seguinte: dois períodos seguidos de Estudos Priores, onde teria que suportar a matéria que menos gosta enquanto assiste seu melhor interagir com a garota nova — e aparentemente esquecer de sua existência. 

Seu dia não poderia ser pior.


 

(...)


 

Sol Hidalgo está na biblioteca nesta tarde porque há avaliação de Feitiçaria manhã e ela se recusa a tirar mais uma nota ruim; em sua frente, sobre a mesa, há um grosso livro de Feitiços. Terá prova na próxima semana, mas sua atenção está completamente desfocada, já que Aden Blanchard se encontra do outro lado do extenso cômodo, com algum livro — um romance água com açúcar do século passado, provavelmente — sobre os joelhos dobrados. 

Ela suspira, os olhos desfocados e o pensamento longe, e só volta a prestar atenção na realidade quando ouve um pigarro profundo.

“Amiga, fala sério. Você pode ser menos óbvia, por favor?” Annelise Ciervo diz incisiva, em seu rosto há uma expressão engraçada. Sol revira as horbes, bufando audivelmente quando volta os olhos para a morena em sua frente.

“Eu não estou sendo óbvia,” ela resmunga, claramente contrariada. Anne só faz rir, porque, céus, Sol é tão óbvia e cristalina.

“Ok. Certo, senhora discreta,” a Cherrio encerra o assunto com uma voz debochada, para em seguida apontar com o queixo para o livro enorme em cima da mesa. “Você já estudou a semana toda para essa prova. Suas notas em Feitiçaria não vão cair.”

“Como você pode saber? A professora Bauman é péssima, tenho que usar todos meus neurônios para extrair alguma coisa das aulas dela,” a Nut suspira, contradizendo sua fala e empurrando o livro de Feitiçaria para o lado. “E você? O que está estudando?” Pergunta, curiosa, espiando os letras miúdas. 

“Livro de Raças. Você sabia que dragões vermelhos tem-”

“Oi! O que estão fazendo?” É Adam Vaitiare que chega na mesa, assustando ambas as garotas que não antecedem sua aproximação. Ele então percebe os livros na mesa. “Não me digam que ainda estão estudando!”

“Você sabe que a resposta é sim. E você, onde estava? Sua aula de Poções acabou tem quase meia hora,” Anne alfineta, sorrindo para o amigo e tocando seus cabelos longos. Céus, ela adora esses fios bem cuidados.

“Estava na sala do professor Chronis, só isso,” ele deita a cabeça nos ombros de Anne e ergue as pernas para colocá-las sobre as coxas de Sol. 

“Você não se acha muito folgado não, mocinho?” Ela ri e sorri com carinho para o amigo, enquanto Adam revira os olhos, sustentando um bico manhoso sobre os lábios. Ele aproveita o carinho que recebe nas madeixas escuras para descansar as pálpebras e tentar um cochilo: sua noite de sono fora péssima.  

Anne e Sol voltam-se para suas respectivas tarefas, confortáveis em seu pequeno círculo social comporto por almas antissociais. Sabem que Adam aproveitaria o mimo por muito mais tempo devido ao fato de ainda faltar uma hora para o próximo período de aula de todos os três. 

 

(...)

 

Antonio Bittencourt está no lugar de encontro, na pequena relva pouco antes da entrada da Floresta Dourada. Ele veste uma calça skinny e uma jaqueta de couro falso, seus cabelos loiros movem-se conforme o vento, que os deixa mais bagunçados que o normal. Esperar Vincent está lhe custando seu look e ele decide que deixaria o local se fosse necessário, visto que o Cherrio está atrasado quase vinte minutos e o show começa em meia hora. Seus pés, em um tique nervoso, passam a bater no chão e seguem até avistar o garoto magrinho e de cabelos compridos chegando. A calça jeans de cintura alta e a blusa lisa por dentro dela caracterizam o estilo retrô do menino, os Vans completando o conjunto.

Tão distraído estava o Panther que demorou para notar a garota desconhecida ao seu lado. Ela é menor que Vincent e veste uma calça jeans apertada, um corpete preto de alças finas detalhado em renda, e uma bota de salto e cano curto nos pés. Há um moletom verde amarrado em sua cintura, como se ela não ligasse de estar estragando seu visual. Ela é bonita, definitivamente. Antonio não a conhece, mas imagina quem seja. 

“E aí,” o único Cherrio diz, sorrindo para o loiro e dando-lhe um selinho singelo nos lábios. “Desculpa o atraso, o professor Lino estava na sala comunal hoje. Tive de esperará-lo sair para vir.”

Antonio limita-se em sorrir e confirmar com a cabeça, olhando de uma maneira nada discreta para a menina de cabelos castanhos ao seu lado.

“Ah, que falta de educação a minha,” Vincent atua um sorriso sem graça, sem realmente se importar. “Lexa, este é Antonio Bittencourt, meu amigo do sexto ano, da Pantherhazz. Ele é o guitarrista da banda que vai tocar hoje,” explica, apontando para o cara mais alto ao seu lado. “Tony, esta é Alexandra Walker. Você provavelmente já deve ter ouvido falar dela. Aluna nova da Raccwood.”

Lexa sorri para ele, forçando-se a ser simpática, e cumprimenta-o com um breve aperto de mãos. “Prazer.”

Antonio sorri de volta, para então passar um dos braços sobre os ombros de Vincent. “Sem formalidades. Devemos ir agora. Não posso atrasar o show ou os caras me matam.” 

Eles andam e Alexandra segue ao lado, pouco afastada, e avista a pequena cabana após dois minutos de movimento. Está mais para uma tenda de pano grosso, mais para acampar do que qualquer outra coisa. Eles entram para encontrar um ambiente totalmente diferente. Luzes coloridas decoram o local, mesas pequenas e circulares de aço, o espaço amplo e pouco cheio. Há um minibar no canto direito onde duas garrafas enchem os copos alheios sem ninguém tocá-las e o centro é limpo. No fim da cabana, está o palco, um degrau acima do nível do chão. Nele, há uma estrutura adaptada para o show: três suportes de microfone postos na frente e uma bateria e um teclado atrás. 

Alexandra sabe que o local é encantado.

“Tenho que fazer uma passagem de som com os caras,” Antonio declara para os dois, mas se volta para Vincent e sussurra algo no ouvido do garoto que o faz sorrir sapeca, Lexa diria que era quase um sorriso safado. Ela desvia os olhos quando os vê trocar um beijo de língua, as mãos do garoto loiro apertando a cintura de seu amigo. 

“E Indra querendo que eu siga o modelo de comportamento europeu…” ela sussurra para si mesma, desejando internamente qualquer coisa que a deixe bêbada. 

Lexa vê um grupo de meninas entrar e, wow, elas chamam sua atenção. Vestem-se como supermodelos e conversam entre si tão animadas que a lembram da equipe de torcida de Ilvermorny, o que a americana duvida que seja o caso. Ela está prestes a questionar quando Vincent a toca nos ombros, chamando sua atenção.

“O que está olhando?” Então ele segue seu olhar e nota Lavínia entre suas amigas de Casa. Ele sorri porque já esperava que ela comparecesse. “Ava!” Ele grita, sorrindo grande quando os olhos da menina o alcançam, e a chama com um gesto de mão, gritando novamente para reforçar. “Vem cá!” 

O rosto de Ava está sério. Vincent a conhece tão bem que seria impossível não saber o que aquele olhar significa. Ela está chateada e a confirmação para sua teoria vem assim que ela o ignora, voltando-se para seu grupo, como se não o conhecesse. 

“Ah, pronto. Era só o que me faltava,” ele bufa, virando para Lexa para ver sua expressão confusa. 

“Quem é aquela?”

“Lavínia Allende, a segunda Melor da Cherrycloud. E também minha melhor amiga. Supostamente, pelo que parece.”

Lexa levanta as sobrancelhas ao entender a situação. “É, então você tem um problemão porque aquela não é uma cara de felicidade,” ela diz e dá dois tapinhas nos ombros do garoto em consolamento. 

O show começa não muito tempo depois: uma nota estrondosa de guitarra assim anuncia. Vincent se sente subitamente animado e segura Alexandra pelo pulso, na intenção de levá-la mais para perto do palco junto consigo. A melodia familiar de Emperor’s New Clothes do Panic! at the disco começa e todos gritam em uníssono. Alexandra tem certeza que nunca ouviu tal canção na vida e seus sentidos a estranham por alguns segundos.

Vincent, por outro lado, não fica de fora da animação e pula animado, para então se virar para a garota. “Música trouxa é bem comum em nossas festas. A banda do Tony sempre toca,”  ele grita para que ela o entenda e a americana assente com um sorriso, soltando-se aos poucos e se permitindo curtir a apresentação, uma vez que, tudo bem, a melodia não é tão ruim assim. 

Após a breve sequência de músicas — envolvendo bandas como My Chemical Romance, Nothing But Thieves, The 1975 e The Neighbourhood —, a banda, composta por seis membros estranhamente semelhantes entre si, agradece e encerra, anunciando que partir daquele momento a festa será gerida sonoramente por um DJ também pertencente à Pantherhazz. Alexandra nota que muitos dos bruxos envolvidos com atividades artísticas provêm da Casa.

Eles esperam a multidão se espalhar pelo local e voltam para o bar não muito tempo depois. O garoto apanha um copo de Hidromel e a menina decide tentar o Uísque de fogo. Estão conversando quando Antonio volta, seu cabelo já não tão arrumado como antes e com uma nova camiseta — o que não admira Vincent já que o músico costuma suar muito facilmente quando está em ação. 

O mais velho põe um dos braços em volta da cintura do Cherrio e soa animado, esbanjando simpatia agora que, oras, o nervosismo e ansiedade já não são mais necessários. “E aí, curtiram o show?” 

“Eu gostei. Foi legal. Incomum. Não costumo ter muito contato com a cultura dos não-magi. Mas você é um ótimo guitarrista e a playlist estava boa o suficiente para eu me divertir. Meus parabéns,” é o que Lexa diz quando percebe que o bruxo olha explicitamente para si à espera de um feedback. Ela entorna o resto da bebida nos lábios logo depois, apenas para enchê-lo novamente.

“Valeu,” ele responde orgulhoso, o olhar se perdendo para atrás da garota assim que as palavras deixam seus lábios. “Gerard!” Antonio grita e ergue as mãos para chamá-lo. 

O francês,  acompanhado de Victoria, a Wood com quem possui uma amizade um tanto colorida, alcança-o e sorri, puxando a mão da companheira para se aproximar. 

“Cara! E ai? Eu te procurei antes do show começar, mas não te achei em lugar algum. O som foi incrível e dessa vez vocês se superaram, sério! My Chemical Romance? Jogada de mestre!” Gerard está tão animado que mal nota os outros dois, mas, quando o faz, cumprimenta-os. “Vin, e aí?” Ele deixa um beijo sobre as bochechas do garoto, que sorri em resposta e cumprimenta também Victoria.

“Gente, esta é Alexandra Walker. Aluna nova da Raccwood,” o Cherrio introduz. “Lexa, este é Gerard Le Roux. É da Pantherhazz. Também joga Hoopball.”

Lexa o responde com um aperto de mão agradável e o olhar do garoto sobre si não passa despercebido. Ela está grata por Vincent estar servindo de mediador durante estes momentos. 

“E esta é Victoria. Ela é uma Wood também.”

“Nós somos colegas de quarto, Vincent,” é Victoria que responde, oferecendo a Lexa um olhar companheiro. Elas não são tão amigas assim para qualquer contato além deste. 

“Esqueci de te atualizar sobre isso, foi mal,” Alexandra desculpa-se.

Formalidades feitas, os cinco seguem para uma das mesas redondas disponíveis no local. O assunto é diverso, mas um em especial se torna repetitivo. Aparentemente, ela nota, Lexa é a vela do momento, pois — conversa aqui, conversa ali — descobre que Antonio e Gerard são ex namorados e ótimos amigos desde sempre, e que, atualmente, Victoria e Gerard são amigos coloridos, assim como Vincent e Tony. Nenhum deles têm intenção de aprofundar a relação. 

“Fala sério, como vocês conseguiram continuar amigos depois do término? Eu sei que não quero ver minha ex nem se ela estivesse pintada de ouro,” Lexa se sente na obrigação de perguntar, um tanto incrédula.

“Nós éramos amigos antes, oras. Vimos que não dávamos mais certo como casal e terminamos amigavelmente. Não estávamos dispostos a nos afastarmos,” Gerard responde.

“Ninguém aqui tem onze anos de idade,” Victoria comenta como um ponto final, mas o assunto não morre; eles continuam conversando por horas porque é tão fácil promover um tema nesse círculo social. Alexandra se sente em casa, principalmente quando é a sua vez de falar — acreditem, sua especialidade é manter a atenção em si mesma.

A linha é quebrada apenas quando os colegas de Gerard o chamam para jogar e Victoria decide que quer dar uma volta sozinha, sobrando apenas o trio inicial. Tony está meio bêbado e se mantém ocupado em beijar o pescoço branco de seu parceiro, a vontade de fugirem para qualquer lugar mais privado que aquele mais que exposta. Mas o Cherrio é mais educado que isso e tenta continuar um diálogo coerente com Lexa, no qual a bruxa sabe que ele não está realmente prestando atenção. Entre beijos e álcool lhe sendo entregues de bandeja, suas atitudes se tornam compreensíveis. 

Assim sendo, ela pede licença e se afasta, decidindo juntar-se aos Panthers no chão.

 

(...)


 

“Lexa,” Vincent chama pouco atrás da menina. Ela se vira para vê-lo parado, com um dos braços de Antonio sobre seus ombros. “Você sabe o caminho de volta, certo?”

Ela sente a energia sexual que eles emanam mesmo com a distância — ela tem sentido durante toda a noite, na verdade —, portanto não é preciso que ele diga mais alguma coisa para fazê-la entender a situação. “Yeah, yeah. Eu estou bem. Você está livre para ir, soldado,” ela mente.

“Amanhã eu te atualizo,” ele sorri e se afasta, mas ela grita antes do casal sumir de sua visão.

“Eu não quero um feedback disso!”

Não há tanta gente na barraca agora, e Alexandra jura que ela já está menor, como se diminuísse à medida em que as pessoas a deixam, o que seria uma movimento inteligente de quem quer que tenha feito o encanto. E Indra achando que os europeus não eram do tipo que faziam festas. 

Já passa das duas da manhã agora e o evento está naquele estado em que todos estão cansados demais, ou bêbados demais, para irem embora, forçando-os a pararem e sentarem-se e puxarem uma respiração pesada. Há bruxos no chão, outros passando mal no banheiro e uma pequena rodinha ainda jogando Verdade ou Consequência, um jogo trouxa aparentemente popular nas festas de Crowdfield — o qual a garota não tem a mínima vontade de voltar a participar, não depois de ter sido desafiada a beijar um garoto da Berrynut. 

Apesar de Lexa não estar bêbada, ela está sentada num canto vazio de uma mesa — a qual pode cair a qualquer momento porque não foi feita para suportar mais de cinco quilogramas —, e definitivamente cansada. Ela não podia pedir mais de seu guia e por isso lhe mentiu, tão pouco se dignaria a buscar informação com alguma daquelas pessoas, e os amigos de Vincent, até mesmo Victoria, já tinham sumido de vista. Sua única opção é voltar sozinha. 

Hesitante, a menina se afasta de seu assento improvisado e deixa seu Uísque de Fogo no balcão de bebidas, desistindo de finalizar o copo. Ela segue para fora, recriando o caminho que fizera com Vincent e Antonio anteriormente, porém ao contrário, e se vê já livre da floresta. Com a falta de iluminação e impossibilitada de utilizar o Lumos — Victoria a avisara sobre os irmãos Fidalgo e suas perseguições com os alunos —, ela aperta os olhos para diferenciar o caminho a sua frente da névoa densa. Se tiver sorte, não vai tropeçar.

Alexandra leva mais de dez minutos para alcançar o túnel do prédio principal, o castelo, que introduz o dormitório de sua Casa, e seus passos ressoam graças aos saltos de seu calçado e, é claro, ao eco natural. Ela põe o casaco moletom quando o ar gélido lhe dá calafrios e alcança a porta discreta na lateral do edifício, fechando-a quando já está dentro: tira os sapatos para subir as escadas e para somente quando se dá conta de que não faz a mínima ideia de onde está. 

Aquele é o terceiro andar? Ou o segundo? Espere, ela entrou no prédio certo? Ela absolutamente não sabe. 

“Lumos,” ela conjura, mas vê apenas quadros — que a xingam pela claridade — e portas e entradas que está certa de que não lhe foram apresentadas antes. “Mas que inferno!” 

“Quem está aí?” Ela ouve e se amaldiçoa por praguejar tão alto. “É um aluno?” A voz é madura e não soa como nenhuma que ela já tenha ouvido,  e isso não é um bom sinal. 

Seu feitiço de iluminação é desfeito e a americana tenta correr se guiando nas paredes. Ela sente que, quem quer que seja, está conseguindo segui-la e certeza que não é um aluno. Droga, Indra a mataria se recebesse uma suspensão em seu segundo dia. Ou em qualquer dia do ano letivo mesmo. A bruxa tenta pensar: quais são suas opções? A) Continuar correndo sem saber por onde andar; B) entregar-se e aceitar sua punição, porque não há chance alguma de ela conseguir se safar vestindo-se daquele jeito, além de que sequer sabe onde está, então como explicaria como fora parar ali?

Está sem saída e quase se entregando quando uma sombra, semelhante a um fantasma, aparece ao seu lado. É um coelho e sua imagem ilumina o caminho para a menina. O animal a olha coçando o nariz, esperando-a perceber seu propósito e começa a saltitar quando Lexa desgruda o próprio corpo da parede. Ela o segue até uma porta; tenta abrir, mas, foda-se, está trancada. 

“Alohomora,” a bruxa sussurra, metendo-se para dentro assim que a madeira se abre, agradecendo mentalmente a quem quer que tenha sido por a livrar desse problemão.

Alexandra percebe que está numa sala quando esta se ilumina para si, as pinturas nas paredes — não quadros, mas pinturas — emanando um branco fraco. O espectro do animal já não está mais consigo. Seu guardião se fora, mas a bruxa interpreta o lugar como temporariamente seguro. 

Na parede do fundo, está erguido, parafusado, uma peça larga, alta, porém fina, que toma quase todo o espaço da parede, coberta por um manto. Um quadro, Lexa tem certeza. Mas a certeza havia se tornado duvidosa fazia meses, desde o início do ano letivo, desde a instabilidade de sua vida. Ela tinha certeza de que se formaria em Ilvermorny, por exemplo.

Ocorre-lhe um arrepio; vem a sua mente uma memória singela ao lembrar do primeiro dia em que pisou em Crowdfield, ontem. Aquela é a peça que os professores carregavam pelas escadas, só pode ser. Ansiosa, ela puxa o manto com força e o deixa cair de suas mãos ao se assustar com a pintura diante de seus olhos.

A cena retrata uma sala, com um efeito de profundidade tão poderoso que aparenta realmente estar ali. O piso é cinza escuro, assemelhando-se ao mármore, com tapetes finos e tudo o mais, e se ergue um trono grande de madeira e ferro, decorado com espadas e estacas, que toma a maior parte do retrato. Uma mulher ocupa o lugar e a americana sente que ninguém mais o poderia fazer daquela maneira, com tamanho impacto. O que ela é? Quem ela é?

Seu rosto é extremamente belo, Lexa nota. Nenhum fio de seu cabelo cai sobre ele, pequenos elásticos o mantém atrás da orelha, e algo parecido com uma estrela decora sua testa, o espaço entre suas sobrancelhas. Seu rosto é oval e simetricamente perfeito, os lábios de aparência desidratada, rachados, e desenhados, o nariz gracioso. a mulher não tem mais que vinte e sete, trinta anos, não com aquela pele pálida tão real e limpa.

Seu vestuário é tão intrigante. A moça veste calças, um uniforme de mangas longas e uma espécie de armadura, bem grossa na parte do ombro esquerdo; tudo preto e resistente. Alexandra jamais vira algo assim. Um pedaço de pano vermelho vivo cai do alto de seu braço até tocar o chão. Sua magnitude tira qualquer atenção da imensa janela atrás de si, ou dos objetos de puro prata que as colunas esculpidas seguram. Seria uma rainha? Mas onde está a coroa?

Ela, a mulher, a jovem, olha fixamente para frente, como se estivesse mostrando todo seu poder em uma pose. A pintura quase rústica em seus olhos, tinta preta, lembra um guaxinim; a bruxa ri com a associação porque o animal é o símbolo de sua casa. Mas não deveria ter feito tal coisa.

Pinturas em em escolas bruxas nunca são apenas pinturas.

De repente, a mulher olha para ela. Os olhos verdes cristais, sem expressão detectável, olham fixamente para ela. E então, a Wood faz a coisa mais lógica que pode: sai correndo.

 


Notas Finais


documento com os aceitos:

https://docs.google.com/document/d/1NmdHuJoC6yPgcBOWcFyCxidh6tRTUDXZxNP2tXQxrTM/edit?usp=sharing

link do grupo de whatsapp:

https://chat.whatsapp.com/LkFfAMkFlskC7J2OaGMf57


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