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História A Maldição do Amor - Capítulo 11


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Capítulo 11 - Ostras


Acordei com o barulho de batidas na porta. Levantei, um pouco desorientada de sono, e a abri. Tobirama me encarou. Seus olhos passaram por minhas pernas e logo se desviaram. 

— Vamos sair daqui a pouco. - Ele avisou. Estava deslumbrante, como sempre. Estava vestido com roupas simples, calça de treino e uma blusa preta de mangas. Por cima tinha o haori azul que eu usei uma vez. — Estou te esperando lá embaixo. 

Cobrindo um bocejo, concordei. Esperei Tobirama descer as escadas antes de fechar a porta. Me espreguicei e comecei a tirar o pijama.

Entre as várias coisas que ganhei, as roupas lideravam o ranking no quesito quantidade. Haviam trajes de banho, roupas casuais, vestidos e muitas roupas de treino. Optei por um short preto e uma blusa estilo kimono, com gola alta e sem mangas. Calcei as meias, que chegavam pouco acima dos joelhos, e peguei par de botas de caminhada que eu havia ganhado de uma outra loja. 

Passei a escova no cabelo, colocando-a no bolso da mochila antes de passar as alças pelos ombros. Dei uma rápida conferida em seu conteúdo, me certificando de que estava tudo em ordem. Descendo as escadas, percebi que o dia ainda estava amanhecendo. Passei no banheiro e escovei os dentes, também guardando a escova na mochila.

Tobirama estava calçando suas sandálias quando me aproximei dele, me sentando ao seu lado no genkan. Calcei as botas e me levantei.

— Está pronta? - Ele me perguntou. Concordei com a cabeça, me virando para abrir a porta. Me assustei quando a mochila que estava em minhas costas foi erguida, me fazendo cambalear. — O que aconteceu?

— A mochila parece pesada. - Ele respondeu. — Estava vendo se você conseguiria carregar. - Tobirama abriu a porta e fez sinal para que eu passasse. — Qualquer coisa você me fala. 

Ergui a sobrancelha. Tobirama não costuma ser atencioso assim. Pensei na pequena flor de lótus, aquela que ele havia me dado. Ele mudou bastante desde aquele dia. 

Caminhamos em direção ao sol nascente. Tobirama parou em frente ao prédio administrativo de Konohagakure, onde três crianças, quase adolescentes, nos aguardavam. Os dois meninos e a menina estavam com trajes de treino também. 

O mais alto dos três se aproximou de nós dois e sorriu. 

— É um prazer finalmente te conhecer! - Ele sorriu mais abertamente ainda. O que será que ele quis dizer com o finalmente? — Meu nome é Sarutobi Hiruzen. 

— Saru, olhe bem o que está falando. - Tobirama vociferou. O garoto se encolheu um pouco.

— É um prazer te conhecer, Sarutobi. - Correspondi seu sorriso. O garoto fez uma pequena reverência. —  Não precisa dessa formalidade. - Fiz um gesto vago com as mãos. — Meu nome é Miya. 

— É que o Tobirama-sensei mandou ser respeitoso e… - Tobirama se aproximou de nós e deu um tapinha na cabeça do garoto. Hiruzen riu, ficando quieto logo em seguida.

— Os outros são Mitokado Homura e Utatane Koharu. - Tobirama gesticulou. A menina e o outro menino não me deram muita ideia, mas mesmo assim eu os cumprimentei. — Estão prontos? - Nós quatro balançamos a cabeça. — Ótimo. 

Tobirama saiu andando, e eu me apressei para acompanhá-lo. 

— Não podemos ir pelo alto? - A garota, Koharu, perguntou depois de um tempo. — Seria mais rápido. - Ela me olhou de rabo de olho, como se fosse culpa minha. Comecei a me sentir arrependida de ter vindo. Suspirei, olhando para meus pés. Notei que o cadarço de uma das botas havia desamarrado, e eu parei para amarrá-lo.

— O sensei poderia nos mandar através de seu hiraishin. - O outro garoto comentou. — Tenho certeza que ele já marcou o lugar. 

Hiraishin?

— Se estão com pressa, podem ir. - Tobirama respondeu sem fazer muita cerimônia. — E não usarei o hiraishin. - Os dois resmungaram, e Tobirama os ignorou. Eles subiram para a copa das árvores. — Mas aproveitem e montem o acampamento, já que chegarão primeiro. 

Tobirama parou para me esperar, e eu me apressei. Bati a poeira da roupa enquanto andávamos. O olhar vermelho passou por meu corpo e logo se desviou, indo para as crianças à sua frente. Koharu e Homura deram um impulso e desapareceram. 

— Não vai junto com eles, Saru? - Ele perguntou. 

— Daqui a pouco eu vou. - O garoto respondeu, me olhando com curiosidade. 

— Então não fique à toa e vá fazer o reconhecimento do lugar. - Tobirama indicou o caminho à frente. — Tem ursos nessa área, e não queremos surpresas durante a noite. 

Ursos? Olhei espantada para o homem ao meu lado, que continuou agindo com naturalidade. Sarutobi afirmou, e com uma piscadela pra mim, ele sumiu também.

Moleque atrevido… - Tobirama resmungou baixinho ao meu lado. Ele segurou um galho de árvore para que eu passasse. Agora estávamos entrando em uma área de mata fechada. 

— É verdade? Sobre os ursos, quero dizer. - Perguntei, olhando sua nuca. Tobirama voltou a andar na frente, abrindo caminho. 

— Sim, e não são poucos. - Merda, pensei, mas pelo menos ele me disse a verdade. — Mas você não precisa ter medo. As crianças conseguem cuidar disso, e em todo o caso, eu também estou aqui. 

— Eu sei. - Respondi. Haviam outras dúvidas em minha cabeça, e eu não sabia se era o momento certo de saná-las. — Tobirama? 

— Sim? - Ele andou por cima de algumas pedras, segurou minha mão para que eu pudesse fazer o mesmo sem perder o equilíbrio. Ele tinha mãos enormes e ásperas. Mãos que precisaram empunhar uma espada durante a maior parte da vida. Me lembrei de quando eu era criança e saía para passear com Mito. Ela fazia a mesma coisa quando eu tentava me equilibrar no meio fio da calçada. 

— O que é um hiraishin?  

Ele parou por um momento e me encarou. 

— É o meu próprio jutsu, o que eu mais uso. - Ele respondeu com calma, ainda segurando minha mão. Me empolgando, continuei a andar por cima das coisas, me sentindo da mesma forma de quando eu era mais nova. Andei por cima de um tronco de árvore, ainda tendo Tobirama como apoio. — Com ele eu posso me locomover de um lugar para outro em menos de um segundo. 

— Deve ser incrível. - Sorri. Cheguei no final do tronco, e estava prestes a pular quando Tobirama me pegou pela cintura e me colocou no chão. — Obrigada. - Senti meu rosto ficando vermelho. Tobirama estava tão diferente, tão gentil. Definitivamente está acontecendo alguma coisa. 

— Um dia vou te mostrar como funciona. - Ele se afastou de mim, e conforme ele me soltou eu percebi o quanto suas mãos eram quentes. As árvores começaram a ficar mais espaçadas, e flores silvestres entraram em nosso campo de visão. — Quer parar para descansar? - Ele perguntou. 

Nos sentamos à sombra de uma árvore grande. Tobirama me estendeu um cantil de água, que aceitei de bom grado. Nós já havíamos andado por um bom tempo, e pelos meus cálculos, já devíamos estar chegando na metade da manhã. 

— O que houve naquele dia? - Perguntei de repente. Estávamos sentados em silêncio, e Tobirama voltou seu olhar para mim. 

— Qual dia? - Vi ele encostar a ponta dos dedos no chão. 

Aquele. - Peguei a escova de cabelos na mochila e um elástico. — A situação com o Ayako-san. - Me lembrei da ferocidade de Tobirama, e na pintura que acabou sendo deixada de lado. Comecei a pentear os fios úmidos de suor e os prendi em um rabo alto. 

— Ayako é um estelionatário. - Tobirama respondeu sem muita emoção na voz. — Ele enganou várias pessoas, e ia fazer o mesmo com você. - Pensei na moça da livraria, e da forma que ela olhou irritada para ele. 

Isso explica muita coisa. - Guardei as coisas de volta na mochila e bebi mais um gole do cantil de Tobirama, entregando-o de volta. — Obrigada por ter me ajudado. 

— Não foi nada… - Ele abaixou o tom de voz, e sorveu um pouco do líquido do cantil. — Eu só não achei justo ele fazer aquilo com você. - Eu sabia que Tobirama não tomaria uma atitude tão áspera quanto aquela sem um motivo. Só não pensei que o motivo seria eu. — Vamos continuar? 

Ele se levantou e me puxou pela mão.

*

— Tobirama-sensei! - Hiruzen surgiu do meio da mata, fazendo com que eu me assustasse. Por puro reflexo e inconscientemente me vi indo para trás de Tobirama. — Eu estou interrompendo algo? - Perguntou depois de nos olhar. Tobirama e eu estávamos estranhamente próximos, e como se tivéssemos sido estapeados, nos afastamos. 

— O que você quer? - Tobirama perguntou, parecendo um pouco irritado. 

Vocês são namorados? - Hiruzen perguntou e o silêncio caiu. Senti meu rosto esquentando, e olhei para Tobirama. Ele estava tão vermelho quanto eu. 

— Não é da sua conta! - Tobirama vociferou. — Suma daqui antes que eu faça você se arrepender, Saru.

— Calma sensei. - Sarutobi se aproximou, andando ao nosso redor. O sorriso não havia sido impactado pelas ameaças de seu professor. — É que a Miya-chan é uma moça bonita e… - Tobirama deu outro tapa na cabeça do garoto.

— Olha o respeito! - Tobirama cruzou os braços. — E pra você ela é a Miya-sama! 

Miya-sama, tá bom! - Hiruzen passou os dedos onde havia apanhado. — Eu ia chamar ela pra sair, sabe? Dar uma volta, acampar. - Tobirama ergueu a sobrancelha diante da provocação. — É isso que namorados fazem, não é mesmo? 

Dessa vez eu não aguentei e dei uma risada. 

— Você é muito novo, Saru. - Acariciei os cabelos castanhos, decidindo usar o apelido que Tobirama o chamava. O garoto pareceu não se importar.

— Ah, tudo bem. - Ele resmungou, o olhar ficando triste. — Eu tento de novo quando for mais velho. - Eu ri novamente, e fui acompanhada por ele. Tobirama nos encarava de forma séria, o rosto ainda vermelho. — Se o sensei não se importar, claro. - Numa provocação final, ele voltou a piscar pra mim.

Um jato de água passou por baixo de meu braço, e acertou Sarutobi diretamente em seu peito, o derrubando no chão. Me virei a tempo de ver Tobirama se aproximar de nós. Me abaixei, ficando ao lado do garoto.

Você o matou?! - Perguntei enquanto encostava a cabeça no peito magro e molhado. Ouvi o coração batendo ritmadamente e me levantei. — Saru? - Virei o rosto dele para mim, observando-o com atenção. Hiruzen deveria ter no máximo quinze anos.

— Ele está bem. - Tobirama respondeu acima de mim. — Só está fazendo drama porque você está aqui. - Ele cutucou as costelas do garoto com a ponta do pé. — Vamos logo Saru, ainda temos que pescar o almoço. 

— É, isso é verdade. - Sarutobi, de repente, se levantou bem. Era como se nada estivesse acontecido. — Me perdoe por preocupá-la, Miya-sama. - Ele se espreguiçou, coçando o lugar onde fora atingido. — É que eu não tenho uma moça bonita pra cuidar de mim, sabe. - Hiruzen sorriu. — Como isso não acontece todos os dias, precisei aproveitar a oportunidade. 

Tobirama rosnou ao meu lado. Permaneci ajoelhada, encarando os dois que provavelmente voltariam a brigar em breve. 

— E eu queria testar uma coisa. - Ele apoiou as mãos nos quadris, depois fez um sinal de positivo. — E descobri que estou certo! Agora vou indo, antes que o sensei me mate. - Depois de acenar, ele subiu para a copa das árvores e saiu em disparada.

Tobirama cutucou meu ombro. A mão estava estendida para mim. Ele me puxou, me ajudando a me levantar, e eu limpei a terra dos joelhos e pernas. 

— Não leve o Hiruzen a sério. - Ele comentou depois que voltamos a caminhar. — Ele gosta de atenção e se você der corda, vai ser daí para pior. 

— Achei ele engraçado. - Falei a verdade. 

— Ele é um excelente aluno. - Tobirama encarou a mata a nossa frente. — Um verdadeiro prodígio, tanto em inteligência quanto em força. - Ele sorriu para o nada, o olhar estava perdido no horizonte. — Completamente o contrário dos outros dois. 

— Achei que fosse matá-lo, ali atrás. - As árvores eram tão altas que chegavam a bloquear a luz solar em alguns pontos. Tobirama riu, o que me surpreendeu ainda mais.

— As vezes tenho vontade, não vou mentir. Mas eu gosto do garoto. Gosto mesmo. - Eu sorri. — E ele gosta de me tirar do sério.  

— Deu pra perceber. - Eu ri, lembrando de Sarutobi o provocando. — Você vai contar para eles? 

— Sobre? - Ele esticou a mão para me ajudar a andar sobre mais pedras que formavam uma trilha. Eu parei na metade do caminho.

— Sobre nós. 

Tobirama parou também e me encarou. Dessa vez ele não desviou o olhar. 

— Vou. - Ele suspirou, diminuindo a distância entre nossos corpos. — Só não sei como, mas vou. - Por algum motivo, naquele momento, eu achei que ele fosse me beijar. Suas mãos grandes se apoiaram em meus quadris e subiram até minha cintura, trazendo ondas de eletricidade por minha pele. Apoiei uma de minhas mãos em seu peito, e a outra em seu ombro. Estar em cima da pedra me deu uma vantagem na altura, então pude olhar em seus olhos de igual para igual. 

Tobirama se aproximou um pouco mais, e eu me preparei. Mas ele me ergueu com cuidado e me desceu da pedra. Quando meus pés tocaram o chão eu pude ouvir seu suspiro, e Tobirama se afastou. 

— Já estamos chegando. - Ele falou, virando de costas para mim. — É melhor nós irmos. 

*

Nós chegamos na clareira em completo silêncio. Koharu e Homura estavam sentados lado a lado, alimentando as chamas de uma fogueira. O lugar parecia ter saído do mais belo livro de contos de fada. Haviam muitas flores, tudo muito colorido. Até mesmo a grama parecia ser mais verde. 

Havia, além da fogueira, uma barraca já montada. 

— Onde está o Saru? - Perguntei. Tobirama evitou me olhar ao responder. 

— Está no lago. - Ele tirou a própria mochila e a deixou no chão. — Trouxe as coisas que te falei? - Aquiesci. No dia anterior ele havia me falado para trazer trajes de banho, caso quisesse. — Deixe sua mochila na barraca, e fique à vontade para se trocar. 

Acabei concordando. Dentro da barraca eu tirei o biquíni de dentro da mochila. Era um conjunto azul escuro, de cintura baixa e com lacinhos nas laterais. Era um pouco pequeno, mas eu não me importava muito. A parte de cima era da mesma cor, com um laço maior entre os seios. 

Vesti o short por cima do biquíni, peguei uma toalha e saí, deixando minhas coisas lá dentro. Koharu me encarou de cima a baixo, e eu me encolhi um pouco. 

— É só ir pelas árvores. - Homura me apontou o caminho antes mesmo que eu perguntasse. — O lago fica depois delas. 

Agradeci e comecei a andar. Conforme eu me aproximava, o barulho da água ia aumentando. Tive a visão de um lago gigantesco, com uma pequena piscina natural de pedras perto do deque. Sarutobi pulou de cima de uma árvore e caiu na água.

— Você vai espantar os peixes, seu idiota! - Tobirama brigou. Estava sentado no deque com uma vara nas mãos. Hiruzen emergiu e riu alto. 

Me aproximei por trás e me sentei ao seu lado. Ele também havia se trocado, havia tirado sua blusa e agora usava shorts.

— Você vai vir nadar, Miya-sama? - Hiruzen perguntou, fazendo questão de frisar o sufixo. 

— Não sei se é uma boa ideia. - Respondi alto o suficiente para que ele ouvisse. Tobirama finalmente me olhou, erguendo a sobrancelha branca. Ele também tirou o happuri, o que era um bom sinal. 

— E por que não? - Saru gritou de volta. 

— Eu não sei nadar! - Respondi, colocando a mão em concha, achando que aquilo faria minha voz ecoar um pouco mais. Saru, que já estava longe, voltou nadando. 

— Mas você não precisa se preocupar, Miya-sama. - Ele apoiou os braços no deque ao meu lado. — Sou ótimo fazendo respiração boca a boca. - O garoto piscou um olho pra mim. 

Tobirama bufou do meu outro lado, e fez um movimento com as mãos. Uma bola de água do tamanho de uma melão acertou a cabeça de Sarutobi em cheio. O garoto começou a rir. 

— Já falei para parar com isso, idiota. - Tobirama vociferou. — A próxima será maior, e pode apostar que vai doer. 

— Desculpe, sensei. - Hiruzen ergueu as mãos, se afundando na água. — Não resisti à tentação de provocá-lo, sabe. É muito engraçado te ver com ciúme.

— Não estou com.. - Tobirama não concluiu a frase. Estava com o rosto vermelho, e olhou para o outro lado quando percebeu meu olhar. Ele se levantou e entrou na água, mergulhando logo em seguida. 

Será que Tobirama estava mesmo com ciúme? Fiquei me questionando à respeito. Mas ele nem gosta de mim pra isso. Se bem que ele andava meio diferente nos últimos dias, mas ainda assim não justificaria.

Minha cabeça deu voltas enquanto eu pensava nisso, até que eu percebi que Tobirama não havia retornado à superfície. Sarutobi saiu da água e se sentou ao meu lado. 

— Será que ele está bem? - Perguntei preocupada, me inclinando para tentar ver alguma coisa. Mas o lago tinha uma tonalidade verde escura, então não adiantou nada.

— Claro que está. - Saru bateu com o ombro no meu. — Tobirama-sensei é um excelente mergulhador. 

— Menos mal. - Suspirei, ainda preocupada. 

— Me desculpe pelas brincadeiras. - Ele me disse de forma sincera. Olhei em seus olhos castanhos e sorri. — É que ele fica com raiva muito fácil, e eu percebi que nos últimos dias você tem sido o limite. 

— Como assim? - Eu havia ficado realmente curiosa. Tobirama surgiu, caminhando até a beirada do lago com os braços repletos de ostras. Água escorria por seu corpo, e eu notei que ele tinha muitas cicatrizes. Saru piscou um olho e eu entendi que teríamos de adiar a conversa.  

— Saru, se vire e pegue o peixe. - Ele resmungou, indo em direção às árvores. — Miya, venha comigo. - Dei de ombros e me levantei, indo até ele. — Já comeu ostra? - Ele perguntou enquanto voltávamos ao acampamento. Respondi que não. 

Nós nos sentamos na grama, afastados da fogueira. Saru chegou com três peixes pouco depois, e os colocou para assar.

— Isso é nojento. - Sarutobi reclamou quando viu Tobirama separar as ostras. Koharu e Homura concordaram. — Não vai dar isso pra ela, vai? 

— Só se ela quiser. - Tobirama respondeu. As sobrancelhas estavam franzidas. — Jogue uma kunai pra mim. 

Homura pegou uma kunai de seu bolso e arremessou em minha direção. Tobirama pegou-a entre os dedos, parando-a a centímetros de minha testa. Homura riu de meu olhar espantado. 

— Não a assuste. - Tobirama brigou. Homura pediu desculpas, e eu o ignorei. Até mesmo Saru comentou que havia sido uma brincadeira de mau gosto.  

Observei Tobirama enfiar a kunai entre as duas partes da concha, forçando a carapaça a se abrir. Depois ele cutucou o conteúdo com a ponta da lâmina, fazendo o conteúdo viscoso se desprender.

— Quer provar? - Ele veio com aquilo pra perto de mim. Os três alunos me encaravam com curiosidade.

— Não sei nem como comer isso. - Murmurei, observando a aparência horrorosa. Respirei fundo, imaginando que seria uma desfeita enorme recusar o aperitivo. Tobirama havia tido tanto trabalho para abrir.. — Mas pode ser. 

— É só engolir. - Ele me entregou a concha. Coloquei a carapaça na boca e a inclinei. O que aconteceu a seguir foi indescritível. 

Era viscoso, meio salgado, úmido, mole… era a pior coisa que eu já havia provado. Depois de quase um século e muito esforço, eu consegui engolir. Meus olhos começaram a lacrimejar e eu comecei a tossir, engasgando com a consistência da ostra que descia por minha garganta, chegando a pensar que vomitaria. 

Tobirama gargalhou, sendo acompanhado por seus alunos. 

— Imaginei que não fosse gostar. - Ele continuou rindo. Eu nunca havia visto ele rir tanto. — Mas não se preocupe, tem os peixes e frutas. 

Koharu tirou algumas maçãs de dentro da mochila e me entregou uma. Agradeci à ela, ainda tossindo.

Os peixes ficaram prontos pouco tempo depois. Comi ao lado de Saru, enquanto Tobirama terminava com suas ostras. Fiquei observando seus movimentos, incapaz de desviar  o olhar. Em uma das ostras ele parou, e a cutucou por mais tempo. 

Vi de relance a pequena bolinha brilhar sob a luz do sol. A pérola rosada deslizou por seus dedos, parando na palma de sua mão. Era um pouco maior que um caroço de feijão. 

— Aqui, pra você. - Ele esticou a mão na minha direção, me surpreendendo com o presente. Será que ele tinha noção do preço de uma pérola?! Peguei-a com cuidado, e a admirei. 

— É linda. - Comentei, girando-a nos dedos. — Muito obrigada! - Eu sorri, apertando a mão contra o peito. Ele apenas deu de ombros e voltou a comer. Seus três alunos me encaravam boquiabertos. 

Depois do almoço, Saru se retirou para cochilar debaixo de uma das árvores. Homura e Koharu estavam lendo livros, e eu me vi sem ter o que fazer. Tobirama voltou para o lago, e eu fui atrás dele.

 


Notas Finais


Olá querido leitor, como está? Como você deve ter percebido, fiz uma pequena alteração na execução dos jutsus de água. Eu sei que eles tecnicamente "amassam" o chakra no estômago e depois o expelem pela boca, mas eu acho isso um pouco nojento. Pense comigo, você tomaria banho em uma água que foi, literalmente, cuspida por outra pessoa? Pois é, eu também não 😅
Claro que não vai ser sempre assim, farei essa alteração em apenas em alguns jutsus. Espero, de coração, que você me entenda.

Queria aproveitar para agradecer à @YukiNe412 por ter se juntado à nós e por ter deixado comentários maravilhosos. Muito obrigada, meu bem! ❤

E você, gostou do capítulo? Que tal me contar? Não se esqueça que sua opinião é muito importante! :)


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