História A Maldição do Imperador - Capítulo 5


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Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Kai, Kris Wu, Personagens Originais, Sehun
Tags A Maldição Do Imperador, Baekbiassed, Baekhyun, Chanbaek, Chanhun, Chanyeol, Kris, Krisbaek, Magia, Maldição, Sehun, Sobrenatural, Universo Alternativo
Visualizações 372
Palavras 16.503
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Lemon, Magia, Mistério, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


OLÁ PESSOAS, ACHARAM QUE EU NÃO IA ATT "A MALDIÇÃO DO IMPERADOR" HOJE?
Como estão, meus queridos? Me perdoem a demora. O capítulo é o último, então eu demorei pra o escrever e pra acertar os detalhes, revisar - ainda devem ter erros porque ficou E-NOR-ME ~eu sei sibalar. Parei.
AH, não sei se conhecem minhas outras fics, mas pra quem conhece "O brilho de uma Estrela", assim que ela chegar a mil favoritos, postarei um extra. E tentarei atualizar todas as outras o mais rápido possível, mesmo que eu esteja pensando em reescrever ou apagar duas delas, farei o melhor pra que isso não ocorra.
~ ATENÇÃO À REFERÊNCIA: Obscuro/obscuros foi retirado da franquia da J. K. Rolling (quem assistiu "Animais Fantásticos e Onde Habitam" sabe do que estou falando); mana é basicamente magia, energia vital inerente a todo ser vivo, ou ainda pra jogos de rpg é habilidade ou poder (se não me engano). Eu dei uma alterada para o contexto da fic.
E este capítulo contem passagens com violência. Muita.

Enfim, como último capítulo dessa fic, temos aqui 16K de palavras, DEZESSEIS F*CKING MIL PALAVRAS.
É muito? Eu demorei muito pra escrever isso, especialmente as últimas partes, espero que leiam as notas finais.
Era pra ser uma one shot, deepois two shot, depois three shot e virou uma short fic kkkkkk OBRIGADA PELOS 131 FAVORITOS! Obrigada a quem acompanhou, comentou e/ou favoritou. Numa fic com atualizações espaçadas como essa - por motivos de: sem notebook e outras fics e vida - esse número de favoritos é muito, especialmente num tema desses de império, maldição e tals. Gostaria de ler mais fics como essa, se alguém tiver alguma, me indique nos comentários ou por mensagem direta. <3
Bem, vou deixar vocês lerem agora.

Capítulo 5 - Taseot


Fanfic / Fanfiction A Maldição do Imperador - Capítulo 5 - Taseot

Havia sido um belo dia , quase sem nuvens e com a temperatura amena, especialmente à tarde,  como todas as tardes de primavera, apesar da manhã ter sido ligeiramente fria.

A brisa do final de tarde entrava pela janela da sala de jogos palaciana. O jovem, em seus vinte anos, estava sentado, assistindo a seus amigos jogarem. Seus amigos nada mais eram do que criados, a quem ele fazia questão de tratar bem, contrariando as recomendações do conselheiro Wu e de seu pai, o imperador.

- Quando partiremos para casa? - Perguntou Kyungsoo.

Ele e sua comitiva estavam instalados no palácio de verão da família real; estava louco para voltar para casa, rever seu pai e seu irmão mais novo, apoiá-lo mais do que havia feito depois da tragédia que tirou a vida de sua mãe. Sentia que havia sido um fraco por não conseguir ficar o tempo todo ao lado de Baekhyun, mesmo que fossem ordens de seu pai para que partisse por sua própria segurança.

Se culpava porque sabia que seu irmão não poderia sair de casa, ele deveria ficar sob as asas do pai que era o único que o protegeria de si mesmo e daquela maldição que o assolava. Ele, como o mais velho, tinha que estar presente, mas, ao mesmo tempo, concordava com seu pai; ele não seria capaz de o proteger se saísse do palácio principal.

No entanto, Kyungsoo sentia falta de ficar em família, mas teve que se ausentar por várias razões; para ser protegido, longe do caos que se instalou para acobertar a verdadeira morte da imperatriz; também para estudar, para não correr riscos com as demonstrações de poder dos rebeldes da capital que eram poucos, mas ainda assim fazia o imperador tomar medidas protetivas para com seus filhos.

- Vamos amanhã cedo, majestade. - Disse um dos homens que fazia guarda e lhe servia de companhia quase todo o tempo.

Era Kim Junmyeon, um homem deveras leal, que lhe auxiliava em tudo, até mesmo enviando cartas para o palácio sem que os outros guardas da comitiva soubessem de alguma coisa. Sempre pedia notícias de seu irmão para o conselheiro Wu Yifan, que prometera ao príncipe cuidar de tudo por si.

Ele era muito grato ao guarda, que se tornara, para ele, muito mais do que um amigo. Eles tinham uma relação da qual ninguém desconfiava por conta da proximidade ter se dado havia muito tempo, eram companheiros acima de toda e qualquer suspeita.

Todas as noites, Junmyeon lhe cuidava e consolava pelo afastamento que fora obrigado a ter com sua família e isso, junto a todas as outras ações altruístas e generosas do Kim, acabou se transformando em algo muito além do que Kyungsoo havia sentido em sua vida.

 

A noite chegou e, com ela, os abraços e os beijos entre ambos.

Kyungsoo sentia o calor do corpo de quem amava, completamente encaixado ao seu, ambos gemendo em deleite pelas sensações que causavam um ao outro.

Estranhamente, os carinhos estavam muito mais intensos do que o tesão naquela noite. Junmyeon tocava seu corpo com uma delicadeza sem tamanho, o beijando com tal devoção que fazia Kyungsoo sentir-se até mesmo envergonhado. O guarda e companheiro estava por cima, por entre as pernas do príncipe, arremetendo contra ele, daquela maneira que ambos gostavam; as mãos apertavam, puxavam levemente, esfregavam, acariciavam, se deliciando com o corpo um do outro.

- Eu sinto tanto sua falta… - sussurrou o Kim contra a pele do pescoço alheio.

- Mas você me vê todas as noites… e-ah… fica co-comigo o dia todo - respondeu Kyungsoo, abrindo um sorriso e este se alargou quando o Kim o fitou.

- Mas nunca parece o suficiente, eu sempre quero te tocar e se pudesse, faria isso o tempo todo.

O Kim havia parado com as investidas no interior de Sua Majestade e o fitava tentando passar cada grão de seu sentimento por ele. Sentiu as pernas do outro envolverem-se em sua cintura, o aproximando ainda mais de si e, com uma das mãos, Kyungsoo acariciou os cabelos suados do amado, com um sorriso nos lábios, sem mostrar os dentes.

Apenas o admirava, como sempre fez e cada vez que o olhava, essa admiração, o amor e o carinho aumentavam ainda mais. Com a ponta dos delicados dedos, contornou os traços do Kim e voltou a acariciar seus fios escuros.

- Quando chegarmos ao palácio, contarei a meu pai sobre nós… e nós vamos nos casar, queira ele ou não. Eu não vou deixar você. Te amo, Junmyeon e isso é uma promessa.

Era a primeira vez que o príncipe lhe prometia algo como aquilo e Kyungsoo tinha uma palavra que valia ouro, ele nunca mentia, nunca escondia nada de ninguém; era sincero e honesto, então, se ele dissera, era verdade.

- Eu também te amo, Kyungsoo. - Fora a única coisa que conseguiu responder, em sussurros, aproximando os lábios dos semelhantes carnudos outra vez. - Eu te amo e nunca vou deixar de te amar.

Junmyeon voltou com os movimentos, levando a si mesmo e ao homem que amava à loucura aquela noite. Fora o melhor sexo de suas vidas, o mais carinhoso, fora sublime em todas as possibilidades.

E eles viram o dia nascer pelas luzes que invadiam a janela, deitados na cama, abraçados de um modo que se sentia a atmosfera quente e repleta de ternura.

Kyungsoo sentia algo estranho, mas para si, talvez seria aquele o início de uma nova fase em sua vida.

 

E ele não estava errado.

Estavam em sua comitiva, no segundo dia de viagem, passando por um lugar na estrada que não havia nem mesmo uma cidadela próxima.

Era o início da noite e Junmyeon havia acabado de dar ordens para que não parassem por nada, por receio de algum assalto ou tentativa de sequestro do herdeiro real. Ele saíra do interior da carruagem, depois de verificar se Kyungsoo estava bem e lhe beijar uma vez mais, voltando a sentar-se ao lado do cocheiro.

A carruagem foi diminuindo a velocidade, conforme os guardas da dianteira pediam para que o fizesse, pois avistaram algo na estrada, na verdade, alguém ou algum animal.

Conforme um dos cavaleiros se adiantou para verificar o que era aquilo, os raios finais do sol puderam iluminar aquilo aumentar de tamanho. Uma sombra escura cresceu e abriu olhos vermelhos diante dos olhos de todos e fez o coração de cada um que o viu saltar pela garganta.

O cavalo se assustou e derrubou o primeiro cavaleiro, os demais, se armaram com suas espadas e começaram a circular aquele ser de trevas.

- Tirem o príncipe daqui.

Ao ouvir aquilo, Kyungsoo ficou ainda mais assustado do que quando ouviu o cavalo de algum dos homens de sua comitiva relinchar violentamente. Logo sentiu a carruagem mudar o rumo e ganhar velocidade.

Tanto a carruagem do príncipe quanto a dos empregados era levada para outro lugar, qualquer lugar seguro, depois se preocupariam com o rumo para o palácio principal.

Ouvia repetidamente o Kim ordenando aos guardas restantes que circulassem o veículo real e o protegessem à qualquer custo, até mesmo por suas vidas.

Ao entrar por um atalho na floresta, a mata fechada ao redor talvez lhes desse uma vantagem, no entanto, isso não aconteceu.

A criatura os seguiu tão rapidamente quanto eles se foram e, mais uma vez, encontrou a comitiva. Passou pelos guardas, arrastando alguns deles e alguns cavalos, os derrubando e matando logo em seguida; destruiu e matou os empregados que estavam logo atrás da carruagem do príncipe.

Corpos estavam pela estrada e alguns ainda tentando conter aquele monstro.

Junmyeon percebeu que não poderiam continuar com a carruagem, por causa do peso, os cavalos não iam à toda velocidade. Puxou as rédeas das mãos do cocheiro e parou o veículo. Pediu para que o homem fugisse e ambos desacoplaram os cavalos que puxavam a carruagem. O cocheiro montou e fugiu na direção contrária à que a criatura lutava com alguns homens ainda vivos e o Kim abriu a carruagem, vendo Kyungsoo assustado e encolhido.

- O que está acontecendo?

- Venha e verá… temos que fugir.. - Disse, segurando o amado pelas mãos e o retirando de lá.

Assim que deu um passo para fora, viu a criatura de quem ouvia sons estranhos, como rugidos e que estava a matar cada um da comitiva.

Seus olhos se arregalaram e ele quase congelou, se não fosse por Junmyeon o puxar em direção ao cavalo que tentava se soltar da parte traseira da carruagem, onde o Kim o havia prendido para que não fugisse sem eles.

Kyungsoo já havia visto algo parecido, vindo de seu irmão, mas aquele não era Baekhyun, definitivamente não era. O irmão não liberava todo aquele poder obscuro, jamais conseguiu por conta de Jongdae, que o auxiliava a não se tornar animalesco.

Subiu no cavalo seguindo o Kim, ainda pensando o que diabos era aquilo e começaram a se afastar, tomando o rumo de uma trilha pela floresta, enxergando o pobre cocheiro cavalgando logo à frente.

- Vamos segui-lo, ele deve conhecer algum lugar seguro por aqui… - Disse Junmyeon.

No entanto, segundos depois de proferir essa frase, a criatura passou por eles, os derrubando do cavalo e deixando o pobre animal ferido, incapaz de continuar.

Kyungsoo gemia de dor enquanto o Kim se aproximava de si, também dolorido pela violência da queda, se arrastando para se aproximar do príncipe.

- Kyung… Kyungsoo… calma, calma que vai passar, eu vou te proteger.

Ele segurou na mão do príncipe e sentiu o aperto ser retribuído, ergueu-se um pouco para tentar cuidar do outro e, ao longe, ouviu o cocheiro berrando que buscaria ajuda.

Conseguiu ficar agachado fez o Byun mais velho se sentar no chão, o encostou em uma pedra e percebeu a respiração alterada, certamente pelas dores do impacto.

- Vai embora, n-não quero que se machuque, Jun…

- Eu não vou deixar você, nunca. - Respondeu o Kim, beijando os lábios e em seguida a testa de Kyungsoo.

Ouviram uma risada e perceberam passos próximos a eles e viram que a névoa negra se dissipava, mostrando a imagem de um homem, alto, pele clara e olhos ainda naquele tom escarlate. Os olhos de Kyunsoo aumentaram de tamanho quando se deu conta de quem era aquele: era Yifan, o conselheiro de seu pai.

- Fique longe dele! - Bradou Junmyeon, levando uma mão à espada ainda embainhada.

Ele não conseguia se levantar para enfrentar aquele homem que já reconhecera, alguma coisa lhe dizia para não se afastar de Kyungsoo, para pegá-lo e fugir, tentar, ao menos. E, também, Kyungsoo o segurava pelo braço para que não se afastasse. O nobre também sentia um medo descomunal se instalar por todo seu corpo e era por algo muito além das terríveis mortes que presenciara; tinha medo de perder Junmyeon.

- Acha mesmo que poderá me enfrentar? - Disse o conselheiro, abrindo um sorriso macabro, apesar da face serena que mantinha.

- Por quê? - Perguntou Kyungsoo. - Por que está fazendo isso? O que quer de nós?

- Eu quero você… quero, hm, me vingar de seu pai pelo que ele fez aos meus. Perdi minha mãe e irmã por conta dele, que não aceitava uma bruxa como esposa de seu conselheiro mais leal. Como eu não havia demonstrado meus poderes a meu pai, ele trouxe apenas a mim da China, deixou minhas irmã e mãe para trás, sozinhas e elas foram assassinadas a mando de ambos porque meu pai sabia como inibir seus poderes e impedir que se defendessem. Eu jurei vingança e já acabei com a vida de meu pai e de sua amada mãe, a imperatriz.

- Matou seu próprio pai por vingança? - Perguntou Junmyeon perturbado com a história, se colocando, ainda agachado, a frente de Kyungsoo, que ainda o segurava, tentando o impedir de avançar contra Wu.

- Ele dizia que seu casamento com minha mãe ameaçava sua posição no império coreano e que ela, ela, a mulher mais forte que já conheci, havia arruinado minha irmã, a tornando impura, e então me afastou dela, sem saber que eu já conhecia as artes obscuras… e foi o primeiro a pagar por isso. Agora… seu pai - apontou à Kyungsoo - está pagando e vou terminar meu serviço apenas daqui a alguns anos… porque eu ainda tomarei seu reino através do seu querido irmãozinho.

- Não!

- A menos que você entre em um acordo comigo para contrairmos matrimônio e deixarei aquele fedelho em paz… e seu amado também. - Passou os olhos por Junmyeon. - Você não pode fazer isso…

- E ele não vai, não vai encostar um dedo em Kyungsoo ou Baekhyun… - disse o kim, se levantando com dificuldade e desembainhando a espada. - Eu vou acabar com você. - Junmyeon, não, eu só tenho essa saída.

O kim parou e olhou para trás com os olhos arregalados e marejados.

Não acreditava que seu amado pensava em se entregar para um homem terrível como Wu Yifan. Não conseguia sequer pensar em tal hipótese tamanho seu nojo para com a cena e a situação; Kyungsoo não estava diferente, mas se teria que se sacrificar para ganhar tempo para alertar e proteger seu pai e seu irmão e ainda proteger Junmyeon, ele faria qualquer coisa.

Respirou fundo, evitando derramar as lágrimas que insistiam em ameaçar cair.

- Junmyeon, por favor, entenda… é a única saída e eu não quero que ele faça algo à você. Eu te amo e espero que compreenda...

O Kim abaixou o braço com a espada, sem tirar os olhos do amado, compreendendo o que ele dizia, mas ainda assim não concordando e odiando a situação por inteiro.

- Vejo que temos um acordo. - Proferiu Wu.

- Sim.

Kyungsoo respondeu, fitando Junmyeon, pedindo perdão com o olhar e vendo a compreensão junto à certa mágoa, o que lhe assombraria pelo resto de seus dias.

- Bem, então, deverei tomar providências para o casamento… e tirar uma pedra do meu caminho - dito isso, agarrou o pescoço de Junmyeon, que, por reflexo, fincou a espada no ombro de Wu.

- Não! Não, solte-o, solte-o! - Berrava Kyungsoo, tentando se levantar e caindo no chão, havia machucado a perna e tentava se arrastar até os dois, enquanto ouvia o Kim tentando se libertar e respirar.

Os dedos de Wu ergueram o guarda do chão e logo as unhas se transformaram em garras que perfuraram o pescoço do homem, deixando esvair o sangue e, aos poucos, a vida.

O soltou e ele caiu no chão com um baque surdo, respirando com dificuldade e os olhos desesperados, levando as próprias mãos ao pescoço que vertia o líquido vermelho.

Kyungsoo se arrastou como pôde e chegou a ele chorando, se apoiando ao lado do homem; via o amado tentar tocar o próprio pescoço e o fitar com medo, o que o nobre não sabia era que o medo que Junmyeon sentia não era pela própria morte e, sim, pelo destino e vida de seu Kyungsoo dali em diante. Sentiu medo do que estava guardado para seu amado, então exposto e sozinho contra Wu.

O príncipe tentou estancar os ferimentos, rasgando tiras de sua veste e pressionando no local, mas os cortes foram profundos.

- Por favor, Jun, fica comigo. Fica comigo… me perdoa por ter demorado tanto pra contar pro meu pai, me perdoa. Eu te amo, me perdoa. - Suplicava chorando e teve o rosto tocado por Junmyeon, que tentou secar suas lágrimas, mas também deixou uma mancha de sangue na pele imaculada.

Os olhos do guarda lhe transmitiam aquele amor de sempre, o maior amor que Kyungsoo experimentara até então e que não queria que terminasse, faria o que fosse possível para que não terminasse. Não queria o mal de Junmyeon, o queria vivo e bem! Ainda que não ficassem juntos...

- Jun… Jun! Não… meus deuses, não… - baubuciava aos prantos.

A mão que o tocava, perdeu as forças e caiu ao lado do corpo; o brilho no olhar que lhe passava toda a pureza daquele amor, se apagou de uma vez por todas.

 

Passos apressados se ouviam pelo corredor.

Duas empregadas, responsáveis pela limpeza naquele dia, se apavoraram ao ver o mago desacordado sendo carregado por dois guardas pessoais do futuro imperador e correram com eles para dar assistência.

A porta foi aberta de rompante por uma delas e Chen foi colocado sobre a cama, ainda desacordado.

Ao menos já respirava normalmente e não estava mais convulsionando.

- Chame um médico, Jongin. - Pediu o Park. - E vocês, providenciem água, um pano e sais para tentarmos acordá-lo o mais rápido possível.

Assim que ouviram os pedidos, todos saíram do quarto às pressas.

O Park ficou sozinho, vendo o corpo inerte do mago, que apenas respirava, o peito sequer subindo tanto quanto o guarda acreditava ser normal, o que o fazia ter os olhos presos em Chen.

 

Gemidos podiam ser ouvidos por qualquer um que passasse em frente àquela porta.

Para os empregados, só podia ser obra de alguma concubina real, fazendo os agrados de sempre ao conselheiro Wu, um dos homens mais poderosos da dinastia Byun. Braço direito, com um legado de família para se orgulhar e zelar.

Diziam as más línguas que ele logo teria um herdeiro se continuasse usando aquelas mulheres exclusivas aos cortesãos. Sequer pensavam que poderia ser um catamita, sendo que, depois da notícia do casamento entre ele e Vossa Majestade, diziam que ele tinha olhos apenas para futuro imperador.

Enganavam-se, no entanto.

Quem estava com ele, era alguém que deveria ter assumido o trono, seu lugar de direito, em vez do irmão. Era alguém por quem sempre procuraram, por anos, porém, sempre esteve ali, no lugar onde deveria estar; no palácio principal.

Contudo, ele não estava sobre o trono, não regia uma nação, não mais usava suas finas roupas de seda provindas da China ou ornamentos em ouro e pedras preciosas feitos à mão.

Quando em forma humana, cobria-se apenas com um hanbok fino que lhe dava frio e tinha uma coberta em sua gaiola, que era onde passava a maior parte do tempo, preso; quando transformado, era um bicho que não poderia nunca se comunicar ou levar os outros a conhecer sua história. Era uma ave de rapina. Era Koji, a coruja do imperador.

E também era Byun Kyungsoo, o primeiro príncipe, primeiro na linha de sucessão, coreano da Dinastia Byun.

Em vez de reinar, ele satisfasia o próprio raptor e os desejos deste para que ele não ferisse seu irmão. Era como uma moeda de troca, proteção de alguém querido por sexo. No entanto, ele sabia que, independente do que fizesse, Wu tentaria se casar com seu irmão outra vez, afinal vivia lhe dizendo, lhe contando todos os seus planos.

Kyungsoo só poderia falar em forma humana e desistira de discutir e implorar ao homem inescrupuloso e autor de tantos atos hediondos que estava sobre ele naquela cama.

O mais velho dos Byun evitava demonstrar qualquer coisa e já não se sentia tão mal quanto antes, apenas estava conformado com o que lhe acontecia e à espera de uma chance de mudar tudo. E a chance se deu quando Yifan esqueceu a porta do quarto entreaberta ao sair exasperado do cômodo.

Como coruja, poderia voar por todo o aposento livremente, sendo trancado apenas à noite, por isso era considerada um animal anormal, com hábitos estranhos para a espécie à qual, aparentemente, pertencia. Afinal, realmente não deveria se comportar como uma coruja, se era um humano preso em um corpo de uma.

E aproveitando essa habilidade lhe dada pela escolha do animal para transformação, ele a usou e buscou por Chen, o mago que ensinava a seu irmão desde que se lembrava; desde que Baekhyun tinha idade o suficiente para falar e escrever.

Ficou parado na sala do trono pensando em como poderia encontrar o mago e fora levado à ele por aqueles guardas, inclusive aquele garoto com o qual simpatizara e por isso pousou em seu braço; fora o misterioso destino que o levou ao mago e, pela primeira vez em anos, parecia sorrir para si.

Se preocupara muito quando o homem desfaleceu e convulsionou, mas acreditava que ele pudesse ter visto alguma coisa; na verdade, sentiu que ele conseguiu captar algo, por isso ficou tão agitado, além de querer, à todo custo, mostrar a verdade a ele.

Então, humano outra vez, deitado naquele colchão, vendo Wu se vestir novamente, relaxado como ele mesmo não ficava, esperava que seu martírio logo tivesse fim.

- O que tanto olha? - Perguntou Yifan, rude, amarrando o próprio hanbok, encarando o mais novo, inexpressivo como costumava ficar havia tempos.

- Isso tem que acabar.

- E vai. Quando eu quiser.

- Não, porque você não controla o destino de ninguém. E tudo que faz, um dia voltará à você. - Respondeu o príncipe calmamente.

O ego do feiticeiro pareceu murchar, mas sua raiva contra o mais novo aumentava.

Havia algum tempo que estava petulante daquela maneira, desde que contara-lhe sobre o romance entre Baekhyun e seu guarda pessoal Park; a história se repetia, mas daquela vez, não poderia sequestrar o príncipe. Como ele era mais frágil, emocionalmente, pela perda do pai e do irmão sequestrado, por culpar-se pela morte de sua mãe, seria teoricamente mais fácil tomar o reino e finalizar sua vingança através dele, o tendo para si como esposo, tomando tudo que seu pai e o anterior imperador mais prezavam: honra, poder, as pessoas que eles amavam e eram leais, que seriam os filhos do imperador e, obviamente, o império.

Não podia admitir que seu prisioneiro falasse consigo daquela maneira, embora ele quase nunca se importasse porque, no final da noite, quem sempre chorava preso entre barras de ferro até dormir e era usado em troca da proteção de alguém, era o próprio homem que o afrontava.

- Eu controlei o seu destino até aqui… ou será que devo lhe lembrar o que fiz e como fiz? - Disse, soturno.

- Tudo aquilo foi um acaso infeliz, mas o controle não fica para sempre com quem tem poder ou ambição. Em algum momento haverá uma primeira derrota, há uma primeira vez para tudo.

O nobre se sentou na cama, fitando o feiticeiro com o brilho do desafio no olhar; o porte imperial nunca saíra de si, nem mesmo quando permanecia completamente nu e exposto à alguém que destruiu sua vida, seus planos e sonhos. Ele sabia quem era seu irmão e que, com ele, as coisas seriam muito diferentes, até porque, Baekhyun possuía um poder que o próprio Yifan sabia e, com certeza, evitava provocar.

Afinal, ninguém sabia a verdadeira capacidade do Byun mais novo.

Ninguém sabia o tamanho do obscuros que ele formaria ou a força que guardava em si.

Tudo o que conheciam era o que desencadeava o poder: medo, não o amor.

- Você não vai ter meu irmão… se não cumprir o nosso trato, sabe que o destino cumprirá.

Yifan se aproximou com passos rápidos e firmes, chegando rapidamente ao mais novo e lhe apertando o pescoço com apenas uma mão.

- Não seja tolo… - começou enquanto sentia as mãos do outro tentarem livrar o próprio pescoço de seu agarre. - Seu irmão é fraco, precisa de alguém que o apoie… ele crê que tem o guarda. Há! Sequer imagina que, em breve, esse rapaz terá o mesmo destino que teve o seu protetor, seu amor que já deveria ter sido esquecido, mas, à todo momento, me faz recordar como foi que o tirei de si.…

Dito isso, soltou o outro com brusquidão sobre a cama, tossindo e tentando regular a respiração.

- Se esse guarda for inteligente, ele ficará fora do meu caminho… e espero que ele não seja tão imbecil quando foi Junmyeon ou serei obrigado a carregar mais uma morte desnecessária comigo, mesmo sendo, para mim, um prazer acabar com quem toca no que deve ser meu.

Segurou o príncipe pelo braço e o jogou dentro da gaiola, certificando-se de que ela permaneceria fechada daquela vez. Ouviu o primeiro grito seguido de choro de Kyungsoo e novamente o tornou Koji. Ninguém poderia escutar os gritos dele, ou estaria perdido. - Se aquele mago desconfiar de algo, terei prazer em matá-lo à sua frente, minha Alteza - curvou-se com deboche e sorriu - não sairá mais do quarto, como castigo pelo que fez hoje…

Como se não fosse castigado pelos últimos anos, pensou Kyungsoo e em seguida viu Wu sair do quarto, trancando-o em seguida.

 

Baekhyun havia acabado de tomar algumas medidas para reverter impostos que foram pagos recentemente e estava sozinho no escritório.

Levava as mãos à cabeça e respirava fundo de tempos em tempos; não conseguia pensar em uma maneira correta de dizer ao povo sobre seu verdadeiro interesse amoroso e que isso resultaria em matrimônio. Na verdade, sequer tinha certeza que Chanyeol se casaria consigo.

Ele esperava que sim, no entanto, ainda não havia contado ao rapaz que desistira de casar-se com Wu. Imaginar o enorme sorriso se abrindo para si genuinamente, o fazia sorrir de olhos fechados, ainda que massageasse as próprias têmporas por estresse.

Ainda faltava para que a noite chegasse e ele pudesse contar sobre aquilo e pedir o guarda em casamento, mas estava animado e era essa animação que permitia que continuasse aguentando as tentativas dos anciãos de falar consigo; alegava que não os receberia naquele restante do dia.

Seu fluxo de pensamentos fora interrompido quando bateram na porta.

- Entre.

Abriu os olhos ao ouvir a porta ser movida e pôs as mãos na mesa, entrelaçando os próprios dedos.

- Com licença, Alteza. - Pediu Wu, entrando e fechando a porta em seguida. - Gostaria de lhe falar.

- Claro, sente-se. - Bem, eu gostaria de saber… há algo de errado para que não possamos nos casar?

Ele demonstrava certa preocupação e submissão ao Byun, como querendo mostrar-se recatado e disposto a ele.

E, por um momento, certa culpa começou a chegar ao coração do Byun; ele havia usado o conselheiro, afinal.

- É por que não temos vínculo amoroso? - Achei que já estava tudo acertado. - Comentou Baekhyun, confuso e tentando ser firme para que o conselheiro entendesse.

Afinal, era estranho ele se importar tanto com isso, já que nunca quis um “lugar ao sol”.

- Sim, mas… na verdade, não estava claro para mim. Perdão se minha insistência o ofende.

- De maneira nenhuma. - Sorriu, sorriso que logo se desfez. - Não é exatamente por falta dessa ligação amorosa, não apenas... - suspirou e fechou os olhos por um momento, os abrindo em seguida. - Não é tão simples, assim. A ligação que temos é mais fraternal do que um dia poderia ser uma ligação romântica entre nós; eu não quis lhe usar, por mais bem intencionado que estivesse para me auxiliar como esposo… sinto que não seria a coisa certa a fazer.

Sentia que havia usado Yifan quando, na verdade, não sabia que quem desejava usar alguém era o próprio conselheiro.

- Entendo, Majestade. Mas, parece-me que há algo além disso… ande, conte… o conheço desde que nasceu. - Sorriu, encorajando o príncipe. - Não é esse acontecimento ou a insistência irritante dos anciãos que tirará de nós a cumplicidade que temos, não é?

Baekhyun pareceu pensar, a linha fina que se tornaram seus lábios delatava isso.

De fato, Wu sempre fora companheiro consigo; guardou seu segredo e o cuidava como ninguém além de sua família fazia. Era uma das pessoas mais confiáveis que conhecia e desde que se lembrava como gente, Yifan existia em sua vida.

Tinham uma relação muito mais profunda do que parecia.

Sorriu abobalhado, brincando com os próprios dedos e olhando para eles.

- Eu, finalmente, estou apaixonado de verdade, Yifan - falava com o conselheiro informalmente, como eram em seus momentos de conversa franca e livre; como quando Baekhyun tirava todas as dúvidas quando o pai estava ocupado; como quando contava a ele sobre todas as primeiras vezes de sua vida. - É… algo que nunca senti e sempre tentei reprimir, por medo do que poderia acontecer a ele por conta da maldição, afinal, dizem que eu machuco quem amo… - o tom desanimado pincelou sua voz.

- E quem seria esse sortudo a conquistar vosso coração? - Sorriu o estimulando a falar.

- Park Chanyeol. Meu guarda pessoal.

- Ah, era de se esperar… - riu, aparentando alegria - seus guardas, obviamente, passam muito tempo próximos à você, então, não me surpreende. Já vi essa história acontecer com seu irmão…

De repente, Baekhyun franziu o cenho.

- Meu irmão? - Proferiu confuso e um pouco assustado, apertando a beirada do tampo da mesa entre os dedos. - Como sabe algo sobre a vida de meu irmão?

- Eu, por acaso, interceptava e lia as cartas que ele enviava para cá, ou esqueceu-se disso?

Antes que o príncipe pudesse responder, a porta fora aberta, revelando uma empregada esbaforida, apoiando-se ao batente da entrada com as mãos.

- Meu Senhor, venha depressa... Chen sofreu algum mal estar e achei por bem o avisar.

- Estou indo… depois conversamos mais, conselheiro.

Usou o tom formal pela presença da empregada e indicando que a conversa tomaria um rumo mais sério quando a fossem terminar; em seguida correu porta a fora, sem sequer desconfiar que havia dado todas as informações de bandeja para quem queria lhe fazer mal.

 

Apesar de tudo, Chanyeol descansara o máximo que pode e então, já era hora de voltar e encarar a pessoa que mais lhe fazia feliz e mais lhe fazia sofrer, ao mesmo tempo.

Suspirou enquanto terminava de montar a armadura sobre o próprio corpo e se armou; saiu do alojamento rumando ao palácio e ia tranquilamente, sem esperar por Jongin. Queria ficar um pouco sozinho, enquanto acordado, para pensar na vida e em sua situação com Baekhyun.

Ambos estavam apaixonados, mas tinham deveres a cumprir e por isso não poderiam estar juntos.

Chegou até mesmo a pensar em seguir o conselho do próprio Byun e encontrar alguém, no entanto sabia que seria difícil, já que era ele quem seu coração pedia, por quem ele clamava dia e noite.

Ao chegar ao corredor do quarto de Baekhyun, um frio na espinha lhe tomou e não fora apenas por conta das lembranças daquela bela noite que sempre tinha ao pisar ali; o motivo tinha nome: Wu Yifan.

O homem estava parado na porta, lhe encarando fixamente, como se já o esperasse e, de fato, esperava.

- Boa noite. - Chanyeol se curvou, com respeito apesar do temor que lhe acometeu.

- Venha comigo. - Respondeu simplório. Virou as costas e saiu andando.

- Para onde? Onde está o príncipe?

- Apenas siga-me, o levarei até ele… não está nos aposentos reais.

Sem escolha e sozinho, Chanyeol o seguiu.

Fora levado para fora do palácio, para fora do jardim e não estava gostando da paisagem para a qual caminhavam.

Quando viu mais alguns homens se aproximando de si, perguntou:

- Conselheiro, diga-me onde está Baekhyun... - exigiu, falando baixo, porém firme, para que apenas ele pudesse ouvir.

- Prendam-no. Ele violou o príncipe. - Ordenou.

Os homens avançaram para cima do Park e, mesmo com suas habilidades, ele não foi páreo para outros cinco homens, sendo arrastado para outra parte do palácio, as masmorras. Sim, era para lá que Wu o guiava.

Foi jogado no chão pedroso e gélido depois de ter as camadas protetoras da armadura retiradas e agredido tantas vezes que perdera as contas de quantos socos e chutes levara; permaneceu no chão, a boca ensanguentada e olhos roxos, apenas de roupa interior.

 

Kyungsoo chorava sobre o corpo, entregue aos prantos e ao arrependimento de ter demorado tanto para tomar a decisão de comunicar ao pai que encontrara o amor de sua vida, que se casaria com Junmyeon.

Não se enxergava sem ele; tinha medo do futuro sem o Kim porque era tudo obscuro para si. Tantos planos que tinham e tudo caíra por terra quando o coração do mesmo, o coração que abrigava um grande amor por Kyungsoo, o homem e não o nobre, parara de bater.

À frente daquela cena deplorável, Yifan observava o sofrimento alheio, equiparando com quando encontrara sua mãe e irmãs mortas ao voltar para visitá-las escondido de seu pai. Ao relatar a ele, o conselheiro lhe deu um tapa no rosto, lhe pedindo para que fosse homem e parasse de chorar; lhe disse que aquilo fora obra do imperador, com seu consentimento porque era desonroso e perigoso ter alguém “daquele jeito” na família; que ninguém mais poderia saber das falecidas esposa e filha do conselheiro ou ele perderia todo o prestígio que tinha.

Para o jovem Wu, à época do ocorrido, aquilo era a mais pura desculpa para uma crueldade sem tamanho, justificada com preconceito. E ao discutir sobre isso com seu pai, este lhe dissera que agradecia que um homem tivesse nascido, assim lhe sobraria ele como filho, já que, para seu pai, homens não contraíam a “maldição” de carregar magia ou sequer conseguíam praticá-la.

E foi por isso que, por algum tempo, Yifan o envenenava lentamente, de modo que nenhum médico suspeitasse. E, como ele sabia que o imperador condordava com seu pai à respeito da magia e seus estigmas contra aquela arte, resolveu castigá-lo com o fardo de ter um filho amaldiçoado como ele.

Kyungsoo já era nascido, mas a imperatriz esperava outra criança; sonhara diversas vezes com uma criança bonita, delicada e feliz e relatava seus sonhos ao esposo e ao conselheiro, que havia assumido o lugar de seu pai, com a total confiança do imperador.

E quando ela estava dando à luz, era uma tarde tão bonita e fresca de primavera, que se transformara em uma tarde tempestuosa, que impedia a luz do sol de chegar à região. O feitiço de Wu entrou no quarto onde a criança estava para nascer e envolveu mãe e filho, assim que ele deu seu primeiro suspiro.

Guardas foram chamados e ele próprio fora convocado.

Investigaram de todas as formas o que havia sido aquilo e nada foi concluído.

Com o passar dos anos e as amostras de poder do pequeno Byun, finalmente perceberam que havia sim uma maldição e ele fora isolado ao convívio com seus pais, irmão e os empregados e cortesãos mais próximos que sabiam de seu segredo até que pudesse ser contido.

Então, acusaram o reino inimigo, um reino além mar, de bruxaria e cortaram relações, prejudicando um pouco o império, mas nada que o astuto imperador não pudesse contornar.

E ao cabo dos anos, Wu via o imperador sofrer pelo filho, mudar de opinião e dar carinho a ele, mesmo depois do incidente em que, todos que sabiam da magia que o Byun carregava, pensavam que ele havia matado a própria mãe em um rompante de emoções.

Lembrava-se de tudo aquilo e não havia mais volta.

Continuava fitando Kyungsoo aos prantos sobre o corpo sem vida, como se aquilo pudesse trazer Junmyeon de volta.

Aproximou-se e o ergueu pelo braço, o balançando sem delicadeza ao falar:

- Você vai se casar comigo e passar o controle do reino para mim.

- Nunca! - Respondeu Kyungsoo, apesar do choro.

Cuspiu na face do conselheiro em seguida.

- Pois, muito bem. Terá o que merece por isso e seu irmão também.

Levou uma mão ao peitoral de Kyungsoo e quando sua mão o tocou, algo que parecia um vapor em tom escuro saiu de seus dedos e o príncipe urrou de dor; toda transformação é dolorosa.

O mana negro que saía dos dedos de Wu, envolviam o corpo do outro e foi quando a transformação de fato começou.

O corpo quase que se atrofiava e se fechava contra si mesmo, ficando menor; o cabelo caiu e penas começavam a sair por toda a pele. Os pés se contraíram e suas unhas viraram garras afiadas, seus dedos das mãos se uniram e os ossos de seus braços estalaram ao se transformar e asas.

A pequena coruja estava então caída no chão e abriu seus olhos ao sentir o toque do feiticeiro; os olhos amarelos e alertas.

- Será punido por me rechaçar, verá tudo que farei à sua família sem poder tomar atitude alguma e andará sempre comigo se não quiser que eu torne as coisas piores para aqueles que tanto ama e ainda estão vivos… - olhou para o corpo inerte à frente e depois se ergueu com a coruja pousada sobre sua mão. - Você será Koji. E jamais se esqueça que a vida de quem ainda ama está, literalmente, em suas asas.

A colocou sobre o ombro ferido.

Era um lembrete para si mesmo ser mais cauteloso e um doloroso lembrete para Kyungsoo, da tentativa do homem que amava de o livrar de Yifan.

- Ah!

Chen sentou-se abruptamente na cama.

Estava suando frio, trêmulo; a boca estava seca e os olhos arregaldos com o susto pelo pesadelo que tivera; um complexo pesadelo.

Sentiu seus olhos liberarem lágrimas, não sabia se pelo susto do pesadelo ou pela maneira que acordara.

- Calma, se acalme, Chen. Tome água…

Quem falava era Baekhyun, que estava a seu lado o tempo todo. Cancelou compromissos reais para cuidar de quem lhe cuidara quando sua mãe se foi e seu pai, ainda que carinhoso, não podia parar a vida do império para tal.

Quando se virou para a empregada, esta prontamente lhe deu água para entregá-la a Chen.

Mesmo vendo o mago com o olhar estático, Baekhyun apenas se preocupou em o acalmar do que quer que tenha visto enquanto dormia.

- Aqui… Beba.

Recebeu de bom grado aquele copo com o líquido incolor, bebendo com rapidez pela garganta e boca secas pelo medo que sentiu.

- O que houve comigo? - Perguntou com a voz rouca pelo desuso. Precisava se recordar com precisão e confirmar se aquilo era um mero sonho ou mais que isso.

- Está em seu quarto, meu amigo. Está em segurança… - Baekhyun suspirou. - Você teve uma convulsão repentina e foi trazido para cá… Ficou inconsciente.

- Por… Por quanto tempo? - Quatro dias. Ficamos preocupados e os médicos queriam fazer procedimentos de emergência para tentar o acordar, mas temi que o que eles fizessem apenas piorassem seu estado.

Foi bom que o príncipe não houvesse permitido aquilo, fez com que Chen pudesse enxergar tudo que precisava ser enxergado.

Ele lembrou-se do ocorrido antes da convulsão. Aquela coruja, na verdade, era o príncipe perdido, Byun Kyungsoo. Wu Yifan, o conselheiro de confiança do império, o homem mais poderoso abaixo da família real… Ele era um traidor.

- Chen… - Chamou Baekhyun.

- Ficou o tempo todo comigo?

- Sim, não podia o abandonar nesse estado. Mas não se preocupe, deleguei tarefas para outros para que pudesse ficar aqui.

Chen notou algo estranho na face de Baekhyun. Havia algo de errado, o que poderia acontecer de grave em quatro dias?

- Bom, agora que já está bem, ordenarei que cuidem de você e lhe tragam comida farta. Espero que não recuse os pratos, está bem?

Para não o preocupar, Chen nada disse sobre o que descobrira em seu sonho. Era algo que deveria tomar cuidado e providências drásticas, mas não podia jogar isso nas costas do príncipe sem saber o que acontecia a ele.

O viu sair do quarto com a postura ereta, embora soubesse que algo estava errado.

Aquilo que vira, definitivamente, não fora apenas sonho. Era real e precisava deter Wu Yifan.

 

Baekhyun saiu dos aposentos de Chen fechando a porta delicadamente.

Não queria sair de perto do amigo, no entanto, ainda tinha muitas tarefas o esperando no escritório, reuniões, relatórios para ler…

Por um lado, ser nobre tinha suas vantagens, mas também tinha seus deveres, às vezes pesarosos quando tinha que resignar-se a eles. Bem como seus poderes, sua maldição; haveria de se resignar a ela por toda sua vida.

Ao sair, a noite caíra e a troca da guarda já havia sido feita, porém havia algo muito estranho.

No tempo em que saiu dali para ao menos banhar-se ou solicitar algo, buscar alguém e designar tarefas à terceiros enquanto seu amigo e mentor esteve em coma, não vira mais Chanyeol e preferiu guardar para si a pergunta ou comentário sobre ele; entretanto, àquela altura dos acontecimentos, já começara a se preocupar. Imaginava, na primeiro noite, que se tratava de uma folga; na segunda, que ele não queria o encontrar, mas já estava na terceira noite.

Aquilo não lhe cheirava bem.

- Guarda Kim… - dirigindo-se à Jongin, que rapidamente se postou ereto perante o príncipe, sem o olhar nos olhos, como era de praxe. - Gostaria de saber onde está o guarda Park. Há três noites que ele não se apresenta à mim.

- Senhor, não sei dizer. O busquei em seus aposentos, mas ainda assim, não o encontrei. Suspeita-se que ele tenha desertado, abandonado o posto sem causa aparente.

O coração do nobre quase falhou e, sem intenções, deixou transparecer em sua expressão que aquilo o perturbava.

Não, ele não pode ter desertado agora, pensava ele. Justo quando a situação estava se resolvendo para eles; justo quando pretendia o pedir em casamento e, finalmente, ser feliz, apesar da maldição…

O jovem guarda de coração tão nobre e humilde o ajudara a superar seu medo de amar alguém, o ajudara a se entregar e então, simplesmente sumira. Não poderia ser verdade.

- Como alguém deserta sem explicação alguma? Isso deveria passar pelo controle de seu superior. - Dizia com o tom de voz ligeiramente alterado.

Começou a andar pelos corredores em busca de um guarda da ronda.

Minutos depois, encontrou Oh Sehun e seu colega de ronda pelos corredores da sala de reuniões; o futuro imperador parou em frente a eles, lhes impedindo de continuar o caminho e então, eles também pararam, sem o encarar.

- Deseja algo, senhor? - Perguntou o companheiro de ronda de Sehun.

- Sim. Vá até seu superior, imediatamente, e confira baixas por desistência e conste se o nome de Park Chanyeol está na lista; descubra o que aconteceu a ele e me diga. Estarei no escritório.

Dito isso, se retirou, caminhando até a sala e pedindo aos guardas que ficassem do lado de fora.

Enquanto isso, Sehun preocupou-se.

Para o príncipe falar daquela maneira, algo grave poderia ter passado com Chanyeol, porque era para ele estar acompanhando o nobre, não Minseok. Imaginava que aquilo tinha algo a ver com Yifan e a propósta endinheirada que lhe fez para que reconquistasse o Park. Esperava que nada de mal tivesse acontecido a ele.

Mais depressa do que normalmente obedeceria uma ordem do cortesão, ele e seu companheiro foram até a sala de seu superior, descobrindo que Chanyeol estava preso nas masmorras aguardando julgamento.

- Fora denunciado há quatro dias por violar o príncipe. O tocou e coagiu a manter relações com ele, cá está a denúncia efetuada. - O superior os mostrou a folha com a denúncia firmada. Sehun a agarrou e leu várias vezes sem acreditar. - Será julgado e condenado em breve - dizia como se fosse algo corriqueiro, mas por dentro, o superior não aceitava que o guarda houvesse cometido tal crime contra um membro da realeza, o membro mais poderoso dela.

- Mas ele não fez nada! Eu sei que ele não cometeu crime algum.

- Então o príncipe quis se deitar com ele? - Apoiou as mãos na mesa, encarando Sehun nos olhos, o desafiando.

- Provavelmente é essa a verdade, sim. Posso afirmar. - Disse firme.

- Mas quanto poderia valer sua palavra? - Voltou à posição anterior. - Você é quase como eu, sua palavra é quase nada.

- Quem denunciou?

- O conselheiro… está vendo como a denúncia tem mais chances de ser verdadeira? Ele é um nobre e eles sempre tem razão, sempre.

- Não dessa vez.

- Sei o que sente e da relação que tinha com o senhor Park, fiz vista grossa, mas agora não posso evitar que ele seja punido. - Dizia o superior, fitando Sehun. - Sabe que nada que faça vai adiantar.

- Contar ao príncipe, vai.

Determinado, Sehun levantou-se e correu de volta para o palácio, sendo seguido por seu colega que tentava o acalmar, mas não adiantaria.

A culpa era sua e de sua obsessão pelo Park. Estava inconformado com o ocorrido e arrependido por ter participado de tudo aquilo.

Por mais que lhe doesse ter que engolir o orgulho, ele o faria, pela felicidade e liberdade de quem lhe fez feliz um dia.

 

Baekhyun tomava água para se acalmar, esfregava os olhos e massageava as têmporas.

O sumiço de Chanyeol, Chen saído do coma, coroação se aproximando, o fim do trato de matrimônio, explicações ao conselheiro.

A cabeça do nobre estava completamente cheia. Estava distraído e nem notou que a porta fora minimamente aberta, permitindo a passagem de alguém. Só ouviu quando ela foi fechada e encarou a figura alta e esguia de Wu.

- Deseja algo? - Perguntou preguiçosamente, com os braços apoiados na mesa.

- Trabalhando a essa hora da noite?

Wu fechou a porta e aproximava-se da mesa.

- Sabe que não é educado responder a uma questão com outra. - Respondeu o príncipe, sem muita paciência por todas aquelas preocupações e acontecimentos.

- Peço perdão, Majestade. - Curvou-se.

- E sim, trabalhando a essa hora. Chen precisou de cuidados e eu preferi participar pessoalmente deles enquanto esteve desacordado. É o mínimo que posso fazer por tudo que fez por mim. - Suspirou.

O príncipe voltou à massagear as têmporas e Yifan, com toda a intimidade que possuía e mais a que não lhe fora dada, contornou o móvel e se colocou atrás da cadeira de Baekhyun, começando a lhe massagear, para tentar soltar seus músculos, numa tentativa de o agradar.

- Eu ouvi dizer que vosso mentor ficara desacordado. - Disse enquanto começava a tocar o nobre, que não se importou com aquilo porque estava precisando relaxar.

- E não o foi visitar, um dia sequer.

- Sabe que não nos damos bem desde que nos conhecemos, apenas convivemos pacificamente por vosso bem. - Disse dócil, como se fosse apenas por isso e não pelo receio de ser descoberto que se manteve afastado do mago a vida toda. - O que houve com ele?

- Não sei bem… teve uma convulsão e ficou desacordado por dias… - fechou os olhos, falando mais manso pelo relaxamento que a massagem proporcionava.

Estava começando a relaxar realmente, quase não prestando atenção ao que o mais velho lhe falava. Lutava para não ceder ao cansaço em cima daquela mesa.

- Disse algo ao acordar? - Perguntou Wu com uma voz suave, não querendo incomodar o nobre.

- Nada relevante, há o que dizer depois de um momento desses?

- Claro que não, Vossa Alteza, apenas… me passou pela cabeça que é estranho que ele tenha desmaiado assim, por nada.

- Realmente… ah. - Resmungou quando Wu estalou seu ombro.

O Wu não queria ser obrigado a chantagear o jovem, já que se casaria com ele; estariam unidos pelo restante de suas vidas, viver brigando não faria sentido, ele queria paz depois que completasse sua vingança. Uma coisa um tanto irônica.

Ele só não percebeu que isso nunca viria se ele não parasse naquele ponto.

E Baekhyun continuava pensando em Chanyeol e temendo por ele. Suspirava vez ou outra, o que quebrava aquele silêncio que se instalou no escritório real.

Yifan percebeu aquilo e imaginava que também circulavam preocupações acerca de Park Chanyeol, o guarda insolente que conquistara o príncipe e atrapalhou seus planos.

Começou a acariciar mais do que massagear, descendo as mãos ao peitoral do nobre e abaixando o próprio corpo para esconder seu rosto nos cabelos negros do príncipe, aspirando o cheiro do mesmo e deslizando o nariz dali ao pescoço do mesmo, que se sentia estranho com aquilo, apesar de inebriado. Baekhyun pareceu acordar repentinamente e se levantou, desvencilhando-se das mãos do conselheiro, que apenas o observou, sem esboçar reação alguma. O príncipe se dirigiu a uma janela lateral do escritório, que estava fechada, mas era possível ver o exterior através do vidro.

Ele tocou a superfície gélida, talvez houvesse sentido uma certa libido no toque de Wu que não deveria existir, uma vez que não nutriam sentimentos um pelo outro e nem mesmo eram noivos desde que, dias antes, cancelara o matrimônio. Não deveria ter aquele tipo de liberdade com ele, sendo que Yifan era conselheiro e amigo seu e de seu falecido pai.

- Meu Senhor… perdoe-me, achei que por eu o ter tocado e não ter sido recusado… pensei que houvesse chance para mim.

- Por quem me tomas? - Perguntou ríspido, virando apenas o rosto para fitar aquele homem, cuja atitude lhe era desconhecida. - Nunca me pediu chance alguma para estar comigo, para nada, a não ser assuntos relacionados ao império. Por que agora, justo depois de lhe contar sobre o que sinto por Chanyeol? - Virou-se de frente para o mais velho, ainda sem sair de perto da janela; sua expressão demonstrava tamanha estranheza e certa raiva misturada à decepção, decepção por aquele homem ter atitudes controversas àquela altura dos acontecimentos. - O que mudou?

- Eu sempre lhe quis… seu pai não me permitiu o desposar por conta de minha origem. Já deve ter ouvido dizer que minha mãe era uma feiticeira, uma bruxa...

Baekhyun amenizou seu olhar, ainda com certa desconfiança.

- Sim, ouvi dizer....

- E por isso, não pude casar-me contigo, no entanto, sempre nutri um sentimento por você. - Começou a caminhar, lentamente, para próximo do príncipe, conforme falava.

O mesmo lhe deu as costas, voltando a fitar a paisagem fora daquelas paredes.

Tentou normalizar a respiração para saber como conduzir aquela declaração desleixada, embora não houvesse maneira de ser delicado e zeloso com os sentimentos de Yifan depois do atrevimento do mesmo. Senti algo estranho, como se algo ruim fosse lhe acontecer.

Pela primeira vez em anos, se sentira completamente exposto e desprotegido à presença do conselheiro.

- Pois então, deseje-me felicidade e respeite o que sinto por Chanyeol e a relação que tenho com ele. Apenas isso. - Respondeu-lhe, sentindo o próprio corpo tensionar conforme sentia a aproximação do mais velho.

- Eu não terminei de falar… - continuou Wu e deu uma pequena pausa; vendo que o futuro imperador nada diria, o ignorava, recomeçou: - E por não poder estar contigo naquela época, esperei que seu pai se fosse para poder o propor casamento, porém alguém chegou antes… aquele guarda ultrapasso meu caminho e o tomou de mim.

- Não. Ele me conquistou, é diferente de “tomar”… eu nunca poderei ser tomado porque jamais pertenci a ninguém além de mim.

Fora corajoso ao dizer aquela frase ao conselheiro, a frase que expressava a mais pura verdade. Ninguém é propriedade para pertencer a alguém e o príncipe sempre deixara claro que estaria ao lado de quem ele quisesse estar. O espírito de Baekhyun era livre, embora o corpo fosse repleto da maldição, daquele mana negro que lhe vertia corpo a fora em todas as situações de perigo iminente.

Ele estava começando a ficar com medo, mas não queria perder o controle, não queria liberar aquela escuridão em de dentro de si em frente ao conselheiro, embora as ações deste o deixassem desconfortável e com algum tipo de sinal de alerta em sua cabeça; algo lhe avisava para se afastar, mas fazer isso era reconhecer o medo, era se fazer de fraco quando poderia e deveria enfrentar o problema. Ele deveria mostrar a autoridade que todo herdeiro real possui em si.

Portanto ficou ali, parado, ainda que não encarasse o homem que o desafiava e demonstrava um lado novo e ruim ao nobre.

E o fato do jovem não o olhar nos olhos, indicava que não queria continuar a conversa, mas Yifan assim o desejava e se não fosse por bem, seria por mal.

- Pois bem… tive que tomar uma providência drástica para que meu desejo pudesse acontecer. - E um sorriso lhe surgiu nos lábios ao ver que sua frase surtiu o efeito de atiçar a curiosidade e o senso de perigo do príncipe. - Seu amado está em apuros e somente eu posso o libertar antes que seja tarde.

- Do que está falando? - Perguntou entredentes, virando-se lentamente ao conselheiro; os olhos fixos, cheios de raiva e senso protetor.

- Deverá se casar comigo, ou então, o ver morrer, pois nem uma ordem sua poderá poupá-lo de sua punição.

- Acha que me chantageando obterá o que quer?

E foi tudo muito rápido; Baekhyun sentiu apenas o baque do abdome e peitoral contra a parede fria do cômodo, fazendo com que seus pulmões soltassem quase todo o ar que carregavam e um gemido de dor fosse ouvido.

Wu o rendeu.

Prendeu Baekhyun à parede com as mãos espalmadas sobre a própria cabeça; o rosto do príncipe estava virado de lado, de forma que o podia olhar e podia ver a expressão de susto e temor em seu rosto. Colou seu corpo atrás do menor e o prensou na parede, fazendo com que o príncipe demonstrasse angústia e nojo em seu rosto bonito.

- Você será meu marido ou serei obrigado a fazer com que o povo decida entre nós… - ele falava próximo ao ouvido de Baekhyun, o fazendo sentir aquele bafo quente contra sua pele, o dando arrepios de desespero e nojo - acha mesmo que eles vão confiar em um garoto que mal saiu das fraldas para os governar? Um garoto que eles mal viram crescer pois fora isolado sem explicação alguma pelos próprios pais, imperadores da nação? Acha mesmo que vão o escolher se souberem da maldição que carrega e que esse foi o motivo de o esconderem por tantos anos?

Céus, como sentia nojo daquele homem e o conselheiro ainda teve a audácia de lhe morder a orelha, ainda que fraco, ato luxurioso; ainda riu-se ao perceber o arrepio que descia pela coluna do mais baixo.

Sentia-se agoniado e tentava se libertar a todo custo, no entanto era difícil. A surpresa da ação alheia o fez perder a noção das coisas por breves segundos, o que foi suficiente para impedir que seu corpo trabalhasse a fim de se soltar e ainda o medo colaborava para que suas pernas e braços permanecessem quase completamente inertes.

Além disso, qualquer movimento que o outro fazia atrás de seu corpo, independente da natureza, o fazia roçar contra si e não importava-se com qual parte do corpo alheio encostava no seu, apenas o queria longe, a léguas de distância.

- Pensa em dar-me um golpe?! Só pode estar louco. - Conseguiu falar, sem gaguejar, cheio de raiva e indignação, começando a emanar aquela maldita magia.

- Sabe que posso conseguir apoio popular. Sou o único do conselho que consegue o enfrentar e que tem mais uma carta na manga além de seu segredo.

Não o podia ver muito bem pela posição que se encontrava, mas poderia jurar que ele sorria.

- E qual é?

Yifan se aproximou um pouco mais para sussurrar ao futuro imperador o que o fazia mais poderoso que o próprio príncipe herdeiro; era como se a sala estivesse cheia e ninguém mais devesse ouvir o que lhe diria. E os olhos de Baekhyun se arregalaram, o coração acelerou e jurava para si que poderia cair se não estivesse preso entre a parede e o corpo de Wu, tudo por conta da revelação que lhe fizera:

- Eu sou o feiticeiro que lhe pôs a maldição.

Percebendo a inércia do príncipe, o soltou com cautela e se afastou, o vendo se virar e recostar-se à parede para não desmoronar.

- Com-como é? Você… você é o… ?

O feiticeiro riu ao ver que o outro não conseguia terminar a frase.

- Sim… eu fui quem o enfeitiçou, amaldiçoou, ao nascer; também fui eu que matei sua mãe e não você…

- C-como… ?

- Simplesmente, escondido entre o obscuros que você estava se tornando naquele momento, eu consegui tirar a vida dela sem que ninguém percebesse. - Confessou simplório.

- Seu… seu monstro! - Avançou para Wu, mas este o segurou pelos punhos e ria da tentativa do príncipe de o agredir, mesmo estando com o corpo estremecido e quase sem forças pelo choque das informações.

- Contenha-se! - Estapeou o rosto do nobre ao receber um arranhão no rosto quando ele conseguiu liberar uma de suas mãos. - Sequer parece pertencer à família mais nobre e distinta do império, sequer parece nobre agindo assim. Se continuar dessa maneira, seu amado Chanyeol terá o mesmo destino que o de sua querida mãe. Ou o mesmo destino de seu irmão, aprisionado para sempre para que viva com as dores que seu pai e o meu deveriam carregar por tudo que fizeram à minha família.

- Se eles o fizeram, não somos nós e nem o povo que temos que pagar. - Baekhyun dizia, tentando trazer o outro de volta à razão. - Se quer fazer maldades que seja por sua vontade e não encontrando desculpas que não cabem à situação.

- Tomar-lhes os bens mais preciosos é uma punição justa, visto que minhas mãe e irmã eram preciosas para mim.

O veneno do mais velho era destilado em suas palavras, preenchendo-as do sentimento mais impuro que se pode carregar: rancor. Era diferente de mágoa, que é uma dor junto ao medo que nos faz evitar perdoar, evitar situações; o rancor é raiva que queima os outros sentimentos consigo e pode ser combustível para outras sensações maiores e piores, pode gerar más ações e reações, impulsionar vinganças.

- E sua resposta final?

Baekhyun o encarou, estava com vontade de chorar, com ódio e congelado pelas coisas que ouviu ali; o olhar daquele jovem se transformou para Wu e o conselheiro sentiu isso, mas nada podia fazer.

Se sua vida não tivesse tomado o rumo que tomou, se nenhuma daquelas coisas tivesse lhe acontecido, ele e Baekhyun poderiam ser bons amigos, ao menos; mas a vida não quis assim.

- Eu me caso. Mas antes do casamento, quero ver Chanyeol vivo e livre.... - respondeu; a respiração descompassada pelo choro contido.

- Assim será. Uma coisa que eu tenho é palavra e nela pode confiar.

- Por mais que eu não confie, é a única coisa que tenho.

Wu Yifan deu um sorriso.

Seu desejo era não fazer mal à Baekhyun, mas toda a situação o obrigava. Esperava apenas que, com o tempo, ele se conformasse e permitisse ao conselheiro o fazer feliz.

Foi pensando nisso que juntou-se aos anciãos, comunicando que o príncipe voltara atrás em sua decisão de romper o noivado.

 

Chen estava acordado havia dois dias e lhe foi pedido pelo médico do palácio que continuasse em repouso absoluto.

Não sabia se deveria comentar com alguém e deveria encontrar uma maneira de o deter; porém, se ele era tão poderoso àquele ponto, certamente poderia parar qualquer feitiço como se fosse um truque barato.

Não sabia exatamente o que fazer e acreditava que seria melhor abrir o jogo com o príncipe, alertá-lo antes que fosse tarde; ele ainda não sabia que Baekhyun foi forçado a fazer um acordo para que não perdesse mais ninguém que amava.

Pediu que o chamasse e aguardou impaciente sua chegada; não podia se mover muito, além de levantar-se apenas para banho e necessidades fisiológicas. Ajeitou-se na cama com a ajuda de uma das empregadas designadas para seus cuidados e assim que a porta fora aberta, a dispensou.

Ela saiu pela porta a qual entrou Baekhyun.

Seu semblante infeliz era claro como água, havia olheiras sob seus olhos que já não demonstravam aquela alegria de antes, parecia atordoado; de fato, estava. Parecia inclusive pálido e os lábios tensos um contra o outro denotavam que prendia o choro.

- Algo aconteceu, meu príncipe?

- Não é algo que… eu ou você possamos resolver, creio que é menos importante do que o que tem a me dizer. - Disse resignado, sentando-se na lateral da cama para ficar de frente para Chen. - Diga-me primeiro, por favor. Sei que há algo estranho e me preocupou falando dessa maneira.

Baekhyun suspirou, olhou para o lençol que cobria o amigo e puxou o ar para falar:

- Retomei o noivado com Yifan.

- O quê?! Por quê?!

- Ele me obrigou, como uma troca para proteger Chanyeol. Disse algo que me incomodou, mas naquele momento, nem consegui questionar… era sobre Kyungsoo.

- O que ele disse sobre seu irmão? - Perguntou estreitando os olhos.

- Disse que… - respirou mais forte tentando conter as lágrimas; olhou para o alto e depois para o mago - disse que o aprisionou e que terei que carregar a dor que seu pai e o meu deveriam carregar - a primeira lágrima escorreu.

Chen sentiu o coração apertar e segurou uma das mãos do nobre, a apertando entre as próprias.

- Há algo sobre isso que preciso lhe dizer. E quero que ouça com atenção. - Frisou. - Convulsionei e permaneci desacordado muito provavelmente pela energia que senti no quarto de Yifan e fui parar naquele cômodo por conta da coruja, Koji, que havia escapado. Quando a colocamos na gaiola, senti algo como… como um choque - gesticulava após ter soltado a mão do príncipe - e caí… não senti meu corpo tremer, apenas sei que entrei em transe e vi coisas que se repetiram por todos aqueles quatro dias, sem que eu soubesse ao certo quanto tempo se passou.

- E o que foi que viu?

- Seu irmão está aprisionado e eu sei onde o encontrar.

 

Kim Jongin se encontrava fora do quarto de Chen, esperando pelo príncipe, ao lado do guarda que tomara o lugar de Chanyeol.

Naqueles dois dias, todos os soldados, de todas as patentes, de dentro e de fora do palácio, souberam do ocorrido; alguns se admiravam por Chanyeol ter conseguido subjugar o príncipe do qual nem mesmo seus guardas poderiam se aproximar muito; outros sentiam inveja, mas, em unanimidade, acreditavam que ele cometera um erro, uma heresia, que deveria ser punido por coagir o adorado príncipe.

Ele estava ainda sem acreditar que alguém denunciara e distorcera o que aconteceu; aliás, o que ele acreditava que havia acontecido, já que Chanyeol não lhe falava muito, apenas sabia de sua paixão, mas jamais o julgara insano de forçar alguma relação. Ele era obviamente inocente, assim era como Jongin pensava por o conhecer tão bem.

Ouvira passos no corredor e aquilo seria corriqueiro se não fosse o guarda Oh Sehun a vir até ele com passos largos e pesados.

- O que faz aqui? - Perguntou ríspido.

- Eu preciso lhe falar. - Respondeu em baixo volume.

- É impossível que algo que saia de sua boca seja de meu interesse. Deixe-me trabalhar. - Disse, ao ver o colega que ocupava o lugar de seu amigo os encarar curioso e incomodado com a conversa que fugia ao protocolo.

- É sobre Chanyeol.

Kim o encarou um pouco assustado e já se enchendo de raiva.

Será que o desgraçado o havia denunciado por se sentir trocado?

Vendo a respiração de Jongin se alterar, Sehun logo levantou as mãos lhe pedindo calma para que o outro não pensasse nada errado de si.

- Eu não fiz nada, se é o que está maquinando.

- Então o que sabe sobre Chanyeol nessa situação?

- Eu sei que foi Wu que o denunciou, o conselheiro quer acabar com ele… tenho certeza disso, por causa do príncipe.

Um segundo depois, sem tempo de Jongin dizer nada, a porta se abriu e de lá, saiu um furioso príncipe. Os olhos vermelhos de chorar, o rosto fervendo da raiva que sentia daquele que havia se transformado diante de si.

A respiração descompassada demonstrava seu misto de sentimentos ruins, grunhiu e aquele som saiu como algo além de um grunhido humano; poderia ter rasgado a garganta do príncipe pela maneira como foi proferido. O ambiente próximo a ele, tornou-se frio e os três guardas presentes sentiram arrepios.

- Estão dispensados, não precisarei de serviços de guarda-costas por hoje. Saiam do palácio e não digam nada do que viram aqui.

Saiu antes que respondessem, cruzando com o guarda que buscava por Sehun, que aparentemente percebeu algo estranho e desviou do caminho do cortesão, que sequer olhava para o lado.

- Vocês… venham aqui… agora, por favor. - Pediu Chen, aproveitando a porta aberta, deixada por Baekhyun.

Os três guardas entraram e em seguida, o guarda que chegara depois. O mago estava tentando sair da cama, mesmo com as pernas bambas pela falta de uso; pediu ajuda para colocar-se de pé. Precisava fazer alguma coisa.

- Levem-me até Chanyeol. Nas masmorras, agora.

- Mal pode ficar de pé.- Comentou Jongin.

- Apenas me obedeça, antes que algo aconteça a seu amigo. Eu tenho que o libertar… vamos, vamos. - Exigiu quando dois dos guardas o ajuravam a caminhar.

Saíram o mais depressa que podiam.

Mal sabiam o que acontecia na cela onde o Park se encontrava.

Por ordem do conselheiro, uma punição diária de tortura era dada a ele. Naquele dia, o amarraram pelas mãos em uma corrente que pendia do teto, o deixando nu naquele lugar frio; água lhe foi jogada, ele estava encharcado e tremia.

Se ainda se importasse com a cena ao seu redor, poderia assustar-se com os ratos de variados tamanhos que passeavam entre os fenos encontrados por todas as celas e lugares das masmorras, sendo a única coisa que poderia ser usada para aquecer quem ali ficava. Além, é claro, dos insetos, geralmente baratas, que dividiam a cela com ele.

Chanyeol sempre tentava abstrair, pensar nas coisas boas que viveu com Baekhyun e os planos que tinham para o futuro; era a única coisa que o ajudava a desviar a atenção, ao menos um pouco, das dores diárias, do medo, da saudade e da raiva que sentia por Wu Yifan. Sentia que morreria se não fosse tirado dali e se perguntava como estava sua família, se a falsa denúncia chegara aos ouvidos de seus pais e parentes, se Baekhyun sabia de sua prisão e não se importava.

Havia momentos em que se questionava se não havia sido apenas um joguete para o cortesão, já que não o vira aparecer para o livrar de um castigo injusto; não podia duvidar do mesmo, mas, àquela altura dos acontecimentos, a dúvida tentava tomar lugar da certeza de seu amor. Aquilo o atormentava deveras.

Abaixou a cabeça, sentindo frio intenso, não havia mais o que fazer por si mesmo, a não ser tentar resistir, apesar de estar passando fome, estar fraco e acreditando que começava a adoecer naqueles poucos dias de prisão.

Chorou.

Não soube por quanto tempo, mas tentou conter assim que ouviu a cela ser aberta; aquele característico barulho de metal enferrujado a rangir. Cessou as lágrimas como pôde pois o carrasco lhe castigava ainda mais duramente quando o via daquele jeito, simplesmente porque detestava aquilo, dizia ser uma demonstração de fraqueza.

Para sua surpresa, não era aquele maldito.

Eram Chen e Jongin junto ao chefe da masmorra.

Ele sorriu tão abertamente quanto pôde apesar da dor, do choro que retornara e da tremedeira que lhe acometia.

- Meus deuses! Tire-o daí, agora mesmo! - Ordenou Chen.

O homem obedeceu e logo Jongin socorreu o amigo, o fazendo sentar-se no chão frio.

Passos foram ouvidos e Sehun apareceu, lhe trazendo uma roupa limpa para que vestisse. Eram do Oh, mas aquilo era uma emergência.

- Obrigado, muito obrigado. - Murmurava Chanyeol enquanto se vestia com a ajuda dos dois.

- Não há de quê. Você sofreu dias sem culpa e ressarciremos tudo o que passou aqui. Agora preciso que venha conosco até Baekhyun para que ele veja que está vivo e aqui. O impeça de fazer uma besteira. - Pediu Chen, sendo ajudado pelos outros dois.

- O que houve?

- Creio que ele está em perigo.

 

Os olhos do Byun transbordavam de ódio.

Aquele tempo todo, a verdade sob seu nariz e ele não foi capaz de enxergar, mesmo com seus poderes, com aquela energia dentro de si. Óbvio que não saberia de nada, desistira de aprender a usar e passou apenas a focar no controle da mesma para que não machucasse mais ninguém, o que a fez tornar-se obscura e aumentou a intensidade da mesma por ser reprimida; havia um detalhe importante não poderia prever ou descobrir nada sobre Wu porque ele havia lhe amaldiçoado, por isso não seria capaz de invadir lembranças ou ter contato com qualquer coisa que ele fizera. Ele era como se fosse o pai da magia que Baekhyun carregava dentro de si.

Estava transtornado; seu olhar negro denunciava o descontrole.

Encontrou Wu no salão do trono quando passava por ali para ir ao quarto do mesmo; felizmente aquilo lhe economizaria tempo.

- Algo errado, meu príncipe? - Perguntou o feiticeiro com ironia.

Ele estava sentado no trono central, o maior, que pertecera ao pai de Baekhyun, zombando do mesmo. Acreditava que havia ganho a pequena “guerra” que travara contra a dinastia à qual servira a vida toda.

- Saia deste trono. Você não pertence a esse lugar, nem às minhas terras. Vá embora ou eu…

- Ou o quê? Acredita que vai me matar? Ah, Baekhyun, meu caro e doce Baekhyun. Ingênuo como sempre. Não sabe que sou mais poderoso que você? Chen não pode fazer nada pois está acamado e… não há ninguém páreo para mim. - Desviou os olhos e deu um sorriso divertido enquanto analisava as próprias vestes.

- Eu tentarei. Por minha honra e a de minha família. - Disse o príncipe firmemente, parando em meio ao salão. - E o que pensa que pode fazer? - Levantou-se, descendo o pequeno lance de escadas e parando ao pé das mesmas. - Acha que é possível me enfrentar?! Você é fraco, seus poderes são imaturos e mal treinados, jamais poderá me derrotar. Ainda é capaz de matar um inocente, porque foi com a ajuda do seu medo, do seu descontrole que consegui matar sua mãe!

- Cale-se!! - Berrou Baekhyun e repentinamente uma aura negra começou a o envolver.

- E mais uma vez, a raiva se apodera do corpo do príncipe. - Zombou. - Tente, pode tentar o quanto quiser… jogue esse obscuros contra mim e não conseguirá anular absolutamente NADA do que eu fiz!!

E foi naquele mesmo momento, no final da fala de Yifan, que Baekhyun arremeteu contra o mesmo todo o ódio que sentia, em mana negro.

Todo o carinho fraternal que sentiu algum dia por Wu se desfez como um castelo de areia na cheia da maré. Como uma pirâmide de cartas de baralho ao menor vento. Ele jamais sentira aquilo por ninguém; talvez tivesse semelhante sentimento por si mesmo por todo aquele tempo em que acreditou ter matado a própria mãe, no entanto, tudo que sentia por Wu, se tornara ainda maior.

Wu foi, de fato, atingido pelo mana de Baekhyun, por conta da velocidade com que aquilo veio em sua direção. Bateu as costas na parede acima do trono principal e, em seguida, caiu no chão com a fae para baixo. Ficou imóvel alguns segundos, mas logo levantou-se como se nada tivesse acontecido, sorrindo, embora sua boca sangrasse.

Levou a mão ao local e limpou precariamente o líquido vermelho escuro que dali brotava em uma fina linha. - Está realmente com raiva… hm? Eu até diria que quer brincar comigo, me recusaria a usar o que sei contra você, porque não quero seu mal - o que disse causou uma curta risada de desespero em Baekhyun -, mas já que quer assim, que quer um embate sério, é o que terá.

O rugido de Wu foi ouvido por todo o palácio.

Empregados que passavam por perto do salão, em sua maioria, correram para longe, amedontrados, enquanto guardas corriam para o local, com suas armas empunhadas e pararam ao ver o conselheiro e o príncipe.  Rosto de Yifan estava desfigurado, lembrava o rosto de um dragão que era o símbolo da Dinastia Byun. Elra possível ver que sua magia estava num nível tão grande quanto o de antigos magos,que posteriormente à seus desaparecimentos ou mortes se tornaram lendas apenas.

Ele tinha a seu redor, uma aura vermelho escuro e andava a passos lentos em direção ao herdeiro do império coreano. Em determinado momento, parou levantando as mãos rapidamente e, sem dar chance de resposta, fez o mesmo que o príncipe lhe fizera e o fez bater as costas na madeira maciça da porta dupla, gritando momentaneamente de dor.

Mantinha as mãos erguidas, o poder sobre Baekhyun, que cada vez mais se desesperava para livrar-se daquilo. Ao ver Wu próximo demais, arregalou os olhos, acreditando que aquele era seu fim.

- Meu pai confiou em você… eu confiei em você - declarou Baekhyun, numa vã tentativa de o fazer parar.

- E já serviram a meus propósitos, devo agradecer e farei isso sendo misericordioso.

Abaixou-se, envolvendo o nobre em seu próprio mana, forte demais para que baekhyun, amedrontado, conseguisse liberar muito do próprio e se libertar. Baekhyun sentiu o pescoço ser agarrado pela mão grande do outro e foi erguido do chão, ainda encostado à porta por Yifan, que pressionava seu o local; sentia a respiração esvaindo-se de si e, com as unhas compridas por conta de seu descontrole, fincou seus dedos no braço e na mão de Wu que lhe segurava, o fazendo grunhir de dor.

Apesar de assustados, os guardas tomaram coragem ao ver o príncipe sendo subjugado pelo conselheiro e entraram, apontando suas armas a ele e chamando-lhe atenção; alguns se arriscavam mais em nome da honra e do império, correndo na direção de Wu.

O conselheiro, apenas olhou por cima do ombro e sorriu debochado, erguendo novamente a mão livre tentando se proteger das flechas e em seguida, agarrou a cabeça de um soldado que se aproximou demais e o atirou na lateral do cômodo, fazendo o mesmo com alguns outros; alguns conseguiam lhe atingir alguns golpes com espada e uma flecha fora fincada em seu ombro, no mesmo lugar onde Junmyeon o acertara uma vez, o arrancando um gemido doloroso e uma carranca ainda mais terrível.

Cansado de brincar e irritado, apertou a cabeça de um pobre homem até que ela explodisse entre seus dedos, que ficaram cobertos de miolos e sangue, o que causou desconforto nos demais e um desmedido sentimento de raiva.

Por descuido, Baekhyun se libertou quando Wu se distraiu ao estourar a cabeça daquele homem e usou suas habilidades em luta para o afastar de si.

O ambiente frio e mais escuro começou a ficar com a sensação de ar rarefeito. Era o ódio do príncipe que crescia ainda mais e Yifan apenas debochava de si. com aquele sorriso faceiro.

- Saiam todos daqui, é uma ordem! Saiam! - Berrava o herdeiro cheio de fúria, com uma voz horrenda, que não lhe pertencia, enquanto tentava manter Wu longe de si e dos outros.

Ao ver os homens correndo, carregando os feridos pra fora, Baekhyun não havia visto Wu aproximar-se novamente e o prender no chão. O feiticeiro ficou sobre si, com uma perna a cada lado, segurando os braços de Baekhyun, olhou nos olhos do mesmo e o fez reviver tudo que sentiu nos últimos anos de sua vida, todo aquele horror que lhe tirou a família e lhe depositou um peso nos ombros.

Baekhyun gritava e sua aura era espalhada pelo salão sem controle algum, quebrando janelas, ornamentos do trono, os lustres, tamanha era a intensidade de seu sofrimento.

Viu inclusive uma cena que Wu lhe mostrou, não sabia se era passado ou se era o futuro prometido a Chanyeol.

Era o guarda com roupas rasgadas sendo morto por Wu, que lhe arrancava o coração.

- É isso que farei com ele, esse guarda não deve ter o coração intocado, você está nele, mas não o pertence, pertence a mim e se não quer se entregar e dar-me o império de bom grado, terá de partir como ele partiu, para que eu possa, finalmente ter o que quero sem você em meu caminho. - Falava próximo ao rosto do príncipe, ainda o prendendo em transe.

O grito de baekhyun, daquela vez, foi pior que os outros e ele começou a chorar em seguida.

Wu colocou uma das mãos sobre o peitoral do herdeiro do trono e começou a pressionar o local, extrairia dele a magia e retiraria seu coração, para que não restasse dúvidas de que ele estaria morto após lhe arrancar seu poder.

E aos poucos, Baekhyun sentia-se ficar cada vez mais fraco.

Até que a porta foi aberta e Chen, mesmo cambaleando ao andar, tentou retirar Yifan de cima do príncipe.

Os cinco guardas, armados, partiram para cima do mesmo quando se distraiu e Yifan definitivamente teve problemas quando tivera um corte nas costas pela espada de Oh Sehun.

- Traidor! - Lhe gritou.

- Apenas vi qual é o lado certo e não é o seu, não importa o quanto me pague.

Chanyeol correu em direção à Baekhyun, tentando se aproximar, apesar de temer o estado em que o mesmo se encontrava.

Chorava  compulsivamente, ainda deitado no chão de olhos fechados; um choro que ficava mais alto à medida que seu mana retornava à intensidade enquanto era expulso do corpo do príncipe.

- Baekhyun… - Chamava. - Baekhyun, por favor…

A cena do coração de Chanyeol sendo arrancado ainda se repetia, não havia saído do transe, sua mente estava presa.

- Sou eu, Chanyeol! Baekhyun, por favor… acorde! Acorde!!

Baekhyun sentou-se no chão, ofegante, cansado, talvez pela drenagem que Wu lhe fizera.

Olhou para o lado, vendo Chanyeol se aproximar rapidamente de si. Estava vivo. Vivo e se arriscando a morrer de verdade por ele.

- Você… - murmurou o Byun, atirando-se nos braços de Chanyeol quando este se agachou próximo a si.

O coração de ambos estava acelerado e Baekhyun estava aliviado por poder tocar Chanyeol e saber que era ele de carne e osso, presente ali.

Chen tentava manter Wu ocupado para que Chanyeol levasse Baekhyun dali para longe do conselheiro traidor.

A ajuda de Sehun, Jongin, Minseok e Taewoo, os outros guardas, era bem vinda, mesmo que eles fossem atingidos e derrubados hora ou outra pelo feiticeiro. Era difícil manter o foco e a intensidade de seu mana contra o do outro quando seu corpo estava ainda debilitado, porém ele tentou até o momento em que se sentiu tonto e se sentiu desorientado; era a fraqueza física e o cansaço mental que lhe acometiam pelo esforço quando esteve em coma e naquele momento, acordado.

Como seu mana diminuiu consideravelmente, foi atingido em cheio pelo feiticeiro, o que seu corpo recebeu como um baque e paralisou os pontos principais por onde corria o mana de Chen, que apenas podia respirar.

Ele caiu de joelhos e posteriormente foi de encontro ao chão, ainda desperto, porém fraco demais e ferido.

Foi quando Yifan conseguiu livrar-se da influência do poder do mago sobre si, que o impedia de atacar com todo seu potencial.

Já sem Chen para o atrapalhar, uma cena atraiu sua atenção: Chanyeol e Baekhyun abraçados na entrada fechada do salão.

Jogou os quatro outros guardas para longe, o fazendo chocar-se à móveis, à decoração ou à parede. Sem eles à sua frente, avançou ao príncipe novamente, o vendo ser erguido por Chanyeol.

- Ora, ora, ora… Se não é o amor da vida do nosso príncipe. - Sorriu. - Infelizmente, por teimosia dele, por mau comportamento, não poderei deixar que passem por mim. - Fingiu tristeza, coisa que agitou Baekhyun.

- Saia já!

- Não sei se já percebeu, mas não é páreo para mim, você é fraco…

Chanyeol desembainhou a espada e uma adaga, segurando uma em cada mão e ficou à frente de Baekhyun, a poucos metros de Wu.

- Não fará mais mal a ele.

- E a história se repete. - Declarou.

Se aproximou o máximo e o suficiente para agarrar o pescoço de Chanyeol, o apertando a ponto de o erguer.

- Não!! - Correu para agarras um braço de Wu, desesperado, tentando fincar novamente suas unhas nele, mas tudo que obteve foi um tapa forte com as costas da mão livre do conselheiro.

- E agora, o grande final da história de amor do último herdeiro da Dinastia Byun.

Tomou a espada da mão de Chanyeol e a fincou no abdome do mesmo, vendo os olhos se arregalarem, o encarando e ouvindo os grunhidos e gemidos de dor enquanto torcia a lâmina no interior do outro.

Quando julgou suficiente, o deixou cair no chão, sem piedade alguma.

Baekhyun rapidamente chegou a ele, segurando sua cabeça no próprio colo e acariciando os cabelos do homem que amava.

E desde a noite em que dividiram o leito, eles não eram mais realeza e plebeu, nem o príncipe e o guarda; eles sabiam  podiam ver e sentir que não eram seus títulos. Eles eram humanos, homens, amantes e o seriam até depois do fim.

- Não… - pedia em prantos. - Me perdoa por essa confusão, você vai ficar bem.

- Me perdoe, Baekhyun… Por não conseguir te proteger…

- Você não vai morrer…

- Sabe que… vou - interrompeu o príncipe- Não o deixe… Lhe fazer mal nunca ma-...

O brilho dos olhos de Park Chanyeol se apagara para sempre.

E uma risada vitoriosa e arrepiante foi ouvida vinda do monstro que promovera todas as atrocidades contra a família real e todos ao redor da mesma.

- Ele se foi… Agora falta você, meu querido príncipe herdeiro. - Disse e agarrou o braço alheio o fazendo se levantar e largar o corpo sem vida de Chanyeol.

O que Wu não esperava era que Baekhyun tomara da mão de Chanyeol a adaga que ele portava e desferiu um golpe certeiro contra o peito de Yifan.

- O… O quê? - Perguntou surpreso e estático pela dor do golpe.

- Eu sei que o único jeito de matar alguém que possui magia é atingir o coração com mana e que melhor maneira do que abrir seu peito com uma lâmina?

Baekhyun disse, envolto em seu mana negro, respirando dificultosamente e pressionando a adaga no peito do feiticeiro para que seu mana chegasse ao coração. Empurrou-a mais contra o corpo alheio e desferiu a maior quantidade de mana que pôde, fazendo o coração de Wu parar.

Quando arrancou a lâmina ensanguentada, o corpo caiu no chão sem vida, formando uma poça do líquido vermelho vertendo pelo rasgo no peito.

Baekhyun, ofegante, deu passos para trás, olhando o ex conselheiro sangrar, já morto. Ele tinha sido um assassino, apesar do motivo ser defender a si e a outros e um pouco de vingança. Largou a adaga que fez um barulho estridente ao chegar ao solo de pedras frias e limadas.

Segundos depois se acalmou ao ponto de ver que os demais guardas estavam vivos e Chen se levantava, por ter sido libertado da influência de Yifan pela morte do mesmo.

Olhou para trás e viu o corpo de Chanyeol, correndo até ele e o abraçando, já sentindo a frieza apoderar-se dele.

Chorou como não chorava havia muito tempo. Sentia culpa novamente. Poderia ter evitado tudo isso se tivesse tomado outras decisões ou se soubesse antes com quem estava lidando.

- Não pode mudar nada do que aconteceu, sabe disso. O passado é algo no qual não podemos mexer, é inalcançável. - Disse Chen, agachado ao lado de Baekhyun que não parava de chorar abraçado ao corpo de Park.

Passou minutos daquela mesma posição, até que lembrou-se de algo que poderia fazer para trazer Chanyeol de volta.

Ergueu-se e deixou o corpo alheio no chão, colocando a mão sobre o lugar afetado; ele tremia e ofegava, mas devia isso a ele. Chanyeol o salvou e o ajudou a libertar-se de seus medos para viver bons sentimentos, foi por ele que começou a ver as coisas mais positivamente e era por ele que se dispôs a fazer sacrifícios, como aquele também o seria.

- Está maluco?! O que pensa em fazer?! - Chen segurou no braço do rapaz.

- Eu tenho que tentar e dessa vez eu vou fazê- lo voltar e você não vai me impedir. - Dizia firme.

- Mas pode custar sua vida… Se seu mana acabar quando terminar de conjurar a alma dele de volta e o mana natural de Chanyeol, você partirá no lugar dele.

- Eu devo isso a ele, como faria por você se fosse o caso. Sabe disso… Eu preciso tentar pra que ele possa continuar vivendo e seja feliz como ele me fez feliz.

Chen o fitou  inseguro, mas retirou a mão do braço de Baekhyun. Ele estava decidido e faria o que fosse possível para dar uma nova chance ao amor de sua vida, por mais que corresse o risco de partir para que ele pudesse viver.

Todo ser vivo tem um mana natural, mas poucos são os que realmente despertam o seu em um nível mais alto, são pessoas que tem os canais de energia vital abertos e, se bem treinadas, podem evoluir.

Com a maldição, Baekhyun despertou o mana e, por conta disso, poderia salvar ao menos a vida de uma pessoa que amava.

Respirou fundo e colocou a outra mão sobre a que já estava no abdome de Chanyeol. Começou a conjurar baixinho as palavras que aprendera em teoria da magia com Chen, pedindo aos deuses que lhe concedessem permissão e força para trazer Chanyeol de volta, pois ele ainda tinha muito para viver.

De olhos fechados, repetiu aquilo e nada parecia funcionar. Começou a verter lágrimas novamente, quase perdendo a esperança  mas não se deixaria abater.

Começou a lembrar de tudo; olhares  momentos, as juras de amor trocadas, a voz de Chanyeol, seu sorriso. Só queria vê-lo vivo, feliz, mesmo que o Park escolhesse se afastar para não correr mais risco ao lado do Byun, mesmo que ele o deixasse de amar um dia. Só o queria vivo, com mais uma chance de o ver sorrir, de agradecer por todo o amor que Chanyeol dedicou a si, por todo o companheirismo; por absolutamente tudo.

Começou a emanar seu poder após sentir um arrepio correr por seu corpo.

Chen o encarava estupefato, a cor do mana de Baekhyun havia mudado drasticamente. Tornara-se luminoso, aparentemente lilás. A mudança de sentimento em foco fizera com que a aura do jovem mudasse e com que ele mudasse seu desejo.

Não sabia o que o pupilo pensava, mas sabia que aquilo era o reflexo do altruísmo de Byun.

A ferida de Chanyeol começou a cicatrizar, Baekhyun podia sentir o buraco fechando abaixo de sua mão. Era algo estranho, ele não poderia deixar de sorrir. No entanto, estava cansado e perdendo energia, podia perceber pela velocidade com a qual o corpo alheio reagia.

Tentava respirar mais calmamente e se concentrar, porém já estava tonto e fraco.

Sentiu uma pontada forte no tronco, bem no meio da barriga e a dor refletia para todos os lugares, mas era mais intensa ali.

Ele basicamente transferia o ferimento de Chanyeol para si para o curar e ao mesmo tempo, seu mana deveria evitar que se abrisse um huraco em seu corpo. Era loucura o que ele fazia, contudo não desistiria porque sabia qur Chanyeol também jamais desistiria de si.

- Vamos, vamos… - disse baixo, o que alarmou Chen, que percebera o cansaço, mas não sabia a magnitude do mesmo.

- Baekhyun… pare.

O jovem não lhe deu ouvidos.

Sangue começou a verter de si, o que foi notado também pelos outros que presenciavam a cena.

A palidez já tomava conta do semblante de Baekhyun à medida que a respiração ficava mais difícil e o mana se esvaía.

- Baekhyun.

Ele estava quase lá, sabia que podia trazer Chanyeol de volta. Ele precisava tentar e retribuir tudo de bom que recebera do mesmo lhe dando uma nova chance.

Apoiou-se sobre as mãos no peitoral alheio e estava sentindo o calor voltar ao corpo dele, poderia jurar. Mas também estava quase partindo, sua consciência estava por um fio. Colocou ainda mais empenho, não podia ir sem terminar o que havia começado.

Não soube o que aconteceu, apenas, de repente, sentiu-se distante em meio a uma escuridão, um vácuo, ouvindo alguém dizer seu nome.

- Baekhyun!

 

Uma luz forte batia em seu rosto.

Podia jurar que havia fechado as malditas janelas antes de se deitar.

Abriu os olhos com dificuldade, vendo o quarto tomado por uma luz alaranjada que transpassava o dossel; provavelmente anoitecia.

Respirou fundo ao se espreguiçar, sentindo o corpo doer como se estivesse tenso ou há muito tempo em repouso, em especial o abdome. Sentiu ali uma pontada.

Sentou-se na cama, que ficava ao centro do quarto, analisando o que via; seu abdome enfaixado por dentro do hanbok leve e aberto para não apertar o ferimento.

Então lembrou-se de Chanyeol.

Quando deu a ele seu mana, sabia que era bem provável que ficasse, ao menos, com uma cicatriz no local onde o ferimento alheio estava por ter transferido ferimento do outro para si

Será que havia fracasado?

A vontade de chorar lhe acometeu, no entanto estava em choque e lágrima alguma saía. Estava com medo de não o ter salvo e notou outra coisa estranha: seu mana, já não o sentia tão intenso e nem o liberava mais ao sentir medo.

Não sabia o que estava acontecendo e isso o incomodava e amedrontava ainda mais.

- Chanyeol… - murmurou choroso, embora sem lágrimas.

- Ele está vivo.

Baekhyun pulou no próprio lugar de susto, agarrando os lençóis que o cobriam.

Aquela voz… Era familiar para si e veio de um canto do quarto, mais precisamente de uma poltrona no canto direito de onde estava, perto da janela.

Não enxergava bem devido à luz laranja o atingindo diretamente, porém via uma figura sentada. O tal homem se levantou, o que fez Baekhyun engolir em seco ao o ver se aproximar.

Seus olhos abriram-se ao máximo ao vislumbrar aquela face que havia tempos não via.

- Kyungsoo… - Sussurrou desacreditado.

- Eu srnti sua falta, meu irmãozinho. - Declarou, aproximando-se rapidamente e sentando na lateral da cama para abraçar Baekhyun,

Apesar da surpresa, Baekhyun retribuiu o abraço, ambos chorando pela alegria do reencontro. Haviam vivido um pesadelo e finalmente tudo estava bem.

- Meus deuses, Kyungsoo… Eu também senti sua falta… - dizia o mais novo entre o choro.

- Agora está tudo bem… Vamos ficar bem e continuar de onde nosso pai parou. E não terá que carregar essa maldição sozinho, eu estarei aqui pra te proteger.

Após minutos chorando, Baekhyun acalmou-se um pouco, podendo se afastar do irmão, o fitar, fazer perguntas.

Chen o havia libertado assim que recuperou-se totalmente; haviam também queimado a gaiola onde ele foi prisioneiro, bem como todos os pertences de Yifan, para que nada de sua influência ficasse ali no palácio. Fora avisado que ficara desacordado por dois meses e meio, recebendo tratamento intensivo do médico e de Chen para que se recuperasse e não estivesse mais em risco de vida.

O império inteiro soubera o que aconteceu à família real graças a um pronunciamento de Kyungsoo, assim que avisou aos conselheiros de seu “retorno”, contando também com a linha afiada do povo que espalhara aos quatro cantos o que os soldados, presentes no dia do embate de Baekhyun e Yifan.

Os conselheiros temeram pela reação do povo, mas Kyungsoo deixou claro a todos que o irmão era herói da nação e não um monstro.

- Então será coroado em três meses?

- Sim, três meses à partir da data que você despertasse. Carregarei a nação nos ombros, do meu lugar de direito e você estará a meu lado, como meu conselheiro geral, braço direito. Não confio em ninguém mais para o cargo. - Sorriu docemente segurando as.mãos alheias entre as suas. - E Chanyeol, sei que será um ótimo conselheiro de guerra e segurança civil.

O sorriso que o mais novo ostentava acabou por aumentar.

Estava ansioso para o encontrar, embora quisesse continuar na presença do irmão, desfrutando de sua companhia, que não tinha havia anos.

Como se lesse seus pensamentos, Kyingsoo disse:

- Vou me retirar e o chamar para que o possa ver.

- O quê? Não, eu…

- Se acalme, teremos todo o tempo do mundo para isso, agora não deixaremos mais um ao outro.

Deu ao irmão um abraço e saiu do quarto, fechando a porta.

Baekhyun se viu sozinho, dolorido e ansioso.

Apenas por saber que seu amor estava vivo era o suficiente, já bastava para que estivesse feliz. O que fizera fora uma retribuição mínima do que havia ganhado de Chanyeol.

Mas, só carinho retribui carinho; amor retribui amor.

A porta fora aberta de mansinho e Chanyeol colocou-se dentro do aposento. Encostou na porta fechada, fitando Baekhyun. Estava tão ansioso quanto ele.

Os olhos se cruzaram e Chanyeol caminhou até a cama, sentando-se nela de frente ao príncipe e o abraçou com o.maior cuidado do mundo. Fora a vez do Park de chorar; Baekhyun estava tão aliviado que nem tinha forças para tal não quer instante.

- Você é louco. Poderia ter morrido tentando me salvar. - Disse choroso fitando Baekhyun, segurando o rosto dele entre suas mãos depois de findar o abraço.

- Valeria a pena.

- Pra quem?

- Pra mim, que saberia que você teve outra chance de viver… - segurou nas mãos de Chanyeol, as levando aos lábios e beijando para depois as segurar em seu colo. - Não merecia ter passado por nada que passou. Eu soube que foi preso e torturado a mando de Yifan, me perdoe por tudo. Se não tivesse se envolvido comigo, isso não teria acontecido à você. - Abaixou a cabeça.

- Escuta… - Chanyeol ergueu seu rosto. - Eu me envolvi por querer… Assumi qualquer risco quando escolhi viver o amor que sentia, bem como você que escolheu a mim em vez de se casar por qualquer tipo de conveniência. Então tire da cabeça que a culpa é sua. Não é, não foi e nunca será.

A fala de Park fez o coração do mais velho quase falhar uma batida, o fez acelerar em seguida e o sorriso voltar aos lábios desenhados de Baekhyun. Se aproximaram para um beijo que selava o início de suas vidas sem.mais impedimento.

- Eu te amo. - Declarou Chanyeol.

- Eu também te amo.

Chanyeol colocou-se ao lado de Baekhyun na cama, o abraçando contra o próprio peito e este se aconchegou a si, descansando o quanto deveria depois de tudo que passou.

Ele merecia ser finalmente feliz, plenamente feliz, e viver em paz com seu irmão, Chanyeol para que pudesse fazer mais coisas para os cidadãos do império coreano, que dependiam de si e de Kyungsoo. Foi pensando nisso que ele adormeceu, horas depois sobre o peitoral de Chanyeol, que acariciava seus cabelos, ambos aproveitando a paz e o silêncio dos aposentos reais onde não precisariam mais esconder seu amor de ninguém.

E assim fizeram.

 

+

 

Kyungsoo foi coroado imperador da Coreia três meses depois que Baekhyun acordara do coma.

Foi uma data feliz para o império e, finalmente, o segredo de Baekhyun foi revelado e tudo fora explicado ao povo por seu novo líder, o imperador Byun Kyungsoo, décimo imperador da Dinastia Byun, do qual os livros de história certamente lembrariam de sua glória e bondade.

O Byun mais velho, quase depois da derrota de Yifan, acabou contraindo matrimônio, arranjado, com uma mulher escolhida entre a nobreza de seu país, de sangue azul, para gerar um herdeiro que daria continuação à linhagem Byun e, de fato, a imperatriz Jinah estava grávida; por mais que circulassem no palácio boatos do caso do líder da nação com o chefe da guarda imperial Kim Jongin, começados meses após seu casamento.

O Kim, por sua vez, entendia a responsabilidade do imperador e sabia que cada um fazia seus sacrifícios e mantinha certas coisas; bem como Jinah, que fingia não saber de nada para continuar em harmonia com seu esposo e sua família, que não sabia dos boatos dos cortesãos.do palácio principal proferiam constantemente; de fato, mantinha também suas escapadas pois, como Kyungsoo, ela fora obrigada a se casar.

O império estava acima dos sentimentos de ambos, mas não tanto à ponto de negarem o que realmente queriam e terem tempo de viver seus sentimentos.

Jongin conseguira a promoção por conta de sua colaboração para salvar o irmão mais novo do imperador, bem como em certos conflitos nos quais ele participou, fazendo a guarda de Kyungsoo e comandando a comitiva do nobre nessas expedições ao longo dos últimos dois anos e meio - sendo que foi nessas expedições que se envolveu com o mais velho dos Byun pela primeira vez. Ele era subordinado do conselheiro de guerra Park Chanyeol, atual marido do segundo príncipe e conselheiro imperial Byun Baekhyun.

O príncipe Baekhyun tinha cargo na corte por mais que não precisasse trabalhar por ser um nobre - queria participar de tudo ao lado do irmão -, tinha riquezas materiais e a maior das riquezas do mundo: amor. E amor de todos os tipos.

Ele, finalmente, tinha tudo que alguém poderia querer e, com aquela experiência de quase morte, aprendeu, de uma vez por todas, que não é o medo que deve nos mover.

O medo nos cega, paralisa, oprime, maltrata, impulsiona ações sem vontade; agride o diferente, encoraja o intolerante, enche o tolo de coragem e, principalmente o que mantém as pessoas sob controle, até que elas encontrem um fio de esperança, que deve ser o motor para realizarmos boas coisas. E esse fio de esperança foi Chanyeol quem deu à Baekhyun, foi o amor de ambos que o fez planejar o futuro e enfrentar o que fosse preciso para cumprir seus desejos mais profundos e verdadeiros.

A verdadeira maldição não foi ter seu mana despertado por Yifan, foi ter medo de si mesmo por ser diferente, por não entender a si mesmo e pelas situações atribuídas a isso. Foi a própria ignorância e a das pessoas ao redor que o temiam ou não sabiam lidar com algo raro como a magia de Baekhyun.

E o amor que encontrou num momento e em condições adversas, foi a chave para sua mudança, para transformar a maldição em uma benção que o ajudou a salvar a vida de Chanyeol.

Alguns nascem destinados à grandeza e outros ao absoluto nada.

E quem evolui despertando a si mesmo é que alcançará a grandeza, se libertará da maldição do medo ao encontrar um fio de esperança e o segurar, mesmo ainda dentre adversidades, porque esse é o combustível da coragem para chegar à luz.


Notas Finais


FIM! <3

Bem, espero que tenham entendido a correria no final da fic e tenham gostado da cena do embate do Yifan e do Baek, nunca fiz esse tipo de fic, com magia e poderes e tal, menos ainda isso + ação, então fiz meu melhor.
O foco da fic foi a maldição, que era piorada pelos medo e repressão que o próprio Baek e as pessoas ao redor faziam sobre os poderes dele e que depois se tornou algo que trouxe Chanyeol de volta.
Espero que tenham gostado, comentem o que acharam e eu responderei o mais rápido possível.
Beijinhos e até a próxima fic.


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