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História A Mansão Malfoy. - Capítulo 22


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Capítulo 22 - A decisão.


Fanfic / Fanfiction A Mansão Malfoy. - Capítulo 22 - A decisão.

       Para sua surpresa, Harry encontrou a irmã encolhida em uma poltrona, em sono profundo, quando voltou da ópera aquela noite.
                   — O que você está fazendo aqui a essa hora? — perguntou ele, tocando o ombro de Hermione para acordá-la.
                   Hermione deu um pulo, assustada, e olhou para Harry, piscando os olhos.
                 — Eu estava esperando você. Queria saber tudo o que aconteceu na ópera. — Ela se espreguiçou, passando a mão na nuca. — Eu não faço  nada divertido! Mamãe diz que não posso ir à ópera antes de ser apresentada à sociedade.
                 — Tenho certeza de que sua mãe sabe tudo sobre essas coisas, melhor do que eu.

     — Mas também não consegui ir ao baile. Você sabia que sequer vi o tal de Malfoy? E você não me contou nada sobre o baile. Então decidi esperar por você para saber das últimas. Só que acabei dormindo.
                      — Tudo bem — disse Harry  com um sorriso. __Eu lhe contarei tudo sobre a ópera.

           — E sobre o baile.

          — E sobre o baile,disse Harry.
                    Harry descreveu o teatro e a música, os adornos cintilantes de jóias e vestidos de todas as mulheres que lá estavam. Também fez o maior esforço para se lembrar dos detalhes do baile — os arranjos de flores, os vestidos, as luzes flamejantes de todos os lugares, a música que fora tocada. Hermione ouvia avidamente, os olhos faiscavam ao imaginar tudo o que Harry descrevia.
                   — E o conde? — perguntou, quando Harry fez uma pausa, parecendo ter terminado o relato. — Não pare. Conte-me tudo sobre o conde de Wiltshire. Você o viu hoje à noite? Dançou com ele no baile?

        — Sim e sim.

        — Não pare! — Hermione gritou.

        — O que você quer saber? Ele é um homem razoavelmente bonito.

        — Você pode fazer melhor que isso.

        — Está certo. Ele tem olhos cinzas como mercúrio liquido, os cabelos são loiros ou platinados, eu diria . É alto e tem os ombros largos, além de ser imoralmente bonito. Não é nem um pouco o tipo de pessoa com quem jovens como você deveriam estar sonhando.
                    — Mas você vai se casar com ele? — Hermione pressionou.

        Harry  fez uma pausa,olhando para o nada por um momento, depois de novo para a irmã.

       — Sabe... acho que eu até que poderia fazer isso.

        — Senhor... senhor... — O som destas palavras repetidas suavemente acabaram acordando Draco.

        Ele abriu um dos olhos e viu o mordomo, que parecia uma miragem, torcendo as mãos e franzindo o cenho. Draco resmungou algo incompreensível e sentou-se.

      Ao sentar-se, percebeu duas coisas ao mesmo tempo: o corpo estava incrivelmente dolorido, em especial no pescoço; e a cabeça latejava violentamente. Já sabia a razão para esta última sem ter de raciocinar muito. A cabeça estava como sempre ficava quando consumia uma quantidade excessiva de álcool durante a noite — inchada e sensível, como se mil minúsculos duendes estivessem martelando-a de dentro para fora.
             Levou algum tempo para entender a razão daquela rigidez incomum. Estava sentado à mesa do escritório, e não deitado na cama. Caíra no sono à mesa, a cabeça acomodada em um dos braços da cadeira, resultando em um pescoço torto e em mão e braço dormentes, não conseguindo mexê-los.
                Piscou ao ver a luz e grunhiu, tentando se lembrar do que estivera fazendo no escritório e por que caíra no sono ali.
                — Meu senhor — começou o mordomo novamente, mas Draco levantou a mão advertindo-o.

   — Não.

   O mordomo parou, mexendo-se nervosamente, olhando para o patrão, depois para a porta, e de volta para Draco.

    — Dê-me um minuto para ter certeza de que estou vivo — continuou Draco. — Acho que posso estar em um dos círculos do purgatório.

      — Perdão, senhor? — O mordomo acrescentou uma expressão confusa à de ansiedade.

     Este não era o homem que fora o mordomo de Draco por vários anos, o boa-praça que recebera uma oferta de melhor salário em outro lugar. Este homem trabalhava nos afazeres domésticos do conde há apenas dois meses, e achara o trabalho ao mesmo tempo pouco exigente e inconstante. Ainda não decidira se a informalidade com que o patrão o tratava valia a pena em relação a seus horários estranhos e às pessoas pouco respeitáveis que entravam e saíam.
               — Esqueça. Preciso de um copo d'água. Não, espere, café. Talvez os dois.
               __Sim, meu senhor. Mas, primeiro, há a questão da...

    Draco deixou escapar um grunhido. Estava recuperando a memória aos poucos. Lembrou-se da ópera na noite passada e de ter deixado Astoria de mau humor e, depois, de ter ido à casa de Ronald. Eles jogaram cartas, tomaram uma garrafa de vinho do Porto inteira e abriram outra antes dele, por fim, ir embora. Era muito cedo, recordava-se, quando tomara o caminho de casa, já que o céu mostrava sinais de claridade ao leste.

     Um homem sensato teria ido direto para acama àquela altura, mas ele não. Carregara a segunda garrafa de vinho do Porto, que ainda continha algum líquido, levara-a para o escritório e continuara a beber. E também decidira, arrependido ao lembrar, testar suas habilidades artísticas.          

   As palavras de Ronald incutiram nele o desejo de desenhar, de ver se ainda era capaz de retratar um rosto no papel. Foi uma tentativa absolutamente inútil, claro, mas a verdade é que sempre embarcava em atitudes absolutamente inúteis quando estava sob os efeitos da bebida. Desenterrou papel e lápis e perdeu uma ou duas horas tentando desenhar rostos — bem, um rosto em particular. Não conseguira tirar o semblante do Sr. Potter de sua mente, e tentara exorcizá-lo recriando-o.

   Fora particularmente mal sucedido, um fato que podia ser atestado pelo número de folhas de papel amassadas na lixeira e espalhadas em volta dela. Mesmo tendo tentado com empenho, não fora capaz de capturar a aparência exata da inteligência penetrante e da espirituosidade inerente que marcavam o rosto de Harry.
                 Em algum momento do processo, obviamente, acabara pegando no sono. Agora recostava-se na cadeira e fixava o olhar implacável no mordomo.

        — Eu disse café. Esqueça todo o resto.

        — Mas  é o Sr, Milord... Não sei o que fazer.

         — Sr.? — Draco afundou a cabeça sensível nas mãos. — Que senhor?

        — O senhor que está aí fora, milord. Ele insiste em vê-lo e parece bastante determinado. Disse-lhe que o senhor não estava disponível, mas ele recusou-se a acreditarem mim, senhor. Eu... Eu não soube o que fazer.

       — Mande-o embora.
                    — Eu o teria feito, senhor, mas ele...

       — Você é um idiota.

       — Não, ele não é — disse uma voz através da porta.

      Tanto Draco quanto o mordomo viraram rápido para olhar para a porta, um movimento que fez com que o estômago de Draco sacudisse perigosamente.

    — Sr. Potter! — exclamou o mordomo, surpreso.

      Draco grunhiu e deixou a cabeça afundar nas mãos.— Eu já deveria saber.

      — Perdão — disse Harry, dirigindo-se ao mordomo e não a Draco. — Mas eu estava me sentindo entediado de ficar plantado ali no corredor, e, francamente, tive medo de que você não tivesse coragem de acordar lorde  Wiltshire. Achei que poderia precisar da minha ajuda.
                — Meu Deus — grunhiu Draco —, serei atormentado por você em todos os lugares, até na minha própria casa?
                — Virou a noite, hein? — disse Harry, entrando ainda mais no cômodo. Virou-se para o mordomo: — Ele precisa de café, suponho, Sr... qual o seu nome?

         — Flich, senhor. Só Flich.
                   — Tudo bem, Flich. Traga um bule de café o mais rápido que puder. E acho que também lhe faria bem se preparasse um copo do meu remédio. Funciona que é uma maravilha. O Sr. Quirrell, representante comercial de papai na região noroeste, confiava cegamente nele. Pobre homem. Ele era dado a beber, e sempre que chegávamos lá, o encontrávamos de ressaca. Foram a solidão e a neve, sabe, que o levaram a beber. Sempre preparava um copo do remédio, o que o fazia melhorar em poucos minutos. Primeiro você pega um ovo cru, depois adiciona uma pitada de pimenta-do-reino moída, uma...

     Draco deixou escapar um gemido lamuriento.
               — Não, por favor, imploro, sem mais descrições. Estou certo de que o cozinheiro iria embora se fosse obrigado a fazer tal preparado. Flich, faça o café. Eu atendo o Sr.Potter.
              Draco levantou-se, usando a escrivaninha como apoio, e encarou Harry. Ajeitou o cabelo para trás e desenrolou as mangas da camisa, só então percebendo que estava sem o paletó e o colete. Ele os jogara em uma das poltronas mais cedo naquela manhã. A gravata estava com o restante, deixando-o em um estado completamente desgrenhado e impróprio — camisa para fora, o botão de cima aberto — para estar recebendo visita.
              — Sr. Potter, sinto dizer-lhe, mas isto é extremamente inapropriado — ele começou. Não sei como é a educação no Canadá. Mais aqui não é apropriado invadir a casa dos outros. Geralmente, mostramos um cartão de visita e aguardamos  se o proprietário deseja ou não recebe-lo. A voz dele esmoreceu quando seus olhos pousaram na pilha de papéis amassados ao lado da lixeira.Às pressas, chutou alguns deles para baixo da escrivaninha.
              — Também não seria apropriado no Canadá, lorde Malfoy. —Harry assegurou-lhe, o olhar seguindo o dele na direção das bolas de papel dentro e em volta da lixeira. O olhar nervoso e quase culpado no rosto do homem o intrigou. Harry ficou tentando imaginar o que haveria naqueles papéis.

    — No entanto, havia algo que precisava falar com você, e não vi sentido em ficar sentado esperando que aparecesse em minha casa de novo, ou que o encontrasse na ópera, no teatro ou em alguma festa.
                  — Você poderia ter enviado um bilhete solicitando que eu o visitasse.
              — E você teria ido? — Harry arqueou uma sobrancelha em descrédito. — De qualquer modo, odeio esperar. Gosto de tomar as rédeas do meu próprio destino, e não colocá-lo nas mãos de outros. Por isso, decidi visitá-lo. Suspeito que seja um pouco cedo para você, já que são apenas meio-dia e meia, mas quis encontrá-lo antes que saísse.

       — Saísse? Para onde?
                — Não sei. Para qualquer lugar. Sair para fazer algo fora, digo. Sério,tem certeza de que não quer que eu vá até a cozinha e prepare aquele remédio? Você parece estar tendo dificuldade em manter um diálogo.

    Draco o observava irritado.
              Harry encarava-o de volta, sem modificar sua expressão agradável. O homem estava em frangalhos, pensou. Era quase o suficiente para fazê-lo mudar de idéia. Mas Harry não era do tipo que mudava de idéia assim tão facilmente. Tendo tomado uma decisão, como a que tomara esta manhã depois de uma noite quase sem dormir pensando a respeito, não costumava questioná-la. Estava confiante e pronto para ir em frente. Foi por isso que decidiu ir diretamente até a casa do conde e dar o primeiro passo.

     Ele sabia o que queria, e por quê. O único problema agora era iniciar o assunto.

     Mas Harry estava confiante de que seria capaz de persuadir Malfoy.

       — Sr. Pottter, permita que eu seja tão direto quanto parece gostar de ser.

        — Por favor, seja.

        — O que está fazendo aqui?

        — É muito simples. Vim dizer-lhe que decidi aceitar a proposta. Vou me casar com você.

        Draco ficou calado, simplesmente olhando para ele. Ocorreu-lhe que talvez seus ouvidos estivessem lhe pregando peças.No fim das contas, ingerira uma grande quantidade de bebida alcoólica na noite anterior.

       — O que disse?

       — Disse que mudei de idéia a respeito do casamento. Aceito sua proposta.

    —  Você não pode fazer isso — ele protestou. — Já lhe disse, não me casaria com você nem para me salvar da prisão por inadimplência.

        — Você me pediu em casamento.

        — E você recusou o meu pedido.

        —  Todo mundo  tem  o direito de mudar de idéia — Harry argumentou. —Além disso, não se pode retirar o pedido.

        — Não, não, não — disse Draco, dando a volta na escrivaninha e aproximando-se dele. — Um pedido, uma chance. É isso. Você recusa e o pedido perde o valor.
                 O mordomo adentrou o cômodo exatamente naquela hora e quase saiu ao ver a aparência feroz no rosto do patrão. Mas Harry parou-o com um olhar e um gesto.

      — Ah, o café. Coloque-o na mesa, Flich. Quer que eu sirva?

       — Não! — Draco encarou o mordomo com raiva. — Coloque a bandeja na mesa ao lado do sofá, Flich. Eu servirei.

        — Sim, meu senhor. — Flich fez como Draco o instruiu e bateu em retirada, conseguindo com muita habilidade deixar uma fresta na porta ao fechá-la.

        Harry seguiu-o até a porta e fechou-a direito.

       Draco virou-se para a mesa e serviu-se de uma xícara de café quente. Harry aproveitou a oportunidade para andar silenciosamente até a escrivaninha e alcançar, puxando com o pé, uma das bolas de papel que Draco se esforçara tanto para esconder. Enquanto ele ainda estava de costas, ele abaixou-se rapidamente e pegou a bola, enfiando-a no bolso. Quando ele se virou, ele o estava olhando placidamente, com as mãos cruzadas.

       — Posso oferecer-lhe uma xícara de café, Sr. Potter?

       — Não, obrigado. Tenho certeza de que precisa mais dela do que eu.

      Draco tomou um gole do café e aguardou um instante. Como seu estômago não se rebelasse, tomou outro gole. Quando havia bebido o conteúdo de uma xícara inteira,achou que talvez estivesse pronto para lidar com Harry.
                  — Agora... — Draco tentou esboçar um sorriso agradável, apesar da cabeça ainda latejante. — Sr.Potter. Não tenho certeza do que o levou a essa reviravolta, mas, se pensar um pouco, vai perceber que é completamente improvável de funcionar. Nós nunca nos demos bem. Não conseguimos ficar cinco minutos no mesmo ambiente sem iniciarmos algum tipo de discussão. Não poderíamos nos casar.
               — Você deve conhecer algum casal que vive um tipo muito diferente de casamento para pensar que se dar bem é uma exigência da vida conjugal.

        — Você me despreza!
                   — Agora isso foi um pouco radical. Nunca disse que o desprezava — afirmou Hary, cuidadosamente. — Eu o acho arrogante e um tanto antipático, admito, mas não é pré-requisito do casamento gostar sinceramente do cônjuge. Tenho certeza de que seus sentimentos em relação a mim são os mesmos que os meus em relação a você.
                 — Se este é o caso, então é provável que um de nós vá estar morto antes do fim da lua-de-mel — comentou Draco, secamente.

       Harry abriu um sorriso lânguido.
                   — Asseguro-lhe, milord, que não tenho tendências homicidas. E também sou bastante capaz de cuidar de mim mesmo.

      — Isto é absurdo. — Draco colocou de lado a xícara de café vazia.
             — Não. Asseguro-lhe de que não é. Foi muito bem pensado. Passei a noite anterior considerando a hipótese. E digo-lhe que raramente chego a conclusões erradas.
                   — E por falar em arrogância... — murmurou Draco.

       Ele se apoiou na beirada da escrivaninha, esticando as longas pernas à sua frente e cruzando os braços no peito, e encarou Harry com um olhar paciente, ainda que um tanto inflamado. — Está bem.Deixe-me ouvir essas considerações bem pensadas.



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