História A Mansão Silverstone - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Tags Gotico, Terror
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Palavras 2.261
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Aventura, Ficção Adolescente, Terror e Horror

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


E aee, só escrevi um breve conto gótico.
Espero que gostem!

Capítulo 1 - Caítulo Único


Fanfic / Fanfiction A Mansão Silverstone - Capítulo 1 - Caítulo Único

 

O ano letivo estava prestes a começar. A reforma da escola mais antiga da cidade causava grande ansiedade nos estudantes cansados do dia a dia pacato. Finalmente algo de diferente estava a acontecer. Eles só não sabiam o quão diferente as coisas seriam dali em diante.
Carol e sua irmã mais nova, Bianca se mudaram com pai Morgan para o interior depois da morte de sua mãe. O trágico acidente de carro levara Marta embora no início do verão, e agora que as aulas começariam elas não seriam obrigadas a cruzar a rua em que o corpo de sua mãe havia sido dilacerado pelas rodas apressadas de um caminhão. Pouco se falava da falecida na casa em que moravam, raramente se ouvia qualquer som saindo de lá. Apesar do infeliz acidente reverberar na mente de Carol todos os dias, ela havia feito alguns amigos. George, Marcos, Patrícia e Fred compunham o grupo de adolescentes deslocados na pequena cidade. Suas atividades incluíam reclamar da vida numa cripta abandonada do único cemitério na região, lugar que se tornara seu ponto de encontro, passar o dia na livraria especializada em romance gótico e se deliciar com os doces que a senhora Beltrand preparava em sua pequena e delicada confeitaria. A aposentada de 87 anos se recusava a parar de preparar os quitutes, cujas receitas permaneciam trancadas a sete chaves em sua lúcida mente. O grupo se intitulava “Os Intragáveis”, e estava prestes a começar o segundo ano do ensino médio na parte da escola que iria ser reativada, a antiga mansão Silverstone. O prédio pertencera à família fundadora da escola, e fora utilizada por muito tempo, até que uma das velhas escadas se quebrou sob o peso de um aluno, levando o consigo para as profundezas do abismo. Agora o prédio seria o novo abrigo para todas as salas de segundo ano. Lendas sobre o local eram recorrentes na pequena e pacata cidade, mas Carol era muito cética para dar ouvidos. “O espírito do garoto ainda vaga por lá”, “Ele foi empurrado por um outro espírito”, mas a mais famosa dizia respeito à antiga diretora, que havia trabalhado naquele prédio por muito tempo. A neta da primeira geração da família Silverstone era temida por todos os moradores da cidade, que diziam que ela ficara atormentada por um mal que sempre existiu na velha mansão e ela mesma havia empurrado o pobre garoto escada abaixo. A senhora se isolara em uma pequena choupana nos arredores da cidade, e há muito tempo que ninguém a via, senão quando ela ia ao cemitério visitar o túmulo do garoto que morrera sob seus cuidados. Os Intragáveis criavam histórias macabras na cripta, e diziam que sentiam um frio na boca do estômago toda vez que viam a senhora Silverstone vagando pelo cemitério. Carol não sentia medo nenhum, apenas ignorava os contos e se distraia observando as ervas daninhas que cresciam por entre as rachaduras no chão. Os cabelos ruivos da garota se destacavam em meio a morbidez do ambiente, e chamavam a atenção sempre que eram vistos. “Lá vem a garota de fogo”, gritava Fred sempre que a via. O garoto extrovertido nutria uma afeição diferente por Carol, mas não obtinha o mesmo em troca. Ela não pensava em garotos desde que sua mãe morrera, e Fred sabia respeitar isso. Em vez de importuná-la com cantadas, ele se fazia o melhor amigo dela. Patrícia dizia que sentia uma energia boa exalando de Carol, e sempre adivinhava quando ela estava por perto. Ninguém se lembrava de ter visto Paty sem seu lápis preto no olho e sem seus coturnos, mesmo quando eram pequenos. George e Marcos eram irmão gêmeos, e se divertiam fazendo piadas maldosas com todos, como um método de defesa, já que eram os considerados mais estranhos na escola. Altos e desengonçados, óculos com os maiores graus que qualquer um já havia visto, e sendo obrigados pela mãe a usarem roupas combinando eram constantemente feitos de objetos de deboche e piada. Os adolescentes eram todos vizinhos, portanto era fácil que se vissem todos os dias, e ao longo do verão foram se aproximando cada vez mais.
A amizade dos cinco crescera cada vez mais forte, e por sorte do destino todos caíram na mesma sala, a 278. A última sala do prédio. Depois da reforma, o lugar até parecia agradável, mas Paty reafirmava todos os dias que a energia naquele lugar era escura, pesada. As aulas começaram e tudo continuava o mesmo. Os alunos entravam às sete da manhã e iam embora às três da tarde. Até que certo dia uma professora exigiu que a pesquisa para um de seus trabalhos fosse feita na própria biblioteca da mansão, e o grupo foi obrigado a ficar na escola até depois do horário normal. O que eles não sabiam era que eles seriam os únicos a ficarem no prédio, além de um vigia que ficaria em seu pequeno escritório na frente da mansão. Eles nem sequer perceberam quando as luzes começaram a ficar mais fracas e um frio repentino invadiu a biblioteca. Fred viu que Carol tremera repentinamente e tirou seu casaco para lhe aquecer, e a garota aceitou, corando levemente quando os dedos de Fred roçaram seu braço gelado. Nas últimas semanas Carol havia visto Fred de uma maneira diferente, agora estando perto dele se sentia como imã, atraída para perto dele.
“E aí, galera, vocês acham que a gente vai ver alguma assombração hoje?”, riu Marcos
“Vocês não deveriam fazer piadas com os espíritos, seus otários, eles podem ficar chateados”, replicou Paty de forma angustiada.
“Ah não, mas já começaram com essa palhaçada”, reclamou Carol. Ela se divertia com as histórias de fantasma na maioria das vezes, mas nesse dia ela sentira uma certa opressão naquela biblioteca.
“Calma, não se preocupa, Garota de Fogo, qualquer barulho que aconteça eles se assustam e focam no trabalho. Além disso, se algum fantasma tonto quiser se meter com você, eu te protejo”, Fred finalizou piscando de forma brincalhona para ela, mas o coração da garota acelerou por alguns instantes.
“Ai, George, não tem graça!”, gritou Paty, saltando da cadeira.
“O que foi que eu fiz?”, questionou assustado George.
“Você me beliscou! Não... não foi você?”, gaguejou a garota, o medo transparente em sua voz.
“Eu juro que não fui... Ai, Fred, eu disse que fui eu, não precisa me chutar!”
“Eu não fiz nada, cara, para de ser idiota”, cortou Fred, tentando demonstrar autoridade, mas um frio desceu pela sua espinha quando uma risada de criança escoou pela grande biblioteca.
“Gente... quem tá fazendo isso, por favor para”, choramingou Carol
O grupo ficou tenso, as luzes começaram a piscar. Um choro miado fez cada um deles tremer de cima a baixo.
“Por que, mamãe, por que você não pôde me salvar?”, choramingou a figura de um garotinho branco como neve, com um risco vermelho escorrendo por trás de suas costas, seu crânio escancarado, mofado, esmagado. O garoto se dirigia à Paty, que com os olhos esbugalhados apertava o braço de Marcos com tanta força que estavam esbranquiçados.
Antes que ela pudesse responder qualquer coisa o garoto despareceu bem em frente aos seus olhos.
“Mas... mas que MERDA TÁ ACONTECENDO?”, gritou George
“Gente, calma, a gente precisa pensar com calma, ninguém surta”, disse Fred, tentando ter algum controle da situação.
“NINGUÉM TÁ SURTANDO, QUEM TÁ SURTANDO AQUI?”, respondeu Carol, à beira do choro.
Uma ventania sobrenatural começou a atingir a escola, e de repente a energia caiu. Com um grito uníssono, o grupo levantou e se deram as mãos o mais rápido possível. Com pressa busacram seus celulares, mas todos estavam apagados.
“Calma, gente, eu tenho uma solução pra isso”, disse Paty, tirando um lampião da bolsa.
“A esse ponto da nossa amizade eu não vou nem perguntar o porquê de você ter isso na bolsa”, George balançou sua cabeça em negação.
O grupo decidiu que deveriam andar todos de mãos dadas até a saída principal, apesar da objeção constante de Paty, que dizia que isso era o mais clichê a se fazer e eles provavelmente morreriam.
Quando eles se aproximaram da cafeteria do prédio, Marcos reclamou que a mão de George estava muito fria, mas ao se virar descobriu que era o garotinho novamente.
“Vocês não iam me abandonar, não é mesmo?”, choramingou a criança.
Os gritos do cinco assustaram a figura, que desapareceu, mas o susto fez cada um sair correndo para um lado.
“Não, não se separem, seus idiotas!”, ralhou Fred, mas foi deixado sozinho.
Tateando pelo escuro, George e Marcos se encontram, e Fred e Paty se trombaram pelo caminho. Os quatro voltaram a se ver no saguão de entrada.
“Desculpa, gente, na pressa eu acabei derrubando o lampião...”, se desculpou a garota.
“Tudo bem, Paty, a gente entende... mas... mas cadê a Carol”, perguntou George, olhando para todos os lados.
O peito de Fred gelou, e a preocupação tomou conta de seu ser.
 
Carol vagava pela escola escura e fria, com raiva de si mesma por ter sido tão descuidada. Como pudera ter abandonado seus amigos e saído correndo em direção ao nada? A garota estava realmente perdida, então nem sequer percebeu quando pegou o rumo da torre do prédio, a área que diziam ser para depósito, mas ninguém de fato sabia o que havia naquele loca. Conforme avançava, Carol percebeu uma luz avermelhada escapando por debaixo de uma porta no fim do corredor. Sem ter mais para onde ir, a garota seguiu a luz que dançava no chão de pedra. A porta não parecia ser da renovação da escola, era de uma madeira escura e desgastada, mas a maçaneta era brilhante. Carol apoiou os dedos levemente na maçaneta, e com apenas um pouco de pressão a porta deslizou com facilidade para dentro, revelando a última coisa que Carol esperava. A senhora Silverstone cozia uma roupa de criança em uma fenda de fiar muito antiga, a luz provinha da própria mulher.
“Ah, Lucas, meu pequeno, quão tolo você foi... aceitar os doces daquela maldita...”
Confusa, Carol se manteve parada na porta, mas a mulher parecia não vê-la.
“Ah, meu príncipe, ela se aproveitou de sua inocência, de sua pureza... mas não se preocupe, a mamãe irá buscá-lo em breve...”.
Lentamente, Carol se afastou da porta, mas tudo permanecia igual, então a garota se virou para correr, mas deu de cara com a senhora Beltrand. A senhora sempre tão doce e amável agora reluzia de maldade, seus olhos brilhavam vermelhos, seus dentes pareciam presas e suas pernas eram como de cabras.
“Obrigada, garota, há muito tempo eu venho procurando onde a mãe do garoto faz sua feitiçaria para roubá-lo de mim, mas você a descobriu antes de mim”, sussurrou a velha, com uma voz grossa, que fizeram os pelos dos braços de Carol se arrepiarem.
“Mas eu... eu não... queria...”, gaguejou a garota.
“Tarde demais”, grasnou a criatura, derrubando Carol com uma cauda macabra e avançando na sala.
Os gritou que se sucederam fizeram o esqueleto de Carol gelar, toda sua racionalidade se esvaiu, e a garota pôs suas pernas para funcionar. Correu como se não houvesse amanhã. Encontrou sua própria sala de aula e entrou lá para se esconder. A respiração pesada e seus batimentos acelerados eram tudo que ela ouvia, mas logo um som macabro, como o de um gargarejo com ácido tomou conta da sala, e a criatura ressurgiu.
“Ah, criança, você não deveria ter vindo aqui... Você cometeu o mesmo erro de Peter, a inútil criança, de cuja alma eu venho me alimentando nas últimas décadas. Sabe, a culpa não é minha, a família Silverstone não sabia que o terreno era amaldiçoado, ou melhor, que era minha casa, então eu fui obrigada a me alimentar do sangue podre dos malditos que atrapalharam meu sono. A velha Silverstone era a diretora desse lugar, então eu achei mais prudente fazê-la sofrer. Ninguém sabia de seu filho com um desconhecido que a engravidou e a abandonou, mas ela sabia que ele era seu filho. Naquela deliciosa noite eu a atormentei até que ela não pôde mais aguentar, e transformando o garoto em uma imagem de mim mesma, eu a fiz empurrá-lo pela escada. Desde então a alma dele pertence a mim. Agora a sua também pertencerá.”, contou a bizarra figura, se aproximando cada vez mais.
“Mas, mas eu estou viva...”, chorou Carol.
Houve uma pausa, como se o demônio estivesse pensando.
“Mas será que está mesmo?”, perguntou em tom de deboche, dando um último passo em direção à garota.
 
O silêncio inundava a sala de aula vazia. O período acabara, mas uma bolsa amarela repousava na última carteira. Ninguém voltaria para pegá-la. Sua dona não retornaria mais para aquela sala. Não retornaria mais para lugar nenhum na realidade. Seu corpo jazia quatro andares abaixo, envolto por um líquido escuro e espesso. Seus olhos verdes acinzentados alcançavam o tudo e o nada, enquanto suas mãos permaneciam rígidas sobre o colar em seu peito, apenas a metade de um coração. A outra metade estava com Fred. Seu cabelo ruivo e cacheado se afogava em uma mistura viscosa que não pertencia à parte de fora de sua cabeça. O dia não estava chuvoso ou escuro, como se deve imaginar, mas o sol brilhava estridente no céu. O calor atraia pequenos insetos ao corpo embaixo da janela. Uma tatuagem de joaninha se destacava no pulso frio. Os insetos ocupavam toda a pele exposta, pequenas larvas brancas se baqueteavam dos olhos opacos da garota. O sol estava apenas nascendo. Os Intragáveis não seriam mais os mesmos.

Notas Finais


É isso.
Até!


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