História A Marca de uma Lágrima (adaptação swanqueen) - Capítulo 10


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Categorias Once Upon a Time
Personagens Capitão Killian "Gancho" Jones, Emma Swan, Regina Mills (Rainha Malvada), Ruby (Chapeuzinho Vermelho)
Tags Swanqueen
Visualizações 39
Palavras 1.801
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), FemmeSlash, LGBT, Poesias, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Eu não possuo OUAT e nem a obra que aqui foi adaptada, sendo todos os créditos dedicados aos autores das mesmas.

Capítulo 10 - Capítulo 10 - Perdas de amor.


O inimigo, rachado de alto a baixo, dividia Emma. Uma das duas deveria amar Killian, e a outra devia estar apaixonada por Ruby. Mas ela sentia-se inteira de Killian, cada pedacinho de seu corpo e de sua mente vibrava, pulsava, pertencia a Killian. Só que Killian pertencia a Ruby. Como, então escrever uma carta de amor para a rival? Como ajudar seu amado a declarar-se mais ainda à garota que a estava destruindo? "Mas eu prometi, eu prometi..."

À sua frente, folhas rabiscadas, papéis amarrotados, um respondendo ao outro, um querendo agarrar, outro querendo ser agarrado, um forçando, outro permitindo. Era como se a mão esquerda escrevesse para a direita, era como se um ouvido falasse para o outro.

Por sobre aquela divisão, pairava a voz rachada do inimigo, provocando, torturando, gozando, mas, ao aumentar a dor, fazendo ferver ainda mais o caldeirão de misturadas paixões, promessas e desesperos que queimavam Emma por dentro.

Antes de ti, Killian,

eu nem sabia sequer,

fui metade de mim mesma,

fui pedaço de mulher...


Vou deixar meu peito aberto,

Ruby de amor sem fim, sem

porteiro, sem vigia,

para que entres em mim...

— Ah, Emma, idiota! Ouve, sou teu inimigo... Esquece essa promessa cretina. Ele adora o que você escreve. Ele adora você!

Do outro lado do corredor, mesmo com duas portas a separá-los, a voz do inimigo fazia-se ouvir perfeitamente por Emma.

"As palavras de Ruby devem ser mais ingênuas. Acho que Killian espera que seja assim. Ai, Killian..."

Era metade de mim,

era pedaço inocente,

pois eu era quase nada

e pensava que era gente...


Entre aqui dentro, Ruby,

aqui não há nada de mal,

mas vais achar em meu peito

um verdadeiro arsenal!

— Você cozinha os versos com o seu melhor tempero, não é? E pra quê? Pra morrer de fome enquanto os dois se empanturram com a emoção que você criou?

"Quando as cartas são de Killian, acho que têm de ser mais fortes, mais ousadas. Ah, Killian, eu quero que você seja assim..."

Hoje sou ré, sou culpada,

sou o sul e sou o norte,

confesso meu crime de vida

que dá luz em vez de morte!


É só transformar em granada

os pulmões e o coração,

espalhando aos quatro ventos

estilhaços de paixão!

— Cretina! Rasga isso! Seja mulher, Emma. Vá atrás dele. Lute por ele!

"Sou Emma... Sou mulher, me escute... estou perdida..." Sou gente! Socorro, Killian... me escute ... estou perdida...”

Quero que venham juízes

dispostos a me condenar

e te nomeiem carrasco

pra eu viver a te adorar


Pois que venha a medicina,

pois que berre, pois que zangue!

Nós vamos juntos gritar:

— Um... dois... três... sangue!


— Rasga! Esquece!


Killian, me agarra, sou tua!

Vem morar dentro de mim!


Te entrega, Emma!

CALEM A BOCA! TODOS VOCÊS!

***

— Fique tranquila, Ruby. Aqui a gente pode conversar sossegada. A mãe saiu, com enxaqueca e tudo. Temos a tarde inteirinha pra fofocar à vontade.

Ruby experimentou um batom de Emma, espremendo os lábios.

— Precisa trocar este espelho. Nem sei como você consegue se maquiar com esta rachadura... Como é que quebrou?

— Sei lá. Quebrou. Só isso.

Emma já havia separado uma pilha de livros e cadernos, mas olhou sorrindo para a amiga.

— Você não estava pensando exatamente em estudar biologia quando veio para cá, não é?

Ruby olhou através do corredor, sorrindo de volta para a amiga, que a aguardava no quarto. Deu uma última olhada no espelho e andou sonhadoramente até à cama de Emma, onde se jogou, sem se preocupar em tirar os tênis.

— Não sou como você, Emma. Você está sempre interessada em tudo, ligada em todas as coisas. Eu tenho só uma ideia fixa. Uma ideia fixa que já dura quase um mês. Não consigo pensar em nada senão em Killian. Você não sabe o que isso significa...

— Ah...

A pilha de livros caiu das mãos de Emma. A menina ajoelhou-se no chão e começou a reempilhá-los apressadamente, como se um rio estivesse por correr ali e pudesse arrastá-los consigo.

— Posso fazer uma ideia, Ruby...

— Acho que você não pode. Ninguém pode saber o que é amar alguém como Killian. Eu... eu acho que estou te traindo, Emma...

— Traindo? Como?

E a pilha de livros espalhou-se de novo pelo chão.

— Estou escondendo um segredo de você. Killian adora suas cartas...

— Adora? Adora mesmo?

— E como! Eu vou ser grata a você o resto da vida por ter me impedido de passar por burra diante dele. Killian parece tão caído por mim quanto eu por ele. No começo, nos primeiros dias, ele se conteve, como se... como se...

— Como se quisesse deixá-la à vontade...

— Exatamente. Deixar-me à vontade. Isso acabou fazendo com que o nosso namoro girasse quase que só através das suas cartas, Emma. Daquilo que você escrevia... Mas, depois, ele se abriu. E como se abriu! Ele é um amor, mas é também um gênio. O segredo que eu queria lhe contar são estas cartas dele. Veja.

Ruby abriu a bolsa e tirou um macinho de cartas mil vezes relidas.

— Hum? Cartas de Killian?

— Eu não queria mostrar a ninguém, Emma. É lindo demais. Eu queria guardar essa beleza só para mim. Ciúme. Ciúme das cartas como ciúme dele. Mas você tem o direito, não é? É você quem põe no papel o amor que eu sinto por ele. Acho que você tem o direito de ler a resposta.

Como se estivesse pouco interessada, Emma folheou rapidamente os papéis que conhecia quase de cor. A letra de Killian, firme, reproduzia cada uma daquelas palavras que ela havia criado na solidão torturante do seu quarto, perseguida pela voz do inimigo rachado, do outro lado do corredor.

— Então? O que acha?

— Eu? Hum... não sei, parece bom... algum estilo...

— Algum estilo?! O que é isso, Emma? Você está perdendo a sensibilidade? Aí estão as ideias mais malucas, mais francas, mais lindas que eu já li. Ser amada desse jeito é muito mais do que eu sonhei na vida. E você ainda diz que tem algum estilo!

— Você gostou mesmo, Ruby?

— Desculpe, mas eu acho que finalmente você encontrou um rival literário à sua altura. O que ele me escreve é muito mais inspirado do que as cartas que você escreve por mim...

— Hum...

— É tudo tão bom, um sonho tão maravilhoso com Killian, que eu chego a sentir medo.

— Medo? Amor e medo... parece que não combinam.

— Medo de ser desmascarada por Killian. Um garoto tão sensível, uma cabeça tão incrível... Quando estamos juntos, ele não me provoca. Conversa, ri e brinca, só. Toda a beleza que ele tem por dentro fica para as cartas e para as poesias. Acho que ele sentiu que eu, pessoalmente, não consigo dizer o que você escreve nas cartas.

— É? E você? O que faz?

— Eu dou todo o carinho que posso, mas banco a tímida, sorridente, meio calada, para disfarçar. Eu queria poder falar, abrir a boca e dizer tudo o que eu sinto por ele. Mas eu sei que, na hora, não vou conseguir dizer nada e ele vai se decepcionar comigo. Emma, eu tenho medo. Medo de que Killian...

— Está bem!

— Como?

Emma bateu os livros sobre a mesinha. Agarrou Ruby pela mão e arrastou a amiga para a sala.

— O que está havendo, Emma?

— Você vai falar com Killian e dizer tudo o que sente. Agora!

— Mas...

Decidida, estendeu o telefone para Ruby.

— Pegue. Ligue para ele.

— Ora, mas eu lhe disse...

— Não tenha medo. Eu fico ao seu lado e vou falando. Ê só repetir.

— Emma, você está vermelha... O que houve?

— Você quer falar com ele, não quer? Pois fale! Eu estarei pendurada no seu outro ouvido. Fale com ele e repita tudo o que eu disser.

Colocou o fone nas mãos de Ruby e discou ela mesma.

— Emma! Não...

— Alô.

Do outro lado da linha, a voz de Killian.

— Eu... Killian, eu...

— Ruby! Oi, meu amor... Eu estava agora mesmo relendo aquele seu poema que...

— Que bom! Relendo o meu poema... Emma colou a boca ao ouvido livre de Ruby.

— Repita: Não, não releia o que já sabe, Killian. Não quero que o meu amor pare no tempo da jura de ontem. Ouça o amor de hoje, que será bem menor que o de amanhã...

— Não, Killian... não...

— Alô? Ruby? O que está havendo?

— Vamos! Repita o que eu disse!

— Não! Eu, eu... Killian...

Com o rosto em brasa, Emma arrancou o fone das mãos de Rosana e tapou parcialmente o bocal com uma toalhinha de crochê que enfeitava a mesa do telefone. E falou, inflamada de paixão.

— O que eu escrevo, Killian, é menos do que eu posso dizer. E o que eu posso dizer, agora, é menos do que eu sinto por você. Tanta verdade se perde no caminho do coração ao cérebro, do cérebro à boca, da boca à mão, da mão ao papel... Agora eu quero que você saiba tudo o que eu sinto, sem perdas pelo caminho. Sem desperdícios. Quero que você percorra os meus caminhos de volta, dos papéis ao coração. É aqui! É aqui dentro que você tem de morar, meu amor!

— Ah, Ruby... A sua voz está tão diferente... A ligação está abafada... Parece outra pessoa...

— É que hoje eu não sou eu, pois sou eu mesma. A mesma do princípio do caminho, sem perdas de amor pela estrada, sem bloqueios, sem vergonhas. Eu sou agora aquele verdadeiro eu, que você ainda não conhece. É esse eu que você deve compreender, conhecer e amar!

— Eu... eu te amo, Ruby...

Ao lado da amiga, ouvindo só uma das partes, Ruby começou a chorar. É Emma falou. Falou, quase sem dar tempo para a resposta do outro lado. Sem tomar fôlego. Envolveu Killian, virou-o, manipulou-o, excitou-o, passando da frase mais arrebatada ao sussurro mais tímido, como uma pequena gata felpuda que rolasse no colo do dono.

— Ruby! Eu quero te ver. Agora!

— Então venha correndo. Me encontre na casa de Emma. A mãe dela não está. Hoje eu quero ser sua, Killian. Venha me buscar.

De olhos molhados, sem entender nada, Ruby olhava atônita para Emma.

O telefone foi desligado com decisão. Emma estava de pé, respirando como se tivesse acabado de correr a maratona, com os olhos arregalados e um sorriso cínico, de triunfo, nos lábios.

— Pronto. Ele vem aí, prepare-se. Ê todo seu. Eu vou à livraria da mãe da Regina.

— E eu? O que digo quando ele chegar?

— Aja. Eu já disse tudo.



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