História A Marota - Capítulo 63


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Categorias Harry Potter
Personagens Alvo Dumbledore, Andromeda Tonks, Argo Filch, Arthur Weasley, Barão Sangrento, Bellatrix Lestrange, Charlus Potter, Cornélio Fudge, Dama Cinzenta, Dorea Black, Draco Malfoy, Fabian Prewett, Fenrir Greyback, Fílio Flitwick, Franco Longbottom, Frei Gorducho, Gideon Prewett, Godric Gryffindor, Gui Weasley, Harry Potter, Helena Ravenclaw, Helga Hufflepuff, Hermione Granger, Horácio Slughorn, Lílian Evans, Lord Voldemort, Lucius Malfoy, Marlene Mckinnon, Minerva Mcgonagall, Molly Weasley, Murta Que Geme, Narcissa Black Malfoy, Nick Quase Sem-Cabeça, Nymphadora Tonks, Pedro Pettigrew, Personagens Originais, Petunia Dursley, Pirraça, Pomona Sprout, Poppy Pomfrey (Madame Pomfrey), Rabastan Lestrange, Regulus Black, Remo Lupin, Rodolfo Lestrange, Ronald Weasley, Rowena Ravenclaw, Rúbeo Hagrid, Salazar Slytherin, Severo Snape, Sibila Trelawney, Sirius Black, Theodore Nott, Tiago Potter, Tom Riddle Jr., Valter Dursley
Tags 1970, Amizade, Harry Potter, Hogwarts, James Potter, Marotos, Niems, Noms, Pedro Pettigrew, Remo Lupin, Romance, Sirius Black
Visualizações 73
Palavras 5.157
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Esporte, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Magia, Mistério, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 63 - Capítulo 61


Narradora

Sirius e James seguraram Remo o quanto podiam na casa dos gritos, o trancando em um dos quartos e indo pra entrada da passagem. O cão negro choramingou e logo em seu lugar apareceu o garoto de 16 anos. Ele tinha alguns pequenos cortes no pescoço, ombros e braços, mas nada realmente grave. 

O cervo abaixou a cabeça e em poucos segundos outro garoto apareceu, os óculos ainda no rosto. Esse também tinha apenas alguns arranhões, mas não era esse o motivo do seu coração bater forte e dolorido. Ele sentia algo errado, sabia que tinha algo errado em relação as duas garotas que ele viu lá fora.. Foi rápido, mas ele sabia que precisava ir logo. 

Ajudando o amigo a se levantar, James se encolheu e entrou na passagem, indo o mais rápido possível. Quando viu a lua, sentiu que podia respirar melhor fora daquele espaço apertado. Ele e o Black se levantaram e olharam em volta, buscando as colegas de casa. 

— Não devia ter trago ela! - o Potter reclamou, olhando para Sirius extremamente preocupado. 

Esse se sentia culpado, mas o importante era achar as garotas. Ele apertou os olhos e aguçou sua audição, olhando para perto das rochas de onde vinha um choro baixo. Os cabelos da garota ruiva esvoaçavam com o vento e ela chorava sobre o corpo da amiga inconsciente. 

Sirius bateu levemente no braço de James e esse olhou na mesma direção que o outro. O Potter agiu rapidamente, correndo em direção as duas garotas e levando os dedos ao pescoço de Jane. Ela tinha pulso, respirava, apenas inconsciente. James deduziu que ela tivesse desmaiado de dor, já que o corte ao lado de seu corpo parecia fundo quando ele tirou o pano que o pressionava. Eram as marcas certas das quatro garras de um lobisomem e, com certeza, Madame Pomfrey iria desconfiar.. Mas leva-la a ala hospitalar era a única solução dessa vez. 

O maroto mais velho permanecia perto do salgueiro, observando de longe quando Pedro apareceu ao seu lado. Ele o cutucou no braço, tendo que belisca-lo para que prestasse atenção em si. 

— Melhor irmos pra lá. - o garoto loiro disse e o Black apenas assentiu. 

Juntos, eles se aproximaram de James, Lily e Jane. O Potter parecia meio desolado, confuso, triste.. Ele mirou a ruiva, uma lágrima escorrendo pela bochecha. 

— Você está bem..? - ele perguntou e ela apenas assentiu, secando o rosto.  — O que está fazendo aqui? 

— E-eu estava indo.. Estava indo encontrar alguém.. Eu não devia ter saído do castelo, Jane me disse.. Se não fosse por mim, ela não teria sido atacada.. - a Evans disse, não conseguindo segurar mais o choro. 

James a olhou por um momento.. Por sua cabeça só passava que ela estava indo em um encontro, ele sabia que a ruiva não era de sair a noite atoa. O ciume se misturou com a sensação de que ela era a culpada por Remo ter atacado Jane, ele estava com raiva. Tanto que, quando ele se levantou a garota o olhou receosa. O maxilar rígido, ele passou as mãos pelos cabelos e logo depois pelo rosto. 

— Eu.. Por que teve que sair? Era algo tão importante assim pra por a sua vida e a vida da minha irmã em risco? - ele alterou sua voz, deixando Sirius alerta. 

— Potter, eu não.. - ele a interrompeu.

— O que estava pensando?! - o garoto parecia descontrolado quando agarrou o braço de Lilian e a levantou. — Olha pra ela! Podia estar morta se não tivéssemos chegado. Ou pior, as duas podiam estar mortas! 

— Está me machucando! - a garota tentou se soltar do aperto da mão do garoto. 

— Hey, pontas, calma ai. - Sirius se aproximou, tocando o ombro do amigo e a mão que segurava o braço de Lily. — Ela não tem culpa, cara, ela não sabe. 

O Black apertou o ombro do Potter que o olhou, suspirando e soltando o braço de Lilian. 

— Temos que levar ela... Ocupa a sua cabeça procurando a varinha de Jane e depois vá tomar um banho frio. Quando amanhecer eu te ajudo a buscar Remo. - Sirius disse ao amigo e esse apenas assentiu devagar, olhando para Lily uma última vez antes de se afastar. 

Sirius se abaixou perto de Jane e a pegou em seu colo, observando seu rosto gotilhado de sangue e os óculos tortos. Ela parecia muito tranquila, mas ele imaginava a dor que ela devia ter sentido.. Ele não culpava ninguém.. Talvez um pouco a si mesmo, não devia te-la levado para lá sabendo que aquilo podia acontecer. Ele apenas conseguiu pensar nela quando perdeu Remo de vista na floresta e correu, correu como nunca antes. 

— Consegue andar, ruiva? - ele perguntou para a outra garota que parecia desolada.

Ela apenas assentiu novamente. O Black rumou para o castelo, sendo seguido por Lily já que Pedro disse que ficaria com James. Sirius também achou mais seguro. Os dois subiram o gramado em direção a ponte, passando por ela e rumando para dentro do castelo. O ferimento ainda sangrava muito e ele queria que Madame Pomfrey a visse logo e a ajudasse, não conseguia nem pensar na possibilidade da garota morrer. 

Eles subiram até o quarto andar rapidamente, entrando na ala hospitalar e sendo recebidos pela Madame Pomfrey que pareceu assustada. Afinal, dois alunos entram na sua enfermaria a aquela hora da noite, um deles carregando outra aluna ensanguentada. Não costuma acontecer muitas vezes. 

— O que aconteceu com ela? - a mulher mais velha perguntou quando Sirius colocou Jane em uma das camas. 

— Por favor, Madame Pomfrey, ela está sangrando muito. - o garoto disse, olhando para a Potter ainda inconsciente. 

— Certo, mas o senhor vai me contar o que aconteceu. - a enfermeira o intimou e ele apenas concordou com a cabeça. 

O Black suspirou e passou as mãos pelo rosto, se virando para a garota ruiva sentada em outra cama. Ele se aproximou e se sentou ao lado dela, hesitando um pouco antes de pegar sua mão, fazendo ela o olhar. 

— Está bem mesmo? - perguntou, apertando levemente a mão da garota que o tinha os olhos brilhando.

— O Potter acha que.. - ela tentou dizer, mas pela segunda vez aquela noite ela foi interrompida. 

— James não acha nada.. Ele só estava nervoso, afinal, é a irmã dele. Ele demorou muito tempo pra estar com ela e a perder por algo que.. - o garoto não terminou, suspirando novamente. — Ele só descontou na pessoa errada e de forma errada. 

Lilian tentou sorrir mas tudo o que apareceu foi uma careta, se deixando ir quando o Black a puxou para um abraço ladino. Ele deixou um beijo sobre os cabelos vermelhos, fechando os olhos e, só ai, percebendo o quão cansado ele estava.. Remo devia estar mais ainda, só era pior. O amigo se cansava, sentia dores.. Mas não se lembrava de nada do que havia lhe causado aquilo. Não era como a animagia. 

Madame Pomfrey limpou os ferimentos de Jane e estancou o sangramento, enfaixando depois de a forçar a beber uma poção, mesmo inconsciente. Depois, ela examinou Lily e encontrou nada anormal, a garota apenas reclamava de uma dor no pulso, a qual ela resolveu com um remédio pra dor e uma faixa para imobilizar. 

Lilian não fez nenhuma pergunta sobre o lobisomem, sobre Sirius, James ou Pedro.. Ela apenas se deitou, como Madame Pomfrey havia recomendado, e ficou a pensar. Ela queria que a amiga ficasse bem, se remoendo por dentro pela culpa que ocupava seu coração.. Bem, o seu e o de Sirius que mantinha os olhos em Jane, o que irritou a enfermeira que tentava por curativos em seus cortes.

— Sr. Black, que tal colaborar? - a mulher questionou, segurando o queixo do rapaz e fazendo ele olhar pra ela. 

— Eu estou bem.. - ele respondeu, realmente estava bem fisicamente. 

— E o que aconteceu? - ela insistiu, recebendo um sorrisinho do mais novo. 

— Resolvemos dar um passeio noturno, sabe como são os adolescentes.. - ele começou, recebendo uma carranca da mulher mais velha. — Algo nos atacou e Jane estava desprevenida, ele a atacou. Foi isso. 

Madame Pomfrey o olhou com os olhos cerrados, mas isso não intimidou o garoto que apenas voltou a olhar para a Potter na cama. 

— Uma criatura..? Bem na lua cheia? Irônico, não? - ela sorriu sarcástica, colocando um último curativo com certa força no ombro dele que reclamou. 

— Exatamente. - ele levou a mão ao curativo em seu ombro, olhando para a enfermeira meio desconfiado.

Madame Pomfery apenas balançou a cabeça e se afastou, indo até a garota ainda inconsciente na cama e verificando sua temperatura. Sirius pensou em se levantar e dar uma espiada no corredor, mas a mulher o fez se deitar, dizendo que ele só sairia dali no dia seguinte antes do café da manhã.

O Black sorriu e observou o teto, as mãos atrás da cabeça enquanto ele pensava.. Tentava não deixar seu coração se sentir culpado pelo acontecido a irmã do seu melhor amigo, mas era difícil já que sempre pensava que ele a havia levado para a floresta sabendo que aquilo poderia acontecer. Ele apenas queria que ela pudesse fazer parte com eles inteiramente, participar das aventuras e marotices.. Mas aquela ideia de leva-la para fora do castelo foi burrice, ele pensava. 

Ele olhou para o lado, Lilian parecia já ter pegado no sono.. A garota devia estar cansada devido a aquela noite. Ele próprio se sentia dolorido, tentar evitar que Remo saísse da floresta e leva-lo para a casa dos gritos. Ele podia parecer um garoto meio frágil quando humano, mas era um lobisomem muito forte.. Mais que ele e James juntos, transformados em cão e cervo. 

O garoto sorriu. Mesmo que a noite tenha dado meio errada no final, foi o melhor começo de final de semana que ele teve desde as ferias. Realmente adorava noites de lua cheia, era quando acontecia uma das coisas mais interessantes da sua vida.. O fazia esquecer o sentimento de tédio profundo que sentia em sua casa. Ou melhor, na casa de seus pais. 

Sirius suspirou, fechando os olhos e se lembrando de seus momentos bons nesse verão.. Principalmente quando mandou seus pais apodrecerem no inferno, gritando o nome de cada garota trouxa e nascida trouxa que ele transou naquele ano enquanto descia os degraus em direção ao corredor que o levaria a porta. Planejava nunca mais ver seus pais, de jeito nenhum e esperava que eles o deixassem em paz. Até aquele momento ele não tinha noticias diretas. 

Rindo, ele se virou e observou o rosto tranquilo de Jane na cama a sua direita. Esperava que ela estivesse tendo bons sonhos.. Afinal, ela já devia ter vivido um pesadelo acordada naquela noite ao ser atacada por um amigo que na verdade era um lobisomem. E ele ficou ali, observando a garota até que o sono lhe vencesse e ele se deixasse descansar. Pensava que.. A amava. Era difícil admitir mas ele a amava. 

*****

Sirius Black

Um barulho me incomodou e eu abri meus olhos, olhando em volta e procurando a origem do que tinha perturbado meu sono. Madame Pomfrey mexia em algumas coisa, indo e voltando de um dos leitos. Não era Jane.. Era Remo. Eu me sentei e cocei os olhos, bagunçando os cabelos antes de sair da cama. Caminhei até o leito de Aluado e ele me olhou, os olhos tristes. Eles sempre ficavam assim depois de uma lua cheia. 

— Você está bem? - eu perguntei, me sentando ao seu lado e olhando pra ele tentando não demonstrar nenhuma emoção. 

Odiava quando ele conseguia me ler e pedia para que eu não tivesse pena. 

— Melhor que ela. - ele indicou Jane com a cabeça e eu assenti, sendo interrompido antes mesmo de abrir a boca. — Nem precisa dizer que não foi culpa minha.. Cansei de ouvir sempre a mesma coisa. 

Eu fiquei calado, mirando o piso de pedra que parecia bem interessante agora... Remo não conseguia entender que não era culpa dele, ele nem ao menos tinha consciência do que fazia quando estava transformado. Mas enfiar isso na cabeça dele parecia impossível. 

— Sr. Black, se quiser pode ir. O Prof. Dumbledore mandou uma carta a seus tios noite passada e creio que eles já estejam a caminho. - Madame Pomfrey me disse e eu fiz uma careta. 

— Por acaso a senhora sabe a senha pra ir até a sala dele..? - eu perguntei, me levantando e esticando o corpo. 

— Não.. Por que? - ela pareceu confusa e eu dei de ombros. 

— Ia me esconder lá, mas não tem jeito mesmo. - respirei fundo, caminhando lentamente para a porta mas parado no meio do caminho. — Será que a tia Minnie me aceita na sala dela?

— Sr. Black.. 

— Tudo bem, 'tô vazando.

Eu sai da ala hospitalar depois de dar um tchauzinho para Remo, usando apenas aquela calça de moletom que era super confortável mas nada apropriada pra andar por ai.. Se tia Minnie me visse sem camisa pelos corredores, era detenção na certa. Por isso, me esquivei pelos corredores sempre bem atento para não ser pego desprevenido. 

Não fazia ideia do por que, mas gostava quando passava por algumas garotas e elas me olhavam de forma ainda mais chamativa do que de costume... Talvez fosse o meu físico bem saudável por conta de toda a comida que eu ingeria e por todos os treinos de quadribol, ou pelos meus cabelos bagunçados, quem sabe os curativos ou um olho roxo. Eu não tinha o olho roxo mas seria legal. 

Na sala comunal, eu subi direto para o dormitório, encontrando um James e um Pedro jogados nas camas. Rabicho roncava e parecia dormir a um tempo, já pontas se mexia inquieto e eu sabia que ele ainda estava tentando pegar no sono. Os cabelos úmidos indicavam que ele tinha saído do banho a pouco tempo. 

— Comida? - sugeri, começando a me despir ao mesmo tempo em que procurava uma roupa mais adequada para o café da manhã no meu malão. 

— Sem fome alguma. - me disse, a voz abafada pela cara enfiada no travesseiro. 

— Tia Dórea está vindo ai.. Melhor você aproveitar pra dormir logo. - eu lhe informei e ele grunhiu, pegando o travesseiro e o colocando sobre a cabeça. 

Eu ri e fui para o banheiro, terminando de me despir e tomando um banho nem tão longo e nem tão rápido. Me vesti e sai para o quarto, vendo um James sentado na cama olhando fixamente pra frente. As vezes eu me perguntava se meu amigos eram realmente normais.. 

— Eu não devia ter agido daquela forma com a Evans. - ele disse de repente e eu concordei. 

— Ela estava assustada.. Só não ficou mais porque estava inconsciente quando nós aparecemos. Imagina só, ver três dos seus colegas adolescentes se transformarem em animagos e o quarto é o lobisomem que te atacou e feriu de forma séria a sua melhor amiga, que seria irmã de um dos outros colegas. - eu comecei a tagarelar, chamando a atenção de James que fez uma careta profunda. 

— Quer saber? Vamos comer. - ele disse, pulando da cama e vestindo uma camiseta. 

Eu sorri vitorioso, bagunçando seus cabelos quando deixamos Pedro sozinho no dormitório e rumamos escada abaixo para o salão principal. Nos sentamos na mesa da Grifinória e comemos, ou eu comi. James parecia mais pensativo do que vivo e eu o entendia, por isso deixei as piadas pra depois. 

O café pareceu pesado, ainda mais quando a garota ruiva entrou no salão principal. Ela nos olhou por um momento, demorando em James quando foi se sentar com Marlene e Jessy que estavam do outro lado da mesa. Se eu pensava em algum dia conseguir juntar esses dois, minhas chances tinham ido parar no fundo do lago com a lula gigante na noite passada. 

Eu suspirei, tomando um último gole de suco e olhando na direção de Marlene. Seus olhos também encontraram os meus e ela fez um gesto com a cabeça, me indicando a porta do salão principal. Eu pigarreei e me levantei no mesmo momento que ela, dando uma olhada em James antes de rumar para o lado de fora. Ele pareceu nem ao menos notar que eu estava saindo.

— O que aconteceu ontem? - Lene perguntou quando nos afastamos do salão principal para um local onde ninguém ouviria nada do que diríamos.

— Lily não devia ter saído.. - eu suspirei, coçando a nuca e me encostando na parede. 

Marlene era a única que sabia sobre nós.. Podia não parecer, mas nós dois já fomos bastante próximos. Foi a primeira garota que eu fiz amizade aqui, logo no primeiro ano. Depois teve a história do beijo que eu dei nela no terceiro ano.. A verdade era que naquela época eu quase sentia o mesmo que sinto por Jane por Marlene.. Só não me apaixonei por ela. 

Minha primeira vez foi com ela no quarto ano, prometemos não contar a ninguém sobre esse fato. Meus amigos achavam que tinha sido com uma garota trouxa. Marlene não era como eu, mas não era como Lilian. Gostava de sair com alguns caras, se divertir e satisfazer seus próprios desejos carnais. A segunda e última vez que tivemos algo foi no ano passado.. O whisky de fogo estava alto na minha cabeça mas eu lembro de cada momento. 

Discuti com o Jordan no corredor, Jane não me ouviu e eu peguei a capa da James e o mapa. Com o meu charme, consegui que Madame Rosmerta me vendesse Whisky de fogo sem me mandar de volta para o colégio, me repreendendo por ser tarde e no meio da semana. Voltei para o castelo e fui para a sala precisa, encontrando a garota morena lá. Bebemos juntos e quando me dei conta, já estávamos nos beijando. 

Marlene era.. Selvagem. Sua personalidade era forte. Fizemos sexo no chão da sala, gemidos e arfares ecoando enquanto nossos corpos matavam nossos desejos por pessoas totalmente diferentes. Na manhã seguinte agimos como se nada demais tivesse acontecido, apenas uma foda. Ela era diferente de todas as outras.. E me intimou a nunca falar daquilo. Eu nunca falei pra ninguém. 

— Jane está ferida.. James ficou nervoso e acabou culpando Lily de uma forma que a assustou. Na real, a culpa não é dela.. É minha. - lhe disse, olhando pra baixo enquanto brincava com os pés no chão. 

— Como assim? - ela não pareceu entender e eu suspirei novamente, olhando pra ela. 

— Eu que levei Jane pra lá.. Ele devia ter gritado comigo, me batido, me odiado. Não a ela. - dei de ombros, sorrindo meio amargurado ao lembrar de como Jane havia ficado. 

— Hey, Black.. Não foi culpa de ninguém. - Lene me disse, dando um tapinha no meu braço pra que eu focasse meus olhos nela novamente. 

Ela sorriu levemente, tentando me passar algum conforto. Eu assenti, me deixando ir quando ela me puxou para um abraço. Marlene não era tão afetiva, apenas quando necessário. Uma ótima amiga e alguém que eu não gostaria de ter como inimiga. Corajosa, inabalável e sem medo de nada, era ótima com duelos. Uma excelente bruxa. 

— Que bonitinho.. - alguém disse ao nosso lado e nós nos separamos. 

O sorriso de Bellatrix parecia mais maldoso que de costume, enquanto ela nos olhava com uma mistura de desprezo e diversão. Mente maligna tramando algo maligno. 

— Errado, priminha.. Eu sou bonitão. - sorri pra ela, notando também uma Narcisa que parecia ter engolido uma lesma. 

— Só cabeças de vento pensam isso, como as garotas que ficam com você. - ela retrucou, dando uma olhada para Marlene que não pareceu nem um pouco abalada. 

— Escuta, Bella.. Por que você não vai atrás do seu macho alfa, então? E me deixa em paz. - eu disse, puxando Marlene para sair dali. 

— Cuidado, priminho... Você não faz ideia de com quem está brincando. - pude ouvir Bellatrix dizer e ri, ignorando a garota maluca. 

Nós voltamos para o salão principal, indo cada um para o seu lugar. Depois do café da manhã, James e eu fomos para o jardim. Nos sentamos na grama e observamos um ponto que não tinha nada de especial, mas parecia muito interessante naquele momento.

O vento bagunçou meu cabelo azul e eu sorri, abaixando o rosto ao lembrar desse fato. Eu tomei a poção.. Mas não adiantou muito. Lavava os cabelos todos os dias, pela manhã e a noite, na esperança de voltar a ter os meus belos cabelos negros de volta.. Mas não funcionava. Eu devia ser muito idiota mesmo, Lene tinha razão.

— Você teria ficado muito mais bonito de cabelo azul do que eu. - comentei, voltando a olhar o nada e ele riu.

— Tenho que concordar.. Eu ficaria bonito de qualquer jeito. - se gabou, rindo de novo quando o empurrei levemente. — Acha que mamãe vai ficar muito furiosa?

Eu pensei, deixando o silêncio se fazer presente por alguns segundos.

— Acho que ela vai ficar extremamente furiosa. Mas a gente aguenta. - dei de ombros, sorrindo pra ele.

— Meninos, o Sr. e a Sra. Potter estão na ala hospitalar.. Chegaram agora pouco. - a voz de Marlene nos alcançou e eu a olhei. 

— Estamos indo, Lene, obrigado. - eu sorri pra ela, me virando para James. — É hora de encarar a fera. 

James riu e eu bati brevemente em seu ombro, me levantando e o ajudando a se levantar. Caminhamos lentamente para dentro do castelo, subindo as escadas o mais demorado possível em direção ao quarto andar. Encarar uma tia Dórea brava era o mesmo que encarar a medusa. Ela te olhava fixamente, como se pudesse ver a sua alma e te transformar em pedra.

No quarto andar, nós espiamos pra dentro da ala hospitalar, vendo tio Charlus e tia Dórea a beira da cama de Jane, que ainda estava dormindo. James e eu nos olhamos antes de entrarmos, caminhando bem devagar até eles. Minha mãe poderia até ser uma bruxa adorável quando furiosa, mas seria milagre se tia Dórea não ficasse pior que ela diante a essa situação.

— Mãe..? - Pontas foi cauteloso, dando um sorrisinho amarelo para tia Dórea quando ela nos olhou.

Ela nos fitou em silêncio e eu me senti desconfortável quase que instantaneamente. 

— O que aconteceu? Sem historinhas inventadas, Sirius, já basta o seu cabelo azul. - ela se adiantou quando eu abri a boca. 

— A culpa foi minha, Sra. Potter.. Eu disse que não seria uma boa ideia ter um.. Um lobisomem como amigo. - Remo murmurou, chamando a atenção de todos nós.

Meus tios sabiam da licantropia de Remo e nunca o colocaram pra baixo por isso, o tratavam com muito carinho. A questão é que eles não sabiam da animagia e eu não queria nem saber qual seria a reação de tia Dórea caso ela descobrisse. Ouviríamos sermões pelo resto da vida e eu sempre sorriria com eles. 

— Deixa de onda, Remo.. Não é nosso amigo. - eu fui até ele, me sentando ao seu lado ao receber seu olhar confuso. — É nosso melhor amigo.

— Sim, você não tem culpa de nada. Nós que não devíamos ter saído sabendo que era lua cheia. - James sorriu, batendo de leve no ombro de Aluado, sendo mais convincente que eu nessa mentira. 

— E temos certeza que a Jane pensa como nós. - eu disse e Remo sorriu levemente. 

Eu olhei pra James, me virando para meus tios em seguida. 

— Não queríamos que tivesse acontecido.. Devíamos ter ficado estudando, como Lily sugeriu. - menti, olhando meio triste para o chão e eu sabia que James fazia o mesmo, mesmo estando com vontade de rir. 

A ala hospitalar mergulhou em um silêncio meio estranho, mas que pareceu bem melhor quando minha tia agarrou a mim, James e Remo, nós apertando em um abraço e enchendo nossos rostos de beijos. Eu queimaria no inferno.. Com certeza. 

Da ala hospitalar, nós fomos até a sala de Dumbledore depois de buscarmos uma Lily receosa na sala comunal. Dissemos para que ela concordasse com tudo o que diríamos e resolvemos deixar Pedro fora daquilo. Ele estava morto de sono no dormitório e outra que ele não sabia mentir sem tremer dos pés a cabeça. 

Na sala do diretor, nós três nos sentamos em um sofá no canto enquanto meus tios se sentaram na cadeira em frente a mesa do homem mais velho que todos ali, era garantia. Ele parecia extremamente calmo em relação a tudo que aconteceu.. Inclusive seus alunos burlando duas das regras do colégio que seriam nunca entrar na floresta, menos ainda a noite, e não sair do castelo depois do horário. 

— Fico feliz que a Srta. Potter esteja bem e nada mais grave tenha acontecido. - ele disse, seu habitual tom de voz baixo e calmo. 

— Nós também.. Fiquei super preocupada quando li sua carta. - minha tia disse, lançando uma olhadinha pelo canto do olho para mim e James. 

— Detenções não adiantam pra esses dois.. Recebem pelo menos três por semana. O que me surpreende é a Srta. Evans estar nesse meio. - o Prof. Dumbledore disse, fazendo a garota ruiva ao meu lado abaixar a cabeça.

— A real mesmo é que é tudo culpa minha. Eu que inventei de sair e fiz eles irem comigo. - eu interrompi o professor, olhando para James mandando ele calar a boca com o olhar. 

O Prof. Dumbledore olhou pra cada um de nós, com certeza procurando evidencias de alguma mentira. Não era exatamente como eu contava, mas eu realmente era o mais culpado ali. Eu insistia para que fossemos para a floresta, eu levei Jane pra lá e eu sabia que Lily pretendia sair do castelo, mas preferi acreditar que ela desistiria. As possibilidades de ela sair, Remo fugir de nós e acabar ferindo ela e Jane eram grandes, mas eu preferi arriscar. 

— Está assumindo a culpa por todos, Sr. Black? - o diretor questionou e eu assenti, confirmando o que lhe deixou surpreso. — Tudo bem, então.. Menos 20 pontos da Srta. Evans e do Sr. Potter, menos 5 pontos e três semanas de detenção para o Sr. Black. 45 pontos serão tirados da Grifinória e eu espero que isso os faça refletir, já que a casa de vocês está abaixo de todas as outras.

Eu me segurei para não sorrir. Não era algo maravilhoso ficar de detenção, menos ainda perder pontos da nossa casa.. Mas eu estava feliz por assumir minha responsabilidade. Tio Charlus sempre me disse que o caminho para se redimir, era assumindo suas responsabilidades, mesmo que elas tivessem consequências. Minha consequência eram as detenções e uma provável perda da copa das casas, mas eu me sentia melhor agora. 

Dumbledore pediu para que nós saíssemos e nós deixamos meus tios sozinhos com ele. Fora da sala, eu segui para a gárgula mas James me segurou, me olhando como se eu tivesse feito algo de errado. Ele devia ter batido com a cabeça na passagem do salgueiro, é a única explicação. 

— Por que assumiu a culpa toda? - ele perguntou e eu sorri, cruzando os baços e o imitando. 

— Fiz o que tinha que ser feito e não me arrependo.. Lilian é monitora, ninguém precisa saber que ela foi punida por um erro que ela comete uma vez na vida e outra na morte. E você não tem nada a ver com isso. - expliquei, dando de ombros e voltando a caminhar para a gárgula. 

Nós descemos juntos, ouvindo a gárgula voltar para seu lugar depois de passarmos por ela. Caminhamos em silêncio de volta a ala hospitalar mas Madame Pomfrey disse que Remo precisava descansar, fazendo com que subíssemos para o sétimo andar novamente. Lily foi direto para o dormitório e eu me joguei na primeira poltrona que vi, observando a lareira apagada. 

Algumas garotas do quinto ano se sentaram no sofá a minha frente mas eu não estava com muita cabeça pra dar atenção a elas ou as risadinhas que elas davam a todo momento depois de cochichar algo uma no ouvido da outra. Minha cabeça só flutuava até o terceiro andar, para dentro da ala hospitalar, até uma das últimas camas onde a garota mais nova que eu estava descansando. 

Eu até poderia ficar preocupado com o fato de ela ainda não ter acordado, mas não depois do relato de Régulo onde ele disse que ela ficou apagada por três dias depois da pancada que um dos comensais deu nela pra sequestra-la. Ele também pareceu a ponto de falar quem foi, mas acabou desistindo quando Bellatrix apareceu e o arrastou pelo corredor em direção as masmorras. 

Talvez ele me dissesse algum dia, eu encheria o saco dele até que ele falasse. O que importava agora era Jane se recuperar e ficar bem. E eu teria que cumprir detenções.. Seria legal, só esperava que não fosse com o chato do Filch. Quem me dera se tivesse detenções com Hagrid novamente, seria mais uma aventura pela floresta atrás de coisas que ninguém ia, apenas ele. Bem, ser um meio gigante devia ajudar muito. 

— Almofadinhas? Almofadinhas! - eu me assustei um pouco quando James me jogou uma almofada. — Está viajando pra onde? 

— Pra ala hospitalar. - confessei, suspirando ao me ajeitar na poltrona e olhar pra ele. — E você?

Ele apenas apontou pra escada do dormitório feminino e eu sabia que estava falando de Lilian. Meu amigo estava na luta de conseguir conquistar a garota amada desde o terceiro ano e essas coisas sempre aconteciam.. Ele a deixava chateada ou irritada e parecia que tudo ia por água abaixo. Eu realmente queria que eles ficassem juntos, sabia que o sentimento de James por ela era verdadeiro.. Também sabia que ela gostava dele lá no fundo, mas era teimosa e não admitia nem sob maldição. 

— Tem que falar com ela. - eu conclui e ele riu, mesmo que não tivesse nada engraçado. 

— E você acha que ela vai ouvir? - pontas perguntou de volta, parecendo entediado com a possibilidade de receber vácuo novamente. 

— Não custa tentar, não é? - me levantei, sorrindo pra ele e indo em direção as escadas do nosso dormitório. 

Lhe fazendo um sinal de deixa, eu subi as escadas e entrei, vendo Pedro ainda a roncar em sua cama. Revirei os olhos e ri, tirando os sapatos e me jogando na minha própria cama.. Eu também precisava de um descanso, tinha uma semana inteira em breve de detenções, seguida de outra e outra. O que seria de mim sem esfregar troféis e receber bronca da Madame Pince por estar arrumando os livros nos lugares errados? Eu precisava disso. 

Eu pensei um pouco.. Em Jane, em Remo, em James e Lily, em mim mesmo.. Talvez eu estivesse mesmo cansado, afinal, nem pude me despedir de meus tios antes de eles partirem. Eu acabei pegando no sono, sonhando com lobisomens, aventuras na floresta e hipogrifos.. Os hipogrifos não tinham nada a ver com aquilo, mas eu os achava criaturas fascinantes.


Notas Finais


Acho que esse é o capítulo mais longo que eu já escrevi dessa fic e eu to bem aaaaa

Eae, galerinha! Tudo bem? Espero que sim! Antes de tudo eu queria pedir para que vocês orem, rezem, façam mandinga ou um feitiço pra que eu consiga pegar meu celular ainda essa semana.. Please.. Pensem, os capítulos vão sair mais rápido pq eu vou poder escrever a qualquer hora e em qualquer lugar novamente aaaa

Enfim, celulares a parte.. Eu espero que gostem e logo logo sai o próximo capítulozin pra vocês :) Eu to muito ansiosa e animada com o rumo da nossa fic.. Obrigada por todos os favs e comentários, vocês são demais, sério.. Obrigada por tudo. Desculpem qualquer erro e nos vemos no próximo capítulo! Um beijo e um cheiro


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