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História A Máscara das Ilusões - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Prologo 2. Preparativo


Parte 2. Caminhando pela cidade velha

O relógio marcava pontualmente 9 horas da manhã, apesar do quase fim da manhã, o clima chuvoso e húmido fazia com que uma constante névoa pálida pairasse sobre o ar.

Assim que descemos aos montes dos vagões do trem, nos pusemos em nossas tarefas cotidianas: Os ajudantes e os grandes levantadores de pesos puxavam lonas e cordas, trazendo à tona a fachada de La Insânia: uma grande boca de palhaço com olhos grandes feitos de vidro, dando uma sóbria impressão de vida enquanto passávamos por sua boca vermelha e sorridente como um demônio.

  Os chefes, como de costume, trajavam vestes de linho e usavam lindas bengalas, essas que combinavam perfeitamente com o cachimbo entalhado de Louis. Era comum a cada nova cidade ambos fazerem casuais visitas aos seus amigos – Adrian apesar de temperamental tinha contatos pelo país inteiro.

  -Ratinha, – Adrian se aproximou pelas minhas costas silenciosamente, mas não era surpresa alguma– enquanto estivermos fora você pode colocar os panfletos? – e estendeu um bolo de folhas cinzas, cada uma com a imagem de uma das nossas atrações.

-Está bem – folheio rapidamente até encontrar minha fotografia e leio minha apresentação abaixo – “o demônio branco que devora carne humana”!

-Impactante não acha?

-Sim!  Falando nisso, vamos precisar de carne para o show? – Digo pegando outro folheto do meio do bolo – “Anastasia e Coraline, as gêmeas centauros siamesas”.

-Carne fresca sempre chama mais atenção – então dá de ombros – traga se encontrar algo de boa qualidade. Ah, vá com Galileu, não é segura a cidade para crianças.

-Ah... Com o poste? Que chato...

  Galileu conseguia chamar mais atenção que minhas roupas – uma mistura excêntrica de calças masculinas, espartilho, quimono e chapéu cônico, esses últimos trazidos de presente de uma amiga de Louis especialmente para mim no outono passado – e o garoto, apesar de ter apenas 20 anos, media por volta de 3 metros e alguma coisa. Pelo menos era um ótimo ponto de referencia caso eu me perdesse por aí.

  Entregamos os panfletos e os colocamos por todo o centro da cidade, fiz questão de transformar um monumento de uma praça – um leão entediado olhando para o grande relógio – em uma grande pilha de fotos da trupe. Mais adiante fomos para as zonas das manufaturas, próximas a um grande rio, como não era de costume eu ziguezaguear pelas cidades de dia – uma vez que minha condição fazia minha pele muito branca e sensível, assim como meus olhos que perderam a cor por completo e agora, refletiam apenas o sangue que passava por minhas veias – eu queria apenas voltar para o circo e tentar fazer um leão comer alguém, como sempre. Por isso nos separamos.

  Fui um pouco mais além das fabricas, passando por baixo de uma pequena e vermelha ponte curva, até o começo de um bairro pobre, casas de cortiça feitas em vários andares – que pendiam perigosamente para frente – olhando para cima, como cordas bambas, o céu era coberto por varais de roupas que voavam como bandeiras pelo vento. Era o tipo de lugar das pequenas diversões, constatei ao ver algumas mulheres com espartilhos abertos e saiotes que revelavam audaciosamente suas canelas.

  Durante todo o caminho, mesmo que despreocupada, pude reparar em uma dupla de garotos que me seguiam, e agora, durante a volta até Galileu, eles se tornavam mais óbvios, até passar novamente pela por baixo da ponte. A luz do dia fez se ver apenas a silhueta preta do jovem a minha frente, ao olhar para trás: seu amigo também bloqueava o caminho – espertinhos!

- Ei, aberração! – o da frente disse de forma grossa caminho lentamente em minha direção, até que eu pudesse vê-lo.

Um rapaz jovem e com a bochecha suja de crachá, o macacão cinza indicava que era um trabalhador de uma das fabricas, assim como o que me encurralava por trás que também se aproximava.

- Acho que essa coisa não fala – ouvi a voz do segundo, ele estava perto demais, ao ponto de tocar meu cabelo com suas mãos sujas.

-Olha só, ela parece tão dócil, parece até uma ratinha amedrontada – então sorriu – vamos nos divertir um pouco, não é o que as aberrações de circo fazem?

   Homens, criaturas dominantes e movidas pelo pênis. Aqueles rostos excitados e olhos curiosas na pele desnuda de meu colo, já foi algo que me assustou muito quando eu tinha por volta dos 7 anos de idade, muito antes de ser vendida para O Monstro eu já conhecia muito bem aquele tipo de ser, eram comuns na casa de prazeres.  O capitão Randel foi um deles, e ele estava morto agora.

   Caminhei saltitante até de volta a Galileu, o mesmo me esperara próximo a uma oficina de teto baixo, o que o deixava ainda mais alto. Ele parecia entretido, olhando as nuvens escuras liberadas pelas fabricas ao redor, então tive que puxar a barra de sua casada para que olhasse para mim.

-Grandão, achei algo legal para minha apresentação. Me ajuda carregar?

 

Parte 3. Preparativos.

- Para esquerda! Não, direita... Meu santo Charles Dickens, onde estão os canhões, como eu faço um show sem canhões? – Adrian gritava e andava de um lado para o outro, enquanto os ajudantes terminavam de mover 1/3 dos canhões de confete.

-Querido, acho que Charles Dickens não é um santo...

-É mesmo? Me fala um santo, rápido.

-ah... – Louis ponderou por alguns segundos até dizer: - São Judas.

-Mas esse não foi o que... esquece. Meu santo Charles Dickens, escute meu pedido!

-Tinham dois Judas, eu já fui um padre se o você não se lembra – então ele cruzou os braços falsamente ofendido.

-O tipo de padre que come menininhos no café da manhã?

Digo entrando junto a Galileu que segurava dois grandes sacos de batatas.

-Eleonor, querida, eu era um homem de Deus!

E tal frase foi o suficiente para tirar de Adrian uma crise de risos, do tipo que faz os pulmões expandirem demais ao final e engasga.

-Depois ME chamam de lunático!

-É por que você ainda tem um amigo imaginário – retruco.

-É realmente estranho para alguém de o que? 30 ou 40 anos? -Galileu concordou.

-Steve é real – agora era a sua vez de parecer ofendido – ele é a teia que me conecta a todo o resto. Quer que eu te apresente um amigo imaginário? Os cristãos o chamam de... O que são esses sacos? Você encontrou mais canhões? Eu espero que sejam canhões...

-Aposto que ele tem uns 200 anos, esse velho coroca -digo após fazer sinal para o gigante se abaixar, para sussurrar em seu ouvido de forma óbvia. – São presentes -continuei – um para o show de hoje, e outro para o Louis, ele gosta de cuidar da pele.

  Louis amava vermelho e cuidados chiques para a pele, desde que uma amiga mostrou sua rotina de cuidados – usando sangue de algumas jovens escravas (ilegais, uma vez que a escravidão havia se acabado a muitas décadas) – aderiu rapidamente o costume, que trazia como resultado: bochechas rosadas como as de um bebê. E aquilo foi o bastante para que deixasse a postura irritada.

-Pelo menos alguém me ama nesse circo – então tirou da casaca uma barra de chocolate em embalagem brilhante – aqui, para você, minha Ratinha.

-Você é Deus! – o abracei ao agarrar o doce.

-Claro que sim – então riu – Galileu, pode colocar esses embrulhos na sala do Adrian? Deixamos alguns vinhos que recebemos de nosso amigo, pode pegar alguns e dividir com o resto da família.

-Obrigado chefe.

-O amigo de vocês, vai vir hoje? – disse a eles.

-Não, ele é muito ocupado – senti os dedos de Louis passando sobre meus cabelos brancos – mas virão muitos outros, temos tantos amigos na cidade!

-Então devo preparar os primeiros lugares em nome de quem?

-Camarilla – sussurrou Adrian ao se aproximar e beijar o topo de minha cabeça e em seguida: os lábios de Louis.



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