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História A Máscara Perfeita - Capítulo 42


Escrita por: YuukiAlecardia

Notas do Autor


Bom dia, pessoal! Feliz Páscoa a todos!
Sem mais, fiquem com o capítulo da semana!

Capítulo 42 - Palhaço


─ Caçadores de vampiros. ─ Kaito e Tsukasa disseram em uníssono, as vozes baixas, para não atrair atenção para si. Estavam no meio da aula, afinal.

─ Como soube? ─  Kaito perguntou, surpreso.

─ Kousei Seiji me contou. Ele também é um novato do Conselho. ─ Tsukasa sussurrou de volta. ─ Eu o conheci no início do ano.

Kaito puxou Tsukasa para uma conversa durante uma aula prática de Expressão Vocal. Precisava compartilhar com o amigo sua descoberta do dia anterior, mas parece que ele estava um passo à frente.

─ Meu tio comentou em casa. A polícia está se aproximando do Conselho Estudantil, para chegar aos Seiji. Cara, que merda… ─ Kousei estava realmente preocupado pelo amigo. 

─ Mas fico feliz de ter entrado no Conselho Estudantil. É como estar caminhando em campo minado, mas...  

─ Ei, vocês! Parem de conversar e pratiquem! ─  O professor lhes deu uma bronca, o que os fez parar de conversar sobre isso e voltarem aos exercícios vocais.

Apesar disso, a mente de Tsukasa estava inundada de pensamentos sobre a família de caçadores. Kousei Seiji sempre pareceu um bom rapaz, ou tinha sido essa a primeira impressão que tivera sobre ele. Quando o conheceu, ele foi bastante amigável, junto com o outro rapaz, Haruichi Maeda. Entretanto, algo havia acontecido nesses últimos meses, algo que o mudou. Questões de família?

Tsukasa teria que tomar cuidado com ele, afinal era o irmão de Akira Seiji.

“Tenho que ser cuidadoso com todos os humanos, até mesmo com…”.

Mas o garoto não queria pensar nela. Ainda doía se lembrar daqueles olhos azuis cheios de medo.

Ao término da aula, Kaito e Tsukasa caminharam juntos para fora do prédio das Artes, onde enfim se separaram. Tsukasa foi direto para o prédio da Educação Física para o treino com seu esquadrão, enquanto o amigo rumou para casa. 

Definitivamente, o garoto vampiro não queria treinar ou, como estava sendo ultimamente, fingir perder para Youichi Kuroda, mas ele não tinha escolha: levantaria ainda mais suspeitas se faltasse ao treino depois da situação complicada do dia anterior. Além do mais, por mais que ele quisesse fugir, hora ou outra ele precisaria encará-la.

A hora chegou rápido. Encontrou Hiyori Ootsuki recostada próxima à porta de uma das salas de treino. Ele baixou o olhar, fitando o chão.

─ Vá se trocar. ─ Pela voz, ela ainda estava irritada pelo que aconteceu no dia anterior. 

Tsukasa não respondeu. Em vez disso, assentiu levemente, passando reto por ela, e rumou em direção ao vestiário masculino. Lá, trocou as roupas que vestia por roupas mais leves, mais apropriadas para treinar. Naquele dia, teriam aulas de técnicas de combate sem armas. 

Na sala de treino, todos os integrantes do esquadrão já estavam posicionados no centro, com a líder Hiyori na frente de todos. Youichi Kuroda também estava lá. Tsukasa evitou olhar para ele, não faria bem algum ao seu humor.

Rei Fueguchi, que não era muito boa em ler a atmosfera, resolveu que aquela era uma boa hora para falar:

─ You-chan e Tsukasa estão brigados?

Apenas um silêncio pesado e uma encarada muito mal-humorada de Youichi sucedeu a pergunta da garota ruiva, que deu de ombros.

─ Está bem, já entendi. Sem perguntas. 

─ Não se distraiam, estamos em treino. ─ A voz de Hiyori era intensa e ela emanava a presença de uma forte líder de esquadrão. ─ Vamos às duplas de hoje: Youichi com Fueguchi; Miyagi com Ren e Tsukasa fica comigo. 

Todos notaram que ela alterou as duplas de sempre, mas não ousaram comentar. Tsukasa caminhou para a posição em frente a Hiyori.

Os demais pares se posicionaram.

─ Vocês precisam entender que jamais seremos mais rápidos ou mais fortes que eles, por mais que tentemos. Não há treino suficiente para superar a agilidade ou a força de um vampiro. ─  Hiyori começou a explicar. ─ Quando lidarem com um deles... ─ Ela agilmente se aproximou de Tsukasa e lhe deu uma rasteira, fazendo-o cair no chão coberto pelo tatami. ─ Sejam mais espertos que eles.

Tsukasa se levantou, massageando a canela que ela atingira. 

“Isso doeu…” Ele pensou, um pouco chateado. Não pensou que, além do tapa e do sermão de ontem, ela ainda descontaria no treino.

─ Vocês precisam se antecipar, incapacitá-los antes que possam sequer pensar em reagir. E não se esqueçam. ─  Ela fez uma arma com a mão e apontou para Tsukasa. ─  Estejam preparados para atirar, sem dó. Mas hoje, não teremos armas: nem sempre teremos à disposição uma arma eficaz contra vampiros e, mesmo que tenhamos, é preciso saber lutar desarmado: é o básico para os membros de um esquadrão de extermínio vampírico.

O treino foi cheio de demonstrações, utilizando Tsukasa como exemplo. Hiyori o derrubou inúmeras vezes, em algumas delas utilizando técnicas dolorosas sem real necessidade, até que ele passou a encará-la com olhos questionadores. Tsukasa estava confuso. Aquilo seria interpretação ou ela estava realmente brava com ele? Não podia dizer. 

Se o restante do esquadrão percebeu algo de errado, não quiseram transparecer. Continuaram praticando com seus parceiros, normalmente.

Aproximando-se dele, ela sussurrou:

─ O que vai fazer? Vai revidar? 

A atitude dela o magoava profundamente. 

─ O que você quer dizer? ─ Sua voz era baixa, mas o tom, questionador. Se ela não confiava mais nele, a ponto de recorrer a esse tipo de coisa...

Ela só o encarou, com olhos azuis determinados. Tsukasa retribuiu o olhar, recusando-se a perder. Ele reuniu coragem e a acusou, ainda mantendo o tom de voz baixo:

─ Você ainda está me punindo pelo que aconteceu ontem. 

Ela não negou. 

─ Só me certificando de que você não perderá o controle hoje também. ─ Ela disse, enfim.

Os olhos dele arderam e sentiu o coração se quebrar. Tsukasa andou a passos largos até o canto da sala onde deixara seus pertences, pegou sua mochila e virou-se para a porta. Não estava ali para sessões de punição, nem precisava realmente daquelas aulas de treino, de qualquer maneira. Já era capaz de se defender.

─ Tsukasa, volte aqui agora. ─  Hiyori gritou. ─ Isso é uma ordem!    

O garoto a ignorou e continuou caminhando sem se incomodar em olhar para trás.

***

    

Tsukasa sentia o peito apertado. Tinha corrido para longe da Universidade, para longe de todos aqueles humanos. Estava caminhando pela cidade de Toyama, extremamente abalado. A noite já caía, e ele continuava a andar. Não queria parar de caminhar, ou então desabaria. Quando ele notou para onde seus pés o estavam levando, ele se decidiu. Pegou o celular e digitou, apressadamente.

Yura. Estou adiantando os planos. Será hoje, 22h. Base de Aya Shimizu. Apague assim que ler. 

TY

Os olhos azuis o assombraram. Ele viu neles a verdade: Hiyori tinha ficado com medo dele no dia anterior e perdeu a confiança nele. Mas Tsukasa não compreendia completamente: ele a estava protegendo, ela tinha que ter notado isso. Youichi Kuroda a ofendeu e mesmo assim, ela…

Ele parou de tentar entender. Estava magoado e triste por alguém que ele amava o olhar daquela maneira, julgando-o, esperando que ele cometesse um deslize. Sua garganta estava seca: um sintoma da sede vampírica. Contudo, não queria pensar nisso naquele momento. 

Passou algumas horas perambulando pelos arredores da base, tomando cuidado para se manter protegido pelas árvores. Ele percebeu que a base estava cheia. Nos últimos meses, Aya parecia ter recrutado novos membros. Para um grupo novo, era mesmo impressionante.

Pouco antes das 22h, Tsukasa ouviu alguém se aproximar dele. Ele se virou rapidamente e deu de cara com um vulto. 

─ Tsukasa-sama. ─ O vulto o reverenciou, uma voz que ele reconhecia. ─ Como prometido, estamos aqui. 

E então, atrás dele, outros começaram a aparecer. Todos vestiam máscaras dos mais variados tipos. O vulto mais próximo dele era Yura. Sua máscara era de um demônio japonês conhecido como “Oni”. Era vermelha, com um par de chifres e uma boca aberta cheia de dentes expostos, em uma expressão de raiva. O demônio Yura lhe estendeu a mão, que segurava um manto e uma máscara, e Tsukasa riu quando a viu.

─ Essa é para mim? ─  Retirando os óculos, cuidadosamente, o garoto vampiro pegou a máscara de Pierrot e a vestiu. Ela era elegante: base branca, com uma pequena lágrima negra pintada caindo do olho esquerdo. Os lábios eram cobertos de vermelho sangue e uma marca vermelha arredondada marcava a ponta do nariz. Era um palhaço macabro. 

Tsukasa não achou ruim. 

Lembrando que ainda carregava sua mochila, procurou um arbusto cheio o bastante e a escondeu. Em seguida, virou-se e encarou o grupo de vampiros,  dizendo, com a voz firme:

─ Hoje não viemos para matar. Viemos para fazê-los nos temer. Sobrevivendo, vão estar mentalmente quebrados e jamais se erguerão contra nós novamente. Se os matarmos, os que restarem serão tomados por sentimentos de vingança, então por favor, contenham-se. ─ Se havia algo que aprendera com Hiyori nos últimos meses, era como liderar. 

“Confiem em mim. Dessa vez, eu posso protegê-los!”, pensou, com uma forte determinação queimando em seu peito.

─ Vamos quebrá-los. ─  E começou a rir, histericamente. Para atingir seus objetivos, ele precisava mergulhar no papel, fazer o palhaço viver nele. 

Com olhos brilhando na escuridão, Tsukasa estralou um dos dedos e avançou. E, como uma sombra atrás dele, a horda de vampiros o seguiu. 

Exatamente às 22h, o caos se instalou na base de Aya Shimizu. Eles não estavam preparados para uma invasão surpresa de dezenas de vampiros. A primeira coisa que Tsukasa fez foi cortar a luz do prédio. A escuridão gerou pânico nos humanos, e deixou os vampiros excitados. Para um bando de vampiros que viveu nas sombras a vida toda, aquilo não era nada. Seus olhos podiam ver tudo.

Quando entraram no prédio, quebrando os vidros das janelas e arrombando portas, com chutes, os gritos dos jovens humanos tomaram a noite.

─ VAMPIROS! Eles estão entrando!

─ Ataque!!!

Isso fez o sangue de Tsukasa ferver. Estava tão farto de se conter, de parecer humano, que naquela hora ele se liberou completamente. Mesmo dentro de um papel, era revigorante poder soltar suas emoções daquela maneira.

E assim, mesmo sem sentir verdadeiramente, ele riu. Sua gargalhada encheu a noite e se mesclou ao coro de gritos dos humanos. 

─ Vocês acharam mesmo que estavam protegidos aqui, depois de tudo o que fizeram? ─ Ele anunciou, a voz alterada pela interpretação. ─ Que ingênuos! 

Os gritos já tinham cessado e os humanos, todos reunidos no meio do galpão, com expressões assustadas. Os vampiros tinham sido orientados a confiscar seus celulares, para evitar que chamassem a polícia ou buscassem ajuda antes da hora. Assim, eles estavam desamparados, em um prédio isolado e remoto, cercados por vampiros furiosos. Alguns rostos estavam molhados de lágrimas, o que acendeu a chama da irritação em Tsukasa.

“Vocês não têm o direito de derramar essas lágrimas… Por causa de vocês... Tatsumi…”

Mas Tsukasa engoliu a dor e tornou a atuar. Ele então caminhou em direção ao grupo, um amontoado de gente tremendo no meio da sala. Eles não podiam ver com clareza, pois não havia uma boa fonte de iluminação, exceto por um quarto de lua, cuja luz entrava pela janela, tornando as formas dos vampiros ainda mais assustadoras.

─ Quem vai ser o primeiro a morrer hoje? ─ Ele vasculhou a sala e reconheceu uma forma que o fez sorrir de prazer. Rapidamente apontou o indicador para Aya Shimizu, que parecia especialmente perturbada. Talvez não gostasse de palhaços. 

“Perfeito.”

Tsukasa foi tomado por um frenesi de loucura. 

─ Eu acho que você quer!! HAHAHAHA ─ A risada que ele deu arrepiou Aya até os ossos.

O garoto vampiro deu alguns passos, lentamente se aproximando da veterana, enquanto algumas vozes suplicavam.

─ Não, a senpai!

─ Por favor, não nos machuque! ─ Suas vozes aterrorizadas eram entrecortadas por soluços. 

O desespero deles alimentou a ira do garoto.

─ Por que eu não deveria machucar vocês? Vocês têm ideia do que fizeram? Pessoal, acho que temos que lembrá-los de seus crimes. ─ Tsukasa comprimiu os dedos em um forte estalo que ressoou pelo galpão.

Nesse momento, ouviu um dos seus dizer:

─ Mataram um de nós.

─ Hummm, o que mais? ─ Tsukasa os instigou.

─ Deixe que ela responda. ─ Outro vampiro respondeu. Seu rosto estava enfaixado com bandagens brancas, que deixavam apenas dois olhos brilhantes descobertos. Tinha pintado por cima das bandagens, na região da boca, um sorriso.

─ Aya… Shimizu. ─  Tsukasa teve o cuidado de modificar a voz. As aulas de Expressão Vocal estavam sendo particularmente úteis. ─ Eu, humildemente, pergunto a você: o que mais fizeram com o vampiro chamado Tatsumi?

O rosto dela estava em pânico. Os lábios tremiam, enquanto ela tentava responder:

─ E-eu… ─ Ela olhava para a máscara de Tsukasa, com olhos cheios de lágrimas. 

─ Não tenho o dia todo… ─ O líder dos vampiros cantarolou.

─ Nós t-torturamos… Ele… 

─ Viram? ─  Tsukasa ergueu o tom de voz. ─  Não temos razão para deixá-los em paz.

─ Mas..! ─ Alguns membros da gangue entraram em pânico e começaram a gritar. ─ Nós não o matamos!!

─ Sim, não fomos nós. Foi… O Conselho Estudantil que atirou!

Tsukasa revirou os olhos.

─ O quem foi que o pegou e o entregou ao Conselho? Vocês são... ─ A voz histérica tinha sido substituída por uma baixa e fria. ─ Culpados.

Tsukasa sabia que havia pessoas sádicas dentro daquele grupo, que sentiram prazer em atormentar Tatsumi em seus últimos momentos, até que qualquer resquício de sanidade tivesse sido varrido de sua mente. O garoto vampiro jamais os perdoaria por isso. Mas, para que seu plano funcionasse, ele não poderia matá-los. Não, eles ficariam tão traumatizados que jamais dormiriam sem medo novamente. A cada vez que fechassem os olhos, tudo o que veriam era a máscara de um palhaço branco e preto. 

O palhaço pegou Aya Shimizu pelo colarinho da camisa e a sentiu se contorcendo freneticamente, mas ele não facilitou. Levantou-a pelo pescoço e murmurou:

─ Hum.... Será que seu sangue é bom?

Ela arregalou os olhos e tentou desesperadamente se livrar de seu aperto, com as mãos, mas foi em vão. Quando Tsukasa viu que ela estava sufocando, aliviou o seu aperto, soltando a garota, cujo corpo sem forças caiu diretamente no chão. 

─ Não se preocupe, não estou interessado no seu sangue. ─  Mesmo por trás da máscara, ele fez uma expressão de nojo. ─ Vocês todos são sujos. 

Ele se agachou, na direção de Aya, aproximou o rosto do ouvido da veterana e disse:

─ A propósito. Quem atirou?

Ele sentiu ela se encolher com a proximidade do vampiro, mas respondeu, com a voz rouca.

─ Seiji.

─ O presidente, em pessoa? 

─ Não, o outro. O irmão mais novo.

Tsukasa Yuuki crispou os lábios e seu rosto protegido pela máscara se contorceu. 

“Kousei…!”

Tentando se esquecer da expressão triste que vira no colega novato mais cedo, ele analisou a sala. Tsukasa via o horror daquelas almas todas, ao olhar para ele e seu grupo. Nunca os vampiros tinham se revoltado dessa maneira. Nunca foram organizados por ninguém. Até aquele dia.

“Vou ensinar a vocês, crianças, o que é o medo de verdade.”

Seus lábios se abriram em um largo sorriso por trás da máscara. 

─ Vamos começar?

 


Notas Finais


Tsukasa finalmente agiu! Como isso vai repercutir na Universidade?

Beijos pra todos vocês, até semana que vem!


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