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História A Memory Of His Life - Capítulo 4


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Capítulo 4 - Capítulo III


Eu não fui à escola no dia seguinte.

Estava com febre, largado no sofá com um cão de pelúcia e meu travesseiro, tentando entender como alguém podia fazer aquilo. Doía. Eu mal conseguia sentar e não queria sonhar em ir no banheiro e, mais do que isso, machucava no peito. Eu tava me sentindo estranho e aquele aperto forte não fazia mais sentido do que a televisão ligada no mudo apenas para que as figuras que apareciam me fizessem companhia.

Ele apareceu de novo naquele dia.

Sentou na beirada do sofá e eu me encolhi quando ele tocou minha testa, medindo a temperatura.

Não lembro o que ele me disse, mas ele disse algo... E me encolhi mais contra o encosto do sofá, procurando fugir daquele toque, fazendo-o rir.

Ele tinha me trazido outro brinquedo. Não sei o que era, mas sei que não quis tocá-lo ainda que ele o tenha desembalado e colocado sobre minha barriga.

Ele não me tocou naquele dia, mas como não me sentir violado, com ele andando para cima e para baixo, recolhendo algo dos caras que saiam do quarto da mamãe e fazendo café para ele?

 

... Não tive tanta sorte depois de alguns dias. Ele voltou ao meu quarto, desta vez com um ‘amigo’. O outro não me tocou, mas vi que deixou uma gosma esbranquiçada nojenta no chão do meu quarto quando eu finalmente abri os olhos, quando estava finalmente sozinho.

Tinha algo muito errado naquilo. Mesmo que eu realmente achasse que estava ajudando minha mãe.

 

Piorou quando outros caras além dele começaram a me-... A me tocar também. Depois...

... E eu comecei a ansiar, toda vez... que fosse ele ali, Di! Que fosse ele e não aqueles caras, porque-, porque... Se tivesse de ser alguém... Se eu tinha que sentir aquilo de novo eu-... Eu, queria-... Eu preferia que fosse ele!...

 

Me sinto tão sujo pensando nisso... Deus!...

 

Comecei a entender também, que cada presente que eu ganhava era pagamento por aquilo que acontecia no meu quarto. Comecei a entender que quanto mais eu deixasse... eles me tocarem... Melhor era o presente depois e menos acabava doendo em mim...

E entendi também que não gostava mais quando tocavam em mim. Não conseguia deixar que encostassem mais nos meus cabelos ou que me abraçassem e pegassem no colo-... Passei a odiar esse gesto. E como poderia ser diferente? Sem conseguir entender o carinho representado por aquilo? Estava fora de cogitação...

 

Só não entendi que mamãe nunca deveria ter percebido isso. E ela o fez.

E me pergunto sinceramente como ela não o faria, se nem mesmo os braços dela me pareciam mais seguros. Se, sempre que ela me tocava, me encolhia todo, mesmo que ela fosse a única a quem eu tentasse me entregar a qualquer carinho de verdade.

Ela me perguntou tantas-... Tantas vezes se estava tudo bem!...

Mas como eu poderia dizer que não estava?...

 

... Desculpe, eu-...

 

... Ah... ela descobriu do pior jeito possível, sabe? Eu não fiz... ou disse nada, mas ao fim das contas talvez apenas tenha sido pior!

Ela me viu.

Me viu largado na cama, com um estranho metendo entre minhas pernas!... Viu ele ali batendo uma, se ‘divertindo’ com tudo, enquanto eu apenas fechava os olhos com força e reprimia os gemidos de dor cada vez que aquele cara se arremetia com força pra dentro de mim! E ela viu! Viu tudo e perdeu a cabeça. Arrancou aquele homem de cima de mim berrando como um animal, estrangulando-o e só o largou quando aquele maldito a agarrou por trás, imobilizando-a.

Ela chorava tanto, tanto... imprecando em grego, coisas que até hoje não sei o que eram. Ela conseguiu se livrar do aperto na marra e bateu nele com tanta força, que o contorno da palma ficou marcado na pele amorenada e jurou-... O jurou, o jurou de morte, Di!... Disse que apodreceria no inferno se fosse preciso, mas que o levaria junto pra onde merecia pelo que tinha feito com a gente!

Ele ainda tentou se aproximar de mim, me fazer tapar os ouvidos, mas ela só berrou mais, jogando alguma coisa da mobília nele enquanto os dois saiam praticamente fugidos do meu quarto. Enquanto ele dizia de um jeito raivoso que ela sabia que não era assim que funcionava. Que ainda tinham contas pra acertar.

E eu só... Só lembro de ter sentido medo, Di. Muito medo. Temi que ela me batesse como fez com ele. Que fosse me pegar pelo pescoço que nem o cara que tava na cama comigo, pois ela só chorava e gritava em direção à porta e aquilo era tão horrível...

 Mas ela só veio até a cama e me abraçou com força, chorando ainda mais quando sentiu meu rosto úmido de lágrimas contra seu braço e meu corpo todo de contrair, repelindo instintivamente aquele toque.

Ela passou as mãos nos meus cabelos, soluçando... Ficava balbuciando em meio aos soluços e gemidos, Di...

“Não o meu bebê.”

“Não o meu bebê.”...

 

Ela dormiu agarrada em mim, chorando, me apertando e gemendo de dor e eu... eu chorei a noite toda junto a ela também, de medo, de vergonha e dor e humilhação e culpa por ter partido o coração dela mais uma vez que nem todo mundo e por vê-la sofrer daquele jeito por minha causa. Chorei tudo o que pude, até minha cabeça doer tanto quanto todo o resto. Até desmaiar de exaustão nos braços dela.

E no dia seguinte, quando voltei da escola, a porta de entrada estava aberta e-... 

... Era tanto, tanto sangue Di!... Tudo vermelho, fétido, fresco daquele sangue espalhado-, e eu não sabia, não sabia o que fazer-!... 

...Não-, não tá saindo, não está-... Eu não consigo. Di, eu não consigo... Não sobre ela, não- Não dá...

Eu-, eu tinha que ter feito alguma coisa... 

 

De manhã, quando ela me levou pra escola, eu-, eu sabia! Sabia que tinha algo errado no jeito que ela me abraçou antes de me deixar correr portão à dentro! Eu sabia!... Aquela coisa incerta nos olhos dela... No timbre da voz, deixando aquele “Σ'αγαπώ, μικρό μου*” soar de um jeito dolorido nos meus ouvidos-... Eu tinha que saber... Eu- eu tinha-...

 

E-eu não consigo Di... Deus! Não dá!... Não posso, não posso-... Eu amava ela também, Di... Eu amo, ainda...

E ela costumava ser uma mulher tão exuberante, antes de tudo!... Tão linda e cheia de força... Mas acho que não conseguiu suportar mais tudo aquilo. Não depois de tudo... 

Mas ela era uma mulher de palavra também. Realmente era.

 

Deu um tiro no meio das pernas dele e outros 3 na cabeça com aquela arma que ele carregava pra cima e pra baixo. E depois... Mais um no próprio peito.

 

(TBC)


Notas Finais


* S’agapó̱, mikró mou (Eu te amo, meu pequeno)


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