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História A Menina e o Corvo - Capítulo 1


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Notas do Autor


Ayo
Faz um tempo que eu não publico alguma coisa não é? Eu juro que tô escrevendo... só que tá ficando no notas
Enfim, ignorem minhas tentativas falhas de adicionar tags na história e já digo que a qualidade da escrita caiu no final por que quando eu finalmente tirei tempo para terminar eu já não conseguia entrar na vibe necessária (mas eu me recuso em não dar uma continuação a esse pequeno pedaço de aleatoriedade)
É meio dark e pra falar a verdade, nada faz sentido com nada e talvez eu exclua depois?
Por que eu tô postando isso? Não vou mentir, me senti corajosa por que é madrugada
Anyways, aproveitem a leitura

Capítulo 1 - Capítulo Único


“É uma criatura muito engraçada” pensou o corvo, aquele que sempre vivera naquele lugar abandonado e mórbido. Na cidade vazia, aquela garota era o único pingo de vida além de aves perdidas e alguns insetos que aproveitavam a sujeira do ambiente, ela sentava-se toda vez no mesmo banco de ferro corroído e enferrujado no meio da pracinha. As folhas das árvores já haviam caído há tantos anos que o corvo parou de contar, os arbustos secaram e as flores se angustiaram tanto pela falta de água que não lhes restavam opção além de morrer de uma forma feia.  

O corvo achava dessa situação toda algo muito cômico, a menina sentava-se no banco todos os dias e ficava a observar a paisagem, por mais que sem vida, por longas horas a fio sem nunca se entediar com a falta da cor das folhagens. Certas vezes algumas pessoas desconhecidas para a ave negra vinham e entregavam algo de comer ou beber para a menina, trocavam algumas palavras ininteligíveis (afinal, ele era um corvo e não entendia a língua das pessoas) e logo após partiam. 

A garota também não tinha medo da escuridão da noite e parecia não se preocupar com os monstros que a habitavam, vez ou outra surgia do escuro um deles e a menina nada fazia, erguia a cabeça para encará-los e sorria. Era uma situação estranha e, queiram desculpar o pobre coitado, o corvo era uma ave muito curiosa, dessa maneira permitindo a si mesmo que ficasse e observasse mais um pouco.  

Muitas vezes, à noite e antes que a menina pudesse se levantar do velho banco, dois urubus malfadados faziam um desvio em seu caminho para não se sabe onde e pairavam acima do centro da cidade morta, pousando depois de alguns segundos seguindo em direção a pobre garota, bicando-a um bocado antes de roubar um pouco de suas sobras de comida. Eles esperavam pacientemente e esperançosamente que aquele ser diferente enfim decidisse chutar o balde, assim os urubus ficariam com o prêmio, roubavam até um pouco da comida para talvez acelerar o processo. 

O corvo assistia no seu canto um pouco afastado, aquelas eram aves grandes e mesmo que ele quisesse intervir, não teria chance. A menina também não se disponha a atuar contra, afinal, aqueles urubus eram apenas pássaros burros que não entendiam real significado de sentimentos e vazios de empatia. 

Era o meio da noite e a lua brilhava alto em meio a tantas estrelas quando o corvo ouviu ao longe passos que pareciam se aproximar, pés descalços que batiam contra o concreto gelado. O espectador de penas negras se ajeitou no ninho para que pudesse observar de camarote o provável show que estava prestes a acontecer, ele e a lua como as únicas testemunhas, espectadores que esperavam com receio mas certa animação ao que se seguiria naquela praça aos pedaços, coberta por ervas daninhas e envolta por árvores mortas. A garota marchava para a pracinha, seu olhos centrados no chão de blocos decorados e certos quebrados por onde a grama cresceu. 

Ela andou a passos lentos até que estivesse de frente para o banco de tábuas antigas e ferro corroído, observou-o por meros segundos antes de ajoelhar-se no chão e, por fim, se deitar. O corvo assistia do alto, as estrelas se perguntavam por que ela estava fazendo isso, a lua estava quieta e o resto dos animais dormindo. 

Sem demora, um dos monstros se ateve a olhar a menina, abandonada no chão daquela pracinha vazia. Deu passos largos até ela e a levantou, levando-a para sempre para a escuridão do submundo.

O corvo ficou atordoado com a velocidade dos acontecimentos e admirou o belo nada por alguns minutos, logo voltando a dormir acreditando que tudo isso deveria ser um sonho, uma visão? 

O pequeno pássaro acordou em seu ninho, o sol como um grande holofote em palcos imensos, mas nada daquela garota que acompanhava todos os dias desde que ela havia chegado. Ele desceu de seu ninho, dando uma olhada ao redor apenas para ser recebido com o silêncio e olhares de julgamento dos prédios em decadência. 

O corvo abriu suas negras e belas asas e alçou voo.

Não havia mais nada para ele ali.



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