História A Mensagem (Three-Shot SasuSaku) - Capítulo 1


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Categorias Naruto
Personagens Sakura Haruno, Sarada Uchiha, Sasuke Uchiha
Tags Sakura, Sarada, Sasuke, Sasusaku, Sasusakusara
Visualizações 299
Palavras 5.423
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ecchi, Famí­lia, Fluffy, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Gostaria de dedicar essa fanfic para as minhas mais novas amigas do grupo de Whatsapp criado pelas divas Kaah-chanUchiha e NandaSK. Ainda não sei o nome de vocês, meninas, mas já amo todas. Essa fanfic tem o objetivo de cobrir a história não-contada de como Sarada conheceu seu pai pela primeira vez e como foi para o casal mais amado de Naruto ter seu primeiro momento às sós depois de muitos anos separados. Espero que vocês gostem.

Capítulo 1 - Parte I


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Sasuke ficou observando o falcão sobrevoar o céu azul sem nuvens seguindo para Konohagakure. O Nanadaime Hokage precisava saber com urgência que haviam seres, aparentemente sintéticos, ostentando o Sharingan, usando o símbolo do clã em suas vestes, atacando aquele que foi considerado o último Uchiha vivo há muito tempo atrás. A torre que seria o ponto de encontro entre Sasuke e Naruto ficava a meio dia de viagem de Konoha. Ele mesmo poderia ter ido enviar a mensagem. Haviam se passado muitos anos desde que Sasuke tinha estado na vila pela última vez, tantos anos que nem ele mesmo se lembra exatamente quantos.

Desde que perdeu sua família, os dias pareciam sempre os mesmos, vazios e sem vida. Não havia motivo para comemorações, e por conta disso desaprendeu a valorizar o calendário e dias específicos como aniversários e feriados. Se fosse domingo ou quinta-feira, ele estaria trabalhando, não havia folga para o caminho shinobi que ele decidiu seguir depois de sua peregrinação. Ele tinha visto e feito muito, mas estava longe de ser necessário para compensar por todos seus pecados.

Sasuke ainda tinha fresco em sua memória o dia que saiu para essa missão que até o momento não foi capaz de cumprir. Sakura estava parada nos portões verdes, com um vestido vermelho bordado com o símbolo Uchiha nas costas. O cabelo dela tinha crescido novamente enquanto eles estavam viajando juntos, e até o momento ela não tinha aparado. Sarada estava no colo dela, os cabelos negros devidamente penteados e seus olhos ônix fitavam os do pai com inocência. Ela não tinha consciência de que ele estava partindo por tempo indeterminado.

Sakura, por outro lado, tentava de tudo para lidar com a situação de maneira racional. As lágrimas dela não facilitaram seu objetivo. Ela tinha dito adeus vezes demais para Sasuke. Não era difícil perceber como doía e porque doía. Os sentimentos dela nunca foram escondidos, por mais que ela os deixasse de lado para colocar o bem-estar e a felicidade dos outros sobre as suas próprias. Ela o amava com todas as suas forças e tinha dito isso de várias maneiras sempre que teve oportunidade.

Sasuke sempre tentou se esquivar desse amor, saindo da vila na surdina, deixando-a desacordada em um banco poucos metros de distância de onde estavam se vendo pela última vez. Agora, quando todos na vila esperavam que ele fosse – era uma missão importante e somente ele com suas habilidades era capaz de cumprir – ele queria ficar. Ele tocou com os dedos a testa da esposa e virou-se antes que ela pudesse ver que ele também chorava.

A viagem de redenção de Sasuke o tornou mais sensível aos sentimentos do mundo. Ele percebeu que não era porque ele tinha tido uma vida sofrida que ele tinha que proporcionar o mesmo sofrimento para os outros com sua insensatez. Pelo contrário, ele deveria usar suas experiências ruins como motivação para transformar aquilo que fosse possível no sistema shinobi. Ele observou o ciclo da vida, refletiu sobre o ciclo do ódio e ajudou todos que precisaram dele. Naruto e todos que vieram a tornar seus amigos o ensinaram sobre o sentimento de amizade.

Sakura ofereceu-lhe a oportunidade de experimentar uma conexão diferente de sentimentos. Era um relacionamento especial porque era exclusivo. As demonstrações de amor e as sutilezas da convivência durante o período que estiveram na estrada alcançaram a parte de Sasuke que antes nunca tinha sido tocada. Ele a amou como um homem ama uma mulher, e isso era muito mais do que ele pensava que fosse capaz de fazer. As noites passadas em claro ao lado de Sakura confortava tanto seu corpo quanto seu coração. Era um amor intenso e irracional, aquele que é compartilhado por dois corpos que se incendeiam ao se tocarem. O alívio que isso proporcionava o ajudou a encarar a vida de forma mais leve.

A existência de Sarada tornou Sasuke um ser humano completo. Agora ele era capaz de amar como amigo, marido e pai. A filha era fisicamente a cópia dele, e mesmo que ele se maravilhasse com a beleza exótica da esposa, enchia-o de orgulho ao ver que sua família, que ele tanto amava, não seria esquecida quando ele morresse. O clã Uchiha continuaria, mas não apenas ele – parte de Sasuke existiria, uma parte que nunca foi corrompida contribuiria para o prosseguimento dos ciclos do mundo shinobi. Ele apenas podia amar cada vez mais Sakura por ter-lhe concedido uma vida que ele nunca imaginou ter.

Se Sakura não tivesse o amado como ela o amou, talvez Sasuke nunca tivesse se casado. Ele tinha suas peculiaridades que a maioria das pessoas, por mais que o achassem extremamente bonito, não suportariam se tivessem que conviver com ele por uma semana. Sasuke não gostava de seguir protocolos sociais. Sua maneira de falar e se portar era a mesma onde quer que ele fosse, ele não gostava de se explicar nem ser questionado sobre suas atitudes – ele faria o que tivesse que fazer para cumprir as promessas que ele fez a si mesmo e as missões que lhe foram encarregadas pela vila.

Ele também precisava ter seus momentos – longos momentos – de solidão para refletir sobre si mesmo. A meditação foi uma prática que ele iniciou em sua jornada de redenção e isso tem o ajudado a não ser impulsivo com as decisões drásticas que tomou pelas emoções. Ele não queria mais reagir e se arrepender de um erro que nunca poderia ser consertado. Sasuke não podia trazer seu irmão de volta à vida nem apagar da memória de seus amigos e conterrâneos o quanto ele tentou destruí-los ou fazê-los sofrer, responsabilizando-os por seu sofrimento.

Ele também tinha uma grande dificuldade de demonstrar seus sentimentos e detalhar com palavras seus pensamentos, o que era uma barreira muito grande para se estabelecer um relacionamento de trocas tão íntimas quanto um casamento. Além disso, ele tinha sua imagem manchada como um ex-nukenin mundialmente conhecido, e mesmo sua beleza não era capaz de mascarar sua má fama. Nenhuma mulher, família ou clã aceitaria-o de bom grado.

Não que ele nunca tivesse recebido propostas sexuais de mulheres levianas. Longe disso. Desde quando era genin, as meninas da academia importunavam com seus flertes e tentativas de aproximação. Contudo, as admiradoras eram inocentes e Sasuke gostava de ser reconhecido, não apenas por sua personalidade exigir auto-afirmação, mas para compensar a falta de reconhecimento que nunca teve nem mesmo quando seus pais eram vivos. Sasuke sempre viveu à sombra de Itachi e foi-lhe tomada a oportunidade de mostrar que ele também tinha seu valor.

Sakura sempre foi a admiradora mais evidente, mas ainda assim ela não era invasiva. Ela demonstrava seu amor fazendo as coisas por ele, mesmo as mais simples, as quais ele sempre prestava atenção. Sasuke sempre gostou de escutar suas declarações de amor, mesmo que não as correspondesse, porque não era apenas bajulação. Sakura via alguma coisa nele mesmo quando ele não via nada em si mesmo. Ela nunca deixou de amá-lo mesmo depois de tudo o que fez, depois de ter visto seu lado mais macabro e hediondo. A devoção que ela tinha foi reconhecida até mesmo por Kakashi, quando ele colocou-a em um genjutsu para evitar que interferisse em sua luta contra Naruto.

Karin era histérica e sua paixão era mais uma gratidão supervalorizada na infância por Sasuke ter salvado a vida dela no Exame Chuunin. As outras, a maioria as quais ele nem sabia o nome, importunavam-no nas pousadas, termas e restaurantes. Umas apenas flertavam e coravam, outras eram mais ousadas e pressionavam-no contra a parede, oferecendo sua companhia durante a noite. Sasuke nunca aceitou. Não valia a pena aceitar um momento de prazer egoísta e sem sentido apenas para agradar uma mulher – ele nunca iria se gabar por nada em sua vida, nem mesmo se assentar em uma mesa de bar se achando muita coisa por ter dormido com várias em uma mesma noite.

Sakura ofereceu-lhe algo muito melhor, e se ela foi capaz de esperar, todas as outras deveriam fazer o mesmo caso estivessem realmente interessadas. Como o previsto, nenhuma delas insistiu depois de suas recusas. Uma mulher deveria ser muito irritante para insistir várias vezes depois de ser rejeitada das piores formas possíveis. Depois de ter estado em quase todos os países deste mundo shinobi, Sasuke só conheceu uma.

Sakura era bonita, habilidosa e inteligente. Suas contribuições para Konoha e para os países e vilas da Aliança Shinobi eram inigualáveis e insubstituíveis. Ela entendia Sasuke como nenhuma outra pessoa poderia entender. Até mesmo Naruto, que Sasuke via como um irmão, era um pouco lento para perceber as coisas comparado com a companheira de time. Eles se comunicavam com o olhar, não havia necessidade de ser dito muito, e mesmo quando fosse preciso, ela nunca pressionaria Sasuke para satisfazer seus próprios questionamentos.

Sakura nunca pediu nada em troca, apenas ofereceu. Ela ofereceu seu amor e companhia, seu corpo e sua vida, deu-lhe uma filha e uma família. Um lar. Por outro lado, Sasuke não tinha lhe proporcionado nada a não ser lágrimas, saudade e sofrimento. Mesmo sua presença era insuficiente para retribuir a intensidade com que Sakura o amava. Ela esperou por ele e sempre esperaria, respeitava seus momentos de silêncio e reflexão, não se intrometia em assuntos particulares, que abordava com muito cuidado quando era preciso. Ela temia tudo que envolvia o passado de Sasuke e o clã Uchiha, mas como ela fazia parte da família, Sasuke decidiu que ele precisava compartilhar coisas que ela deveria saber.

Até mesmo nas aproximações de carinho ela era cautelosa, tentando não ser inconveniente. Ela demonstrou várias vezes que não temia ser rejeitada nem chamada de irritante, mas não tinha pretensão de se impor nem ser considerada um incômodo. Durante todo tempo que se relacionaram pessoalmente, Sasuke sempre tomava a iniciativa para acariciá-la, beijá-la e amá-la. Isso com certeza era irritante, mas ela merecia depois de tudo que passou por ele. Sasuke também só precisava começar, porque quando Sakura notava que ele a queria, ela era como combustível nas chamas de seu Amaterasu. Ela era a mulher perfeita para Sasuke, a única que ostentaria o símbolo de seu clã, que teria filhos com Sharingan, que teria seu amor e proteção.

Sasuke nunca diria isso a ela nem a ninguém, mas viajar pelo mundo nunca foi a mesma coisa sem ela. Ele sempre esteve acompanhado quando era aprendiz de Orochimaru, foi supervisionado por Uchiha Obito depois da morte de Itachi, e em sua jornada de redenção, nunca esteve completamente sozinho, embora tentasse ficar. Sasuke se destacava em meio a multidão, e as pessoas curiosas não resistiam a perguntá-lo sobre sua vida e suas viagens. Entretanto, ele se comportava como faria na presença de qualquer estranho com quem precisasse conviver durante certo tempo.

Sakura era sua família muito antes que ele se desse conta disso. Ela era o conforto de Sasuke, sempre que acordava assustado de um pesadelo, envolvendo-o em seu abraço. Seu olhar e suas palavras eram capazes de acelerar seu coração e também de acalmá-lo. Em poucas semanas Sasuke estava compartilhando coisas que não esperava contar para ninguém, narrando histórias de seu passado e declarando um ou outro pensamento a respeito de determinado assunto. Os sacos de dormir ficavam cada vez mais colados dentro da tenda quando acampavam nas florestas, os quartos nas hospedarias não eram mais pedidos separadamente até que dividiram a mesma cama. As mesmas noites entre os lençóis, o mesmo prazer, a mesma vida, a mesma filha.

Deixá-la em Konoha para a estabilidade dela própria e de Sarada foi uma das decisões mais difíceis que Sasuke teve que tomar. Não houve uma noite que não sentiu falta de Sakura dormindo ao seu lado, do cheio dela no travesseiro e do suor grudado em seu corpo. Ele sentia falta até mesmo do cheiro agridoce que ficava depois do prazer, quando seus líquidos corporais escorriam, contaminando o ar com um aroma peculiar. Sasuke tentou manter uma comunicação freqüente por meio de cartas, mas teve momentos que não soube o que escrever.

Ele não podia compartilhar detalhes confidenciais da missão com ela, informações que passava estritamente em código para a Divisão de Inteligência de Konoha, quando não contava a Naruto pessoalmente. Depois teve que transitar mais vezes entre as dimensões espaço-tempo de seu Rinnegan, e então perdeu de vez a noção de tempo que não tinha desde o começo. Às vezes ele recebia as mensagens pelos falcões depois de muito tempo enviadas, porque eles não eram capazes de atravessar as dimensões para entregar as cartas.

Sakura passou a relatar assuntos cada vez menos relevantes, omitindo informações que poderiam deixar Sasuke preocupado, como quando Sarada teve febre uma semana inteira ou quando Sakura desmaiou de exaustão e passou alguns dias no hospital, deixando Sarada aos cuidados de Hinata e Naruto. Ela, que antes descrevia de maneira tão detalhada que Sasuke poderia recriar a cena com o Sharingan, passou a ser mais superficial e negligente, e certas coisas importantes ele teve que saber pelas cartas ou encontros com Naruto. Até que um dia Sakura parou de escrever de vez para Sasuke. Havia meses que ele não recebia sequer uma carta dela. A comunicação que ele tinha era com Shikamaru, que repassava dados sobre a missão, e nem mesmo Naruto tentou suprir a falta de informação deixada por Sakura.

Depois da partida de Sasuke pela primeira vez, Sakura e Naruto tornaram-se melhores amigos, e em relação a esse tipo de coisa, eles eram muito leais um ao outro. Se eles decidissem que não iriam contar para Sasuke, a informação não vazava, a não ser quando percebessem que ele poderia saber sem problemas. Sakura deveria ter desabafado qualquer coisa com Naruto, que respeitou a decisão da amiga de não contar coisas que envolvessem ela e Sarada. Assim que Sasuke pensou por essa perspectiva, ele decidiu enviar uma mensagem para a esposa quando teve oportunidade de encontrar com Naruto pessoalmente. Sasuke pediu a ele que dissesse a Sakura que ele sentia muito por tudo. Nem assim as cartas voltaram a aparecer.

Os ataques mais recorrentes pelos Ootsutsuki nas dimensões celestiais fizeram com que Sasuke suspendesse a consciência da agonia que se formava em seu peito. Sakura estava desistindo dele, de alguma forma. Ela, que sempre se doou e esperou por ele, atingiu o limite. Sasuke não sabia o que fazer, ele foi arrogante demais por nem considerar a possibilidade da esposa rejeitá-lo. Ele passou a vagar cada vez mais perto de Konoha, pensando como chegaria em casa depois de todo esse tempo, imaginando como estaria Sarada.

Sakura não fez questão de enviar uma foto sequer da filha. Poderia ser arriscado caso o falcão fosse abatido por um inimigo com uma informação tão específica da herdeira Uchiha. Sasuke ainda era um homem caçado, e sua filha estaria em perigo caso fosse exposta dessa forma. Ele sempre sonhava com ela como quando a viu pela última vez. Uma garotinha comportada e carinhosa que dormia em seu peito. Sasuke sabia onde elas estavam, tudo que ele tinha que fazer era ir até Konoha e abrir a porta de casa. Por que isso era tão difícil de ser feito?

Estar sozinho o deixou com medo. Essa missão não era a mesma coisa que sua peregrinação. Naquela época, Sasuke não tinha alvos, ele fazia o que as condições da situação exigiam. Entretanto, ele tinha objetivos específicos e estritamente confidenciais, que envolviam a segurança das cinco nações aliadas e todos os habitantes do mundo shinobi. O caos que seria formado caso vazasse a suspeita de que membros do clã de Kaguya estavam visitando a terra para fins sórdidos e a possibilidade de outra guerra ninja era impossível de ser mensurado. Tudo dependia da missão de Sasuke, e caso ele morresse, a informação morreria com ele, ainda que as coisas se desenrolassem no escuro.

Sasuke tornou-se cada vez mais frio e calculista para não ser afetado pela ausência de Sakura e Sarada. Naruto tinha dito, na vez que ele pediu para entregar a mensagem, que não custava nada Sasuke passar na vila para ver sua família pessoalmente. Sasuke chegou a cogitar fazer isso, mas suas pernas não obedeceram. Um relacionamento conturbado como o dele e de Sakura não duraria muito tempo naquelas condições. Se tudo que os mantiveram juntos foi a insistência de Sakura, agora que ela tinha desistido dele, não havia como Sasuke resolver essa situação sozinho. Ele não tinha o direito de exigir o amor e a fidelidade da esposa, quando ele mesmo a rejeitou e tentou matá-la, traindo seus sentimentos.

Essa incerteza doía tanto que era como ter arrancado o outro braço. Sasuke não conseguiria focar em sua missão se continuasse a deixar que suposições corressem desenfreadas em sua mente. Ele precisava voltar para Konoha, o que ele decidiu no momento que foi atacado por Kinshiki e Momoshiki no Castelo de Kaguya. Depois de quase ter sido morto, seria bom passar um tempo em casa com sua família, antes que ele fosse definitivamente e elas pensassem que ele não as amava. Mas foi só sair dessa maldita dimensão espaço-tempo que apareceu um garoto albino com vestes brancas e um símbolo Uchiha nas costas, com Sharingan ativado, clamando ser do clã e tentando matar Sasuke.

A última pessoa que tinha usado o Sharingan como arma foi Danzo, que explodiu-se na Ponte Samurai há muitos anos atrás. Aquela aberração de braço foi destruída, depois de Sasuke ter feito com que ele perdesse a visão de todos os Sharingans que tinha pelo membro, usando dez vezes o Izanagi. Orochimaru desistiu de pesquisar sobre seu doujutsu e Kakashi tinha perdido o dele na guerra. Sasuke não podia ir correndo para vila arrastando seus perseguidores, não sabendo quem são os loucos que decidiram reconstruir o inferno. Aquilo estava ficando extremamente cansativo, e ele tinha que não apenas se preocupar com os Ootsutsuki, mas também com os pseudo-Uchihas. Ele precisava agir com o aval do Hokage, por isso enviou a carta para Naruto, pedindo que se encontrasse com ele na mesma torre que tinham o costume de fazerem essas reuniões.

Essa era uma torre revestida com selos de proteção e camuflagem de chakra. Sasuke estava muito cansado da luta com os irmãos Ootsutsuki, por isso decidiu que se esconderia na construção, suprimindo seu chakra, fazendo-o imperceptível a qualquer ninja sensorial que tentasse se aproximar. Ele teria algumas horas de descanso até que Naruto chegasse, caso ele pudesse sair imediatamente depois de receber a mensagem.

Dormir e vigiar ao mesmo tempo era uma coisa impossível. Sasuke tinha uns momentos de apagão para depois acordar assustado, olhando ao redor. Seu Rinnegan foi tão sobrecarregado que ele não conseguia usá-lo, o Mangekyou Sharingan doía ao ser ativado. Ele precisava descansar e, contudo, não podia. Sasuke perdeu a contagem das horas nesse ritmo de vigília e cochilo, até que a porta da torre se abriu lentamente. Ele estava encostado na parede, suprimindo seu chakra no escuro, até que um filete de luz cortou as sombras até a coluna principal, e a pessoa que entrou não era o Naruto.

Uma garota, um pouco mais alta que o garoto que tinha o atacado anteriormente, adentrou a passos lentos pela claridade, sendo visto o emblema Uchiha em suas costas. Sasuke suspirou, decepcionado. Ele tinha tantas coisas para resolver para ter que perder tempo com essa obsessão pelo Sharingan que devia ter acabado há muito tempo. Quem quer que tivesse recomeçado essa bobagem estava muito ultrapassado. O Byakugan e o Rinnegan estavam mais perigosos do que o Sharingan – Sasuke não seria capaz de enfrentar os Ootsutsuki se tivesse apenas o Mangekyou Sharingan. Ele levantou, caminhando a contragosto para deter a visitante inesperada.

— Estou surpreso que conseguiu me encontrar aqui. — Sasuke disse contrariado com a falha de suas próprias habilidades de camuflagem. Ele estava cansado demais e regredindo com suas capacidades ou ele estava subestimando seus inimigos. Sasuke pretendia usar seu doujutsu para acessar as memórias da garota e ver quem estava por trás disso tudo, e por ela ter o Sharingan, essa conexão seria ainda mais fácil. A menina encostou na coluna com a aproximação de Sasuke, sua postura assustada era refletida em seus olhos avermelhados, com apenas um tomoe, que se apertavam chorosos. Bom, talvez seus inimigos não eram tão fortes assim, pensou ele.

Sasuke fincou a espada no lado direito para impedir que ela escapasse e também por dispor de apenas um braço, que esticou para prendê-la. Ela não se abaixou nem tentou se esquivar, apenas fechou os olhos, deixando as lágrimas escorrerem atrás das lentes envoltas pela armação carmesim. A voz feminina e delicada parou o movimento dele.

— Papa! — Sasuke não quis acreditar. Seu primeiro pensamento foi que esse grupo de nukenins estava pensando que ele era como uma figura paterna para eles por ser o atual líder do clã Uchiha. Mas, se fosse isso, eles não o atacariam, certo? A não ser que essa garota fosse outra pessoa. Não, não poderia ser. Seria mesmo?

— Você é a Sarada? — Essa idéia absurda fazia cada vez mais sentido. Sakura disse há muitos anos atrás, quando Sarada era bem nova, que ela precisaria usar óculos. Sasuke só tinha lembranças da filha quando bebê, então ele não teve como imaginar um bebê usando óculos. Ela tinha cabelos negros e lisos com quase o mesmo corte que o dele e os olhos da mesma cor, mas se ele fizesse um pouco mais de esforço ele poderia ver o contorno do rosto e dos olhos de Sakura nela. E as mesmas roupas.

Apenas Sakura usaria vermelho berrante, mas o que era essa cor tão chamativa diante dos cabelos rosas que eram muito mais extravagantes que qualquer outra coisa? E ela não era a pior, Naruto ganhava dela em disparada com aquela roupa laranja fluorescente que ele usava desde genin, mudando apenas o modelo e o tamanho. Sasuke era o único que usava cores neutras – ele já chamava atenção por coisas demais, não precisava fazer isso com essas tonalidades em suas roupas. Sarada era uma mistura muito equilibrada da família Uchiha, além de ser muito bonita. Apesar de estar com a expressão congelada e os olhos estatalados como dificilmente se encontravam, Sasuke sabia a resposta para a pergunta antes mesmo de fazê-la.

Ele apenas não esperava que a filha, que ele planejava rever assim que discutisse essas questões com Naruto, aparecesse um pouco antes do esperado. Sasuke também não imaginou que fosse confundi-la com o inimigo, assustando-a ao fazê-la pensar que estaria tentando matá-la. Céus, tudo o que ele queria era resolver esse clima estranho que tinha ficado em sua família depois que seu relacionamento com Sakura tinha esfriado. Sasuke tinha a kenkkei gekai de tornar a situação pior do que ela realmente era, mesmo tentando evitar.

Antes que Sasuke pudesse pensar no que dizer, Naruto apareceu com outra garota que ele não conhecia. O que Naruto pensou que ele estava fazendo quando trouxe Sarada com ele para o encontro? Sasuke exigiu explicações e Sarada se prontificou em responder.

— Eu vim para ver você, papa. Eu tenho perguntas que não posso simplesmente fazer para mama. Como, por exemplo, por que você não volta para casa? Você é realmente casado com a mama? Ela é realmente minha mãe? Quem é essa garota de óculos do seu lado? — Sarada falava rápido e, no fim, mostrou a foto do time Taka que ela tinha tirado do porta-retrato quebrado. A mentira estava o tempo todo, diante dela, escondida por uma moldura, e ninguém se preocupava em fazê-la entender.

— O que eu faço não tem nada a ver com você.

Sasuke não tinha conversado com Sarada antes, e agora ela queria que ele explicasse para ela suas motivações de uma vida inteira. Ele também não podia discutir detalhes dessa missão importante com Sarada – ele ainda estava tendo problemas para cumpri-la e teria mais um empecilho com o aparecimento desses pseudo-Uchihas. Sarada não precisava saber.

Por mais que o fracasso de Sasuke na missão também afetasse a vida dela como cidadã do mundo shinobi, tudo isso não tinha efeito diretamente na vida dela. Em outras palavras, tudo que Sasuke fazia era de interesse coletivo, e não apenas por causa da filha. Sasuke não sabia explicar isso de uma forma mais clara e objetiva, e Sarada entendeu errado suas pretensões. Ela saiu correndo da torre e Naruto foi atrás dela. Sasuke se aproximou da coluna onde tinha fincado sua espada, e passou os dedos pela marca que ficou, lembrando-se da expressão de Sarada. Essa memória ficaria gravada para sempre nos dois Sharingans e a ferida seria muito mais profunda do que o buraco na parede.

Mas não era o momento de reclamar, porque a situação ruim estava preparada para se tornar pior. Sasuke sentiu a abertura de um portal de dimensão espaço-tempo acima da torre. Ele correu em disparada para fora e viu o chakra da Kurama envolver Naruto e Sarada, segurando no ar as lâminas que tinham sido lançadas pelo perseguidor. Era um homem com vários Sharingans espalhados pela cabeça que vestia a capa da Akatsuki. Sasuke conseguiu repelir todas as lâminas que o inimigo lançou contra ele, brandindo sua espada, até que achou uma brecha e empunhou a espada, mas o homem segurou a espada com a mão nua. Seu sangue impregnou o metal, e diante do bloqueio inesperado, Sasuke trocou de lugar com o pequeno Shin que estava logo atrás dele, chutando todos para o chão.

Depois, pegou a espada que tinha caído, e se abrigou no chakra alaranjado que protegia Naruto e as garotas. Sasuke deu ordem para Naruto proteger a filha e se posicionou para o ataque. Shin usou o poder de seu Mangekyou Sharingan e fez a espada perfurar o tenketsu principal de Naruto. A interrupção do fluxo de chakra fez com que o chakra da Kurama se dissipasse, e as lâminas que estavam presas a ele giraram no ar, caindo para perfurar Naruto e Sarada. Sasuke agiu sem pensar e posicionou-se atrás da filha, sendo atingido nas costas. Naruto estava com a rede de tenketsus interrompida temporariamente e Sasuke estava sem o Mangekyou Sharingan e do Rinnegan desde cedo, agravado pelas noites sem dormir e pelo poder especial das lâminas.

Eram um tipo de metal que Shin controlava com o Mangekyou Sharingan dele, e ele poderia controlar quaisquer ferramentas que tivessem a marca de seu sangue nelas. Eles precisavam pensar em uma estratégia rápida para sair da situação. Uchiha Shin percebeu sua vantagem e levantou-se para atacá-los, mas um golpe inesperado o atingiu nas costelas, afundando seu corpo no chão com apenas um soco. O corpo de Sakura ficou suspenso no ar tamanha força que ela concentrou em seu punho para abatê-lo. As expressões de assombro não foram contidas ao assistirem a força monstruosa da companheira de time. Sasuke e Naruto poderiam ver essa cena todas as vezes e nunca deixariam de se deslumbrar com ela.

Havia muito tempo que Sasuke não via Sakura, e ele se sentia como um homem que tinha caminhado pela escuridão por muito tempo e estava vendo a luz pela primeira vez. Os batimentos do coração de Sasuke se aceleraram, e ele esperou pela reação da esposa. Ele estava preparado para ouvi-la vociferar tão indignada quanto Sarada por sua ausência, para acusá-lo e ofendê-lo de todas as formas possíveis. Sasuke reconhecia que ele merecia isso, mas Sakura não fez nenhuma dessas coisas. Ela simplesmente passou por ele, como se ele não estivesse ali, e abraçou Sarada. A voz de preocupação que ele tanto tinha ouvido dela para com ele agora era digida à filha. Sakura verificou se Sarada não estava ferida e depois foi até Naruto, perguntando se estava tudo bem. Por último, como se não pudesse evitar, Sakura parou diante do esposo que ela não via há anos. Não havia uma lágrima ou expressão de alegria ou tristeza – ela estava indiferente, com um sorriso cordial que ela daria a qualquer paciente que adentrasse seu consultório para um exame de rotina.

— Desculpe-me, Sasuke-kun. Eu tentei deixar as coisas claras para Sarada, mas parece que eu não consegui. — Seu pedido de desculpas era apenas palavras que ela julgava serem necessárias naquele momento. Ela não parecia realmente arrependida, nem deveria. Ela tinha feito muito mais do que qualquer pessoa teria feito, e pela situação, ela era a última pessoa que deveria se desculpar. Sakura tinha criado a filha sozinha, trabalhado e se dedicado como kunoichi e médica, salvado a vida de Sasuke de todas as formas que uma pessoa poderia ser salva.

— Não, a culpa é minha. — E era mesmo. Sakura sempre fazia Sasuke se desculpar por suas ações simplesmente pelo fato de que ela não precisava delas. Se Sakura precisasse do reconhecimento de Sasuke ela nunca teria chegado a lugar nenhum, nem teria tentado se aproximar dele novamente depois da guerra. Era porque ela merecia e não exigia que Sasuke se desculpava.

Ele sempre se acostumou com as lágrimas dela. Alegrias e tristezas intensas faziam-na chorar. Era difícil lidar com as emoções de uma mulher, principalmente suas lágrimas. Sasuke não sabia que era ainda mais difícil lidar com a indiferença. Suas suspeitas se confirmaram. Ela tinha desistido dele. Entretanto, eles não poderiam ter essa conversa agora. Naruto tinha segurado os inimigos nocauteados com as mãos de chakra da Kurama. Eles iriam para Konoha interrogar os oponentes e depois Sasuke iria para casa, conversar com sua esposa. Até que o portal dimensional se abriu atrás deles, tentando sugar Sarada. Sakura percebeu o perigo e empurrou a filha para longe, sendo levada no lugar dela.

Eles tiveram que esperar o dia amanhecer para fazerem uma visita a Orochimaru, pedindo informações sobre uma de suas cobaias. Nada era mais humilhante para Sasuke do que ter que mendigar ajuda da pessoa que matou e reviveu – ele deveria odiá-lo por isso ou rir da cara dele por sua indecisão. Afinal, você quer que eu morra sem ter seu corpo ou você me quer vivo para fazer o Edo Tensei dos Quatro Hokages? Eu não entendo você, Sasuke-kun. O Uchiha poderia ouvir algo do tipo com a voz sibilante em sua mente.

Aquilo era como cuspir no prato que comeu e ter que lamber o próprio cuspe. Eles ficaram tempo suficiente para serem orientados e saíram em poucas horas com Sarada pisando forte e Naruto gritando com ele dizendo que eles conversariam depois. Sasuke tinha desacostumado com o escândalo e a marra do amigo Hokage.

Sasuke salvou a filha pela segunda vez usando o Amaterasu em uma armadilha de shuriken que estava instalada no esconderijo, encontrando-se com Sakura perfurada pelas lâminas imobilizantes, mas ainda assim se movendo. Sua mulher era muito forte. Eles lutaram lado a lado como costumavam fazer quando viajavam juntos – Sasuke usava o Amenotejikara para trocar de lugar com a kunoichi que nocauteava os inimigos, confusos pela surpresa. Os clones mataram Uchiha Shin, mas Naruto conseguiu convencê-los a se entregarem e ofereceu-lhes um lugar para ficar em Konoha, no orfanato dirigido por Kabuto. Tudo estava resolvido, mas Sarada não estava satisfeita.

— Papa, mama me disse que seus sentimentos estão conectados. Isso é verdade?

— Sim. — Sasuke concordou sem pensar duas vezes.

— Como você pode ter certeza? — Sarada era muito cautelosa. Depois de tantas coisas confusas que ela tinha descoberto era difícil de acreditar em uma resposta tão simples. O que a garota queria saber era se o sentimento de amor entre eles era recíproco, mas se ela era tão inteligente, por que não se olhava no espelho?

— Porque você existe, Sarada. — A prova de amor que ela tanto procurava era ela mesma. Os dois compartilhavam a mesma filha, então se um dia eles se esquecerem de pensar um no outro, quando pensassem nela, estariam pensando na mesma coisa, e por causa dela esses sentimentos estariam conectados. Porque eles poderiam deixar de ser marido e mulher – Sasuke esperava que não – mas eles nunca poderiam deixar de ser pais de Sarada, e a existência dela era a certeza de que se um dia esse relacionamento não desse certo haveria uma prova de que ele existiu e que o amor frutificou.

— Que bom, não é, Sarada? — Cho-Cho murmurou para si mesma.

Yoshi! Então vamos para casa, ‘’ttebayo!

Eles teriam todo o caminho até Konoha para explicar para Sasuke o motivo de não estarem indo realmente para casa. Agora era um apartamento. Era uma mudança por causa de logística, apenas para estarem mais próximas do hospital onde sua mãe trabalhava, não era como se ela tivesse discutido com Sarada e socado o chão da casa que eles tinham construído com muito esforço e ainda pagavam o empréstimo, não é mesmo?

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