História A Minha Melhor Amiga. - Capítulo 6


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Notas do Autor


Oi, gente!
Tô muito feliz pelos comentários e favoritos! Obrigada, novamente.

Espero que gostem do capítulo de hoje.

Boa leitura e beijos!

Capítulo 6 - Kara POV.


Fanfic / Fanfiction A Minha Melhor Amiga. - Capítulo 6 - Kara POV.

LENA POV

 

“As mudanças mais bonitas não vêm com calma e sossego. Elas são como uma ventania incontrolável jogando tudo pra cima”.

 

É uma frase bonita, não é?

Mas acredito que poderia alterá-la para "mais bonitas e mais desesperadoras". 

 

A sensação era de que minha vida tinha virado de cabeça pra baixo nos últimos dias. E, depois da última semana... Eu não conseguia me concentrar, não conseguia trabalhar...

O James chegou na madrugada. Ele queria jantar hoje à noite, já que não me via há quase 7 dias. Mas a última coisa que eu tinha na cabeça, no momento, era romance.

- Luthor!

A Sam praticamente grita ao meu lado, me fazendo sair do transe.

- Que droga, Arias! Tá doida?!

- Eu te chamei mil vezes, Lena! Tá tudo bem? - Ela parece preocupada. Eu noto a enfermeira ao seu lado, que nos observa com interesse. Samantha percebe minha hesitação e se apressa em liberar um prontuário, entregando-o de volta à enfermeira e me puxando até a sala dos médicos.

- Okay, agora que estamos sozinhas, pode me falar o que tá te perturbando.

- Não tem nada me perturbando, Sam.

- É claro que tá, Lena, você não é dispersa no trabalho. Aliás, você é oposto: você, Lena Luthor, é 110% trabalho.

- Eu tô perfeitamente bem.

- É algum paciente?

- Não.

- Lílian?

- Eu não tô perturbada, Samantha!

- James? – Ela questiona e silencio, incapaz de responder – Vocês não estão bem? É isso? Ele já voltou de viagem?

- Nós estamos super bem, vamos jantar hoje. Eu só tô distraída, okay? Só isso.

- Tem certeza? – Ela insiste.

- Tenho. Tá tudo certo, prometo. – Asseguro e ela me observa, hesitante. Então, suspira.

- Tudo bem. Mas se precisar de mim...

- Eu sei. – Eu retruco, com um sorriso. Ela era uma boa amiga.

- Ótimo.

- Agora eu realmente preciso... – Aponto a porta e ela logo compreende, acenando em resposta.

- Paciente?

- E quando não é? – Retruco, escutando sua risada enquanto deixo o local.   

 

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KARA POV

 

- Eu não acredito que você shippa MERLEX...

 

Sim, estamos há vinte minutos discutindo casais de Grey’s Anatomy. E por “estamos”, refiro-me a mim e à Alex. Imra apenas assistia à cena com uma expressão divertida no rosto.

 

- Por que não?! Eles são fofos juntos!

- Eles praticamente são irmãos, Kara!

- Elas são bons amigos.

- Olha, seria como se você e a Imra ficassem juntas... – Ela exemplifica e eu a encaro incrédula.

- Isso nunca aconteceria!

- Hey! Por que não?! – Imra questiona de forma fingida e eu apenas lhe recrimino com um olhar. 

- Porque o tom de verde que ela gosta... Não são os dos seus olhos, querida.

- Alex!

- Tô mentindo? – Ela retruca e me vejo bufando, sem resposta.

- 10 anos de amor? Deus, você é mesmo lésbica... – A Imra e a Alex poderiam ser mudas, certo? Eu não me importaria nem um pouco.

- Eu não amo... – As suas me encaram desafiadoramente. Eu simplesmente desisto. – Eu odeio vocês.

- Eu também te amo. – Foda-se, Alex.

- E eu te amo tanto que quero ver você reagir ao tom de verde que gosta. – Hm?

 

Antes que ela pudesse explicar, sigo o olhar da Imra e me deparo com a silhueta que conheço tão bem. Lena Luthor tinha acabado de seguir até o balcão do Noonan’s fazer seu pedido. Eu acho que ela não nos viu, considerando que estamos numa mesa mais afastada da entrada.

 

- Aquela é...? – Alex parece surpreendentemente animada. Ela tinha me perguntado sobre a Lena a semana inteira. “Ela continua bonita? E inteligente? E o corpo dela?”. Eu odeio minha irmã.

- Ah, é sim. – E também odeio minha melhor amiga e suas conversas particulares, que ignoravam completamente a minha presença.

- Uau.

- Pois é.

- Ela tá... Não é à toa que o reencontro acabou com você, Kara.

- Ela é gostosa. 

- Eu pegaria...

- Eu acompanharia as duas.

- Dá pra parar?! – Eu finalmente intervenho, voltando minha atenção à nossa mesa. Elas não tinham limite algum.

- Ciúmes?

- Eu não tenho nada com a Lena.

- Certo...

- É sério! – Eu praticamente grito, me colocando de pé – Eu honestamente não acredito que você, acima de qualquer pessoa, acharia graça em sugerir que eu ainda sinto alguma coisa por ela. – Foi o suficiente para a Alex murmurasse um pedido de desculpas, claramente envergonhada. – Preciso voltar pra CatCo. – Afirmo e deixo algum dinheiro sob a mesa, seguindo até a saída.

 

Ao notar a proximidade da minha ex-melhor amiga, atraso meus passos, curiosamente despreparada para o encontro.

 

- Oi. – A minha voz lhe chama a atenção. Ela me encara com surpresa, mas ainda oferece um pequeno sorriso.

- Kara?

- Eu não sabia que era viciada no meu restaurante favorito. – Ela parece demorar a entender meu comentário, mas acena quando a ficha cai.

- O café perto do hospital é péssimo. O Noonan’s é minha melhor opção. – Explica e apenas assinto em resposta, achando meus sapatos particularmente interessantes por algum motivo – O mocha aqui é maravilhoso... – Ela comenta e noto seu esforço em manter a conversa.

O almoço também é bem gostoso. A gente poderia... – Os olhos dela estão mais verdes? – Eu almoço. Eu poderia... – Isso é... Expectativa? Do que?! Eu apenas respiro fundo, buscando só um pouquinho de desenvoltura. 

- Amor?

 

Amor?

Foi necessário que o homem não apenas adentrasse o restaurante, como também beijasse a Lena para que eu finalmente entendesse o que aquilo significava.

 

- Eu consegui estacionar. Já pediu?

 

Eu tava tão focada na sua fisionomia que não reparei no desconforto da minha antiga amiga.

 

- Já.

- E o meu sem açúcar? – Lena apenas revira os olhos, claramente impaciente.

- Kara? – Eu desperto ao ser chamada a atenção.

- Hm?

- Esse é o James... – Ela tá incomodada de alguma forma...? – Ele é o diretor do hospital onde trabalho.

- E também seu namorado. - Ele completa com um sorriso, me cumprimentando em seguida - Muito prazer. James Olsen.

- Kara Danvers. – Respondo sem alarde, apertando-lhe a mão.

- Vocês são amigas? – Ele pergunta e eu sou incapaz de responder, então Lena toma a frente.

- Nós estudamos juntas no colegial.

- É. Eu preciso ir agora... – A necessidade de sumir dali veio subitamente. E, apesar do tempo, eu tinha plena consciência de que ela tinha notado – Foi um prazer conhecê-lo, James. Até, Lena.   

 

Eu não aguardo sua resposta, mas ainda escuto seu pequeno “até”.

 

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KARA POV 

 

Eu ainda não acreditava que a Cat tinha me dado uma sala. Já fazia quase um ano, mas ainda me surpreendia. A Nia ainda não tinha voltado do almoço com seu “pretendente de site de namoro”, então foquei no trabalho. Ainda tinha um tempo pra relaxar, mas achei que era mais fácil esquecer das coisas (e quando digo “coisas” me refiro à morena de minutos atrás) quando se cumpre obrigações laborais. Eu até tinha iniciado, mas fui distraída com uma batida na porta.

 

- Entra. – Não demorou muito e vi a Imra se apropriar da cadeira à minha frente, oferecendo-me um café. – Por que não tô surpresa? – Ela apenas dá de ombros. – O café é suborno?

- O café é um incentivo.

- Pra...?

- Pra cumprir sua promessa e finalmente me contar o que aconteceu entre você e a garota que faz você surtar.

- Eu não surtei!

- Eu adoraria concordar, mas vi ciúme, mágoa e timidez em você nos últimos dois encontros.  

- Eu não... – Eu queria negar, mas por que o faria? Já era bem óbvio.

- Ela é importante, Kah. – Imra aponta, apoiando os braços na minha mesa e se aproximando antes de sussurrar gentilmente - Eu só quero saber o quanto.

 

Eu hesito e pondero por longos segundos. A minha história com a Lena...

A única pessoa que sabia era a Alex e apenas porque foi ela quem juntou todos os pedaços do meu primeiro coração partido. Depois da Lena, eu conheci a Imra. Ela foi minha melhor amiga nos últimos dez anos.

 

Já era hora.

Então, respirei fundo antes de me pronunciar novamente.

 

- Imra, você quer escutar uma história?

- Sobre você e a Luthor?

- Sim.

- Finalmente! Graças a Deus, eu tava quase morrendo aqui! - Exclama enquanto se põe de pé e puxa a cadeira pro meu lado.

- Isso é realmente necessário?

- Cala a boca e começa a falar. - Ela escutou o que disse?

 

Enfim, achei melhor ignorar a ambivalência de sua frase e puxei o ar mais uma vez antes de começar.

 

- A minha versão? – Imra acena. – Okay.

- Eu conheci a Lena no segundo ano do ensino médio. Na época, eu tinha 17 anos. A gente dividia a mesma sala há alguns meses, mas nunca tinha notado. Até aquele dia... – Eu sorrio pequeno com a lembrança – Tinha alguma coisa em vê-la ali, prestando atenção no assunto mais chato do planeta que me fez finalmente enxergá-la. Não tinha ninguém escutando o que era dito, exceto a Lena. Era tão... Curioso, sabe?

Imra apenas assente.

- Aquele dia me fez observá-la com mais frequência. A Lena era adorável. Eu não entendia, mas queria ser amiga dela. E queria tanto... Eu deveria ter notado. Não é rotineiro pesquisar cada gosto e cada detalhe da vida de uma pessoa só por uma amizade, é? – Afirmo e sorrio debochado.

- Pesquisar? – Ela parece confusa.

- No início, apesar de ser uma boa aluna, eu simulava dúvidas em física ou matemática só para que ela me ajudasse. Daí me vi pesquisando todos os seus gostos numa rede social. E, uma semana depois, eu era a pessoa que comprava seu doce favorito, que assistia a filmes musicais e que ouvia rock alternativo... E só porque teria assuntos para uma conversa.

- Eu não acredito que fez isso...

- Eu realmente acredito que assisti treze musicais num mesmo dia.

- Kara... – Ela parecia surpresa e impressionada ao mesmo tempo. O seu rosto tinha um sorriso divertido.

- Nos tornamos amigas rapidamente. As melhores, ainda naquele ano. A Lena e eu passávamos o dia todo juntas. Ela tinha os olhos mais lindos e eu era louca por eles... Nós éramos muito próximas, trocávamos carinho o tempo todo... Abraços. Cafunés. Os beijos na bochecha. As conchinhas... E, provavelmente por isso, as pessoas começaram rumores sobre nós... Sobre estarmos juntos, como um casal.

Imra permanece em silêncio, me incentivando a continuar.

- No início, eu me afastei, o que durou um ou dois dias porque me fez perceber que abraçá-la, tocá-la... Eu sentia falta. Não era suficiente. Não mais.

As primeiras lágrimas passam despercebidas.

- Eu queria ela. Eu a queria tanto que doía.

Ao me dar conta, afastei-as cuidadosamente.

- E ela?

- Ela era uma garota heterossexual que jamais ficaria com uma menina gay.

- Eu sinto muito, Kah. – Ela começa e eu balanço a cabeça rapidamente, prosseguindo antes que perdesse a coragem.

- Quando eu contei pra ela, a Lina surtou um pouco, mas fingiu aceitar tudo sem romper a nossa amizade. O problema era que... O tempo fez aquela sensação de estranheza desaparecer. E aí, tudo mudou. Eu comecei a acreditar que tinha uma chance.

- Kara...

- Ela até brincava com isso... Me provocava. – Imra parece surpresa com o relato – Acredita que ela disse que me amava no meio de uma festa? E logo depois de eu ter dito que iria atrás de um rapaz? – A cara de espanto da Imra era impagável – E quando ela mordeu meu pescoço enquanto eu cuidava de um machucado seu? Ou quando ela falou que eu não era de ação, só de fala? Ou, talvez, na vez em que pulamos como pipoca quando quase nos pegaram aos beijos?

Diante de tanta mágoa, Imra apenas escuta, respeitando minhas pausas.

- Mas eu tava errada... Quando achei que era correspondida. Ou, que ela ao menos admitiria.

- O que aconteceu?

- Ela ficou com um menino na noite da nossa formatura. Era um completo desconhecido... E aconteceu três dias depois do nosso quase-beijo.

- Eu não acredito...

- E aí foi o ponto final. Eu decidi esquecê-la. E o fim do ensino médio foi a desculpa perfeita. Eu simplesmente sumi da sua vida e vivi a minha... A quilômetros de distância.

Eu finalmente finalizo, sentindo o peso abandonar minhas costas. O relato me fez reviver sentimentos que não me permitia sentir há tantos anos...

E confesso que o silêncio absoluto da Imra não era de boa ajuda.

- Viu? Não é nem uma boa história...

- Ela sabe disso?

- Nós nunca falamos sobre... Não até o reencontro.

- E a versão dela? – Questiona e eu hesito, respirando fundo antes de respondê-la.

- Ela acredita que nós poderíamos ter superado os meus sentimentos por ela juntas. Que ela era minha melhor amiga e que teria me ajudado. Que fui covarde por ir embora... E que fiz como todos os seus relacionamentos anteriores.

 

Essa era a parte que mais me destruía...

Lílian não era uma mãe presente. A Lena era louca pelo Lionel, mas ela tinha na cabeça que ele a abandonou quando ainda era criança. O seu padrinho, a sua avó, o primeiro namorado... Ela se dizia abandonada por todos eles. Por todos que ela amou. E eu fui mais uma naquela lista.

 

- Eu acho que, de alguma forma, a minha ida acabou com qualquer resquício de chance que tínhamos de uma relação. Eu sou só mais uma que lhe deixou pra trás.

- Eu realmente sinto muito, Kara.

- Não sinta. Foi há muito tempo.

- Não. – Ela me corta e me encara – Eu realmente sinto. Eu não sabia, não tinha ideia... - Afirma e me oferece um olhar gentil.

- Tá tudo bem. Não é culpa sua. Vamos esquecer isso e seguir em frente, tudo bem? Eu to bem, juro. Tô muito, muito feliz com minha vida. – Asseguro e recebo um sorriso tão falso quanto a frase recém-pronunciada.

- Okay.

- Agora me dá o café, quero meu suborno. 

 

Exijo e ela ri um pouco, entregando-me o copo. Eu experimento um gole e, com uma rapidez invejável, iniciamos uma longa e divertida conversa sobre os mais distintos assuntos.

 


Notas Finais


E aí? O que acharam?


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