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História A Minha Última Palavra - Capítulo 1


Escrita por: e Sheeny


Notas do Autor


É a primeira vez que escrevo uma fanfic no TKlands e a primeira que vai permanecer no site. Como era o tema especial de fim de ano, songfic, a música sorteada para mim foi Dimple e pensei muito em como eu poderia encaixá-la. Acho que o resultado ficou bom (e triste, eu mesma chorei após reler) e eu espero de verdade que vocês gostem...

Boa leitura!

Capítulo 1 - Proibido


Fanfic / Fanfiction A Minha Última Palavra - Capítulo 1 - Proibido

O que pode ser pior do que amar alguém que nunca poderá ter? A resposta é ainda mais melancólica e infeliz que a própria questão: a paixão em questão ser seu melhor amigo.

Não é o bastante? Então, que tal seu companheiro de banda? Alguém com quem você convive há quase uma década, que está sempre lhe tocando e acariciando de forma inocente e usual; alguém que sempre compartilha as experiências vividas e relações anteriores com você porque confia em ti e, justamente por esta razão, que você não pode lhe contar o quanto isso te machuca — além de não poder explicar o motivo?

Tem razão, existe, sim, algo pior que tudo isso: seu amor não correspondido ser Kim Taehyung. Isso mesmo, com todas as letras e sílabas, Kim Taehyung. O homem mais afetuoso que tive o prazer de conhecer, aquele que sempre constrói amizades em todos os locais por onde passa. O hyung mais incrível, amável e sociável. E, claro, dono do sorriso mais lindo do mundo e das pintinhas mais atraentes.

É impossível não admirá-lo, não admirar suas características únicas e tão… Belas.

E a consequência por ser tão irresistível é me ter perdidamente apaixonado por tudo que o consiste.  Não sei se foi um engano cometido por um anjo ou um beijo profundo nunca ocorrido que me permitiu olhar para ele romanticamente, assim como sofrer por saber que nunca serei visto da mesma maneira por ser um homem.

Não sei o que fazer com essa droga de sentimento, nem onde colocá-lo. Poderia guardá-lo para mim, escondido nas profundezas de uma caixinha com tudo o que sempre quis lhe dizer, no lugar mais escuro de meu coração onde ninguém jamais poderia ver; esperando pelo dia em que essa chama ardente e enfeitiçada perca seu brilho até apagar-se por completo.

Mas, infelizmente, fica mais instável cada vez que o vejo. Ele é muito perigoso para viver nesse mundo, sua própria existência é um crime. Como posso reprimir meus pensamentos e desejos? Acordá-lo com beijos singelos e repletos de carinho todos os dias e desfrutar do frio cativante de uma manhã gélida de Outono no nosso sofá, na nossa casa, seria uma bênção para mim.

Convidá-lo para sair, pagar um jantar, combinar encontros e se presentear. Um dia na praia, construindo castelos de areia e procurando por conchas; uma noite no parque de diversões onde, certamente, eu não desistiria de ganhar uma pelúcia para si nos jogos de tiro ao alvo. Ou uma simples tarde de caminhada pela vizinhança, desde o mais planejado ao mais comum. 

‘’Seria pedir demais um beijo tão apaixonado quanto qualquer um desses que vemos em filmes românticos e clichês enquanto fogos de artifício explodem no céu? Provavelmente sim…’’

Cuidar, amar e proteger… Se pudesse ter qualquer um desses três, me sentiria o homem mais realizado do universo. Expressar meu amor, mesmo que um pouco, é um sonho. Mas não posso, porque não podemos. E mesmo se Taehyung me amasse como o amo, não seríamos aceitos.

E pensar nisso dói tanto quanto constatar que não seremos mais do que somente amigos.

[...]

— Jeongguk!

Virei bruscamente a cadeira ao sentir o balançar em meu ombro, removendo os fones de ouvidos. Estava ouvindo Dimple pela, provavelmente, sétima vez naquela manhã.

— Oi, Jimin hyung — murmurei enquanto deixava o celular sobre a mesa de som, suspirando. — O que houve?

Jimin me encarou e, pela primeira vez, tive medo do assunto que queria tratar comigo. Franzi o cenho quando o baixinho trancou a porta do estúdio e, logo em seguida, colocou uma folha de papel rente ao meu rosto.

Era a minha letra.

E não era para aquela droga estar nas mãos de qualquer um que não fosse eu.

Agarrei o material que continha meus pensamentos e sentimentos sem delicadeza alguma, procurando afoitamente por um lugar onde eu pudesse colocá-lo e nunca mais achar. Porém, antes que eu pudesse fazê-lo, Jimin segurou meu pulso e virou-me devagar para si, sorrindo quando nossos olhares se encontraram e abaixando-se para ficarmos na mesma altura.

— Está tudo bem, ok? Apenas… — Suspirou. — Como, quando e por quê?

Há alguns dias, quase duas semanas, eu vinha tentando escrever uma música — que não seria publicada em hipótese alguma — para desabafar um pouquinho que fosse do que guardava em meu peito. Eu precisava, ou então, morreria afogado. 

O problema veio depois, quando consegui compor a música que queria sobre Taehyung. E não era essa a parte ruim, e sim o fato de que quando a cantei baixinho para mim mesmo, percebi o quão errado era e como eu não devia me sentir assim com alguém que nunca demonstrou sentimento romântico algum para comigo. Em um ato desesperado e impensado, amassei aquela folha e a descartei de forma descuidada. Deveria imaginar que algum dos membros entraria em meu quarto e, uma hora ou outra, encontraria todos os rascunhos.

Sorte a minha — ou não — era que Jimin hyung foi quem achou.

— Jeongguk… — chamou, preocupado. Deve ter percebido como eu hiperventilava. — Hey, tudo bem, ok? Só estou… Assustado. Quer dizer, há quanto tempo sente tudo… Isso? — Maneou com a cabeça em direção ao papel, tocando meus braços quando escondi o rosto entre as mãos. — Você e Taehyung… Nunca vi nada maior que amizade entre vocês, embora estivessem sempre juntos.

— Não era para ninguém ver, hyung… — murmurei sôfrego. — Não era para ninguém ver… — repeti em tom baixo, quase dolorido. — Não me orgulho disso, ok? Q-Quando li a l-letra após terminar, p-percebi que… Não era… — Arfei. — Certo...

— Jeongguk. — Segurou-me com mais força, mas eu não prestava atenção. Sentia-me sem ar. — Eu já volto, espere aqui!

Apoiei a nuca no encosto da cadeira, puxando o ar com força para meus pulmões e sentindo meus batimentos descompassados. Os zumbidos em meus ouvidos não impediram-me de ouvir os passos apressados no corredor. Jimin, Hoseok e… Taehyung.

— Hyungs… — choraminguei.

— Hey, Gukkie, está tudo bem.

Taehyung ajoelhou-se perto, entregando-me um copo com água. O inconveniente era sua mão em minha coxa. O toque queimava, fazia minha garganta secar e meus olhos arderem. Meu coração comprimiu, sofrido. Eu não conseguia olhá-lo… Doía como o inferno.

 E eu nunca quis tanto chorar quanto naquele momento.

— V h-hyung…

— Sim, Gukkie?

— Você p-pode sair? Por favor… — Fechei os olhos com força e engoli em seco. — Eu e-explico depois.

— Mas, Jeongguk…

— Tae, está tudo bem — Jimin interrompeu. — Você estava ocupado, de qualquer forma. Eu e Hobi hyung cuidamos dele, tá bem? — Apertou-lhe o ombro, tentando consolá-lo.

Ver seu olhar magoado me fez morrer por dentro.

— Me chame se precisar, Gukkie… — Tocou-me o rosto, mas o mínimo contato fez com que eu me esquivasse rapidamente, tentando fugir de si e evitando contato visual.

— Tae… Vamos. — Hoseok ajudou-o a se levantar, guiando-o para fora.

Jimin suspirou, mordendo o lábio inferior e bagunçando os fios loiros. Eu sabia — e ele também — que Taehyung estava chateado, e que não esperava aquela atitude partindo de mim. Mas era necessário.

Para nos proteger de cicatrizes maiores.

[...]

— Hyung… Não posso continuar fazendo isso. — Mesmo que quisesse chorar, eu não o faria nem mesmo sozinho. — Aquela música é tudo o que eu sempre quis dizer a ele e nem mesmo sabia. Foi… Involuntário.

Jimin me convidou para seu quarto para que pudéssemos conversar. Durante o trajeto, encontramos Taehyung adormecido sobre canetas, lápis e bolinhas de papel, suas tentativas frustradas de compor algo — suponho eu. Era incrível como tudo nele era angelical durante o sono.

Exceto quando ele resolvia dormir de olhos abertos. Medonho.

— Está tudo bem, Jeongguk. Gostar de alguém não é um crime. — Suspirou, visivelmente cansado. — Só não sei o que fazer, ou dizer. Isso tudo é muito mais complicado do que parece.

— Eu sei. — Esperneei como uma criança birrenta, deixando meu corpo cair sobre o colchão. — Não tenho mais como me livrar disso, mesmo que eu queira.

— Não está se sentindo pressionado? — O hyung se aproximou. — Todos os treinos, coreografias, o próximo comeback… Deve estar cansado de tanto trabalho. Por que não aceita o convite da 97 line para sair? Contou que eles te chamaram, mas não respondeu.

— É uma boa ideia…

— Vai se divertir e espairecer, Jeongguk. Precisa ocupar essa cabecinha. — Cutucou minha têmpora, fazendo-me rir de seu jeito carinhoso. — Não é saudável ficar trancado no estúdio, remoendo tudo que tá aí dentro. Se encontrar com seus amigos vai ser bom.

— Vou falar com eles… Mas preciso me desculpar com V hyung antes.

— Ele está triste, mas muito mais surpreso. Afinal, o que foi aquilo? Você nunca o rejeitou antes.

— Eu estava angustiado… Sentia como se fosse explodir — sussurrei.

— Talvez exploda algum dia, Jeongguk. — Virei-me para olhá-lo, observando sua feição séria. — Por isso, é melhor pensar bem no que tem que fazer. E no que deseja fazer.

‘’No que tem que fazer e no que deseja fazer’’.

[...]

— Jeongguk! — Yugyeom foi o primeiro a me abraçar, puxando-me em direção aos outros no bar. — Não acreditamos quando disse que viria.

— Você e os outros estão sempre tão ocupados… — Jaehyun riu, um pouco afetado pelo álcool.

— Quando fará uma tatuagem comigo? — Mingyu resmungou, apontando para meu braço coberto e, em seguida, para o de Yugyeom.

— Jeongguk tem tantas, é difícil identificar todas elas. — Eunwoo exibiu meus desenhos de maneira discreta, chamando Seokmin para olhar de perto. — E são tão legais.

— Deixem o garoto em paz, coitado. — Bambam revirou os olhos, escondendo o sorriso atrás do copo de bebida.

— Eu acabei de chegar e vocês ainda não pararam de falar. — Ri junto com eles. — Quais são as novidades?

— Comeback chegando para nós, treinos… — Bambam suspirou.

— Estamos na mesma. — Seokmin cruzou os braços, inclinando-se sobre a mesa. Mingyu assentiu. — Quase não temos tempo de nos reunir assim.

— Por isso insistimos tanto para que viesse, Jeongguk. — Jaehyun sorriu, balançando o recipiente de vidro em suas mãos. — Sabemos que vocês tem agenda lotada com entrevistas, viagens, reuniões e tudo o que nós, idols, precisamos fazer. — Baixou o olhar. — Mas, queríamos te ver. Queríamos ver uns aos outros, na verdade.

— Parece que estão sempre nos colocando como inimigos e, quando as premiações chegam, isso tudo se torna ainda maior — Yugyeom murmurou, cabisbaixo. — Pode não parecer, mas nós vemos e sabemos de tudo que acontece entre os fandoms.

— O clima ficou um pouco pesado. — Pigarreei. — Por que não conversamos sobre outra coisa?

Os meninos se entreteram em uma conversa sobre covers, músicas novas, inspirações e tudo o que nossas vidas carregavam. Yugyeom acenou para mim, de forma discreta, e o segui para fora do estabelecimento. Caminhamos até um canto mais escuro e afastado, escondido, onde não chamaríamos a atenção e onde não pudessem nos reconhecer.

— Queria conversar a sós comigo? — perguntei ao apoiar minhas costas na parede, do lado oposto de onde ele estava.

— Jeongguk… Somos amigos há bastante tempo, então…

Engoli em seco. Yugyeom estava sério e, ao mesmo tempo, tímido, sem conseguir me olhar diretamente. Pensei no que poderia querer conversar comigo que o fizesse ter aquele comportamento e, automaticamente, fiquei nervoso. Nunca fui bom em disfarçar e, sendo uma figura pública que está sempre sob os holofotes, sempre tenho muitos olhares sobre mim — apesar de querer apenas um.

— Estou gostando de alguém. Do… Meu grupo.

O quê?

— Você…

— Não diga nada. — Fechou os olhos, me interrompendo. — Só… Escute, pode ser? Estou nervoso e não sei como agir, mas confio em você.

— Certo… Você quer me contar quem é? — Assentiu. — Fique à vontade.

— Jaebum… — sussurrou. — Ainda não sei exatamente o que é, nem o que quero que seja, mas me sinto diferente com ele.

— Talvez esse ‘’diferente’’ não signifique, necessariamente, uma paixonite — respondi, rindo ao vê-lo me encarar, surpreso.

— Não diga isso!

— O quê?

— Isso!

— Paixonite?

— Jeongguk! — censurou-me, arrancando-me gargalhadas altas. — Pare! Aish!

— Desculpe, desculpe… — Respirei fundo, cruzando os braços. — E pensa em contar para ele?

— Você… — gritou, interrompendo-se ao olhar envolta. — Você… Jeongguk! Fala sério, o que está pensando?

— Que não deveria esconder o que sente — respondi baixo. — Muito menos sofrer por isso.

— Jeongguk… — Aproximou-se, cauteloso. — Tem algo que queira me dizer? Sabe, você é péssimo em esconder o que sente.

— Não é nada, hyung. — Sorri mínimo, sem emoção, e empurrei-o devagar pelo ombro. — Preciso ir embora mais cedo hoje, vamos voltar para dentro.

Meu maior desejo é, sem dúvidas, deixar que esse amor desabroche como flores na primavera e domine meu estúpido e ingênuo coração, mas preciso protegê-lo com garras e dentes, para impedir que ele seja quebrado.

Ou melhor…

Para impedir que ele se quebre mais ainda.

 


Notas Finais


Tô um pouquinho insegura e nervosa, sejam bonzinhos comigo, sim? E não se preocupem, porque vou dar o final que esses dois merecem.
Obrigada a @SahMellark, minha bebê, pela betagem linda e impecável. Obrigada também a @ChIsHiKiZi pela capa e banner INCRÍVEIS, meu amor. Eu amei demais o que você fez ali!


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