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História A Mistura Perfeita. - Capítulo 60


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Notas do Autor


✨Terá um trecho em que Nashi falará muuuito e eu fiquei com medo de vocês não entenderem. Então vou deixar a "tradução" aqui. Hehehe✨

"— Eu 'tô bem. Hum, eu não sei. Espera... Mamãe, ele quer saber se você 'tá bem? Ela disse que 'tá bem. Ah, não era pra falar com ela? Papai disse que não era pra falar com você, mamãe. Esquece isso. Agora ela tá rindo. 'Tá bom, eu vou parar de falar. Ah, papai, a mamãe me perguntou se eu ia gostar de mudar de casa e eu disse "não". 'Tá. Espera aí. Mamãe, ele quer falar com você."

✨Leiam as notas finais, por favor.✨

Boa leitura!

Capítulo 60 - Capítulo 60


Fanfic / Fanfiction A Mistura Perfeita. - Capítulo 60 - Capítulo 60

Como sempre, um novo dia nasceu. Os pássaros estão cantando, Nashi está escovando os dentes, eu encarando meu reflexo e me perguntando o porquê das coisas darem tão errado para mim.

— Mamãe, escova 'iogo os dentes. – assenti.

Meus olhos estão inchados de tanto chorar. O pior é não ter tempo de sofrer, já que preciso esperá-la dormir para fazer isso em paz. Não tem porquê ela ver a mãe em seus piores momentos.

Após isso, cada uma foi ao seu posto: eu à cozinha e ela ao sofá.

Hoje faz seis dias desde que tudo aconteceu. Durante a semana, cada vez que Natsu ligou, meu coração doeu. Ele mal falava comigo, mas era o mesmo de sempre com Nashi. Sinto-me feliz de saber que ele tem as mesmas preocupações que eu. Se bem que nunca duvidei disso.

— Mamãe, que 'cheiio é esse?

Só então percebi que tinha esquecido o pão esquentando na assadeira e ele queimou. O coloquei no prato.

— Merda… – falei baixinho.

— Eu não 'queio esse pão queimado. – assenti.

Eu não estava com a mínima vontade de cuidar da casa, então apenas deixei a louça na pia. Quando finalmente sentei no sofá, meu celular tocou e ele estava na bancada. Xinguei mentalmente a quem quer que fosse, mas me arrependi ao pegá-lo e ver o nome "Gray".

— Oi. – atendi.

— Que merda, hein.

— Aconteceu alguma coisa aí?! Vocês estão bem?! – perguntei preocupada.

— Com certeza estamos ótimos. – alívio. — Nunca estive tão tranquilo na minha vida, até Natsu ligar e me acusar de um monte de coisas.

— O-O quê?

— Ontem à noite e acho que ele 'tava bêbado.

— Hum… – cresceu um nó na garganta.

— Ele falou que eu menti também. Que eu não sou amigo dele e tal. Além de me xingar, claro. Disse que todo mundo mente e ele é o único errado nessa história. Não entendi nada na hora, mas depois tive uma ideia.

— Hum…

— Eu não liguei, mas Júvia é outra história. – abaixou o tom. — Ela também não 'tava sóbria e eles acabaram batendo boca. – riu divertido.

— Eu… Me desculpa, Gray. Pede desculpas a Júvia também. 'Tô tão envergonhada por isso.

— Não sei porquê. Apenas fiquei surpreso, pois achei que você tinha decidido deixar esse assunto no passado.

— Eu 'tava arrumando e ele viu um bilhete que Grandine me escreveu naquela época. Eu nem lembrava que havia guardado esse papel.

— Essa mulher… Até indiretamente atrapalha sua vida. – o ouvi bufar.

— Eu não falei nada. Na verdade, não consegui falar. Gray, será que eu sou um ser humano ruim? Natsu me deu a chance de contar, mas as palavras não saíram.

— Para com isso! Você não é ruim, nunca foi. – limpei as lágrimas. — "É o Natsu? Me deixa falar com ele." era Júvia. "Não é ele, é Lucy." – a respondeu. "Ah, deixa eu falar com ela." – ouvi uma movimentação. — Amiga, olha, não fica assim. Eu não sei o que 'tá acontecendo, não perguntei a Gray porque é um assunto seu, não dele, mas eu sei que você deve estar passando por uma barra. Queria estar perto 'pra te abraçar.

— N-Não precisa se preocupar. Vocês não precisam se preocupar com meus problemas. O que devem fazer agora é aproveitar muito a sua tão esperada lua de mel. Eu peço desculpas por envolvê-los nisso e queria pedir que você não fique com raiva de Natsu, pois ele não fez por mal.

— Eu não 'tô com raiva dele agora, mas fiquei naquela hora. Ele liga, do nada, e começa a acusar meu marido de coisas. Enfim, pode ficar tranquila, pois ainda o tenho como um bom amigo e amigos brigam, não é verdade? – confirmei.

Depois de mais alguns minutos de conversa, ela passou o celular para ele.

— Lucy, sabe, eu não tiro a razão dele. Acho que também me sentiria traído, ainda mais quando ninguém parece disposto a falar.

— Não tira porque ele 'tá com a razão. Natsu pode não saber a história toda, mas isso não muda o fato de que eu menti sim e o enganei. – olhei para o teto. — Eu acho que ele até se controlou. Se fosse eu a enganada, teria brigado muito mais.

— Isso é verdade. – riu. — Bom, você contará tudo?

— Por quê? Quer dizer, já terminamos mesmo. Que diferença faz?

— E vai deixá-lo ter ideias erradas sobre você e desconfiar de todo mundo?

— E qual é o problema de ter ideias erradas sobre mim? – limpei o nariz. — Não será a primeira pessoa.

— Ei, respira fundo e se acalma. – fiz. — Você sabe que 'tá falando besteira. Se isso fosse verdade, não estaria chorando.

— Eu sei. A verdade é que por envolvê-lo de alguma forma, já deveria ter contado. Eu só não quis, mas agora que as coisas chegaram a esse ponto, não posso deixá-lo no escuro. – suspirei profundamente. — Se bem que… não tenho certeza que contar agora fará alguma diferença em relação ao nosso relacionamento. – olhei para o anel em meu anelar. —  Em todo caso, não sei como fazer isso com Nashi por perto. 

— Se eu estivesse aí…

— Não se preocupe! – finalmente consegui passar segurança. — Eu quero que vocês passem um ótimo momento aí e que me desculpem pelo problema.

— Vou fingir que não ouvi a última parte e apenas agradecer pelos bons desejos. – posso imaginá-lo sorrindo.

Encerrei a ligação e suspirei.

Se a vida fosse um pouquinho mais fácil, seria ótimo.

Depois dessa péssima manhã, eu só esperava que a hora do almoço fosse melhor. 

Tentei manter minha concentração nas panelas, mesmo com a mente tentando me trair e voar para outro lugar. No final, eu consegui passar por essa etapa sem queimar ou estragar nada. 

Joguei-me no sofá e fechei os olhos. Enquanto pensava, meu celular tocou novamente. Logo hoje que não quero falar ao telefone, todos resolveram ligar. "Anna" piscava na tela.

— Oi, tia.

— Tudo bem, minha filha?

— Indo. – ri sem humor. — E você?

— Eu estou bem. – é como se eu pudesse vê-la sorrir. — E Nashi?

— Bagunceira toda a vida. – ri. — E linda como sempre. – disse enquanto a olhava brincar.

— Criança bagunceira, é bom sinal. – assenti, mesmo que ela não pudesse me ver. — Eu 'tô ligando porque tenho uma boa notícia 'pra você.

— Sério? Me dê, porque é de uma boa notícia que preciso.

— Você lembra da escolinha que tem aqui no final da rua? – confirmei. — Lembra também que a dona é minha vizinha? – novamente. — Então, hoje ela veio me perguntar se eu conheço alguém de confiança que seja formada em Pedagogia e esteja procurando uma vaga na área. – ela continuou baixinho. — Dizem que ela teve problemas com vários profissionais, que estavam fazendo coisas indevidas na sala dos professores… Coisas sexuais. Entende?

— Gente, que absurdo. – eu estava chocada.

Pois é, menina, mas não diz 'pra ninguém que eu te contei não, hein. para quem eu contaria? Ela voltou ao tom normal. — Enfim, eu lembrei que, antes de descobrir a gravidez, você tinha decidido seguir carreira. Falei a seu respeito e ela ficou interessada.

Apesar de formada em Pedagogia, eu nunca quis dar aula. Mentira, entrei na faculdade com esse sonho, mas no estágio percebi que não era o que eu pensava e descartei. Até que aos 25, mais madura e indecisa, pensei em dar uma nova chance a essa bela profissão, mas tudo aconteceu e meu plano foi interrompido, antes mesmo de ser posto em prática

— Mas, tia, as aulas já não começaram?

— Não, menina. Você não soube? Tem um problema com a água da cidade. Ela está com gosto de barro, um cheiro muito forte e parece que isso não será resolvido tão cedo, já que nem sabem o que está acontecendo. Adiaram todas as aulas e estamos comprando água mineral. A escola tentou funcionar, mas o governo mandou fechar.

— Uau.

— Pois é. Ah, sabe que eu falei de Nashi e ela me disse que não tem problema, pois a escolinha tem creche e os filhos dos funcionários podem estudar de graça ou com desconto, algo assim.

Será a vida sorrindo para mim?

— Isso é ótimo, tia, e eu sou muita grata por você ter lembrado de mim, mas ficaria inviável 'pra mim e Nashi irmos e voltarmos todos os dias.

— Vocês podem morar aqui no início. – disse como se fosse nada demais.

— Tia, mas… – olhei para Nashi. —… eu não posso afastá-la do pai agora. Ela é tão apegada a ele, seria maldade minha fazer isso.

— Lucy, olha, eu te entendo, de verdade. Você sabe que sou a favor de manter a família unida enquanto existe amor e eu sei que na sua, amor é o que não falta. O problema é que na atual situação, você terá que escolher. Te conheço e sei o quão difícil deve estar sendo viver dessa forma. Você tem duas opções: aceitar o emprego e tomar as rédeas da sua vida ou…

—… viver financeiramente dependente dele. – concluí.

Não existe nem um problema em uma mulher ser financeiramente dependente de seu companheiro. Não tem nada de errado em abrir mão da carreira para cuidar do lar, desde que seja uma escolha. Uma coisa é a mulher escolher deixar o trabalho fora, outra bem diferente é ela ser obrigada a isso e eu atualmente não quero deixar de trabalhar. Um dia posso querer? Sim, ninguém sabe do futuro, mas agora eu quero trabalhar.

— De todo o jeito, essa é sua vida e a escolha está em suas mãos. Eu apenas queria que você soubesse sobre a vaga. Ah, não se sinta obrigada a aceitar.

Minha tia é tão carinhosa.

— Eu sei. Obrigada por pensar em mim e tenha certeza que pensarei com carinho.

Conversamos por mais alguns minutos e nós despedimos.

Perdi o emprego, estou sem dinheiro, tenho filha para sustentar, não tenho futuro nesta cidade e meu relacionamento terminou.

— Esse é seu sinal, Deus? – olhei para o teto. — É isso que o Senhor quer me dizer?

— Mamãe, o que você 'tá fazendo?

— 'Tô conversando com Ele. – apontei para cima.

— Ah.

— Nashi, o que você acha da gente se mudar?

— 'Muda 'pa onde?

— 'Pra casa da tia Anna e depois 'pra uma casa só nossa. – me olhou confusa. — E aí, nesse novo lugar, você poderá ir à escola.

— 'Escoia? – parou na minha frente. — 'Igal "A Meninas 'Supepodeiosas"? – assenti. — 'Paiece 'iegal. – será? — O papai vai? 

— Se a gente for, eu acho que ele não poderá por causa do trabalho.

Os lábios tremeram e os olhinhos encheram.

— Eu não 'queio 'i 'pa 'ionge do papai. – me abraçou.

— Eu sei, eu sei. Não 'tô dizendo que vamos, só perguntei o que você acha.

— E-eu acho 'iuim. – fiz carinho em seu cabelo.

Bom, eu imaginei essa resposta, mas essa é uma possibilidade real.

Meu celular tocou mais uma vez e eu revirei os olhos. Pedi para Nashi o pegar para mim e prendi a respiração ao ler "Natsu" piscar na tela. Atendi e passei para a menina.

— Oi, papai.

— Eu 'tô bem. Hum, eu não sei. 'Espeia… – me olhou. — Mamãe, 'eie 'qué 'sabe se você 'tá bem? ah, meu coração. Apenas assenti. — 'Eia disse que 'tá bem. Ah, não 'eia 'pa 'faia com 'eia? – virou para mim. — Papai disse que não 'eia 'pa 'faia com você, mamãe. Esquece isso. – mexeu a mão e eu ri. — 'Agoia 'eia 'tá 'indo. 'Tá bom, eu vou 'paia de 'faia. – neguei com a cabeça. — Ah, papai, a mamãe me 'peguntou se eu ia 'gosta de 'muda de casa e eu disse "não". – ela afastou o aparelho da orelha. — 'Tá. 'Espeia aí. Mamãe, 'eie 'qué 'faia com você.

— Oi. – eu disse.

— O que é isso sobre "mudar de casa"? 

— Foi apenas uma pergunta. – falei.

Talvez mentir esteja no meu DNA.

— Ah tá que foi "apenas uma pergunta". – o tom estava tão sério. — Se você pensa que vai me afast… – encerrei a ligação.

Eu sei muito bem o que ele ia falar e, sinceramente, não quero ouvir esse tipo de coisa. Natsu tem todo o direito de estar com desconfiado e decepcionado, eu não o culpo ou julgo, mas se ele completasse aquela frase, quem ficaria decepcionada era eu.

— 'Desigou?

— Sim, parece que ele 'tava com algo no fogo e quase queimou. – ela acreditou.

Foi a primeira vez que falei com Natsu depois do que houve. Senti-me estranha, triste, culpada e, de certa forma, feliz de ouvir sua voz. Ele perguntou por mim e não pude evitar meu coração acelerar.

Passei uma parte da tarde brincando com Nashi. Aposto que se alguém me visse agindo normal e sorrindo, pensaria que não há nada de ruim acontecendo. Se eu não tivesse esse pequeno anjinho comigo, provavelmente teria quebrado coisas e estaria chorando na cama, mas não posso. Preciso aguentar firme e ser forte. Passar a impressão de que nada está acontecendo, de que a vida não está desabando em cima de mim. Chorar? Apenas quando ela estiver dormindo.

A campainha soou e Nashi correu até a porta, nem preciso dizer que ela achou ser o pai. Obviamente não era ele e sim uma pessoa que nunca pensei ver novamente na minha casa.

— Grandine?


Notas Finais


✨Quero deixar uma observação importante sobre um assunto falado no capítulo.✨

Só pra deixar bem claro o que escrevi: NÃO EXISTE PROBLEMA numa mulher ESCOLHER deixar a carreira pra se dedicar exclusivamente à casa/família. O PROBLEMA está nela ser OBRIGADA/FORÇADA a fazer isso. Muitas pessoas acreditam que escolher esse caminho é um retrocesso por causa da luta pela independência, mas NÃO É. Como disse, o problema está em RETIRAR da mulher o DIREITO DE ESCOLHA.

Agora começam as revelações. \o/

Obrigada pelos comentários! ^^


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