História A Modelo - Capítulo 1


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Categorias Sou Luna
Personagens Ámbar Benson, Delfina, Juliana, Luna Valente, Matteo Balsano, Nico, Personagens Originais, Simón
Tags Simbar
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Palavras 2.736
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - Reencontro


Fanfic / Fanfiction A Modelo - Capítulo 1 - Reencontro

Não era possível! Ele não. Qualquer um, menos ele. Mas quem mais poderia ser? Não havia ninguém no mundo que pudesse ser confundido com Simón Álvarez, o homem mais diabólico que Ámbar tivera o desprazer de conhecer.

Também não havia nada que ela pudesse fazer para coibir o descabido vazio no estômago que sentia, enquanto seus olhos admiravam o mais perfeito espécime do sexo masculino que já vira em seus vinte e quatro anos. E já havia visto muitos.

Ao longo de sua carreira, Ámbar trabalhara com modelos masculinos, atores, cantores, cujos lindos rostos e corpos sensuais decoravam as paredes do quarto de milhões de mulheres em todo o mundo. Mas nenhum deles provocava nela tal impacto. Não só nela, dava para notar, já que todas as mulheres ali pareciam hipnotizadas por aquele homem espetacular.

O coração de Ámbar batia, descompassado. O que ele estaria fazendo ali, no sul da França? Será que a vira? E, se tivesse, iria se lembrar da jovenzinha insolente que se oferecera a ele aos dezessete anos?

Esquecendo completamente que desamarrara a parte de cima do biquíni, Ámbar se esforçou para se levantar, sem conseguir tirar os olhos de Simón. De repente, ele começou a andar na direção dela.

Ámbar suspirou, ao observar aquelas coxas. Meu Deus! Esse homem jamais poderia usar um jeans justo. Se saísse à rua usando algo diferente daquela calça de linho bege bem cortada, seria logo preso por atentado violento ao pudor.

Ela subiu o olhar um pouco mais. Que tórax! Largo, musculoso, sob a camisa de seda creme.

A boca secou, ao chegar ao rosto dele, detendo-se brevemente nos lábios, sensuais e cruéis ao mesmo tempo. E o nariz? Era aquilino, aristocrático. Como um nariz podia ser tão excitante?, Ámbar se perguntou, incapaz de parar de observá-lo, como um amante de arte frente a uma obra-prima pela primeira vez.

Relutante, ela o fitou nos olhos, e o coração parou, ao reconhecer a frieza e o desprezo que vinham de suas profundezas, e que Simón não fazia o menor esforço para esconder.

— Vejo que o tempo não conseguiu moderar sua volúpia, cara. — Ele parou diante dela.

Ámbar sentiu a frágil postura de requinte que tentava manter ser demolida pelas palavras cruéis, articuladas pela voz mais profunda, mais sexy, que ela já ouvira.

Pensar logicamente era impossível, então Ámbar se manteve na defensiva.

— E isso significa o quê? — ela perguntou.

— Ora, Ámbar... Eu me referia à forma como me observava.

— Ámbar — ela o corrigiu.

— Ah, sim, claro... Ámbar — enfatizou o termo como se fosse uma obscenidade. — O nome que conquistou com sua brilhante carreira de modelo e seus muitos amantes...

Ámbar abriu a boca para protestar contra aquela mentira, mas ele prosseguiu, indiferente:

— Bem, o nome não faz diferença, não é? Seus instintos básicos continuam os mesmos. Você parecia querer me devorar.

Ela corou e jogou os cabelos loiros e ondulados por sobre os ombros.

— E você, Simón, continua tão convencido quanto sempre foi.

Ele sorriu.

— Convencido? Eu? Ora, Ámbar.

O modo como seu olhar vagava pelo rosto dela, parecendo indiferente aos olhos enormes e aos lábios involuntariamente provocantes, era desconcertante.

A indiferença deu lugar a um vivo interesse quando seu olhar chegou aos seios exuberantes, que Ámbar sentia intumescidos.

Simón sorriu novamente. Foi quando ela percebeu, horrorizada, que o top do biquíni caíra, deixando-a ainda mais exposta à análise ultrajante. Então, rapidamente, ela cobriu os seios com as mãos.

Com os olhos semicerrados, ele murmurou alguma coisa em italiano, antes de dizer:

— Não os esconda, cara. São lindos. Como eu gostaria de tocá-los...

Ámbar pegou uma toalha e se cobriu, embaraçada e excitada, tentando, desajeitadamente, amarrar a parte de cima do biquíni em seu lugar.

Fazia sete anos que ela não via Simón. E dois minutos em sua presença foram suficientes para mergulhá-la num mar de desejo que ameaçava engoli-la. Deveria ser um pesadelo.

— Afaste-se de mim... — conseguiu dizer. — Agora!

Ele não se moveu. Continuava diante dela, sem tocá-la. Porém, ao ouvir aquilo, pareceu se recompor, porque o desejo sumiu de seus olhos, dando lugar ao desdém.

— Tudo bem — concordou. — Não vale a pena flertar com uma mulher tão oferecida!

Os olhos de Ámbar brilharam com intensidade, prestes a derramar algumas lágrimas, que ela conseguiu conter com muito custo.

— Não me ofereceria a você nem que fosse o último homem no mundo!

— Não? Então mudou bastante.

Ouvir aquilo doía, mas ela não podia negar o passado. Ainda enrolada na toalha, Ámbar sentou-se na espreguiçadeira.

— O que está fazendo aqui? — indagou. — Veio atrás de mim?

Simón ergueu a cabeça e deu uma gargalhada tão alta que algumas pessoas se voltaram para verificar o que estava acontecendo. Porém, quando ele tornou a olhar para ela, já não ria mais, e seu rosto tinha uma expressão fria.

— Atrás de você? Por que eu faria isso?

Ámbar deu de ombros.

— Sua reputação com as mulheres é bem conhecida.

— É mesmo? Não sabia que conhecia minha reputação tão... intimamente.

— Apenas leio as fofocas dos jornais, como todo mundo.

— Ah, compreendo. No entanto, cara, não prejudico o relacionamento dos outros, como você — ele acusou. — Como vê, também leio fofocas de jornal.

Malditos tablóides! Segundo eles, Ámbar tinha mais amantes que Mata Hari.

— Se está se referindo ao escândalo em Nova York, era tudo mentira! — Ámbar exclamou, com veemência.

— Era mesmo? — Simón arqueou as sobrancelhas, incrédulo. — Então a namorada do fotógrafo inventou tudo? Você não estava dormindo com o namorado dela?

— Não, não estava!

— E o príncipe árabe recém-casado que a cortejava insistentemente na frente da própria esposa no ano passado, isso também era mentira?

Ámbar suspirou, ao se lembrar do episódio lamentável. Conhecera o príncipe Abdul em Paris, num coquetel promovido pelo Ministério das Relações Exteriores. E ele se apaixonara por ela, talvez porque Ámbar não tivesse demonstrado nenhum interesse por ele. O príncipe sempre tivera tudo o que quisera, e ele a havia desejado. Até lhe pedira para ser sua segunda esposa, sem cogitar se divorciar da primeira. Ámbar pensara em dizer ao príncipe o que, exatamente, achava dele, mas um dos diplomatas ingleses discretamente a levara até o jardim e a demovera da idéia. Um grande negócio com petróleo estava em curso entre o país do príncipe e a Inglaterra. Era melhor não o repelir de forma tão contundente...

Na verdade, mais tarde, o diplomata até dissera que ela ajudara bastante seu país. Talvez Simón devesse saber disso. Ámbar levantou a cabeça, altiva, e o fitou nos olhos.

— Há uma explicação bem simples para o que houve — ela respondeu.

— Nem tanto, cara. Os homens nem sempre pensam com a cabeça.

— Fique longe de mim — ela pediu por entre os dentes.

Levantando-se, Ámbar jogou a toalha na espreguiçadeira e olhou ao redor, procurando em vão por Matteo, o fotógrafo que a trouxera àquela casa de campo, nos arredores de Cannes.

Aquele deveria ter sido o fim relaxante de dois dias de trabalho árduo, uma sessão de fotos para um livro que Matteo estava produzindo. No entanto, com Simón Álvarez por perto, era quase tão relaxante quanto estar numa zona de guerra. Ámbar começou a se afastar.

— Não, não. Ainda não. — Simón segurou seu pulso.

E Ámbar, horrorizada, percebeu a forma como seu corpo reagia àquele primeiro contato físico. Por que ele tinha de ser tão alto? Tão forte? Tão lindo?

— Solte-me...

Ele meneou a cabeça.

— Não. Precisamos conversar.

— Não tenho nada a lhe dizer...

— Mas eu tenho.

— Não estou interessada.

Era mentira. Embora o instinto de proteção lhe dissesse para aumentar ao máximo a distância entre eles, Ámbar estava morrendo de vontade de saber o que ele queria. E tinha certeza de que ele sabia disso.

— Deveria estar... — Simón ainda segurava seu pulso, o que a impedia de se mover. Para qualquer um, aquilo pareceria um gesto carinhoso.

Inclinando a cabeça de lado, Ámbar tentou uma abordagem diferente. Afinal, já tivera de rechaçar homens antes.

— Se não parar com isso, Simón, vou ter de gritar, o que não vai ser nada bom para sua reputação.

— Não estou preocupado com minha reputação — ele respondeu. — Mas, se gritar, vou ter de silenciá-la de uma forma bem eficaz.

A confusão certamente transparecia nos olhos dela, pois ele logo explicou:

— Com um beijo, claro. E, se não me falha a memória, você gostava quando eu a beijava, não é, Ámbar? Gostava muito.

Oh! O ritmo de suas palavras era tão sedutor! Ámbar respirou fundo e o fitou nos olhos.

— O que você quer, afinal?

— Conversar com você.

— Só isso?

— Por enquanto. — O tom de voz sugeria certa ameaça.

Ela era pouco mais que uma criança ao conhecê-lo e, na época, fascinada por seu magnetismo, pouco vira além da aparência exterior. Agora, já adulta, percebia sua tenacidade. Se Simón queria falar com ela, tentar evitar poderia dar mais trabalho do que valia a pena.

— Tudo bem, tem cinco minutos. Diga logo!

— Quem diria... uma jovem que foi educada na Suíça durante tantos anos se expressando de forma tão ríspida...

Ele estava brincando com ela, e Ámbar não tinha de ficar ali, ouvindo suas provocações. Não tinha de fazer nada. Não era mais uma mocinha ingênua e simplória, era uma mulher independente, famosa, por seus próprios méritos.

Em silêncio, Ámbar saiu na direção da casa, por entre a multidão. Mas sabia que Simón a seguia.

Imaginou o que aconteceria se batesse a porta na cara dele e depois a trancasse. Mesmo que não se importasse com a própria reputação, ele certamente não iria querer ser visto por aquele seleto grupo de convidados esmurrando a porta da casa.

E todos estavam olhando para eles, principalmente as mulheres para Simón. Era compreensível, ela também já agira da mesma forma. Observando ao redor à procura de Matteo, Ámbar viu Simón parar para falar com uma das garçonetes. Matteo não estava à vista, e talvez fosse melhor assim. Ele iria querer saber quem era Simón. E ela diria o quê? Que era o irmão de sua melhor amiga? O homem a quem uma vez implorara para fazer amor com ela?

E ele não fizera. Essa era a pior parte.

Ámbar não se orgulhava nem um pouco desse episódio, que sempre a fazia estremecer, ao lembrar como procedera, é que durante todos esses anos procurara esquecer. Mas encontrar Simón nesse dia a fez se lembrar de tudo com dolorosa clareza.

Ámbar entrou na casa, caminhando descalça sobre o frio piso de mármore. Seu quarto ficava no primeiro andar, no fim do corredor, do lado oposto ao de Matteo. Abriu a porta depressa, atenta aos passos de Simón, ao som de sua respiração e àquele estranho e indefinível perfume masculino, tão assustadoramente familiar mesmo depois de sete anos.

Voltou-se para ele.

— Isto é ridículo — ela disse.

— Também acho. Está dramatizando as coisas. Eu só queria conversar com você.

Porém, ele não parecia interessado, a julgar pela expressão de desdém.

— E, admitindo minha suposta reputação, acha que eu viria atrás de você? Você, que é tudo o que mais desprezo numa mulher?

Momentaneamente, Ámbar não soube o que dizer. Tudo bem, seu procedimento não fora exemplar, mas um deslize na juventude não justificava uma crítica tão feroz,

— Está sendo injusto... — murmurou por fim. Entretanto, a hostilidade nos olhos dele era cada vez mais evidente.

— Além disso, quando eu for atrás de uma mulher, será de uma bem diferente de você — ele prosseguiu.

— Embora talvez não exista... porque nunca encontrei nenhuma.

— Simón, ouça...

— Não, ouça você. Ainda não vi uma mulher que não me desse o sinal verde logo ao me conhecer. Porém, gosto de sentir o prazer de caçar antes de chegar à presa. O que vem fácil não tem graça.

Ámbar estava chocada com tal declaração, mas disposta a não demonstrar esse sentimento. Seus olhos castanhos faiscavam.

— Não tenho de ficar aqui escutando isso...

— Claro que não — ele concordou maliciosamente.

— Podemos ir para outro lugar, onde haja mais... privacidade.

A sensualidade implícita na sugestão exigiu de Ámbar tudo o que ainda restava de seu orgulho para responder:

— Poupe-me de sua cantada barata, Simón. E decida de uma vez se me despreza ou quer me levar para a cama. Um homem supostamente inteligente deveria saber que são coisas incompatíveis.

Ámbar pensou na intimidade do quarto.

— Tudo bem — respondeu. — Mas não aqui. Simón sorriu.

— E por que não? Estar perto de uma cama é perigoso? Tem medo de ficar sozinha num quarto comigo?

Ámbar engoliu em seco, lembrando-se das noites que passara imaginando o que faria se tivesse a infelicidade de voltar a vê-lo. Pensara em ignorá-lo, em fingir não reconhecê-lo. Porém, olhando para ele agora, compreendia que isso seria exigir demais de sua capacidade de representar.

Claro que não pretendia deixá-lo perceber que sua presença ainda a perturbava, e muito. Mas não era isso o que estava fazendo?

Respirando fundo, Ámbar sorriu também, de modo luminoso, que geralmente só concedia às lentes de uma câmera.

— Desculpe-me, tenho estado sob grande tensão ultimamente, tenho trabalhado muito, você sabe como é — falou, parecendo deliberadamente falsa. Em seguida, olhou para o relógio de pulso. — Posso lhe dar... dez minutos. É suficiente?

— Mais que suficiente — ele respondeu, e entraram no quarto.

Simón foi até a sacada, de onde se via a piscina. Ficou ali algum tempo, calado, olhando as pessoas lá embaixo, que agora comiam as lagostas trazidas pelos garçons. As mulheres procuravam fazê-lo sem comprometer o batom. Ámbar sentia um tremor ao longo da espinha.

— Como vai Delfina? — ela perguntou. Simón enrijeceu. Voltou-se, com o olhar sombrio.

— Quer mesmo saber?

— Claro que quero. Ela era minha melhor amiga... antes de você tirá-la da escola e de me proibir de vê-la.

Ele arqueou as sobrancelhas.

— Nunca me arrependi de ter agido assim. Antes só do que mal acompanhada.

Ámbar ergueu o queixo.

— Suponho que esteja se referindo a mim.

— Isso mesmo, Ámbar. Estou me referindo a você.

— Má influência... — ela murmurou. Simón tornou a sorrir.

— Exatamente. Não queria que minha irmã agisse como você. Adolescentes são muito influenciáveis. Embora você achasse normal dormir por aí, eu não queria que Delfina fizesse o mesmo.

Ámbar desviou o olhar daqueles olhos sentenciosos. Ele continuava achando que ela não passava de uma vagabunda. Era inútil se defender. Na verdade, como poderia se o que ele dizia era a mais pura verdade?

— Foi por isso que veio até aqui? — ela indagou. — Para recordar o passado? Você já deixou claro o que pensa de mim... Não que ainda me importe com isso...

— E já se importou? — ele a interrompeu. — Ou eu era apenas mais um homem viril em sua vida?

Ámbar hesitou por um momento. A crueldade daquelas palavras a feriu profundamente.

— Claro que me importei. Você era o irmão mais velho de minha melhor amiga. Eu estava hospedada em sua casa e você me expulsou, enxotou-me como uma criminosa. Tive de interromper minhas férias, voltar para casa e explicar a minha mãe o que havia acontecido.

— O que disse a sua mãe?

— Oh, não se preocupe! — ela ironizou. — Seu

telefonema conseguiu acalmá-la. Não sei como, mas imagino que sua lábia a tenha levado a pensar que estava tudo bem. Nem precisei contar o que houve... dizer-lhe que você havia me enxotado de sua cama e de sua casa em poucas horas.

— Dio! Você tem de ser tão... grosseira?

— Sinto muito, mas é a verdade. É horrível, é algo que eu preferiria esquecer... e, pela última vez, não estou interessada em reviver o passado... se é que foi por isso que veio aqui.

Simón a observou durante algum tempo, antes de falar:

— Não, não foi por isso que vim.

— E por que foi, então?

— Preciso de um favorzinho — ele respondeu.

Contudo, Ámbar mal ouvia o que ele dizia, pois aquele olhar ainda a confundia, como confundira sete anos atrás, quando vira Simón Álvarez pela primeira vez...



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