História A Modelo - Capítulo 4


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Categorias Sou Luna
Personagens Ámbar Benson, Delfina, Juliana, Luna Valente, Matteo Balsano, Nico, Personagens Originais, Simón
Tags Simbar
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Palavras 3.264
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 4 - Garota Sedução


Fanfic / Fanfiction A Modelo - Capítulo 4 - Garota Sedução

Ámbar entrou em seu apartamento, em Londres, deixou a mala no chão e foi depressa ligar o aquecimento central.

Que bom estar em casa!, pensou, tirando os sapatos e entrando na sala de estar, em cujas paredes havia vários quadros seus.

O vôo que a trouxera de Nice pousara em Heathrow. O tempo estava horrível, o que não era surpresa em Londres, mesmo em pleno verão.

O dia nublado e chuvoso combinava com seu humor. Embora tivesse viajado na primeira classe, onde havia espaço suficiente para esticar as pernas, não conseguira dormir, como sempre. E agora estava exausta. Rever Simón fora mesmo muito desgastante.

Pelo menos saíra daquela vila sem encontrá-lo novamente.

A luzinha da secretária eletrônica estava piscando. Só havia dois recados. Também, ela guardava seu número de telefone como segredo de Estado.

Ámbar apertou o botão, para ouvir as mensagens. O primeiro recado era do irmão.

— Olá, Ámbar, preciso falar com você... urgente. Ligue para mim... na fábrica, não em casa. Não quero preocupar Kristie.

Ámbar suspirou. Na certa, Nico precisava de mais dinheiro para fazer frente a mais uma emergência. E ela acabara de injetar dinheiro nos negócios da família. Pelo menos, quando estava viva, a mãe conseguia conter o filho. No entanto, ultimamente, as emergências se tornavam cada vez mais freqüentes. Nico assumira alguns riscos inconseqüentes no mercado de ações que não deram em nada. Kristie, sua esposa, embora fosse um amor, nem tentava impedi-lo.

Se fosse meu marido, tudo seria diferente, Ámbar pensou.

Entretanto, ela adorava Toby, o filho deles, de quase dois anos. E, sempre pensando no bem-estar do sobrinho, era incapaz de recusar as constantes solicitações de dinheiro do irmão.

Ámbar ligou para ele, que ainda não voltara do almoço.

As quatro horas da tarde?, pensou, olhando no relógio.

— Diga-lhe, por favor, que a irmã dele telefonou — disse à secretária. — E que vou estar em casa.

Não era de admirar que os negócios fossem tão mal por lá, se o chefão passava a tarde toda almoçando, pensou, antes de desligar.

O outro recado era de Juliana, a agente de Ámbar.

— Olá, querida. Sei que está na França, mas ligue para mim logo que voltar. Aconteceu uma coisa, e, pode acreditar, é uma oportunidade de ouro. Um beijo.

Ámbar ia ligar para sua agente, quando o telefone tocou. Era Juliana de novo.

— Você voltou! Finalmente!

— Acabei de chegar — Ámbar falou.

— Divertiu-se?

Ámbar lembrou-se de Simón, embora tivesse prometido a si mesma não pensar mais nele.

— Não.

— O que houve?

— Matteo Balsano, o fotógrafo, esqueceu-se de me dizer que tinha uma noiva ciumenta, que mandou até lá um cavaleiro de armadura... — Epa! Por que citara aquela inconsciente imagem tão romântica? —...Para tomar conta do noivo dela — Ámbar concluiu, vacilante.

— Puxa, que droga! — Juliana riu. — Mas não fique triste. Vou lhe contar algo que a deixará bem contente.

— O quê? Ganhei uma passagem para a lua de ida sem volta?

Juliana riu de novo.

— Pare com isso, Ámbar. Você não é do tipo baixo-astral. Afinal, não é a primeira vez que lhe acontece esse tipo de coisa.

— Por isso mesmo. Estou pensando em entrar para um mosteiro...

— Convento.

— Tanto faz — Ámbar respondeu, achando que, no momento, um lugar onde não houvesse homens parecia mesmo mais interessante.

— Bem, antes é melhor ouvir o que tenho a dizer. Posso ir até aí?

— Quando?

— Agora. É importante.

Meia hora depois, Juliana estava na sala de estar de Ámbar, mergulhando um saquinho de chá de rosas numa caneca de água quente.

— Minha nossa... — Ámbar falou, bebericando seu chocolate quente. — Não sei como consegue beber essa porcaria.

— Ajuda a emagrecer.

Ámbar sorriu.

— Mas o que queria comigo?

— Que tal ganhar cinco milhões de dólares nos próximos cinco anos?

Ámbar fez uma careta.

— Boa piada, Juliana. Eu até riria se não estivesse tão cansada.

— Você é uma garota de sorte, Ámbar... — Respirou fundo. — Já ouviu falar da Sedução?

— Claro que sim. É uma das maiores empresas de cosméticos do mundo, não é?

— A segunda maior... mas querem a liderança. E estão lhe oferecendo um contrato pelos próximos cinco anos. Querem que seja a nova garota Sedução. Procuraram-me há alguns dias. Ainda não estou acreditando!

Ámbar apenas a fitava, com os olhos arregalados, tentando assimilar a notícia.

— Contrato exclusivo?

— Claro. Tem de haver exclusividade... Você não poderá trabalhar para mais ninguém. Sua imagem vai estar diretamente associada à da Sedução, mas o retorno financeiro é fantástico. Já pedi para meu advogado ler o contrato, e ele ficou muito bem impressionado.

Isso era mesmo surpreendente, pois o advogado de Juliana nunca se impressionava com coisa alguma.

Ámbar ainda não acreditava. Contratos exclusivos eram raríssimos.

— Mas por que eu?

Juliana bebericava seu chá.

— A empresa foi comprada por um sujeito que deve tê-la visto no comercial de bronzeador. Talvez ele goste de loiras altas.

Ámbar pensou durante alguns segundos. Pensou em Nico e na constante drenagem de seus recursos. Pensou na própria idade, em ter de competir nas passarelas com modelos de dezesseis anos. Pensou no espelho, que mais cedo ou mais tarde começaria a mostrar rugas que significariam o começo do fim...

Acabou de beber seu chocolate e deixou a xícara sobre a mesinha de centro.

— Quando devo assinar o contrato? — perguntou por fim.

Juliana sorriu, satisfeita.

— Que tal na segunda-feira?

— As duas vias, por favor, srta. Franklin... se estiver de acordo com o conteúdo, claro.

Ámbar aceitou a caneta do advogado da Sedução, que passara a última meia hora olhando para ela como um tolo. Estavam sentados à reluzente mesa redonda, na ampla sala de reuniões da majestosa sede inglesa da Sedução.

— Na linha pontilhada? — Ámbar perguntou, tentando não demonstrar que, para ela, assuntos legais eram tão familiares quanto hieróglifos.

— Isso mesmo! — ele respondeu, admirado.

Era impossível Ámbar não sentir certa inquietação ao assinar aquele papel.

— Espero que compreenda que acaba de renunciar à própria vida — o advogado disse.

— Que bobagem! — Ámbar riu. — Meu advogado concordou com tudo o que está escrito aí.

— Nunca vi uma negociação andar tão depressa — Juliana interveio, com um sorriso irrepreensível nos lábios.

Na certa, já estava imaginando o que faria com seus dez por cento, Ámbar pensou.

O advogado correu os dedos pelos cabelos.

— É o estilo do novo dono da empresa — murmurou, sem tirar os olhos de Ámbar um segundo. — Ele não costuma perder tempo.

— É alguém que eu conheça? — Juliana indagou, aproveitando a deixa.

— Não estou autorizado a discutir esse assunto. — O advogado sorriu discretamente. — Ele prefere se apresentar pessoalmente. — Olhou no relógio. — Deve chegar a qualquer momento. — Mal acabara de falar, a porta da sala se abriu.

O mais assustador era que Ámbar sabia quem era o novo dono da Sedução, mesmo antes de se voltar e olhar naqueles olhos irônicos.

Ultrajada, levantou-se, fitando o belo rosto de Simón.

— Seu trapaceiro... — acusou-o.

— Ámbar! — Juliana interveio rapidamente, apavorada.

— Srta. Franklin, por favor, acalme-se — o advogado pediu, chocado com aquele acesso de cólera.

Ámbar ignorou os dois.

— Você realmente acredita que pode conseguir tudo o que quer, não é mesmo? Porém, está muito enganado! Só porque não concordei em ser sua... amante, achou que poderia me comprar? Mas não pode, Simón!

Ámbar pegou o contrato sobre a mesa e rasgou-o em pedacinhos, que caíram ao chão como flocos de neve.

Juliana e o advogado só olhavam, mudos, parecendo hipnotizados.

Simón, porém, reagiu de uma forma completamente diferente da que ela poderia imaginar. Em vez de ele ficar furioso por ela ter contado a todos seu plano abominável, ele apenas riu de modo devastador.

— Bravo, bella! — Ele aplaudiu. — Bravo! Você está mesmo inspirada.

O advogado rapidamente arrebatara a outra cópia do contrato e agora a segurava de encontro ao peito, como um escudo.

— Srta. Franklin, devo lhe dizer que está infringindo o contrato — advertiu severamente. — E que vou ser obrigado a...

— Deixem-nos sozinhos — Simón interrompeu-o.

— Mas, sr. Álvarez... — o advogado começou, ainda chocado.

— Eu disse para nos deixarem sozinhos — Simón repetiu calmamente.

Ámbar, ainda muito irritada, tremia.

— Ótimo! — ela bradou. — Que bom que infringi o contrato! Agora ele não vale mais nada!

Juliana olhava, estarrecida, para os pedacinhos do documento que forravam o espesso carpete creme.

— Ámbar, não sei o que está acontecendo, mas, por favor, não diga mais nada que possa piorar esta situação — Juliana tentou contê-la.

Impaciente, Simón indicou a porta.

— Agora, se nos derem licença...

Juliana e o advogado marcharam, relutantes, para fora da sala, como crianças a quem mandaram brincar no jardim, enquanto Ámbar media Simón dos pés à cabeça, cada vez mais furiosa.

— Como vai o poderoso chefão? — ela perguntou sarcasticamente, assim que ficaram a sós. — Conseguiu resolver a vida amorosa da secretária?

— Sugeri a Matteo que antecipasse o casamento — ele respondeu calmamente, indicando-lhe uma cadeira. — Por favor, sente-se.

Que petulância! Primeiro, ele a ludibriava. Agora, dizia-lhe para sentar-se.

— Não é preciso. Não vou demorar.

— Como quiser. — Simón sentou-se e esticou as pernas, observando-a, como se esperasse para ver o que ela faria a seguir.

Ámbar também o observava, decidida. Olhos e mente trabalhavam em separado. Um tentava negar o que o outro admitia: ele era mesmo encantador.

Simón vestia roupa de trabalho. O terno que ele usava era impecável. Nenhum homem tinha o direito de ficar tão bem num terno. De linho cinza, bem cortado, apenas insinuava o vigor físico sob ele, embora de certa forma realçasse o corpo fabuloso mais do que o faria uma roupa justa. Uma camisa de seda azul-clara e uma gravata azul-escura também de seda completavam o traje. Era caro, tudo muito caro, embora discreto. Simón tinha, era preciso reconhecer, um estilo bem próprio.

Ámbar sabia que ele também a estava avaliando. Ainda bem que as circunstâncias que a trouxeram ali impuseram que ela também se vestisse de maneira mais formal.

O tailleur de seda vermelho contrastava com os cabelos loiros, presos num coque, e com a blusa creme. Meias claras cobriam suas longas pernas. Os sapatos, de salto alto, vermelhos, de camurça, combinavam com a roupa. Naqueles sapatos, ela ficava mais alta que a maioria dos homens.

Mas esse homem, infelizmente, não estava entre a maioria.

Simón sorriu.

— Sim — ele disse finalmente. — Gosto de sua aparência. Gosto muito... — concluiu, com um murmúrio sugestivo.

E, apesar de toda a raiva, Ámbar sentia seu corpo responder àquele elogio, sentia os mamilos intumescidos. Por quê? Por que ele a fazia derreter com um simples olhar?

— Não estou procurando sua aprovação — ela respondeu, apavorada com aquela reação física. — Não vou trabalhar para você.

— Mas não estaria trabalhando para mim, pelo menos não diretamente. — Simón mudou de expressão. Agora, dirigia-lhe um olhar frio.

Que facínora!

— Direta ou indiretamente, a resposta é a mesma. Não quero! E você não pode me obrigar!

— Não? — ele repetiu, num tom suave, com os olhos semicerrados.

— Por que eu? Não posso acreditar que me contrataria para ser modelo exclusiva da Sedução, por esse preço, apenas para...

— Para...? — ele insistiu, com um olhar divertido.

— Para me fazer sua amante!

Simón sorriu.

— Está me insultando, cara — murmurou. — Sou, antes de tudo, um homem de negócios.

— É mesmo?

— Sim. Foi escolhida para ser a garota Sedução porque tem o carisma e a aparência que estamos procurando para representar nossos produtos.

— Mentiroso! Há milhares de modelos que poderia ter escolhido.

— Infelizmente, bella mia, nenhuma como você — ele sussurrou, de modo sedutor.

E Ámbar teve de usar todas as suas forças para não sucumbir àquele tom de voz, àquele olhar...

Ela respirou fundo e já se preparava para deixar a sala quando foi detida pelo que ele disse a seguir:

— Meu advogado tem razão, podemos processá-la. O contrato prevê uma multa respeitável. Você ficaria... falida.

— Não me importo — Ámbar respondeu, num tom desafiador. — Pode me processar! Pode levar todo o meu dinheiro! Prefiro ficar sem nada a trabalhar para você!

Simón voltou a sorrir, mostrando os dentes branquíssimos.

— Vejo que, ao longo destes anos, desenvolveu seu lado guerreiro. Gosto disso.

— O que esperava? Que ainda fosse a mesma menina dócil e ingênua que... — Ámbar interrompeu-se e corou, ao perceber o que estava prestes a dizer.

— Que me implorava para fazer amor com ela?

— Simón concluiu. — Para alguém tão ingênua como se diz agora, você sabia muito bem expressar suas vontades.

Os olhos de Ámbar brilhavam intensamente, e o coração batia, descompassado.

— Será que nunca vai me deixar esquecer o passado?

— Como poderia, cara, se eu mesmo não consigo?

Alguma coisa na voz dele sugeria algo mais que simples desejo. E Ámbar sentia-se cada vez mais envolvida naquela estranha magia. Seus mamilos doíam sob a blusa justa. Seu corpo parecia não ser mais dela. E a culpa era toda de Simón.

Ele era perigoso. Sempre fora. Aos dezessete anos, ela o achava irresistível. Agora, sete anos depois, era ainda mais. Enfrentá-lo era impossível. Só restava uma alternativa: fugir.

Ámbar engoliu em seco.

— Acho que fui bem clara — disse. — Não há mais nada a dizer.

— Ámbar, parece não entender sua posição.

Ela o fitou nos olhos.

— Entendo, sim, Simón. Não sou tola. Pode me processar.

— Você sabe que... — Simón pareceu hesitar — seu irmão está à beira da falência?

Ámbar sentiu um arrepio percorrer sua espinha.

— Claro que não está — ela respondeu, tentando aparentar tranqüilidade. Entretanto, por dentro, seu coração estava aos pulos.

— Está, sim.

Simón falava com tal segurança que a fez gelar.

— Como sabe da situação financeira de Nico? Por acaso comprou a fábrica dele também? — perguntou.

— Não entro em canoas furadas.

— A recessão atingiu a todos — Ámbar falou. — Mas dizem que o fim está próximo.

— No caso de seu irmão, isso é rigorosamente verdade.

O tom revelava que Simón não estava mentindo. Mesmo assim, ela tentava negar. Meneou a cabeça, e uma mecha de cabelos se soltou.

— Não, não é. Eu lhe dei... — interrompeu-se de súbito, outra vez prestes a dizer o que não deveria.

— O quê, cara?

— Nada.

— Você lhe deu... dinheiro?

Ámbar segurava a bolsa como se fosse uma bóia salva-vidas.

— Isso é entre mim e ele...

— Não, não é! — Simón levantou-se, subitamente furioso. — Não é apenas entre vocês dois. Há outras pessoas envolvidas, Ámbar. Há os acionistas, em primeiro lugar, gente que tem o direito de saber que seu dinheiro está seguro, que não está sendo dissipado por um garoto mimado que não entende, ou não quer entender, que não pode mais levar a vida a que estava acostumado.

Ela empalideceu, e Simón prosseguiu:

— Seu irmão também tem mulher e filho. Que direito ele tem de pôr em risco o meio de vida de seus dependentes?

Ámbar sentou-se de repente, sentindo as pernas moles. Simón pegou a garrafa de água mineral que havia no centro da mesa e serviu-lhe um copo.

Ela bebeu e, em seguida, deixou o copo sobre a mesa, com as mãos trêmulas. Quando voltou a olhar para ele, mostrava-se miraculosamente calma.

— O que você deseja, afinal? — perguntou. Simón sorriu, satisfeito com sua rendição.

— Em princípio, que pare de dar dinheiro a seu irmão. Mesmo porque não poderia pagar as dívidas que ele anda contraindo. E porque ele nunca vai mudar se continuar a socorrê-lo. A menos que admita que o problema existe, ele não tem chances.

Pessoalmente, Ámbar achava difícil o irmão admitir tal coisa.

— E se ele não mudar?

— Seu irmão não tem escolha. Os bancos logo começarão a cobrar os empréstimos que ele andou fazendo.

— Então já é tarde demais — ela respondeu.

— Não, se eu me associar à empresa... e garantir o pagamento dos empréstimos.

— Mas você disse...

— Continue — Simón a incentivou.

— Disse que... não embarca em canoas furadas.

— Bravo! — Ele aplaudiu. — São raras as mulheres que sabem ouvir.

Em condições normais, Ámbar teria protestado contra aquela atitude machista, mas, aos poucos, ia começando a compreender a gravidade do problema.

— Neste caso, porém, estou disposto a abrir uma exceção — ele prosseguiu. — Além disso, sob meu comando, as coisas vão mudar por lá. A Franklin Motor vai voltar a ser uma grande empresa.

— E depois? — ela indagou. — Vai se livrar de Nico?

— Acha que eu seria capaz disso?

— Sim.

Simón riu.

— Não, cara, não pretendo me livrar dele. Como já disse, sob meu comando, as coisas vão voltar a funcionar.

— Oh, não sabia que era especialista em produção de automóveis! — Ámbar ironizou.

— Sou especialista em produção em geral — disse, divertido. — Casos particulares podem facilmente ser adaptados à teoria de que a oferta nunca deve exceder à demanda. Também sou especialista em prever tendências, e atualmente há uma grande procura de carros pequenos, esportivos, que fizeram a Franklin Motor tão famosa. Seu irmão errou ao expandir a linha e tentar competir no mercado popular, mas isso é fácil corrigir.

Ámbar teve de admitir que, infelizmente, tudo que Simón dissera era verdade. Maldito! Ele apenas resumira os vagos temores que ela tinha fazia muito tempo. Que irritante!

— Imagino que também seja especialista em mulheres...

Simón arqueou as sobrancelhas.

— Digamos que, nesse campo específico, minha competência nunca foi questionada — ironizou. — Mas talvez tudo isso esteja prestes a mudar, Ámbar.

O coração dela se acelerou. O que ele estava querendo dizer?

— Então pretende se associar à Nico? É muita... bondade sua, Simón.

Ele a olhou de uma forma estranha.

— Não estou fazendo isso porque sou bonzinho, cara, você sabe. Pode chamar esse gesto de um favor, se preferir.

— E em troca desse... favor?

— Você sabe também.

Seus olhos revelavam o que ele desejava em troca... Simón a queria! Mas ela não lhe permitiria se esquivar de dizê-lo. Ele teria de admitir, em voz alta, até onde estava disposto a ir para tê-la em sua cama!

— Não estou bem certa, Simón. Por que não me diz?

Ele sorriu.

— Quero que seja a garota Sedução.

Ámbar não conseguia acreditar.

— Só isso? — ela insistiu. — Não quer... — hesitou.

— O quê?

Ámbar levantou o queixo.

— Isso é tudo? — perguntou, altiva. Simón meneou a cabeça afirmativamente.

— Por enquanto, é, Ámbar. Já disse que a quero, mas posso esperar. Não muito. Não sou tão paciente.

Que audácia, falar sobre tal assunto com tal indiferença!

— E até onde chegaria para conseguir seu objetivo, ou seja, eu?

Simón pareceu surpreso com a franqueza.

— Não sei se entendi bem a pergunta, cara.

— Desejo saber se usaria a força — explicou, satisfeita por ver uma ligeira contração nos lábios dele.

— Acho que, no fundo, você sabe que não, Ámbar., Nunca tiro de uma mulher nada que ela não esteja disposta a dar.

No olhar de Simón, havia um desafio, que ela não ousava responder.



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