História A Morte Das Areias do Saara - Capítulo 19


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Categorias As Crônicas dos Kane, Mitologia Egípcia
Personagens Anúbis
Tags Abandonado, Antiga, Antigo, Anúbis, Deuses, Egito, Imortal, Iris, Mitologia, Nascimento, Néftis, Osíris, Pirâmides, Rick, Riordan, Set
Visualizações 35
Palavras 2.622
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


oiii! cheguei com capítulo novo!
aliás, comecei tbm a assistir Anne with an E na Netflix. Recomendo. É maravilhoso <3 nossa *¬* amei <3
enfim, não tem nada a ver isso não kkk só queria recomendar mesmo. vamos ao capítulo do dia! XD

Capítulo 19 - Uma nova chance


Fanfic / Fanfiction A Morte Das Areias do Saara - Capítulo 19 - Uma nova chance

Não me permita ser julgado de acordo com a boca da multidão. Que minha alma se levante perante Osíris, tendo sido descoberto que era puro quando na terra. Que eu entre na tua presença, ó Senhor dos deuses; posso chegar ao Nomo de Maati; posso me levantar no meu lugar como um deus dotado de vida

~Fragmento do Livro dos Mortos

 

O sol da manhã se refletia nas águas do Mar Mediterrâneo que recebia as águas do Nilo ao norte do Egito. Também era ali que, encostado em uma palmeira aproveitando-se de sua sombra, Anúbis fitava com olhos cansados a água azulada do mar. Às vezes olhava para trás dele, para terras e nas areias que se perdiam no horizonte,  procurando por um sinal de Neby. Decepcionado mais uma vez por não ver nada, ele soltava um suspiro pesado.

Tinham se estabelecido naquele pequeno pedaço do Delta em uma pequena casa feita de barro que tinha provavelmente 1/3 do tamanho do quarto de Anúbis no Palácio. Era uma grande diferença eles não terem que dormir tanto assim. No entanto, a proteção das quatro paredes, embora algo singelo que pouco pudesse fazer para impedir qualquer ataque mágico, era bem vinda. Ísis estava dentro da pequena casa junto com Néftis. As duas irmãs conversavam em voz baixa embora ainda fosse possível vez ou outra ouvir Ísis chorando.

Entediado, Anúbis olhou para o céu e viu um pássaro passando indo para leste em direção a Península do Sinai e Canaã. Naquela direção, o pássaro logo sairia das fronteiras do Egito que ainda seguiam o curso do Nilo não se distanciando muito deste. O jovem deus foi retirado de seu devaneio tedioso quando passos lentos e inseguros se aproximaram dele por trás.Ele virou-se apenas um pouco, o suficiente para ver Néftis com o canto do olho.

- Posso sentar-me aqui? - perguntou Néftis.

Anúbis pensou por alguns segundos em sua resposta antes de afirmar positivamente com a cabeça sem olhar para sua mãe. Néftis sentou-se ao lado dele em silêncio. O silêncio constrangedor durou por alguns segundos enquanto Néftis o olhava de baixo a cima pensando em quais palavras dizer primeiro.

- Você cresceu tanto… - disse Néftis com os olhos mareados.

A resposta de Anúbis veio na ponta da língua mas ele evitou dizê-la ao notar o quão mal-educada ela seria. Com um suspiro, ele voltou a fechar a boca fazendo com que eles caíssem no silêncio constrangedor mais uma vez. Néftis podia sentir em seu coração o quão delicada era a situação e queria que tudo desse certo. Por isso, cada palavra era escolhida com muito cuidado enquanto a deusa se aproveitava dos minutos de silêncio. Ela respirou fundo e limpou as lágrimas que escorriam pelo seu rosto antes de dizer qualquer coisa mais.

- Peço que, por favor, não pense que não sei do peso de meus erros do passado e que não me arrependo - disse Néftis.

- Não acha que talvez seja meio tarde demais para arrependimentos? - perguntou Anúbis.

- Tem razão mas… o arrependimento não começou agora, começou anos atrás. - disse Néftis.

- Antes ou depois de notar que não sou como Set? - perguntou Anúbis ainda sem olhar para ela - Ou será que ainda tem dúvidas disso?

Perdendo as palavras por breves segundos, Néftis abriu a boca e suspirou cabisbaixa sabendo que ele havia feito a pergunta que ela tinha medo de responder.

- Me envergonho em admitir que depois - disse Néftis.

- Se ficasse grávida de novo então, faria a mesma coisa novamente? - perguntou Anúbis já não gostando tanto da conversa e a prova disso foi que se levantou enquanto fazia a pergunta.

- Sabe mesmo fazer as perguntas que mais me preocupo em responder eim? - disse Néftis sem deixar de notar a habilidade do filho de transformar aquilo em um interrogatório - Eu não sei. Eu não sei o que eu faria.

- Talvez não saber seja melhor do que ter certeza que repetiria - disse ele cruzando os braços apoiando-se na palmeira do lado.

- Eu não deixaria que chegasse nessa situação novamente, pra começo de conversa. - disse Néftis finalmente se levantando também - Admito que foi difícil, mas não permiti que Set realizase tal ato comigo novamente. Desde que Lorde Osíris assumiu o trono tenho conseguido ao menos evitar a sede de Set por sexo.

Não existindo ainda a vergonha de falar sobre sexo ou considerá-lo quase um tabu, uma ideia que seria inserida séculos mais tarde com o catolicismo, nada houve de surpreendente na fala de Néftis.

- Sei que errei. - disse Néftis

- Se arrependeu-se, por que não foi buscar-me? - perguntou Anúbis.

- E deixá-lo perto da ira de Set? Ainda mais depois que a guerra começou? - disse Néftis negando com a cabeça - Não. Não pareceu-me uma ideia muito sábia. E agora, agora é tarde demais. Não precisa de alguém que cuide de você. É praticamente um homem feito. Não tenho moral para pedir perdão pelos meus atos.

- Não começou essa conversa em busca de perdão? - perguntou ele finalmente olhando para ela.

Esse simples trocar de olhar fez com que os olhos dela se enchessem de lágrimas mais uma vez enquanto um sorriso trêmulo nascia em seu rosto.

- Reconheço que não tenho o direito de pedir seu perdão - disse Néftis.

- O que quer então? - perguntou ele curioso.

- A chance de começar de novo. A chance de tentar ser sua mãe nos séculos vindouros. Acha que pode me dar essas chances, Anúbis? - perguntou Néftis.

Por alguns segundos o jovem olhou para Néftis, para as lágrimas que corriam pelo seu rosto e para seu olhar esperançoso. Prestou tanto atenção no rosto da mãe que só notou os olhos mareados quando a visão começou a ficar embaçada. Num breve movimento de cabeça, Anúbis respondeu afirmativamente a pergunta e Néftis não esperou um segundo mais antes de tomar o filho em seus braços abraçando-o fortemente enquanto deixava o choro correr solto pelo seu rosto como uma cachoeira. Lentamente, os braços pálidos do jovem deus se mexeram retornando o abraço.

Ficaram abraçados por alguns minutos até que Néftis soltou-o e limpou o rosto choroso.

- Obrigada.

Quieto, Anúbis fez parecido embora a situação do rosto de Néftis estivesse bem mais extravagante devido as dezenas de lágrimas extras que ela deixou que escorressem pelo seu rosto.

- Então… - disse Néftis já determinada a conversar e conhecer mais o filho - Os humanos que Anput foi alertar para fugirem. Quem são?

- Nossos amigos. - disse ele ainda um pouco evasivo mas não negando-se a responder a pergunta.

- Esse tal de Neby é um deles?

- Não, ele é um chacal.

- Seu animal de estimação? - perguntou Néftis.

- Meu amigo - respondeu Anúbis.

A conversa continuou por alguns minutos embora Anúbis desse respostas pequenas passando o mínimo de informação possível. No entanto, era o suficiente para Néftis por enquanto. Momentos depois, Anput reapareceu surgida de névoa negra envolta em um longo pano de linho que tentava cobrir seu rosto e sua cabeça como se estivesse tentando passar despercebida.

Com ela de volta, Anúbis se levantou para saber o que ela tinha conseguido. Tinham combinado de logo irem procurar pelos pedaços de Osíris, mas precisavam fazer algum reconhecimento da situação atual antes.

- Ficou tudo bem por aqui? - perguntou Anput.

- Nenhum problema. - disse Anúbis - Como foi lá?

- Consegui encontrar com Shadya - disse Anput - Passei o recado para ela e também os amuletos. Ela disse que falará com Ahmen e com a mãe de Chenzira. Ainda bem que avisamos para que fugissem de Mênfis, eu vi soldados seguindo o curso do Nilo quando me atrevi a ir além da cidade.

- Isso foi perigoso. Set podia ter te descoberto - ralhou Anúbis.

- Deu tudo certo - disse Anput fazendo pouco caso da preocupação dele - Aliás, não vai nem acreditar!

- Em que? - perguntou ele estranhando a empolgação com a qual Anput falou a frase.

- Ahmen pediu Shadya em casamento! - disse Anput.

- Sério? - perguntou Anúbis um tanto surpreso.

- Sim! Ela disse que um plano de fuga iria impedir que morassem juntos, mas que provavelmente fariam isso para onde quer que forem ou quando voltarem para Mênfis.

- Quem diria… assim passado tão pouco tempo depois de Chenzira. - disse Anúbis. A mera menção do amigo fez com que a alegria sumisse do rosto de Anput.

- Sim. Segundo Shadya, Ahmen disse que isso fez com que ele notasse que a vida é curta demais. - disse Anput - Nenhum sinal de Neby?

- Não. - disse Anúbis olhando para o chão cabisbaixo.

- Não podemos esperar muito mais tempo - disse Ísis saindo da casinha de barro - Temos que procurar por meu amado.

- Neby ficará seguro aqui se chegar enquanto não estivermos aqui - disse Anput abrindo um sorriso fraco para Anúbis botando a mão em seu ombro.

- Se a preocupação é por Neby, não precisam se preocupar! Embora eu de fato esteja chateado por não se preocuparem por mim.

A frase foi dita por uma voz que vinha de dentro das palmeiras e arbustos. Quando os quatro deuses se viraram, a primeira coisa que viram foi um alegre e saltitante Neby correndo em direção à Anúbis e então pulando ficando com apenas duas patas no chão. Atrás dele, vinha Thoth, que estava com uma folha perdida em seu cabelo, e o chacal que Anúbis tinha invocado mais cedo. Esse último, ao cumprir sua missão de entregar Neby, simplesmente desapareceu como fumaça soprada pela brisa.

- Dei sorte de encontrar com Neby e seu enviado, Anúbis, enquanto eu sobrevoava o deserto atrás de algum sinal de Lorde Osíris - disse Thoth.

- Conseguiu algo? - perguntou Ísis ansiosa mas Thoth negou com a cabeça.

- Não. Contudo, estou esperançoso. - disse Thoth - Isso nunca aconteceu antes. Se somos cortados, nos recuperamos. Mas e se formos fatiados e então separados? O que aconteceria?

- Por favor, não vamos falar disso ou eu vou vomitar daqui a pouco.

- De toda forma, acho que resolvemos os menores problemas. Chega de tanto adiar, vamos começar as buscas por meu querido irmão e marido - disse Ísis.

Eles todos confirmaram com a cabeça e logo foram se organizando em como dividir o terreno e as habilidades para buscar por Osíris. Enquanto isso, a mente de Anúbis estava ocupada com outros pensamentos enquanto, fazendo carinho na barriga de Neby, pensava nos questionamentos feitos por Thoth. No mesmo instante, Thoth se aproximou dele e ajoelhou-se ao seu lado.

- É um fiel amigo que tens - disse Thoth.

- Sei disso - respondeu Anúbis abrindo um pequeno sorriso para Neby que deixava a língua para fora e a barriga para o céu.

- Não queria tocar em um assunto tão delicado mas… quando encontrei com Neby ele estava machucado. - disse Thoth.

- O quê?! Como?! Onde?! - questionou Anúbis voltando seu olhar de preocupação para Thoth.

- Alguns machucados decorrentes provavelmente de uma briga, e mancava. Curei tudo, como pode bem ver. - disse Thoth.

- Obrigado.

- Contudo, trago à tona esse assunto para falar de outra coisa que percebi enquanto curava ele. Você está praticamente todos os dias ao seu lado e o observa caçar… acho que já notou o que eu tenho para te falar, certo?

- Notei - disse Anúbis voltando o olhar, um olhar triste, para o amigo canino que irradiava alegria.

- Doenças, maldições, machucados… essas coisas são curáveis. - disse Thoth botando a mão no ombro de Anúbis - A idade não é.

Anúbis não queria admitir e às vezes não queria nem ver. Não queria ver como Neby as vezes não conseguia pegar uma presa tão facilmente ou como ele algumas vezes não conseguia acompanhar a corrida. Anúbis não queria ver como a expectativa de vida dos humanos, algo tão ridiculamente pequeno para o jovem deus, era tão ridiculamente grande para um chacal. Sim, ele sabia, mas não queria ver. Depois de 10 anos ao seu lado, Neby estava ficando velho.

Achando que já teve muitos acontecimentos preocupantes para tão pouco tempo, Anúbis se achou no direito de mimar Neby um pouco. Pegou o chacal em seus braços e levou-o para dentro da casa de barro deitando-o no chão de terra batida.

- Descanse aqui, certo? - disse Anúbis fazendo carinho na cabeça do animal - Vou ficar um tempo fora mas trago alguma carne boa para você logo logo também.

Neby soltou um suspiro e se enrolou em seu próprio corpo formando uma bola antes de cair em sono profundo. Anúbis ficou ali parado por alguns segundos vendo o corpo de Neby subir e descer seguindo sua respiração e então saiu da casa de barro.

Os outros deuses dividiram entre si as partes do Egito pela qual procurar e combinaram de se encontrarem ali no final do dia. Com as partes do Egito divididas entre si, Anúbis se transformou em névoa e foi para a que foi destinada para si. A imensidão da areia se estendia até onde seus olhos alcançavam. O forte sol no horizonte fez com que ele tivesse que colocar a mão no rosto para impedir que ele atrapalhasse sua visão. Ele inspirou e expirou profundamente preparando-se para a árdua missão que o aguardava.

Querendo potencializar o poder de seu olfato, Anúbis mudou para sua forma de chacal e, assim, passou a percorrer as dunas de areia de cima à baixo, de um lado para o outro. A forma completamente negra, elegante e esguia, era maior do que qualquer chacal adulto que pudesse ser encontrado no deserto. Qualquer um que olhasse poderia ver a inteligência que se escondia no olhar de sua forma animal que tão graciosamente andava pelo deserto como se a este pertencesse. Em sua busca, às vezes parava no alto de uma das dunas e tentava sentir o cheiro presente na brisa na esperança de sentir o cheiro de Anúbis, nada. Depois de alguns minutos, perto de um oásis não muito longe do Nilo, ele pode ver um pássaro rosa de longas pernas finas. Flamingos. Lembrando da promessa de jantar que fizera para Neby, Anúbis não exitou em, ainda em sua forma de chacal, correr em disparada para o grupo de cerca de meia dúzia de pássaros.

A velocidade com que suas patas impulsionaram seu corpo ao se chocarem contra a areia escaldante fez com que conseguisse abocanhar em sua boca, repleta de presas afiadas, o pescoço de um dos flamingos. O pássaro se debateu enquanto seus irmãos fugiam. Calmamente, tudo o que o jovem deus fez foi fechar a boca com mais força e forçar o corpo do pássaro, que, desesperado, se debatia, contra o chão diminuindo o tanto que ele podia se mover. A mente de Anúbis sussurrou um sentido pedido de desculpas quando o animal ficou imóvel em sua boca.

Com a boca sendo incomodada pelas penas e pelo gosto de sangue, sem mudar de sua forma de chacal, Anúbis voltou para a cabana de barro onde tinha deixado Neby. Encontrou o animal bebendo água de uma das ramificações do Nilo. Ao notar que Anúbis tinha voltado, o animal parou o que fazia e foi até o jovem deus enquanto este botava o flamingo abatido no chão. Neby não pensou duas vezes antes de começar a devorar o animal rosado sem nenhuma cerimônia ao abocanhar seu corpo e sua cabeça logo destroçando a bela ave. Perguntando-se quanto tempo mais iria conseguir fazer com que Neby vivesse, Anúbis se foi mais uma vez para continuar suas buscas por Osíris.

 


Notas Finais




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