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História A Morte Das Areias do Saara - Capítulo 88


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Notas do Autor


bem, como eu disse, eu tava louca pra escrever mais kk
tem mtas partes q eu quero chegar nessa história então às vezes eu n consigo kk fico me coçando querendo postar mais e mais e mais... aí eu tenho q lembrar que tenho q dar um tempinho pra vcs lerem kkk

o textinho egipcio original do dia é o ultimo fragmento do conto original da treta do O Livro de Thoth. Infelizmente eu n consegui fazer o textinho e a minha versão da treta do Livro de Thoth começarem e terminarem ao mesmo tempo. triste.
enfim, bom cap

Capítulo 88 - A tristeza da derrota


Fanfic / Fanfiction A Morte Das Areias do Saara - Capítulo 88 - A tristeza da derrota

Então, eles o tiraram da água e viram o Livro de Thoth amarrado em seu peito com o cinto de linho real. E o rei deu ordem para que enterrassem Nefer-ka-ptah com a honra devida ao filho de um rei, e que o Livro de Thoth fosse enterrado com ele. Assim se cumpriu a vingança de Thoth, mas o Livro permaneceu com Nefer-ka-ptah.

~ Fragmento de “O Livro de Thoth”

 

O caos escapando pelas rachaduras no chão feitas por Apófis criava uma cor tenebrosa e nem um pouco bonita pelo Deserto Branco. Porém, esse caos que escapava sem qualquer controle ia lentamente diminuindo em quantidade agora que a perigosa serpente não estava mais por ali. Mas, por vários pontos do Deserto Branco, os deuses estavam jogados tentando aceitar a derrota em seus corações ou se levantando lentamente. 

Nenhum deles estava tão acostumado assim a perder. Consequentemente, a porrada que levaram de Apófis estava doendo tanto em seus corpos como em seus egos. Doía tanto que foi com vergonha que todos desfizeram qualquer forma divina ou mágica que ainda brilhasse e ficaram ali, apáticos, remoendo a luta que havia terminado a poucos segundos. 

Com a cabeça latejando um pouco ainda, Anúbis se sentou e olhou para o estrago que havia sido deixado para trás pela luta. Pensou em como foram sortudos de a lutar ter acontecido no meio do deserto, e não no meio da cidade. Ainda podia ver os traços de por onde o corpo de Apófis passou.

Poucos segundos depois de Anúbis se sentar, Anput se aproximou dele. Pela cara dela, era possível ver que estava com um pouco de dor. Nada para ser muito preocupante, mas o suficiente para incomodar.

- Você tá bem? - perguntou Anúbis enquanto ela sentava-se ao seu lado.

- Considerando o que aconteceu com Ptah… estou ótima… - disse ela suspirando pesadamente e abraçando os próprios joelhos para poder esconder o rosto ali - Não consegui salvar ele.

- Nenhum de nós conseguiu… - disse Anúbis segurando-lhe a mão tentando acalmá-la ao menos um pouquinho embora o coração dele estivesse apertado também. Afinal, Anúbis já tinha sentido, as baixas do dia não terminavam em Ptah.

Ele se levantou e então puxou gentilmente Anput para se levantar também. Agora, de pé, os dois podiam ver melhor onde os outros deuses estavam. Bes andava devagar para se juntar aos demais, Khonsu estava deitado no chão respirando devagar provavelmente esperando as feridas causadas por Apófis se fecharem, Set estava sentado no chão parecendo pensativo e irritado e Hórus voava ao redor como se procurasse alguma coisa.

O preocupante, no entanto, foi a comoção que se formava ao redor de Anuket. A deusa abraçava o corpo desfalecido de Anhur. Ter sido esmagado pelo enorme corpo de Apófis tinha sido claramente demais para o pobre deus. Claro, deuses eram imortais, e era esse o motivo que levava à falta de uma cachoeira de lágrimas. Anuket não sabia dizer quando Anhur voltaria. Além disso, ele não era seu marido, nem irmão. Era apenas um amigo. Mas isso não queria dizer que não podia sentir-se pesarosa e culpada por não ter conseguido salvar o amigo.

Provavelmente movidos pelo mesmo sentimento, Heka, Bastet e Sekhmet se juntaram à ela. A mão tranquilizadora de Bastet tocou no ombro de Anuket nem no momento que o corpo desfalecido de Anhur se desfez de uma vez em areia deixando Anuket abraçando o nada.

- A gente apanhou feio eim? - disse Bes parando ao lado de Anúbis e Anput - Perdemos Ptah e Anhur…

- Não só eles… - disse Anúbis sombriamente olhando para o céu onde Hórus voava ainda como se procurasse por algo.

Tanto Bes como Anput notaram o olhar de Anúbis e suspiraram tristes logo em seguida. Estavam claramente num momento que todo poder extra ajudaria muito e, por mais que qualquer deus morto voltasse com o tempo, era uma força que faria falta com ou sem Apófis.

- E Qebehsenuef? - perguntou Bes olhando para Anput - Vi que você estava carregando ele pra longe da luta quando chegamos.

- Está vivo. - disse Anput com um pequeno sorriso que parecia um pouco falso. Era uma boa notícia, claro, mas um grão de cevada no meio de tanto caos - Só está desmaiado.

- Bom. Bom. - disse Bes tentando se alegrar pelo pequeno pedaço de boa notícia enquanto Sekhmet se aproximava deles.

- Não vejo Sobek… - disse Sekhmet olhando para Anúbis e Anput esperando uma confirmação de suas suspeitas. Anúbis apenas negou com a cabeça.

- Nek. - xingou Bes.

Nesse momento também, dezenas de escorpiões vindos de cantos diferentes do Deserto Branco se juntaram na frente dos três deuses e formaram Serqet. O olhar dela era tão raivoso que dava medo. Ela andou para a direção deles ao mesmo tempo em que Hórus, que voltou para a sua forma normal, pousou ao lado da ex-esposa.

- Hapi… - disse Serqet e não foi preciso dizer mais nada, especialmente quando Anúbis simplesmente negou com a cabeça.

Os dentes de Serqet se trincaram da mais pura raiva e ódio enquanto os olhos de Hórus, cansados e tristes, foram para o além onde podia ver Qebehsenuef.

- Está desacordado apenas… - garantiu Anput notando para onde Hórus olhava.

- Aquele desgraçado do Apófis! - esbravejou Serqet - Vou matá-lo, fatiá-lo em picadinhos pelo o que fez com Hapi.

- Estou irritado também, mas não podemos perder a calma. - disse Hórus.

- Pra merda com calma! - reclamou Serqet - Você pode estar se cagando pro nosso filho, mas eu quero minha vingança. E ela será lenta e dolorosa.

- Eu te ajudo… - disse Sekhmet rangendo os dentes poderosos.

- É melhor voltarmos para o Salão do Julgamento… - sugeriu Anúbis e Bes foi o primeiro a confirmar com a cabeça.

Cada um por si ou em pequenos grupos, os deuses foram deixando o Deserto Branco para trás. Queriam também deixar para trás a vergonha da derrota e os sentimentos pesados que o deserto parecia trazer agora. Os deuses não chegaram ao mesmo tempo, chegaram em pequenos grupos. O primeiro foi Anúbis, Anput e Bes, logo seguidos de Set, sozinho. E então Sekhmet e Bastet, que carregavam Khonsu nos ombros, Hórus carregando Qebehsenuef e assim por diante. 

Assim que chegavam, os outros deuses olhavam para eles ansiosos por respostas, relatos e boas notícias. Mas, considerando as claras expressões de derrota que o grupo exibia, era óbvio que nenhuma boa notícia seria entregue ali.

- Por favor me diz que a cara de vocês tá só assim porque estão com dor de barriga e que na verdade ganharam a briga. - disse Nefertem.

- Quem dera… - disse Anúbis procurando Osíris com o olhar enquanto Hathor, segurando Ihy no colo, corria desesperada para Hórus que botava Qebehsenuef sobre um tapete e um monte de almofadas.

Foi nessa hora também, sem esperar Anúbis nem chegar direito, que Néftis correu em sua direção claramente preocupadíssima. Sem nem pensar duas vezes, ela abraçou o filho mas, logo soltou-o apressadamente. Segurando-lhe os ombros, Néftis olhou Anúbis de cima a baixo e de baixo para cima, provavelmente atrás de algum ferimento.

- Está bem? - perguntou ela aflita.

- Estou- garantiu Anúbis percorrendo os olhos pelo Salão do Julgamento atrás da outra metade dos problemas dos deuses.

- Na sala de Thoth.. - respondeu Néftis notando o olhar dele - Osíris e Ísis acharam melhor levar Rá para um lugar com menos gente.

- Como está Rá? - perguntou Anput.

- Ele… está… - disse Néftis se embaralhando tentando achar as palavras certas e desistindo com um suspiro - Bem… é melhor vocês verem.

Enquanto Bastet e Sekhmet começavam o relato triste de tudo que tinha acontecido na luta contra Apófis para quem quisesse ouvir, Néftis guiou Anúbis e Anput até a sala dos pergaminhos de Thoth. Quando estavam quase chegando lá, Hórus os alcança correndo também querendo saber o que estava acontecendo com Rá.

- Já disse que me sinto bem… - disse uma voz que parecia de Rá e ao mesmo tempo não parecia de Rá, dita por um homem que parecia Rá e ainda assim não parecia Rá.

- O problema… é que não estamos sentindo isso. - disse Ísis suspirando.

Quando Anúbis, Anput e Hórus entraram, viram Ísis, Osíris e Thoth ao redor de quem eles achavam que era Rá. Era a forma com pele negro-avermelhada, barba longa, fina e negra e olhos também negros que Anúbis havia visto Rá inexplicavamente tomando quando estava desmaiado.

Assim que os três, acompanhados de Néftis entraram, e Ísis notou a entrada deles, Anúbis percebeu que era hora de se preparar para outro abraço. Ísis imediatamente correu na direção deles e abraçou Anúbis ao redor do pescoço com um braço e Hórus com outro.

- Estava tão preocupada… - disse Ísis - Ainda bem que voltaram bem.

- Todos voltaram bem? - perguntou Osíris se aproximando andando enquanto a esposa já soltava os dois rapazes e já ia dando um abraço em Anput também.

- Não… - respondeu Anúbis e logo Hórus já foi o cortando.

- Apófis devorou Hapi! - disse Hórus entredentes - E Ptah! E Sobek! E esmagou Anhur até a morte!

Enquanto Osíris, Ísis, Néftis e Thoth recebiam a notícia com surpresa e logo suspiravam preocupados e tristes, a nova versão de Rá olhava para todos os presentes como se estivesse tentando juntar um quebra-cabeça.

- É minha culpa… não é? - perguntou Rá.

- Não é sua culpa. - garantiu Thoth e no segundo seguinte a imagem de Rá trocou novamente para o Rá banhado em ouro que todos conheciam muito bem.

- É minha culpa. - disse o Rá de sempre com uma tristeza que não combinava com sua voz poderosa.

- O que está acontecendo? - perguntou Hórus olhando para Rá tentando entender o que seus olhos tinham acabado de ver.

- Provavelmente parte do motivo que levou Rá à perder pra Apófis. - disse Thoth.

No segundo seguinte, Rá estava se encolhendo de dor com a mão segurando fortemente a cabeça.  A figura de Rá trocava constantemente, sem qualquer controle, de uma versão para a outra.

- Não sou… sou… Rá… - dizia Rá completamente confuso sem conseguir se manter nem em uma forma e nem na outra.

- Thoth, explique. - demandou Hórus.

- Isso é uma piora de quando ele veio visitar todos séculos atrás e até pediu uma festa? - perguntou Anúbis - Ele parecia com dor de cabeça na festa.

- A festa que a Ereshkigal veio? - perguntou Anput.

- Essa mesmo. - confirmou Anúbis.

- Isso tudo com Rá é, de certa forma, culpa dos mortais. - explicou Thoth dando de ombros - Muitos séculos antes de muitos de nós nascermos, Rá não era Rá. Ele tinha outro nome. Só então, quando criou o sol "tornou-se a si mesmo", toma forma de Rá. Essas duas personas estavam muito bem separadas até então, com Rá praticamente o único a existir.

- Não… Não é isso… - disse Rá se estabilizando por poucos segundos na forma de corpo, cabelos e olhos negros - Outro face… versão… terceiro… 

- Qual seu nome? - perguntou Osíris firme.

- Rá… não… - negou Rá rapidamente - Amon… Amon-Rá… Sou Amon-Rá…

- Amon-Rá? - repetiu Anúbis estranhando o nome - Acho que já ouvi uma ou outra alma nativa de Tebas começando a falar esse nome recentemente.

- Uma terceira versão de Rá e não a volta da primeira então? - questionou Hórus.

- É como se minha cabeça estivesse partindo ao meio… - reclamou Rá com os olhos fortemente fechados e forçando cada arcada dentária contra a outra - Ou se esmagando…

- É melhor deixarmos ele respirar… - disse Ísis empurrando delicadamente Anúbis, Hórus e Anput para fora - Quanto menos problemas ele ouvir, mais estável ele fica.

Com sua típica e delicada fluidez, Ísis levou os três deuses de volta para o Salão do Julgamento. Lá, o clima de desespero e preocupação tinha sido substituído, no momento, por tristeza e falta de esperança. Pode até ser que nem todos os deuses foram lutar contra Apófis, mas, dentre os que foram, muitos eram indiscutivelmente poderosos, e mesmo assim perderam facilmente. Era um baque muito forte para os outros deuses engolirem.

Assim que os quatro ressurgiram no Salão do Julgamento, foram recebidos por Seshat que, assim como os demais, parecia preocupada.

- Sekhmet e Bastet contaram para todos o que aconteceu. - disse Seshat olhando para as duas deusas que agora se sentavam numa parede claramente emburradas - Ou ao menos uma versão resumida do que aconteceu.

- Dá pra resumir tudo muito bem com “Perdemos, Apófis fugiu, Ptah, Sobek, Hapi e Anhur morreram”. - disse Anúbis decepcionado e irritado consigo mesmo.

- Como está Rá? - perguntou a deusa.

- Mesmo de antes. - respondeu Ísis.

- Como vamos lidar com essa situação? - perguntou Anput para ninguém em particular enquanto soltava um suspiro pesado. 

- Por hoje, é melhor que todos descansem. - sugeriu Hórus - A moral está baixa e não sabemos onde Apófis está.

Os deuses ficaram ali em silêncio tentando digerir a situação em que se encontravam, até que um olhar de assombro surgiu no rosto de Seshat. Ela não precisou dizer uma palavra sequer para Anúbis, Anput, Ísis e Hórus olharem para ela já preocupados com o que quer que ela tivesse para falar.

- O que foi Seshat? - perguntou Anput sem saber se estava pronta para ouvir a resposta.

- Sobek e Hapi morreram… - lembrou Seshat - Não sabemos quanto tempo vai levar para eles voltarem.

- Sim… e? - perguntou Hórus.

- O-O ano novo está chegando… - disse Seshat como se aquela informação fosse pior do que a volta de Apófis.

Por um segundo, os outros deuses não entenderam direito o que a volta do ano tinha a ver com a morte de Sobek e Hapi. Mas, pela expressão de assombro que foi tomando conta do rosto de Ísis, Anúbis, Anput e Hórus, nessa ordem, Seshat notou que eles entenderam.

- O Nilo… - Ísis foi a primeira a falar - Sem Sobek e Hapi, o Nilo não vai inundar na virada do ano. Se o Nilo não inundar…

Ísis deixou a frase perdida no ar, não tinha coragem de a terminar. Não tinha coragem de falar em voz alta sobre toda a fome que se seguiria quando o rio não inundasse, os campos não seriam irrigados com os canais construídos tão meticulosa e habilidosamente. O solo não teria a umidade e os nutrientes que precisava para crescer a comida. A população do Egito já tinha crescido o suficiente para literalmente alguns milhões de egípcios dependerem da enchente do Nilo e, quer eles queiram ou não, ali era um deserto e a vida precisa de água.

A expressão dos deuses ficou mais pesada, como se estivessem num velório. Nenhum deles nada mais disse ou fez, até que Hórus apertou um dos ombros de Anúbis como se quisesse dar forças ao primo.

- Melhor já ir se preparando para fazer hora extra esse ano. - disse Hórus.

 


Notas Finais


REFERÊNCIAS ****
O Livro de Thoth - https://www.sacred-texts.com/egy/woe/woe10.htm
Deuses egípcios - https://www.ancient.eu/article/885/egyptian-gods---the-complete-list/
Atum - https://www.britannica.com/topic/Atum
Amon-Rá - https://en.wikipedia.org/wiki/Amun

ps: sim, como se n bastasse tudo, uma seca. sim, minhas pesquisas passadas acharam uma provável seca mais ou menos nessa época aí. ENTÃO A CULPA N É MINHA kkk na verdade, achar essa seca q por acaso aconteceu bem no meio de uma guerra civil foi o q me motivou a fazer Apófis voltar justamente aí kkkk pq a merda nunca tá grande o suficiente né? ;D


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