História A morte de Eliza - Capítulo 4


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Categorias The 100
Tags Clexa, The100 Jaredmerski
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Palavras 2.761
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Luta, Policial, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Cross-dresser, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Volteiiii ❤

Capítulo 4 - Capítulo Três


O som de água pingando me acorda. Abro os olhos devagar, ofuscada pela luz que entra por alguma janela próxima. Consigo ver que estou em um quarto. Minha visão está embaçada e minha cabeça dói como se tivesse batido em uma parede de tijolos ontem à noite. O lado esquerdo do meu rosto está inchado.

Tento me levantar, mas algo está amarrado em meus pulsos e tornozelos. Quando meus olhos gradualmente ganham foco, vejo que estou deitada em uma cama, em um quarto sujo, com papel de parede bege e móveis empoeirados que não combinam. O aparelho de TV parece o da fortaleza: antigo e provavelmente só pega um canal, que tenho certeza de que é aquele que passa as novelas mexicanas dramáticas. Na minha linha de visão direta estão as grossas cortinas verdes na janela, e, encostada nelas, uma mesinha quadrada com uma só cadeira. Uma jaqueta preta de couro está pendurada nas costas da cadeira.

Percebendo o que deve ter acontecido e finalmente recuperando meus instintos, forço meu corpo a deitar de costas para ver o restante do quarto. Para que eu possa achar a americana que sei que me trouxe para cá, onde quer que ela esteja.

Ela me amarrou. Ah, não... ela me amarrou.

Quando eu a vejo sentada em uma cadeira do outro lado da cama, isso me sobressalta; solto um gritinho e caio da cama, com as mãos e pernas amarradas tão apertadas que não posso fazer nada para amortecer o impacto. Bato com força no chão, e a dor parte do meu quadril e atravessa minhas costas.

— Aii! — gemo alto. Logo estou tentando afrouxar o tecido que amarra meus pulsos, me retorcendo no chão.

A americana se aproxima de mim, como um fantasma saído do nada.

— Por que você me amarrou?

Estou tremendo muito, espero que ela não note. Não quero que saiba o quanto realmente estou com medo.

Ela se curva sobre mim, me pega do chão e me deita na cama de novo. Tento espernear e socá-la até que me dou conta da idiotice que é isso, porque só o que vou conseguir é cair de novo no chão. Sem responder, ela volta para o outro lado, onde estava sentada, e enfia a mão em uma bacia de água no criado-mudo. Ela torce a água de um pano e o aproxima do meu rosto, mas eu tento me afastar dela. Isso não a perturba. Aliás, nada parece perturbá-la. Sei que não vou a lugar nenhum no momento, por isso fico deitada ali bem quieta, olhando-a diretamente nos olhos, mesmo que ela não retribua meu olhar.

Quero que ela me veja, que veja a raiva em meu rosto, mas ela não se dá ao trabalho de olhar.

— Você me deu um soco? — Não consigo acreditar, mas, pensando bem, consigo.

— Sim. — Ela aperta o pano úmido no meu olho esquerdo e no osso da têmpora.

— Então você é uma assassina e espanca mulheres.

Seus olhos claros finalmente encontram os meus, e sua mão para, como se minha acusação não lhe tivesse caído bem.

Ela desvia o olhar e continua fazendo compressas em meu rosto.

— Eu não bato em mulher — diz ela —, a menos que ela tenha uma arma apontada para minha cabeça.

Eu não respondo a isso. Seu argumento é razoável, se é que pode ser chamado de argumento.

— Meu olho está roxo?

— Não — diz ela, afastando o pano úmido. — Não bati tão forte. Só está um pouco inchado.

Eu a olho como se ela fosse louca.

— Não? Mas me bateu forte o suficiente para me deixar desmaiada a noite toda?

Ela se levanta da cama, assomando sobre mim, e vai até sua jaqueta, pendurada nas costas da cadeira. Enfia a mão em um dos bolsos e pega um frasco de comprimidos.

— Você acordou logo depois — diz ela, abrindo a tampa do frasco. — Precisei dopar você.

Eu pisco, atordoada.

Ela põe um pequeno comprimido branco na palma da mão e o aproxima de mim. Eu ainda a estou olhando como se ela fosse louca, talvez até mais que isso.

— Você me dopou? O que é isso?

Quero dar uma bofetada nela. Se minhas mãos não estivessem amarradas, eu faria isso.

— Um comprimido para dormir — diz ela, encostando-o em meus lábios. — É inofensivo. Eu mesma tomo. Você, por outro lado, só precisa de metade, agora já sei.

Cuspo o comprimido no lençol amarelado.

— Acho que já dormi o suficiente.

— Como quiser. — Ela coloca o frasco no bolso da jaqueta e se dirige para a porta.

— Aonde você vai?

Ela para perto da janela e fecha a cortina, mas fica ali perto, olhando por uma fresta do tecido grosso. Enquanto ela está de costas, tento silenciosamente livrar meus pulsos.

— A lugar nenhum, no momento — diz ela, e então se vira de novo, e eu paro de lutar com as amarras na hora, para que ela não perceba.

— Ok... bom, então o que a gente está fazendo aqui, e por que estou amarrada?

Ela me encara.

— Estamos esperando os homens que Javier mandou para pegarem você.

Acabo de engolir em seco. Lágrimas brotam instantaneamente nos cantos dos meus olhos.

Eu começo a me debater, tentando com todas as forças livrar mãos e pernas, mas em vão. Ela me amarrou melhor do que amarravam os porcos na fortaleza.

— Por favor! Não pode deixar que eles me levem! Eu imploro...

— Isso não depende de mim — diz ela, voltando a olhar pela janela. — Por isso ofereci o comprimido. Achei que você ia preferir estar inconsciente quando eles chegassem.

Acho que vou vomitar. Meu coração está acelerado demais, minhas entranhas enrijecendo, e sinto que não consigo respirar. Eu forço meu corpo a ficar sentado, jogo as pernas para fora da cama e tento me levantar.

— Senta aí — diz ela, virando-se para me olhar de novo.

As lágrimas correm dos meus olhos e eu ergo as mãos amarradas para ela.

— Por favor... — Engasgo com as lágrimas, meu peito tremendo e se agitando com a respiração rápida e irregular. — Não me deixe voltar com eles!

— Eu vou perguntar mais uma vez — diz ela, virando-se completamente em minha direção.— Você quer estar acordada quando isso acontecer?

— Eu não quero que aconteça! — grito.

Levanto os braços e tento soltar o tecido das amarras dos pulsos com os dentes. A americana me ignora e se aproxima de uma espécie de maleta comprida, preta e fina que está no chão, encostada na parede oposta. Carregando-a pela alça, ela a põe na beira da cama perto de mim e abre os trincos para erguer a tampa, me impedindo de ver o que há dentro dela.

Um brilho forte de luz solar refletida bate na cortina, e o som de um carro freando lá fora embrulha ainda mais meu estômago. Eu fico imóvel na beirada da cama, com os dentes ainda cerrados no tecido, os olhos arregalados e cheios de medo. Olho da porta para a americana no fim da cama, parafusando uma coisa comprida de metal no cano de uma arma preta e reluzente.

E então, em uma velocidade incrível, mas tão casual quanto um passeio matutino, ela fecha a maleta e a enfia debaixo da cama, escondendo-a.

Ela se aproxima de mim.

Tento chutá-la de novo, mas meus tornozelos amarrados me impedem de fazer qualquer coisa além de quase cair da cama.

— Não! Me deixe em paz! Por favor, não faça isso!

Com a mão livre, ela me agarra pelo cotovelo e me coloca com força de pé, com a arma na outra mão apontada para o chão, e então me leva desajeitadamente pelo quartinho até um banheiro minúsculo.

Alguém bate na porta, mas a americana não dá atenção. Ela me arrasta para o banheiro e praticamente me joga na banheira nojenta. Acho que minha cabeça vai bater na borda, mas ela me segura pelas amarras nos pulsos e termina de me baixar com segurança.

— Fique aí abaixada. Não levante a cabeça e não se mexa.

— Quê? — Eu pisco, confusa. Estou com tanto medo que sinto que vou perder o controle da bexiga a qualquer momento.

— Você entendeu? — pergunta ela, curvado acima de mim. A seriedade em seus olhos é palpável.

Eu hesito, porque não, não entendi, mas então faço que sim com a cabeça, em movimentos bruscos e rápidos.

Ela enfia a mão na parte de trás da calça e tira uma faca. Meus olhos ficam arregalados no

momento em que a lâmina afiada se aproxima de mim. Quando penso que ela vai me esfaquear, mesmo não sabendo por que faria tudo isso só para me matar depois, ela solta as amarras dos meus tornozelos.

— Fique abaixada — exige ela uma última vez.

E assim, do nada, ela sai do banheiro e fecha a porta.

Paralisada pelo choque, levo um momento para pôr a cabeça no lugar. Olho para meus pés soltos e me pergunto por que ela fez isso. Por que manter minhas mãos amarradas, mas me permitir o uso das pernas de novo? Para que eu possa fugir? Não importa. Preciso soltar as mãos também. Mordo os nós apertados mais uma vez, forçando-os furiosamente, mas conseguindo apenas ficar frustrada. Mal levanto a cabeça da banheira para ver melhor o cômodo, procurando qualquer coisa que possa servir de faca ou tesoura. Nada. Só uma banheira vazia, do tipo de plástico industrial, com manchas de tinta, óleo e sujeira, e uma privada nojenta sem tampa.

A porta do quarto se abre e ouço vozes lá dentro.

— Onde ela está?

Ah, não... é a voz de Izel!

Meu coração acelera tanto que fico zonza quando o sangue me sobe rapidamente à cabeça.

Eu mordo o tecido com ainda mais força, torcendo os nós que não se desfazem com os dentes até sentir dor.

— Javier quer saber por que você mesma não foi levá-la — diz Izel em seu tom sedutor e sarcástico, sua marca registrada.

Há mais vozes masculinas falando em espanhol entre si enquanto Izel fala apenas com a americana. As vozes estão abafadas. Não consigo entender o que dizem.

— Sente-se — diz a americana, com calma.

— A gente não está aqui de visita — recusa Izel. — Me entregue Eliza, ou... — Posso imaginá-la andando até a americana como a cobra rastejante que ela é. — Ou a gente pode ficar um pouco a sós antes. Eu ia gostar. 

Sua voz para de repente e seu tom sedutor desaparece em um instante.

— Tudo bem! Tudo bem! Sua puta do caralho. Prefere atirar em mim do que me comer?

— Sim, prefiro — responde a americana.

— Traga a garota para cá — exige Izel, com a voz carregada de desprezo.

— Sente-se primeiro — diz a americana.

De repente, ouço armas se engatilhando e instintivamente afundo o corpo na banheira o máximo que posso. Começo a entender por que ela me forçou a entrar aqui.

— Nós somos cinco e você é uma só — diz Izel venenosamente.

Então um tiro ecoa e eu me enrijeço no plástico duro. Mais tiros. Balas salpicam as paredes; duas atravessam os tijolos e cruzam o banheiro onde estou encolhida. Ouço vidro se partindo e o que parecem corpos tropeçando para fora do quarto e se afastando. Mais tiros são disparados e Izel grita palavrões por cima do caos. As paredes tremem ao meu redor, derrubando grossas camadas de pó da lâmpada pendurada no teto manchado pela umidade.

Ouço um crec alto, e depois o som da janela grande do quarto se partindo, como se alguém ou alguma coisa acabasse de ser jogada para fora.

Tudo fica em silêncio. Só o que ouço agora é meu coração batendo rápido, violentamente.

Estou tão apavorada que não consigo nem mais chorar, e meu corpo parou de tremer. Estou paralisada pelo medo.

O cheiro pungente da fumaça das armas paira no ar.

A americana está morta? Só consigo pensar nisso. Talvez estejam todos mortos e eu consiga sair daqui viva.

Estou quase saindo da banheira, mas então ouço Izel.

— Vai se foder. Não vou contar nada!

Há um breve momento de silêncio, e então ouço a americana dizendo calmamente:

— Você já me contou quase tudo que preciso saber.

— Como assim?

— Se Javier me quisesse viva para matar Guzmán, seus homens jamais teriam atirado em mim.

— Ele queria que você matasse Guzmán.

— Então seus homens são burros.

Izel não responde, mas posso imaginar a expressão dela: amarga e maléfica ao mesmo tempo.

Silenciosamente, saio da banheira, tomando cuidado para não fazer nenhum movimentobabrupto, e estendo a mão até a maçaneta. A porta se abre assim que meus dedos a tocam, como se não estivesse bem fechada antes, embora eu soubesse que estava. Deve ter aberto quando alguém caiu nela durante a luta.

Abro só uma frestinha. O espelho acima da pia do outro lado da porta está visível. Agora só restam três cacos dele, quase caindo da parede.

Consigo ver as costas da americana na imagem refletida.

— Seguinte — diz ela. — Haverá um novo acordo, agora.

— Não é você quem dita as regras — diz Izel, cuspindo as palavras.

— Acho que sou — rebate ela. — Primeiro, você me diz quais eram os planos de Javier quando me levou para a fortaleza.

— Não vou dizer porra nenhuma!

Um tiro abafado faz um som rápido de ftup, e em seguida Izel grita de dor.

— Você atirou em mim, caralho!

A americana se move e sai do reflexo no espelho, permitindo que eu veja de relance Izel sentada na cadeira perto da parede. Seu rosto brilha de suor e o sangue escorre do ferimento a bala na coxa. Ela tenta estancar o fluxo com as mãos. Seu rosto bronzeado está contorcido de agonia e raiva. Ela cospe no chão, desafiadoramente.

— Só um ferimento superficial — diz a americana.

Encosto mais na porta. Vejo um par de mãos abertas perto dos pés de Izel: um dos homens que a americana acaba de matar. Engulo em seco e tento acalmar a respiração. A porta se move quando encosto o corpo nela, e inspiro rapidamente. Izel vira a cabeça para o lado e olha para o espelho. Ela sabe que estou escondida aqui. Tento me afastar da porta e voltar para a escuridão do banheiro, mas ela me vê. Um sorriso se espalha por seu rosto.

— Saia daí, Eliza — diz ela, com voz harmoniosa. — Javier está com saudade.

Eu não me mexo. Talvez, se eu ficar parada, ela pense que apenas se confundiu com um reflexo da luz.

Ela tira os olhos de mim, como se a americana tivesse feito alguma coisa para chamar sua atenção de novo.

— Javier quer Guzmán morto — diz Izel. — Ele não teria contratado você e deixado ir embora com todo aquele dinheiro se não quisesse. — Ela abre um sorriso desdenhoso, balança a cabeça para a americana e acrescenta: — Você é uma idiota.

Ouço a cama ranger como se ela tivesse se sentado na ponta, de frente para Izel. Enquanto ela está distraída, me afasto da porta, mas de forma a ver melhor o quarto pelo espelho. Vejo outro corpo caído na parede oposta a Izel.

— E se eu matar Guzmán — diz a americana —, não terei problemas em receber a outra metade do dinheiro. — É uma afirmação, mas ao mesmo tempo uma pergunta.

Izel sorri.

— É claro que não. — Ela inclina a cabeça para o lado. — Ela já fisgou você.

Nenhuma resposta. Sei que Izel está falando de mim.

— A garota não foi comprada nem vendida, só para você saber — acrescenta ela.

— Eu não perguntei.

— Nem precisava.

Izel olha para o espelho de novo, sem mexer a cabeça.

— Vai dar uma de heróina? — diz ela, com a voz carregada de sarcasmo.

— Longe disso — diz a americana. — Vou usá-la como moeda de troca.

Engulo em seco.

Devia ter ficado de boca fechada...

— Isso não vai pegar bem com Javier. Ela não fazia parte do trato. Se você ficar com a garota, Javier não vai gostar.

Uma mecha de cabelo preto cai em seu rosto. Ela estende a mão como se fosse ajeitar o cabelo, mas para no meio do movimento e abaixa o braço. A raiva ajuda a esconder um pouco o medo em sua expressão. Ela sabe que ela vai estourar seus miolos.

— A garota fica comigo até eu matar Guzmán, e então vamos fazer a troca: ela pelo resto do dinheiro.

— E se Javier estiver pouco se fodendo para ela?

— Se fosse assim, você não estaria aqui agora. 


Notas Finais


Até o próximo capítulo 😘😘😘😘


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