História A Morte tem os seus favoritos - Capítulo 9


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Visualizações 4
Palavras 2.158
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Mutilação, Suicídio
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Para quem gosta do que eu escrevo. A Paciência é uma virtude. Demoro a postar porque so gosto de escrever quando estou inspirada e sou exigente comigo mesma

Capítulo 9 - Parte 3 E é aqui que realmente começa


Fanfic / Fanfiction A Morte tem os seus favoritos - Capítulo 9 - Parte 3 E é aqui que realmente começa

Dia 97

 

É como uma avalanche de poeira entrando em seus pulmões 

É como um piano de uma tonelada caindo na sua cabeça 

É um desespero súbito com consequências irreversíveis 

Eu poderia pegar uma espada de prata e enfiá-la em meu peito 

Poderia me enterrar com todas essas dores e sentimentos e sufocá-los até se dissiparem de mim

Poderia me cortar com os meus próprios cacos

Poderia, mas não faço nada

Continuo vivendo mesmo sem saber o porquê. Me submetendo a essa tortura

Talvez seja porque a Vida é miseravelmente curta

Vou morrer um dia isso é certeza

E por mais obscuro que eu seja, jamais em meu coração se passou em matar alguém. Então por que eu mataria a única pessoa que sempre esteve comigo?

PAUSA DRAMÁTICA 

Eu amo um drama

Continuando…

Pensando por outro lado, eu sou dono do meu corpo, eu é quem deveria decidir quando partir, eu é quem deveria tirar o meu direito de viver

Direito de viver…?

Estranho, sinto mais que é uma obrigação do que um direito em si

Não escolho nascer, e sou obrigado a ser feliz, e o pior, não escolho quando morrer

Não temos livre arbítrio 

Fomos criados para ser figurantes de filmes estrelados por uma minoria 

Mas é assim mesmo, se todo mundo fosse extraordinário, isso se tornaria banal e não teria graça 

As vezes acredito que tenha mais magia nos dias comuns, nas pessoas comuns

Um dia eu fui pagar um boleto, me senti aliviado por me livrar dessa conta. Mas o melhor foi que sobrou algum trocado. E com ele comprei um tênis em um bazar da igreja perto da minha casa. Custou cinco reais, um tênis preto bem conservado

A senhora sorriu para mim e mesmo sem eu perguntar, falou que o bazar era para ajudar no tratamento de câncer de uma moça da igreja

"Ela tem duas filhas pequenas, o marido é desempregado, e ela chora de dor e tristeza toda vez que vem aqui porque não quer que ninguém da família a veja sofrendo. A vida é difícil, meu jovem. Você conhece a Jesus?"

Eu apenas balancei a cabeça positivamente e sorri. Desejei que tudo desse certo, mesmo que dentro de mim estivesse um conflito e cheio questionamentos ao Deus dela

Eu me mantive sorridente, dei os cinco reais e fui para casa

É claro que não estava me sentindo o salvador do mundo por ter ajudado com cinco reais, mas me sentir normal

Não sei porque contei isso. Queria que fosse reflexivo, mas é apenas um texto nada especial, que no fundo te deixa com aquela pequena sensação de estar vivo, e continuar vivo

Eu acho que é assim a Vida

Mas ninguém  (muito menos eu) enxerga isso

Para mim a Vida continua sendo uma avalanche de poeira que me sufoca…

 

Mia e Alberto dois jovens distintos de tudo. Apesar de compartilharem da dor de viver. Eles não compartilham da forma como enxergam a vida

Poderia esse ser mais um romance doce? Eu até quis no começo. Só que eles se moldaram em meu cotidiano conflitante 

Mia tem medo. Não, não é um medo que todos têm. É confinador. Como poderia entregar um coração se ele já pertence ao pavor?

Mort não é um badboy, só finge ser. Ele até tem uma queda por viver. Os conflitos internos que o faz ser assim, esquisito. Não vamos culpá-lo 

Eles não tiveram um começo porque só pensavam no fim

Mas ao se encontrarem no banheiro de uma clínica psiquiatra, desejaram por isso.

E lá estavam eles. Alberto fez uma loucura ao se arriscar indo atrás de uma garota que conheceu na Internet

Nem vamos comentar sobre Mia

Vamos sim na verdade

O coração dela está batendo tão rápido que ela sente seu corpo estremecer. Sente que vai desmaiar, mas não pode porque tem um homem gótico esquisito sorrindo para ela. Ele provavelmente roubaria seu corpo

-Mort? -Ela tinha muito para dizer, mas as palavras não se organizam para sair -C-co-como? 

-Mia, por favor se acalme -Mais uma vez ele tenta se aproximar

-Não, não se aproxime 

O sorriso de Alberto se desfez e deu lugar a uma expressão preocupada

-Não irei machucar você. Eu sei que parece que estou perseguindo você 

Os olhos delas se arregalam 

-Você está me perseguindo?

-Não -Diz ele firmemente -Você falou ontem que viria a essa terapia. E há muito tempo você falou que morava na zona oeste e que não vai muito longe de casa. Só liguei as coisas e pesquisei clínicas desse lado da cidade. Só existem duas, sabia?

As expressão de medo dela ainda é persistente. Mas ela respira fundo. Afinal estão em um lugar cheio de pessoas, qualquer coisa é só gritar 

-Sim, eu sei -Ela olha para baixo e encara os tênis dele, depois olha para os lados tentando evitar contato visual

-Ontem eu tive um dia esquisito, sentimentos esquisitos.  Do nada me deu vontade de ver você. Mas sei que levaria muito tempo até te convencer que não sou uma pessoa má, e que jamais machucaria alguém. Existem homens bons no mundo, Mia. Existem homens fora do que você ver nos noticiários -Ele respira fundo - Eu sabia que você ficaria assim, mas com o tempo você pode confiar em mim

Mia não fala nada. Seu semblante fica mais ameno. Ela finalmente fixa o contato visual, e acaba gostando bastante do olhar dele. É um olhar intenso que parece ter histórias para contar. O coração dela vai se acalmando, porém, ela não baixa a guarda

Quando ela pensar em dizer alguma coisa, uma moça entra no banheiro, e se assusta com a figura de Alberto

-Moço, esse é o banheiro feminino 

Alberto mais um vez abre o sorriso

-Eu me confundi… Essa garota aqui -aponta para Mia - estava me explicando a diferença entre homens e mulheres

A moça o olha bastante confusa, a expressão dela é tão feia que faz Mia rir internamente 

-Eu acabei de descobrir a diferença - Ele continua - É chocante, quer saber?

A expressão da moça fica ainda mais esquisita quando percebe sobre o que Alberto está falando

-Seu imbecil. Acha que sou idiota? É melhor sair antes que eu chame alguém 

Aberto olha para Mia que está com leve sorriso e parece estar se divertindo. Então ele aproveita esse momento para poder levá-la para outro lugar 

-Vamos, Mia -Ele pega na mão dela - Vamos descobrir mais segredos sobre o mundo sem ninguém ficar nos julgando

Ele a puxa pela mão e a arrasta sem dizer nada até perto da saída quando ela para e com muita força tira sua mão da dele

-Mia… -Ele a olha com carinho tentando convencê-la 

-O que você vai fazer comigo? 

-Vou te levar para tomar sorvete de menta -Ele sorri- Tem que aproveitar que estou tendo um ataque de euforia e estou gastando dinheiro que eu não devia com você 

Mia abaixa a cabeça e fica roendo as unhas evitando falar mais alguma coisa. Algo dentro dela se acendeu e ela até deseja ir com ele. Mas o medo não a deixa

Ele estende a mão 

-Vamos?

-Eu não gosto de sorvete de menta -Diz quase sussurrando 

-O que? 

-Eu falei que gostava só para rimar com  "Suas doces loucuras me acalenta"

-O que?

-Deixa de ser idiota -Ela faz uma careta quando o olha - Se você se lembra que gosto de sorvete de menta, deveria se lembrar que eu mandei "Suas doces loucuras me acalenta. Me leve ao centro e me compre um sorvete de menta"

Alberto a olha e cruza os braços. Ele parece está se divertindo, mas não quer demonstrar para não desrespeitar as questões internas de Mia

-Bom saber que tudo que sei sobre você são rimas mentirosas

-Não é assim. Tudo que eu disse é verdade. Menos o sorvete de menta, e o vestido amarelo

-Ah, o vestido amarelo de Paris? Puxa! E eu que te imaginei várias vezes com esse vestido 

Mia da um tapa em seu ombro

-Seu pervertido. O problema é que, não é que eu não goste dessas coisas, eu só nunca experimentei sorvete de menta, e acho que fico feia em cores claras,  mas já vi uma modelo usando um vestido amarelo e achei lindo

-Então você julga antes de se quer experimentar? Estou decepcionado com você, Mia -Ele faz uma cara debochada

-Ah! agora vou para casa chorar porque um mané cabeludo depressivo está decepcionado comigo. Tenha um ótimo dia Mor… Alberto

Ela vai caminhando o deixando para trás. Alberto fica sorrindo com o jeito defensivo de Mia. 

Não será uma jornada fácil até convencê-la a deixar os medos de lado pelo menos uma tarde. Na verdade, Alberto sabe que convencê-la disso é ridículo porque se fosse simples assim, ela não teria que ir a terapias e tomar remédios. Não será um idiota que também tem problemas internos que irá "curá-la" desse transtorno, por mais que ele quisesse

Ele fica a observando a atravessar a porta, mas Mia para e parece pensar em algo, então dá meia volta e caminha em direção ao Alberto.

-Mudou de idéia? -Pergunta ele com o mesmo tom debochado de desde quando iniciou essa conversa 

-Esqueci minha bolsa lá na sala -Diz Mia rispidamente e passa direto por ele, e ele sorrir e a segue até a sala

Mia respira fundo antes. Sabe que quando entrar todos os olhares se voltarão para ela, e muitas perguntas serão feitas. Ela reza para pelo menos conseguir criar respostas rápidas e sair logo em seguida 

-Mia, que bom que voltou. Já ia ir atrás de você -A psicóloga diz assim que a ver entrando na sala

Alberto está logo atrás, e entra sem nenhuma vergonha

-E-eu E-eu tive um problema no banheiro -Ela faz uma careta assim que percebe que não devia ter dito isso porque risos debochados surgiram em algum lugar da sala

-Foi os biscoitos -Comenta uma garota morena e gorducha perto das janelas -Toda vez que como, fico com barulhos estranhos no estômago e vou correndo para o banheiro -Ela sorri e abaixa a cabeça 

-Você não devia comer os biscoitos, ainda mais sendo desse tamanho - Kleber o garoto autista, não sabe podar suas palavras 

-Kleber, o que eu já te disse sobre fazer comentários desse tipo? -Pergunta a psicóloga 

-Não foi um comentario, foi um fato - Ele finaliza e também abaixa a cabeça 

A Psicóloga suspira e volta sua atenção para Mia que está tentando sair de fininho 

-Mia, não irá ficar? Faltam só mais dez minutos para finalizarmos 

Ela tenta pensar em uma desculpa, mas sua mente está bagunçada e ansiosa demais para organizar idéias.  Então para não falar nenhuma besteira, ela apenas balança a cabeça positivamente e senta 

Alberto fica parado na porta 

Ele está entretido demais com a situação que esqueceu que não é invisível 

-E você, quem é? -pergunta a psicóloga para ele educadamente 

Ele fica paralisado. Estava tão confiante ao lado de Mia que esqueceu que era um cara inseguro, depressivo e que não gostava muito de atenção 

-Alberto -Diz tentando não olhar para aquela gente curiosa -Sou amigo da Mia

Quando ele diz isso, Mia quase cai da cadeira e toda a atenção se volta para ela

E mais uma vez apenas balança a cabeça em afirmação 

Alberto puxa uma cadeira. Todos abrem espaço para ele se ajeitar na roda. E é claro que o espaço é aberto perto de Mia, já que todos acreditam que por serem amigos querem sentar juntos

E ela suspira meio aflita, meio confusa

E Alberto se alterna também em meio intimidado e envergonhado, meio feliz e animado 

A psicóloga volta com os depoimentos 

Uma última pessoa conta como foi o progresso da semana, que não diferente dos outros no começo,  não conseguiu superar nada e apenas se rendeu ao desespero 

É perguntado ao Alberto se ele quer dizer alguma coisa. Ele balança a cabeça e diz timidamente um quase insonoro não

Mia fica perdida no meio dessa mudança de atitude. Há cinco minutos atrás ele era um cara irritantemente confiante, agora parece um pobre cachorrinho abandonado 

Um discurso de finalização é concluído 

Todos aplaudem e vão para mesa de biscoitos e chás 

Menos os dois que ficam no canto observando os outros 

-Acho que você é mais esquisito que eu -Diz Mia cochichando para Alberto

-Não tenho facilidades para lidar com pessoas. Me sinto perdido e deslocado -Ele retribui o sussurro 

-Você parece ter bastante facilidade comigo -Ela coloca ênfase na palavra "bastante"

-É diferente

-Diferente como?

Ele suspira, e seu semblante fica triste

-Sei lá, é que em anos não consigo me sentir que eu pertenço a algum lugar. Com você só precisou de um email para eu me sentir… -Ele tenta pensar em palavras não tão intensas para não  assustá-la - Confortável - E é a única que ele encontra, mas parece antiquada. Porém, é o melhor que ele tem a dizer nesse momento 

 



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