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História A Mulher Ao Lado - Capítulo 18


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Capítulo 18 - Dúvida e Fim


Shina estacionou o carro lentamente em frente à sua casa.

Suspirou, ainda segurando a direção com ambas as mãos.

Mirou à cozinha pela janela e pôde visualizar Yoshino e Aldebaran animados, conversando entre si enquanto dividiam o espaço para preparar o jantar.

Sorriu.

Como ela amava a família que os deuses a haviam presenteado!

Desceu do carro, caminhou até a porta e abriu. Pai e filha ainda conversavam entre si, mas mudaram o semblante quando perceberam a italiana entrar.

Ciente de que o marido e a filha ainda estavam chateados, tentou mudar o assunto como se nada tivesse acontecido.

— O que temos para o jantar? — sorriu ao fechar a porta.

Aldebaran não respondeu, enquanto Yoshino mirava a mãe.

— Purê de batata e vegetais com creme. — Voltou a picar os vegetais.

Shina respirou profundamente, apoiando-se com as mãos em uma cadeira embaixo da mesa.

— Até quando vão ficar me encarando assim?

Pai e filha se entreolharam, mas nada disseram. Continuaram a preparar o jantar sem responder. Shina estava tomada pelo ódio.

— Fiz uma pergunta!

Yoshino a mirou triste, largando a faca e baixando a cabeça. Levantou, limpou as mãos em um pano de louça e caminhou para o quarto.

— Perdi a fome…

Aldebaran que analisava a comida na panela, nada disse. Olhar enfurecido, a esposa se aproximou do marido em frente ao fogão.

— Está colocando minha filha contra mim, Aldebaran?

— Não estou colocando ninguém contra você, Shina. É você mesma que está fazendo isso! — jogou o avental sobre a mesa, virou as costas e saiu, batendo a porta do quarto.

Mais furiosa ainda, caminhou atrás dele, abriu a porta e entrou. Aldebaran apenas se despia enquanto ouvia a esposa falar.

— Você esqueceu que somos protetores de Atena?!

O guerreiro de ouro nada dizia, apenas tirava as peças de roupa vagarosamente. Shina encheu os olhos de lágrimas, havia tempos que não se aproximavam ou iam juntos para a cama. Odiava ver a situação do jeito que estava, mas não podia contar ao marido, sabia que ele iria querer enfrentar Poseidon se soubesse de tudo.

— Por favor, Aldebaran... — tentou abraçar o homem nu em frente de si.

Chateado, se desvencilhou educadamente.

— Preciso tomar banho. — Entrou no chuveiro e fechou à porta.

Shina ficou para trás, limpando as lágrimas que caíram. Caminhou até a porta do quarto da filha e bateu levemente.

— Vamos terminar o jantar, querida?

— Não, mamãe, obrigada.

Shina apenas assentiu, caminhou para a cozinha e mirou a comida que fervia na panela.

Teria que jantar sozinha desta vez.

 

 

 

 

Rede de voleibol estendida sobre a areia, Shun e Hyoga arremessavam a bola para a pequena Natássia, que tentava acertá-la com as mãos pequeninas.

A temporada de verão já havia começado, turistas e moradores se aglomeravam nas praias para aproveitar o calor que fazia, preenchendo o espaço com cadeiras e guarda-sóis.

Shiryu sorriu, braços cruzados, observando a pequena Natássia rindo ao tentar acertar a bola. Shunrei ajustou os óculos de sol sobre o rosto, relaxando sobre a cadeira.

— Será que o Seiya e a Miho virão?

Shiryu nada disse, apenas assentiu, observando o casal de amigos que se aproximava.

— Lá vêm eles. — Apontou com o rosto na direção do casal, que de mãos dadas, pisou na areia com os pés descalços.

Seiya acenou longinquamente para o amigo, que apenas ergueu a mão em resposta. Miho largou a cesta sobre o chão, e mãos dadas a Seiya, caminhou até o lado de Natássia, entrando no jogo e no time da pequena também.

Shunrei observou Miho, ela estava mesmo feliz com o relacionamento deles.

— Eles ficam bonitinhos juntos. — A chinesa relaxou na cadeira, jogando um dos braços para trás.

Shiryu nada disse, apenas assentiu em concordância. O jogo terminou e a pequena Natássia bateu palmas e pulou de alegria.

Suado, Seiya caminhou até a cesta para pegar uma garrafa de água, Miho o seguiu logo atrás, parou em frente a ele e sorriu, Seiya terminou de beber e a beijou.

Shunrei e Shiryu arquearam as sobrancelhas e sorriram, a professora interrompeu o beijo e animadamente, sentou em frente a esposa de Shiryu para conversar.

Sorridente, o dragão se aproximou do amigo, ajustando os óculos escuros.

— Como está, Seiya? Faz meses que não nos vemos.

— Verdade, amigo. Estou bem ocupado no orfanato.

— Apenas no orfanato? — Sorriu. — Fiquei sabendo que você e a Miho vão morar juntos.

O amigo sorriu e assentiu, levando mais uma vez a garrafa até a boca. Shiryu observou o guerreiro à sua frente. Seiya era realmente uma pessoa incrível e merecia encontrar à felicidade.

— Fico feliz por você amigo, você e a Miho são perfeitos um para o outro. — Bateu levemente no ombro dele.

Seiya mirou a namorada conversando com Shunrei. Piscou e ela retribuiu. Já estavam alguns meses juntos, mas só agora pensavam em dividir o mesmo teto.

— Miho está pensando em levar as coisas para a minha casa. No orfanato não há espaço para nós.

Shiryu assentiu seriamente.

Silêncio entre eles.

O barulho das gaivotas, assim como as vozes entre Shunrei e Miho, sonorizam o local.

Seiya hesitou e mirou o amigo com os braços cruzados.

Precisava perguntar algo.

— Como está a Saori?

Shiryu hesitou e sorriu atrás dos óculos escuros.

— Creio que esteja bem.

— Há meses que não a vejo… — olhar suplicante.

— Deve estar bem ocupada com os preparativos para o casamento.

Seiya engoliu em seco. Ainda não podia crer que Saori iria casar-se com Julian Solo.

— É, deve estar mesmo…

Shiryu mirou o amigo, sabia que ele estava realmente chateado com toda a situação. A verdade era que, ninguém estava contente, mas questionar Atena sobre sua vida pessoal não era correto, pelo menos, não novamente.

Seiya terminou de beber, largou a garrafa e correu para o mar. Mergulhando e subindo para respirar. Observou a namorada na areia, Miho era realmente uma mulher incrível, e os momentos que vinha dividindo com ela durante todos esses meses juntos, não haviam sido nada além de agradáveis.

Sorriu, acenando para que ela se unisse a ele. Miho assentiu, se desculpou com Shunrei e caminhou para o mar, mergulhando para se abraçar ao pescoço do namorado.

— Ainda está fria…

Seiya a envolveu com os braços fortes. Ela amava quando ele fazia isso, sentia-se mais protegida.

Se beijaram novamente até que ela sorriu.

— Vamos fazer a mudança hoje?

Seiya sorriu ainda apreensivo. Não sabia se queria realmente morar com ela, entretanto, não havia motivo para não aceitar a proposta.

— Claro. — A beijou rapidamente.

Miho sorriu e arqueou as sobrancelhas.

— Vou ter que fazer algumas modificações…

Franziu, fingindo estar chateado.

— Como assim?

— Principalmente relacionadas à limpeza.

Seiya sacudiu a cabeça, fingindo estar bravo. A professora riu, enquanto ele a beijava no pescoço rapidamente, causando lhe cócegas.

Se abraçaram e se beijaram mais uma vez, saliva que se misturava com a água salgada.

Silêncio entre eles.

Nariz contra nariz.

O barulho de turistas conversando, misturado as ondas que os balançavam, eram os únicos sons proferidos ao redor deles.

 

 

 

 

Os dias haviam passado tão rapidamente, que Saori não notou que a data de seu casamento estava para chegar. Acreditando ser apenas mais uma manhã, sentou na cama rapidamente quando Jabu bateu na porta, avisando que renomadas estilistas a esperavam para acertar os últimos detalhes do vestido de noiva.

Hesitou em frente ao espelho, as mulheres ao redor sorriram animadas pelo resultado. Entretanto, a neta de Mitsumasa Kido nada dizia, seu olhar era de indiferença perante a finíssima seda que trajava.

Apreensiva, uma das estilistas se aproximou.

— O vestido lhe serviu perfeitamente, senhorita Kido.

Saori nada disse, seu olhar estava perdido, mirando o sol do verão que queimava as flores do jardim.

Nervosa, as mulheres trocaram olhares de desespero.

Será que ela havia gostado?

A deusa ainda permanecia com olhar perdido.

— Senhorita Kido?

Saiu de seu devaneio, desceu lentamente e sorriu.

— Está lindo!

As empreendedoras se entreolharam e suspiraram aliviadas. Após terminar os últimos detalhes, assentiram e se retiraram.

Sozinha dentro de seu closet, ela observou o vestido em um manequim.

Após educadas discussões, Julian conseguira convencê-la de que os trajes, a cerimônia e tudo relacionado à festa seguissem fielmente todas as tradições gregas possíveis.

Apesar de ter nascido na Grécia, Saori nunca se sentiu uma europeia. Havia sido criada com os costumes locais do Japão e sentia-se confortável com a cultura e a educação japonesa.

Porém, não queria discutir, era só mais uma festa.

Tocou o tecido delicadamente, imaginando um Quimono usado em casamentos que havia frequentado como convidada.

Lembrou de Seiya, e sorriu ao imaginar ambos vestidos em um altar.

Uma batida na porta foi ouvida.

Suspirou.

Comandou que entrassem.

Julian.

Ele sorriu e ela o observou. Sentia-se mal pelas vezes que acabaram discutindo, e, ao mesmo tempo, uma completa ingrata por ter alguém tão incrível, querendo passar a vida ao lado dela.

— Bom dia.

— Bom dia.

Se aproximou e estendeu a mão a ela.

— O dia está próximo.

Ela aceitou, segurando as mãos dele.

— Nunca pensei que passaria tão rápido.

Acariciou as mãos dela.

— Gostaria de perguntar mais uma vez, está indecisa?

Saori hesitou e engoliu em seco.

— Não, apenas nervosa. Não sei como evitaremos a imprensa desta vez.

Despreocupado, Julian deu de ombros.

— Não importa, deixe-os fazerem o seu trabalho.

Saori assentiu, enquanto Julian mirava a lingerie branca que ela vestia embaixo de um robe azul transparente.

Podia se vislumbrar as curvas, assim como os seios enrijecidos pelo frio matinal.

— Você com essa roupa… logo pela manhã…

Saori riu e foi arrastada pela cintura, sentindo a ereção dele. O puxou pela gravata e mordeu os lábios do homem à sua frente.

Se beijaram.

Arrancando as vestes que possuíam.

 

 

 

 

Pés descalços sobre a areia da praia, Shina sentia o vento que balançava seu cabelo.

Mirou os pés fundos na areia.

Já deveriam estar aqui.

Suspirou.

Quando tudo isso acabasse, teria que conquistar o marido e a filha outra vez.

Uma enorme onda se formou, e o deus dos mares surgiu dentre um caminho aberto às águas, Tétis de Sereia o seguia.

Imponentemente, ele sorriu ao ver a amazona de Atena.

— Como está, mulher?

Irritada.

— Como acha que estou?

Julian abriu um enorme sorriso.

— Não se preocupe, estamos chegando ao fim.

Franziu.

— Estamos chegando? O que quer dizer com isso?! Minha parte está feita, Atena já está em seus braços não?!

Poseidon arqueou a sobrancelhas.

— Quase.

— Quase?

Shina cerrou os punhos, como queria matar esse homem! Julian assentiu, virou as costas e voltou para desaparecer no mar que se fechou.

Tétis hesitou e mirou à mulher a sua frente.

— Você realmente está em maus lençóis.

— Saia da minha frente, Tétis! Não quero matar você… pelo menos, não hoje.

A sereia riu e sacudiu a cabeça, transformando-se e saltando para desaparecer no mar.

Shina ficou para trás.

Caindo sobre a areia.

Chorando desesperadamente.

Quando tudo isso chegaria ao fim?

Respirou fundo.

Não podia se entregar, pelo menos, não ainda.

Yoshino e Aldebaran corriam perigo, assim como Seiya e a deusa Atena.

Não podia chorar agora.

Não podia ter medo!

Determinada, levantou, mirando o mar que se acalmava.

Ela era uma amazona de Atena, e por ela e pela humanidade, teria que lutar.

Ergueu a cabeça, virou as costas e caminhou em direção à calçada.



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